O dia ainda nem amanheceu na margem direita do rio Madeira, e o agricultor Artur Raposo já está de pé, iniciando mais uma jornada no campo. Após organizar suas ferramentas, ele prepara um café com sabor especial: plantado, colhido, torrado e moído pela própria associação de produtores do Reassentamento Santa Rita, localizado a cerca de 60 quilômetros do perímetro urbano de Porto Velho, na BR-364, km 54.
Artur faz parte de uma comunidade com mais de cem famílias que viviam na margem esquerda do rio Madeira e precisaram ser removidas devido à construção da UHE Santo Antônio. Foi na nova terra que ele descobriu o potencial do café, que hoje se consolida como uma importante fonte de renda e um vetor de melhoria na qualidade de vida da população local.
A associação criada para beneficiar e comercializar o produto já colhe bons resultados com sua marca própria, o Café Ajuri, um robusta amazônico produzido 100% na região. O produto já é consumido em diversas casas da capital e até no exterior, levando o nome da comunidade a eventos importantes, como a COP 30, realizada no ano passado em Belém (PA), da qual Artur participou.
Para o produtor, o apoio da Prefeitura de Porto Velho tem sido fundamental para ampliar as perspectivas de crescimento. “Hoje conseguimos sonhar com uma produção maior, graças aos incentivos e melhorias que vêm sendo realizados”, destaca.
Com mais de 50 hectares cultivados, Artur ressalta a importância de programas como o “Porteira Adentro”, que facilita o acesso às propriedades com a recuperação de estradas vicinais e garante melhores condições para o escoamento da produção e chegada de insumos.
“Nós enxergamos o café como a oportunidade de um futuro próspero para nossa comunidade. O valor agregado após o beneficiamento faz toda a diferença. Estamos aprendendo cada vez mais sobre a torra de qualidade e fortalecendo nossa marca, graças às parcerias, especialmente com a Prefeitura de Porto Velho”.
O prefeito Léo Moraes reafirmou o compromisso da gestão com os produtores rurais da capital. Segundo ele, o fortalecimento dessas comunidades é essencial para o desenvolvimento do município.
“Em Porto Velho, o café vem mudando histórias e trazendo novas perspectivas. Nossa vocação natural contribui para a qualidade da produção, e a prefeitura seguirá parceira e atenta às necessidades dos nossos produtores”.
Instituições como o IFRO e a UNIR estão entre os principais compradores do café produzido pelos reassentados da comunidade Santa Rita.
A região Matas de Rondônia, situada entre o cenário amazônico e o cerrado é responsável por 75% da produção de café do estado, contribuindo para a conquista de Rondônia no 1º lugar em produção de café da Região Norte e no bioma amazônico; e do 5º lugar no Brasil.Produz um tipo de café único no mundo, cultivado com práticas agrícolas sustentáveis. A produção recebeu, em 2021, o Selo Indicação Geográfica (IG), do tipo denominação de Origem (DO), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). É o reconhecimento do sabor, qualidade e sustentabilidade do café das Matas de Rondônia.
O café produzido nas Matas de Rondônia é da espécie canéfora e é conhecido como ‘Robustas Amazônicos’, que se dá bem com o calor e altitudes menores do estado, ao contrário do arábica, outra variedade existente no Brasil, que se desenvolve em regiões com temperaturas mais baixas e montanhosas. O Robustas Amazônico é um café mais encorpado, doce, com sabor achocolatado e frutado, com toque de caramelo e floral. Carrega em si o ‘terroir amazônico’, combinações que revelam a riqueza e identidade da floresta amazônica.
O Robustas Amazônico é um café mais encorpado, doce, com sabor achocolatado e frutado, com toque de caramelo e floral
A região Matas de Rondônia abrange 15 municípios localizados na região do Café, Vale do Guaporé e Zona da Mata do estado, estendendo-se por Alta Floresta d’Oeste, Alto Alegre dos Parecis, Alvorada do Oeste, Cacoal, Castanheiras, Espigão d’Oeste, Ministro Andreazza, Nova Brasilândia d’Oeste, Novo Horizonte do Oeste, Primavera de Rondônia, Rolim de Moura, Santa Luzia d’Oeste, São Felipe d’Oeste, São Miguel do Guaporé e Seringueiras. Contempla, também, seis reservas indígenas.
Segundo estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apenas 0,8% (34,4 mil hectares) da área das Matas de Rondônia são ocupadas por cafezais, porém altamente produtivos, denominados de poupa-terra e, bastante frutíferos. Há muita floresta nativa no entorno (52% da área, sendo que 56% dela está em Terras Indígenas), o que faz jus ao nome ‘‘Matas de Rondônia’’. Além disso, a maioria dos estabelecimentos produtores de café foram classificados como de agricultura familiar, ou seja, é cultivado em pequenas propriedades.
CULTIVO FAVORÁVEL
O solo da região tem boa aptidão para fornecer nutrientes e a água para sustentar as lavouras, nutrindo os pés de café mesmo nos dias quentes. O relevo plano favorece a adoção de mecanização, o que ajuda a usar maquinários e tecnologias para dar precisão na adubação, irrigação e colheita. E, na época da colheita, a secagem dos grãos é no verão amazônico.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Rondônia consolidou a melhor produtividade de café no país, atingindo a marca histórica de 63,6 sacas por hectare na safra de 2026. Este desempenho supera amplamente estados tradicionais, como o Espírito Santo (47,9 sc/ha) e a Bahia (44,6 sc/ha), produtores das duas espécies, canéfora e arábica. Levando-se em consideração apenas a produção de cafés da espécie canéfora (única produzida em Rondônia), o estado tem a segunda maior média do país, atrás apenas do estado da Bahia.
Produtividade de Café por Estado (Safra 2026) – Quadro geral
Atualmente, Rondônia produz 85,9% mais por hectare do que a média dos produtores brasileiros, que é de 34,2 sacas por hectare. O café é a terceira cultura mais importante do agro do estado. Ao se comparar as regiões com indicação geográfica, a Matas de Rondônia é a que possui maior produtividade média. Segundo levantamento da Embrapa em 2024, a média já era de 68,5 sacas por hectare. Considerando a implantação de lavouras mais tecnológicas que iniciam a produção e do clima favorável, a expectativa é que, em 2026, supere a média de 70 sacas por hectare.
A cafeicultura na região Matas de Rondônia destaca-se como um modelo sustentável de produção familiar e aliada ao clima
SUSTENTABILIDADE NA AMAZÔNIA
Rondônia responde por 75,4% da área plantada com café na Amazônia e por 93,8% do total produzido, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dentro desse cenário, o sucesso do café das Matas de Rondônia tem um ingrediente especial: respeito à floresta. Um estudo inédito realizado pela Embrapa comprova a sustentabilidade da cafeicultura das Matas de Rondônia.
As lavouras de cafés Robustas Amazônicos sequestram 2,3 mais carbono (gás de efeito estufa que impulsiona o aquecimento global) do que emitem. Isso significa um saldo de carbono, retido nas lavouras de quase 4 toneladas por hectare.
Assim, a cultura se destaca como um modelo sustentável de produção familiar, aliada ao clima, provando que as famílias produzem com qualidade, respeitando a natureza.
CONSERVAÇÃO: as propriedades de café na região preservam as matas nativas e, ainda, ajudam a recuperar áreas degradadas;
SEQUESTRO DE CARBONO: as lavouras de café funcionam como miniflorestas ou ‘‘pulmões extras da floresta”, ajudando a limpar o ar e mantendo o clima fresco, ajudam, inclusive, a retirar o excesso de gás carbônico do ar (CO2), fortalecendo o combate ao aquecimento climático.
Saiba mais sobre a cafeicultura e sustentabilidade nas Matas de Rondônia neste link
Rondônia consolidou a melhor produtividade de café no país, atingindo a marca histórica de 63,6 sacas por hectare na safra de 2026
Da região Matas de Rondônia brotam cafés premiados:
Coffee of the Year 2025 (SIC): Angélica Alexandrino Nicola, do Sítio São Sebastião em Seringueiras, conquistou o 2º lugar no Brasil com o Café Sauá, destacando o Robusta Amazônico.
Florada Premiada 2025: produtoras rondonienses Ângela Maria Coutinho (Seringueiras) e Fabiana Souza Leal (Espigão do Oeste) garantiram o 1º e 2º lugares no Brasil no maior concurso feminino do Brasil.
Concurso Tribos 2024/2025: o café do povo Paiter Suruí, produzido em Cacoal pelo cacique Rafael Suruí, atingiu nota máxima no concurso realizado há sete anos. Em todo esse período, nenhum café tinha atingido nota tão alta.
Concurso Melhor Café de Rondônia 2025: a produtora Débora Cristina Buziquia Fuzinato, do município de Rolim de Moura foi a campeã do 10º Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia (Concafé 2025).
O café das Matas de Rondônia carrega em si o ‘terroir amazônico’, combinações que revelam a riqueza e identidade da floresta amazônica
CONCAFÉ E FEIRA ROBUSTAS AMAZÔNICOS
Para estimular a qualidade do café de Rondônia e a valorização da cadeia produtiva acontece nas Matas de Rondônia iniciativas que atraem o público nacional e internacional para conhecer melhor os Robustas Amazônicos. O Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café (Concafé), realizado pelo governo de Rondônia e que premia os melhores cafés do estado, com distribuição de prêmios por empresas privadas, passou em 2024 a ter em sua programação, a Feira Robustas Amazônicos, em parceria com a Cafeicultores Associados da Região da Amazônia (Caferon). O evento reúne expositores, produtores, investidores e apreciadores, anualmente, no município de Cacoal.
Noite de premiação do Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café, realizado pelo governo de Rondônia, e que passou em 2024, a ter em sua programação a Feira Robustas Amazônicos, em Cacoal
ROTA TURÍSTICA DO CAFÉ
O café também é turismo nas Matas de Rondônia. A Rota Turística do Café fortalece o turismo rural e promove a cultura cafeeira. A rota foi criada pelo governo de Rondônia, por meio da Lei n° 5.512, de 21 de dezembro de 2022. Inicialmente, a rota percorria os municípios de Cacoal, Nova Brasilândia d’Oeste, Alta Floresta d’Oeste e Alto Alegre dos Parecis. Em janeiro de 2025, o governo de Rondônia, por meio da Lei n° 5.958, acrescentou mais municípios à rota, que atualmente passa por Alta Floresta d’Oeste, Alto Alegre dos Parecis, Alvorada d’Oeste, Cacoal, Castanheiras, Espigão do Oeste, Ministro Andreazza, Nova Brasilândia d’Oeste, Novo Horizonte do Oeste, Primavera de Rondônia, Rolim de Moura, Santa Luzia d’Oeste, São Felipe d’Oeste, São Miguel do Guaporé e Seringueiras. Contemplando todos os municípios da região Matas de Rondônia na Rota Turística.
Propriedades dos Bento destaca-se na Rota Turística do Café na Matas de Rondônia
HISTÓRIA POR TRÁS DOS CAFÉS
A lavoura dos Cafés da família do agricultor Deigson Bento, em Cacoal é premiada nacionalmente e recebe uma quantidade impressionante de visitantes. Os avós são mineiros, foram para o Mato Grosso e de lá vieram para Rondônia atrás do sonho de ter uma terra para produzir. “As pessoas começaram a querer conhecer esse local premiado. Foi onde tivemos a ideia de abrir a nossa casa para as pessoas conhecerem. Iniciamos atendendo, em média, de 400 a 500 pessoas por mês. Hoje, com cinco anos de abertura ao público, passam mais de 2.500 pessoas por mês na nossa propriedade”, afirmou. A família recebe desde produtores e especialistas, a ‘coffee lovers’ e consumidores finais. Os visitantes conhecem desde a lavoura até a torrefação e, ainda podem degustar do que é produzido, no mais recente empreendimento da família, a lanchonete das mulheres com cafés especiais e produtos regionais, inclusive bolo de café. As visitas guiadas são gratuitas e podem ser agendadas pelo telefone: (69) 999780449.
A propriedade dos Bento em Cacoal impressiona por proporcionar qualidade de vida em uma área de apenas 12 hectares
O agricultor conta que o que mais impressiona os visitantes são os bons resultados em uma propriedade pequena. ”São 12 hectares onde vivem cinco famílias com qualidade de vida. Eles também se impressionam com o padrão de qualidade rigoroso e a saúde das plantas. O segredo dos cafés especiais é trabalhar com amor no que faz. Se você coloca amor, colhe sucesso. Temos café no sangue. Cuidamos com carinho porque o café que eu quero consumir é o mesmo que eu quero para o meu cliente. Além disso, quando vemos o governo e o produtor trabalhando juntos para trazer qualidade de vida aos que vivem no campo é uma grande vitória. Em poucos estados vemos a evolução e a união que temos em Rondônia. Essa união é um ingrediente importante na transformação da cafeicultura. Ano passado, recebemos um benefício por meio da Cafeicultores Associados da Região da Amazônia (Caferon): duas secadoras estáticas que o governo nos gratificou para trazer mais qualidade ao café”, disse.
O CAFÉ PERFEITO
Um feito histórico para os Robustas Amazônicos foi conquistado pelo cacique Rafael Mopimop Suruí, com produção em terra indígena de Rondônia. Obteve a maior avaliação com a nota média de 95,11 pontos na 6ª edição do Concurso Tribos, em avaliação de nove especialistas, e celebrou o café perfeito ao receber, na mesma ocasião, 100 pontos do Head Judge, Silvio Leite, jurado técnico da qualidade dos cafés, conhecido como Papa do Café. “É a minha primeira nota 100 em café canéfora em mais de 40 anos de carreira; eu tenho três notas 100 em arábicas. É muito difícil chegar a essa pontuação, pois representam lotes que chegaram muito perto da perfeição. Neste caso, identifiquei uma grandeza de sabores espetacular, que pode ajudar produtores no mundo inteiro com este tipo de qualidade. É um café exemplar, perfeito”, disse o jurado técnico.
Marco histórico mundial para a espécie Canéfora: café Robusta Amazônico, produzido pelo cacique Rafael Suruí atingiu 100 pontos
O café com nota máxima é fruto de uma dedicação exemplar dos indígenas e do Projeto Tribos, baseado em três pilares: Protagonismo do Indígena, Proteção da Floresta e Produção de Cafés Especiais, desenvolvido por uma empresa parceira da Embrapa, Fundação Nacional do Índio (Funai), governo de Rondônia, por meio da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO), Câmara Setorial do Café e cooperativas indígenas locais. “Desde 1981, o povo Paiter trabalha com o café em Rondônia. O que antes era apenas para sustento transformou-se, por meio de parceria, numa busca por café especial. O resultado de 100 pontos que alcançamos é fruto de dedicação, amor e da preservação da nossa floresta. Esse café é orgânico, não usa agrotóxicos e valoriza o nosso protagonismo. Hoje, temos jovens baristas formados que fazem o curso e trabalham dentro da reserva, moendo e torrando o nosso próprio café. Isso mostra que o indígena é capaz de produzir com qualidade. Valorizar o nosso trabalho é valorizar o nosso território e o futuro das nossas gerações, provando que a preservação e a produção andam de mãos dadas”, destacou.
Débora Cristina Buziquia Fuzinato, de Rolim de Moura, foi a ganhadora do melhor café de Rondônia no Concafé 2025
APERFEIÇOAMENTO
No 10º Concafé (2025), concurso que premia os melhores cafés de Rondônia, o topo do pódio foi ocupado por Débora Cristina Buziquia Fuzinato, de Rolim de Moura. Com uma nota histórica de 90,38 pontos, a produtora provou que a persistência e o suporte técnico são os segredos para o aperfeiçoamento da produção. “O café entrou na minha vida por meio do meu marido; ele é um apaixonado por café e foi com ele que aprendi a gostar. Hoje, o café ocupa um lugar muito especial na minha vida e, por meio dele, alcancei várias conquistas e a realização de sonhos. Uma dessas grandes vitórias foi a criação da nossa própria marca, um sonho que estamos concretizando agora. Não sei nem como explicar a emoção de meu café ser o grande campeão. Ele foi feito como todo produtor que participa: com um grande amor pela lida. Acredito que o diferencial foi a dedicação total nos detalhes: o cuidado na hora da fermentação e a atenção na secagem foram os grandes segredos para o meu café atingir esse nível de excelência e ser premiado. Também gostaria de destacar o apoio que recebemos do governo do estado, que tem nos ajudado muito. Somos atendidos pela Emater-RO, que é o nosso suporte técnico aqui na ponta e a Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) que também está sempre presente e bastante prestativa, assim como a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril (Idaron). Esse apoio do governo é fundamental para nós, produtores rurais e para o sucesso deste concurso.”
FLORADA DE AÇÕES CONJUNTAS
Em Rondônia é assim: florada nos cafezais e florada de ações conjuntas. Está brotando integração e o estado colhe um ambiente especial para a cafeicultura, com o governo de Rondônia de mãos dadas com os produtores, com as instituições de pesquisa e parceiros.
Governador de Rondônia, Marcos Rocha em uma propriedade exemplo na produção de café
Marcos Rocha | governador de Rondônia
‘’O que o governo de Rondônia faz é dar a mão para quem trabalha na terra por meio de diversas políticas públicas. A região Matas de Rondônia é uma área com uma produção impressionante de cafés premiados e apreciados no mercado global. Por isso, o governo investe em genética, novas tecnologias, assistência e visibilidade para que o mundo inteiro conheça o café das Matas de Rondônia e de todo o estado, pois traz a combinação perfeita da dedicação de uma gente trabalhadora e o cuidado com a floresta amazônica”, enfatizou.
Luiz Paulo | secretário da Seagri
”Esse café único de Rondônia vem da agricultura familiar, são mais de 17 mil famílias produtoras, inclusive é cultivado em aldeias indígenas abrangendo mais de 49 mil hectares plantados, onde a Mata de Rondônia é o berço dos Robustas Amazônicas. A cafeicultura rondoniense, em diversas safras, supera a marca de 3 milhões de sacas, o que equivale a mais de 20 bilhões de xícaras de café. Relevante em volume, qualidade e sustentabilidade, este cultivo contribui para a conservação da Amazônia”, frisou.
Hermes José Dias Filho | diretor-Presidente da Emater-RO
Enrique Alves, pesquisador da Embrapa em Rondônia
“Nosso papel na Emater-RO é garantir que a tecnologia chegue à ponta, na mão da agricultura familiar. Quando oferecemos assistência técnica gratuita e de qualidade, não estamos apenas ensinando a plantar café; estamos promovendo dignidade e sucessão familiar no campo. A explosão de produtividade que vemos, hoje, é o resultado direto de levar sustentabilidade e inovação para dentro das pequenas propriedades, provando que é possível ser altamente lucrativo respeitando a floresta”, salientou.
Enrique Alves | pesquisador da Embrapa em Rondônia
‘’Nossa pesquisa comprovou com dados científicos o que a gente já via no campo: a cafeicultura nas Matas de Rondônia é uma grande parceira da conservação. O produtor da região consegue produzir muito em pouco espaço, não há pressão para desmatamento. É um modelo de sustentabilidade, compatível com a floresta, que serve de exemplo para o mundo inteiro. Graças as tecnologias adaptadas à Amazônia, o estado produz um dos cafés mais genuínos e emblemáticos do mundo”, ressaltou.
Juan Travain | presidente da Caferon
Juan Travain, presidente da Caferon
“Os cafés das Matas de Rondônia, os Robustas Amazônicos, têm um gosto que vem da nossa história e do carinho que a gente tem com a terra. Esse selo de Indicação Geográfica é a prova de que o nosso café é único porque ele cresce abraçado com a floresta. Mas o que me deixa mais feliz é ver a união dos produtores. É o vizinho ajudando o vizinho para que a nossa cafeicultura seja reconhecida, um vibra com o sucesso do outro. Quando o mundo elogia o nosso café, ele faz menção a dedicação de cada família que acorda cedo e se dedica a produzir o melhor café”, disse.
PANORAMA DA NOVA FASE DA CAFEICULTURA
A renovação das lavouras passou a ser feita com mudas clonais de alta qualidade em uma união de esforços dos próprios produtores e do governo de Rondônia
Os melhores clones são selecionados por meio da parceria entre Sedec e Embrapa, que desenvolvem juntos a Rede Café, Projeto Rede Estadual de Avaliação de Clones de Café em Rondônia, com a identificação dos melhores clones de Robustas Amazônicos
O governo do estado também promove treinamento constante dos seus técnicos, por meio da Emater-RO, com ênfase em novas tecnologias de produção, resiliência climática e sustentabilidade
Com o incentivo à qualidade, sustentabilidade e torrefação local através das agroindústrias, o lucro do Robusta Amazônico, um café especial na Amazônia, também aumentou, aumentando também a qualidade de vida dos produtores
GANHOU O MERCADO GLOBAL
Esse café saboroso e sustentável passou a ser apreciado além das fronteiras do estado. Ações do governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), garantiram mais visibilidade ao café no mercado global por meio de missões internacionais com a equipe do governo e produtores. Resultado: os cafés de Rondônia fazem cada vez mais sucesso no cenário internacional, com a conquista de recorde de exportações, de 2023 (6.709.535 kg Líquido) para 2024 (35.056.181 kg Líquido), um aumento de 422,48%, ou seja, cinco vezes maior, conforme dados da Sedec, extraídos do Comex Stat — plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que reúne dados do Comércio Exterior Brasileiro.
E, em uma ação especial integrada com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a região recebeu, em 2023, 20 compradores de 11 países diferentes. E, de forma inédita, houve o Dia do Café de Rondônia em Londres, em 2024. Valorizado no mercado externo, em 2025 o destino do café de Rondônia deu uma virada: os estados brasileiros passaram a prestigiar as robustas amazônicas, ficando como a maior fatia da destinação dos produtos, marcando a consolidação do café rondoniense com apreciação por brasileiros e estrangeiros, pois o interesse internacional segue em alta.
O café de Rondônia deixou de ser uma commodity comum para se tornar um produto de alto valor agregado. A missão da Sedec é abrir as portas dos mercados nacionais e internacionais, conectando o sabor dos Robustas Amazônicos com os principais mercados do mundo. O reconhecimento do café como Patrimônio Cultural e Imaterial é o selo definitivo de que Rondônia é hoje uma potência econômica verde, onde o lucro e a conservação caminham juntos.
GALERIA DE FOTOS DAS LAVOURAS DE CAFÉ NA MATAS DE RONDÔNIA
Rondônia é o quinto maior produtor de café do Brasil e o segundo maior na produção de robusta
Pesquisa mostra que a cafeicultura da região Matas de Rondônia absorve mais carbono que emite, comprovando que acultura se destaca como um modelo sustentável de produção familiar e aliada ao clima
Rondônia responde por 75,4% da área plantada com café na Amazônia e por 93,8% do total produzido no bioma
Apenas 0,8% (34,4 mil hectares) da área das Matas de Rondônia são ocupadas por cafezais, 52% da área são florestas nativas, sendo que 56% dela está em Terras indígenas, o que faz jus ao nome ‘‘Matas de Rondônia’’
Atualmente, Rondônia produz 85,9% mais por hectare do que a média dos produtores brasileiros, que é de 34,2 sacas por hectare
Ao se comparar as regiões com indicação geográfica, as Matas de Rondônia é a que possui maior produtividade média
Segundo levantamento da Embrapa em 2024, a média já era de 68,5 sacas por hectare
Rondônia consolidou a melhor produtividade de café no país, atingindo a marca histórica de 63,6 sacas por hectare na safra de 2026
Secagem de café da lavoura do cacique Rafael Suruí
Lanchonete da família Bento na Rota Turística do Café
Lavoura do agricultor Ronaldo Bento, patriarca da família Bento
Estande dos Robustas Amazônicos na Semana Internacional do Café – SIC 2025, em Minas Gerais
Feira Robustas Amazônicos conecta produtores e investidores anualmente em Cacoal
UNIR retoma ProAqua Rondônia e amplia apoio à piscicultura no estado
A Universidade Federal de Rondônia (UNIR) retomou, no início de 2026, as atividades do ProAqua Rondônia, programa voltado ao fortalecimento da piscicultura no estado. A iniciativa amplia a assistência técnica aos produtores, promove a regularização da atividade e fortalece a articulação entre instituições públicas e o setor produtivo.
O ProAqua Rondônia atua diretamente junto aos piscicultores, integrando conhecimento técnico, gestão produtiva e acesso a políticas públicas. Com a participação de professores, pesquisadores e equipe técnica da universidade, o programa realiza acompanhamento das unidades produtivas, orienta sobre aspectos legais e desenvolve ferramentas de monitoramento da produção aquícola.
A retomada do ProAqua Rondônia reforça o papel da universidade pública no desenvolvimento regional, contribuindo para a organização da cadeia produtiva do pescado e ampliando a presença da UNIR nas diferentes realidades econômicas e sociais do estado.
ProAqua Rondônia: UNIR retoma programa e fortalece piscicultura no estado
Assistência técnica fortalece produção
Entre as principais ações do ProAqua Rondônia está o apoio direto aos piscicultores, com orientações técnicas voltadas à melhoria dos processos produtivos. As equipes realizam visitas às propriedades, acompanhamento contínuo e suporte especializado, ajudando os produtores a organizarem melhor a produção e adotarem práticas sustentáveis.
Além disso, o programa disponibiliza ferramentas tecnológicas que permitem o monitoramento das atividades produtivas, facilitando o acompanhamento remoto e ampliando o suporte técnico oferecido aos piscicultores.
Esse trabalho tem impacto direto na produtividade, na qualidade do pescado e na renda das famílias que dependem da atividade aquícola em Rondônia.
Regularização amplia acesso a mercados
Outro eixo importante do ProAqua Rondônia é o apoio à regularização ambiental e documental da piscicultura. O programa orienta os produtores na obtenção de registros e licenças necessárias para o funcionamento das propriedades e para a comercialização legal do pescado.
No município de Candeias do Jamari, por exemplo, o programa contribuiu para o cadastramento de 89 pisciculturas e para a entrega de 17 licenças aquícolas. A ação foi realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
A regularização é fundamental para que os produtores tenham acesso a crédito, políticas públicas e mercados formais, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Atualmente, cerca de 590 piscicultores estão cadastrados no ProAqua Rondônia, participando de ações de diagnóstico, acompanhamento produtivo e regularização da atividade.
Caravana leva programa ao interior
Entre as ações retomadas está a Caravana do ProAqua Rondônia, que promove encontros presenciais em diversos municípios do estado. A iniciativa percorre cidades como Colorado do Oeste, Pimenta Bueno, Cacoal, Rolim de Moura, Alta Floresta d’Oeste, Ouro Preto do Oeste, Mirante da Serra, Urupá e Alvorada do Oeste.
Durante os encontros, são apresentados os serviços do programa, realizados atendimentos técnicos e levantadas as principais demandas dos produtores locais. A iniciativa também fortalece a articulação com parceiros como a EMATER e o SEBRAE.
A estratégia busca aproximar o programa das realidades locais, garantindo que as ações atendam às necessidades específicas de cada região.
A UNIR retomou o ProAqua Rondônia em 2026, ampliando assistência técnica, regularização e apoio aos piscicultores em diversas regiões do estado.
Desenvolvimento regional e geração de renda
As ações do ProAqua Rondônia fazem parte de um conjunto de iniciativas que reforçam o papel da universidade no desenvolvimento regional. Ao levar assistência técnica, pesquisa aplicada e apoio institucional aos produtores, a UNIR contribui diretamente para o crescimento econômico e social do estado.
O programa é executado com financiamento do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e apoio de instituições parceiras. O objetivo é consolidar a aquicultura como uma atividade estratégica, capaz de gerar renda, emprego e desenvolvimento sustentável em Rondônia.
Além das ações já desenvolvidas, o ProAqua Rondônia também contribui para a difusão de boas práticas na piscicultura, incentivando o manejo adequado dos viveiros, o uso responsável dos recursos naturais e a melhoria contínua da produção. As orientações técnicas oferecidas pelo programa ajudam os produtores a aumentar a produtividade com qualidade, reduzindo riscos e garantindo maior eficiência na atividade.
Com a retomada das atividades, o ProAqua Rondônia reafirma seu compromisso com o fortalecimento da piscicultura e com o apoio direto aos produtores rurais, ampliando oportunidades, promovendo sustentabilidade e impulsionando o desenvolvimento econômico do setor em Rondônia.
Tomate de quase um quilo foi encontrado por Luciana e Paulo Ricardo Bavaresco — Foto: Arquivo pessoal
É comum imaginar que hortaliças e frutas gigantes dependem de fertilizantes e técnicas artificiais para crescer. Mas em Segredo (RS), cidade a 200 quilômetros de Porto Alegre, um casal de produtores provou justamente o contrário.
Na horta orgânica de apenas 36 metros quadrados, Luciana e Paulo Ricardo Bavaresco colheram recentemente um tomate da variedade coração-de-boi que impressionou ao ser posicionado sobre a balança: 978 gramas. O fruto foi cultivado de forma totalmente natural, dividindo espaço com pés de alface, cebolinha, salsinha, entre outros alimentos.
Luciana conta que a variedade, conhecida pela polpa carnuda e, principalmente, o formato irregular e pontiagudo, uma referência ao coração bovino, costuma apresentar peso médio de 300 gramas. Ou seja, o tomate é mais de três vezes maior que o normal.
“Nós sempre plantamos esse, que é maior do que aqueles encontrados em feiras ou supermercados, mas eu nunca tinha visto tão grande. E os conhecidos, que também cultivam, nunca comentaram nada”.
Apesar do tamanho incomum, o tomate mantém as características típicas, especialmente no sabor, e segue o padrão conhecido pelo casal. Assim, a família consome no dia a dia, comercializa parte da produção e ainda aproveita o excedente para fazer massa de tomate caseira.
“O coração-de-boi não é tão doce, mas não é aquele ácido azedo, podemos comer puro. No caso do italiano, que também cultivamos, ele é bem mais doce”.
Outra curiosidade sobre o tomate gigante está no cultivo e na forma como é conduzido. Na propriedade, não há uso de fertilizantes químicos, e todo o manejo segue princípios naturais. Para proteger os alimentos, por exemplo, Luciana aposta em soluções caseiras que afastam insetos da estufa coberta.
“Usamos uma mistura que eu mesma preparo com pimenta, citronela, vinagre e álcool. São ingredientes que ajudam a repelir os bichos. É dessa forma que tratamos nossos produtos orgânicos aqui”, finaliza.
Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), a indústria brasileira de carne suína atingiu recordes históricos de volume e faturamento no mês de março de 2026. Foram exportadas 153,8 mil toneladas do produto, gerando uma receita de US$ 361,6 milhões, o que representa um crescimento de mais de 30% em comparação ao mesmo período de 2025. O fenômeno ocorre em virtude do aumento expressivo da demanda nas Filipinas e no Japão, principais destinos do mês. A performance consolida um primeiro trimestre de alta para o agronegócio nacional, reforçando a projeção de um ano recorde para os embarques brasileiros em todo o mundo.
Desempenho Trimestral e Mercados Estratégicos
Os números do primeiro trimestre de 2026 revelam uma tendência de crescimento sólido:
Volume: 392,2 mil toneladas (alta de 16,5%).
Receita: US$ 916 milhões (crescimento de 16,1%).
As Filipinas se isolaram como o maior parceiro comercial do setor, importando quase 49 mil toneladas apenas em março — um salto de 80,7%. O Japão não ficou atrás, registrando uma alta de 85,8% em suas compras. China, Chile e Hong Kong completam o ranking dos principais compradores.
“O comportamento das exportações neste início de ano deve persistir ao longo dos próximos meses, confirmando a projeção de alta para os embarques de 2026”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Ricardo Santin. Foto: Assessoria.
Santa Catarina na liderança
No mapa da produção, a Região Sul continua sendo a locomotiva das exportações.Santa Catarina liderou o ranking estadual com 71 mil toneladas enviadas ao exterior. Contudo, o destaque de crescimento percentual foi o Rio Grande do Sul, que viu seus embarques dispararem 71,4%, somando 43,3 mil toneladas. Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso também contribuíram para o resultado recorde.
Uma solução que nasce do caroço do açaí está ajudando a transformar um problema ambiental em uma oportunidade de negócio em Macapá, no Amapá (AP).
O engenheiro agrônomo Wesley Lamonier criou um biofertilizante sustentável a partir do resíduo da fruta abundante na região e hoje comanda uma empresa que alia inovação, impacto ambiental positivo e rentabilidade.
A ideia surgiu da necessidade. Antes de empreender, Wesley chegou a ter uma produção rural com mais de 5 mil pés de pimenta e oito funcionários, mas enfrentou dificuldades financeiras e acabou indo à falência.
Foi nesse momento que decidiu buscar alternativas mais sustentáveis e menos dependentes de fertilizantes químicos, que elevavam o custo da produção.
O ponto de virada veio ao observar o desperdício do açaí: apenas entre 15% e 20% da fruta é aproveitado para consumo, enquanto cerca de 80% vira resíduo — principalmente o caroço, muitas vezes descartado ou queimado, o que libera ainda mais CO₂ na atmosfera.
Do lixo ao lucro: empreendedor fatura R$ 230 mil com caroço de açaí — Foto: Reprodução/PEGN
A partir daí, o empreendedor passou a desenvolver um biofertilizante utilizando biochar, um material obtido por meio da carbonização sustentável de resíduos orgânicos, como o caroço de açaí.
O produto melhora a qualidade do solo ao reter água e nutrientes, funcionando como uma espécie de “ímã” natural. Além disso, ajuda a capturar carbono — um diferencial em tempos de mudanças climáticas.
Com investimento inicial de cerca de R$ 80 mil e apoio de programas de inovação, o negócio ganhou escala. Hoje, a fábrica recebe cerca de 20 toneladas de caroço de açaí por dia, embora processe, por enquanto, aproximadamente 2 toneladas. Em 2025, o faturamento médio chegou a R$ 230 mil.
O modelo de negócio é voltado principalmente para o mercado agro, com vendas para empresas (B2B), mas também atende agricultores por meio de associações e cooperativas. A proposta é reduzir os custos com adubação e, ao mesmo tempo, melhorar a produtividade de culturas como hortaliças e frutas.
Além do impacto econômico, o empreendimento também fortalece a chamada economia circular. A empresa compra os caroços de coletores locais, gerando renda e evitando que o resíduo seja descartado de forma inadequada.
Para Wesley, o propósito vai além do lucro. “Fazer a diferença na vida dentro da agricultura é o que motiva a gente todos os dias”, afirma. A iniciativa mostra que, ao cuidar do solo, é possível contribuir para um futuro mais sustentável e criar um negócio promissor ao mesmo tempo.
Os preços do café no atacado brasileiro estão sendo pressionados pela proximidade do início de uma colheita que promete ser recorde no Brasil, apontou nesta terça-feira uma análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
“A proximidade da colheita de café já vem influenciando os preços do grão, mesmo que as atividades só se intensifiquem a partir de meados de maio”, afirmou o centro de estudos da Esalq/USP.
Uma safra recorde no Brasil, superior a 75 milhões de sacas de 60 kg, deve colaborar com uma recuperação de estoques globais, resultando em um superávit de 10 milhões de sacas em 2026, previu na véspera a consultoria StoneX.
O café canéfora (conilon e robusta), que já tem algumas lavouras sendo colhidas em abril no país, registrou uma pressão “mais significativa às cotações no mercado interno”, afirmou o Cepea.
O indicador Cepea/Esalq para grãos tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, já recuou 4,54% em apenas três dias úteis de abril, fechando a R$ 921,86/saca de 60 kg na segunda-feira.
Os grãos canéforas tipo 7/8 têm recebido várias ofertas abaixo desse patamar de R$ 900/saca.
“Nesse cenário, a liquidez no mercado do robusta está bastante lenta há algumas semanas, com produtores vendendo café apenas para liquidar compromissos de curto prazo e realizar alguns planejamentos para a colheita”, afirmou o Cepea.
Como os últimos anos foram de “boa produção e de preços elevados”, os produtores da variedade têm, de forma geral, conseguido manter boas condições de caixa e investimento, reduzindo a necessidade de vendas.
O Cepea afirmou também que as cotações do café arábica, variedade que responde pela maior parte da produção brasileira, vêm recuando praticamente todos os dias desde 25 de março, com exceção de segunda-feira, quando foi verificada uma “reação pontual” no mercado interno.
“Vale ressaltar que algumas lavouras mais precoces de arábica já podem ter grãos maduros para serem colhidos no começo de maio, especialmente nas áreas irrigadas em São Paulo”, disse o Cepea.
De 25 de março, quando os valores começaram a recuar, a 6 de abril, a queda acumulada foi de mais de R$ 90 por saca, para R$ 1.885,21/saca, para grãos arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista.
Na bolsa de Nova York, nesta terça-feira, o café arábica operava em baixa de 4%, para US$ 2,86/libra-peso.
A Caravana Agro Sustentável RO 2026 iniciou seu percurso pelo interior de Rondônia nesta semana passando por municípios estratégicos e promovendo encontros com produtores rurais, lideranças e representantes do setor produtivo.
No primeiro dia, a comitiva saiu de Porto Velho e percorreu Ariquemes, Jaru e Ji-Paraná, onde foram realizados encontros com produtores e visitas técnicas. A programação foi marcada pela forte participação do setor agropecuário, com a apresentação de diversas demandas relacionadas à infraestrutura, logística, crédito, regularização fundiária, segurança rural e outros temas essenciais para o desenvolvimento do agro no estado.
De acordo com o presidente da Associação dos Pecuaristas de Rondônia (APRON), Adélio Barofaldi, o volume e a relevância das contribuições reforçam a importância da iniciativa. “A Caravana está cumprindo seu principal papel, que é ouvir quem está no campo. Estamos recebendo demandas consistentes, que representam a realidade do produtor rural. Todo esse material será organizado e transformado em uma carta propositiva, que será encaminhada às entidades responsáveis, com o objetivo de buscar soluções efetivas para o setor”, destacou.
Todas as contribuições coletadas ao longo dos encontros estão sendo registradas e irão compor a Carta do Setor Agropecuário de Rondônia, documento que será apresentado ao final da Caravana.
A iniciativa conta com o patrocínio da Autovema Mitsubishi e Autovema Fiat, do Grupo Rovema, que acompanham todo o percurso com seus veículos, contribuindo diretamente para a mobilidade, segurança e integração da comitiva ao longo da jornada. A participação reforça o compromisso do grupo com o fortalecimento de um dos setores mais importantes da economia rondoniense.
Nesta terça-feira (07), a Caravana segue sua agenda com passagem por São Miguel do Guaporé e Rolim de Moura, onde novos encontros com produtores rurais irão ampliar ainda mais a escuta ativa e o levantamento de demandas regionais. A programação inclui debates organizados em eixos estratégicos como infraestrutura, crédito, regularização ambiental, inovação, segurança jurídica e conectividade no campo.
A Caravana Agro Sustentável RO 2026 é uma iniciativa conjunta de entidades representativas do setor produtivo, como APRON, APROSOJA-RO, FAPERON, FIERO, FECOMÉRCIO, OCB-RO, CREA-RO, entre outras, além de instituições públicas, de pesquisa e inovação.
O percurso segue até o dia 9 de abril, com encerramento em Cerejeiras, durante a Agrocom, quando será apresentada oficialmente a Carta do Setor Agropecuário de Rondônia, consolidando as principais demandas e propostas construídas ao longo da mobilização.
Plantio pode ser realizado mesmo em locais com pouco espaço — Foto: Reprodução
Para muitos brasileiros, o doce de cidra remete à lembrança da avó à beira do fogão, apurando com paciência e dedicação a calda açucarada até a mistura atingir o ponto ideal de engrossamento que se conhece das receitas culinárias.
Em pedaços ou ralada, com cravo, canela, queijo ou algum outro acompanhamento, a sobremesa, tradicional na cozinha mineira, é gatilho para despertar o sabor de infância no imaginário de milhares de consumidores.
Mas, como é sinônimo de receita, e não de fruta in natura, a cidra (Citrus medica) não é tão popular quanto laranja, tangerina e limão, seus “primos”, em supermercados, mercearias e varejões, embora seja uma das espécies mais antigas entre as que integram a família dos citros.
Nas gôndolas dos estabelecimentos, é mais comum encontrar essa fruta cítrica já cristalizada, em compota e como geleia. A produção dessas versões ocorre tanto em pequenas lojas de alimentos de preparo artesanal quanto em grandes empresas fabricantes.
Na ponta inicial da cadeia produtiva, quem obtém renda é o agricultor que se dedica ao cultivo de cidreira. Essa produção ocorre mesmo em locais que dispõem de pouco espaço para receber um novo plantio: com até 4 metros de altura, a árvore tem porte entre pequeno e médio, o que faz dela uma boa opção para áreas externas em sítios e chácaras.
Em contrapartida, a planta cresce lentamente e se dá bem, em particular, em locais de temperaturas amenas. Seja como for, o importante é que o quadro climático não seja de extremos e que a árvore tenha incidência direta de luz do sol, um fator que ajudará a evitar o ataque de pragas.
O manejo da cidreira é semelhante ao da laranja e dos demais citros, que exigem cuidados como a escolha do lugar adequado para a instalação do pomar, a seleção de mudas de qualidade, que assegurem uma boa produção, e a adoção de tratos culturais e fitossanitários, importantes para dar longevidade à plantação.
A casca é o elemento que mais valoriza a cidra no varejo: ela precisa ser espessa, lisa e de coloração amarela quando a fruta estiver madura. Também há cultivares com superfície estriada ou levemente rugosa, igualmente valorizadas.
Em geral, o fruto pode ter até 30 centímetros de diâmetro e pesar 4 quilos. A cidra tem um grande número de sementes de cor branca e, diferentemente de outros citros comerciais, mal tem suco ou polpa, que, em muitos casos, é seca, ácida e amarga.
Os galhos e a copa são abertos, e as folhas, verde-escuras, são simples e perenes, podendo chegar a 18 centímetros de comprimento. Se quebradas, elas liberam uma fragrância intensa, que lembra a do limão. Também aromáticas, as flores têm cores que vão do branco ao roxo, a depender da variedade.
Início
Nativa do Sudeste Asiático, a partir de onde se espalhou pelo mundo – em razão, especialmente, dos fins medicinais associados a ela na crença popular –, a cidra é uma fruta da Antiguidade que tem os judeus entre seus maiores consumidores. Integrante da família das rutáceas, a planta é fonte de sais minerais, proteínas, fibras, ácido cítrico e vitaminas A, B1, B2, B5 e C.
No Brasil, o mais comum é encontrar mudas prontas, vendidas, em geral, por viveiristas especializados em plantas cítricas. Na compra das matrizes, é importante verificar se os estabelecimentos são registrados para a atividade.
Ambiente
Não deve ser muito quente nem muito frio, já que a cidra, a exemplo de outros citros, não se adapta bem a condições climáticas intensas. É importante que a planta esteja em local com incidência direta de sol pleno, um cuidado que ajudará a evitar o ataque de pragas como a cochonilha.
Propagação
Em um processo semelhante ao que se adota na produção de plantas de frutas cítricas, a propagação da cidreira também ocorre por meio de mudas enxertadas. Considere que alguns porta-enxertos podem mudar o tamanho da planta e, assim, alterar o espaçamento necessário.
Plantio
Para evitar problemas com o greening, recomenda-se cuidado na escolha do local e no manejo da plantação, principalmente se ela estiver perto de pomares comerciais. A doença, uma ameaça para a citricultura em todo o mundo, para a qual não há cura, pode até devastar lavouras inteiras. Avalie se o solo (que deve ser profundo, permeável e fértil) e a temperatura (sem extremos climáticos) são apropriados para a cultura crescer com saúde e vigor.
Espaçamento
Pode variar entre 5 e 7 metros entre as linhas e, entre as plantas, de 3 a 4 metros. A escolha da medida vai depender do porta-enxerto que se utilizar e do porte da copa que ele deve induzir.
Cuidados
Similar à produção dos demais citros, o cultivo da cidreira também é suscetível às mesmas pragas e doenças que ocorrem em outros ramos da citricultura. Entre as medidas de prevenção contra infestações estão o plantio de mudas certificadas, o monitoramento do pomar e a poda de ramos atacados. A adoção de quebra-ventos e a nutrição equilibrada também ajudam a dar mais vigor à cultura.
Produção
Começa, em geral, a partir do segundo ano do plantio e cresce até o sétimo ano, o que depende da variedade e do porta-enxerto que se decidir utilizar. A coloração amarela da casca indica que o fruto está pronto para a colheita. Em locais com temperaturas mais altas, a cidra amadurece mais cedo; já o clima um pouco mais ameno retarda o amadurecimento.
Mais informações
Solo: profundo e bem drenado;
Clima: profundo e bem drenado as temperaturas não podem ser muito altas nem muito baixas;
Área mínima: é possível fazer o plantio em fundo de quintal, embora não se recomende a prática, para evitar o risco de exposição da planta à doença conhecida como greening;
Colheita: a partir do segundo ano após o plantio;
Custo: a depender do local, a muda pode custar de R$ 10 a R$ 20.
Os preços dos principais produtos agrícolas de Rondônia apresentaram variações na última semana, conforme levantamento da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RO), referente ao período de 30 de março a 6 de abril de 2026.
A pesquisa aponta o valor médio pago ao produtor rural em diversos municípios do estado, revelando um cenário de oscilações que impacta diretamente tanto quem produz quanto o consumidor final.
Entre os itens analisados, o abacaxi foi comercializado com preço médio de aproximadamente R$ 4,59 por unidade, enquanto a alface convencional ficou em torno de R$ 4,25 o maço. Já a alface hidropônica apresentou média semelhante, sendo vendida a cerca de R$ 4,58.
No segmento de frutas, a banana maçã teve preço médio de R$ 4,94 o quilo, a banana nanica R$ 4,57 e a banana prata R$ 4,95. A banana de fritar, bastante utilizada na culinária regional, registrou média de R$ 5,48 o quilo.
O levantamento também destaca produtos com maior valor agregado. A polpa de açaí, por exemplo, alcançou média de R$ 13,67 o quilo, enquanto o açaí fruto ficou em torno de R$ 5,53.
Consumidor sente impacto no dia a dia
Já o arroz em casca, importante commodity agrícola, apresentou preço médio de R$ 70,00 por saca de 60 quilos, refletindo a dinâmica do mercado e possíveis variações na oferta.
De acordo com a pesquisa, fatores como clima, logística, oferta e demanda influenciam diretamente os preços praticados nas diferentes regiões do estado. Em alguns municípios, a variação entre o menor e o maior preço de um mesmo produto chama atenção.
Para especialistas, o acompanhamento semanal desses dados é essencial para orientar produtores na comercialização e também auxiliar consumidores a entenderem as oscilações no preço dos alimentos.
O cenário reforça a importância da produção local e da valorização da agricultura familiar, que continua sendo responsável por grande parte dos alimentos que chegam à mesa dos rondonienses.