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Brasil proíbe produção e venda de foie gras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou o projeto de lei que proíbe a produção e a venda de foie gras, tradicional prato da alta culinária francesa. A medida foi publicada nesta sexta-feira (24) no Diário Oficial da União.

O foie gras é o fígado hipertrofiado de patos ou gansos, que são alimentados de maneira forçada em grandes quantidades. Pela legislação brasileira, esse método passa a ser considerado maus-tratos e, por isso, proibido.

“É proibida, em todo o território nacional, a produção e a comercialização de qualquer produto alimentício obtido por meio de método de alimentação forçada de animais”, diz a redação da lei 15.475 de 2026.

A diretriz não se aplica somente ao foie gras, mas apenas o prato francês foi citado como exemplo, tanto in natura como enlatado. A lei entra em vigor em 180 dias.

Em caso de descumprimento, o infrator será enquadrado na Lei de Crimes Ambientais. As penas podem variar de três meses a um ano, além de multa.

Com a sanção da lei, o Brasil se torna apenas o segundo país a proibir a comercialização do foie gras no mundo, depois da Índia. Outras nações, principalmente na Europa, vetam apenas a produção.

Brasil nega ter pedido exceção à UE para exportar carnes

O Ministério da Agricultura negou nesta quinta-feira (23) ter solicitado à União Europeia (UE) uma flexibilização especial das regras sanitárias para liberar a compra de carne brasileira. A pasta está em negociações com a UE para contornar o veto à proteína animal previsto para entrar em vigor em 3 de setembro. O motivo da suspensão é que o Brasil não teria apresentado a tempo os documentos exigidos pelo bloco europeu.

A nota responde a um comentário do embaixador da Irlanda, Martin Gallagher. Ele disse em entrevista ao portal g1, na terça (21), que o bloco manteria sua política e não abriria exceções para o Brasil. A Irlanda ocupa a presidência rotativa do Conselho da UE neste semestre.

“O Brasil não solicitou flexibilização das normas sanitárias europeias. O compromisso do Estado brasileiro sempre foi o de atender integralmente aos requisitos estabelecidos pelos mercados importadores, como faz há décadas. O Brasil exporta produtos de origem animal para mais de 150 países, incluindo mercados reconhecidamente exigentes, resultado da credibilidade internacional do seu sistema oficial de defesa agropecuária”, diz a nota.

O ministério alega já ter apresentado toda a documentação técnica exigida sobre o uso de antimicrobianos na produção animal – incluindo em itens como carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca – e que aguarda resposta oficial da União Europeia.

Um dos pontos de impasse são as garantias apresentadas pelo Brasil sobre o uso de antibióticos e outras medidas sanitárias em toda a cadeia produtiva. A UE exige certificações que vão desde o nascimento até o abate do animal, o que o Ministério da Agricultura alega ser uma exigência “inaceitável”.

“É precisamente a função dos sistemas oficiais de fiscalização e certificação assegurar que essa implementação seja verificada e que apenas produtos plenamente conformes sejam certificados para exportação”.

Na prática, o que o governo brasileiro argumenta é que a União Europeia deveria confiar no sistema de inspeção oficial e que a certificação emitida pelo ministério nos lotes exportados é suficiente por si só, sem necessitar de outras etapas prévias. “A credibilidade do sistema reside justamente na capacidade da autoridade competente de impedir a certificação de produtos que ainda não atendam aos requisitos aplicáveis”, afirma o comunicado.

Segundo as normas da UE, não é permitido o uso de antimicrobianos em animais de criação para estimular o crescimento ou aumentar a produção. Também é proibido o tratamento de animais com antimicrobianos reservados exclusivamente para infecções humanas.

A resistência antimicrobiana é considerada uma das maiores ameaças à saúde pública da atualidade. Segundo a UE, ao garantir o uso prudente desses medicamentos em animais, o bloco busca proteger a saúde da população europeia de riscos como superbactérias.

Governo retira R$ 11,8 milhões do Fundo de Defesa Sanitária Animal, não devolve recursos e preocupa setor produtivo

O Governo de Rondônia retirou R$ 11,79 milhões do Fundo Estadual de Defesa Sanitária Animal (Fesa) e transferiu os recursos para o Fundo Estadual de Saúde. A operação ocorreu em novembro de 2025 e, apesar do pedido formal apresentado pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril (Idaron), o dinheiro não foi devolvido. O Fesa foi criado por lei e recebe contribuições compulsórias destinadas a financiar ações de defesa sanitária, fiscalização, infraestrutura, tecnologia e resposta a emergências envolvendo o rebanho rondoniense. A retirada foi autorizada pelo Decreto nº 30.954, de 26 de novembro de 2025, com fundamento no artigo 76-A do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que permite a desvinculação de até 30% de determinadas receitas públicas.

Ao todo, foram transferidos R$ 11.791.137,83 das contas do Fesa para a Saúde.

Idaron pediu devolução integral

Em fevereiro de 2026, o presidente da Idaron e do Conselho Deliberativo do Fesa, Júlio Cesar Rocha Peres, pediu ao Governo a reconsideração da medida e a restituição integral do valor.

No documento, a agência argumentou que o Fundo é essencial para manter a capacidade técnica e operacional da defesa sanitária animal.

Os recursos também podem ser empregados no pagamento de indenizações a produtores atingidos por medidas sanitárias, na aquisição de equipamentos e na resposta imediata a possíveis focos de doenças. A Idaron lembrou ainda que Rondônia conquistou o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação após décadas de investimentos e de participação conjunta do poder público e dos produtores rurais.

Antes da criação do Fesa, o setor privado já havia organizado o Fefa, fundo mantido pelos próprios produtores para apoiar as ações sanitárias desenvolvidas pela Idaron.

Esse trabalho permitiu que o Estado avançasse inicialmente para a condição de área livre de febre aftosa com vacinação e, posteriormente, sem vacinação. O status sanitário é considerado fundamental para manter mercados abertos, valorizar o rebanho e garantir a competitividade da carne produzida em Rondônia.

Conselho questionou retirada

O Conselho Deliberativo do Fesa manifestou preocupação com a legalidade e a constitucionalidade da transferência.

Na reunião realizada em dezembro de 2025, os conselheiros registraram posição contrária à desvinculação e recomendaram a adoção de providências para recuperar os recursos. A prestação de contas do Fundo referente a 2025 foi aprovada com ressalva por causa da operação. O Conselho reúne representantes da Idaron, Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), Federação da Agricultura e Pecuária de Rondônia (Faperon), Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero) e Emater. A Idaron também citou entendimento do Tribunal de Contas do Estado.

No Processo nº 579/2019, o TCE-RO considerou possível a desvinculação de receitas, mas recomendou que o Governo se abstivesse de retirar recursos quando a operação pudesse comprometer programas, metas e ações essenciais. O parecer menciona expressamente possíveis prejuízos às ações relacionadas à febre aftosa, à fiscalização sanitária e à confiança do mercado nos produtos agropecuários do Estado.

Sefin diz que dinheiro foi gasto

A Secretaria de Estado de Finanças analisou o pedido e concluiu que não havia justificativa orçamentária ou financeira para devolver o dinheiro.

Segundo a Análise nº 6/2026, o Fesa arrecadou R$ 45,92 milhões em 2025 e empenhou R$ 14,27 milhões. A diferença entre receitas e despesas teria alcançado R$ 31,65 milhões, o que, no entendimento dos técnicos, demonstraria que a retirada não prejudicou as atividades do Fundo.

A Sefin informou ainda que os R$ 11,79 milhões foram incorporados à execução financeira da Saúde e utilizados no financiamento de ações e serviços públicos.

Em março de 2026, restavam apenas R$ 678,7 mil na fonte contábil examinada. A Secretaria concluiu, por isso, que não havia disponibilidade financeira para restituir o valor integral. A própria análise, entretanto, reconhece que os recursos foram movimentados de forma agregada com outros ingressos da mesma fonte.

Dessa maneira, não seria possível identificar individualmente se o saldo restante correspondia ao dinheiro transferido do Fesa ou a outras receitas. O documento também não detalha quais despesas, contratos ou serviços de saúde foram pagos especificamente com os R$ 11,79 milhões.

Embora a análise da Sefin declare expressamente que não possui caráter decisório, a Governadoria encaminhou o documento à Idaron como resposta ao pedido de restituição.

Em entrevista à Rádio 93 FM, Carlos Magno defende fortalecimento do campo e reafirma trajetória de 45 anos construída no diálogo

Carlos Magno afirmou que o produtor rural enfrenta diariamente dificuldades para manter a atividade no campo
Carlos Magno afirmou que o produtor rural enfrenta diariamente dificuldades para manter a atividade no campo

Com a desenvoltura de quem conhece profundamente Rondônia e o rádio, o pré-candidato a deputado estadual Carlos Magno participou nesta segunda-feira do programa Hora do Povo, da Rádio 93 FM, em uma entrevista marcada pela firmeza das propostas e pelo tom de quem fala com a autoridade de 45 anos dedicados à vida pública. Antes mesmo de o programa começar, o clima já era de reencontro, Carlos Magno foi recebido com carinho por amigos e comunicadores da emissora, com quem relembrou passagens marcantes de sua trajetória na comunicação e no serviço público, um gesto que traduz a forma como sempre conduziu sua caminhada: próxima, afetuosa e de portas abertas.

Defesa firme do homem do campo

Conhecido como uma das vozes mais consistentes do setor primário em Rondônia, Carlos Magno demonstrou domínio sobre a realidade de quem produz. Ele lembrou que o produtor rural enfrenta diariamente uma verdadeira batalha para manter a atividade no campo: a oscilação dos preços das commodities, os elevados custos de produção e a dificuldade de acesso a crédito com juros justos tornam o dia a dia do agricultor cada vez mais desafiador.

Diante desse cenário, o pré-candidato defendeu com convicção políticas públicas que devolvam segurança econômica ao produtor, permitindo que ele armazene a própria produção, acesse financiamento em condições acessíveis e produza com tranquilidade e previsibilidade.

Infraestrutura como caminho para o desenvolvimento

Com a visão estratégica de quem acompanha há décadas o crescimento do estado, Carlos Magno apontou os gargalos que ainda travam o potencial produtivo do Brasil e de Rondônia. Para ele, é urgente ampliar a capacidade de armazenagem, modernizar a logística portuária e fortalecer a malha de transportes.

O pré-candidato foi além e defendeu a retomada dos investimentos em ferrovias, destacando que o modal ferroviário reduz o custo do transporte de cargas e alivia a pressão sobre as rodovias, uma bandeira que dialoga diretamente com o futuro do agronegócio rondoniense.

Falando de Rondônia, celebrou o avanço do estado na produção de café, grãos e pecuária, mas fez questão de dar voz a quem ainda enfrenta dificuldades, cobrou investimentos permanentes na recuperação das estradas vicinais e na substituição das pontes de madeira por estruturas resistentes, à altura do crescimento da produção agropecuária.

Produzir e preservar: um equilíbrio possível

Carlos Magno voltou a defender o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao setor produtivo
Carlos Magno voltou a defender o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao setor produtivo

Ao tratar da preservação ambiental, Carlos Magno saiu em defesa dos produtores rondonienses, que, segundo ele, têm plena consciência da importância de conservar os recursos naturais. O que falta, ressaltou, é o poder público fazer a sua parte, oferecer incentivos para a recuperação de áreas degradadas e estabelecer regras claras que garantam ao produtor o acesso ao crédito rural sem comprometer a continuidade da produção.

Uma vida pública construída no diálogo e no respeito

Questionado sobre o início das convenções partidárias e o formato da pré-campanha, Carlos Magno foi direto, seguirá fazendo política do jeito que sempre fez, olho no olho, no contato direto com a população, sem abrir mão da presença nas redes sociais, ferramenta que reconhece como indispensável no cenário atual.

“Ainda sou um político que carrega a bandeira que sempre defendi, que é o setor primário”

São 45 anos de vida pública, nos quais exerceu diferentes funções e construiu um patrimônio que poucos podem exibir, credibilidade. Uma credibilidade que, como ele mesmo destacou, é fruto da dedicação ao serviço público e da forma respeitosa como sempre conduziu sua atuação política, mantendo boas relações mesmo com adversários e respeitando, acima de tudo, a liberdade de escolha dos eleitores e dos próprios amigos.

Compromisso com o futuro de Rondônia

Ao encerrar sua participação no Hora do Povo, Carlos Magno reafirmou o compromisso que o acompanha desde o início da vida pública, o fortalecimento das políticas voltadas ao setor produtivo. Para ele, o desenvolvimento de Rondônia passa, necessariamente, pelo incentivo à agricultura e à pecuária, pela melhoria da infraestrutura e pela construção de soluções inteligentes que conciliem produção e preservação ambiental, um projeto de estado que ele conhece como poucos e pelo qual segue disposto a trabalhar

VÍDEO: Mistério no Lago do Cuniã, mortandade de peixes será investigada pelo ICMBio e pela Unir

A mortandade de peixes no Lago do Cuniã preocupa comunidades ribeirinhas e mobiliza o ICMBio e a Unir
A mortandade de peixes no Lago do Cuniã preocupa comunidades ribeirinhas e mobiliza o ICMBio e a Unir

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) iniciou os procedimentos para investigar a mortandade de peixes registrada no Lago do Cuniã, na reserva extrativista localizada no distrito de São Carlos, em Porto Velho. O fenômeno acende um alerta entre as comunidades ribeirinhas, que dependem diretamente da pesca para alimentação e geração de renda.

A investigação deverá contar com a participação do Laboratório de Biogeoquímica da Universidade Federal de Rondônia (Unir), responsável por realizar um diagnóstico técnico. Uma nota técnica também está sendo elaborada para orientar os estudos e ajudar a identificar, com maior precisão, o que provocou a morte dos animais.

Até o momento, não existe uma conclusão sobre as causas. Entre as hipóteses consideradas estão a inversão térmica e a redução do oxigênio dissolvido na água, condições que podem causar asfixia nos peixes. Os resultados da análise deverão contribuir para a adoção de medidas de monitoramento e preservação da biodiversidade na Reserva Extrativista do Lago do Cuniã.

VEJA O VÍDEO: https://www.instagram.com/reel/DbB66deMCiq/?igsh=bTNoeGZsbWs5czg0

Abiec avalia impacto das tarifas chinesas sobre carne bovina brasileira

O setor exportador de carne bovina segue em compasso de espera diante das medidas de salvaguarda impostas pela China às importações do produto brasileiro. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, não há, neste momento, qualquer negociação em andamento entre os governos do Brasil e da China para rever as cotas.

Durante cerimônia realizada na unidade industrial da Biogénesis Bagó, em Garín, na Argentina, ele afirmou que até o momento não há negociações em andamento entre os governos brasileiro e chinês para alterar o cenário atual.

“As notícias que vêm da China e do governo chinês não são de nenhum tipo de negociação. Sempre aguardamos as negociações entre os governos e, neste momento, não há”, disse.

A decisão faz parte das medidas de salvaguarda anunciadas pela China em dezembro de 2025, após a conclusão de uma investigação sobre o aumento das importações de carne bovina e seus efeitos sobre a pecuária local.

Na ocasião, o governo chinês estabeleceu uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas para as importações de carne bovina brasileira e determinou que os embarques realizados acima desse volume estariam sujeitos a uma tarifa adicional de 55%.

Como o Brasil já esgotou integralmente essa cota no início deste mês, todas as exportações excedentes passaram a recolher a sobretaxa, que se soma à tarifa de importação de 12% já vigente, elevando a carga tributária total para 67%.

Pelas regras anunciadas por Pequim, as medidas de salvaguarda deverão permanecer em vigor por três anos, podendo ser revisadas ao longo desse período.

Na prática, segundo a Abiec, o novo patamar tarifário inviabiliza economicamente os embarques destinados ao mercado chinês. Até então, a China era o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por mais da metade das exportações do setor.

Perosa destacou que, pelas regras adotadas pelo governo chinês, o setor deverá conviver com essas salvaguardas pelos próximos três anos. Nesse período, as empresas exportadoras precisarão buscar alternativas para redirecionar parte da produção a outros mercados e ampliar a presença em países que já importam carne bovina brasileira.

A expectativa da entidade é que qualquer mudança nesse cenário dependa exclusivamente de negociações entre os governos dos dois países. Enquanto isso não acontece, o setor continuará operando dentro das novas condições impostas pelo mercado chinês.

Além do impacto sobre as exportações, a Abiec avalia que a redução dos embarques para a China poderá aumentar a disponibilidade de carne bovina no mercado doméstico. Em um primeiro momento, esse movimento tende a pressionar os preços da arroba do boi gordo e da carne no atacado.

No entanto, segundo a entidade, esse efeito pode ser temporário, uma vez que a indústria deverá intensificar a busca por novos mercados para absorver a produção que antes era destinada ao país asiático.

Transporte gratuito da produção beneficia centenas de agricultores familiares no primeiro semestre de 2026

Para o agricultor Moisés Rocha do Carmo, morador da comunidade de Itacoã, localizada na margem esquerda do rio Madeira, o transporte gratuito oferecido pela Prefeitura de Porto Velho representa economia e segurança para comercializar o que produz. O caminhão percorre cerca de 87 quilômetros pela BR-319 e pela Linha C01 KM 17 até chegar à propriedade rural.

Para Moisés, o transporte gratuito representa economia e segurança para comercializar o que produz

Com o serviço, Moisés economiza aproximadamente R$ 1.200 por viagem, valor que seria destinado à contratação de frete particular. “Essa ajuda faz muita diferença, porque reduz nossos gastos e garante que a produção chegue ao local de venda”, relata o agricultor.

O atendimento faz parte do Programa de Transporte da Produção Rural, executado pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric). O serviço gratuito auxilia no escoamento de frutas, verduras, raízes, café, polpas, mudas e outros produtos cultivados pela agricultura familiar.

Nos primeiros meses de 2026, a iniciativa atendeu 145 produtores rurais, transportou mais de 587 toneladas de produtos e percorreu mais de 10 mil quilômetros. Entre os principais itens transportados estão banana, mandioca, milho, café, melancia, mudas de café, pupunha, inhame e mudas de banana.

O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, destaca que o serviço fortalece quem produz e movimenta a economia do município. “O transporte gratuito reduz custos para as famílias do campo, evita perdas e aproxima a produção rural dos consumidores. É um apoio que gera renda e valoriza os alimentos produzidos em Porto Velho”.

Nos primeiros meses de 2026, a iniciativa atendeu 145 produtores rurais

As cargas são levadas das propriedades e comunidades rurais até feiras livres e pontos de entrega de programas de aquisição de alimentos, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O atendimento alcança localidades como Itacoã, União Bandeirantes, Nova Califórnia, Rio Pardo, Joana D’Arc, Nova Mutum, Reassentamento Morrinhos, Santa Rita, São Domingos e Riacho Azul entre outros.

Segundo o secretário da Semagric, Douglas Bener, a iniciativa atende a uma das principais necessidades enfrentadas pelos agricultores familiares. “Muitos produtores têm dificuldade para levar seus alimentos até os locais de comercialização. Com o transporte gratuito, garantimos economia, facilitamos o escoamento e contribuímos para aumentar a renda dessas famílias”.

Como solicitar o transporte

Para utilizar o serviço, o agricultor familiar deve realizar o cadastro na sede da Semagric, apresentando RG, CPF e o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).

A secretaria está localizada na rua Mário Andreazza, nº 8.072, bairro JK II, ao lado da Semob. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (69) 3901-6405.

Texto: Jean Carla Costa

Foto: Semagric

Célio Lopes defende liberação da pesca no lago das usinas do Jamari

O advogado e pré-candidato a deputado federal Célio Lopes defendeu, nesta terça-feira (14), a implantação de um modelo de gestão compartilhada para os lagos artificiais das usinas hidrelétricas Jamari e Canaã, em Ariquemes. A proposta foi apresentada durante audiência pública promovida pela Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Lano Matias, e realizada no Centro de Empreendedorismo e Inovação do município.

Em sua fala, Célio Lopes argumentou que o uso das águas para a geração de energia elétrica não pode inviabilizar outras atividades igualmente relevantes para o desenvolvimento econômico regional. Ele defendeu a liberação controlada da pesca e da aquicultura, além do estímulo ao turismo, à recreação, à navegação e ao abastecimento humano e animal nos reservatórios.

“O uso da água para geração de energia elétrica não pode inviabilizar outros usos. Vamos somar forças para implantarmos um modelo de gestão compartilhada dos lagos e reservatórios de Rondônia, de modo que a pesca e a aquicultura sejam atividades econômicas prioritárias, assim como o turismo”, afirmou o pré-candidato.

Atualmente, a pesca é proibida em um raio de até 2.000 metros a montante e a jusante das barragens, cachoeiras e corredeiras, conforme diretrizes do Batalhão de Polícia Ambiental e da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (SEDAM). A restrição visa prevenir acidentes causados pela forte correnteza e por variações bruscas no volume de água, além de proteger espécies em áreas de transição e reprodução.

Célio Lopes ressaltou, no entanto, que a regulamentação precisa ser revista para contemplar o múltiplo aproveitamento dos lagos, como prevê a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.433/97), com segurança e sustentabilidade. O pré-candidato defendeu ainda a participação ativa da sociedade civil, de pescadores, empresários do turismo e poder público na construção de um novo marco regulatório para os reservatórios do estado.

A audiência pública marcou o início do debate sobre o futuro dos lagos artificiais de Rondônia e deve render desdobramentos em outras cidades impactadas pelas usinas hidrelétricas.

Decreto federal pode acelerar regularização fundiária e beneficiar mais de 40 mil propriedades em Rondônia

A publicação do Decreto Federal nº 13.043, em vigor desde 1º de julho de 2026, pode representar um marco para a regularização fundiária em Rondônia. A medida amplia a participação dos municípios no processo, reduz a burocracia e cria condições para acelerar a emissão de títulos definitivos de propriedades rurais e urbanas.

Pelas novas regras, a União será responsável pelo financiamento e pela plataforma de gestão dos processos. Já o Incra e os órgãos estaduais continuarão realizando a análise jurídica e a emissão dos títulos. A principal mudança é que as prefeituras poderão executar serviços técnicos, como georreferenciamento, levantamento topográfico e medição de áreas públicas, considerados um dos maiores entraves para a regularização.

Em Rondônia, a expectativa é destravar um passivo de mais de 40 mil propriedades que aguardam a documentação definitiva, entre assentamentos e posses consolidadas.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (Faperon), Hélio Dias, o decreto chega em um momento decisivo para o Estado.

“O avanço da regularização fundiária depende agora apenas da etapa final de conferência realizada pelo Incra, que enfrenta limitações em razão do número reduzido de técnicos, tanto em Rondônia quanto em nível nacional. A expectativa é que essa nova medida acelere esse processo, beneficiando mais de 40 mil propriedades que aguardam o título definitivo. Além disso, a proposta reduz a burocracia e amplia a participação dos municípios, permitindo que prefeituras e câmaras de vereadores organizem equipes para atuar em parceria com o Incra e os órgãos estaduais.”

Segundo Hélio Dias, a união entre União, Governo do Estado, Incra e municípios será essencial para garantir mais rapidez na titulação das propriedades, fortalecendo a segurança jurídica no campo, ampliando o acesso ao crédito rural e incentivando novos investimentos no agronegócio.

Além do meio rural, o decreto também deve beneficiar áreas urbanas, distritos e vilas instalados em terras públicas, permitindo que milhares de famílias obtenham, finalmente, a escritura definitiva de seus imóveis.

A adesão ao programa é voluntária, e especialistas defendem que os municípios rondonienses participem da iniciativa para acelerar um dos processos considerados mais importantes para o desenvolvimento econômico e social do Estado.

Safra de soja 2026/27 enfrenta alerta de risco com El Niño

O planejamento da safra de soja 2026/27 exigirá atenção redobrada dos produtores brasileiros. O mais recente prognóstico de risco climático aponta para a consolidação e rápida evolução do fenômeno El Niño, com intensidade projetada de moderada a forte para o final deste ano e início de 2027. O cenário, analisado com o suporte das ferramentas de inteligência artificial da MeteoIA, prevê uma distribuição de chuvas bastante irregular e assimétrica pelo país.

Diferente do padrão de neutralidade observado no ciclo anterior, o El Niño altera a circulação de ventos e umidade na atmosfera, gerando impactos opostos entre as principais regiões produtoras. Enquanto o Sul deve registrar chuvas volumosas e acima da média histórica, o Centro-Oeste e a fronteira agrícola do Matopiba enfrentam o risco de atraso na chegada das águas e veranicos prolongados no início do plantio.

O atraso nas chuvas regulares de primavera tende a empurrar a janela de semeadura da oleaginosa. Agricultores que iniciarem o plantio logo após os primeiros episódios isolados de chuva correm o risco de enfrentar estiagens curtas em outubro e novembro, o que pode comprometer o estande de plantas e forçar o replantio de áreas.

Excesso no Sul e desafios no Centro-Oeste

Na Região Sul, o excesso de umidade no solo deve dificultar a entrada de máquinas agrícolas no campo, atrapalhando o cronograma de plantio e a aplicação de tratos culturais. O ambiente quente e excessivamente úmido também acende o alerta máximo para a pressão de doenças fúngicas, especialmente a ferrugem asiática, exigindo um protocolo preventivo rígido de aplicação de fungicidas.

No Centro-Oeste, além do risco direto sobre a produtividade da soja, o atraso no ciclo da cultura principal gera um efeito cascata preocupante: reduz a janela ideal para o plantio do milho segunda safra em 2027. Isso expõe o cereal a um risco muito maior de sofrer com a seca no ano seguinte.

Tecnologia de precisão para mitigar o risco

Para mitigar esses impactos, a análise preditiva baseada em IA (como os modelos de alta resolução do motor MIA-Risk, da MeteoIA) recomenda que os produtores abandonem as médias regionais e foquem no monitoramento hiperlocalizado das suas propriedades. A tecnologia de dados permite identificar a capacidade de retenção de água de talhões específicos e prever o comportamento do microclima com alta precisão.

Especialistas reforçam que a estratégia de defesa do agricultor para esta safra deve passar pela diversificação de cultivares (com diferentes ciclos de maturação), respeito rigoroso ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) e investimento no vigor radicular das plantas por meio de condicionadores biológicos de solo para enfrentar os períodos de estresse térmico.