A União Europeia formalizou o veto à importação da carne brasileira, que terá início a partir do dia 3 de setembro. A proibição ainda atinge aves, peixes e mel. A decisão foi publicada no diário oficial do bloco nesta sexta-feira (5).
O texto afirma que o Brasil não apresentou provas de que a produção pecuária esteja livre de determinados microbianos, proibidos na criação de animais pelo bloco europeu.
“A Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos no artigo 3.o do Regulamento Delegado (UE) 2023/905 relativamente a estas categorias. A menção relativamente a bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas deverá, por conseguinte, ser suprimida no anexo do presente regulamento”, afirma trecho do documento publicado.
Segundo as normas da UE, não é permitido o uso de antimicrobianos em animais de criação para estimular o crescimento ou aumentar a produção. Também é proibido o tratamento de animais com antimicrobianos reservados exclusivamente para infecções humanas.
A resistência antimicrobiana é considerada uma das maiores ameaças à saúde pública da atualidade. Segundo a UE, ao garantir o uso prudente desses medicamentos em animais, o bloco busca proteger a saúde da população europeia.
Especialista em agronegócio, Miguel Daoud diz acreditar que o problema é somente de burocracias e vê responsabilidade do governo brasileiro.
“Quem acompanha o agronegócio brasileiro sabe que o produtor faz o regramento de todas essas exigências. Portanto, essa decisão da comunidade europeia vem em linha com o aviso que já foi dado há algum tempo para o Brasil de que ele precisaria se enquadrar. Infelizmente, até agora o ministério da Agricultura não conseguiu mandar os documentos”, explica.
Em maio, o governo informou que adotará todas as medidas necessárias para reverter a decisão, retomar a habilitação e garantir o fluxo de vendas ao mercado europeu. O SBT News questionou novamente o Ministério da Agricultura e Pecuária, mas ainda não obteve resposta.
15 novos operadores certificados e mais oportunidades para quem vive e produz no campo
A agricultura familiar de Porto Velho ganhou um importante reforço nesta semana com a conclusão do Curso de Operação de Retroescavadeira realizado na Linha 15, no assentamento Joana D’Arc. A iniciativa, resultado da parceria entre a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), e o Senar Rondônia, certificou 15 novos operadores, ampliando oportunidades de emprego, qualificação profissional, geração de renda e desenvolvimento rural para homens e mulheres que vivem no campo.
Semagric e Senar: parceria que gera renda, qualificação e desenvolvimento rural
Além da capacitação gratuita, o curso também levou benefícios diretos aos produtores rurais da região. As aulas práticas foram realizadas dentro do programa Porteira Adentro, uma das principais ações de apoio à agricultura familiar desenvolvidas pela Prefeitura de Porto Velho. Durante o treinamento, 10 propriedades rurais receberam melhorias em infraestrutura, contribuindo para o aumento da produção agrícola, melhoria do acesso e fortalecimento das atividades desenvolvidas pelos agricultores familiares.
O secretário municipal de Agricultura, Douglas Bener, destacou que investir na qualificação dos trabalhadores rurais significa fortalecer toda a economia do campo. “É muito gratificante ver mais 15 pessoas preparadas para ingressar no mercado de trabalho e conquistar novas oportunidades. A capacitação profissional é uma ferramenta poderosa para transformar vidas, gerar renda e fortalecer a agricultura familiar. Nosso compromisso é continuar levando cursos, assistência técnica, tecnologia e desenvolvimento para as comunidades rurais de Porto Velho”, afirmou.
Conhecimento, trabalho e desenvolvimento chegando às comunidades rurais
O secretário adjunto da Semagric, Rodrigo Ribeiro, ressaltou que a união entre capacitação e atendimento aos produtores gera resultados que permanecem nas propriedades. “Enquanto os alunos aprendiam na prática a operar a retroescavadeira, os produtores recebiam melhorias importantes em suas áreas. É uma ação que une qualificação profissional, desenvolvimento rural e fortalecimento da agricultura familiar. Todos ganham, os alunos, os produtores e a economia rural do município”, destacou.
Mais qualificação, mais oportunidades e mais desenvolvimento para a agricultura familiar.
A Semagric segue investindo em capacitação, assistência técnica, mecanização agrícola e ações que fortalecem a agricultura familiar e impulsionam o desenvolvimento das comunidades rurais. Com iniciativas como essa, Porto Velho valoriza o homem e a mulher do campo, gera oportunidades, fortalece a produção de alimentos e contribui para o crescimento da economia rural de Rondônia.
A Comissão Europeia publicou nesta quinta-feira (5) uma atualização da regulamentação que altera as condições para a importação de animais e produtos de origem animal destinados ao consumo humano no bloco. O Brasil permanece fora da lista de países considerados aptos a atender às novas exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
Segundo o texto, a decisão foi tomada porque a Comissão Europeia afirma não ter recebido informações suficientes que garantam que o Brasil implementará, até 3 de setembro de 2026, as medidas necessárias para cumprir as exigências previstas na legislação europeia.
As regras proíbem o uso de determinados antibióticos considerados essenciais para a saúde humana e restringem a utilização de medicamentos antimicrobianos para promoção de crescimento ou aumento de produtividade em animais destinados à produção de alimentos.
A exclusão afeta categorias relevantes para as exportações brasileiras ao mercado europeu, incluindo bovinos, equinos, aves, produtos de aquicultura, mel e tripas animais. Até então, o Brasil figurava na lista de países autorizados para esses segmentos.
A medida faz parte de um esforço mais amplo da União Europeia para combater a resistência antimicrobiana, considerada uma das principais ameaças globais à saúde pública. Bruxelas vem endurecendo as exigências para países terceiros que exportam alimentos de origem animal ao bloco, exigindo garantias de que práticas proibidas dentro da UE também não sejam utilizadas na produção destinada ao mercado europeu.
A nova regulamentação também amplia a lista de países autorizados a exportar determinados produtos para a União Europeia. Nações como Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Sérvia, Tunísia, Tanzânia e Uganda passaram a integrar a relação após apresentarem documentação considerada suficiente pelas autoridades europeias.
Apesar da retirada do Brasil da lista, a regulamentação não representa um embargo imediato às exportações. O texto estabelece que as novas disposições entrarão em vigor a partir de 3 de setembro de 2026. Até lá, autoridades brasileiras e europeias ainda podem manter negociações e apresentar informações adicionais para demonstrar conformidade com as exigências sanitárias do bloco.
Negociações continuam
Nas últimas semanas, representantes do governo brasileiro intensificaram as negociações com Bruxelas em busca de uma solução. O principal foco das discussões tem sido a carne bovina, embora também existam preocupações envolvendo aves, aquicultura e mel.
Como parte dessa estratégia, o Ministério da Agricultura apresentou recentemente um protocolo privado de certificação para bovinos livres de antimicrobianos. O sistema prevê o acompanhamento dos animais desde o nascimento até o abate, com o objetivo de comprovar que não houve utilização dos medicamentos proibidos pela legislação europeia.
O governo brasileiro também buscou negociar um período de adaptação que permitisse comprovar inicialmente o não uso dos medicamentos apenas nos meses finais da vida dos animais, avançando gradualmente para um sistema integral de rastreabilidade. A proposta, porém, não encontrou apoio entre os europeus.
As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 129,4 mil toneladas em maio, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado é o maior já registrado para um mês de maio e supera em 9% o volume embarcado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 118,8 mil toneladas.
A receita das exportações alcançou US$ 302,1 milhões, também o melhor desempenho já registrado para meses de maio, resultado 3,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado, com US$ 291,2 milhões.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 584,8 mil toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,9%, com US$ 1,546 bilhão entre janeiro e maio deste ano, frente aos US$ 1,382 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne suína em maio, as Filipinas permaneceram na liderança, com 27,2 mil toneladas embarcadas, volume 3,8% inferior ao registrado em maio de 2025. Em seguida aparecem Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%), Chile, com 10,9 mil toneladas (-0,1%), China, com 8,9 mil toneladas (-25,9%), México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%), Hong Kong, com 8,2 mil toneladas (+13,8%), Argentina, com 5,8 mil toneladas (+13,7%), Uruguai, com 4,7 mil toneladas (+0,3%), Vietnã, com 4,6 mil toneladas (-14,2%) e Singapura, com 4,1 mil toneladas (-50,5%).
No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 62,5 mil toneladas embarcadas em maio (+4,9%), seguida por Rio Grande do Sul, com 32,7 mil toneladas (+19,5%), Paraná, com 18,3 mil toneladas (-4,8%), Mato Grosso, com 4,6 mil toneladas (+52,4%) e Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+26,5%).
“Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor. Observamos expansão relevante em mercados estratégicos de valor agregado, como o Japão, e diversos outros com volumes menores como Geórgia, Costa do Marfim, Coreia do Sul e outros que, somados, influenciaram positivamente o resultado do mês. O fato de registrarmos o melhor mês de maio da história para as exportações de carne suína reforça a solidez da demanda internacional e projeta um ano extremamente positivo para a suinocultura brasileira, com potencial para alcançar novos recordes em volume e receita”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
A força do empreendedorismo rural em Rondônia tem ganhado cada vez mais destaque graças ao trabalho desenvolvido por pequenos produtores que transformaram propriedades familiares em negócios competitivos, geradores de renda e reconhecidos pela qualidade dos seus produtos. Por trás de muitas dessas histórias está o apoio do Sebrae Rondônia, instituição que atua diretamente na capacitação, qualificação, gestão, inovação e acesso a mercados para pequenos empreendedores urbanos e rurais.
Os resultados desse trabalho puderam ser vistos durante a 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional, em Ji-Paraná, onde agroindústrias familiares de diferentes regiões do estado apresentaram produtos que hoje conquistam consumidores em Rondônia e em outros estados brasileiros.
Mais do que produzir alimentos, esses empreendedores agregam valor à matéria-prima, geram empregos, fortalecem a economia local e demonstram que produtividade e competitividade podem caminhar lado a lado com a agricultura familiar.
Entre os exemplos de sucesso está a agroindústria de chocolates Tiengo, que nasceu a partir do sonho do produtor Deuclides Pires, agricultor que decidiu substituir parte da pastagem pelo cultivo de cacau em sua propriedade rural.
Chocolates que são comercializados em várias regiões do País. Foto: Eduardo Kopanakis
A aposta, que inicialmente gerou dúvidas até mesmo dentro da própria família, transformou-se em um caso de sucesso reconhecido nacionalmente. Hoje, a propriedade produz cacau fino premiado em concursos nacionais e abastece a fabricação dos chocolates da marca.
Marcelo Alves Medeiros, genro de Deuclides e responsável pela agroindústria, conta que a família acreditou no potencial da cultura e investiu na verticalização da produção.
Marcelo Tiengo, durante entrevista ao programa Rondorural. Foto: Eduardo Kopanakis
“Meu sogro apostou no cacau quando muita gente não acreditava. Ele transformou uma área de pastagem em uma lavoura produtiva e hoje conquistou dois concursos nacionais com um dos melhores cacaus do Brasil. É uma história construída com muito trabalho e dedicação”, destacou.
Atualmente, cerca de 80% da matéria-prima utilizada na fabricação dos chocolates é produzida pela própria família. A empresa controla praticamente toda a cadeia produtiva, desde o plantio até o produto final.
Cacau produzido na propria fazenda. Arquivo pessoal
“Nós plantamos o cacau e fazemos o nosso chocolate. Isso nos dá maior controle da matéria-prima e garante qualidade ao consumidor. Nosso chocolate nasceu com uma proposta diferenciada, sendo um produto sem leite, sem glúten e com foco em alimentação saudável”, explicou Marcelo.
Outro exemplo do fortalecimento dos pequenos negócios apoiados pelo Sebrae é a Agroindústria Colonial, do apicultor Virgílio Remoacir Possebon, de Vilhena.
Mel produzido no cone sul do estado de Romdônia. Arquivo pessoal
Com aproximadamente 120 caixas de abelhas, o produtor desenvolveu uma agroindústria familiar que hoje comercializa mel certificado e leva o produto rondoniense para mercados cada vez mais distantes.
Participante de 11 edições da Rondônia Rural Show, Virgílio acompanha de perto a evolução do agronegócio no estado e reconhece a importância das feiras e do apoio institucional para o crescimento dos pequenos produtores.
Durante o programa Rondorural o apicultor destacou a produção e o apoio do Sebrae/RO. Foto: Eduardo Kopanakis
“Hoje estamos mandando mel até para o Acre. Isso mostra como a divulgação e o apoio que recebemos fazem a diferença para quem produz no campo”, afirmou.
Segundo ele, a participação em eventos como a Rondônia Rural Show fortalece a marca, amplia a rede de contatos e cria oportunidades de negócios.
Apicultor Virgílio, comercializou todos os produtos durante a feira. Foto: Jean Carla Costa
“Temos recebido apoio do Governo do Estado, da Seagri e do Sebrae. Através dessas parcerias conseguimos mostrar nossos produtos e crescer junto com Rondônia”, ressaltou.
Em Jaru, a Agroindústria Paraíso também representa um caso de empreendedorismo familiar que encontrou nas feiras e na qualificação uma oportunidade para expandir os negócios.
Há 11 anos no mercado, a empresa produz requeijão e manteiga de garrafa a partir do leite produzido na própria propriedade e adquirido de produtores vizinhos.
O negócio nasceu da experiência da esposa de Pedro Teixeira Nolasco, que trouxe da tradição mineira o conhecimento sobre a fabricação de requeijão artesanal.
Requeijão que mudou a vida da familia que hoje se tornaram emprensarios em Rondônia. Foto: Eduardo Kopanakis
“A gente viu que poderia ser uma fonte de renda. Compramos uma chácara e começamos a produzir. Hoje já são 11 anos de trabalho”, contou.
Além da produção própria, a agroindústria também fortalece a economia local ao comprar leite de pequenos produtores da região.
“Hoje produzimos entre 80 e 100 litros por dia e compramos mais cerca de 300 litros de produtores vizinhos. Isso ajuda outras famílias e fortalece toda a cadeia produtiva”, explicou.
Pedro destaca que a participação na Rondônia Rural Show foi decisiva para abrir novas oportunidades comerciais.
“No ano passado foi nossa primeira participação e abriu portas para vários mercados e empórios do estado. Este ano as vendas estão superando as expectativas desde o primeiro dia da feira”, afirmou.
As histórias dessas agroindústrias demonstram como o empreendedorismo pode transformar realidades quando aliado à capacitação, ao planejamento e à inovação.
Ao longo dos anos, o Sebrae Rondônia tem desempenhado papel estratégico no fortalecimento desses negócios, oferecendo consultorias, cursos, orientações técnicas e apoio à participação em feiras e eventos de negócios.
O resultado é o crescimento de empreendimentos que deixam de comercializar apenas matéria-prima para agregar valor aos produtos, ampliar a renda das famílias e aumentar a competitividade dos produtos rondonienses.
Dayan Saldanha apoio aos empreendedores do estado durante o programa Rondorual. Foto: Eduardo Kopanakis
“Mais do que apoiar empresas individuais, o Sebrae contribui para o desenvolvimento econômico regional, fortalecendo cadeias produtivas inteiras e criando oportunidades para que produtos com identidade amazônica conquistem espaço no mercado estadual, nacional e até internacional” destacou o gerente de Comunicação do Sebrae Rondônia, Dayan Saldanha.
Os casos do chocolate Tiengo, da Agroindústria Colonial e da Agroindústria Paraíso mostram que, quando conhecimento, empreendedorismo e apoio institucional caminham juntos, os pequenos negócios se transformam em grandes histórias de sucesso, levando o nome de Rondônia cada vez mais longe.
As exportações brasileiras de carne de frango somara US$ 1,009 bilhão em maio, em alta de 36,1% sobre igual período do mesmo mês de 2025, quando o setor faturou US$ 741,2 milhões. As vendas foram impulsionadas pelo avanço da demanda internacional e pela ampliação dos embarques para mercados estratégicos como China, Japão e União Europeia.
De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o volume é recorde para o período.
Em volume, as exportações somaram 509,9 mil toneladas, também o maior resultado já registrado para o período, em alta de 29,6% na comparação anual. Segundo a entidade, o desempenho também reflete a base de comparação mais baixa do ano passado, marcada pelos impactos do único caso registrado de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na história da avicultura comercial brasileira.
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 2,453 milhões de toneladas de carne de frango, avanço de 8,7% frente ao mesmo período de 2025. A receita acumulada chegou a US$ 4,714 bilhões, crescimento de 11,3%.
A China permaneceu como principal destino da proteína brasileira em maio, com importações de 48,3 mil toneladas, alta de 34,7%. Na sequência aparecem Japão, com 43,2 mil toneladas (+53,9%), União Europeia, com 40,2 mil toneladas (+61,6%), Arábia Saudita, com 39,1 mil toneladas (+27,5%) e Emirados Árabes Unidos, com 32,3 mil toneladas (+1,2%).
Também apresentaram crescimento relevante mercados como México (+40,9%), Coreia do Sul (+36,4%) e África do Sul (+22,8%). Entre os principais compradores, apenas as Filipinas registraram retração nos embarques, com queda de 14,2%.
Entre os estados exportadores, o Paraná manteve a liderança nacional, com 213,9 mil toneladas embarcadas em maio, crescimento de 35,1%. Santa Catarina aparece em seguida, com 113,9 mil toneladas (+39,7%), seguido pelo Rio Grande do Sul, com 62,9 mil toneladas (+21,3%).
Na avaliação do presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho ocorreu mesmo em um cenário global de elevada instabilidade logística e geopolítica.
Segundo ele, as tensões no Oriente Médio e os riscos envolvendo as rotas marítimas ligadas ao Estreito de Ormuz aumentaram as incertezas do comércio internacional. Ainda assim, o Brasil conseguiu ampliar presença em mercados considerados estratégicos e de maior valor agregado.E
Em nota, o presidente da ABPA afirma que Brasil ampliou significativamente a presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que registrou forte presença no Oriente Médio e ampliou negócios em mercados emergentes.
Para o setor, o resultado reforça a competitividade da cadeia avícola brasileira, sustentada pela diversificação dos mercados compradores, capacidade produtiva e status sanitário do país, fatores que seguem impulsionando a demanda internacional pela proteína brasileira.
Um dia depois de o governo de São Paulo anunciar uma taxação específica para a tilápia importada, Pernambuco divulgou que está em processo de implementação de políticas rigorosas de fiscalização contra o peixe importado do Vietnã.
As ações, anunciadas nos dias 2 e 3 de junho, foram celebradas pela Peixe BR, Associação Brasileira da Piscicultura, como vitórias cruciais para garantir a competitividade e a segurança do setor no país.
Na terça-feira (2), o governo paulista anunciou a publicação de um decreto que estabelecerá uma alíquota de ICMS específica para o filé de tilápia importado.
O anúncio foi realizado pelo deputado estadual Itamar Borges ao lado do governador Tarcísio de Freitas e de integrantes da equipe econômica e agrícola do governo paulista. A iniciativa atende a uma demanda antiga dos produtores, que vinham alertando para os impactos da crescente presença do pescado importado no mercado nacional.
Pernambuco
Em Pernambuco, a Adagro (Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco) anunciou a elaboração de uma portaria para limitar a circulação desses produtos no território estadual. A medida é fundamentada no risco de introdução do vírus TiLV (Tilapia Lake Virus), doença endêmica na região asiática que pode devastar plantéis locais.
Além disso, a Assembleia Legislativa do estado debate projetos de lei que visam criar mecanismos de rastreabilidade e controle sanitário para pescados importados.
Em ambos os casos, o objetivo é proteger os psicultores locais, que enfrentam uma pressão econômica severa devido à concorrência com o produto estrangeiro.
Propostas nacionais
Em Brasília, a CAPADR (Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural) da Câmara dos Deputados aprovou, no dia 28 de maio, dois projetos que visam proteger a indústria brasileira de pescados. Uma das propostas proíbe a importação de tilápia e outros subprodutos e a outra incentiva a produção, beneficiamento e comercialização sustentável do peixe.
O PL (Projeto de Lei) 6331/25 proíbe a importação de tilápia em qualquer fase produtiva ou para fins reprodutivos, incluindo espécimes vivos, resfriados, congelados, filetados, eviscerados, industrializados ou processados para consumo humano ou animal.
O intuito da proposta é reduzir riscos sanitários associados a agentes infecciosos a humanos, como parasitas, além de proteger a cadeia produtiva da tilápia no Brasil.
O projeto compreende as espécies Oreochromis niloticus, Oreochromis mossambicus, Oreochromis aureus, Tilapia rendalli (sinonímia Coptodon rendalli) e seus híbridos.
O texto ainda proíbe toda a cadeia até a distribuição dos peixes, como desembaraço aduaneiro, circulação, distribuição, armazenamento e comercialização de tilápia importada. Também veda a concessão de licença, permissão ou autorização para importadores da espécie, além de punir com multa, apreensão e cassação de licenças.
Já a segunda proposta, o PL 6463/25,institui diretrizes para o incentivo à produção, ao beneficiamento e à comercialização da tilápia, de forma ambientalmente sustentável, com o intuito de melhorar o desenvolvimento econômico, preservar recursos naturais, além de gerar emprego e renda.
O texto também prevê que os incentivos estarão relacionados ao uso sustentável da água, controle e mitigação de impactos ambientais, respeito à legislação vigente e incentivo de boas práticas.
O projeto compreende as espécies Oreochromis niloticus, Oreochromis mossambicus, Oreochromis aureus, Tilapia rendalli (sinonímia Coptodon rendalli) e seus híbridos.
O texto ainda proíbe toda a cadeia até a distribuição dos peixes, como desembaraço aduaneiro, circulação, distribuição, armazenamento e comercialização de tilápia importada. Também veda a concessão de licença, permissão ou autorização para importadores da espécie, além de punir com multa, apreensão e cassação de licenças.
Já a segunda proposta, o PL 6463/25,institui diretrizes para o incentivo à produção, ao beneficiamento e à comercialização da tilápia, de forma ambientalmente sustentável, com o intuito de melhorar o desenvolvimento econômico, preservar recursos naturais, além de gerar emprego e renda.
O texto também prevê que os incentivos estarão relacionados ao uso sustentável da água, controle e mitigação de impactos ambientais, respeito à legislação vigente e incentivo de boas práticas.
As duas propostas tramitam em regime conclusivo, ou seja, não precisam ser apreciadas no Plenário da Casa, salvo algum pedido. A proposta que proíbe a importação da espécie precisa passar pela comissão de CCJ (Constituição e Justiça e de Cidadania), tal qual a que prevê incentivos à produção interna. Esta última também precisa do aval da CFT (Finanças e Tributação).
A possível chegada de um forte El Niño a partir deste mês de junho deve aumentar os desafios para a pecuária brasileira no segundo semestre de 2026. Além das preocupações com o esgotamento da cota de exportação da China e das restrições impostas pela União Europeia, o setor ainda pode enfrentar perdas relacionadas à piora das pastagens provocada pelo clima.
A avaliação é do economista da FGV Agro, Felippe Serigati, que vê um cenário mais desafiador principalmente para a região Centro-Norte do país.
“O próprio El Niño tende a prejudicar a qualidade das pastagens, principalmente na região centro-norte do país. Você vai ter um aumento de custo ou um ganho de peso menor dos animais”, afirmou.
Segundo meteorologistas, o fenômeno climático deve começar a atuar em junho, mas os efeitos mais intensos devem ocorrer a partir da primavera, coincidindo com o período de plantio e desenvolvimento das principais culturas brasileiras. A tendência é de temperaturas acima da média e redução das chuvas em parte do país.
Quem liga o rádio em Rondônia nos últimos meses esbarra, mais cedo ou mais tarde, no nome de Deborah Alves ou de Luccas Maran. Às vezes nos dois, no mesmo bloco. Não é coincidência — é resultado. É o tipo de coisa que acontece quando talento de verdade encontra o caminho certo.
Deborah Alves, a Rainha do Agro, está entre as artistas mais tocadas do estado, figurando no topo do ranking das rádios rondonienses. Luccas Maran ocupa o mesmo patamar de prestígio entre os locutores e programadores das emissoras da região, com músicas que entram na cabeça de quem ouve e não saem mais. Dois artistas distintos em estilo e trajetória, mas unidos por algo difícil de fabricar: conexão real com o público.
A Rainha que chegou quieta e tomou conta do dial
Deborah Alves não precisou gritar pra ser ouvida. Ela chegou com a autenticidade de quem tem história pra contar — e o universo do agro como pano de fundo de uma vida inteira, não como estratégia de marketing. Quem ouve suas músicas percebe isso. Há algo nelas que ressoa além da melodia: é identificação. É o cheiro de terra molhada, a lida do campo, o orgulho de quem vive e ama o interior.
O resultado dessa entrega está nos números e, mais do que isso, está nas rádios. Alcançar o topo das mais tocadas de Rondônia não é tarefa simples — o estado tem uma audiência exigente, acostumada ao bom sertanejo, e os locutores sabem bem o que funciona. Deborah passou por esse filtro com folga.
Seu crescimento nos últimos meses tem surpreendido até os mais experientes do setor. Festivais, festas de aniversário de cidades, exposições agropecuárias — a agenda foi tomando forma no ritmo em que as músicas foram tomando conta do dial. E a percepção de quem trabalha no mercado é unânime: essa trajetória está longe do fim. O nome Deborah Alves ainda vai soar muito, por muito tempo.
O cara que todo radialista começa a conhecer
Luccas Maran tem aquele tipo de carisma que chega antes da música. Quando ele aparece num palco, num estúdio ou numa entrevista, existe uma energia que envolve — e o público sente isso. Não à toa, as emissoras de rádio da região passaram a incluí-lo com cada vez mais frequência na programação. Os ouvintes pedem. Os locutores gostam. E o artista entrega.
Suas canções têm uma qualidade que o mercado sertanejo sempre soube valorizar: elas funcionam. Na voz, no arranjo, na letra — há um cuidado que o diferencia num cenário altamente competitivo. Com uma agenda de shows que não para de crescer e projetos novos em preparação, Luccas está num daqueles momentos de carreira que, quando olhados de trás pra frente, ficaram marcados como o ponto de virada.
Falar em promessa já parece pouco. O que se vê nas rádios e nos palcos é um artista que saiu da fase de se apresentar e entrou na fase de se consolidar.
Por trás dos dois: o empresário que faz o Norte dançar
Quando dois artistas de um mesmo estado chegam juntos ao topo das rádios, a pergunta natural é: quem está conduzindo esse barco? A resposta tem 22 anos de mercado e um nome: Wandin, da Agência Mix.
Vinte e dois anos à frente da mais importante empresa de entretenimento da Região Norte não é currículo acumulado em gaveta. É história viva, contada em palcos montados, em artistas revelados, em festas que viraram referência e em municípios que colocaram no calendário oficial o dia em que o show da Agência Mix chegou. Nascida em Rolim de Moura, no coração de Rondônia, a empresa cresceu com o mesmo espírito do interior: planejamento sério, palavra cumprida e resultado concreto.
Em 2026, a Agência Mix alcança uma marca que poucos no mercado nacional chegaram a ostentar: mais de 200 shows vendidos em um único ano, tornando-se a agência que mais comercializou espetáculos no Norte do Brasil. O número impressiona — mas o que impressiona mais é o que cada um desses shows representa. É economia aquecida. É geração de emprego. É turista que se desloca, hotel que lota, restaurante que fatura, cidade que respira cultura por alguns dias.
O portfólio da empresa conta a história de uma curadoria de peso: Henrique & Juliano, Zé Neto & Cristiano, Ana Castela, Murilo Huff, Bruno & Marrone, Zezé Di Camargo & Luciano, Leonardo, Zé Felipe e dezenas de outros grandes nomes já passaram pelos palcos organizados ou comercializados pela Agência Mix. Não é lista pra enfeitar press release — é prova de que o mercado confia em quem entrega.
Wandin entendeu cedo que o sucesso de uma empresa de entretenimento não se mede apenas em contratos fechados. Mede-se na fidelidade dos artistas, na confiança dos promotores, na satisfação do público que paga o ingresso e vai embora querendo mais. É por isso que, mais de duas décadas depois, o nome Agência Mix continua sendo a primeira referência quando uma cidade do Norte quer fazer um grande evento.
Rondônia no mapa do sertanejo nacional
O que Deborah Alves e Luccas Maran representam vai além de suas próprias carreiras. Eles são parte de um movimento maior — o de mostrar que a Região Norte não é apenas plateia do sertanejo nacional, mas também produtora de talentos que chegam às rádios, às plataformas e aos palcos com força própria.
E quando há estrutura por trás, como a que a Agência Mix oferece, esse caminho fica mais curto. O mercado aprende rápido a identificar quem tem gestão séria, agenda organizada e nome limpo na praça. Artistas bem gerenciados chegam mais longe e duram mais. Deborah e Luccas são, hoje, exemplos vivos disso.
As rádios de Rondônia já sabem o que o resto do Brasil vai descobrir em breve. Esses dois nomes não estão passando — estão chegando.
📻 Acompanhe Deborah Alves e Luccas Maran nas rádios e plataformas digitais. Mais informações sobre shows e contratações: Agência Mix.
O relatório preliminar da USDR, que orienta taxar em 25% determinados produtos brasileiros, tem peso extra para o café solúvel do Brasil. O item não foi isento durante a investigação comercial dos EUA, que começou no ano passado, e atualmente tem tarifa de 10%.
Caso a diretriz da entidade comercial americana seja efetivada no próximo dia 15 de julho, a nova taxa de 25% sobre o item passará a valer, o que tende a dificultar as exportações aos americanos.
De acordo com o diretor-executivo do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), Marcos Matos, o momento acelera, mais uma vez, ação intersetores para desenrolar um acordo bilateral com as partes americanas. Ele defende uma negociação focada na ampliação da lista de exceção para fortalecer a parceria com os EUA.
“Basicamente o governo americano está dizendo ao Brasil: venha negociar, vamos fazer um acordo bilateral. Mais do que nunca, nós temos que fazer grande negociação e trabalhar com os dois governos, dos EUA e do Brasil, para chegar a um acordo que seja justo para os dois lados”, enfatizou à CNN Agro.
Como contrapartida, acrescenta Matos, o Brasil tem o déficit comercial com os americanos para “colocar à mesa” de negociações. “Nós temos a possibilidade de discutir a lista de exceção. O grande objetivo, agora, é ampliá-la e colocar o café solúvel”.
Em condições normais, os Estados Unidos é o principal cliente de café do Brasil, além de ser o país que mais consome a bebida no mundo. Antes, 34% de tudo que existia do grão no território americano era de origem brasileira, entre as marcas comerciais daquele país.
“Estamos sofrendo ainda com a queda das exportações para lá, de janeiro a abril, houve uma retração de 41,5% nas vendas para o país, apesar de o café verde, que representa mais de 90% dos embarques, não serem taxados desde novembro do ano passado”, detalhou Matos.
Entretanto, o café verde não deixou de ser ameaçado, lembra o presidente do Cecafé, em razão de uma denúncia envolvendo questões trabalhistas na cafeicultura, o que ele classifica como “uma grande distorção e um erro de comunicação”.
“Ainda temos uma denúncia contra trabalho forçado e degradante na alfândega dos Estados Unidos, que edita uma norma específica que pune o país”, diz. Em paralelo, a entidade com o Ministério do Trabalho tentam comprovar a sustentabilidade social do trabalho na cadeia do café.
O momento é sensível para análise, já que o Brasil está no início da colheita da safra 2026/27 e ainda não tem um número de disponibilidade do grão para negociação e, portanto, não está na etapa competitiva das vendas entre os players mundiais.
A ABICS e National Coffee Association continua em parceria com Cecafé para fazer uma representação com as autoridades americanas para conseguir driblar uma potencial sobretaxa maior.
A BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), diante desse novo cenário apresentado pelo USTR, manifestou preocupação com os impactos na indústria de café solúvel brasileira e as consequências ao longo de toda cadeia de valor do café nacional, com restrições de comércio.
Com isso, afirmou, em nota, que irá manter o “contato constante” com os parceiros e governo brasileiros, bem como com os pares norte-americanos, a fim de “ajudar a esclarecer toda e qualquer dúvida que possibilite um cenário de isenção a todos os tipos de café do Brasil”.