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Carne suína cai ao menor patamar desde abril de 2024 e ganha competitividade

A média mensal do preço da carne suína atingiu o menor nível desde abril de 2024, em termos reais, considerando série deflacionada pelo IPCA de janeiro de 2026, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A desvalorização, que seguiu intensa em fevereiro, elevou pelo segundo mês consecutivo a competitividade da carne suína frente às principais concorrentes, bovina e de frango.

Segundo o Cepea, o ganho de competitividade em relação à carne bovina também é influenciado pela alta no preço da carcaça casada. Já no caso do frango, embora também tenha sido registrada queda nos valores, a retração foi menos intensa que a observada para a proteína suína.

Pesquisadores do Centro de Pesquisas destacam que o movimento de baixa nos preços do suíno vivo, verificado desde o início do ano, perdeu força nesta semana. O principal fator por trás do cenário de desvalorização é a oferta superior à demanda.

Agentes consultados pelo Cepea indicam que já eram esperadas quedas no primeiro bimestre de 2026, devido ao menor poder de compra da população neste período. No entanto, a intensidade do recuo tem gerado preocupação no setor.

A Morte silenciosa nos campos de Rondônia

Foto: Ilustrativa feita por IA

Nos últimos sete anos, o estado de Rondônia registrou 50 mortes envolvendo a rede elétrica. Um número que, quando lido em uma estatística fria, pode parecer pequeno. Mas que, na vida real, representa 50 famílias destroçadas, 50 histórias interrompidas, 50 tragédias que, em sua grande maioria, poderiam ter sido evitadas.

O dado mais alarmante não é o total é onde essas mortes acontecem.De todas as ocorrências registradas, 38 casos se deram na zona rural, o que representa cerca de 80% do total.

Uma concentração brutal que não é coincidência. É o reflexo de uma combinação perigosa, infraestrutura elétrica frágil, falta de manutenção preventiva, ausência de campanhas educativas eficazes e, acima de tudo, um abandono histórico da população do campo.
O principal fator por trás das fatalidades é o toque acidental na rede elétrica muitas vezes em situações que parecem corriqueiras, o braço de um maquinário agrícola que sobe um centímetro além do previsto, uma estrutura metálica içada sem a devida atenção à rede aérea, uma mangueira d’água apontada para cima durante a limpeza de uma área próxima aos cabos.

A pergunta que precisa ser feita com urgência é, o que está sendo feito para evitar essas tragédias?. Existe um segundo problema, talvez ainda mais grave do ponto de vista institucional, a demora no atendimento nas áreas rurais. Quando a energia falta em um bairro urbano, o prazo de restabelecimento as vezes não ultrapassa poucas horas. Quando falta no interior, em comunidades distantes, em ramais de difícil acesso a espera pode durar dias.

E é exatamente nesse vácuo de resposta que as tragédias ganham espaço.Sem alternativa, os próprios moradores sobem nos postes. Manuseiam fios. Tentam improvisar soluções que exigem técnica especializada, equipamentos de proteção e anos de treinamento. Não por imprudência mas por necessidade. Por não terem a quem recorrer.

Não há como tratar esse dado como aceitável. Não há como normalizar a morte de trabalhadores rurais que, muitas vezes, sequer tinham consciência do risco que corriam. Não há como aceitar que a solução encontrada por uma comunidade abandonada seja escalar um poste sem equipamento de proteção.

A zona rural de Rondônia produz alimentos, gera riqueza, sustenta famílias e move a economia do estado. Merece, em troca, um serviço de energia digno, seguro e responsivo.
Enquanto o campo continuar sendo tratado como território de segunda classe no acesso a serviços essenciais, os números continuarão chegando. E cada número, lembremos, tem um nome.

Por: EDUARDO KOPANAKIS

Agro de Rondônia, a agricultura familiar que sustenta o presente e desafia o futuro

Do pequeno ao grande, a cadeia que alimenta o mundo não pode romper
Do pequeno ao grande, a cadeia que alimenta o mundo não pode romper

No Dia do Agronegócio, celebrado hoje 25 de fevereiro, o Brasil volta os olhos para um dos setores mais estratégicos da economia nacional. Mas, se o agronegócio costuma ser lembrado por cifras, exportações e recordes de produtividade, é preciso dizer com todas as letras, a força que mantém esse sistema de pé todos os dias, em silêncio, com constância, tem nome e sobrenome em grande parte do território brasileiro, e em Rondônia isso salta aos olhos, agricultura familiar.

O agro que move Rondônia, diversidade, interdependência e um alerta
O agro que move Rondônia, diversidade, interdependência e um alerta

É ela que sustenta a base do abastecimento. É ela que dá diversidade à mesa, regularidade às feiras, vida aos pequenos comércios e estabilidade a muitas comunidades rurais. É ela que produz perto, entrega rápido, conhece o solo pelo nome e o clima pelo cheiro.
E é justamente por isso que a agricultura familiar não pode aparecer apenas como “coadjuvante simpática” em discursos oficiais, ela é coluna estrutural do agro e do desenvolvimento rondoniense. Ao mesmo tempo, seria um erro e uma injustiça, reduzir o agro a uma única cara. O agronegócio é uma engrenagem ampla, complexa e interdependente. Todos os setores são importantes, do café ao leite, da piscicultura à pecuária, do cacau à horticultura, dos grãos à fruticultura, da produção florestal às cadeias extrativistas, do pequeno processamento local às grandes indústrias.

Não é só exportação, é abastecimento, território e vida no campo
Não é só exportação, é abastecimento, território e vida no campo

O agro só é forte porque funciona como cadeia produtiva, e cadeia não se sustenta com um único elo. Quem planta depende de quem fornece insumos, assistência técnica e crédito. Quem cria depende de sanidade, logística e mercado. Quem colhe depende de estrada, armazenamento e compra. Quem processa depende de matéria-prima constante. Quem exporta depende de padrão, rastreabilidade e organização. Quem consome depende de todos eles, e muitas vezes não percebe. O agro é, no fundo, uma grande rede de trabalho coletivo, ainda que cada um esteja no seu pedaço de chão. E dentro dessa rede, há um ponto que precisa ser repetido até virar compromisso, há importância no pequeno, no médio e no grande.

Produtividade não herda sozinha, o agro precisa de gente para o trabalho no campo em todos os segmentos
Produtividade não herda sozinha, o agro precisa de gente para o trabalho no campo em todos os segmentos

O grande produtor puxa escala, investimento, tecnologia e competitividade global. O médio produtor faz a ponte entre produtividade e estabilidade regional. O agricultor familiar sustenta a diversidade, o abastecimento, a presença humana no território e a circulação de renda em comunidades inteiras. Não existe “agro completo” sem reconhecer o valor de cada perfil, porque este segmento que alimenta o mundo é, antes de tudo, feito de gente. Rondônia sabe disso na prática. Sabe que desenvolvimento não é só aumentar produção, é também manter famílias no campo com dignidade, fazer a renda girar no interior, garantir comida acessível, fortalecer cooperativas, estimular agroindústria, valorizar quem produz e melhorar as condições para que a próxima geração queira ficar.

Não existe “agro completo” sem reconhecer o valor de cada perfil, porque este segmento que alimenta o mundo
Não existe “agro completo” sem reconhecer o valor de cada perfil, porque este segmento que alimenta o mundo

Quando a agricultura familiar prospera, não prospera sozinha, ela puxa comércio, transporte, serviços, educação e saúde rural. Ela dá sentido econômico e social ao território. Mas há uma pergunta que não dá mais para adiar, e talvez ela seja a mais importante de todas neste 25 de fevereiro, como será o futuro?
Em muitas propriedades, quem está no comando já carrega décadas de campo nas costas. A mão que planta, colhe e cria está envelhecendo. E então vem o incômodo que precisa virar pauta pública, conversa de família e planejamento de Estado, estamos preparando sucessores? Estamos formando jovens com acesso a tecnologia, gestão, crédito, conectividade, assistência técnica e perspectiva real de renda?

O campo envelhece, a cidade consome, quem fará essa ponte no futuro?
O campo envelhece, a cidade consome, quem fará essa ponte no futuro?

Estamos tornando o campo um lugar de oportunidade, e não de renúncia? Porque o futuro do agro não se mede apenas em hectares, máquinas ou toneladas. O futuro do agro se mede na resposta a uma questão simples e profunda, quem continuará aqui amanhã? Se o agro é o motor, a agricultura familiar é o coração que mantém o ritmo. E coração não pode falhar. Neste Dia do Agronegócio, que a celebração não seja só aplauso. Que seja reflexão. E que a pergunta final, deixada como alerta e convite, ecoe em cada propriedade, cada gabinete e cada mesa de decisão, como será o futuro, e quem vai herdá-lo?

Por: Jean Carla Costa

Conab lança plataforma para rastreabilidade do café brasileiro

A Companhia Nacional de Abastecimento lançou uma plataforma em que os produtores de café do Brasil poderão emitir uma certificação comprovando que estão dentro das regras previstas no Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês), também conhecida como lei antidesmatamento europeia. Nomeada de Parque Cafeeiro, a ferramenta reúne e cruza uma série de banco de dados de órgãos do governo federal e foi lançada nessa terça-feira, 25.

A plataforma foi feita em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem uso gratuito. Um dos objetivos é viabilizar a comprovação de que o café exportado para o bloco tem origem em áreas sem desmatamento após 31 de dezembro de 2020. A legislação europeia, apesar de ainda não estar em vigor, prevê que alguns produtos agropecuários só podem ser importados se cumprirem esse critério.

Com a ferramenta, o próprio produtor rural ou a cooperativa poderão emitir uma declaração de conformidade com a regra europeia, desde que os dados comprovem isso. “Sem uma referência oficial, a checagem vira estresse e custo. A plataforma dá base pública para comprovar conformidade e sustentar renda com segurança”, disse o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Antonio Matos.

Além de uma integração com base de dados governamentais, a certificação verifica o desmatamento a partir das atualizações feitas no Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). Também há checagem com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e se não há sobreposição de áreas delimitadas como terras indígenas ou quilombolas e unidades de conservação.

“É uma ferramenta pública e gratuita que dá segurança ao produtor e abre caminho para o Brasil se afirmar como referência: produzir muito, com responsabilidade, e comprovar isso com dados”, destacou o presidente da Conab, Edegar Pretto.

 

 

Sistema FAPERON/SENAR capacita lideranças em workshop realizado em parceria com o Sebrae Rondônia

O Sistema FAPERON/SENAR realizou, ao longo de dois dias, um workshop voltado à capacitação de colaboradores da instituição e presidentes dos Sindicatos dos Produtores Rurais de Rondônia. O treinamento foi concluído na última sexta-feira (20) e integrou as ações do projeto “Juntos Pelo Agro”, desenvolvido em parceria com o Sebrae Rondônia.

O curso foi ministrado por Samuel Almeida, gerente no Sebrae Rondônia, e teve como objetivo preparar lideranças para os desafios atuais do setor, abordando temas como gestão de pessoas, comunicação, inovação, uso de tecnologia e aplicação da inteligência artificial no ambiente de trabalho. A proposta foi fortalecer uma liderança de alto impacto, alinhada às transformações do mundo globalizado e às necessidades do campo.

Durante a capacitação, os participantes receberam orientações práticas para melhorar a atuação profissional, qualificar processos e ampliar resultados, contribuindo diretamente para a eficiência das ações realizadas junto aos produtores rurais.

Samuel Almeida destacou que a parceria entre as instituições contribui para o crescimento sustentável do setor agropecuário. “Quando trabalhamos juntos, conseguimos fortalecer as lideranças e melhorar a gestão. O resultado aparece na produção, na produtividade e, consequentemente, no aumento da renda do produtor rural”, afirmou.

O coordenador do Departamento de Assistência Técnica do SENAR Rondônia, Leonardo Cabral, ressaltou a importância do tema para o trabalho de campo. “A assistência técnica é feita por pessoas. Por isso, liderar, compreender o ser humano e desenvolver empatia são fundamentais. O workshop também trouxe o uso da inteligência artificial como ferramenta importante para nossas atividades, permitindo alcançar melhores resultados de forma mais rápida e dinâmica. O Senar está alinhado a esse crescimento”, explicou.

Para o coordenador de projetos do SENAR, Cleber Simião, a capacitação reforça o processo de modernização institucional. “O Senar está em constante desenvolvimento e o treinamento nos mostrou como utilizar a tecnologia em favor das nossas ações, nos departamentos e nos processos. Isso melhora tanto a entrega ao produtor quanto o planejamento e os relatórios de execução”, pontuou.

A presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Alto Paraíso, Antonielly Rottoli, que participou do encontro, avaliou a experiência como enriquecedora. “O tema liderança nos incentiva a sair da zona de conforto, buscar soluções e aprender a lidar com situações e pessoas no dia a dia. Esse conhecimento fortalece ainda mais o trabalho desenvolvido nos municípios”, destacou.

A iniciativa reforça o compromisso do Sistema FAPERON/SENAR em qualificar profissionais e fortalecer a gestão no meio rural, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do agro em Rondônia.

Piscicultura brasileira ultrapassa 1 milhão de toneladas em 2025

A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) apresentou nessa terça-feira, 24, o Anuário da Piscicultura Peixe BR 2026. De acordo com o levantamento, o Brasil produziu no ano passado 1,01 milhão de toneladas de peixes de cultivo. O crescimento em relação a 2024 é de 4,41%.

“Com esse número, somos o maior produtor de peixes de todas as Américas”, disse o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, no evento de apresentação do anuário.

Entre os Estados produtores de peixe de cultivo no geral, os cinco principais são:

Paraná, com 273,1 mil toneladas;
São Paulo, com 93,7 mil toneladas;
Minas Gerais, com 77,5 mil toneladas;
Santa Catarina, com 63,4 mil toneladas;
Maranhão, com 59,6 mil toneladas.

Entre as espécies, a tilápia continua sendo o destaque com mais de 707,4 mil toneladas produzidas, um aumento de 6,83% na comparação com o mesmo período anterior. A produção de peixes nativos chegou a 257 mil toneladas, representando um recuo de 0,63%. Demais espécies somaram 46,9 mil toneladas, queda de 1,75%.

Nós nunca tivemos na história do Brasil uma arrancada [da produção] de uma espécie de proteína animal em 10 anos como a gente observou no caso da tilápia”, comentou Medeiros ao lembrar do aumento no volume de tilápia desde 2015. Naquele ano, o Brasil registrou 285 mil toneladas desse peixe, um crescimento de 148,2% em 2025.

No entanto, os peixes nativos cultivados, como o tambaqui e tambatinga,  já registram o terceiro ano de queda. De acordo com o levantamento, essa tendência é explicada por alguns fatores, como um mercado mais restrito e concentrado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a falta de uma industrialização e a necessidade de intensificar avanços tecnológicos para esses cultivos.

Quanto às exportações brasileiras ligadas à piscicultura, houve um crescimento de 2% no faturamento registrado, chegando a US$ 60 milhões em 2025. O volume, no entanto, caiu 1%, somando 13,6 mil toneladas embarcadas.

“Mesmo em um ano que tivemos o tarifaço dos Estados Unidos, haja vista que mais de 90% das nossas exportações foram para os Estados Unidos, nós tivemos um resultado positivo. Mas por que isso aconteceu? Porque, no início de 2025, o planejamento, seja das indústrias, seja do setor, era que teríamos o ano como o maior exportador de filé fresco para os Estados Unidos. E terminamos o primeiro semestre praticamente empatados com a Colômbia, que está em primeiro, mas com o tarifaço a gente acabou reduzindo”, indicou o presidente da Peixe BR.

A tilápia respondeu por 92% do volume exportado. Somente o filé congelado de tilápia teve um salto de 421%. Além disso, o México se tornou o quinto principal mercado desse peixe. Os demais mercados, em ordem de importância, foram Estados Unidos, Canadá, Japão e China.

Mudança na tarifa
Depois da decisão da Suprema Corte norte-americana de derrubar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos oficializou nessa terça-feira a tarifa global de 10% sobre uma série de produtos. Apesar disso, esse movimento é comemorado pelo setor de pescado, já que na prática houve uma redução dessa tarifa, que antes chegava a 50% no caso dos pescados.

“Com a retomada da tarifa para 10% e como nós temos um produto que é o filé fresco, caindo a tarifa hoje, amanhã eu já estou exportando, porque o produto eu tiro da água e em 48 horas eu estou entregando lá, então abre uma oportunidade muito grande”, disse Medeiros a jornalistas após a apresentação do anuário.

Na avaliação dele, os exportadores de peixe brasileiros saem “mais fortalecidos”. Isso porque, antes do tarifaço, a visão dos compradores norte-americanos sobre os vendedores brasileiros não era de confiança. Porém, os meses com as alíquotas adicionais inverteram essa imagem. Além disso, ele destacou ser preciso ampliar os mercados da piscicultura brasileira.

“Um dos aprendizados que fica é que nós temos que procurar principalmente mercados da América Latina”, comentou o presidente.

 

 

Regularização de documentos no Setor Chacareiro termina nesta quinta-feira

Os produtores do Setor Chacareiro de Porto Velho terão, nesta terça-feira (24) e quinta-feira (26), uma oportunidade importante para colocar a documentação em dia sem precisar sair da comunidade.

Atendendo a um pedido da Associação Boa Safra, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Semagric) promove uma ação itinerante para emissão e regularização da CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar).

A iniciativa aproxima o poder público do campo e garante que os agricultores familiares tenham acesso facilitado aos documentos indispensáveis para participar de programas, linhas de crédito e políticas públicas que fortalecem a produção rural e movimentam a economia local.

A ação prevê cerca de 25 atendimentos em cada dia, totalizando aproximadamente 50 produtores beneficiados. Durante o mutirão, a equipe técnica da Semagric presta orientações e realiza todos os procedimentos necessários para emissão ou atualização do cadastro. A proposta itinerante busca atender principalmente agricultores que enfrentam dificuldades de deslocamento até a área urbana, garantindo mais comodidade, rapidez e inclusão no acesso às políticas públicas do setor.

De acordo com o prefeito Léo Moraes “a iniciativa tem o objetivo de ajudar os agricultores na conquista do fomento para suas propriedades. Isso significa mais emprego, renda e novas oportunidades para muita gente”.

O secretário da Semagric, Rodrigo Ribeiro, destaca que a iniciativa reforça a presença do poder público no campo e amplia as oportunidades para os produtores rurais. “A CAF é a porta de entrada para diversas políticas de apoio à agricultura familiar. Além do atendimento diário na sede da Semagric, estamos organizando ações itinerantes conforme a demanda das comunidades e associações. Isso garante mais acesso, agilidade e fortalece a agricultura familiar com mais presença do poder público no campo”, afirmou.

A CAF é um documento essencial que reconhece formalmente o produtor como agricultor familiar, possibilitando acesso a programas de fomento, assistência técnica, crédito, projetos produtivos e ações que estimulam a geração de renda e o abastecimento local. A Semagric reforça que o serviço também está disponível na sede da Secretaria, com atendimento das 7h30 às 13h30, e que o calendário de atendimentos itinerantes é definido conforme a demanda das associações, comunidades e distritos rurais.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Jean Carla Costa

Edital prevê R$ 131,9 milhões para regularização fundiária e apoio a agricultores

A Prefeitura de Porto Velho informa que o Governo Federal está com inscrições abertas para a seleção de entidades e empresas que irão executar ações de regularização fundiária e ambiental e prestar Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) a agricultores familiares em municípios prioritários da Amazônia.

A chamada pública integra o Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia (UcM) e contará com investimento de R$ 131,9 milhões, com recursos do Fundo Amazônia. A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em parceria com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O edital prevê a divisão em 16 lotes, com potencial de atendimento a mais de 7 mil famílias em 48 municípios de seis estados da Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. Em Rondônia, as ações contemplam os municípios de Candeias do Jamari, Nova Mamoré e Porto Velho.

As inscrições estão abertas desde 7 de fevereiro de 2026 e seguem até 2 de março de 2026. Podem enviar propostas entidades privadas, com ou sem fins lucrativos, desde que estejam regularmente credenciadas na Anater para a prestação de serviços de Ater. Cada instituição poderá concorrer em até dois lotes.

O envio das propostas deve ser feito exclusivamente pelo Sistema de Gestão de Ater (SGA). A experiência na Amazônia Legal e o conhecimento dos territórios onde as ações serão desenvolvidas contam pontos nos critérios de avaliação, embora não haja exigência de que a sede da entidade esteja localizada nos municípios contemplados.

O projeto prioriza pequenas propriedades rurais (com até quatro módulos fiscais), situadas em assentamentos ou em glebas públicas federais ainda não destinadas. O público-alvo inclui agricultores familiares e assentados da reforma agrária.

As atividades começam com a identificação e visita às famílias em áreas previamente selecionadas, em diálogo entre os parceiros do programa. Em seguida, serão iniciados os processos de regularização fundiária e ambiental. Na sequência, as equipes técnicas irão apoiar a adoção de práticas agroecológicas e sistemas agroflorestais, com foco no aumento da renda e na manutenção da floresta em pé.

A iniciativa integra um conjunto de três projetos previstos para os próximos cinco anos dentro do Programa União com Municípios, com meta de alcançar cerca de 30 mil famílias e investimento estimado em R$ 600 milhões.

O Programa União com Municípios foi instituído pelo Decreto nº 11.687/2023 e reconhece o papel estratégico das gestões locais na redução do desmatamento e de incêndios florestais. Atualmente, 70 municípios participam da iniciativa, que já realizou a entrega de equipamentos, ações de formação técnica e pagamento por serviços ambientais a agricultores familiares.

O Fundo Amazônia, criado em 2008, financia projetos voltados à conservação e ao uso sustentável das florestas na Amazônia Legal. Em 2025, o mecanismo registrou o maior volume anual de recursos aprovados desde sua criação, com cerca de R$ 2 bilhões em projetos.

Em caso de dúvidas sobre o edital, os interessados podem encaminhar questionamentos para o e-mail duvidas001.2026@anater.org.

CONFIRA O EDITAL AQUI.

Brasil suspende importação de cacau da Costa do Marfim

O Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau proveniente da Costa do Marfim, maior país produtor do mundo. A medida foi oficializada pelo secretário-executivo da pasta, Irajá Lacerda, substituto do ministro Carlos Fávaro, que está em viagem na Ásia, e consta no Despacho Decisório Nº 456, de segunda-feira (23/2), publicado no diário oficial nesta terça (24/2).

Segundo a pasta, a suspensão tem como base “possíveis implicações fitossanitárias e fatos de triangulação de amêndoas fermentadas e secas de cacau” associada ao elevado fluxo de grãos de países vizinhos – como Gana, Guiné e Libéria – para a Costa do Marfim.

O Ministério também determinou que as áreas técnicas investiguem os possíveis casos de triangulação comercial das amêndoas vindas do país africano.

importação permanecerá suspensa até que o governo marfinense se manifeste sobre a situação e apresente garantias de que os envios não apresentam risco de conter amêndoas de cacau produzidas em outros países que não têm autorização para exportar ao Brasil.

Técnicos do ministério reforçam, no entanto, que essa é uma medida temporária e não pode ser vista como salvação para o setor. Uma postura mais “radical”, defendida por alguns produtores brasileiros de cacau, como a proibição definitiva de importação, está fora de cogitação pelo governo.

No Ministério da Agricultura, a tônica é a de que “problemas sanitários não fecham mercados para sempre”. Ou seja, por mais que algum problema sanitário, como risco de disseminação de praga ou doença, seja identificado e haja suspensão temporária de importação, a medida deve e será revertida assim que o país exportador resolver a situação sanitária.

A fonte citou como exemplo a importação de camarão do Equador. As importações foram suspensas porque houve a detecção de problemas técnicos e sanitários no país pela delegação do Ministério da Agricultura. Quando a situação for resolvida, no entanto, não haverá razão para manter barreiras. Esse é um recado claro ao setor do cacau de que o problema é conjuntural e não será resolvido com uma vedação às importações, mas que a cadeia precisa de uma política mais estruturada.

O tema escalou e está sob a batuta da Casa Civil, onde houve reunião nessa segunda-feira. Há algumas semanas, o governador do Pará, Helder Barbalho, discutiu a situação com o ministro Carlos Fávaro e representantes da cadeia produtiva em Brasília. No fim de janeiro, produtores baianos protestaram contra a importação e a Federação de Agricultura da Bahia (Faeb) cobrou medidas do governo federal.

Mudanças no regime de drawback, que permite isenção na importação de cacau que será usado como matéria-prima para derivados processados aqui e exportados, são vistas como mais complexas em Brasília. A avaliação é que o drawback é instituído por lei de forma linear, sem indicações específicas por cadeia, por exemplo.

Exotismo no campo: saiba como criar cervos

Os cervos usam seus chifres, principalmente como instrumento de combate, mas, todos os anos o descartam, quando ocorre a renovação — Foto: Aflo Images/Canva
Os cervos usam seus chifres, principalmente como instrumento de combate, mas, todos os anos o descartam, quando ocorre a renovação — Foto: Aflo Images/Canva

Não há como não ficar impressionado com as galhadas que crescem no topo da cabeça dos cervos. Elas são de particular imponência quando formam um arco grande, com muitas pontas, em direção ao céu, o que fortalece ainda mais a imagem desse animal exótico, bastante cobiçado quando se busca uma opção para ornamentar propriedades no campo.

Com sua beleza selvagem, o cervídeo integra ainda mais a natureza à rotina de lugares como hotéis, pousadas campestres, estabelecimentos de turismo rural, parques ecológicos e fazendas particulares.

Para o cervo, a principal função do chifre é servir de instrumento de combate, para o animal defender seu território e disputar a preferência das fêmeas. A galhada, que só se desenvolve no cervo macho, tem valor comercial específico.