No Dia do Agronegócio, celebrado hoje 25 de fevereiro, o Brasil volta os olhos para um dos setores mais estratégicos da economia nacional. Mas, se o agronegócio costuma ser lembrado por cifras, exportações e recordes de produtividade, é preciso dizer com todas as letras, a força que mantém esse sistema de pé todos os dias, em silêncio, com constância, tem nome e sobrenome em grande parte do território brasileiro, e em Rondônia isso salta aos olhos, agricultura familiar.

É ela que sustenta a base do abastecimento. É ela que dá diversidade à mesa, regularidade às feiras, vida aos pequenos comércios e estabilidade a muitas comunidades rurais. É ela que produz perto, entrega rápido, conhece o solo pelo nome e o clima pelo cheiro.
E é justamente por isso que a agricultura familiar não pode aparecer apenas como “coadjuvante simpática” em discursos oficiais, ela é coluna estrutural do agro e do desenvolvimento rondoniense. Ao mesmo tempo, seria um erro e uma injustiça, reduzir o agro a uma única cara. O agronegócio é uma engrenagem ampla, complexa e interdependente. Todos os setores são importantes, do café ao leite, da piscicultura à pecuária, do cacau à horticultura, dos grãos à fruticultura, da produção florestal às cadeias extrativistas, do pequeno processamento local às grandes indústrias.

O agro só é forte porque funciona como cadeia produtiva, e cadeia não se sustenta com um único elo. Quem planta depende de quem fornece insumos, assistência técnica e crédito. Quem cria depende de sanidade, logística e mercado. Quem colhe depende de estrada, armazenamento e compra. Quem processa depende de matéria-prima constante. Quem exporta depende de padrão, rastreabilidade e organização. Quem consome depende de todos eles, e muitas vezes não percebe. O agro é, no fundo, uma grande rede de trabalho coletivo, ainda que cada um esteja no seu pedaço de chão. E dentro dessa rede, há um ponto que precisa ser repetido até virar compromisso, há importância no pequeno, no médio e no grande.

O grande produtor puxa escala, investimento, tecnologia e competitividade global. O médio produtor faz a ponte entre produtividade e estabilidade regional. O agricultor familiar sustenta a diversidade, o abastecimento, a presença humana no território e a circulação de renda em comunidades inteiras. Não existe “agro completo” sem reconhecer o valor de cada perfil, porque este segmento que alimenta o mundo é, antes de tudo, feito de gente. Rondônia sabe disso na prática. Sabe que desenvolvimento não é só aumentar produção, é também manter famílias no campo com dignidade, fazer a renda girar no interior, garantir comida acessível, fortalecer cooperativas, estimular agroindústria, valorizar quem produz e melhorar as condições para que a próxima geração queira ficar.

Quando a agricultura familiar prospera, não prospera sozinha, ela puxa comércio, transporte, serviços, educação e saúde rural. Ela dá sentido econômico e social ao território. Mas há uma pergunta que não dá mais para adiar, e talvez ela seja a mais importante de todas neste 25 de fevereiro, como será o futuro?
Em muitas propriedades, quem está no comando já carrega décadas de campo nas costas. A mão que planta, colhe e cria está envelhecendo. E então vem o incômodo que precisa virar pauta pública, conversa de família e planejamento de Estado, estamos preparando sucessores? Estamos formando jovens com acesso a tecnologia, gestão, crédito, conectividade, assistência técnica e perspectiva real de renda?

Estamos tornando o campo um lugar de oportunidade, e não de renúncia? Porque o futuro do agro não se mede apenas em hectares, máquinas ou toneladas. O futuro do agro se mede na resposta a uma questão simples e profunda, quem continuará aqui amanhã? Se o agro é o motor, a agricultura familiar é o coração que mantém o ritmo. E coração não pode falhar. Neste Dia do Agronegócio, que a celebração não seja só aplauso. Que seja reflexão. E que a pergunta final, deixada como alerta e convite, ecoe em cada propriedade, cada gabinete e cada mesa de decisão, como será o futuro, e quem vai herdá-lo?
Por: Jean Carla Costa








