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A Morte silenciosa nos campos de Rondônia

Nos últimos sete anos, o estado de Rondônia registrou 50 mortes envolvendo a rede elétrica. Um número que, quando lido em uma estatística fria, pode parecer pequeno. Mas que, na vida real, representa 50 famílias destroçadas, 50 histórias interrompidas, 50 tragédias que, em sua grande maioria, poderiam ter sido evitadas.

O dado mais alarmante não é o total é onde essas mortes acontecem.De todas as ocorrências registradas, 38 casos se deram na zona rural, o que representa cerca de 80% do total.

Uma concentração brutal que não é coincidência. É o reflexo de uma combinação perigosa, infraestrutura elétrica frágil, falta de manutenção preventiva, ausência de campanhas educativas eficazes e, acima de tudo, um abandono histórico da população do campo.
O principal fator por trás das fatalidades é o toque acidental na rede elétrica muitas vezes em situações que parecem corriqueiras, o braço de um maquinário agrícola que sobe um centímetro além do previsto, uma estrutura metálica içada sem a devida atenção à rede aérea, uma mangueira d’água apontada para cima durante a limpeza de uma área próxima aos cabos.

A pergunta que precisa ser feita com urgência é, o que está sendo feito para evitar essas tragédias?. Existe um segundo problema, talvez ainda mais grave do ponto de vista institucional, a demora no atendimento nas áreas rurais. Quando a energia falta em um bairro urbano, o prazo de restabelecimento as vezes não ultrapassa poucas horas. Quando falta no interior, em comunidades distantes, em ramais de difícil acesso a espera pode durar dias.

E é exatamente nesse vácuo de resposta que as tragédias ganham espaço.Sem alternativa, os próprios moradores sobem nos postes. Manuseiam fios. Tentam improvisar soluções que exigem técnica especializada, equipamentos de proteção e anos de treinamento. Não por imprudência mas por necessidade. Por não terem a quem recorrer.

Não há como tratar esse dado como aceitável. Não há como normalizar a morte de trabalhadores rurais que, muitas vezes, sequer tinham consciência do risco que corriam. Não há como aceitar que a solução encontrada por uma comunidade abandonada seja escalar um poste sem equipamento de proteção.

A zona rural de Rondônia produz alimentos, gera riqueza, sustenta famílias e move a economia do estado. Merece, em troca, um serviço de energia digno, seguro e responsivo.
Enquanto o campo continuar sendo tratado como território de segunda classe no acesso a serviços essenciais, os números continuarão chegando. E cada número, lembremos, tem um nome.

Por: EDUARDO KOPANAKIS

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