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Brasil firma acordos com Coreia do Sul para cooperação bilateral no agro

Os atos foram celebrados durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul — Foto: Carol De Vita/MAPA
Os atos foram celebrados durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul — Foto: Carol De Vita/MAPA

O Ministério da Agricultura assinou, nesta segunda-feira (23/2), em Seul, na Coreia do Sul, dois memorandos de entendimento com o governo sul-coreano voltados ao fortalecimento da cooperação bilateral em agricultura, sanidade, inovação e desenvolvimento rural. As parcerias abrangem áreas como agricultura digital, infraestrutura agrícola e bioinsumos, segundo comunicado oficial da pasta.

Os acordos foram firmados durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático.

O primeiro memorando, celebrado entre os ministérios da Agricultura dos dois países, prevê a ampliação do intercâmbio técnico e institucional em ciência, tecnologia, agricultura digital, segurança alimentar e cadeias de abastecimento. O documento também estabelece cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), com harmonização de normas e troca de informações para avançar em temas de interesse comum.

Soro de leite pode virar refrigerante e gerar nova receita para laticínios

O soro do leite, um dos principais subprodutos da indústria de queijos, pode deixar de ser um passivo ambiental para se tornar uma nova fonte de receita para laticínios. Isso porque pesquisadores do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), ligado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), avançam no desenvolvimento de uma bebida carbonatada à base de soro, com potencial de enriquecimento proteico e funcional.

Batizada de “refrigerante do bem”, a formulação pode ser acidificada ou fermentada e incorporar proteínas, vitaminas, minerais e até culturas probióticas. A proposta alia aproveitamento integral da matéria-prima à criação de um produto com maior valor agregado.

Segundo Junio de Paula, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Leite e Derivados da Epamig, o diferencial está na combinação entre sustentabilidade e inovação industrial. “Chamamos de ‘refrigerante do bem’ porque contribui com o meio ambiente ao utilizar um soro que, muitas vezes, seria descartado e poderia causar poluição. Também contribui para a saúde, já que mantém nutrientes do leite, como cálcio, outros sais minerais e vitaminas, além de poder conter prebióticos e probióticos”, afirma.


No momento, o projeto está na fase de caracterização do soro, com análises de composição e qualidade para definir parâmetros de formulação. A próxima etapa será a produção em escala industrial na fábrica-escola da Epamig ILCT.

Nessa fase, serão avaliados dois processos tecnológicos (fermentação e acidificação) com repetição dos lotes para validação. Após o envase, o produto passará por armazenamento refrigerado para análise de estabilidade e vida de prateleira. Durante a estocagem, serão realizadas análises físico-químicas e microbiológicas para assegurar segurança, estabilidade e eventual enquadramento como produto probiótico.

Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), execução da Epamig ILCT e gestão da Fundação Arthur Bernardes, o projeto tem conclusão prevista para o início de 2027. A expectativa é que a tecnologia seja considerada de simples adaptação industrial, o que pode facilitar sua adoção por laticínios interessados, desde que cumpridas as etapas regulatórias, como registro do produto e adequações de linha.

Café solúvel, uva, mel e pescados brasileiros podem ser impactados por derrubada do tarifaço de Trump; entenda

Produtos brasileiros como o café solúvel, a uva, o mel e os pescados podem ser beneficiados pela decisão da Suprema Corte dos EUA desta sexta-feira (20) de suspender o tarifaço imposto por Trump.

Isso porque esses itens ficaram de fora de duas decisões anteriores do governo americano que isentaram do tarifaço, no final do ano passado, diversos produtos exportados pelo agro brasileiro aos EUA.

Na ocasião, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou que a reversão parcial do tarifaço abrangeu 55% do valor que o Brasil exportou aos EUA, em 2024.

Alguns dos beneficiados, na época, foram o café em grão e a carne bovina, que são, respectivamente, o segundo e o terceiro itens mais vendidos ao mercado americano, atrás apenas dos produtos florestais.

Os 45% que ficaram fora da isenção incluem setores que, apesar de não liderarem as vendas aos EUA, têm forte dependência do mercado americano, caso justamente do café solúvel, mel, pescados e uva.

Horas depois da decisão da Suprema Corte, Trump anunciou novas taxas globais de 10%, na rede social Truth Social. Ele não informou quais produtos serão atingidos, e afirmou que deve assinar uma ordem executiva ainda nesta sexta-feira.

a Corte, Trump anunciou novas taxas globais de 10%, na rede social Truth Social. Ele não informou quais produtos serão atingidos, e afirmou que deve assinar uma ordem executiva ainda nesta sexta-feira.

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) disse que a medida da Suprema Corte reforça a segurança jurídica e o respeito às competências legais nas relações comerciais internacionais.

A nota diz ainda que, medidas “unilaterais”, como o tarifaço, geram incertezas e impactos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Após o anúncio da Suprema Corte, o g1 procurou ainda a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) e a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Já a Associação Brasileira dos produtores e exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) disseram que ainda estão buscando mais informações para entender a medida.

A CNA, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disseram que não vai se pronunciar no momento.

Trump reverteu parte do tarifaço no final de 2025

A primeira medida de isenção do tarifaço aconteceu no dia 14 de novembro e retirou a tarifa recíproca de 10%, imposta em abril, para cerca de 200 produtos alimentícios de diversos países.

A segunda, no dia 20 do mesmo mês, foi direcionada ao Brasil, e suspendeu a sobretaxa de 40%, anunciada em julho, para mais de 200 produtos, que foram acrescentados à lista anterior de quase 700 exceções ao tarifaço.

Café solúvel

Em 2024, as vendas de solúvel para os EUA representaram 10% de toda a exportação da indústria brasileira de café. O restante da exportação é de café em grão que já foi isenta da tarifa.

O café solúvel brasileiro sempre teve uma forte presença nos supermercados dos EUA, segundo o diretor-executivo da Abics, Aguinaldo Lima, em entrevista ao g1 em novembro.

No ano passado, por exemplo, 38% do que os americanos importaram teve origem no Brasil, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA, citados por Lima.

As exportações brasileiras para o país começaram nos anos de 1960 e, desde então, os americanos se mantiveram como o principal destino do solúvel nacional, o que mudou após o tarifaço.

“A Rússia, que tradicionalmente sempre foi o segundo colocado, passou para primeiro. Algo inédito”, diz Lima, detalhando que isso aconteceu a partir de julho, quando Trump impôs a taxa adicional de 40%.

Desde então, o volume exportado para os EUA nos meses de agosto, setembro e outubro caiu cerca de 50%, quando comparado a igual período de 2024.

Uva

Em 2024, o país foi o destino de 12% todas as frutas frescas exportadas pelo Brasil. Nesse período, somente os exportadores de uva faturaram US$ 41,5 milhões, segundo a Abrafrutas.

Segundo o AgroStat, plataforma de dados de exportação do Ministério da Agricultura, 23% do total de uvas vendidas para o exterior em 2024 foram para os EUA.

Entre outubro e novembro, a comercialização de uvas para os EUA caiu 73% na comparação com o mesmo período de 2024, informou o diretor-executivo da Abrafrutas, Eduardo Brandão.

Apesar de ter uma categoria de “frutas frescas” na lista de exceções publicadas pela Casa Branca em novembro, a uva ficou de fora dela, segundo confirmou a Abrafrutas com a embaixada.

 

Para o diretor-executivo, essa exclusão aconteceu porque os EUA são grandes produtores de uva e devem ter uma supersafra no próximo ano. Além disso, eles também importam muito do Chile e do Peru.

Entretanto, Brandão afirma que os cachos que deixaram de ir para os EUA já foram realocados para países da Europa e da América do Sul.

O maior prejuízo, portanto, foi que, com menos demanda, o poder de negociação para decidir o preço caiu, aponta o diretor.

Mel

Além do tarifaço de 50%, o mel brasileiro já estava sujeito à uma taxa de importação de 8,04% nos EUA, conta Renato Azevedo, presidente da Abemel, em entrevista ao g1 em novembro.

Todos os contratos com os EUA estavam garantidos até dezembro de 2025, afirmou Sitônio Dantas, diretor da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos (Piauí).

De acordo com o AgroStat, os EUA representaram quase 80% de todas as exportações de mel natural do Brasil.

Pescados

A exclusão dos pescados das isenções do tarifaço também frustrou o setor, disse o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, em entrevista ao g1 em novembro.

Segundo a associação, as vendas de pescados para os Estados Unidos geram US$ 300 milhões por ano para o setor.

Os norte-americanos representaram quase metade de todas as exportações do alimento em 2024, aponta o AgroStat.

Segundo Lobo, a atividade tem um peso importante no sustento de comunidades costeiras e ribeirinhas, com forte impacto em pequenas e médias empresas, “justamente onde a sensibilidade às tarifas é maior” Ele afirma que é urgente recolocar o pescado brasileiro no radar das negociações bilaterais.

Produção de mel e criação de abelhas é fortalecido com integração regional

Com o objetivo de fomentar a cadeia produtiva da apicultura (criação de abelhas com ferrão) e da meliponicultura (abelhas sem-ferrão nativas) no território Madeira-Mamoré, a prefeitura de Porto Velho por meio da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagric) realizou uma visita institucional ao município de Itapuã do Oeste.

A ação teve o objetivo de  reforçar o compromisso com o desenvolvimento rural integrado, como estratégica para ampliar a geração de renda no campo, promover a sustentabilidade e estimular a cooperação entre municípios da região. E faz parte do Programa Territórios da Cidadania, revalidado por meio da resolução do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf) nº 31, de 17 de junho de 2025.

A agenda teve como foco conhecer a realidade dos produtores rurais, realizar avaliações técnicas e alinhar estratégias para ampliar a integração entre os municípios que compõem o território Madeira-Mamoré, Itapuã do Oeste, Porto Velho, Candeias do Jamari, Guajará-Mirim e Nova Mamoré.

Durante as reuniões, foram discutidas ações para a criação de uma força-tarefa intermunicipal voltada à organização, estruturação e fomento da cadeia produtiva da apicultura e da meliponicultura. A proposta busca ampliar a assistência técnica, incentivar a regularização das atividades e fortalecer a comercialização do mel e de outros produtos apícolas na região.

Os impactos do projeto 

Nas reuniões, discutiu-se a criação de uma força-tarefa intermunicipal para fortalecer a apicultura e a meliponicultura
Nas reuniões, discutiu-se a criação de uma força-tarefa intermunicipal para fortalecer a apicultura e a meliponicultura

A comitiva da Semagric foi recebida pelo secretário municipal de Agricultura de Itapuã do Oeste, Nato Borges, e pelo prefeito Nei Martins. O encontro também contou com a participação da engenheira ambiental Adirleide Dias dos Santos, representante do Território Madeira-Mamoré e integrante da equipe técnica da Semagric de Porto Velho.

O secretário municipal de Agricultura de Porto Velho, Rodrigo Ribeiro, disse que a cooperação entre os municípios potencializa resultados e amplia o alcance das políticas públicas. “A atuação conjunta permite somar esforços e levar mais assistência técnica aos produtores. A apicultura é uma atividade estratégica, com grande potencial econômico e ambiental para toda a região do Madeira-Mamoré”, afirmou.

O secretário municipal de Agricultura de Itapuã do Oeste, Nato Borges, ressaltou que a parceria regional traz novas oportunidades para os produtores locais. “A integração com Porto Velho e com os demais municípios fortalece a organização da cadeia produtiva e abre caminhos para capacitação e acesso a mercados”, destacou.

O prefeito de Itapuã do Oeste, Nei Martins, lembrou a importância da iniciativa para o desenvolvimento rural sustentável. “Fortalecer a apicultura é investir em renda, preservação ambiental e desenvolvimento regional. A parceria entre os municípios demonstra o compromisso com o fortalecimento da produção rural”, afirmou.

O gerente de Assistência Técnica da Semagric de Porto Velho, Roseval Guzo, destacou que a união dos municípios é fundamental para consolidar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável. “A integração regional permitirá avançar de forma mais organizada, com planejamento, capacitação técnica e acesso a novos mercados para os produtores”, concluiu.

Texto: Jean Carla Costa
Edição: Secom
Foto: Adirleide Dias Santos

Legalização de empresas fortalece o agronegócio e abre portas para o crescimento sustentável

Formalização empresarial impulsiona negócios no campo e garante segurança ao produtor
Formalização empresarial impulsiona negócios no campo e garante segurança ao produtor

Em um campo onde tradição e inovação caminham lado a lado, o agronegócio brasileiro vive um momento de transformação. A busca por produtividade, mercados mais exigentes e acesso a crédito tem levado produtores e empreendedores rurais a dar um passo decisivo, sair da informalidade e formalizar seus negócios. Nesse cenário, a legalização de empresas deixa de ser apenas uma exigência burocrática e se consolida como estratégia para crescer com segurança.

Assessoria especializada orienta produtores na estruturação do negócio e na conformidade com as exigências legais do setor
Assessoria especializada orienta produtores na estruturação do negócio e na conformidade com as exigências legais do setor

É o que aponta a MAX Assessoria Contábil, que atua diretamente no processo de estruturação e regularização de empresas do setor. Segundo a empresa, a formalização permite ao produtor operar com previsibilidade, atender às exigências de grandes compradores e instituições financeiras e acessar oportunidades antes restritas a negócios regularizados.

Na prática, a diferença é perceptível. Uma empresa legalizada pode emitir notas fiscais, participar de programas governamentais, obter financiamentos rurais e estabelecer contratos formais com fornecedores e clientes. Isso amplia mercados, fortalece a credibilidade e reduz riscos fiscais e trabalhistas, fatores essenciais em um agronegócio cada vez mais profissionalizado.

Mais do que abrir um CNPJ, o processo envolve enquadramento tributário adequado à atividade rural, regularização junto a órgãos competentes e adequação às normas trabalhistas e de segurança do trabalho. É nesse ponto que o suporte contábil especializado se torna decisivo. Por meio do seu departamento de legalização, a MAX Assessoria Contábil atua de forma integrada, acompanhando todas as etapas do negócio.

Regularização permite acesso a financiamentos, programas públicos e grandes compradores, consolidando o agronegócio moderno
Regularização permite acesso a financiamentos, programas públicos e grandes compradores, consolidando o agronegócio moderno

Entre os principais serviços oferecidos estão abertura, alteração e regularização de empresas, emissão de certificado digital, enquadramento tributário específico para o agronegócio e elaboração de documentos obrigatórios como CAT, PGR, PCMSO, LTCAT e laudos técnicos. A assessoria também realiza acompanhamento contínuo, garantindo que o empreendimento permaneça em conformidade com a legislação e evite penalidades.

Para muitos produtores, a formalização representa uma mudança de realidade. Ao sair da informalidade, o empreendedor rural ganha acesso mais facilitado ao crédito, melhora a gestão financeira e passa a competir em melhores condições no mercado. Em um setor que responde por parcela significativa da economia nacional, a regularização empresarial se torna elemento-chave para o desenvolvimento sustentável.

A MAX Assessoria Contábil destaca que investir na legalização é uma decisão estratégica. No agronegócio moderno, estar regularizado deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade. Com atendimento personalizado e foco no setor produtivo, a empresa reforça o compromisso de simplificar processos e contribuir para o fortalecimento dos negócios rurais, um passo fundamental para o crescimento organizado do agronegócio.

Fonte: Max Assessoria

Com salto de 13,1%, agro lidera alta da atividade e sustenta PIB de 2025

© CNA/ Wenderson Araujo/Trilux

A atividade econômica brasileira apresentou crescimento em 2025, de acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (19) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 2,5% no ano passado em relação ao período anterior.As altas foram de 13,1% na agropecuária, 1,5% na indústria e 2,1% em serviços. O IBC-Br excluindo a agropecuária subiu 1,8% no ano.

Já em dezembro de 2025, o IBC-Br recuou 0,2% em relação a novembro, considerando os dados dessazonalizados (ajustados para o período). Na comparação com dezembro de 2024, houve alta de 3,1%, sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais.

No trimestre encerrado em dezembro ante o trimestre terminado em setembro de 2025, o índice apresentou alta de 0,4%.

O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica do país e incorpora informações sobre o nível de atividade de setores da economia – indústria, comércio e serviços e agropecuária –, além do volume de impostos. Ele ajuda o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 15% ao ano.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação, que é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas ajudam a redução da inflação, mas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Em janeiro, a alta dos preços da conta de luz e da gasolina fizeram a inflação oficial do mês fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado fez o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumular alta de 4,44% em 2025, dentro do intervalo de tolerância da meta.

O recuo da inflação para a meta e esses indicadores, como o IBC-Br, que mostram a moderação no crescimento interno, levaram à manutenção da Selic pela quinta vez seguida, na última reunião do Copom, no fim de janeiro.

Em ata, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na próxima reunião, em março, mas não indicou a magnitude do corte e esclareceu que os juros continuarão em níveis restritivos.

Segundo a autarquia, a atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação no crescimento, operando acima do seu potencial de expansão sem pressionar a inflação. Ainda assim, a manutenção dos juros em níveis restritivos se deve à resiliência de alguns fatores que pressionam preços “tanto correntes quanto esperados”, em especial do dinamismo ainda observado no mercado de trabalho.

A Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio de 2024, a taxa começou a ser elevada novamente em setembro daquele ano. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho de 2025, sendo mantida nesse nível desde então.

Produto Interno Bruto

Divulgado mensalmente, o IBC-Br emprega metodologia diferente da utilizada para medir o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira divulgado pelo IBGE. Segundo o BC, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB.”

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Puxada pelas expansões da indústria e da agropecuária, no terceiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 0,1%, o que é considerado pelo IBGE como estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está agendada para 3 de março.

Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

Por que Angola está cedendo terras para produtores brasileiros

(Foto: Alexandre Juca/Unsplash)

O governo federal mantém tratativas avançadas com autoridades de Angola para um acordo de cooperação voltado à expansão do setor agrícola no país africano por meio da transferência de tecnologias do agronegócio brasileiro.

As tratativas envolvem a participação de empresários e instituições financeiras brasileiras, que devem investir cerca de US$ 120 milhões em projetos na província angolana do Cuanza-Norte, com foco inicial na produção de grãos e alimentos básicos.

Ao todo, serão disponibilizados cerca de 60 mil hectares de terras  área equivalente a 85 mil campos de futebol para produtores brasileiros, segundo anunciou o governador provincial João Diogo Gaspar durante um encontro recente com uma comitiva de empresários brasileiros.

O objetivo, de acordo com o governo local, é atrair a experiência e tecnologia brasileira para aumentar a produção nacional, promover exportações, gerar empregos e tornar Angola autossuficiente do ponto de vista alimentar.

O modelo discutido prevê parcerias com produtores locais, transferência de tecnologia tropical e eventual financiamento por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil.

Segundo apurou o jornal Valor Econômico, os recursos do BNDES serão emprestados para a aquisição e exportação de máquinas agrícolas fabricadas no Brasil e de insumos de empresas brasileiras para o país africano.

Já o Banco do Brasil participaria do arranjo para operacionalizar recursos repassados por meio do Programa de Financiamento às Exportações (Proex). A ideia é que o Fundo Soberano de Angola participe com 17% do montante total.

O custeio das lavouras será feito por meio de bancos angolanos, com aporte de 5% do valor e cobertura das garantias, e com a contrapartida financeira dos agricultores que participarem do programa, com recursos próprios, estimada em 10% do total.

Brasil pode ganhar com exportação de equipamentos e insumos

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o Brasil se beneficiaria com a ampliação de oportunidades de venda de máquinas, equipamentos, sementes, insumos e transferência de tecnologia.

Agricultores e investidores brasileiros também podem se beneficiar do acesso a áreas agricultáveis ainda pouco exploradas e com custos operacionais potencialmente menores do que em regiões consolidadas do país.

“Avançar nessa parceria é beneficiar ambos os países e promover oportunidades para os nossos produtores”, disse Fávaro durante missão no país africano no fim de janeiro. “O Brasil tem muito a contribuir com sua experiência em pesquisa agropecuária e em tecnologias de baixo carbono.”

Segundo o ministro, foram identificadas oportunidades para a produção de milho, soja, algodão, carne bovina e suína. Além disso, as tratativas preveem aportes em infraestrutura, como armazéns e sistemas de irrigação.

A entidade Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Banco Mundial voltado ao setor privado em mercados emergentes, também demonstrou interesse em financiar as operações previstas no acordo.

Experiência com o Cerrado brasileiro interessa angolanos

Produtores angolanos têm grande interesse em sementes brasileiras em razão da semelhança de parte das terras do país com o Cerrado, segundo o adido agrícola do Brasil em Angola, José Guilherme Leal.

O Cerrado, que ocupa cerca de 25% do território brasileiro e era considerado pouco produtivo até a segunda metade do século passado, foi transformado em uma das principais áreas agrícolas do mundo em razão do investimento em tecnologia, crédito e infraestrutura.

Por outro lado, entre os riscos da iniciativa que precisarão ser trabalhados estão incertezas regulatórias, desafios logísticos em regiões com infraestrutura ainda limitada e a necessidade de adaptação das operações às condições institucionais e produtivas locais.

China também investe em produção agrícola em Angola

O movimento brasileiro ocorre em paralelo à expansão de investimentos semelhantes da China no país africano. No ano passado, o conglomerado estatal chinês Citic anunciou projetos de grande escala para produção de soja e milho, com investimentos estimados em cerca de US$ 250 milhões ao longo de cinco anos e planos de cultivo em até 100 mil hectares.

No caso da China, no entanto, o objetivo é garantir uma fonte de abastecimento estratégico de grãos, reduzindo a dependência de fornecedores externos tradicionais.

Diferentemente do modelo brasileiro, que tende a ser liderado por empresas privadas com apoio do governo, os projetos chineses contam com forte coordenação estatal e financiamento de bancos públicos, muitas vezes integrados a iniciativas de infraestrutura e logística.

A relação entre China e Angola já produziu resultados expressivos nas últimas duas décadas, principalmente na reconstrução de estradas, ferrovias e obras de energia financiadas por crédito chinês, frequentemente estruturado em acordos de longo prazo vinculados à produção de petróleo. A entrada de projetos agrícolas amplia essa cooperação para a área de segurança alimentar.

Angola pode se tornar nova fronteira agrícola mundial

Apesar das diferenças, tanto Brasil quanto China buscam ampliar a produção agrícola local, introduzir tecnologia e participar do crescimento do setor agroindustrial angolano.

O interesse crescente de Brasil, China e outros países é impulsionado pelo potencial agrícola ainda pouco explorado de Angola. O país reúne extensas áreas agricultáveis, clima favorável à produção de grãos tropicais e localização estratégica para exportações ao Atlântico.

Com aproximadamente 35 milhões de hectares de áreas agricultáveis ainda não exploradas, o país é considerado estratégico em termos globais, com potencial para se tornar uma nova fronteira agrícola mundial.

Seguem até março inscrições para venda de R$ 3,1 milhões em alimentos

Estão abertas até a primeira quinzena do próximo mês de março para o cadastramento de agricultores interessados em comercializar seus produtos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PPA) na modalidade doação simultânea. Os recursos são do Governo Federal, mas a Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) administra o convênio. Os valores dessa etapa chegam a R$ 3,1 milhões e devem contemplar 117 itens, desde feijão a postas, filés e peixes in natura.

Poderão participar do PAA os beneficiários que se enquadram na Lei Federal 11.326/2006, e os alimentos visam o reforço para indivíduos e familiares em situação de insegurança alimentar. As organizações sociais, também já cadastradas, deverão receber os itens e distribui-los aos necessitados.

Segundo a Seagri, tem preferência na venda dos produtos os seguintes grupos:

I – inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal- CadÚnico;

II – indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais;

III – negros;

IV- mulheres;

V – assentados da reforma agrária;

VI – pescadores; e

VII – jovens entre 18 e 29 anos.

Os interessados devem comparecer as unidades da Emater com os seguintes documentos:

Cópia de inscrição no Cadastro de Pessoa Física (CPF); Cópia da Carteira de Identidade, frente e verso (RG); Cópia da Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP) ou Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) devidamente atualizada; e Termo de Compromisso do Fornecedor conforme modelo do Anexo II.

Preços atrativos

Conforme estudos do grupo técnico da Seagri, os preços estão atrativos, embora a venda para cada produtor não possa ultrapassar os R$ 15 mil. O quilo do filé de pintado está valendo R$ 57,72 pela tabela; o quilo do pirarucu foi calculado em R$ 49,91, e o tambaqui (filé: R$ 40,36).

Os interessados podem acessar o edital na página:

https://rondonia.ro.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/Edital_PAA_Federal_2026.pdf

Reunião em 20 de fevereiro marca reativação da Câmara Setorial do Leite em Rondônia

O encontro vai oficializar a ativação da Câmara Setorial do Leite, espaço de diálogo entre o governo e representantes do setor produtivo
O encontro vai oficializar a ativação da Câmara Setorial do Leite, espaço de diálogo entre o governo e representantes do setor produtivo

Com foco no fortalecimento da cadeia produtiva do leite em Rondônia, o governo estadual realiza, no dia 20 de fevereiro, reunião na Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), em Porto Velho, para oficializar a reativação da Câmara Setorial do Leite, um espaço estratégico de diálogo entre o poder público e o setor produtivo.

O fórum terá foco em elevar a produtividade e a qualidade do leite, ampliar a assistência técnica, incentivar a industrialização
O fórum terá foco em elevar a produtividade e a qualidade do leite, ampliar a assistência técnica, incentivar a industrialização

O encontro reunirá representantes de instituições públicas, entidades do agro e lideranças da cadeia leiteira, consolidando a retomada de um fórum permanente voltado ao desenvolvimento da atividade no estado. A Câmara Setorial do Leite atuará na articulação de ações e políticas para elevar a produtividade e a qualidade do leite, ampliar a assistência técnica, incentivar a industrialização e facilitar o acesso dos produtores aos mercados.

Na pauta da reunião estão a instalação formal da Câmara Setorial do Leite (base vegetal) e a eleição da diretoria, que será escolhida entre os representantes convidados. A iniciativa busca fortalecer a organização do setor, promover maior competitividade e sustentabilidade da produção e ampliar a geração de renda das famílias rurais em Rondônia.

Feiras livres fortalecem a agricultura familiar e garantem renda a feirantes em Porto Velho

As feiras livres têm um papel fundamental no fortalecimento da agricultura familiar e na geração de renda para centenas de feirantes em Porto Velho. Espalhadas por diferentes bairros e acontecendo todos os dias da semana, elas se tornaram pontos tradicionais de abastecimento para a população, que busca produtos frescos, de qualidade e com preço acessível.

Nas bancas, é possível encontrar uma grande variedade de frutas, verduras, legumes, artesanato e carnes, como porco, frango e peixe, além de produtos regionais que valorizam a produção local. Diariamente, milhares de pessoas passam pelas feiras livres da capital para consumir alimentos frescos e fortalecer a economia dos pequenos produtores.

Para os agricultores familiares, a feira representa muito mais do que um espaço de venda: é a oportunidade de comercializar diretamente aquilo que é produzido na própria propriedade, sem intermediários. A produtora rural dona Ana Cristina, que vende frutas, destaca a importância desse contato direto com o consumidor.

“As frutas que eu vendo vêm na sua maioria da minha propriedade. Eu trago mandioca, abacaxi, banana, tudo que a gente planta lá. A feira é muito importante porque é daqui que sai a nossa renda e o sustento da família”, afirma.

Já a feirante dona Alice Silva, que comercializa goma de tapioca, farinha, presunto e mussarela, diz que participar das feiras é motivo de alegria e garantia de renda extra ao longo da semana.

“Eu fico muito feliz em participar da feira. A feira de domingo é a maior, mas durante a semana também dá pra ganhar um dinheirinho a mais. É um trabalho digno e que ajuda muito a gente”, ressalta.

Além de fomentar a economia local, as feiras livres também promovem a valorização da produção regional e incentivam hábitos alimentares mais saudáveis, já que os produtos chegam frescos diretamente do campo para a mesa do consumidor.

Outro ponto importante é o fortalecimento do vínculo entre produtor e população, criando uma relação de confiança e valorização do trabalho rural. Dessa forma, as feiras livres seguem sendo essenciais para a agricultura familiar, garantindo renda, visibilidade e sustentabilidade para os pequenos produtores, ao mesmo tempo em que abastecem a cidade com alimentos de qualidade todos os dias.