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Café solúvel vê acordo Mercosul-UE como saída diante das tarifas dos EUA

O avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) surge como um possível alívio para a indústria brasileira de café solúvel, em um momento em que o setor segue penalizado pelas tarifas adicionais dos Estados Unidos (EUA), seu principal mercado.

Segundo o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, o setor tende a ser um dos beneficiados pelo tratado. “São 9% de tarifa que fica desgravada em quatro anos, proporcional a quatro anos de desgravação”, disse.

Apesar do potencial, ao Agro Estadão Lima demonstrou cautela quanto aos efeitos. “Ainda tem alguns caminhos. [O acordo] não vai ser colocado de imediato e a gente não sabe ainda quanto tempo leva para iniciar a aplicação disso”, afirma. Apesar disso, ele ressalta que o acordo representa uma alternativa concreta ao mercado norte-americano.

Sem sinal de alívio nos EUA

No atual cenário geopolítico, em que o governo Trump está concentrado em suas ações na Venezuela, o setor de café solúvel não enxerga perspectiva de quando — ou se — os Estados Unidos irão decidir rever as tarifas adicionais que ainda pesam sobre alguns itens da pauta exportadora brasileira. “A gente não sabe qual é a importância que o Brasil tem para poder ser tirado dessas tarifas injustas que foram colocadas em alguns produtos, e o solúvel está no meio”, afirmou.

Mesmo com a sobretaxa de 50%, os Estados Unidos seguem como o principal destino do café solúvel brasileiro. Por isso, o setor persiste nas tratativas, trabalhando em três frentes: com os clientes nos Estados Unidos e com os governos brasileiro e norte-americano.

Como esperado, o impacto das tarifas aparece nos números. “Sendo os Estados Unidos o principal mercado, isso [tarifas] realmente traz muito prejuízo para o nosso País. Devemos fechar o ano [de 2025] com menos de 9% em relação ao ano anterior, em termos de volume, exatamente por conta da perda de mercado nos Estados Unidos”, disse.

Nesse contexto, a União Europeia ganha relevância estratégica para a indústria brasileira de café solúvel. De acordo com a Abics, os Estados Unidos respondem atualmente por cerca de 20% das exportações brasileiras do segmento, enquanto o bloco europeu ocupa a segunda posição, com aproximadamente 14% do volume total embarcado.

Para Lima, o espaço para crescimento na União Europeia é relevante. “É significativo. A gente tem grande possibilidade de crescer no mercado europeu. Então, é uma grande notícia depois de quase 25 anos”, salientou.

 

 

TAXAÇÃO DA CARNE BOVINA BRASILEIRA PELA CHINA

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   A China anunciou que, a partir de 1º de janeiro de 2026, vai taxar em mais 55% a carne bovina brasileira importada que ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas. Até a cota, a taxa continuará em 12%. Em 2025 a China importou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil; se for mantida a quantidade, 600 mil toneladas terão a tarifa extra de 55%.

Outros países, como Argentina, EUA, Uruguai e Austrália, também terão cotas estabelecidas e tarifas extras de 55% no que superar as cotas. Trata-se de uma medida que visa proteger os produtores chineses, que estão investindo para aumentar a produção nacional.

Trata-se de notícia complicada, que exige ação do governo e entidades do setor do Brasil. O Brasil é o 5º maior produtor de agronegócio mundial (2,6%) e o 3º maior exportador (8,4%). É o país que apresenta o maior saldo comercial no agronegócio mundial. O Brasil exporta para mais de 150 países. As carnes são o   2º produto mais exportado pelo agronegócio brasileiro (18%), só sendo superado pelo complexo soja (36%). A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro (31%). Entre estes produtos se destaca a carne bovina.

O Brasil é o principal produtor (12,4 milhões de toneladas) e o 2º maior exportador de carne bovina do mundo. Exporta cerca de 30% da sua produção. O principal destino da carne bovina brasileira exportada é a China (48%). As exportações do Brasil são responsáveis por 54% das importações da China. Alguns setores do Brasil já esperavam o estabelecimento de cotas e sobretaxas. Serão necessários ajustes no mercado, que já vinha se preparando para conviver com o comércio internacional como um instrumento geopolítico. Entidades privadas, como a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), e do governo, como o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), MRE (Ministério das Relações Exteriores) e MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) devem atuar para minimizar os efeitos negativos da medida. O Brasil mantém um Adido Agrícola na China, que deverá contribuir para manter as boas relações comerciais Brasil–China, que vêm se consolidando nos últimos anos. A tarifa extra deve ser medida temporária sujeita a ajustes.

O consumo de carne bovina continua crescente na China. A produção chinesa é de cerca de 7,8 milhões de toneladas. A estratégia da medida visa oferecer alguma proteção aos pecuaristas locais e ampliar a produção doméstica. Atualmente, a China importa 30% da carne bovina consumida.

A medida adotada pela China pode funcionar como um desestímulo aos investimentos dos pecuaristas brasileiros. Entretanto, o fortalecimento das relações entre os dois países, especialmente comerciais, vem se intensificando. A medida pode gerar distorções internas na China, induzindo inflação.

O Brasil pode, ainda, recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio) e tentar ampliar a cota estabelecida. Isto porque as exportações fora da cota vão se tornar mais difíceis. E a China vinha defendendo um comércio internacional sem salvaguardas.

De qualquer forma, o Brasil deve diversificar o mercado de importadores de sua carne bovina. Não é conveniente para qualquer produto, concentrar 48% das exportações para um único país. E, para isto, deve usar todas as estruturas  privadas e públicas, visando alçancar este objetivo a curto prazo. Nos últimos anos, 29 mercados foram abertos.

Como a cota da China sobre carne bovina deve mexer com a produção

O Brasil, maior produtor de carne bovina do mundo, pode passar a reduzir a produção em 2026, após a China impor cotas às importações — o país asiático é o principal comprador da proteína brasileira.

A cota estabelecida por Pequim é inferior ao volume de embarcações nos últimos anos, o que deve forçar os frigoríficos a cortar a produção ainda neste ano, segundo informações de bancos e consultorias

“É um revés importante para a indústria de carnes”, afirmou Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, à Bloomberg. Ele estima que as restrições chinesas levem a um recuo de 3,6% nos

Segundo ele, a produção total de carne bovina deve cair em proporção semelhante. Antes do anúncio de Pequim, a projeção era de uma queda de 2,8% nos abates.

A China anunciou no último dia de 2025 a imposição de tarifas adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, caso os embarques ultrapassem determinadas cotas.

Segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao país asiático, ficará com a maior fatia: 41,1% ou 1,1 milhão de toneladas.

 

 

 

 

Mercosul‑UE: especialista aponta oportunidades e limites do acordo para o Agro brasileiro

Colheita da soja 2025/26 começa com expectativa de boa produtividade

A colheita da soja da safra 2025/26 começou nas últimas semanas em áreas do norte de Mato Grosso e do oeste do Paraná. Nesse início de trabalhos, a expectativa dos produtores é de boa produtividade.

Segundo pesquisadores do Cepea, as condições climáticas permanecem predominantemente favoráveis nas principais regiões produtoras do País. Esse cenário reforça o otimismo em relação a uma possível safra recorde no Brasil.

Apesar disso, o mercado doméstico segue com baixa liquidez neste começo de ano. Os produtores permanecem retraídos nas vendas no mercado spot, o que tem contribuído para a pressão sobre as cotações da oleaginosa.

No comércio exterior, os embarques seguem em ritmo acelerado. Dados da Secex mostram que o Brasil exportou 3,38 milhões de toneladas de soja em dezembro de 2025, volume 59,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2024.

Esse avanço está relacionado, principalmente, ao maior apetite da China. Apenas em dezembro, o país asiático absorveu 2,6 milhões de toneladas da soja brasileira, alta de 83,8% na comparação anual.

No acumulado de 2025, as exportações brasileiras atingiram um recorde de 108,18 milhões de toneladas, superando as 106,97 milhões de toneladas estimadas pela Conab no relatório divulgado em dezembro.

 

 

Abate de bovinos em 2025 registra recorde e consolida Rondônia como potência na produção de proteína animal

O abate de bovinos em Rondônia alcançou um novo recorde em 2025, consolidando o estado como um dos principais polos de produção de proteína animal do país. Os dados computados pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado (Idaron) mostram que o número de animais abatidos passou de 2,5 milhões, em 2018, para cerca de 3,5 milhões em 2025, evidenciando um crescimento expressivo ao longo dos últimos anos.

Os números confirmam a robustez da produção nos frigoríficos rondonienses, com incremento contínuo, especialmente a partir de 2023, quando o volume anual de abates superou a marca de 3 milhões de cabeças.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o desempenho do setor é resultado direto do fortalecimento da pecuária estadual, impulsionado por investimentos privados em infraestrutura e tecnologia, aliados às ações de fiscalização e controle sanitário realizadas pela Idaron e ao firme compromisso do produtor rural em cumprir todas as normas sanitárias.

Um dos marcos para a ampliação dos abates foi a adesão de Rondônia ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), que integra o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa). O sistema padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção em todo o país, assegurando a inocuidade e a segurança alimentar dos produtos de origem animal.

A principal vantagem para os estabelecimentos vinculados ao SISBI é a possibilidade de comercializar seus produtos em todo o território nacional — condição que não se aplicava aos serviços de inspeção estadual e municipal (SIE e SIM). “Com essa maior abrangência de mercado, os frigoríficos ampliaram os abates, o que também resultou em ganhos para o produtor rural”, avalia o presidente da Idaron, Julio Cesar Rocha Peres.

Rebanho

Dados da declaração de rebanhos, finalizada em novembro e consolidados pela Idaron neste mês de janeiro, após um criterioso sistema de validação, indicam uma redução no tamanho total do rebanho bovino no estado, que passou de 18,1 milhões para 17 milhões de cabeças. A variação é considerada sazonal e está associada à maior abertura de mercado e ao aumento do número de abates.

As informações, já disponíveis no site da Idaron, mostram ainda que o rebanho rondoniense está distribuído em cerca de 113,7 mil propriedades rurais. A maior parte dos animais é composta por fêmeas, que somam pouco mais de 10,19 milhões de cabeças. O rebanho destinado à produção leiteira alcança 2,2 milhões de animais, com maior concentração nos municípios de Machadinho d’Oeste (149.679), Jaru (128.352) e Porto Velho (123.546).

Em relação aos bubalinos, Rondônia registra um efetivo de aproximadamente 6,9 mil cabeças. Os principais municípios criadores são Porto Velho, com 711 animais, seguido por Colorado do Oeste (542) e Ouro Preto do Oeste (515).

Carne suína perde força no início de 2026: consumo menor e preços em leve queda marcam o setor

Após o período de festas, o mercado de carne suína inicia 2026 com menor dinamismo. Segundo análise da Safras & Mercado, os preços da proteína registraram estabilidade na primeira semana do ano, tanto no quilo vivo quanto nos principais cortes comercializados no atacado.

O analista Fernando Iglesias explica que a demanda naturalmente perde força no primeiro trimestre, um movimento oposto ao da carne de frango, que tende a ganhar espaço no consumo doméstico.

“A carne suína sofre com a descapitalização da população e com as altas temperaturas, que desestimulam o consumo da proteína in natura”, afirma Iglesias.

Mudança no perfil de consumo

Com a retração da demanda por cortes frescos, a tendência é que o consumo se concentre em embutidos, como presunto, mortadela, linguiça e salsicha, produtos que mantêm estabilidade mesmo em períodos de menor procura por carne fresca.

De acordo com o analista, esse padrão deve se manter ao longo do primeiro trimestre de 2026, refletindo o comportamento sazonal do mercado brasileiro.

Preços recuam levemente em várias regiões

O levantamento da Safras & Mercado mostra que o preço médio nacional do quilo do suíno vivo caiu de R$ 8,00 para R$ 7,92 na semana. No atacado, o pernil ficou em R$ 13,14 e a carcaça suína teve média de R$ 12,37.

Entre os estados, o comportamento dos preços foi de leve retração ou estabilidade:

  • São Paulo: arroba caiu de R$ 170,00 para R$ 167,00;
  • Rio Grande do Sul: integração estável em R$ 6,75 e queda no interior de R$ 8,59 para R$ 8,50;
  • Santa Catarina: integração em R$ 6,70 e interior em queda para R$ 8,40;
  • Paraná: leve baixa para R$ 8,35 no mercado livre;
  • Mato Grosso do Sul: estabilidade em R$ 8,00 (Campo Grande) e R$ 6,70 (integração);
  • Goiás e Minas Gerais: sem alterações, com preços entre R$ 8,20 e R$ 8,70;
  • Mato Grosso: quilo vivo em Rondonópolis mantido em R$ 8,00.

Esses resultados refletem um período de ajuste pós-festas, com oferta e demanda buscando novo equilíbrio.

Exportações seguem em alta e sustentam o setor

Apesar do cenário doméstico de menor consumo, o mercado externo continua sendo um importante fator de sustentação para a suinocultura brasileira.

Em dezembro de 2025, o Brasil exportou 118,6 mil toneladas de carne suína “in natura”, movimentando US$ 300,7 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

As médias diárias registraram aumento de 25,6% em volume e 25,9% em valor em comparação a dezembro de 2024, com preço médio de US$ 2.535,20 por tonelada.

Esses números confirmam o fortalecimento das vendas externas, especialmente para mercados asiáticos, que seguem como os principais destinos da proteína brasileira.

Perspectiva para o primeiro trimestre de 2026

A expectativa é de que o setor atravesse um período de menor rentabilidade nos primeiros meses de 2026, antes de uma possível recuperação gradual a partir do segundo trimestre, com o retorno de temperaturas mais amenas e recomposição da demanda interna.

Enquanto isso, o desempenho nas exportações deve continuar sendo o principal motor de estabilidade para os produtores brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Mercado do boi gordo inicia semana com preços estáveis

O mercado do boi gordo iniciou a semana com estabilidade nas cotações em São Paulo, conforme análise divulgada na segunda-feira (12) pelo informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria. Segundo o relatório, o cenário observado no fechamento da semana anterior foi mantido, com poucas movimentações ao longo do dia.

De acordo com a Scot Consultoria, “os frigoríficos aguardam para avaliar a saída de carne no fim de semana”, o que contribuiu para a manutenção dos preços do boi gordo. O informativo aponta ainda que as ofertas disponíveis são consideradas suficientes para atender à demanda atual do mercado.

As escalas de abate no estado paulista estavam, em média, programadas para nove dias, indicando equilíbrio entre oferta de animais e necessidade das indústrias. No Espírito Santo, o cenário é semelhante, com volume de ofertas adequado para atender à demanda e escalas de abate em torno de uma semana.

Ainda segundo a análise, houve ajuste positivo na cotação do chamado “boi China” no Espírito Santo, que registrou alta de R$ 2,00 por arroba no período avaliado.

No atacado de carne com osso, o informativo destaca que o bom desempenho das vendas no varejo no primeiro decênio de janeiro sustentou os pedidos de reposição de estoques. A Scot Consultoria afirma que as vendas ficaram “acima do esperado para um período que tradicionalmente apresenta menor movimento”, em função de despesas sazonais como IPTU, IPVA e gastos escolares. Esse cenário permitiu ajustes positivos nos preços praticados pela indústria.

A carcaça casada do boi capão apresentou valorização de 2,3%, com acréscimo de R$ 0,50 por quilo, enquanto a do boi inteiro subiu 2,6%, equivalente a R$ 0,55 por quilo. Entre as fêmeas, a carcaça casada da vaca teve aumento de 2,5%, ou R$ 0,50 por quilo, e a da novilha avançou 1,7%, com alta de R$ 0,35 por quilo.

Em sentido oposto, o mercado de carnes alternativas registrou queda nas cotações. O frango médio recuou 3,9%, com redução de R$ 0,28 por quilo, enquanto o suíno especial apresentou baixa de 5,3%, equivalente a R$ 0,70 por quilo.

Exportações brasileiras de grãos devem bater novo recorde em 2026 com foco em soja e milho

A safra brasileira de grãos 2025/26 está estimada em 354,8 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). A soja responde por quase metade do volume total, com 177,1 milhões de toneladas previstas.

O plantio do grão já está praticamente finalizado, com 98,2% da área semeada até a primeira semana de janeiro. Estados como Mato Grosso e Paraná iniciaram a colheita, com 0,1% e 1% das lavouras colhidas, respectivamente. À medida que a colheita avança, novas revisões de produtividade e volume total devem ser realizadas.

Exportações de soja: 2025 fecha com recorde histórico e 2026 deve superar marca

Em 2025, o Brasil exportou 108,7 milhões de toneladas de soja, superando o recorde anterior de 2023 (101,3 milhões). Desse total, 80% — cerca de 87,1 milhões de toneladas — tiveram como destino a China, principal compradora da oleaginosa brasileira.

Outros destinos importantes foram Espanha (3,7 milhões de t), Tailândia (3,2 milhões de t) e diversos países que, juntos, somaram 14,7 milhões de toneladas. As exportações renderam US$ 43,5 bilhões ao país em 2025.

Para 2026, a expectativa é que as exportações alcancem 110 milhões de toneladas, impulsionadas pelo início da nova temporada de embarques a partir de fevereiro.

Milho: produtividade menor, mas exportações seguem firmes

A produção de milho para a safra 2025/26 é estimada em 138,9 milhões de toneladas, uma leve queda na produtividade — cerca de 5% inferior à anterior —, apesar do aumento de área plantada para 22,7 milhões de hectares.

O plantio da primeira safra atingiu 88,3% até o início de janeiro, concentrando-se na região Sul, enquanto o cultivo da segunda safra deve começar ainda neste mês.

Em 2025, o Brasil exportou 41,8 milhões de toneladas de milho, gerando US$ 8,6 bilhões. Os principais compradores foram Irã (9,5 milhões de t), Egito (7,6 milhões de t) e Vietnã (4,4 milhões de t), além de outros mercados menores que somaram 20,3 milhões de toneladas.

O Arco Norte manteve protagonismo logístico, sendo responsável por 52,1% das exportações, enquanto Santos respondeu por 47,9%.

Acordo Mercosul-União Europeia pode impulsionar competitividade brasileira

A expectativa de formalização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia ainda nesta semana deve gerar impactos positivos para o agronegócio brasileiro.

Embora as exportações de soja, farelo e milho já não enfrentem tarifas, o tratado deve ampliar a previsibilidade e reduzir custos, fortalecendo a competitividade dos produtos nacionais no bloco europeu.

Fatores como preços, sazonalidade, logística e adequação à EUDR (Lei Antidesmatamento da UE) devem influenciar as compras ao longo do ano.

China e Estados Unidos: dinâmica comercial segue afetando o mercado da soja

No cenário global, a China deverá adquirir cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos nesta temporada e 25 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos, conforme acordos recentes.

Essa movimentação tende a influenciar os prêmios de exportação no Brasil, especialmente no início da janela de embarques nacionais.

Ainda assim, o Brasil deve manter sua liderança, com pelo menos 70% das exportações de soja destinadas à China, o que representa cerca de 77 milhões de toneladas em 2026.

2025: ano de desafios geopolíticos e consolidação do Brasil como potência agrícola

O ano de 2025 foi marcado por tensões internacionais, mas o Brasil consolidou sua posição como principal fornecedor de soja à China, responsável por aproximadamente 80% das importações chinesas, totalizando 87 milhões de toneladas.

A expectativa é que essa liderança se mantenha em 2026, com a qualidade e competitividade da soja brasileira garantindo espaço frente a outros exportadores globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fazenda-laboratório de agricultura digital colhe safra recorde de soja em Mato Grosso

Produção recorde de soja, com 14.054 toneladas, média de 75 sacas por hectare e redução de custos de R$ 1 milhão na safra 2024/25. Esse foi o resultado anunciado nesta segunda-feira (12/1) da parceria Case IH-TIM na Fazenda Conectada, propriedade de 3 mil hectares localizada em Água Boa, em Mato Grosso, que recebeu em 2021 o projeto 4G TIM no Campo, que reuniu todas as soluções avançadas da Case IH e transformou a fazenda de produção de grãos em um laboratório de agricultura digital.

Os resultados tornaram a fazenda 19% mais produtiva do que a região em que ela está e 27% mais produtiva do que a média brasileira na última safra, segundo dados da Conab.

“A Fazenda Conectada é um laboratório vivo de inovação e produtividade. Esse bom desempenho é resultado de um conjunto de fatores como boas práticas de manejo, tomada de decisão orientada pela gestão de dados, capacitação de pessoas e uso de tecnologias de ponta, que vão desde o preparo do solo até a colheita”, disse em nota Leandro Conde, diretor de Marketing e Comunicação da Case IH para América Latina.

Além dos resultados agronômicos, o projeto evoluiu para um modelo com práticas de agricultura regenerativa, com integração de tecnologias que restauram o solo, reduzem emissões e aumentam a eficiência operacional.

Para essa última safra, a Fazenda Conectada Case IH recebeu novas tecnologias em todas as etapas do ciclo produtivo, como o XactPlanting, que fornece plantio inteligente com controle individualizado; FieldXplorer, que faz o mapeamento e monitoramento por imagem aérea; e o FarmXtend, estação meteorológica que fornece dados localizados em tempo real.

A economia de R$ 1 milhão foi resultado da redução de 7% dos custos por hectare na comparação com o início do projeto, com impacto significativo em redução de insumos com uso de tecnologia e tomada de decisão baseada em dados gerados em tempo real.

Houve, entre outras medidas, redimensionamento da frota, com redução de um trator e uma plantadeira, e aumento de 25% na média de área colhida por dia, reduzindo em oito dias a janela de colheita.

Isso garantiu uma economia de 32% no consumo de combustível graças ao acompanhamento em tempo real de toda a frota que proporcionou redução do tempo de motor ocioso e melhor uso do maquinário.

Numa comparação das emissões de carbono associadas ao consumo de combustível e ao uso de agrodefensivos entre as safras 2023/24 e 2024/25, observou-se uma redução de 23,6% de toneladas de CO₂e por saca de soja.

Segundo Alexandre Dal Forno, Diretor de IoT e 5G da TIM, o resultado reforça o papel estratégico da conectividade no ganho de eficiência e produtividade do campo.

“O 4G habilita a transformação digital no agronegócio, permitindo a criação de um ecossistema que potencializa cada etapa do ciclo produtivo.”

“A conectividade não é custo, mas um investimento fundamental para a digitalização do agronegócio brasileiro”.

Para os próximos ciclos, estão previstos, entre outras, a implantação de novas tecnologias, como os drones de aplicação e a pulverização seletiva SaveFarm.

O estudo é conduzido pela Agricef em parceria com a Unicamp, e tem como foco avaliar os impactos da conectividade e da tecnologia na eficiência operacional, sustentabilidade e viabilidade econômica da produção agrícola.