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CAF: a porta de entrada do agricultor familiar para direitos e oportunidades

É o instrumento da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais

O que é o CAF?

O CAF reúne informações do agricultor, da propriedade, da produção e da renda familiar. Ele substituiu a antiga DAP e hoje é o documento oficial que comprova a condição de agricultor familiar no Brasil.

Sem o CAF ativo, o produtor perde acesso a diversos benefícios e políticas públicas.

Por que o CAF é importante?

  • Garante que os benefícios cheguem a quem de fato produz no campo.
  • Facilita o acesso a crédito, programas de compra pública, assistência técnica e seguro.
  • reconhecimento oficial perante órgãos públicos e instituições financeiras
A inscrição no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) é requisito básico para que beneficiários tenham acesso às diversas políticas públicas
A inscrição no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) é requisito básico para que beneficiários tenham acesso às diversas políticas públicas

Principais benefícios do CAF

  • Pronaf: acesso a linhas de crédito com juros menores e prazos facilitados.
  • Compra pública: participação no PAA (Aquisição de Alimentos) e PNAE (Alimentação Escolar).
  • Assistência técnica e extensão rural: apoio para melhorar a produção.
  • Programas de habitação rural, seguro agrícola e renegociação de dívidas.
  • Prioridade em ações de incentivo à produção, comercialização e sustentabilidade.
  • Reconhecimento oficial como agricultor familiar.
  • Fortalecimento de associações e cooperativas, com acesso a políticas específicas para organizações.

Compromissos de quem faz o CAF

Ao se cadastrar, o produtor assume compromissos simples e essenciais:

  • Informar dados verdadeiros sobre propriedade, produção e renda.
  • Manter o cadastro atualizado quando houver mudanças (área, atividade, composição familiar).
  • Usar os benefícios corretamente, conforme as regras de cada programa

Esses cuidados garantem o bom uso dos recursos públicos e valorizam a agricultura familiar.

Onde fazer o CAF em Porto Velho

Procure um dos pontos abaixo para fazer ou atualizar seu cadastro:

  • EMATER-RO (escritórios locais)
  • SEMAGRIC (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento)
  • Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais
  • Associações e cooperativas credenciadas
  • Técnicos e entidades habilitadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)

O que levar

  • Documentos pessoais (RG, CPF)
  • Documentos da propriedade ou posse da terra
  • Informações sobre a produção (culturas, área, rebanho, renda)

Mais que um cadastro: valorização do campo

O CAF não é burocracia. É reconhecimento do trabalho de quem produz alimento com responsabilidade.
Manter o cadastro em dia fortalece a produção rural, melhora a renda das famílias e garante que as políticas públicas cheguem a quem realmente precisa.

BNDES oferta mais R$15,3 bilhões para Plano Safra 25/26

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta terça-feira,13, a disponibilidade de R$ 15,3 bilhões para operações dentro do Plano Safra 2025/2026. De acordo com a instituição financeira, serão R$ 10,4 bilhões em crédito para a agricultura empresarial e outros R$ 4,9 bilhões para a agricultura familiar.

Entre os recursos do Plano Safra e recursos próprios, o BNDES já disponibilizou R$30,8 bilhões, sendo R$ 4,4 bilhões em operações de crédito por meio do BNDES Crédito Rural — linha específica do banco. Outros R$ 20,1 bilhões ainda estão disponíveis para serem tomados dentro das linhas do Plano Safra até junho de 2026.

“São recursos para apoiar tanto aos pequenos e médios produtores quanto à agricultura empresarial. Crédito para investimento, inovação e sustentabilidade, fortalecendo a produção de alimentos e permitido que o setor siga como um dos principais motores do desenvolvimento do país”, disse em nota o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

 

Assembleia inicia planejamento para participação na 13ª Rondônia Rural Show

A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) realizou a primeira reunião para organizar a participação do Poder Legislativo na 13ª edição da Rondônia Rural Show, que acontecerá de 25 a 30 de maio de 2026. O encontro reuniu representantes de setores administrativos e políticos da Casa, na manhã desta terça-feira (13), com o objetivo de planejar as ações que serão desenvolvidas durante a feira.

O evento, realizado no Centro Tecnológico Vandeci Rack, em Ji-Paraná, terá como tema neste ano, “Exportação e Desenvolvimento”. Considerada uma das maiores feiras do agronegócio da Região Norte, a Rondônia Rural Show reúne produtores, empresas e visitantes do Brasil e do exterior em busca de novas oportunidades no campo.

Durante a programação da feira, a sede do Poder Legislativo estadual é transferida para Ji-Paraná. Segundo o superintendente-adjunto de Logística da Alero, Wesley Ferreira, a reunião teve como foco o planejamento da estrutura, dos processos licitatórios e do cronograma de atividades que serão executadas no estande da Casa. A sessão ordinária está marcada para o dia 28 de maio.

A participação da Alero na Rondônia Rural Show tem como objetivo aproximar a população do Parlamento e ampliar a participação social nas atividades legislativas. A próxima reunião de organização está prevista para o mês de março. “Estamos começando a organização para garantir um bom planejamento e uma execução eficiente”, destacou a subchefe do Gabinete da Presidência, Yeda Sales.

Texto: Eliete Marques I Jornalista Secom ALE/RO
Foto: Rafael Oliveira | Secom ALE/RO

Transporte gratuito da Semagric garante renda e fortalece agricultores familiares

O agricultor Moisés Rocha do Carmo, morador do distrito de Nova Califórnia, a cerca de 360 quilômetros de Porto Velho, é um dos produtores rurais beneficiados pelo transporte gratuito da produção agrícola oferecido pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Semagric). Produtor de abacaxi, ele conseguiu ampliar a comercialização do que colhe no campo e levar toda a produção para as feiras livres da capital. “Sem esse transporte, minha produção não chegaria à feira. Hoje eu consigo vender tudo e garantir a renda da minha família”, relata Moisés, que vive e trabalha na zona rural e depende do escoamento da produção para manter a atividade no campo.

A história do agricultor se repete em diversas comunidades rurais de Porto Velho atendidas pelo programa de transporte da produção rural. Nos últimos 12 meses, a Semagric transportou mais de 600 mil toneladas de produtos agrícolas, beneficiando 56 comunidades e 117 produtores rurais, fortalecendo a agricultura familiar e aproximando o campo do consumidor urbano.

Entre os principais produtos transportados está a banana comprida, que somou 51.550 toneladas
Entre os principais produtos transportados está a banana comprida, que somou 51.550 toneladas

Entre os principais produtos transportados estão a macaxeira, com 177.400 toneladas, a banana comprida, que somou 51.550 toneladas, além do milho verde (61.600 toneladas), mandioca (35.600 toneladas), café em grão (22.500 toneladas), pupunha (6.800 toneladas) e diferentes variedades de banana, como a banana prata, que alcançou 14.100 toneladas. O programa também contemplou o transporte de frutas, hortaliças, mudas e insumos, como abacaxi, melão, melancia, maracujá, abóbora, além de mudas de reflorestamento e de banana, contribuindo para a diversificação da produção rural.

Transporte gratuito da produção rural é uma política pública que gera impacto direto na vida do agricultor
Transporte gratuito da produção rural é uma política pública que gera impacto direto na vida do agricultor

Para o secretário municipal de Agricultura, Rodrigo Ribeiro, o serviço é fundamental para garantir dignidade e sustentabilidade aos pequenos produtores. “O transporte gratuito da produção rural é uma política pública que gera impacto direto na vida do agricultor. Ele reduz custos, evita perdas e garante que o alimento produzido no campo chegue com qualidade às feiras e mercados de Porto Velho. Nosso compromisso é continuar ampliando esse atendimento em 2026”, destacou o secretário.

Transporte oferecido pela Semagric representa a diferença entre produzir apenas para subsistência ou conseguir acesso ao mercado consumidor
Transporte oferecido pela Semagric representa a diferença entre produzir apenas para subsistência ou conseguir acesso ao mercado consumidor

Além de Nova Califórnia, outra comunidade atendida é Itacoã, localizada às margens do rio Madeira, a cerca de 88 quilômetros da capital, com acesso pela C-01. Nessas regiões mais afastadas, o transporte oferecido pela Semagric representa a diferença entre produzir apenas para subsistência ou conseguir acesso ao mercado consumidor. Segundo o servidor da Semagric, Rubens Nogueira, a produção dos agricultores está chegando por rota alternativa devido às dificuldades de acesso. “Essa produção vem direto do sítio, da região da Vala, na Aliança. Os produtores atravessam o rio pela comunidade de Itacoã e trazem de barco até o ponto da balsa que segue para São Carlos, porque a estrada 601 não está dando acesso. A via está muito lisa, o que impede o tráfego normal”, explicou.

Como solicitar o transporte – Os produtores interessados no serviço devem enviar um ofício solicitando o transporte para e-mail gabinete.semagric@portovelho.ro.gov.br, ou pelo telefone/WhatsApp (69) 99208-4091

Texto: Jean Carla Costa
Fotos: Semagric

Custos de produção do frango de corte caem em 2025, enquanto suínos registram alta

Os custos de produção de suínos e de frangos de corte encerraram o ano de 2025 em crescimento, após acentuada queda no primeiro semestre, conforme os levantamentos mensais da Embrapa Suínos e Aves divulgados por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), disponível em embrapa.br/suinos-e-aves/cias.

Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo foi de R$ 6,48 em dezembro, alta de 0,99% em relação ao mês anterior, com o ICPSuíno chegando aos 370,68 pontos. O índice encerrou o ano registrando aumento de 4,39% em 2025. A ração, responsável por 71,67% do custo total de produção em dezembro, subiu 1,71% no mês e 1,82% no ano.

No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte subiu 0,51% em dezembro frente a novembro, passando para R$ 4,65 e com o ICPFrango atingindo 360,21 pontos. Apesar disso, no acumulado de 2025, a variação foi negativa, de -2,81%. A ração, que representou 62,96% do custo total em dezembro, subiu 1,38% no mês, porém com queda acumulada de 8,92% no ano. Os custos com aquisição de pintos de 1 dia de vida (19,13% do total), caíram 1,90% no último mês do ano, mas com um aumento acumulado em 2025 de 14,82%.

Santa Catarina e Paraná são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS, devido à sua relevância como maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas de custos para os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, fornecendo subsídios importantes para a gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos de suínos e aves de corte.

Como apoio aos produtores, a Embrapa disponibiliza ferramentas gratuitas de gestão, como o aplicativo Custo Fácil, para dispositivos Android e com download pela Play Store, que gera relatórios personalizados e diferencia despesas com mão de obra familiar, além de uma planilha de custos voltada à gestão de granjas integradas de suínos e frangos de corte, disponível no site da CIAS.

Vetado novo prazo para regularização de imóvel rural em área de fronteira

O presidente Lula decidiu vetar integralmente o projeto de lei (PL 4.497/2024) que estabelece novo prazo para a ratificação de registro imobiliário de imóveis rurais em faixas de fronteira. O texto definia a reabertura de prazo por mais 15 anos. A decisão foi publicada na edição do Diário Oficial da União desta sexta-feira (9).

De autoria do deputado Tião Medeiros (PP-PR), a proposta alterava o prazo original estabelecido pela atual legislação (Lei 13.178, de 2015), que vai até 2030.

Conforme o projeto, seria concedido o prazo de 15 anos para a ratificação contados a partir da publicação da futura lei. Mas esse prazo poderia ser suspenso enquanto o processo de registro tramitar no cartório ou no Congresso e enquanto houver proibição jurídica específica ou incapacidade civil do interessado por perda da lucidez.

O projeto também prevê procedimentos, por parte do Congresso, para a ratificação de imóveis com mais de 2,5 mil hectares — inclusive tacitamente se, em dois anos, o Parlamento não se pronunciar.

Na mensagem de veto, a Presidência da República apontou inconstitucionalidade do projeto e contrariedade ao interesse público.

“Em que pese a boa intenção do legislador, a proposição legislativa é inconstitucional e contraria o interesse público, pois altera os procedimentos para ratificação de registros imobiliários em faixa de fronteira, o que reverteria a lógica constitucional da função social e afastaria o mandamento trazido pelos art.186, art. 188 e art. 191 da Constituição. A proposta também fragilizaria o controle da União na revisão desses atos e comprometeria a soberania e a defesa nacional”.

A mensagem ainda argumenta que, ao restringir a obrigatoriedade de realização do georreferenciamento de imóveis rurais em todo o território nacional, o projeto retardaria a digitalização da malha fundiária rural brasileira e comprometeria a segurança jurídica dos registros públicos de imóveis rurais.

Além disso, segundo a presidência, a proposta “ameaçaria a garantia dos direitos indígenas e o cumprimento das obrigações internacionais assumidas pelo Estado brasileiro, ao violar as disposições do art. 231 da Constituição”.

No início de novembro, quando a proposta foi aprovada pelo Plenário do Senado, a relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), disse que o projeto representa “um avanço significativo” na ratificação de registros imobiliários de imóveis situados na faixa de fronteira.

— Esse é um problema que se arrasta há quase um século sem solução. O texto substitui exigências desnecessárias e impraticáveis — afirmou ela.

Com a decisão presidencial, o veto será analisado no Congresso Nacional, em sessão conjunta de deputados e senadores. Os parlamentares poderão manter ou derrubar o veto. Para ser derrubado, é necessário o voto favorável da maioria absoluta em ambas as Casas.

Fonte: Agência Senado

O papel da fertilidade na Inseminação Artificial

A eficiência da inseminação artificial varia mais do que muitos pecuaristas imaginam. Mesmo com protocolos adequados e manejo bem conduzido, os resultados podem oscilar entre rebanhos e até mesmo entre lotes de fêmeas. Um dos principais fatores por trás dessa diferença está na fertilidade do sêmen utilizado, característica que vem ganhando espaço nas decisões de compra e se mostrando decisiva para o sucesso dos protocolos de reprodução.

De modo geral, a fertilidade pode ser entendida como a capacidade de o material genético inseminado efetivamente emprenhar as vacas e gerar bezerros com genética superior. Na prática, ela se reflete em dois indicadores centrais: a taxa de prenhez e as perdas gestacionais.

A taxa de prenhez indica a porcentagem de inseminações que resultam em gestação. Na média dos rebanhos brasileiros submetidos à inseminação artificial em tempo fixo (IATF), esse índice gira em torno de 50%. Em situações de menor fertilidade, a taxa pode cair para cerca de 40%. Já a escolha de touros mais férteis associado ao bom manejo (nutricional, sanitário, etc..) permite alcançar índices entre 60% e 65%, com impacto direto na eficiência e na rentabilidade do sistema.

As perdas gestacionais correspondem às vacas que emprenharam, mas perderam o bezerro ao longo da gestação. Embora mais difíceis de mensurar, estudos indicam perdas em torno de 7%, com maior incidência em novilhas do que em vacas adultas. Mesmo menos visível ou de difícil mensuração, esse fator também interfere nos resultados reprodutivos.
A importância da fertilidade fica ainda mais evidente quando se observa a variação dos resultados a campo, mesmo em sistemas bem manejados. A inclusão desse critério na escolha do sêmen tem se mostrado um caminho consistente para elevar os índices de prenhez e reduzir perdas ao longo do processo.


Na Embrapa Gado de Corte, o tema vem sendo estudado a partir de bases de dados robustas, coletadas diretamente no campo. Atualmente, são analisadas informações de aproximadamente 3.300 touros da raça Nelore, com o resultado de inseminações realizadas em diferentes sistemas produtivos. Esses dados possibilitam identificar diferenças consistentes de fertilidade entre os machos e auxiliam programas de classificação utilizados pelas centrais de genética, além de estudos voltados à identificação de fatores genéticos e de qualidade seminal associados ao sucesso da prenhez e às perdas gestacionais.

Os ganhos ocorrem no curto e no longo prazo. De forma imediata, a fertilidade superior resulta em mais prenhez por protocolo. Ao longo do tempo, essa característica passa a ser incorporada ao rebanho. Embora a herdabilidade da fertilidade seja relativamente baixa, em torno de 3%, ela contribui para a evolução genética quando considerada de forma contínua, associada a outras características avaliadas, como as DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie).

Para o pecuarista, a fertilidade não deve ser o único critério de escolha do sêmen, mas precisa integrar o conjunto de fatores analisados, juntamente com outras características importantes, como o desempenho dos animais (ganho de peso a desmama, ao sobreano, AOL, etc). A busca por boa taxa de prenhez pode ser combinada com duas estratégias complementares: a utilização de touros com fertilidade já verificada pelas centrais, que oferecem maior previsibilidade nos resultados, e a diversificação com touros jovens, que costumam apresentar genética melhorada e sêmen mais acessível. Nesse caso, a recomendação é trabalhar com um maior número de touros jovens diferentes, reduzindo riscos e ampliando a base genética do rebanho.

Na prática, essas decisões devem estar associadas a bom manejo nutricional, sanitário e reprodutivo. Nas últimas décadas, a inseminação artificial se consolidou como uma das formas mais eficientes de aumentar a produtividade da pecuária brasileira, impulsionada pelo avanço das pesquisas, tecnologia e investimentos dos pecuaristas, com apoio de entidades como a ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial). A experiência no campo mostra que dificilmente uma fazenda que adota a inseminação artificial volta atrás. É nessa direção que temos de caminhar para contribuir para o contínuo avanço produtivo da atividade.

Desafios tarifários e segurança regulatória devem orientar a piscicultura brasileira em 2026

Depois de um ano em que precisou se adaptar rapidamente às mudanças no comércio internacional e ao avanço de pautas regulatórias, a piscicultura brasileira inicia 2026 com bases mais sólidas e maior clareza sobre os fatores que devem orientar o ritmo de crescimento. “A demanda segue firme, os investimentos em tecnologia continuam avançando e a cadeia produtiva opera de forma cada vez mais profissionalizada mas o desempenho do ciclo que começa agora dependerá diretamente da evolução de negociações estratégicas e da estabilidade normativa”, ressalta Juliano Kubitza, diretor da Fider Pescados, o maior projeto de piscicultura do Estado de São Paulo e um dos maiores do país.

O principal ponto de atenção, entende Kubitza, permanece nas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às importações de tilápia brasileira. Em 2025, esse movimento limitou o avanço das exportações, exigindo reposicionamento comercial e diversificação de destinos. “Para 2026, o setor aguarda o desfecho das tratativas entre os dois países, já que redução ou reversão das taxas devolveria competitividade imediata ao produto nacional no mercado com maior capacidade de absorção de volume no mundo. Trata-se de uma decisão com impacto direto sobre planejamento produtivo, investimentos e capacidade de escoamento interno”.

Em paralelo, a União Europeia se posiciona como um dos caminhos mais promissores para ampliar a presença internacional do pescado brasileiro, em que pese as restrições de exportação desde 2018. “Estou otimista de que esse importante mercado se abrirá novamente. Embora a tilápia ainda não seja referência de consumo no bloco europeu, o conjunto de atributos da produção nacional, como regularidade de oferta, padrões sanitários elevados e processamento industrial consistente, coloca o Brasil em posição privilegiada para avançar”, opina o diretor da Fider. Para ele, em 2026, o alinhamento regulatório e uma estratégia mais ativa de promoção comercial serão decisivos para manter o crescimento da presença internacional da nossa tilápia.

No âmbito doméstico, a pauta regulatória segue como ponto de atenção. Em 2025, a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, apresentou proposta de atualização da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras que incluía a tilápia entre as espécies potencialmente invasoras. “Essa sugestão gerou forte reação do setor produtivo, já que se trata da espécie mais cultivada do país e qualquer mudança nesse enquadramento poderia impor novas exigências e restrições ao manejo e à expansão da atividade. No início de dezembro, o processo de atualização da lista foi suspenso, com alívio momentâneo, mas não encerrando o debate. A expectativa é que o tema retorne ao longo de 2026, o que mantém o setor em alerta e reforça a importância de garantir segurança jurídica e de reconhecer o papel estratégico que a espécie já desempenha na economia, na geração de empregos e no abastecimento nacional”, assinala Juliano Kubitza.

Mesmo diante dessas variáveis, as perspectivas permanecem positivas. O consumo doméstico mantém trajetória de crescimento, impulsionado pela busca por proteínas mais saudáveis e pela diversificação alimentar. Ao mesmo tempo, a indústria avança em frentes decisivas nutrição, genética, biosseguridade, manejo e processamento , reforçando a competitividade brasileira frente a outros exportadores globais. “A Fider mantém os planos de ampliação da capacidade produtiva, inovando em processos e explorando oportunidades comerciais dentro e fora do Brasil”.

Para Kubitza, se as agendas internacional e regulatória evoluírem em direção favorável, 2026 tem potencial para se consolidar como mais um ano de crescimento consistente, marcado pela combinação de eficiência produtiva, ampliação de mercados e fortalecimento estrutural da piscicultura nacional. “O setor, e em especial a Fider, chega preparado  e atento – para transformar desafios em novas rotas de expansão”.

AGRO REGIONAL LIDERA O SETOR DE M&A NO BRASIL EM 2026

O agronegócio se consolida, em 2026, como um dos principais vetores do mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil. Após registrar, em 2024, o maior número de operações dos últimos cinco anos no setor — segundo a KPMG —, o agro manteve protagonismo ao longo de 2025, impulsionado pela busca de ativos resilientes, geração de caixa previsível e exposição regional. Esse movimento se reflete em 2026 na maior atratividade de empresas agroindustriais localizadas fora dos grandes centros.

Esse cenário acompanha uma mudança estrutural no perfil das companhias-alvo. Em 2026, empresas regionais com governança profissionalizada, gestão financeira organizada e estratégia clara de crescimento passam a ser priorizadas em processos de M&A, especialmente em segmentos ligados à logística, armazenagem, nutrição animal, insumos e serviços ao produtor — áreas nas quais a escala regional e o conhecimento local se tornaram diferenciais competitivos.

Para José Loschi, fundador da SRX Holdings, esse protagonismo é resultado direto da maturação do agro brasileiro como classe de ativos. “O mercado passou a reconhecer que empresas do interior, quando bem estruturadas, combinam eficiência operacional, proximidade com o produtor e resiliência a ciclos econômicos. Em 2026, isso se traduz em ativos mais valorizados e disputados em processos de M&A”, afirma.

Esse novo perfil rompe definitivamente o estigma de que o setor rural opera com padrões inferiores de gestão. Em um cenário de juros ainda seletivos e maior rigor na alocação de capital, investidores passam a priorizar empresas com histórico consistente, governança clara e capacidade de crescimento sustentável — características cada vez mais presentes no agro regional em 2026.

O mercado brasileiro de M&A, como um todo, mantém ritmo consistente. Após registrar mais de 1.400 operações em 2024, segundo a Kroll, o movimento observado em 2025 reforçou a preferência por aquisições estratégicas, com foco em eficiência operacional, integração vertical e expansão regional. Para 2026, a expectativa é de continuidade desse perfil de transações, com maior seletividade e foco em setores considerados essenciais, como agronegócio, infraestrutura e serviços.

O avanço do agro regional no M&A evidencia o reconhecimento do potencial desses novos players e da valorização de sua governança e capacidade de adaptação a diferentes cenários econômicos. “O agro que se profissionalizou, investiu em gestão moderna e tem clareza de propósito se consolida como protagonista das fusões e aquisições em 2026. É esse movimento que reposiciona o Brasil no mapa global do M&A”, conclui José.

Rally do Conhecimento leva manejo sustentável aos produtores de Rondônia

Uma nova etapa do Rally do Conhecimento chega ao Mato Grosso e Rondônia entre os dias 12 e 17 de janeiro de 2026. A iniciativa itinerante da Vitalforce conecta ciência, prática agrícola e produtores rurais, com foco no uso racional de bioinsumos, microbiologia do solo e manejo integrado.

Com mais de 18 anos de atuação no setor de bioinsumos, a Vitalforce estruturou o Rally do Conhecimento como uma plataforma contínua de capacitação técnica e relacionamento com o campo. Desde sua criação, o projeto já percorreu polos agrícolas do Triângulo Mineiro, Noroeste Paulista, Sul de Goiás, Oeste da Bahia, Noroeste de Minas, Centro-Sul do Paraná, Oeste de Santa Catarina, Mato Grosso e Tocantins, sempre em parceria com revendas e produtores locais.

Nesta etapa da Região Centro-Oeste, o Rally passa por Sinop (12/01), Lucas do Rio Verde (13/01) e Nova Mutum (14/01), em Mato Grosso, seguindo para Cerejeiras (15/01), Seringueiras (16/01) e Rolim de Moura (17/01), em Rondônia. O roteiro foi definido a partir de desafios regionais ligados à sanidade do solo, eficiência produtiva e adoção de tecnologias biológicas em sistemas agrícolas intensivos.

Ao longo de sua trajetória, o Rally já impactou mais de mil participantes e percorreu mais de 17 mil quilômetros em regiões agrícolas do país, promovendo encontros técnicos, diagnósticos a campo e trocas de experiências entre produtores, consultores e especialistas. O formato privilegia a participação ativa do agricultor, com discussões aplicadas à realidade de cada região.

Segundo Carlos Grossklaus, head de Estratégia de Marketing e Vendas da Vitalforce, o projeto nasceu da necessidade de entender as particularidades regionais da produção agrícola brasileira. “Quando o conhecimento é compartilhado de forma prática e conectada ao campo, o produtor ganha mais segurança técnica e eficiência na tomada de decisão”, afirma.

As atividades técnicas contam com a participação do professor Erich Duarte, doutor em microbiologia agrícola, que aborda temas como o papel dos microrganismos no solo, sanidade radicular, assepsia de palhada e compatibilidade entre bioinsumos e defensivos químicos. “O campo quer entender a ciência. Quando o produtor compreende como os microrganismos atuam na produtividade e na regeneração do solo, ele muda sua forma de produzir”, destaca.

O Rally do Conhecimento acontece em um momento de forte expansão dos biológicos no Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), 2025 foi marcado pela liberação de 162 produtos classificados como bioinsumos, número recorde registrado no país.

Gratuito, o evento reforça o compromisso da Vitalforce em conectar pesquisa, campo e mercado, estimulando uma agricultura mais equilibrada, eficiente e baseada em evidências científicas. Produtores interessados podem se inscrever por meio das revendas parceiras em cada localidade.