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Transporte gratuito da Semagric garante renda e fortalece agricultores familiares

O agricultor Moisés Rocha do Carmo, morador do distrito de Nova Califórnia, a cerca de 360 quilômetros de Porto Velho, é um dos produtores rurais beneficiados pelo transporte gratuito da produção agrícola oferecido pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Semagric). Produtor de abacaxi, ele conseguiu ampliar a comercialização do que colhe no campo e levar toda a produção para as feiras livres da capital. “Sem esse transporte, minha produção não chegaria à feira. Hoje eu consigo vender tudo e garantir a renda da minha família”, relata Moisés, que vive e trabalha na zona rural e depende do escoamento da produção para manter a atividade no campo.

A história do agricultor se repete em diversas comunidades rurais de Porto Velho atendidas pelo programa de transporte da produção rural. Nos últimos 12 meses, a Semagric transportou mais de 600 mil toneladas de produtos agrícolas, beneficiando 56 comunidades e 117 produtores rurais, fortalecendo a agricultura familiar e aproximando o campo do consumidor urbano.

Entre os principais produtos transportados está a banana comprida, que somou 51.550 toneladas
Entre os principais produtos transportados está a banana comprida, que somou 51.550 toneladas

Entre os principais produtos transportados estão a macaxeira, com 177.400 toneladas, a banana comprida, que somou 51.550 toneladas, além do milho verde (61.600 toneladas), mandioca (35.600 toneladas), café em grão (22.500 toneladas), pupunha (6.800 toneladas) e diferentes variedades de banana, como a banana prata, que alcançou 14.100 toneladas. O programa também contemplou o transporte de frutas, hortaliças, mudas e insumos, como abacaxi, melão, melancia, maracujá, abóbora, além de mudas de reflorestamento e de banana, contribuindo para a diversificação da produção rural.

Transporte gratuito da produção rural é uma política pública que gera impacto direto na vida do agricultor
Transporte gratuito da produção rural é uma política pública que gera impacto direto na vida do agricultor

Para o secretário municipal de Agricultura, Rodrigo Ribeiro, o serviço é fundamental para garantir dignidade e sustentabilidade aos pequenos produtores. “O transporte gratuito da produção rural é uma política pública que gera impacto direto na vida do agricultor. Ele reduz custos, evita perdas e garante que o alimento produzido no campo chegue com qualidade às feiras e mercados de Porto Velho. Nosso compromisso é continuar ampliando esse atendimento em 2026”, destacou o secretário.

Transporte oferecido pela Semagric representa a diferença entre produzir apenas para subsistência ou conseguir acesso ao mercado consumidor
Transporte oferecido pela Semagric representa a diferença entre produzir apenas para subsistência ou conseguir acesso ao mercado consumidor

Além de Nova Califórnia, outra comunidade atendida é Itacoã, localizada às margens do rio Madeira, a cerca de 88 quilômetros da capital, com acesso pela C-01. Nessas regiões mais afastadas, o transporte oferecido pela Semagric representa a diferença entre produzir apenas para subsistência ou conseguir acesso ao mercado consumidor. Segundo o servidor da Semagric, Rubens Nogueira, a produção dos agricultores está chegando por rota alternativa devido às dificuldades de acesso. “Essa produção vem direto do sítio, da região da Vala, na Aliança. Os produtores atravessam o rio pela comunidade de Itacoã e trazem de barco até o ponto da balsa que segue para São Carlos, porque a estrada 601 não está dando acesso. A via está muito lisa, o que impede o tráfego normal”, explicou.

Como solicitar o transporte – Os produtores interessados no serviço devem enviar um ofício solicitando o transporte para e-mail gabinete.semagric@portovelho.ro.gov.br, ou pelo telefone/WhatsApp (69) 99208-4091

Texto: Jean Carla Costa
Fotos: Semagric

Custos de produção do frango de corte caem em 2025, enquanto suínos registram alta

Os custos de produção de suínos e de frangos de corte encerraram o ano de 2025 em crescimento, após acentuada queda no primeiro semestre, conforme os levantamentos mensais da Embrapa Suínos e Aves divulgados por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), disponível em embrapa.br/suinos-e-aves/cias.

Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo foi de R$ 6,48 em dezembro, alta de 0,99% em relação ao mês anterior, com o ICPSuíno chegando aos 370,68 pontos. O índice encerrou o ano registrando aumento de 4,39% em 2025. A ração, responsável por 71,67% do custo total de produção em dezembro, subiu 1,71% no mês e 1,82% no ano.

No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte subiu 0,51% em dezembro frente a novembro, passando para R$ 4,65 e com o ICPFrango atingindo 360,21 pontos. Apesar disso, no acumulado de 2025, a variação foi negativa, de -2,81%. A ração, que representou 62,96% do custo total em dezembro, subiu 1,38% no mês, porém com queda acumulada de 8,92% no ano. Os custos com aquisição de pintos de 1 dia de vida (19,13% do total), caíram 1,90% no último mês do ano, mas com um aumento acumulado em 2025 de 14,82%.

Santa Catarina e Paraná são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS, devido à sua relevância como maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas de custos para os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, fornecendo subsídios importantes para a gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos de suínos e aves de corte.

Como apoio aos produtores, a Embrapa disponibiliza ferramentas gratuitas de gestão, como o aplicativo Custo Fácil, para dispositivos Android e com download pela Play Store, que gera relatórios personalizados e diferencia despesas com mão de obra familiar, além de uma planilha de custos voltada à gestão de granjas integradas de suínos e frangos de corte, disponível no site da CIAS.

Vetado novo prazo para regularização de imóvel rural em área de fronteira

O presidente Lula decidiu vetar integralmente o projeto de lei (PL 4.497/2024) que estabelece novo prazo para a ratificação de registro imobiliário de imóveis rurais em faixas de fronteira. O texto definia a reabertura de prazo por mais 15 anos. A decisão foi publicada na edição do Diário Oficial da União desta sexta-feira (9).

De autoria do deputado Tião Medeiros (PP-PR), a proposta alterava o prazo original estabelecido pela atual legislação (Lei 13.178, de 2015), que vai até 2030.

Conforme o projeto, seria concedido o prazo de 15 anos para a ratificação contados a partir da publicação da futura lei. Mas esse prazo poderia ser suspenso enquanto o processo de registro tramitar no cartório ou no Congresso e enquanto houver proibição jurídica específica ou incapacidade civil do interessado por perda da lucidez.

O projeto também prevê procedimentos, por parte do Congresso, para a ratificação de imóveis com mais de 2,5 mil hectares — inclusive tacitamente se, em dois anos, o Parlamento não se pronunciar.

Na mensagem de veto, a Presidência da República apontou inconstitucionalidade do projeto e contrariedade ao interesse público.

“Em que pese a boa intenção do legislador, a proposição legislativa é inconstitucional e contraria o interesse público, pois altera os procedimentos para ratificação de registros imobiliários em faixa de fronteira, o que reverteria a lógica constitucional da função social e afastaria o mandamento trazido pelos art.186, art. 188 e art. 191 da Constituição. A proposta também fragilizaria o controle da União na revisão desses atos e comprometeria a soberania e a defesa nacional”.

A mensagem ainda argumenta que, ao restringir a obrigatoriedade de realização do georreferenciamento de imóveis rurais em todo o território nacional, o projeto retardaria a digitalização da malha fundiária rural brasileira e comprometeria a segurança jurídica dos registros públicos de imóveis rurais.

Além disso, segundo a presidência, a proposta “ameaçaria a garantia dos direitos indígenas e o cumprimento das obrigações internacionais assumidas pelo Estado brasileiro, ao violar as disposições do art. 231 da Constituição”.

No início de novembro, quando a proposta foi aprovada pelo Plenário do Senado, a relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), disse que o projeto representa “um avanço significativo” na ratificação de registros imobiliários de imóveis situados na faixa de fronteira.

— Esse é um problema que se arrasta há quase um século sem solução. O texto substitui exigências desnecessárias e impraticáveis — afirmou ela.

Com a decisão presidencial, o veto será analisado no Congresso Nacional, em sessão conjunta de deputados e senadores. Os parlamentares poderão manter ou derrubar o veto. Para ser derrubado, é necessário o voto favorável da maioria absoluta em ambas as Casas.

Fonte: Agência Senado

O papel da fertilidade na Inseminação Artificial

A eficiência da inseminação artificial varia mais do que muitos pecuaristas imaginam. Mesmo com protocolos adequados e manejo bem conduzido, os resultados podem oscilar entre rebanhos e até mesmo entre lotes de fêmeas. Um dos principais fatores por trás dessa diferença está na fertilidade do sêmen utilizado, característica que vem ganhando espaço nas decisões de compra e se mostrando decisiva para o sucesso dos protocolos de reprodução.

De modo geral, a fertilidade pode ser entendida como a capacidade de o material genético inseminado efetivamente emprenhar as vacas e gerar bezerros com genética superior. Na prática, ela se reflete em dois indicadores centrais: a taxa de prenhez e as perdas gestacionais.

A taxa de prenhez indica a porcentagem de inseminações que resultam em gestação. Na média dos rebanhos brasileiros submetidos à inseminação artificial em tempo fixo (IATF), esse índice gira em torno de 50%. Em situações de menor fertilidade, a taxa pode cair para cerca de 40%. Já a escolha de touros mais férteis associado ao bom manejo (nutricional, sanitário, etc..) permite alcançar índices entre 60% e 65%, com impacto direto na eficiência e na rentabilidade do sistema.

As perdas gestacionais correspondem às vacas que emprenharam, mas perderam o bezerro ao longo da gestação. Embora mais difíceis de mensurar, estudos indicam perdas em torno de 7%, com maior incidência em novilhas do que em vacas adultas. Mesmo menos visível ou de difícil mensuração, esse fator também interfere nos resultados reprodutivos.
A importância da fertilidade fica ainda mais evidente quando se observa a variação dos resultados a campo, mesmo em sistemas bem manejados. A inclusão desse critério na escolha do sêmen tem se mostrado um caminho consistente para elevar os índices de prenhez e reduzir perdas ao longo do processo.


Na Embrapa Gado de Corte, o tema vem sendo estudado a partir de bases de dados robustas, coletadas diretamente no campo. Atualmente, são analisadas informações de aproximadamente 3.300 touros da raça Nelore, com o resultado de inseminações realizadas em diferentes sistemas produtivos. Esses dados possibilitam identificar diferenças consistentes de fertilidade entre os machos e auxiliam programas de classificação utilizados pelas centrais de genética, além de estudos voltados à identificação de fatores genéticos e de qualidade seminal associados ao sucesso da prenhez e às perdas gestacionais.

Os ganhos ocorrem no curto e no longo prazo. De forma imediata, a fertilidade superior resulta em mais prenhez por protocolo. Ao longo do tempo, essa característica passa a ser incorporada ao rebanho. Embora a herdabilidade da fertilidade seja relativamente baixa, em torno de 3%, ela contribui para a evolução genética quando considerada de forma contínua, associada a outras características avaliadas, como as DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie).

Para o pecuarista, a fertilidade não deve ser o único critério de escolha do sêmen, mas precisa integrar o conjunto de fatores analisados, juntamente com outras características importantes, como o desempenho dos animais (ganho de peso a desmama, ao sobreano, AOL, etc). A busca por boa taxa de prenhez pode ser combinada com duas estratégias complementares: a utilização de touros com fertilidade já verificada pelas centrais, que oferecem maior previsibilidade nos resultados, e a diversificação com touros jovens, que costumam apresentar genética melhorada e sêmen mais acessível. Nesse caso, a recomendação é trabalhar com um maior número de touros jovens diferentes, reduzindo riscos e ampliando a base genética do rebanho.

Na prática, essas decisões devem estar associadas a bom manejo nutricional, sanitário e reprodutivo. Nas últimas décadas, a inseminação artificial se consolidou como uma das formas mais eficientes de aumentar a produtividade da pecuária brasileira, impulsionada pelo avanço das pesquisas, tecnologia e investimentos dos pecuaristas, com apoio de entidades como a ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial). A experiência no campo mostra que dificilmente uma fazenda que adota a inseminação artificial volta atrás. É nessa direção que temos de caminhar para contribuir para o contínuo avanço produtivo da atividade.

Desafios tarifários e segurança regulatória devem orientar a piscicultura brasileira em 2026

Depois de um ano em que precisou se adaptar rapidamente às mudanças no comércio internacional e ao avanço de pautas regulatórias, a piscicultura brasileira inicia 2026 com bases mais sólidas e maior clareza sobre os fatores que devem orientar o ritmo de crescimento. “A demanda segue firme, os investimentos em tecnologia continuam avançando e a cadeia produtiva opera de forma cada vez mais profissionalizada mas o desempenho do ciclo que começa agora dependerá diretamente da evolução de negociações estratégicas e da estabilidade normativa”, ressalta Juliano Kubitza, diretor da Fider Pescados, o maior projeto de piscicultura do Estado de São Paulo e um dos maiores do país.

O principal ponto de atenção, entende Kubitza, permanece nas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às importações de tilápia brasileira. Em 2025, esse movimento limitou o avanço das exportações, exigindo reposicionamento comercial e diversificação de destinos. “Para 2026, o setor aguarda o desfecho das tratativas entre os dois países, já que redução ou reversão das taxas devolveria competitividade imediata ao produto nacional no mercado com maior capacidade de absorção de volume no mundo. Trata-se de uma decisão com impacto direto sobre planejamento produtivo, investimentos e capacidade de escoamento interno”.

Em paralelo, a União Europeia se posiciona como um dos caminhos mais promissores para ampliar a presença internacional do pescado brasileiro, em que pese as restrições de exportação desde 2018. “Estou otimista de que esse importante mercado se abrirá novamente. Embora a tilápia ainda não seja referência de consumo no bloco europeu, o conjunto de atributos da produção nacional, como regularidade de oferta, padrões sanitários elevados e processamento industrial consistente, coloca o Brasil em posição privilegiada para avançar”, opina o diretor da Fider. Para ele, em 2026, o alinhamento regulatório e uma estratégia mais ativa de promoção comercial serão decisivos para manter o crescimento da presença internacional da nossa tilápia.

No âmbito doméstico, a pauta regulatória segue como ponto de atenção. Em 2025, a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, apresentou proposta de atualização da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras que incluía a tilápia entre as espécies potencialmente invasoras. “Essa sugestão gerou forte reação do setor produtivo, já que se trata da espécie mais cultivada do país e qualquer mudança nesse enquadramento poderia impor novas exigências e restrições ao manejo e à expansão da atividade. No início de dezembro, o processo de atualização da lista foi suspenso, com alívio momentâneo, mas não encerrando o debate. A expectativa é que o tema retorne ao longo de 2026, o que mantém o setor em alerta e reforça a importância de garantir segurança jurídica e de reconhecer o papel estratégico que a espécie já desempenha na economia, na geração de empregos e no abastecimento nacional”, assinala Juliano Kubitza.

Mesmo diante dessas variáveis, as perspectivas permanecem positivas. O consumo doméstico mantém trajetória de crescimento, impulsionado pela busca por proteínas mais saudáveis e pela diversificação alimentar. Ao mesmo tempo, a indústria avança em frentes decisivas nutrição, genética, biosseguridade, manejo e processamento , reforçando a competitividade brasileira frente a outros exportadores globais. “A Fider mantém os planos de ampliação da capacidade produtiva, inovando em processos e explorando oportunidades comerciais dentro e fora do Brasil”.

Para Kubitza, se as agendas internacional e regulatória evoluírem em direção favorável, 2026 tem potencial para se consolidar como mais um ano de crescimento consistente, marcado pela combinação de eficiência produtiva, ampliação de mercados e fortalecimento estrutural da piscicultura nacional. “O setor, e em especial a Fider, chega preparado  e atento – para transformar desafios em novas rotas de expansão”.

AGRO REGIONAL LIDERA O SETOR DE M&A NO BRASIL EM 2026

O agronegócio se consolida, em 2026, como um dos principais vetores do mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil. Após registrar, em 2024, o maior número de operações dos últimos cinco anos no setor — segundo a KPMG —, o agro manteve protagonismo ao longo de 2025, impulsionado pela busca de ativos resilientes, geração de caixa previsível e exposição regional. Esse movimento se reflete em 2026 na maior atratividade de empresas agroindustriais localizadas fora dos grandes centros.

Esse cenário acompanha uma mudança estrutural no perfil das companhias-alvo. Em 2026, empresas regionais com governança profissionalizada, gestão financeira organizada e estratégia clara de crescimento passam a ser priorizadas em processos de M&A, especialmente em segmentos ligados à logística, armazenagem, nutrição animal, insumos e serviços ao produtor — áreas nas quais a escala regional e o conhecimento local se tornaram diferenciais competitivos.

Para José Loschi, fundador da SRX Holdings, esse protagonismo é resultado direto da maturação do agro brasileiro como classe de ativos. “O mercado passou a reconhecer que empresas do interior, quando bem estruturadas, combinam eficiência operacional, proximidade com o produtor e resiliência a ciclos econômicos. Em 2026, isso se traduz em ativos mais valorizados e disputados em processos de M&A”, afirma.

Esse novo perfil rompe definitivamente o estigma de que o setor rural opera com padrões inferiores de gestão. Em um cenário de juros ainda seletivos e maior rigor na alocação de capital, investidores passam a priorizar empresas com histórico consistente, governança clara e capacidade de crescimento sustentável — características cada vez mais presentes no agro regional em 2026.

O mercado brasileiro de M&A, como um todo, mantém ritmo consistente. Após registrar mais de 1.400 operações em 2024, segundo a Kroll, o movimento observado em 2025 reforçou a preferência por aquisições estratégicas, com foco em eficiência operacional, integração vertical e expansão regional. Para 2026, a expectativa é de continuidade desse perfil de transações, com maior seletividade e foco em setores considerados essenciais, como agronegócio, infraestrutura e serviços.

O avanço do agro regional no M&A evidencia o reconhecimento do potencial desses novos players e da valorização de sua governança e capacidade de adaptação a diferentes cenários econômicos. “O agro que se profissionalizou, investiu em gestão moderna e tem clareza de propósito se consolida como protagonista das fusões e aquisições em 2026. É esse movimento que reposiciona o Brasil no mapa global do M&A”, conclui José.

Rally do Conhecimento leva manejo sustentável aos produtores de Rondônia

Uma nova etapa do Rally do Conhecimento chega ao Mato Grosso e Rondônia entre os dias 12 e 17 de janeiro de 2026. A iniciativa itinerante da Vitalforce conecta ciência, prática agrícola e produtores rurais, com foco no uso racional de bioinsumos, microbiologia do solo e manejo integrado.

Com mais de 18 anos de atuação no setor de bioinsumos, a Vitalforce estruturou o Rally do Conhecimento como uma plataforma contínua de capacitação técnica e relacionamento com o campo. Desde sua criação, o projeto já percorreu polos agrícolas do Triângulo Mineiro, Noroeste Paulista, Sul de Goiás, Oeste da Bahia, Noroeste de Minas, Centro-Sul do Paraná, Oeste de Santa Catarina, Mato Grosso e Tocantins, sempre em parceria com revendas e produtores locais.

Nesta etapa da Região Centro-Oeste, o Rally passa por Sinop (12/01), Lucas do Rio Verde (13/01) e Nova Mutum (14/01), em Mato Grosso, seguindo para Cerejeiras (15/01), Seringueiras (16/01) e Rolim de Moura (17/01), em Rondônia. O roteiro foi definido a partir de desafios regionais ligados à sanidade do solo, eficiência produtiva e adoção de tecnologias biológicas em sistemas agrícolas intensivos.

Ao longo de sua trajetória, o Rally já impactou mais de mil participantes e percorreu mais de 17 mil quilômetros em regiões agrícolas do país, promovendo encontros técnicos, diagnósticos a campo e trocas de experiências entre produtores, consultores e especialistas. O formato privilegia a participação ativa do agricultor, com discussões aplicadas à realidade de cada região.

Segundo Carlos Grossklaus, head de Estratégia de Marketing e Vendas da Vitalforce, o projeto nasceu da necessidade de entender as particularidades regionais da produção agrícola brasileira. “Quando o conhecimento é compartilhado de forma prática e conectada ao campo, o produtor ganha mais segurança técnica e eficiência na tomada de decisão”, afirma.

As atividades técnicas contam com a participação do professor Erich Duarte, doutor em microbiologia agrícola, que aborda temas como o papel dos microrganismos no solo, sanidade radicular, assepsia de palhada e compatibilidade entre bioinsumos e defensivos químicos. “O campo quer entender a ciência. Quando o produtor compreende como os microrganismos atuam na produtividade e na regeneração do solo, ele muda sua forma de produzir”, destaca.

O Rally do Conhecimento acontece em um momento de forte expansão dos biológicos no Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), 2025 foi marcado pela liberação de 162 produtos classificados como bioinsumos, número recorde registrado no país.

Gratuito, o evento reforça o compromisso da Vitalforce em conectar pesquisa, campo e mercado, estimulando uma agricultura mais equilibrada, eficiente e baseada em evidências científicas. Produtores interessados podem se inscrever por meio das revendas parceiras em cada localidade.

Café solúvel vê acordo Mercosul-UE como saída diante das tarifas dos EUA

O avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) surge como um possível alívio para a indústria brasileira de café solúvel, em um momento em que o setor segue penalizado pelas tarifas adicionais dos Estados Unidos (EUA), seu principal mercado.

Segundo o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, o setor tende a ser um dos beneficiados pelo tratado. “São 9% de tarifa que fica desgravada em quatro anos, proporcional a quatro anos de desgravação”, disse.

Apesar do potencial, ao Agro Estadão Lima demonstrou cautela quanto aos efeitos. “Ainda tem alguns caminhos. [O acordo] não vai ser colocado de imediato e a gente não sabe ainda quanto tempo leva para iniciar a aplicação disso”, afirma. Apesar disso, ele ressalta que o acordo representa uma alternativa concreta ao mercado norte-americano.

Sem sinal de alívio nos EUA

No atual cenário geopolítico, em que o governo Trump está concentrado em suas ações na Venezuela, o setor de café solúvel não enxerga perspectiva de quando — ou se — os Estados Unidos irão decidir rever as tarifas adicionais que ainda pesam sobre alguns itens da pauta exportadora brasileira. “A gente não sabe qual é a importância que o Brasil tem para poder ser tirado dessas tarifas injustas que foram colocadas em alguns produtos, e o solúvel está no meio”, afirmou.

Mesmo com a sobretaxa de 50%, os Estados Unidos seguem como o principal destino do café solúvel brasileiro. Por isso, o setor persiste nas tratativas, trabalhando em três frentes: com os clientes nos Estados Unidos e com os governos brasileiro e norte-americano.

Como esperado, o impacto das tarifas aparece nos números. “Sendo os Estados Unidos o principal mercado, isso [tarifas] realmente traz muito prejuízo para o nosso País. Devemos fechar o ano [de 2025] com menos de 9% em relação ao ano anterior, em termos de volume, exatamente por conta da perda de mercado nos Estados Unidos”, disse.

Nesse contexto, a União Europeia ganha relevância estratégica para a indústria brasileira de café solúvel. De acordo com a Abics, os Estados Unidos respondem atualmente por cerca de 20% das exportações brasileiras do segmento, enquanto o bloco europeu ocupa a segunda posição, com aproximadamente 14% do volume total embarcado.

Para Lima, o espaço para crescimento na União Europeia é relevante. “É significativo. A gente tem grande possibilidade de crescer no mercado europeu. Então, é uma grande notícia depois de quase 25 anos”, salientou.

 

 

TAXAÇÃO DA CARNE BOVINA BRASILEIRA PELA CHINA

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   A China anunciou que, a partir de 1º de janeiro de 2026, vai taxar em mais 55% a carne bovina brasileira importada que ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas. Até a cota, a taxa continuará em 12%. Em 2025 a China importou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil; se for mantida a quantidade, 600 mil toneladas terão a tarifa extra de 55%.

Outros países, como Argentina, EUA, Uruguai e Austrália, também terão cotas estabelecidas e tarifas extras de 55% no que superar as cotas. Trata-se de uma medida que visa proteger os produtores chineses, que estão investindo para aumentar a produção nacional.

Trata-se de notícia complicada, que exige ação do governo e entidades do setor do Brasil. O Brasil é o 5º maior produtor de agronegócio mundial (2,6%) e o 3º maior exportador (8,4%). É o país que apresenta o maior saldo comercial no agronegócio mundial. O Brasil exporta para mais de 150 países. As carnes são o   2º produto mais exportado pelo agronegócio brasileiro (18%), só sendo superado pelo complexo soja (36%). A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro (31%). Entre estes produtos se destaca a carne bovina.

O Brasil é o principal produtor (12,4 milhões de toneladas) e o 2º maior exportador de carne bovina do mundo. Exporta cerca de 30% da sua produção. O principal destino da carne bovina brasileira exportada é a China (48%). As exportações do Brasil são responsáveis por 54% das importações da China. Alguns setores do Brasil já esperavam o estabelecimento de cotas e sobretaxas. Serão necessários ajustes no mercado, que já vinha se preparando para conviver com o comércio internacional como um instrumento geopolítico. Entidades privadas, como a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), e do governo, como o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), MRE (Ministério das Relações Exteriores) e MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) devem atuar para minimizar os efeitos negativos da medida. O Brasil mantém um Adido Agrícola na China, que deverá contribuir para manter as boas relações comerciais Brasil–China, que vêm se consolidando nos últimos anos. A tarifa extra deve ser medida temporária sujeita a ajustes.

O consumo de carne bovina continua crescente na China. A produção chinesa é de cerca de 7,8 milhões de toneladas. A estratégia da medida visa oferecer alguma proteção aos pecuaristas locais e ampliar a produção doméstica. Atualmente, a China importa 30% da carne bovina consumida.

A medida adotada pela China pode funcionar como um desestímulo aos investimentos dos pecuaristas brasileiros. Entretanto, o fortalecimento das relações entre os dois países, especialmente comerciais, vem se intensificando. A medida pode gerar distorções internas na China, induzindo inflação.

O Brasil pode, ainda, recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio) e tentar ampliar a cota estabelecida. Isto porque as exportações fora da cota vão se tornar mais difíceis. E a China vinha defendendo um comércio internacional sem salvaguardas.

De qualquer forma, o Brasil deve diversificar o mercado de importadores de sua carne bovina. Não é conveniente para qualquer produto, concentrar 48% das exportações para um único país. E, para isto, deve usar todas as estruturas  privadas e públicas, visando alçancar este objetivo a curto prazo. Nos últimos anos, 29 mercados foram abertos.

Como a cota da China sobre carne bovina deve mexer com a produção

O Brasil, maior produtor de carne bovina do mundo, pode passar a reduzir a produção em 2026, após a China impor cotas às importações — o país asiático é o principal comprador da proteína brasileira.

A cota estabelecida por Pequim é inferior ao volume de embarcações nos últimos anos, o que deve forçar os frigoríficos a cortar a produção ainda neste ano, segundo informações de bancos e consultorias

“É um revés importante para a indústria de carnes”, afirmou Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, à Bloomberg. Ele estima que as restrições chinesas levem a um recuo de 3,6% nos

Segundo ele, a produção total de carne bovina deve cair em proporção semelhante. Antes do anúncio de Pequim, a projeção era de uma queda de 2,8% nos abates.

A China anunciou no último dia de 2025 a imposição de tarifas adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, caso os embarques ultrapassem determinadas cotas.

Segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao país asiático, ficará com a maior fatia: 41,1% ou 1,1 milhão de toneladas.