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Possível proibição da pesca do tambaqui acende alerta em Rondônia

A possibilidade de proibição da pesca do tambaqui em todo o Brasil tem gerado preocupação em Rondônia, estado que lidera a produção nacional da espécie em cativeiro e onde o peixe possui grande importância econômica, social e cultural.

O alerta surgiu após a publicação da Portaria GM/MMA nº 1.666, de 27 de abril de 2026, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que incluiu o tambaqui (Colossoma macropomum) na lista oficial das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, na categoria “Vulnerável (VU)”.

A portaria estabeleceu um prazo de 180 dias para que seja elaborado e aprovado um Plano de Recuperação da espécie. O prazo termina em 25 de outubro de 2026. Caso esse plano não seja concluído dentro do período previsto, poderão ser adotadas medidas mais restritivas para proteger a espécie, incluindo a possibilidade de proibição da pesca do tambaqui em ambiente natural.

É importante destacar que a pesca do tambaqui continua permitida neste momento, respeitando as normas já existentes, como o período do defeso e demais regras ambientais. Nenhuma proibição entrou em vigor até agora.

Rondônia pode sentir impactos diretos

Em Rondônia, a notícia repercute com atenção porque o estado se consolidou como o maior produtor brasileiro de tambaqui cultivado. A cadeia produtiva movimenta milhares de empregos, envolvendo piscicultores, fábricas de ração, frigoríficos, transportadoras, distribuidores e o comércio de pescado.

Além da produção em cativeiro, o tambaqui também é um dos peixes mais consumidos pela população rondoniense e tem forte presença na pesca artesanal realizada nos rios da região amazônica.

Caso uma eventual restrição alcance apenas a captura de exemplares na natureza, os principais afetados deverão ser os pescadores artesanais que dependem da atividade para garantir renda e sustento às famílias.

Por outro lado, especialistas destacam que a piscicultura não deve ser automaticamente afetada. A criação de tambaqui em viveiros possui regras próprias e qualquer mudança dependerá da regulamentação que vier a ser publicada pelo governo federal.

Por que o tambaqui entrou na lista?

De acordo com estudos técnicos utilizados pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a população natural do tambaqui apresentou redução estimada em 43,4% ao longo de três gerações, principalmente em decorrência da pressão da pesca sobre os estoques naturais na Amazônia.

A inclusão da espécie na categoria “Vulnerável” busca garantir medidas de conservação antes que o risco de extinção se torne ainda maior.

O que acontece agora?

Até o dia 25 de outubro de 2026, o governo federal deverá apresentar o Plano de Recuperação do tambaqui, definindo ações de manejo, monitoramento e conservação da espécie.

Caso o plano seja aprovado dentro do prazo, novas regras poderão disciplinar a exploração sustentável do peixe, evitando medidas mais severas. Se isso não ocorrer, a legislação prevê a possibilidade de adoção de restrições adicionais para proteger a espécie.

Enquanto isso, produtores, pescadores e consumidores acompanham o tema de perto, principalmente em Rondônia, onde o tambaqui representa uma das principais atividades da piscicultura brasileira e um importante componente da economia do estado.

Pesquisa indica 27 novos registros de abelhas nativas na cultura da soja

Estudo liderado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), no sudoeste de Goiás, identificou 27 novos registros de abelhas associadas à cultura da soja no Brasil. Elas foram registradas entre as 40 espécies encontradas nas plantações da região de Rio Verde e Montividiu e nunca haviam sido citadas pela literatura científica. A pesquisa também aponta que a presença de abelhas silvestres em lavouras de soja pode aumentar o peso dos grãos em média 7%.

Os resultados estão publicados no artigo Bioinput Use and Native Vegetation Fragments are Associated With Higher Bee Community Evenness in Large-Scale Soybean Crops, no Journal of Applied Entomology. Considerando também as matas nativas vizinhas, o levantamento identificou, no total, 53 espécies de abelhas pertencentes a cinco famílias (Apidae, Andrenidae, Megachilidae, Colletidae e Halictidae).

O estudo reforça que a conservação das manchas de mata nativa no entorno das lavouras e, consequentemente, de polinizadores, pode trazer benefícios não apenas para a biodiversidade, mas também para a produção agrícola, ao indicar que a presença desses insetos pode contribuir para o aumento da produtividade da soja.

A pesquisa confirma também que a conservação de polinizadores representa não apenas uma estratégia de conservação da biodiversidade, mas também uma forma de contribuir para a produtividade, à sustentabilidade da produção e, em última instância, para a segurança alimentar, em sintonia com critérios ESG cada vez mais presentes nas exigências dos mercados internacionais.

O “filtro invisível” dos defensivos químicos

Historicamente, o modelo de produção em larga escala da soja tem se apoiado no uso intensivo de inseticidas e fungicidas sintéticos de amplo espectro. O grande gargalo desse sistema é o impacto sobre organismos não-alvo. Ao tentar combater pragas específicas, a aplicação maciça de defensivos químicos convencionais acaba agindo como um “filtro ambiental” severo sobre a fauna benéfica. E a pesquisa da Embrapa comprova estatisticamente esse fenômeno.

A pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Carmen Pires explica que, nas propriedades agrícolas com manejo químico altamente intensivo, houve uma queda drástica na chamada equitabilidade das comunidades de abelhas. Em ecologia, o termo indica o quão uniformemente os indivíduos estão distribuídos entre as diferentes espécies presentes em um ambiente. Nas áreas avaliadas, o manejo mais intensivo esteve associado à redução da diversidade, favorecendo um pequeno número de espécies possivelmente mais tolerantes ao estresse, enquanto espécies mais especializadas e potencialmente mais eficientes na polinização deixaram de ocorrer.

Porém, os cientistas alertam para um erro metodológico comum que essas análises de comunidades podem esconder: avaliar a saúde de uma lavoura apenas pela abundância bruta de insetos pode ser um engano. “Uma área altamente pulverizada com químicos pode apresentar um número elevado de insetos na contagem rápida, mas quase todos pertencem a uma única espécie resistente. Funcionalmente, a lavoura torna-se um “deserto de biodiversidade”, vulnerável e dependente de intervenções artificiais constantes”, explica Pires.

O avanço dos bioinsumos e do plantio regenerativo

A boa notícia é que existe uma rota de fuga viável e economicamente vantajosa: as fazendas que integraram bioinsumos — como bactérias e fungos de menor impacto ambiental para o controle biológico de pragas e fertilização do solo — e reduziram a dependência de químicos de alta toxicidade, conseguiram manter comunidades de abelhas significativamente mais equilibradas, saudáveis e funcionalmente diversas.

A transição para os biológicos, classificados na Classe IV de risco ambiental (pouco perigosos), evita o extermínio de abelhas silvestres e preserva o ciclo natural. O impacto ecológico dessa escolha é visível na estrutura de vida das próprias abelhas: cerca de 60% das espécies identificadas no sudoeste de Goiás constroem seus ninhos diretamente no chão.

A pesquisadora observa que, nesse ponto, a agricultura regenerativa assume um papel central de preservação. Segundo ela, práticas que minimizam o revolvimento da terra e mantêm a palhada na cobertura do solo, protegem os ninhos subterrâneos das abelhas dentro da própria lavoura de soja. “Sem tratores desfazendo seus abrigos e sem venenos penetrando a terra, essas abelhas podem persistir de uma safra para a outra, prontas para polinizar a próxima floração”, diz.

Além disso, o estudo constatou que a maioria das espécies coletadas (44,7%) possui hábitos de vida solitários. Ao contrário das abelhas sociais, que vivem em colônias populosas e podem ser manejadas em caixas por apicultores (a chamada polinização assistida), as abelhas solitárias dependem exclusivamente das boas condições ecológicas da fazenda para sobreviver. Por isso, o produtor precisa adotar práticas amigáveis para mantê-las vivas na propriedade. Caso contrário, perderá o bônus de produtividade que elas oferecem gratuitamente.

O Cerrado pode ser o “pulmão” polinizador da fazenda

A pesquisa também explica como se dá a relação de dependência entre a floresta e a lavoura. Os fragmentos de vegetação nativa do Cerrado adjacentes às plantações de soja atuam como verdadeiros refúgios ecológicos e como “fábricas” de polinizadores. Das abelhas nativas coletadas nas matas vizinhas, a espécie mais representativa foi a Ceratina duplocarinata, enquanto, nas áreas de soja predominou o gênero Dialictus.

Os dados revelaram que a proximidade física com a mata é um fator relevante. Quanto maior o afastamento da lavoura em relação às bordas de Cerrado nativo, menores foram a riqueza e a abundância de abelhas nativas encontradas nas flores de soja. A mata preservada funciona como um lar permanente que fornece abrigo, locais de nidificação para os 18% de espécies que fazem ninhos em ocos de troncos de árvores caídas, e alimento alternativo nos períodos em que a soja não está florescendo. Sem a floresta vizinha, as abelhas não conseguem colonizar as plantações comerciais.

Os novos recordes

Os números consolidados do estudo revelam a dimensão da biodiversidade encontrada no sudoeste goiano. Do total de 764 abelhas coletadas nas amostragens, 89% eram abelhas nativas do Brasil. Apenas 11% pertenciam à espécie exótica Apis mellifera (a abelha africanizada, amplamente conhecida pela produção de mel).

Antes dessa publicação, revisões científicas acumuladas até 2018 registravam apenas 12 espécies de abelhas nativas associadas, de alguma forma, à soja no território brasileiro. O novo trabalho da Embrapa ampliou significativamente esse conhecimento ao documentar 40 espécies de abelhas nas áreas cultivadas de soja no sudoeste goiano, incluindo 27 registros inéditos de espécies visitando as flores da leguminosa na região.

Para chegar a essa precisão científica, os pesquisadores testaram e compararam diferentes metodologias de campo, o que gerou outra descoberta metodológica importante. Os tradicionais pratos-armadilha (chamados tecnicamente de pan traps, pintados de azul para atrair os insetos) mostraram-se mais eficientes para medir a biodiversidade real do que as clássicas redes entomológicas (as populares “redes de caçar borboletas”).

As pan traps foram responsáveis por 95% de todas as capturas do estudo (728 indivíduos), identificando 33 espécies distintas. A rede entomológica ativa, por sua vez, registrou apenas 7 espécies. O estudo aponta que o uso exclusivo de redes subestima a riqueza biológica real das fazendas de soja, em grande parte devido à densidade das plantas e ao comportamento discreto das abelhas nativas menores que dificultam as coletas.

“A pesquisa da Embrapa consolida, com dados de campo, que o futuro da agricultura nacional depende do equilíbrio ecológico. Os insetos polinizadores são os amigos invisíveis das lavouras, mas o manejo inadequado pode colocá-los em risco. Proteger as abelhas nativas e o Cerrado que as abriga é, acima de tudo, preservar a economia e a segurança alimentar do Brasil”, conclui Pires.

O estudo

Conduzido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o estudo também contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde (IF Goiano). A pesquisa integra o projeto Regenera Cerrado, desenvolvido em parceria entre instituições de pesquisa, produtores rurais e a Cargill. O projeto avalia os impactos da adoção de práticas de agricultura regenerativa sobre a saúde do solo, a ocorrência de pragas e de inimigos naturais em áreas de produção no sudoeste de Goiás.

Adilson Honorato defende renovação da bancada federal e diz que política precisa se reaproximar da população

Durante participação no programa Sem Filtro Eleições 2026, apresentado pelo jornalista Carlos Caldeira, o candidato a deputado federal pelo PSD, Adilson Honorato, defendeu uma atuação política baseada no diálogo entre os poderes e na transparência com a população. Ao comentar a relação entre o Governo de Rondônia e a bancada federal, ele afirmou que, encerrado o período eleitoral, os representantes públicos devem colocar as diferenças políticas de lado e trabalhar em conjunto pelos interesses do estado.

Honorato avaliou que o governador Marcos Rocha cometeu erros, como qualquer gestor público, mas ponderou que sua administração também apresentou avanços. Como exemplos, citou a ausência de greves recentes em áreas como saúde e segurança pública e afirmou que Rondônia não registrou escândalos de corrupção comprovados de grande repercussão nos últimos anos. Segundo o candidato, esses fatores também devem ser considerados pela população ao analisar a atuação do governo estadual.

Questionado sobre sua principal bandeira de campanha, Honorato respondeu de forma direta: “o povo”. Ele afirmou que pretende manter na política os mesmos princípios que adotou ao longo de sua carreira na comunicação, ressaltando o compromisso com a transparência e a prestação de contas. Também disse estar preparado para enfrentar questionamentos durante a campanha eleitoral, destacando que o agente público deve estar sempre aberto ao diálogo e ao escrutínio da sociedade.

Ao encerrar a entrevista, o candidato reforçou que sua motivação para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados está ligada ao desejo de contribuir para o desenvolvimento do estado e para o fortalecimento da representação dos rondonienses em Brasília.

VEJA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI:

 

Carlos Magno reúne coordenadores e define estratégias para a campanha a deputado estadual

Após ter sua candidatura a deputado estadual oficializada durante a convenção partidária do Solidariedade, Carlos Magno reuniu coordenadores de campanha de diversas regiões de Porto Velho para alinhar as estratégias que serão adotadas durante o período eleitoral. O encontro teve como foco a definição de metas, o planejamento das ações e o fortalecimento da organização da campanha em todo o estado.

Durante a reunião, foram estabelecidas diretrizes para ampliar a presença da equipe nos municípios e intensificar o contato direto com os eleitores. A proposta é desenvolver uma campanha pautada pelo diálogo, ouvindo as demandas da população e apresentando as principais propostas do candidato para Rondônia.

Entre as principais bandeiras defendidas por Carlos Magno está o fortalecimento da agricultura, com atenção especial à agricultura familiar. Com uma trajetória de proximidade com o setor produtivo rural, o candidato destaca a importância de incentivar a produção, ampliar o apoio aos pequenos produtores e criar políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento do campo e a geração de oportunidades no estado.

Segundo a coordenação da campanha, o encontro marcou o início de uma nova etapa dos trabalhos, com foco na mobilização das equipes, no planejamento das ações regionais e na construção de uma campanha próxima da população, baseada no diálogo e na apresentação de propostas para o desenvolvimento de Rondônia.

Gasolina com 32% de etanol entra em vigor e fortalece produção nacional de biocombustíveis

Mais etanol, menos dependência externa: a nova mistura de 32% de etanol na gasolina fortalece o agronegócio brasileiro
Mais etanol, menos dependência externa: a nova mistura de 32% de etanol na gasolina fortalece o agronegócio brasileiro

A gasolina comum comercializada nos postos de combustíveis de todo o Brasil passou a contar com 32% de etanol anidro (E32) desde o dia 1 de agosto. A medida, oficializada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. O objetivo do Governo Federal é reduzir a dependência das importações de gasolina, ampliar a segurança energética do país e fortalecer a produção nacional de biocombustíveis.

Com a nova mistura, a expectativa do Ministério de Minas e Energia é que o Brasil deixe de importar aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano, reduzindo a exposição às oscilações do mercado internacional de petróleo, especialmente em um cenário de alta nos custos provocado pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. A gasolina premium continuará sendo comercializada com 25% de etanol anidro, sem alterações.

A mudança também representa uma oportunidade para o agronegócio brasileiro. O setor sucroenergético projeta uma demanda adicional de aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol anidro por ano em relação à mistura anterior (E30). A expectativa é de que 2026 registre uma safra recorde de etanol, impulsionada pelo maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível, além do crescimento contínuo da produção de etanol de milho, segmento que vem ganhando força em diversas regiões do país.

Para especialistas, o aumento da participação do etanol na matriz energética reforça o protagonismo do Brasil na produção de combustíveis renováveis, gera novas oportunidades para produtores rurais, usinas e investidores do setor, além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa. A medida também fortalece a estratégia nacional de valorização dos biocombustíveis como alternativa sustentável para o abastecimento da frota brasileira.

Quando um menino sonha em ser produtor de café: o futuro da cafeicultura floresce em Rondônia

O futuro da cafeicultura começa quando uma criança sonha em permanecer no campo
O futuro da cafeicultura começa quando uma criança sonha em permanecer no campo

Em um cenário onde, por muitos anos, o sonho de milhares de jovens era deixar o campo em busca de oportunidades nas grandes cidades, uma simples resposta dada por uma criança em sala de aula revela uma transformação silenciosa, porém significativa, que vem acontecendo em Rondônia.

Durante uma conversa com pequenos produtores rurais em Nova Brasilândia d’Oeste, uma mãe compartilhou uma história que emocionou os presentes. Ao ser questionado pela professora sobre qual profissão desejava seguir quando adulto, seu filho respondeu, sem hesitar:

“Quero ser produtor de café.”

Segundo ela, foi o único estudante da turma a escolher essa profissão.

Mais do que uma resposta espontânea, o relato simboliza uma nova percepção das futuras gerações sobre a vida no campo. Se antes a agricultura era vista por muitos jovens como sinônimo de dificuldades, hoje a cafeicultura rondoniense representa inovação, tecnologia, qualidade e oportunidade de crescimento.

A nova realidade da cafeicultura em Rondônia

Nos últimos anos, Rondônia consolidou-se como uma das principais referências nacionais na produção de café robusta amazônico, conquistando reconhecimento pela qualidade dos grãos, adoção de novas tecnologias e valorização da agricultura familiar.

Municípios como Nova Brasilândia d’Oeste tornaram-se exemplos de desenvolvimento rural, onde milhares de famílias encontraram no café uma atividade capaz de gerar renda, fortalecer a economia local e criar perspectivas para que filhos e netos permaneçam no campo.

Essa mudança de cenário também fortalece a sucessão familiar nas propriedades rurais, considerada um dos maiores desafios do agronegócio brasileiro. Quando uma criança manifesta o desejo de seguir os passos dos pais na produção agrícola, demonstra que enxerga dignidade, orgulho e futuro na atividade rural.

O maior legado vai além da produção

Ao longo dessa trajetória, políticas públicas de incentivo ao setor contribuíram para impulsionar a cafeicultura, mas o verdadeiro protagonismo pertence aos produtores rurais, responsáveis por transformar dedicação, trabalho e conhecimento em uma das cadeias produtivas mais importantes de Rondônia.

Mais do que recordes de produtividade ou prêmios conquistados, o maior patrimônio da cafeicultura rondoniense talvez seja justamente despertar nas novas gerações o desejo de permanecer na terra, inovar e dar continuidade ao legado construído por suas famílias.

Enquanto houver crianças dizendo, com orgulho, que sonham em ser produtoras de café, haverá motivos para acreditar que o futuro do campo continuará florescendo em Rondônia.

Artigo baseado em texto de Confúcio Moura.

Convenção estadual oficializa Carlos Magno como candidato a deputado estadual em Rondônia

A convenção estadual, realizada na noite deste sábado (1º), em Porto Velho, reuniu milhares de pessoas e oficializou a candidatura de Carlos Magno para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Rondônia nas eleições deste ano.

O evento, realizado no Villa Privilege, contou com a participação de lideranças políticas, filiados e apoiadores dos partidos PRD, Solidariedade, PSD e Avante, que também confirmaram a composição da chapa majoritária encabeçada por Adaílton Fúria(PSD), candidato ao Governo de Rondônia, tendo Everton Leoni (PSD) como candidato a vice-governador.

Durante entrevista, Carlos Magno relembrou sua trajetória política e pessoal, destacando as raízes construídas no estado e a relação com a população ao longo de sua vida pública. O agora candidato afirmou que pretende manter um mandato próximo da sociedade, ouvindo as demandas dos municípios e trabalhando em parceria com os diversos segmentos produtivos.

Carlos Magno reforçou o compromisso de defender políticas voltadas ao fortalecimento do setor produtivo, considerado por ele um dos pilares do desenvolvimento econômico de Rondônia. Segundo o candidato, o crescimento do estado passa pelo incentivo ao agronegócio, à agricultura familiar, ao empreendedorismo e à geração de empregos, sempre em diálogo com quem produz e movimenta a economia.

A convenção foi marcada por um clima de entusiasmo entre os participantes, que lotaram o espaço para acompanhar a oficialização das candidaturas. Lideranças dos partidos presentes destacaram a união das siglas em torno de um projeto político para as eleições estaduais e defenderam uma atuação integrada entre os candidatos proporcionais e a chapa majoritária.

Com a homologação da candidatura, Carlos Magno passa a integrar oficialmente a disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia, representando a Federação Renovação Solidária na coligação que terá Adaílton Fúria como candidato ao Governo do Estado.

Bolívia avança em projeto de corredor rodoviário que liga país a Mato Grosso e pode transformar Rondônia em eixo estratégico da logística sul-americana

A Bolívia deu um passo para a criação de um novo corredor rodoviário que pretende integrar ainda mais o agronegócio entre países da América do Sul. O presidente boliviano, Rodrigo Paz, assinou nesta sexta-feira (31) um termo de cooperação para a construção de uma estrada que vai ligar a cidade de San Ignacio de Velasco, na Bolívia, a Vila Bela da Santíssima Trindade, em Mato Grosso.

O trecho previsto para a ligação tem 129 quilômetros de extensão. Do lado brasileiro, as obras já estão em andamento.

Quando os dois lados estiverem concluídos, a rodovia deve permitir que a Bolívia tenha um acesso mais rápido ao oceano Atlântico, por meio de Porto Velho. Ao mesmo tempo, o Brasil ganha uma nova rota para chegar ao oceano Pacífico, passando pelo território boliviano.

A assinatura do acordo ocorreu durante as comemorações dos 278 anos de San Ignacio de Velasco, cidade boliviana que faz fronteira com Mato Grosso e recebeu autoridades, empresários e representantes do agronegócio dos dois países.

O projeto também prevê a instalação de um posto aduaneiro alfandegado, com o objetivo de fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Bolívia e contribuir para o desenvolvimento da região.

Caminho usado por produtores e caminhoneiros

O motorista Jair Barros dos Santos percorre a rota a trabalho há quase 15 anos. Ele conta que já enfrentou dificuldades na estrada de terra, principalmente no período de chuvas.

“Essa estrada aqui já foi muito difícil, né? Já teve atoleiro, já foi interditada no tempo das águas. Então hoje, com essa realidade que nós estamos vendo aqui, tá um sonho que eu achei que não ia participar desse sonho, mas estamos aqui presenciando esse momento especial aqui.”

O empresário Iraí Maggi destacou que a nova ligação pode beneficiar tanto brasileiros quanto bolivianos, reduzindo custos de transporte.

“Nós vamos ajudar eles e eles vão ajudar nós. Então aqui nós temos produção altíssima de soja, uma região, o que é que tá faltando? Aqueles gastam 5 dólares a mais para colocar uma saca de soja dentro do navio, 3.500 km indo lá para Argentina. Aqui, Porto Velho tá tudo pronto, tem bilhões e bilhões de investido e tá aqui pertinho, então tem que conectar o Brasil.”

Embora o traçado principal esteja concentrado em Mato Grosso, especialistas apontam que Rondônia poderá ser um dos estados mais beneficiados. A posição geográfica estratégica do estado, especialmente por meio de Porto Velho e de Guajará-Mirim, amplia as possibilidades de conexão com os portos do Arco Norte e com futuras rotas internacionais. Durante as discussões sobre o projeto, o próprio Ministério da Agricultura destacou a importância da ponte em Guajará-Mirim como um dos eixos de integração entre Brasil e Bolívia, reforçando o papel de Rondônia na logística regional.

Na prática, a nova estrutura tende a reduzir custos de transporte, facilitar o comércio bilateral e criar alternativas para o escoamento da produção agropecuária do Norte e Centro-Oeste. Além disso, a ampliação das conexões internacionais pode estimular investimentos em infraestrutura, armazenagem, transporte e serviços logísticos em Rondônia, fortalecendo a competitividade do agronegócio e da indústria regional. A iniciativa também abre caminho para ampliar o acesso de produtos brasileiros aos mercados asiáticos pelos portos do Pacífico, ao mesmo tempo em que facilita a chegada de insumos, como fertilizantes produzidos na Bolívia.

A nova estrada que vai conectar a Bolívia com o Mato Grosso. — Foto: Reprodução/Jornal Nacional

Segundo Pedro Lacerda, presidente da Comissão de Integração Brasil-Bolívia, a pavimentação e a instalação da aduana devem ampliar a conexão com portos do oceano Pacífico.

“Essa pavimentação, como também a instalação da aduana, ela vai nos permitir virarmos de frente e nos integrarmos não só à Bolívia, como também ao porto de Arica, Iquique, no oceano Pacífico. Essa região aqui pelo porto de Arica são quase 2 mil km a menos do que os outros corredores existentes.”

ASPRA fortalece apoio aos policiais militares com assistência jurídica, saúde e ações para valorização da categoria

Durante a entrevista, Rubemar destacou os avanços da ASPRA nas áreas de saúde, assistência jurídica e valorização dos policiais militares.
Durante a entrevista, Rubemar destacou os avanços da ASPRA nas áreas de saúde, assistência jurídica e valorização dos policiais militares.

A Associação dos Policiais e Bombeiros Militares do Estado de Rondônia (ASPRA) segue ampliando os serviços oferecidos aos seus associados, reforçando o compromisso com a valorização da categoria e o bem-estar dos policiais militares e de seus familiares. Em entrevista ao Programa Rondorural, da Conecta FM 107,9, o presidente da ASPRA, sargento Rubemar, destacou as principais ações desenvolvidas pela entidade e os investimentos realizados para oferecer mais qualidade de vida aos associados.

Fundada em 7 de dezembro de 1987, a ASPRA é a associação mais antiga do estado e atualmente reúne associados em praticamente todos os municípios de Rondônia.

Sargento Rubemar reforçou o convite para a confraternização do Dia dos Pais e apresentou os serviços oferecidos pela ASPRA aos seus associados.
Sargento Rubemar reforçou o convite para a confraternização do Dia dos Pais e apresentou os serviços oferecidos pela ASPRA aos seus associados.

Durante a entrevista, Rubemar ressaltou que, além da atuação na defesa dos direitos da categoria, a ASPRA tem investido na ampliação dos serviços de saúde e assistência aos policiais militares. Atualmente, a associação oferece atendimento jurídico, consultas com clínico geral, fisioterapia e está implantando um consultório odontológico próprio. Enquanto a estrutura é finalizada, os associados contam com atendimento por meio de clínicas conveniadas.

Outro tema destacado pela entidade é o acompanhamento do processo de transposição dos policiais militares que ingressaram até 1991. A expectativa é de que 1.123 policiais sejam beneficiados, garantindo reconhecimento e valorização profissional após anos de espera.

Segundo o presidente da ASPRA, sargento Rubemar, a missão da associação vai além da defesa dos direitos da categoria. “A ASPRA nasceu para cuidar do policial militar e da sua família. Trabalhamos pela valorização da categoria, oferecendo apoio jurídico, ampliando os serviços de saúde e criando momentos de integração, porque acreditamos que cuidar do policial também é cuidar da sua qualidade de vida”, destacou o presidente.

Associação amplia benefícios e fortalece o atendimento aos policiais militares de Rondônia.
Associação amplia benefícios e fortalece o atendimento aos policiais militares de Rondônia.

Como parte desse trabalho, a associação realizará no próximo domingo (9) uma grande confraternização em homenagem ao Dia dos Pais, na sede da ASPRA, a programação contará com feijoada, bebidas, recreação infantil, piscina, sorteios e diversas atividades voltadas para toda a família dos associados.

Os policiais militares interessados em conhecer a entidade ou se associar podem procurar a sede administrativa da ASPRA, localizada na Rua Jaci-Paraná, nº 3.615, bairro Nova Porto Velho, em Porto Velho, ou entrar em contato pelo telefone (69) 99224-7505. A associação está sempre de portas abertas para acolher e atender os profissionais que dedicam suas vidas à segurança da população rondoniense.

Berranteiro cruza as Américas com cão e volta ao Brasil montado em mulas após três anos na estrada

A aventura que começou em uma caminhonete adaptada terminou no lombo de duas mulas. Em quase três anos de viagem, o berranteiro Pedro Henrique Biondo Matias cruzou 16 países e percorreu cerca de 60 mil quilômetros pelas Américas acompanhado do cachorro Bastião e de um berrante. Agora, ele está prestes a concluir a jornada, que terminará na Festa do Peão de Barretos.

📣))) berranteiro é o nome dado a quem toca berrante, instrumento tradicionalmente usado por peões para conduzir o gado e se comunicar no campo.

Pedro partiu no dia 28 de agosto de 2023 para desbravar o continente. Antes de se tornar conhecido nas redes sociais como “Berranteiro das Américas”, onde acumula 1 milhão de seguidores, ele levava uma rotina completamente diferente.

Formado em engenharia civil, Pedro Henrique trabalhava na área e tinha uma vida estável, mas interrompeu a carreira para colocar em prática um sonho que amadurecia havia dois anos: conhecer o continente e honrar as tradições de antigos peões e tropeiros.

Pedro Henrique Berranteiro, natural de Orindiúva (SP), voltou para o Brasil montado em mulas — Foto: Reprodução/Instagram
Pedro Henrique Berranteiro, natural de Orindiúva (SP), voltou para o Brasil montado em mulas — Foto: Reprodução/Instagram

De volta ao Brasil, trouxe na bagagem histórias dos milhares de quilômetros percorridos e a certeza de que a viagem mudou a sua forma de enxergar a vida.

“Eu voltei uma pessoa diferente, aprendi a ser mais humilde e vi que a gente depende muito da ajuda das pessoas todos os dias. Eu sabia que ia ter que abrir mão de várias coisas, mas valeu a pena. Eu buscava motivação para viver e encontrei”, celebra Pedro.

O influenciador voltou para a cidade natal, Orindiúva (SP), no último sábado (25). Lá ele aproveita os dias ao lado da família e se prepara para a despedida oficial de seu projeto: o último trecho da expedição, a cavalgada até Barretos (SP), durante a Festa do Peão de Barretos.

🐂 A Festa do Peão é o maior rodeio da América Latina e reverencia a cultura sertaneja no país. Além de promover competições equestres e de montaria, reúne grandes shows e milhares de visitantes.

Nômade e sem rotina

Pedro Berranteiro ao lado do cão Bastião — Foto: Reprodução/Instagram
Pedro Berranteiro ao lado do cão Bastião — Foto: Reprodução/Instagram

Acompanhado do melhor amigo, o border collie Bastião, que ficou famoso por fazer um “dueto” com a cantora Ana Castela, Pedro Henrique contou que aprendeu a viver sem rotina – o que incluiu dormir em redes, fazendas, barracas improvisadas ou até dependendo da solidariedade de desconhecidos para quem pedia pouso.

No percurso, o influenciador revelou que as despesas eram pagas com patrocínios, doações de seguidores, rifas e vendas de produtos pela internet. Foram quase três anos sem endereço fixo e, depois de enfrentar temperaturas de até sete graus negativos no México, passou a dar mais importância a um banho quente.

Em um dos episódios da viagem, o cheiro da cana-de-açúcar queimando em uma estrada na zona canavieira do México fez o coração do paulista acelerar: era como ‘estar perto de casa’, relembrou Pedro. Esse foi um dos “combustíveis” para superar a saudade de casa e os meses seguintes na estrada.

Pedro contou também que imaginava o momento em que reencontraria o avô sentado na calçada esperando sua chegada. Dois meses antes do fim da viagem, porém, o avô do berranteiro morreu. Apesar da dor, Pedro diz que voltar para casa e ser recebido com acolhimento pelos amigos e familiares tornou o processo menos doloroso.

“Eu senti muita falta da minha avó, da comida que ela fazia, o carinho e o jeito dela. Foi muito bom você rever as pessoas que tinha contato antes de ser o ‘Berranteiro das Américas’”, disse.

Cachorro Bastião e Pedro Henrique viajaram juntos de caminhonete do Brasil aos EUA — Foto: Reprodução/Instagram
Cachorro Bastião e Pedro Henrique viajaram juntos de caminhonete do Brasil aos EUA — Foto: Reprodução/Instagram

🛻 Planejamento e “cãopanhia”

A ideia nasceu na garagem de Pedro, que planejou a viagem por dois anos: adaptou uma caminhonete, organizou a documentação necessária para atravessar o continente, estudou mapas e rotas.

Assim, partiu rumo aos EUA com o “cãopanheiro”, que ganhou de presente de um amigo que o incentivou a não viajar sozinho. Juntos, rodaram 50 mil quilômetros na ida. A primeira etapa da viagem sobre o asfalto foi concluída no dia 12 de abril de 2024, quando estacionou em Laredo, no Texas.

De lá, ainda conheceu 35 estados norte-americanos antes de tomar a decisão que mudaria completamente a história da expedição. (Veja no infográfico abaixo toda a jornada)

Pedro Henrique Berranteiro, natural de Orindiúva (SP), voltou para o Brasil montado em mulas após viajar até os EUA de caminhonete — Foto: Reprodução/Instagram
Pedro Henrique Berranteiro, natural de Orindiúva (SP), voltou para o Brasil montado em mulas após viajar até os EUA de caminhonete — Foto: Reprodução/Instagram

🐎 A volta

A aventura começou bem diferente de como termina (sobre quatro patas). Isso porque Pedro decidiu que voltaria para casa montado em mula, uma forma de homenagear antigos peões que, muito antes das rodovias, cruzavam fronteiras conduzindo tropas.

Antes de ‘embarcar’, passou 50 dias amansando as mulas, chamadas Ada e Oklahoma em homenagem ao estado de origem delas. Pedro teve ainda que treinar Bastião para que conseguisse montar nas mulas.

Em outubro de 2024, começou oficialmente a volta para casa. Desde então, percorreu 10 mil quilômetros sobre o lombo dos animais. A meta, segundo ele, era percorrer 30 quilômetros por dia, para garantir a saúde física dos animais.

Depois de viajar até os EUA de caminhonete ao lado do cachorro Bastião, Pedro Henrique voltou para o Brasil de mulas — Foto: Reprodução/Instagram
Depois de viajar até os EUA de caminhonete ao lado do cachorro Bastião, Pedro Henrique voltou para o Brasil de mulas — Foto: Reprodução/Instagram

Diferentemente da caminhonete, para os quais existem leis internacionais claras de trânsito, viajar com mulas por dez países exigiu diplomacia. Sem protocolos definidos, Pedro dependia da negociação direta com as autoridades sanitárias de cada fronteira.

O que começou com o planejamento detalhado de rotas e mapas, transformou-se em uma comitiva. Isso porque, a partir do México, Pedro ganhou o apoio do amigo Gustavo Paloni, que é médico veterinário e buscou a caminhonete usada na ida até os EUA para dar suporte aos animais, levando suprimentos, água e medicação.

Ao cruzar a fronteira brasileira, a recepção calorosa transformou a viagem. Comitivas do Acre e de Rondônia se juntaram ao berranteiro. Todos os dias, o influenciador revelou que pessoas que ele nunca tinha visto apareciam na estrada com seus cavalos e mulas para acompanhar trechos do percurso.

Ao chegar a Orindiúva, Pedro foi recebido com festa, almoço e um desfile organizado pelos próprios moradores.

Em 15 de agosto, após o descanso na terra natal, o Berranteiro das Américas sela novamente as mulas e segue para o útimo ato da viagem: a Festa do Peão de Barretos. A previsão é que a comitiva chegue à arena entre os dias 21 e 22 de agosto.

Infográfico mostra países por onde o berranteiro passou nas Américas — Foto: arte/g1
Infográfico mostra países por onde o berranteiro passou nas Américas — Foto: arte/g1

Por que mulas?

O amigo de Pedro, médico veterinário Gustavo Pereira, explicou que as mulas são animais historicamente utilizados para longas jornadas e transporte de carga devido à resistência.

Embora a expedição tenha sido longa, os animais avançavam em um limite considerado curto para a capacidade da espécie, sendo no máximo 30 km por dia, e cada mula era montada pelo berranteiro por 15 quilômetros.

“É como um atleta. Um jogador de futebol não consegue correr 90 minutos sem preparo. Com as mulas acontece a mesma coisa: elas precisam estar bem treinadas, condicionadas e alimentadas”, afirma o veterinário.

Em alguns trechos, viajavam cinco ou seis dias consecutivos e interrompiam a jornada por até quatro. Em outros, percorriam cerca de dez dias antes de uma nova pausa. Segundo o veterinário, uma mula bem preparada pode percorrer até 90 quilômetros diariamente.

Médico veterinário Gustavo Pereira Paloni acompanhou Pedro na volta para o Brasil — Foto: Reprodução/Instagram
Médico veterinário Gustavo Pereira Paloni acompanhou Pedro na volta para o Brasil — Foto: Reprodução/Instagram

Ao g1, o doutor em Zoologia Thiago Davanso explica que a escolha dos animais é justificada também pela força e pela inteligência. A mula é um animal híbrido, resultado do cruzamento entre um jumento macho e uma égua.

A combinação reúne características que fazem o animal demandar menor quantidade de água e alimento.

“É um animal de extrema eficiência se bem cuidado e bem tratado. Ele pode viver de 40 a 45 anos. Ela é usada para o transporte, em locais de difícil acesso para carros, como em trilhas de montanhas. Ela tem o porte de um cavalo, mas é muito mais resistente e inteligente”, concluiuThiago.