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Natura apresenta modelo próprio de carbono na Amazônia e estudo indica impacto socioeconômico positivo em comunidade fornecedora

Natura fortalece modelo de carbono na Amazônia e gera renda para comunidades em Rondônia
Natura fortalece modelo de carbono na Amazônia e gera renda para comunidades em Rondônia

Em um momento em que o mercado de carbono no Brasil ainda enfrenta desafios de estrutura e credibilidade, a Natura vem consolidando um modelo próprio de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) dentro da sua cadeia de valor na Amazônia. Desenvolvida junto à cooperativa RECA, em Rondônia, a iniciativa materializa a estratégia da companhia ao permitir que a própria comunidade gere créditos de carbono e receba diretamente os recursos, integrando conservação florestal, geração de renda e fortalecimento produtivo.

Parceira da Natura há mais de uma década e fornecedora de bioativos como cupuaçu e castanha-do-Brasil, a comunidade RECA tornou-se um exemplo concreto de como a empresa estrutura sua atuação climática no território. Diferentemente da compensação convencional por meio da compra de créditos de terceiros, o modelo adotado opera no formato de insetting – mecanismo em que a compensação ocorre dentro da própria cadeia produtiva, fortalecendo fornecedores estratégicos e ampliando a previsibilidade no longo prazo.

Um estudo concluído em 2025, em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), analisou os impactos socioeconômicos da iniciativa ao longo dos últimos anos e trouxe resultados que mostram associações positivas à participação no projeto por parte de fornecedores, sugerindo que o modelo gera externalidades estruturais positivas na comunidade. Entre os principais resultados, produtores participantes apresentam renda média anual 37% superior à de não participantes. Além disso, 25% dos filhos das famílias envolvidas estão no ensino superior, contra 4% no grupo de comparação. O levantamento também aponta maior capacidade de reserva financeira e acesso a lazer. O estudo foi realizado ao longo de seis meses.

“Optamos por estruturar um modelo de carbono que dialoga diretamente com nossa cadeia produtiva. O estudo reforça que é possível alinhar conservação da floresta, geração de renda e estratégia empresarial com impacto mensurável no território”, afirma Ângela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura.

Na prática

Para a companhia, o modelo representa mais do que compensação de emissões. Ao integrar a agenda climática à operação na Amazônia, a Natura busca aumentar a qualidade e a rastreabilidade dos créditos utilizados em sua estratégia de neutralização, ao mesmo tempo em que fortalece cadeias produtivas estratégicas e contribui para a resiliência das comunidades fornecedoras.

A iniciativa prevê repartição de benefícios entre pagamento individual às famílias e um fundo coletivo, cuja aplicação é definida pela própria cooperativa. Essa governança local tem permitido investimentos estruturantes e ampliado as oportunidades para as novas gerações no território, destacando o protagonismo comunitário.

A iniciativa integra o compromisso público da Natura de adquirir 50% dos créditos de carbono na Amazônia até 2030, combinando redução, compensação e fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade. O caso RECA demonstra que é possível estruturar uma estratégia de carbono que combine integridade ambiental, impacto social e retorno econômico, transformando conservação florestal em vetor simultâneo de desenvolvimento local e resiliência empresarial.

Parceria fortalece qualidade do café em Porto Velho

A programação contou com etapa teórica e visita técnica ao campo experimental de café da Embrapa
A programação contou com etapa teórica e visita técnica ao campo experimental de café da Embrapa

A união entre a Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), a Embrapa Rondônia e a Faperon/Senar seguem gerando resultados positivos para o setor produtivo rural de Porto Velho. Nesta semana, produtores de café participaram de uma reunião técnica no campo experimental da Embrapa, na capital, em mais uma etapa do Programa de qualidade do café, iniciativa construída em parceria pelas três instituições para fortalecer a cafeicultura local.

Participaram cafeicultores de Nova Califórnia, Vista Alegre do Abunã, Extrema, Assentamento Santa Rita, região da BR-319 e entorno da capital. Ao todo, dez produtores integram a primeira fase do projeto, que prevê o lançamento de edital em maio e a realização do Concurso de Qualidade do Café no segundo semestre de 2026.

Programação contou com etapa teórica
Programação contou com etapa teórica

A programação contou com etapa teórica e visita técnica ao campo experimental de café da Embrapa, onde os participantes conheceram de perto os trabalhos desenvolvidos na rede de avaliação de clones do Estado de Rondônia. Durante o encontro, também foi reforçada a importância das abelhas para a polinização das lavouras e para o aumento da produtividade e qualidade do café.

O café de Porto Velho tem potencial competitivo. Com orientação técnica, boas práticas e foco em qualidade, os produtores podem conquistar mercados
O café de Porto Velho tem potencial competitivo. Com orientação técnica, boas práticas e foco em qualidade, os produtores podem conquistar mercados

O pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Anastacio Alves, destacou que a parceria institucional amplia o alcance das tecnologias desenvolvidas no campo. “Quando Semagric, Embrapa e a Faperon/Senar trabalham juntas, conseguimos levar conhecimento, inovação e assistência técnica diretamente ao produtor rural, fortalecendo toda a cadeia produtiva do café”.

A produtora Marta Oliveira Luiz, da Linha do Pavão, no distrito de Jaci-Paraná, participou da atividade e afirmou que busca novos conhecimentos para melhorar sua produção
A produtora Marta Oliveira Luiz, da Linha do Pavão, no distrito de Jaci-Paraná, participou da atividade e afirmou que busca novos conhecimentos para melhorar sua produção

O secretário municipal de Agricultura, Douglas Bener, ressaltou que a gestão municipal tem buscado alianças estratégicas para valorizar o homem e a mulher do campo. “Essa parceria com a Embrapa e a Faperon/Senar mostra que, quando unimos forças, conseguimos oferecer capacitação, melhorar a produção e criar novas oportunidades de renda para nossos produtores”.

O Programa de Qualidade do café busca consolidar Porto Velho como referência regional na produção de cafés
O Programa de Qualidade do café busca consolidar Porto Velho como referência regional na produção de cafés

O prefeito Léo Moraes destacou o compromisso da administração municipal com o desenvolvimento rural sustentável. “Nosso objetivo é aproximar o produtor das instituições que possuem conhecimento técnico e capacidade de transformar a realidade no campo. Porto Velho tem grande potencial, e vamos seguir investindo em parcerias que fortaleçam a produção, gerem oportunidades e melhorem a vida de quem vive no campo”.

O analista de mercado da Faperon/Senar, Victor Andreoni, destacou a importância da qualificação para agregar valor ao produto local. “O café de Porto Velho tem potencial competitivo. Com orientação técnica, boas práticas e foco em qualidade, os produtores podem conquistar mercados mais valorizados e ampliar sua renda”, pontuou.

Marta afirmou que busca novos conhecimentos para melhorar sua produção
Marta afirmou que busca novos conhecimentos para melhorar sua produção

A produtora Marta Oliveira Luiz, da Linha do Pavão, no distrito de Jaci-Paraná, participou da atividade e afirmou que busca novos conhecimentos para melhorar sua produção. “Depois da Agrotec, despertou em mim a vontade de aprender mais sobre qualidade do café. Estou buscando conhecimento para produzir melhor e crescer”.

O Programa de Qualidade do café busca consolidar Porto Velho como referência regional na produção de cafés, unindo tecnologia, capacitação e valorização do produtor rural por meio da parceria entre Semagric, Embrapa e Faperon/Senar.

 

Texto: Jean Carla Costa
Edição: Secom
Foto: Jean Carla Costa/ Paulo Néri

Beber café todos os dias faz bem? Veja quem envelhece mais saudável

O hábito de beber café todos os dias faz bem? Essa é uma dúvida comum entre quem não abre mão de uma boa xícara pela manhã e também entre aqueles que evitam a bebida por medo de prejudicar a saúde. Estudos recentes trazem respostas importantes e mostram que o segredo não está em cortar totalmente o café, mas sim na forma como ele é consumido.

Pesquisas realizadas com milhares de pessoas ao longo dos anos indicam que o consumo moderado de café pode estar associado a um envelhecimento mais saudável e até ao aumento da longevidade. Ou seja, quem mantém o hábito de tomar café diariamente, dentro de limites adequados, pode colher benefícios importantes ao longo da vida.

O que dizem os estudos sobre o consumo de café

Diversas pesquisas científicas analisaram os efeitos do café no organismo humano, especialmente em adultos e idosos. Os resultados apontam que pessoas que consomem café regularmente apresentam menor risco de mortalidade em comparação com aquelas que não bebem a bebida.

Um dos pontos mais interessantes é que o horário do consumo também pode influenciar. Estudos sugerem que tomar café pela manhã está mais relacionado a benefícios à saúde do que consumir ao longo de todo o dia, principalmente à noite, quando pode afetar o sono.

Além disso, o café é rico em antioxidantes, substâncias que ajudam a combater os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento celular. Isso significa que o consumo moderado pode contribuir para manter o corpo funcionando melhor por mais tempo.

Quantidade ideal: nem excesso, nem restrição total

Quando o assunto é beber café todos os dias faz bem, a quantidade faz toda a diferença. Especialistas recomendam o consumo moderado, geralmente entre 1 e 3 xícaras por dia.

Dentro dessa faixa, os benefícios são mais evidentes, como:

  • Melhora da disposição e energia
  • Maior concentração
  • Possível proteção contra doenças crônicas
  • Contribuição para um envelhecimento mais ativo

Por outro lado, o excesso pode trazer efeitos negativos, como:

  • Insônia
  • Ansiedade
  • Aumento da pressão arterial
  • Irritabilidade

Por isso, o equilíbrio é fundamental. Nem abandonar completamente o café, nem exagerar no consumo.

Café e envelhecimento saudável

Um dos aspectos mais estudados atualmente é a relação entre o café e o envelhecimento saudável. Pesquisas indicam que pessoas que consomem café de forma equilibrada podem manter melhor a mobilidade, a força muscular e os níveis de energia com o passar dos anos.

Além disso, o café pode ajudar na proteção do cérebro, reduzindo o risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, segundo alguns estudos.

Outro ponto relevante é o impacto positivo no humor e na qualidade de vida, fatores essenciais para um envelhecimento saudável.

Café não faz milagres

Apesar dos benefícios, é importante deixar claro que o café sozinho não é responsável por garantir uma vida longa e saudável. Ele deve fazer parte de um conjunto de hábitos positivos.

Para envelhecer com qualidade, é essencial:

  • Ter uma alimentação equilibrada
  • Praticar atividades físicas regularmente
  • Dormir bem
  • Evitar o consumo excessivo de álcool
  • Não fumar

O café pode ser um aliado dentro desse estilo de vida, mas não substitui outros cuidados importantes.

Vale a pena beber café todos os dias?

A resposta para a pergunta beber café todos os dias faz bem é: sim, desde que com moderação. A ciência mostra que o consumo equilibrado pode trazer benefícios reais para a saúde e contribuir para um envelhecimento mais saudável.

Portanto, se você gosta de café, não há necessidade de cortar o hábito. Pelo contrário, quando consumido de forma consciente, ele pode fazer parte de uma rotina saudável e prazerosa.

No fim das contas, o segredo está no equilíbrio. Uma boa xícara de café pode ser mais do que um simples hábito — pode ser também uma aliada da sua saúde ao longo da vida.

Rebanho de suínos no Brasil deve atingir 53 milhões de cabeças até 2030

O número de cabeças de suínos no Brasil deve chegar até 53 milhões até 2030, segundo projeções da FGV (Fundação Getúlio Vargas), um crescimento de 10% frente ao número atual. 

Esse rebanho acompanha uma projeção da fundação que prevê crescimento de 11,2% do PIB e queda de 1,21% na inflação no período.

Segundo o pesquisador responsável pelo estudo “Futuro da pecuária de pequenos animais até 2030”, Cícero Zanetti, o crescimento na população de suínos acompanhará a demanda interna gerada pelo aumento de renda.

“Com o acréscimo de renda, você começa a trocar ou consumir mais proteína, principalmente para suínos e aves, e aí isso acaba demandando mais a produção”, explica o pesquisador. 

O estudo aponta que a maior parte dos rebanhos se concentrará na região Sul do país, que vai agregar cerca de 28,1 milhões de cabeças nos próximos cinco anos.

A FGV projeta também um aumento significativo, mas em menor escala, em centros “não tradicionais” de produção, como Roraima, que pode chegar a 247 mil suínos, que deverá registrar um crescimento de 222% frente a 2019, e Pernambuco, que deve dobrar o número de cabeças, totalizando 1,7 milhão de animais. “Essa diversificação tira o peso todo da produção do centro-sul”, destacou.

Sustentabilidade 

Apesar de ser menos poluente que a bovinocultura, a suinocultura é responsável pela emissão de grande quantidade de metano e  gases poluentes, o que irá aumentar proporcionalmente com o crescimento da população dos animais. 

Para Zanetti, o setor tem uma “janela de oportunidade” nos próximos anos para reaproveitar essas emissões, uma tendência pouco aproveitada atualmente. 

“Produtores podem, por exemplo, reutilizar o metano ou criar um novo mercado através da utilização do metano para biogás”, afirmou. 

Esta já é a realidade do suínocultor Alexandre Cerci. Com a produção de mais de 10.000 cabeças por ano na zona rural do Distrito Federal, Cerci preza pela sustentabilidade na criação dos animais.

Segundo o empresário, tudo que é produzido na fazenda é reaproveitado para criação de biofertilizantes e biogás.

Na avaliação do estudo da FGV, a tendência é que mais produtores sigam a postura de Cerci e privilegiem o reaproveitamento do esterco e do biometano, como forma de diversificação de renda para além do mercado de proteína e de autossuficiência nas fazendas.

Além do biogás, Zanetti projeta também maior uso de bioinsumos no setor, o que garante “digestão melhor, uma digestão mais rápida e emitam menos gases

 “O Brasil está ampliando a capacidade produtiva na pecuária de pequenos animais, mas essa expansão vem acompanhada de pressões ambientais crescentes”, destaca o estudo. 

Caprinos e ovinos

O estudo projeta um crescimento menos significativo no número de cabeças de caprinos e ovinos em 8,9%. De acordo com a pesquisa, o crescimento será menos expressivo devido ao menor interesse de consumo dessas proteínas. 

A produção deve continuar concentrada em estados do Nordeste, como  Piauí, Pernambuco, Bahia e Ceará.

O estudo projeta um crescimento significativo do número de cabeças na Bahia, podendo atingir cerca de 5,7 milhões de caprinos e 7,5 milhões de ovinos até 2030.

Crédito caro e cautela moldam Agrishow 2026, mas não devem frear negócios

O mercado de máquinas agrícolas já enfrentou crises de vendas e de aumento dos custos de produção no pós-pandemia. Neste ano, o cenário adverso é o macroeconômico: crédito difícil e pouco fluxo de caixa para produtores, principalmente de médio e pequeno porte. Mesmo assim, a cadeia de implementos e maquinários não está reticente e chega à trigésima primeira edição da Agrishow, em 2026 maior feira do segmento na América Latina com alternativas ‘úteis’, como aluguéis de curto prazo, equipamentos seminovos, consórcios e máquinas menores.

Por outro lado, os agricultores capitalizados devem mirar inovações mais robustas, como máquinas com IA, robôs e tecnologias de alta eficiência para a colheita da safra de verão, seguindo um planejamento anterior. Ao longo de cinco dias, o evento deve reunir mais de 197 mil visitantes, vindos de mais de 50 países, além de mais de 800 marcas expositoras em uma área de 520 mil metros quadrados. E, apesar do cenário monetário mais restritivo, fontes do setor estão otimistas.

As vendas de máquinas agrícolas no Brasil somaram 9.069 unidades no primeiro trimestre de 2026, considerando tratores e colheitadeiras no atacado, apontam dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). O resultado mostra uma aceleração clara ao longo do período: foram 2.061 unidades em janeiro, 2.892 em fevereiro e um salto para 4.116 em março o melhor mês do trimestre e praticamente o dobro do registrado no início do ano.

O desempenho foi puxado principalmente pelos tratores de rodas, que responderam por cerca de 95% das vendas no período, com 8.625 unidades comercializadas entre janeiro e março. O avanço mensal também é evidente nesse segmento, saindo de 1.890 unidades em janeiro para 3.993 em março. Já as colheitadeiras de grãos tiveram comportamento mais moderado, com 444 unidades no trimestre e leve recuo ao longo dos meses, o que pode indicar uma demanda mais concentrada em momentos específicos do ciclo agrícola.

Se comparado com o primeiro trimestre do ano passado, os números refletem uma queda de 16,6%, quando o setor havia registrado 10.875 máquinas, segundo dados da Anfavea. Na comparação com 2024, o nível atual também indica enfraquecimento da demanda. Há dois anos, o primeiro trimestre somou 9.220 unidades — patamar ligeiramente acima do registrado agora. O dado sugere que a recuperação observada em 2025 não se sustentou, interrompendo um movimento de recomposição após a forte contração vista em 2024, conforme levantamento da Anfavea.

O histórico recente evidencia a volatilidade do mercado. Em 2023, as vendas no primeiro trimestre haviam alcançado 15.073 unidades, um patamar elevado que acabou seguido por uma queda expressiva de 38,8% em 2024, refletindo o aperto nas condições de crédito, a alta dos juros e a piora na renda do produtor em algumas cadeias. Em 2025, houve reação de 17,9%, mas ainda insuficiente para retomar os níveis anteriores — e agora revertida novamente em 2026. Ainda assim, empresários não estão pessimistas e seguem investindo, de olho na feira como vitrine de negócios.

É o caso da Fendt, que irá apresentar um trator movido a etanol de milho, apostando no lançamento durante a feira. A empresa afirmou à reportagem que não interrompeu os investimentos, mesmo diante das adversidades macroeconômicas, e que espera negócios aquecidos, especialmente em automação e IA nas máquinas agrícolas, para atrair produtores aptos a incorporar esse tipo de tecnologia em suas operações.

A Agrishow deve funcionar como um termômetro para medir a disposição de investimento do produtor rural. A retração nas vendas indica um ambiente ainda cauteloso, em que as decisões de compra seguem condicionadas ao custo do crédito e às margens do agro. E os indicadores de eficiência serão o diferencial, como aponta Efraim Albrecht, diretor de operações da Agricef.

Para ele, os produtores brasileiros têm o ímpeto de contornar um cenário desafiador, marcado por juros altos e pela queda nos preços das commodities, por meio da busca por “tecnologias úteis”. No caso das grandes empresas, que trabalham com frotas, a decisão de investimento segue uma lógica estruturada de planejamento.

Nesse contexto, a compra de máquinas e a renovação de frota não são decisões pontuais. Elas fazem parte de uma estratégia definida com base no porte da operação, nas metas de produção e na necessidade de manutenção da eficiência no campo, destaca à CNN Agro. Mesmo diante de indicadores menos favoráveis, muitos produtores tendem a seguir esse planejamento. A avaliação leva em conta o ciclo do agronegócio, que alterna períodos de maior e menor rentabilidade, avalia Albrecht.

“Ao contrário do médio e do pequeno produtor, o grande consegue chegar à Agrishow em uma situação diferenciada, com acesso comercial a máquinas semelhante ao de grandes grupos empresariais”, aponta.

Por outro lado, o ambiente de maior pressão sobre custos e margens pode levar a ajustes. Em alguns casos, grupos agrícolas ou produtores de menor porte optam por revisar o orçamento e adiar despesas consideradas menos urgentes. Entre os itens que podem ser impactados está justamente a renovação de frota, que pode ser postergada para preservar o caixa.

Mesmo assim, o presidente da feira, João Carlos Marchesan, aposta na recomposição da demanda após um início de ano mais cauteloso, marcado pela incerteza da guerra no Oriente Médio. Para ele, a feira terá a função de “catalisar” novos negócios, além da renovação de frota, principalmente entre produtores de culturas como cana-de-açúcar, algodão e café, que tiveram ganhos recentes de renda com o câmbio, os preços das commodities e as exportações.

Nesse contexto, a Agrishow tende a consolidar essa dinâmica, com fabricantes apostando em maior volume de negociações e lançamentos voltados à eficiência operacional no campo, acrescenta Marchesan. O presidente também ressaltou que toda negociação tem como pano de fundo a geração de eficiência no campo para a segurança alimentar — elemento-chave nas parcerias do Brasil com os mercados externos. Ele acrescenta que o país ocupa uma posição privilegiada ao integrar tecnologia de ponta, escala produtiva e uma adaptação ágil às normas sanitárias internacionais e sustentáveis.

Em 2025, a feira fechou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios. Muitos acordos não foram concluídos durante a semana do evento, mas o valor inclui negociações iniciadas nos estandes das empresas. Na ocasião, o número foi 7% maior do que a movimentação de 2024.

Prefeitura reforça cadastro de produtores de mel em Porto Velho

A Prefeitura de Porto Velho intensificou o chamado para que produtores de mel realizem cadastro junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). A medida envolve apicultores, meliponicultores e criadores de abelhas e tem como objetivo fortalecer a cadeia produtiva no município.

O prefeito Léo Moraes lembrou que a iniciativa fortalece a economia rural. “Estamos organizando a produção para gerar mais renda e ampliar oportunidades no campo. O cadastro é fundamental para que possamos apoiar melhor os produtores e garantir o crescimento do setor com planejamento e eficiência”.

O cadastramento permite mapear a produção local, identificar demandas e direcionar ações de apoio, assistência técnica e fiscalização sanitária.

A produção de mel em Porto Velho se destaca pela qualidade, impulsionada pela diversidade da flora amazônica
A produção de mel em Porto Velho se destaca pela qualidade, impulsionada pela diversidade da flora amazônica

O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento (Semagric), Douglas Bener, comentou sobre a importância da regularização.

“Esse cadastro é essencial para planejar ações, ampliar o suporte técnico e atrair investimentos. Queremos fortalecer o setor e garantir mais oportunidades para os produtores”.

A Prefeitura mantém ações de incentivo à atividade, como treinamentos, oficinas, palestras e atendimento técnico, além de apoio logístico para a produção.

O gerente de assistência técnica da Semagric, Roseval Guzo, falou que o cadastro contribui para ampliar o alcance dessas ações. “Com as informações atualizadas, conseguimos direcionar melhor o atendimento e garantir que o produtor tenha acesso aos programas disponíveis”.

O procedimento é simples, gratuito e fundamental para o fortalecimento de toda a cadeia produtiva do mel no município
O procedimento é simples, gratuito e fundamental para o fortalecimento de toda a cadeia produtiva do mel no município

A produção de mel em Porto Velho se destaca pela qualidade, impulsionada pela diversidade da flora amazônica. A atividade tem potencial de crescimento e contribui para a geração de renda e preservação ambiental.

Chamado aos produtores

A Prefeitura de Porto Velho solicita que todos os produtores que ainda não estão regularizados procurem o Idaron e realizem seu cadastro.

O procedimento é simples, gratuito e fundamental para o fortalecimento de toda a cadeia produtiva do mel no município, contribuindo para o acesso a políticas públicas, assistência técnica e novas oportunidades de crescimento no setor.

 

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Arquivo Semagric

Preparativos para a 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional avançam no Centro Tecnológico Vandeci Rack

Os preparativos para a 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional (RRSI) já começaram no Centro Tecnológico Vandeci Rack, em Ji-Paraná. Promovida pelo governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), com o tema “Exportação e Desenvolvimento”, a Feira será realizada entre os dias 25 e 30 de maio.

Reconhecida como a maior feira do agronegócio da Região Norte, a Feira atrai visitantes, produtores rurais, empresários e investidores de diversos estados brasileiros. A preparação marca o início da contagem regressiva para o evento, que nesta edição busca superar os resultados alcançados em 2025, quando registrou público recorde de 446.238 visitantes e movimentou R$ 5,1 bilhões em volume de negócios.

A estrutura começa a ganhar forma com a atuação de equipes técnicas, montagem de estandes e organização dos espaços que receberão expositores, produtores rurais e visitantes durante o evento.

O titular da Seagri, Luiz Paulo, ressaltou o trabalho de organização e a expectativa para esta edição. “A montagem começou e cada detalhe está sendo preparado para oferecer uma estrutura moderna e eficiente. A expectativa é de mais uma grande edição, com recorde de público e volume de negócios”.

Com a estrutura em fase de montagem, o espaço avança para receber a programação da feira, reunindo expositores, produtores rurais, investidores e visitantes em um ambiente voltado à geração de negócios, troca de conhecimento e fortalecimento do agronegócio no estado.

Preços da soja caem no Brasil e encostam no menor nível em cinco anos

A cotação da soja no mercado brasileiro atingiu, em abril, o menor nível dos últimos cinco anos para este período, refletindo um cenário de ampla oferta global, demanda mais cautelosa e pressão cambial sobre os preços internos.

No primeiro dia útil do mês, a saca em Paranaguá era negociada a R$ 130,50, segundo levantamento da Scot Consultoria. Em 22 de abril, o preço recuou para R$ 127,50, uma queda de 2,3% no período. Na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, quando a cotação estava em R$ 137,00, a desvalorização chega a 6,9%. Tanto em termos nominais quanto considerando a inflação medida pelo IGP-DI, o valor atual marca o piso para o mês desde 2020.

O comportamento segue a lógica sazonal do mercado, já que abril costuma concentrar os menores preços do ano devido ao avanço da colheita. Ainda assim, a intensidade da queda em 2026 chama atenção. “A sazonalidade explica o movimento, mas não a magnitude. O que pesa neste momento é o excesso de oferta, tanto no Brasil quanto no cenário internacional”, avalia a Scot Consultoria.

No Brasil, a produção caminha para um novo recorde. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revisou em abril a estimativa para 179,2 milhões de toneladas, superando o volume da safra anterior. Esse aumento amplia a disponibilidade interna justamente no período em que a demanda não cresce na mesma proporção.

No mercado global, o quadro também é de abundância. Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicam estoques finais de 124,8 milhões de toneladas, o maior nível das últimas safras. Além disso, nos Estados Unidos, a relação de preços mais favorável à soja tem incentivado produtores a migrarem área do milho para a oleaginosa, o que reforça a perspectiva de oferta elevada nos próximos ciclos.

Do lado da demanda, o principal ponto de atenção é a China, maior comprador da soja brasileira, que reduziu sua participação nas exportações. Em março de 2025, respondeu por 75,9% dos embarques. Em março de 2026, esse percentual caiu para 68,7%. A mudança reflete a retomada das compras de soja dos Estados Unidos e um nível de estoques mais confortável no mercado chinês.

“A China segue como principal destino, mas comprando de forma mais distribuída e com maior poder de barganha”, afirma o Head de Commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal. “Isso reduz os prêmios de exportação e acaba pressionando diretamente os preços no Brasil.”

Outro fator que tem influenciado o mercado é a valorização do real frente ao dólar nas últimas semanas. Como a soja é uma commodity cotada em moeda americana, a queda do dólar tende a reduzir os preços internos. Ao mesmo tempo, as cotações na Bolsa de Chicago seguem acima do registrado no ano passado, mas sem força suficiente para compensar os demais fatores de pressão.

Na avaliação de analistas, o mercado entra agora em uma fase de transição. Com o fim da colheita se aproximando, a tendência sazonal é de redução da oferta disponível no curto prazo, o que pode trazer algum suporte às cotações. Ainda assim, o espaço para recuperação deve ser limitado.

“O mercado pode encontrar um piso com a entrada na entressafra, mas dificilmente veremos uma reação mais forte enquanto o balanço global seguir confortável”, apontam pesquisadores.

Mesmo com o aumento da concorrência internacional, a soja brasileira mantém competitividade. Segundo Leal, o produto nacional continua bem posicionado no comércio global, mesmo com a China ampliando compras de soja da Argentina, que disputa espaço com a soja norte-americana.

Governo deve aumentar mistura de etanol na gasolina para 32%

O governo deve aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, o chamado E32. A proposta será levada ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) na próxima reunião, prevista para o início de maio.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (24) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante evento da safra de açúcar e etanol em Uberaba (MG).

A medida amplia o percentual atual de 30% e faz parte da estratégia do governo de ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir a dependência externa de combustíveis fósseis.

“No dia 7 faremos o CNPE, eu submeterei ao CNPE a proposta de nós aumentarmos para E32. Já estão aprovados os testes que vão de 28% a 32%. Isso é uma nova economy gerando emprego e renda”, disse.

Segundo o ministro, a mudança pode levar o Brasil à autossuficiência em gasolina, reduzindo a necessidade de importações.

“Com o E32 nós nos tornamos autossuficientes na gasolina, dando tranquilidade de suprimento, mas principalmente e fundamentalmente fazendo uma indústria virtuosa da economia mineira e da economia nacional”, afirmou.

O ministro também afirmou que a medida pode ter impacto direto no preço ao consumidor.

“Além de mais barata, é muito importante destacar que com o E32 nós nos tornamos autossuficientes na gasolina”, declarou.

Silveira também buscou afastar dúvidas sobre impactos nos veículos, afirmando que a frota brasileira está preparada para níveis mais elevados de mistura.

“Nenhuma, muito pelo contrário. Os nossos motores são resilientes. Nenhum outro país do mundo construiu com tanta proeminência, de forma tão tecnológica, os veículos flex”, disse.

A proposta também é defendida pelo governo como parte da estratégia de descarbonização.

“Impacto ambiental positivo. É uma medida que vai de encontro com a transição energética, com a sustentabilidade e com a nossa vocação de produção”, afirmou.

Ao tratar do cenário mais amplo de combustíveis, o ministro também citou o diesel como ponto de atenção.

“Precisamos caminharmos, passando a sermos autossuficientes no refino de diesel, não precisar importar para a gente ter o preço de competitividade interna e não depender de importação de diesel”, disse.

Porteira Adentro fortalece a produção rural

Assim que o dia amanhece o agricultor familiar Josilei Bezerra da Silva já está na lavoura, acompanhando de perto o desenvolvimento dos cinco mil pés de mandioca plantados há cinco meses em sua propriedade, no assentamento Joana Darc, zona rural de Porto Velho. A área, de dois hectares, foi preparada com apoio do Programa Porteira Adentro, iniciativa da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagric) que tem transformado a realidade de produtores rurais no município.

“Pra nós foi uma bênção. Foi a ajuda da prefeitura mesmo. Sem isso, seria muito mais difícil”, conta Josilei.

A expectativa é colher a mandioca em cerca de 15 meses e transformar a produção em aproximadamente 60 sacas de farinha, que já têm destino certo no mercado local. Cada saca de 50 quilos pode ser vendida por cerca de R$ 400, garantindo renda à família, que conta com o apoio do neto e da esposa no trabalho diário.

O Programa Porteira Adentro, instituído pela Lei nº 2.545/2018 e regulamentado em 2025, oferece serviços de mecanização e infraestrutura dentro das propriedades rurais, como preparo de solo, gradagem e correção de áreas produtivas. Coordenado pelo Departamento de Desenvolvimento Rural e Técnicas Agrícolas (DDRTA), o programa já contabiliza hectares mecanizados e mais de 279 horas de serviços prestados, atendendo culturas como mandioca, café e pastagens.

De acordo com o diretor do DDRTA da Semagric, Paulo Néri, a iniciativa vai além do apoio técnico. “Nosso objetivo é garantir que o produtor tenha condições de produzir com qualidade, aumentar sua produtividade e, principalmente, gerar renda dentro da sua propriedade”.

O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, reforça que o fortalecimento da agricultura familiar é uma das prioridades da gestão. “Desde o início, temos investido em políticas públicas que chegam de fato ao produtor rural. O Porteira Adentro é um exemplo claro de como o poder público pode fazer a diferença na vida de quem produz”.

Ao aproximar o poder público da realidade do campo, programas como o Porteira Adentro mostram, na prática, a importância das políticas públicas bem estruturadas. Mais do que preparar o solo, a iniciativa planta oportunidades, colhe desenvolvimento e fortalece a base da economia rural em Porto Velho.

 

Texto: Jean Carla Costa
Edição: Secom
Foto: Jean Carla Costa