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Mercosul‑UE: especialista aponta oportunidades e limites do acordo para o Agro brasileiro

Colheita da soja 2025/26 começa com expectativa de boa produtividade

A colheita da soja da safra 2025/26 começou nas últimas semanas em áreas do norte de Mato Grosso e do oeste do Paraná. Nesse início de trabalhos, a expectativa dos produtores é de boa produtividade.

Segundo pesquisadores do Cepea, as condições climáticas permanecem predominantemente favoráveis nas principais regiões produtoras do País. Esse cenário reforça o otimismo em relação a uma possível safra recorde no Brasil.

Apesar disso, o mercado doméstico segue com baixa liquidez neste começo de ano. Os produtores permanecem retraídos nas vendas no mercado spot, o que tem contribuído para a pressão sobre as cotações da oleaginosa.

No comércio exterior, os embarques seguem em ritmo acelerado. Dados da Secex mostram que o Brasil exportou 3,38 milhões de toneladas de soja em dezembro de 2025, volume 59,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2024.

Esse avanço está relacionado, principalmente, ao maior apetite da China. Apenas em dezembro, o país asiático absorveu 2,6 milhões de toneladas da soja brasileira, alta de 83,8% na comparação anual.

No acumulado de 2025, as exportações brasileiras atingiram um recorde de 108,18 milhões de toneladas, superando as 106,97 milhões de toneladas estimadas pela Conab no relatório divulgado em dezembro.

 

 

Abate de bovinos em 2025 registra recorde e consolida Rondônia como potência na produção de proteína animal

O abate de bovinos em Rondônia alcançou um novo recorde em 2025, consolidando o estado como um dos principais polos de produção de proteína animal do país. Os dados computados pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado (Idaron) mostram que o número de animais abatidos passou de 2,5 milhões, em 2018, para cerca de 3,5 milhões em 2025, evidenciando um crescimento expressivo ao longo dos últimos anos.

Os números confirmam a robustez da produção nos frigoríficos rondonienses, com incremento contínuo, especialmente a partir de 2023, quando o volume anual de abates superou a marca de 3 milhões de cabeças.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o desempenho do setor é resultado direto do fortalecimento da pecuária estadual, impulsionado por investimentos privados em infraestrutura e tecnologia, aliados às ações de fiscalização e controle sanitário realizadas pela Idaron e ao firme compromisso do produtor rural em cumprir todas as normas sanitárias.

Um dos marcos para a ampliação dos abates foi a adesão de Rondônia ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), que integra o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa). O sistema padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção em todo o país, assegurando a inocuidade e a segurança alimentar dos produtos de origem animal.

A principal vantagem para os estabelecimentos vinculados ao SISBI é a possibilidade de comercializar seus produtos em todo o território nacional — condição que não se aplicava aos serviços de inspeção estadual e municipal (SIE e SIM). “Com essa maior abrangência de mercado, os frigoríficos ampliaram os abates, o que também resultou em ganhos para o produtor rural”, avalia o presidente da Idaron, Julio Cesar Rocha Peres.

Rebanho

Dados da declaração de rebanhos, finalizada em novembro e consolidados pela Idaron neste mês de janeiro, após um criterioso sistema de validação, indicam uma redução no tamanho total do rebanho bovino no estado, que passou de 18,1 milhões para 17 milhões de cabeças. A variação é considerada sazonal e está associada à maior abertura de mercado e ao aumento do número de abates.

As informações, já disponíveis no site da Idaron, mostram ainda que o rebanho rondoniense está distribuído em cerca de 113,7 mil propriedades rurais. A maior parte dos animais é composta por fêmeas, que somam pouco mais de 10,19 milhões de cabeças. O rebanho destinado à produção leiteira alcança 2,2 milhões de animais, com maior concentração nos municípios de Machadinho d’Oeste (149.679), Jaru (128.352) e Porto Velho (123.546).

Em relação aos bubalinos, Rondônia registra um efetivo de aproximadamente 6,9 mil cabeças. Os principais municípios criadores são Porto Velho, com 711 animais, seguido por Colorado do Oeste (542) e Ouro Preto do Oeste (515).

Carne suína perde força no início de 2026: consumo menor e preços em leve queda marcam o setor

Após o período de festas, o mercado de carne suína inicia 2026 com menor dinamismo. Segundo análise da Safras & Mercado, os preços da proteína registraram estabilidade na primeira semana do ano, tanto no quilo vivo quanto nos principais cortes comercializados no atacado.

O analista Fernando Iglesias explica que a demanda naturalmente perde força no primeiro trimestre, um movimento oposto ao da carne de frango, que tende a ganhar espaço no consumo doméstico.

“A carne suína sofre com a descapitalização da população e com as altas temperaturas, que desestimulam o consumo da proteína in natura”, afirma Iglesias.

Mudança no perfil de consumo

Com a retração da demanda por cortes frescos, a tendência é que o consumo se concentre em embutidos, como presunto, mortadela, linguiça e salsicha, produtos que mantêm estabilidade mesmo em períodos de menor procura por carne fresca.

De acordo com o analista, esse padrão deve se manter ao longo do primeiro trimestre de 2026, refletindo o comportamento sazonal do mercado brasileiro.

Preços recuam levemente em várias regiões

O levantamento da Safras & Mercado mostra que o preço médio nacional do quilo do suíno vivo caiu de R$ 8,00 para R$ 7,92 na semana. No atacado, o pernil ficou em R$ 13,14 e a carcaça suína teve média de R$ 12,37.

Entre os estados, o comportamento dos preços foi de leve retração ou estabilidade:

  • São Paulo: arroba caiu de R$ 170,00 para R$ 167,00;
  • Rio Grande do Sul: integração estável em R$ 6,75 e queda no interior de R$ 8,59 para R$ 8,50;
  • Santa Catarina: integração em R$ 6,70 e interior em queda para R$ 8,40;
  • Paraná: leve baixa para R$ 8,35 no mercado livre;
  • Mato Grosso do Sul: estabilidade em R$ 8,00 (Campo Grande) e R$ 6,70 (integração);
  • Goiás e Minas Gerais: sem alterações, com preços entre R$ 8,20 e R$ 8,70;
  • Mato Grosso: quilo vivo em Rondonópolis mantido em R$ 8,00.

Esses resultados refletem um período de ajuste pós-festas, com oferta e demanda buscando novo equilíbrio.

Exportações seguem em alta e sustentam o setor

Apesar do cenário doméstico de menor consumo, o mercado externo continua sendo um importante fator de sustentação para a suinocultura brasileira.

Em dezembro de 2025, o Brasil exportou 118,6 mil toneladas de carne suína “in natura”, movimentando US$ 300,7 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

As médias diárias registraram aumento de 25,6% em volume e 25,9% em valor em comparação a dezembro de 2024, com preço médio de US$ 2.535,20 por tonelada.

Esses números confirmam o fortalecimento das vendas externas, especialmente para mercados asiáticos, que seguem como os principais destinos da proteína brasileira.

Perspectiva para o primeiro trimestre de 2026

A expectativa é de que o setor atravesse um período de menor rentabilidade nos primeiros meses de 2026, antes de uma possível recuperação gradual a partir do segundo trimestre, com o retorno de temperaturas mais amenas e recomposição da demanda interna.

Enquanto isso, o desempenho nas exportações deve continuar sendo o principal motor de estabilidade para os produtores brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Mercado do boi gordo inicia semana com preços estáveis

O mercado do boi gordo iniciou a semana com estabilidade nas cotações em São Paulo, conforme análise divulgada na segunda-feira (12) pelo informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria. Segundo o relatório, o cenário observado no fechamento da semana anterior foi mantido, com poucas movimentações ao longo do dia.

De acordo com a Scot Consultoria, “os frigoríficos aguardam para avaliar a saída de carne no fim de semana”, o que contribuiu para a manutenção dos preços do boi gordo. O informativo aponta ainda que as ofertas disponíveis são consideradas suficientes para atender à demanda atual do mercado.

As escalas de abate no estado paulista estavam, em média, programadas para nove dias, indicando equilíbrio entre oferta de animais e necessidade das indústrias. No Espírito Santo, o cenário é semelhante, com volume de ofertas adequado para atender à demanda e escalas de abate em torno de uma semana.

Ainda segundo a análise, houve ajuste positivo na cotação do chamado “boi China” no Espírito Santo, que registrou alta de R$ 2,00 por arroba no período avaliado.

No atacado de carne com osso, o informativo destaca que o bom desempenho das vendas no varejo no primeiro decênio de janeiro sustentou os pedidos de reposição de estoques. A Scot Consultoria afirma que as vendas ficaram “acima do esperado para um período que tradicionalmente apresenta menor movimento”, em função de despesas sazonais como IPTU, IPVA e gastos escolares. Esse cenário permitiu ajustes positivos nos preços praticados pela indústria.

A carcaça casada do boi capão apresentou valorização de 2,3%, com acréscimo de R$ 0,50 por quilo, enquanto a do boi inteiro subiu 2,6%, equivalente a R$ 0,55 por quilo. Entre as fêmeas, a carcaça casada da vaca teve aumento de 2,5%, ou R$ 0,50 por quilo, e a da novilha avançou 1,7%, com alta de R$ 0,35 por quilo.

Em sentido oposto, o mercado de carnes alternativas registrou queda nas cotações. O frango médio recuou 3,9%, com redução de R$ 0,28 por quilo, enquanto o suíno especial apresentou baixa de 5,3%, equivalente a R$ 0,70 por quilo.

Exportações brasileiras de grãos devem bater novo recorde em 2026 com foco em soja e milho

A safra brasileira de grãos 2025/26 está estimada em 354,8 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). A soja responde por quase metade do volume total, com 177,1 milhões de toneladas previstas.

O plantio do grão já está praticamente finalizado, com 98,2% da área semeada até a primeira semana de janeiro. Estados como Mato Grosso e Paraná iniciaram a colheita, com 0,1% e 1% das lavouras colhidas, respectivamente. À medida que a colheita avança, novas revisões de produtividade e volume total devem ser realizadas.

Exportações de soja: 2025 fecha com recorde histórico e 2026 deve superar marca

Em 2025, o Brasil exportou 108,7 milhões de toneladas de soja, superando o recorde anterior de 2023 (101,3 milhões). Desse total, 80% — cerca de 87,1 milhões de toneladas — tiveram como destino a China, principal compradora da oleaginosa brasileira.

Outros destinos importantes foram Espanha (3,7 milhões de t), Tailândia (3,2 milhões de t) e diversos países que, juntos, somaram 14,7 milhões de toneladas. As exportações renderam US$ 43,5 bilhões ao país em 2025.

Para 2026, a expectativa é que as exportações alcancem 110 milhões de toneladas, impulsionadas pelo início da nova temporada de embarques a partir de fevereiro.

Milho: produtividade menor, mas exportações seguem firmes

A produção de milho para a safra 2025/26 é estimada em 138,9 milhões de toneladas, uma leve queda na produtividade — cerca de 5% inferior à anterior —, apesar do aumento de área plantada para 22,7 milhões de hectares.

O plantio da primeira safra atingiu 88,3% até o início de janeiro, concentrando-se na região Sul, enquanto o cultivo da segunda safra deve começar ainda neste mês.

Em 2025, o Brasil exportou 41,8 milhões de toneladas de milho, gerando US$ 8,6 bilhões. Os principais compradores foram Irã (9,5 milhões de t), Egito (7,6 milhões de t) e Vietnã (4,4 milhões de t), além de outros mercados menores que somaram 20,3 milhões de toneladas.

O Arco Norte manteve protagonismo logístico, sendo responsável por 52,1% das exportações, enquanto Santos respondeu por 47,9%.

Acordo Mercosul-União Europeia pode impulsionar competitividade brasileira

A expectativa de formalização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia ainda nesta semana deve gerar impactos positivos para o agronegócio brasileiro.

Embora as exportações de soja, farelo e milho já não enfrentem tarifas, o tratado deve ampliar a previsibilidade e reduzir custos, fortalecendo a competitividade dos produtos nacionais no bloco europeu.

Fatores como preços, sazonalidade, logística e adequação à EUDR (Lei Antidesmatamento da UE) devem influenciar as compras ao longo do ano.

China e Estados Unidos: dinâmica comercial segue afetando o mercado da soja

No cenário global, a China deverá adquirir cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos nesta temporada e 25 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos, conforme acordos recentes.

Essa movimentação tende a influenciar os prêmios de exportação no Brasil, especialmente no início da janela de embarques nacionais.

Ainda assim, o Brasil deve manter sua liderança, com pelo menos 70% das exportações de soja destinadas à China, o que representa cerca de 77 milhões de toneladas em 2026.

2025: ano de desafios geopolíticos e consolidação do Brasil como potência agrícola

O ano de 2025 foi marcado por tensões internacionais, mas o Brasil consolidou sua posição como principal fornecedor de soja à China, responsável por aproximadamente 80% das importações chinesas, totalizando 87 milhões de toneladas.

A expectativa é que essa liderança se mantenha em 2026, com a qualidade e competitividade da soja brasileira garantindo espaço frente a outros exportadores globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fazenda-laboratório de agricultura digital colhe safra recorde de soja em Mato Grosso

Produção recorde de soja, com 14.054 toneladas, média de 75 sacas por hectare e redução de custos de R$ 1 milhão na safra 2024/25. Esse foi o resultado anunciado nesta segunda-feira (12/1) da parceria Case IH-TIM na Fazenda Conectada, propriedade de 3 mil hectares localizada em Água Boa, em Mato Grosso, que recebeu em 2021 o projeto 4G TIM no Campo, que reuniu todas as soluções avançadas da Case IH e transformou a fazenda de produção de grãos em um laboratório de agricultura digital.

Os resultados tornaram a fazenda 19% mais produtiva do que a região em que ela está e 27% mais produtiva do que a média brasileira na última safra, segundo dados da Conab.

“A Fazenda Conectada é um laboratório vivo de inovação e produtividade. Esse bom desempenho é resultado de um conjunto de fatores como boas práticas de manejo, tomada de decisão orientada pela gestão de dados, capacitação de pessoas e uso de tecnologias de ponta, que vão desde o preparo do solo até a colheita”, disse em nota Leandro Conde, diretor de Marketing e Comunicação da Case IH para América Latina.

Além dos resultados agronômicos, o projeto evoluiu para um modelo com práticas de agricultura regenerativa, com integração de tecnologias que restauram o solo, reduzem emissões e aumentam a eficiência operacional.

Para essa última safra, a Fazenda Conectada Case IH recebeu novas tecnologias em todas as etapas do ciclo produtivo, como o XactPlanting, que fornece plantio inteligente com controle individualizado; FieldXplorer, que faz o mapeamento e monitoramento por imagem aérea; e o FarmXtend, estação meteorológica que fornece dados localizados em tempo real.

A economia de R$ 1 milhão foi resultado da redução de 7% dos custos por hectare na comparação com o início do projeto, com impacto significativo em redução de insumos com uso de tecnologia e tomada de decisão baseada em dados gerados em tempo real.

Houve, entre outras medidas, redimensionamento da frota, com redução de um trator e uma plantadeira, e aumento de 25% na média de área colhida por dia, reduzindo em oito dias a janela de colheita.

Isso garantiu uma economia de 32% no consumo de combustível graças ao acompanhamento em tempo real de toda a frota que proporcionou redução do tempo de motor ocioso e melhor uso do maquinário.

Numa comparação das emissões de carbono associadas ao consumo de combustível e ao uso de agrodefensivos entre as safras 2023/24 e 2024/25, observou-se uma redução de 23,6% de toneladas de CO₂e por saca de soja.

Segundo Alexandre Dal Forno, Diretor de IoT e 5G da TIM, o resultado reforça o papel estratégico da conectividade no ganho de eficiência e produtividade do campo.

“O 4G habilita a transformação digital no agronegócio, permitindo a criação de um ecossistema que potencializa cada etapa do ciclo produtivo.”

“A conectividade não é custo, mas um investimento fundamental para a digitalização do agronegócio brasileiro”.

Para os próximos ciclos, estão previstos, entre outras, a implantação de novas tecnologias, como os drones de aplicação e a pulverização seletiva SaveFarm.

O estudo é conduzido pela Agricef em parceria com a Unicamp, e tem como foco avaliar os impactos da conectividade e da tecnologia na eficiência operacional, sustentabilidade e viabilidade econômica da produção agrícola.

Beneficiários com NIS final 3 recebem Auxílio Gás nesta sexta-feira

Beneficiários inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) com Número de Inscrição Social (NIS) de final 3 recebem nesta sexta-feira (12) o Auxílio Gás de dezembro no valor de R$ 110.

Com duração prevista até o fim de 2026, o programa beneficia 4,4 milhões de famílias este mês. Com a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, no fim de 2022, o benefício foi mantido em 100% do preço médio do botijão de 13 kg.

O valor é pago a cada dois meses e segue o calendário do Bolsa Família, com pagamentos até 23 de dezembro para beneficiários com NIS final 0.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

Gás do povo

Em setembro, o governo federal lançou o programa Gás do Povo  que vai gradualmente substituir o Auxílio Gás.

Em vez do benefício em dinheiro, as famílias vão retirar a recarga do botijão de gás em revendedoras credenciadas.

O novo programa pretende triplicar o número de favorecidos, alcançando cerca de 15 milhões de famílias. No fim de novembro, o Gás do Povo começou a ser distribuído a um milhão de famílias nas seguintes capitais: Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Natal, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Teresina.

Mutirões de catarata voltam a Rondônia e reacendem debate sobre riscos à saúde pública em ano pré-eleitoral

O retorno dos mutirões de cirurgia de catarata em Rondônia, que terá início em Ariquemes, mas querem levar para os demais municípios do Estado. Este programa é uma ação do Governo Federal com apoio de lideranças municipais e membros da bancada federal, que reacende um debate que o estado conhece bem e que deixou marcas recentes. Trata-se de um modelo já questionado técnica e eticamente, especialmente após os graves episódios registrados em 2022.

Naquele ano, um mutirão oftalmológico realizado em Porto Velho resultou em um surto de infecção ocular grave (endoftalmite) em dezenas de pacientes, fato confirmado pelo Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero) e amplamente repercutido pela imprensa nacional e internacional. O episódio expôs falhas críticas no modelo, como alto volume de cirurgias em curto período, fragilidade nos protocolos sanitários e dificuldade de acompanhamento pós-operatório fatores incompatíveis com a segurança exigida em cirurgias intraoculares.

Apesar desse histórico recente, com mais de 40 pessoas cegas, a estratégia volta a ser adotada às vésperas de um novo ciclo eleitoral. Para especialistas, o formato evidencia ações pontuais com forte apelo político, que priorizam impacto imediato e visibilidade, em detrimento de políticas públicas estruturantes, contínuas e integradas à rede local de saúde.

Esse modelo contrasta com o caminho iniciado pelo Governo do Estado de Rondônia, que em 2024 implantou um programa estadual de saúde oftalmológica, baseado em linha de cuidado contínua e valorização de profissionais locais. Embora o programa enfrente limitações financeiras, representa uma política de Estado. Diante disso, especialistas questionam por que a bancada federal não atua de forma coordenada, garantindo recursos e sustentabilidade ao que já está em funcionamento, optando, ao invés disso, por novas ações paralelas e itinerantes.

O risco associado a esse tipo de iniciativa é reconhecido pelas próprias autoridades sanitárias. Tanto que o Ministério da Saúde, por meio da Anvisa, publicou nota técnica específica para disciplinar e restringir a realização de cirurgias oftalmológicas em estruturas móveis, como carretas, diante do elevado risco sanitário quando não há controle rigoroso de ambiente, esterilização, fluxo cirúrgico e acompanhamento clínico adequado.

A repetição desse modelo em ano pré-eleitoral reforça um problema recorrente: tratar saúde pública como ferramenta de campanha. Catarata não se resolve com ações episódicas. Resolve-se com planejamento, financiamento contínuo, valorização dos profissionais do estado e segurança para a população.

Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero)
Confirmou surto de endoftalmite após mutirão de cirurgias oftalmológicas em 2022.

Identificou falhas em protocolos sanitários e no acompanhamento pós-operatório.
Alertou para risco real de perda visual definitiva em pacientes afetados.

Ministério da Saúde / Anvisa
Publicou nota técnica alertando para os altos riscos de cirurgias oftalmológicas em unidades móveis (carretas).
Destacou a necessidade de ambiente controlado, esterilização rigorosa, equipe fixa e rastreabilidade dos pacientes.
Reforçou que cirurgias intraoculares exigem estrutura equivalente à de centros cirúrgicos regulares.

Semagric participa de oficina sobre boas práticas no manejo das seringueiras

Semagric fortalece o extrativismo sustentável em Rondônia
Semagric fortalece o extrativismo sustentável em Rondônia

A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric) participou ativamente da Oficina de Boas Práticas de Manejo da Seringueira e Produção da Borracha, realizada entre 2 e 4 de dezembro no Centro de Formação Kanindé, na Estrada da Areia Branca. O evento reuniu extrativistas de várias regiões do estado e contou com parceria da Kanindé Etnoambiental, Organização dos Seringueiros de Rondônia, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) e Ministério Público Federal (MPF).

Participantes receberam orientações práticas sobre manejo seguro do terçado e da roçadeira
Participantes receberam orientações práticas sobre manejo seguro do terçado e da roçadeira

Durante as atividades, os participantes receberam orientações práticas sobre manejo seguro do terçado e da roçadeira, identificação das árvores aptas para sangria e protocolos atualizados de coleta e processamento do látex. A Semagric contribuiu com uma apresentação sobre meliponicultura, conduzida pelo gerente de Assistência Técnica, Roseval Guzo, que destacou a importância das abelhas sem ferrão para a saúde dos seringais. “Quando fortalecemos quem vive da floresta, protegemos a própria floresta. Esse é o compromisso da Semagric”, afirmou.

O secretário da Semagric Rodrigo Ribeiro, reforçou a importância da presença do município na capacitação. “A floresta só continua de pé quando quem vive dela recebe apoio técnico e reconhecimento. A borracha faz parte da nossa história. Estar aqui é valorizar o extrativista e manter viva essa tradição amazônica”, declarou.

A historiadora e fundadora da Kanindé, Neidinha Suruí, ressaltou o significado cultural da iniciativa. “A borracha não é só economia, é memória. E este encontro resgata essa história”, disse.

O secretário Vinicius Miguel destacou o potencial econômico da cadeia. “Rondônia tem condições de se tornar referência em látex de qualidade. Tudo começa com capacitação”.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Roseval Guzo