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Rondônia: Sanidade na piscicultura será discutida em três seminários nas regiões mais produtoras

O governo do Estado de Rondônia realizará na próxima semana o primeiro Seminário Peixe Saudável. Trata-se de uma sequência de eventos em três municípios do estado, abrangendo as principais regiões produtoras de peixe do estado. Neles, produtores, técnicos e estudantes terão a oportunidade de atualização da técnica sobre as boas práticas no manejo sanitário preventivo na produção de peixes.

Assuntos, como o Gerenciamento Aquícola, Avaliação Sanitária em Tambaqui, Projeto Acanthocéfalos na Criação de Tambaqui, Peixes e Ações para Desenvolvimento da Piscicultura em Rondônia, entre outros, serão abordados durante palestras. Todos os Seminários Peixe Saudável iniciam às 8h. A entrada é gratuita e a inscrição é feita no local do evento.

O primeiro evento será em Ariquemes, na quarta-feira, das 8h às 18h, no auditório da Associação Comercial e Industrial (Acia). Na quinta-feira (9), no mesmo horário, acontecerá em Ji-Paraná, no Centro de Treinamento da Emater-RO (Centrer). Por fim, o evento acontecerá em Pimenta Bueno, no dia 10, na Câmara Municipal.

Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Evandro Padovani, a não observância às questões de sanidade da piscicultura no estado representa riscos para a atividade no campo, na indústria e no comércio. “O seminário promoverá a divulgação de informações e técnicas que juntas poderão atestar uma produção responsável do ponto de vista sanitário, assegurando maior retorno ao produtor e garantindo um produto saudável na mesa do consumidor”, explicou Padovani.

PRODUÇÃO

Rondônia é o maior produtor de peixes nativos da bacia amazônica, segundo o relatório de “Produção da Pecuária Municipal de 2015”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatista (IBGE). Em 2015 foram produzidas mais de 84 mil toneladas. Hoje são exportados tambaqui, pirarucu e pintado para mais de 17 estados, entre eles Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, São Paulo, Tocantins, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

O sólido desenvolvimento dos polos produtivos e industriais de Rondônia depende da adoção pelos produtores de protocolos sanitários que assegurem a qualidade do peixe, o escoamento da produção e o incremento dos lucros, conforme destacou o superintendente de Desenvolvimento, Leandro Basílio.

PROGRAMAÇÃO

8h – 9h – Recepção e credenciamento.

9h – 9h30- Abertura e fala de autoridades.

9h30 – 10h10 – Palestra 1 – Programa de Gerenciamento Aquícola – Jackson Pinelli – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

10h10 – 10h30 – Intervalo

10h30 – 11h10 – Palestra 2 – Acanthocefalose em peixes redondos – Ana Lúcia Gomes – Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

11h10 – 12h – Palestra 3 – Avaliação Sanitária em Tambaqui (Colossoma macropomum) na região central do estado de Rondônia – Fundação Universidade Federal de Rondônia (Unir).

12h – 14h – Intervalo para o almoço.

14h – 14h40 – Palestra 4 – Atuação e projetos da Embrapa Pesca e Aquicultura – Patrícia Oliveira Maciel.

14h40 – 15h30 – Palestra 5 – Projeto Acanthocéfalos na criação de tambaqui (Colossoma macropomum): Avanços e perspectivas. Edsandra Campos Chagas – Embrapa Amazônia Ocidental.

15h30 – 16h – Intervalo

16h – 16h40 – Palestra 6 – Ações do governo do estado de Rondônia para o desenvolvimento da piscicultura – GT da Piscicultura do estado de Rondônia.

16h40 – 18h – Debate – Encerramento

Fonte

Texto: Dhiony Costa e Silva

Fotos: Irene Mendes – Emater

Secom – Governo de Rondônia

 

 

Rondônia mantém liderança da produção de peixe em água doce e deve alcançar 250 mil toneladas até 2018

De um estado pouco expressivo na piscicultura, Rondônia alcançou a liderança na produção de peixe em água doce. Segundo a gerente de Pesca e Aquicultura da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Marli Lustosa, foram mais de 87 mil toneladas produzidas em 2016 e a projeção para 2017 é que chegue a 150 mil toneladas.

O que de acordo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mantém Rondônia desde 2014 na liderança na produção de peixe em água doce no país,   seguido do Paraná, com 69.2 mil toneladas; e do Mato Grosso, com 47.4 mil toneladas.

Mas o governador Confúcio Moura quer mais. ‘‘A meta é chegar a 250 mil toneladas até o final do mandato dele, em 2018’’, afirmou a gerente.

E se depender do interesse dos produtores, o setor continuará em alta no estado. ‘‘Não param de crescer as solicitações para licenciamento de novos empreendimentos da atividade de piscicultura e são os médios produtores, aqueles com área de 10 até 50 hectares, que têm demostrado maior interesse’’, disse Marli.

Para a gerente, política de incentivo do estado e o clima amazônico têm colocado a piscicultura em outro patamar em Rondônia. ‘‘O clima nos favorece muito. Além disso, criamos as espécies nativas, como tambaqui, pirarucu, jatuarana e também temos um híbrido que é o cruzamento do pintado com o cachara, chamado pintadinho da Amazônia’’, contou.

‘‘O governador Confúcio Moura desde que iniciou a gestão em 2011 deu prioridade a esta atividade. Na época que ele assumiu o primeiro mandato, disse que queria chegar a 80 mil toneladas de peixe em 2014 porque o estado em 2010 somente produzia 12 mil toneladas e tinha apenas 200 empreendimentos cadastrados e nem todos licenciados. De 2011 a 2014, o setor teve um grande salto, e chegamos a quase três mil empreendimentos licenciados e mais de 75 mil toneladas de peixe’’, lembrou.

Segundo Marli, o primeiro passo para o setor avançar é o licenciamento feito pela Sedam. E esse serviço vem sendo otimizado no estado. ‘‘Essa é uma etapa muito importante para que a atividade tenha desenvolvimento com sustentabilidade. Em 2016 o governador criou, por decreto, o Grupo Técnico Multidisciplinar da Cadeia Produtiva do Pescado, que reúne toda a equipe do governo que trabalha para o desenvolvimento da piscicultura em um mesmo espaço na Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri). Assim, o produtor terá mais facilidade para resolver alguma demanda do setor’’, considera a gerente.

Tanque-rede de pirarucu em Porto Velho

Tanque-rede de pirarucu em Porto Velho

Levantamentos da Sedam apontam que até 2016 Rondônia registrou 4.084 empreendimentos licenciados para a atividade de piscicultura, que ocupam uma área de 14.483,93 hectares, e possui uma produção estimada em 87.503,73 toneladas.

Em Rondônia, os municípios que concentram a maior produção de peixe são Ariquemes (12.6 mil toneladas), Cujubim (6,6 mil toneladas), Urupá (5,4 mil toneladas), Mirante da Serra (5,4 mil toneladas) e Porto Velho (5,2 mil toneladas). Ainda conforme a gerente de Pesca e Aquicultura, no estado há cerca de 15 entrepostos pesqueiros para estocagem e a comercialização dos peixes.

Para a bióloga Ilce Santos Oliveira, da Superintendência de Desenvolvimento do Estado de Rondônia (Suder), o estado sempre teve vocação para a produção de peixe, o que faltava era vontade política, o que aconteceu a partir da gestão do governador Confúcio Moura.

‘‘O incentivo desde o início foi para todos os elos da cadeia produtiva do pescado, desde a produção, sanidade, sustentabilidade e implantação de unidades processadoras. Mas o produtor de Rondônia despertou primeiramente para a engorda do pescado’’, revelou.

ESTRATÉGIAS

Segundo o titular da Suder, Basílio Leandro de Oliveira, a piscicultura já está entre as 10 principais atividades econômicas do estado e deve se destacar ainda mais nos próximos anos. Os esforços se concentram agora em garantir a sanidade dos peixes, incentivar o beneficiamento da produção e atender a novos mercados.

‘‘A cadeia produtiva do pescado tem duas pontas que são de extrema importância para o estado. Uma é a produção dos alevinos, por isso o governo tem focado muito na sanidade na produção de alevinos; e a outra ponta é justamente a industrialização, que já vem sendo incentivada há muito tempo’’, citou a bióloga, completando que esse elo industrialização/comercialização deve ser olhado com carinho pela iniciativa privada porque por parte do governo já é dada com os incentivos para que sejam implantadas essas plantas frigorificas. “Precisamos agregar valor ao nosso produto. Grande parte do nosso peixe é vendido in natura e são processados em outros estados, e estes acabam tendo muito mais lucro com o nosso produto que nós mesmos’’, avalia.

O superintendente ainda citou as ações estratégicas do governo para fortalecer a cadeia do pescado em Rondônia. ‘‘Estamos fazendo rodadas de negócios com embaixadas e empresas que têm interesse em comprar o peixe de Rondônia. Quanto à industrialização, o governo poderá entrar como parceiro de empresas para instalação de frigoríficos, que era um elo que faltava na cadeia do peixe, e também estamos trabalhando de maneira muito forte na sanidade do peixe’’, garantiu o superintendente.

Ele ainda disse que recentemente uma equipe do governo, juntamente com parceiros como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), visitaram Palmas (TO) para conhecer os estudos que a Embrapa-TO desenvolveu sobre a sanidade do peixe. ‘‘Traremos essa tecnologia que já existe lá para o nosso estado através da Embrapa de Rondônia, e faremos que chegue até os pequenos piscicultores’’, afirmou.

Mercado de peixes

Nas feiras livres do estado não faltam bancas com espécies diversificadas de pescados

INDUSTRIALIZAÇÃO

Segundo a bióloga Ilce Santos Oliveira, os principais destinos da produção de peixe de Rondônia são o Distrito Federal, Goiás, Paraná, Minas Gerais, Maranhão e Piauí. Mas países vizinhos também já deram sinal verde para receber os peixes rondonienses. ‘‘O Peru, inclusive, já tem algo concretizado com um dos frigoríficos de Rondônia. E outros países africanos também demostraram interesse em adquirir o nosso pescado seco, salgado ou defumado. Temos encomenda da Nigéria, Zimbábue e Namíbia’’, revelou.

Rondônia possui dois frigoríficos de pescado com o certificado para vender para o restante do País e um deles também está apto a exportar para outros países, o que, segundo o superintendente, é feito através do beneficiamento do peixe, aproveitando o trabalho artesanal dos ribeirinhos. Os empreendimentos estão localizados nos municípios de Ariquemes e Vilhena. ‘‘Temos um terceiro frigorifico que será instalado no município de Itapuã do Oeste e que também terá o certificado para vender para o restante do País’’, disse Basílio.

Devido à grande produção no estado, um dos frigoríficos terá a capacidade de processamento ampliada. ‘‘O frigorifico de Vilhena, que visitei recentemente, tem um projeto de ampliação de duas para 10 toneladas por dia, e isso já é fruto da política do governo de desenvolvimento da piscicultura’’, comemorou Basílio Leandro.

EXPECTATIVA

A projeção para Rondônia é que nos próximos anos a piscicultura avance em diferentes frentes de módulos de produção. Além do tanque escavado e do tanque de lona, a novidade será o tanque-rede nos lagos do rio Madeira. ‘‘O estado conseguiu recentemente autorização para produção em cativeiro nos lagos de Jirau e Santo Antônio. É uma questão de tempo estarmos com parques aquícolas elevando e muito a produção. Só o Estado de Rondônia tem capacidade para produzir mais do que todos os outros estados brasileiros juntos, e nós vamos explorar isso’’, destacou o superintendente.

Ele ainda ressaltou, que o governador Confúcio Moura vem dando prioridade à piscicultura, que hoje é menor em arrecadação que o setor da pecuária, mas não há dúvida que em curto espaço de tempo mudará isso e ocupará papel de destaque na geração de riquezas para o estado.

Para a 6ª Rondônia Rural Show, que ocorrerá de 24 a 27 de maio, em Ji-Paraná, a Suder já adiantou que os produtores terão acesso a inovações e tecnologias para fomentar ainda mais a piscicultura no estado. ‘‘Teremos uma maciça presença de representantes de diversos países que têm interesse em fazer parcerias. Neste ano a novidade é o fato de o evento ser realizado em um espaço novo, de 50 hectares, e já temos confirmada a presença de uma grande empresa do setor de piscicultura que exporá novas tecnologias’’, adiantou Basílio Leandro.

Fonte

Texto: Vanessa Moura
Fotos: Ésio Mendes e Marcelo Gladson
Secom – Governo de Rondônia

Rondônia busca apoio da Embrapa para solucionar desafios da piscicultura

Na última semana, representantes do governo e da iniciativa privada de Rondônia, além da Embrapa daquele estado, visitaram a Embrapa Pesca e Aquicultura. O objetivo foi conhecer avanços científicos e estabelecer parcerias. “Estamos aqui pedindo o apoio a esta instituição, precisamos assinar o quanto antes um termo de cooperação técnica, pois estamos num momento crítico da produção”, enfatizou o secretário de Agricultura de Rondônia, Evandro Cesar Padovani.

Além da visita à Unidade, a comitiva conheceu um frigorífico no interior do estado e os parque aquícolas de Sucupira, na capital Palmas, e de Brejinho de Nazaré, cidade que fica na região Centro-Sul do Tocantins. Carlos Magno Campos da Rocha, chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, solicitou que eles fossem mais específicos na determinação de suas demandas e apontou soluções já prontas, como um curso de piscicultura que o Serviço de Nacional Aprendizagem Rural (Senar) fez com a Embrapa e que está disponível on-line.

“A gente precisa primeiro que eles caracterizem quais demandas necessitam ser atendidas para que possamos inseri-las no planejamento da Unidade”, ponderou. O chefe geral continua: “O grupo apontou questões de sanidade, mas pode ser que haja outras demandas. Inclusive essa área envolve geração de conhecimento. Mas já temos algumas coisas prontas, como o curso do Senar, por exemplo, que tem mais de 20 horas gravadas e está disponível on-line no site dessa instituição”.

Sanidade e conversão da alimentação (eficiência na dosagem de ração para ganho de peso) são os maiores problemas da região, segundo o superintendente de Desenvolvimento Econômico de Rondônia, Basilio Leandro Oliveira. “Há ainda muito experimentalismo, portanto é fundamental o incentivo de pesquisas nessa área. Há quem jogue Roundup (tipo de agrotóxico) para combater doenças na piscicultura”, afirma ele, acrescentando que melhoramento genético também é outra grande demanda do setor.

Em Rondônia, há 4.900 piscicultores, com uma produção na casa de 80 mil toneladas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 10 maiores produtores de peixe do país, cinco estão naquele estado, segundo a Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO). Oliveira afirma que essa é uma conquista recente. “Há 5 anos, produzíamos 8 mil toneladas. Um dos principais fatores que incrementaram a produção foi o aumento das áreas licenciadas”, pontua ele. Para a técnica da Emater-RO Maria Mirtes Pinheiro, também presente no evento, a piscicultura passou a atrair muito a atenção dos pequenos produtores que adotaram essa nova cultura: “muitos agricultores familiares migraram para a produção de peixe porque Manaus era nosso comprador certo. Agora vendemos não só para eles, mas também para outros estados”.

Sobre possibilidades de expansão da produção da piscicultura, o secretário de Agricultura de Rondônia cita um grande potencial de crescimento. De acordo com ele, estudos da Fundação Universidade Federal de Rondônia (Unir) e das usinas de Santo Antônio e Jirau, ambas no Rio Madeira, identificaram que é possível produzir 800 mil toneladas de peixes na região. Ou seja, 9,5 vezes a produção medida pelo IBGE em 2015. No entanto, é necessária uma aproximação maior entre o estado e a Embrapa: “Rondônia é muito rico no potencial hídrico. Mas a gente precisa da pesquisa. Não há desenvolvimento se não tiver a pesquisa”, afirma.

Programação – A comitiva reuniu-se no auditório da Embrapa Pesca e Aquicultura na manhã da quinta-feira. Após o pesquisador Giovanni Moro apresentar as linhas de pesquisa da Unidade, Basilio Oliveira enumerou os desafios e as metas do governo, que incluem capacitação de técnicos e piscicultores. Ilce Santos, da Superintendência de Desenvolvimento Econômico de Rondônia, lembrou que, na medida em que a produção foi aumentando, os problemas de sanidade começaram a surgir. “Contamos com a Embrapa para nos ajudar a combater esse problema. A piscicultura em Rondônia foi o setor que mais gerou empregos no estado e é o mais impactante na economia regional”, salientou.

Após a explanação dos representantes do governo, foi a vez do analista Francisco de Assis Correa Silva, da Embrapa Rondônia, falar sobre as linhas de pesquisa daquela Unidade – que ainda não desenvolve estudos em piscicultura. Na sequência, Mayara Batschke, representando a Piscicultura Dourada, fez suas considerações. Ela destacou que leis estaduais incentivaram a produtividade. “Quando pudemos ter produção de pescado em áreas de preservação permanente (APPs) em estado de degradação, pudemos avançar bastante na piscicultura”, destaca ela. Além disso, a empresária ressaltou a importância de financiamento a baixos juros do Banco da Amazônia.

Finalizando as apresentações na parte da manhã, a pesquisadora Adriana Lima, da Embrapa Pesca e Aquicultura, apresentou trabalhos com sexagem e avaliação genética do pirarucu. Após o almoço, o grupo visitou o Parque Aquícola de Sucupira, em Palmas. No dia seguinte, a comitiva visitou a Fazenda São Paulo, em Brejinho de Nazaré. Na mesma cidade, os visitantes conheceram também o sisteminha da Embrapa. Por esse processo, é possível unir a piscicultura e o cultivo agrícola em pequenas propriedades.

Elisângela Santos (19.500 MTb-RJ) e Clenio Araujo (6279/MG)
Embrapa Pesca e Aquicultura

Telefone: (63) 3229-7834 / 7836

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Autorização das embarcações de pesca terá validade por três anos

A Presidência da República publicou, no Diário Oficial da União, o Decreto nº 8.967, que amplia de um para três anos a validade das autorizações de pesca das embarcações. Segundo a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o prazo anterior era reduzido e contribuía para aumentar a burocracia, provocando acúmulo de pedidos de registros e de documentos. Sem a autorização, os pescadores ficavam impedidos de trabalhar.

O decreto determina também que o seguro desemprego/defeso, no valor de um salário mínimo (R$ 937), só poderá ser concedido aos pescadores artesanais profissionais que exercerem a atividade sem interrupções e que tenham a atividade pesqueira como única fonte de renda. O beneficiário não poderá ter qualquer vínculo empregatício fora da pesca.

O pagamento do seguro desemprego/defeso é feito pelo INSS. O órgão poderá comunicar o indeferimento do pagamento ou a existência de qualquer impedimento para a concessão do benefício pela internet ou pela central de teleatendimento. O INSS também poderá convocar, a qualquer tempo, o pescador para apresentação de documentos que comprovem o atendimento das exigências da legislação.

O governo poderá condicionar o recebimento do benefício durante o defeso à comprovação da matrícula e da frequência do trabalhador em curso de formação de qualificação profissional. A medida é voltada à melhoria da atividade e gestão do negócio pesqueiro.

Outra medida é a exigência de que o cadastro do pescador informe o local de moradia e da pesca, a fim de garantir transparência na concessão do benefício. Isso vai assegurar que o beneficiário seja efetivamente pescador profissional artesanal. Também contribuirá para a sustentabilidade da pesca, com a preservação dos recursos naturais, por meio da identificação da área em que a atividade é desenvolvida.

Os períodos e os locais de defeso serão revistos periodicamente pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Meio Ambiente. O objetivo é avaliar a efetividade das épocas determinadas para o defeso, sobretudo nas áreas continentais. Elas poderão ser revogadas quando for comprovada a ineficácia na preservação das espécies. Também estão previstas mudanças nos períodos e locais de defeso em caso de seca, estiagem e tragédias ambientais (contaminações por agentes químicos, físicos e biológicos).

Em razão do decreto, o Mapa terá prazo de 180 dias para adaptar o Registro Geral da Atividade Pesqueira às alterações.

A Secretaria de Aquicultura e Pesca informou ainda que o Mapa está desenvolvendo um novo sistema para realizar o recadastramento nacional dos pescadores artesanais profissionais, que contará com cruzamentos de informações entre os dados do Registro Geral da Pesca e demais registros administrativos oficiais. A medida visa melhorar a gestão do registro dos pescadores, agilizando o acesso aos documentos por via eletrônica, e consequentemente garantindo os seus direitos.

Mais informações à imprensa:
Coordenação-geral de Comunicação Social
Janete Lima
imprensa@agricultura.gov.br

Rondônia participa de estudo para projeto piloto de sanidade de peixes

O Estado de Rondônia está participando de um projeto piloto para monitoramento sanitário de alevinos. Uma vez por mês são coletados cerca de mil alevinos e enviados para o laboratório Aquacen, em Minas Gerais. A finalidade é identificar possíveis doenças bacterianas, virais e parasitárias.

As coletas ocorrerão durante um ano e são feitas pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). No final do monitoramento, o Aquacen, laboratório oficial central do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), divulgará um relatório com o resultado do estudo.

O coordenador do Programa Estadual de Sanidade de Animais Aquáticos, Erico Azevedo, conta que o objetivo é ampliar o conhecimento sobre a sanidade dos alevinos para que sejam elaborados programas sanitários específicos, dentro do Plano Forma Jovem Segura.

“As ocorrências de doenças parasitárias acometendo os peixes redondos da região norte do país estão amplamente divulgadas nas literaturas disponíveis, porém é necessário que ocorram estudos técnico-científicos de outras possíveis ameaças sanitárias ao nosso pescado de Rondônia, principalmente as doenças bacterianas”, fala o coordenador.

Ele diz também que “o projeto piloto será importante para termos um diagnóstico completo dos alevinos que estão sendo testados para doenças de notificação obrigatória e as doenças de alto impacto econômico, sejam elas de natureza parasitária, bacteriana ou viral”.

O gerente de Defesa Animal, Fabiano Alexandre dos Santos, reconhece que o Estado de Rondônia apresentou um grande crescimento na produção de pescado e que é cada vez maior a necessidade de promover ações para garantir novos mercados. “Quando o Estado garante a sanidade da produção, a tendência é atrair novos investidores ou aumentar a venda para os locais que já compravam”, fala.

Mais três estados brasileiros também estão participando do projeto piloto: Paraná e Ceará, com estudo em tilápias, e Mato Grosso junto com Rondônia, em estudo de peixes redondos.

A pesquisa foi uma iniciativa do Mapa e da Conferência da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e em Rondônia é realizada pela Idaron e conta com a colaboração da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (Faperon).

PRODUÇÃO

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), em 2015, o Estado de Rondônia produziu 84,49 mil toneladas de peixe, mantendo a primeira posição no ranking nacional. No país foram produzidos 483,24 mil toneladas de peixe, representando um aumento 1,5{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} em relação a 2014.

Segundo informações da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), os municípios que apresentam mais áreas de produção de peixe são Ariquemes, Urupá, Mirante da Serra, Cujubim e Porto Velho.

Leia mais:

Conselho de Desenvolvimento de Rondônia aprova R$ 863 mil para projeto de comercialização de pescado

 

Fonte

Texto: Amabile Casarin
Fotos: Ésio Mendes
Secom – Governo de Rondônia

Piscicultura de Rondônia é referência nacional e atrai pesquisadores e estudantes do Acre

“De tanto ver prosperar a piscicultura em Rondônia, nosso estado-irmão, tínhamos que conhecer o motivo de tanto sucesso”. A afirmativa foi feita pela professora de práticas profissionais do Instituto Federal do Acre (Ifac), Maralina Torres, chefe da delegação que visita criadouros em Porto Velho e Ariquemes desta terça-feira (13) até a próxima quinta-feira (15)

Ao ser recebidas pelo secretário estadual da Agricultura, Evandro Padovani, as professoras Maralinda e Deborah Freitas – das disciplinas de meio ambiente e legislação ambiental- disseram que o Acre tem hoje um grande complexo industrial  de piscicultura composto por um frigorífico com capacidade de processamento de 70 toneladas de pescado por semana; criadouro de alevinos e fábrica de ração.

“O nosso principal objetivo é conhecer as práticas que vocês adotaram para profissionalizar os piscicultores daqui, pois os nossos ainda praticam a piscicultura de subsistência”, disse Deborah, complementando que o que sobra em Rondônia falta no Acre: peixe.

O aluno do terceiro período de aquicultura do Ifac, Francisco D’Avila, falou do interesse de todos os 22 alunos que compõem a delegação, que buscam ser inseridos no mercado de trabalho da piscicultura, em visitar às boas práticas desenvolvidas tanto em tanque lona, quanto em escavado.

“Estamos atentos à crescente demanda de pescado no mundo, até porque a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que cada pessoa consuma, no mínimo, 12 quilos de peixe ao ano, e Rondônia desponta hoje como o maior produtor de peixe nativo de água doce em cativeiro do mundo”, sintetizou D’Avila.

A visita, acompanhada pelo gerente de Piscicultura da Seagri, Jander Plaça; e pelo engenheiro florestal da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RO), Marcos Carvalho,  percorrerá criadouros em Porto Velho -reassentamento Santa Rita, fazenda Bem-te-vi e reassentamento São Domingos -.  Ariquemes, a delegação será acompanhada pelo engenheiro de pesca da Emater-RO, Vinícius Pedrotti, com locais a definir.

Jander Plaça comemorou o fato de Rondônia ser referência em práticas exitosas na criação, principalmente, de tambaqui e pirarucu.”Trabalhamos duro para chegar até aqui e vamos redobrar nossos esforços para alavancar ainda mais o negócio do peixe.

Evandro Padovani citou que também temos muito que evoluir, e que um dos bons exemplos que podemos adaptar ao processo do agronegócio de Rondônia são as Parcerias Público Privadas Comunitárias (PPC) praticadas com sucesso no Estado do Acre. “Colocamos a região Norte no topo do ranking mundial do pescado de água doce e pretendemos repartir  com nossos vizinhos o que aprendemos e praticamos, pois o saber é para ser compartilhado”, afirmou Padovani.

Na oportunidade, o secretário convidou os técnicos, estudantes, produtores e demais interessados do Acre a participar da 6ª Rondônia Rural Show, que acontecerá de 24 a 27 de maio de 2017, em Ji-Paraná. “Queremos ver estandes mostrando as tecnologias e avanços de todas as partes do mundo, e os irmãos acrianos têm muito a nos mostrar e também a comercializar nesta que é a oitava feira do agronegócio do Brasil”, pontuou Padovani.

Texto: Marco Aurélio Anconi
Fotos: Marco Aurélio Anconi

Aquicultura brasileira cresce 123{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} em dez anos

Chegada de novas empresas, rápida profissionalização e intensificação tecnológica foram alguns dos fatores observados na aquicultura brasileira, que apresentou crescimento de 123{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} entre 2005 e 2015, passando de 257 mil para 574 mil toneladas de pescado nesse período. Foi o que mostrou estudo realizado pelos pesquisadores Manoel Pedroza, Andrea Muñoz, Roberto Flores e Eric Routledge, da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), e apresentado na conferência deste ano do International Institute of Fisheries Economics and Trade (IIFET), em Aberdeen, Escócia.

O trabalho chama a atenção porque o setor, dedicado à produção de seres aquáticos como peixes e crustáceos, costumava ser caracterizado no Brasil por empreendimentos de pequeno porte, sistemas extensivos de produção e baixo nível tecnológico, com exceção da produção de camarões no Nordeste, a carcinicultura.

Pedroza associa essas mudanças ao aumento da demanda por pescado no mercado nacional, que registrou taxas de crescimento anuais superiores a 10{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} no mesmo período. No entanto, o estudo detectou que a recente crise econômica nacional também repercutiu no crescimento do setor em 2015, o qual cresceu apenas 2{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} com relação a 2014, passando de 563 mil para 574 mil toneladas.

O bom desempenho da aquicultura brasileira despertou o interesse de importantes instituições financeiras como o banco holandês Rabobank, maior financiador mundial do setor agrícola. A instituição holandesa e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) consideram o Brasil um importante ator da aquicultura mundial, situando-o em patamar semelhante ao de países com tradição no setor como Chile, Vietnã e Noruega. Atualmente, o Brasil registra a 14ª maior produção aquícola do mundo de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Fome (FAO).

Investimentos em aquicultura

Os pesquisadores registraram a entrada de empreendimentos privados de maior porte na cadeia brasileira da aquicultura. O Município de Selvíria, em Mato Grosso do Sul, recebeu um investimento de 160 milhões de reais em um complexo que incluiu fábrica de ração, alevinagem, engorda e processamento de tilápia. Em Tocantinópolis (TO) houve construção de fábrica de ração e viveiros de engorda para a cadeia de tambaqui e pintado, mesmas espécies produzidas em Sorriso (MT), município onde foram investidos R$ 22 milhões para a instalação de frigorífico e fábrica de ração para peixes. A cidade de Almas, no Tocantins, já conhecida como polo aquícola do estado, recebeu instalações para engorda e processamento de tambaqui, pintado, matrinxã, piau, curimba e pirarucu.

Pedroza destacou também a recente fusão de duas grandes empresas brasileiras de processamento de pescado, a Geneseas e a DellMare. Anunciada no último dia 18 de novembro, a nova companhia é vinculada a um fundo de investimento focado no agronegócio e produzirá 12 mil toneladas de tilápia por ano e três mil toneladas de camarão vannamei (Litopenaeus vannamei). “Esse é mais um sinal da força e maturidade desse setor no Brasil que começa a contar com grandes players a exemplo do que já ocorre com a cadeia produtiva da avicultura”, compara o especialista.

O estudo identificou também aumento no preço da ração e estabilização no preço do pescado no País no período analisado. “Caso o aumento da produção aquícola nacional continue no ritmo de 10{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} ao ano, é de se esperar que essa tendência de estabilização dos preços do pescado se mantenha, ao menos no curto e médio prazos”, acredita o pesquisador Manoel Pedroza para quem o preço competitivo do produto importado representa uma forte pressão para manter o pescado brasileiro com preços competitivos.

Além dos investimentos privados, o aumento na escala de produção tem sido provocado também pela organização dos produtores. Os pesquisadores observaram a formação de organizações como cooperativas, associações e modelos produtivos alternativos como o condomínio de piscicultura, que dilui custos importantes.

Segundo dados do IBGE para o ano de 2015, a produção de peixes de água doce é a principal categoria dentro da aquicultura brasileira respondendo por 84{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} da produção aquícola do País. A aquicultura marinha responde por apenas 16{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} da produção total, sendo composta pela carcinicultura (12{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da}) e pela produção de ostras, vieiras e mexilhões (4{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da}).

Entre as espécies de peixe, a tilápia (Oreochromis niloticus) e o tambaqui (Colossoma macropomum) respondem por 62{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} da produção nacional, de acordo com dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2016).

Figura 1 – Produção da aquicultura brasileira em 2015 por espécie, em percentual do total produzido. Fonte: IBGE/SIDRA.

Intensificação tecnológica

Os pesquisadores comparam o desenvolvimento da aquicultura ao que ocorreu na cadeia de produção da avicultura nacional, que elevou seu patamar tecnológico e hoje é uma das principais pautas da carteira de exportações do Brasil. O maior emprego tecnológico ocorreu, de acordo com a pesquisa, na cadeia produtiva do peixe mais produzido no Brasil, a tílápia, que responde por 38{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} da produção nacional. “Originária da África, a tilápia-do-nilo é produzida em vários países e possui pacote tecnológico bastante avançado”, conta a economista Andrea Muñoz, pesquisadora da Embrapa que participou do estudo.

Boa parte dessas informações foi obtida por meio de painéis nos principais polos produtores de tilápia no Brasil: Paraná, Ceará, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. Essas atividades foram realizadas no âmbito do Projeto Campo Futuro da Aquicultura, coordenado pela Embrapa Pesca e Aquicultura, que detectou a intensificação de tecnologias, como os aeradores em viveiros que permitem maior densidade de cultivo; o alimentador automático, que reduz custos de mão de obra e aumenta a precisão na dosagem de rações e a despesca automática.

Outra tecnologia encontrada pelo projeto foi o emprego de programas de melhoramento genético da tilápia, que permitiu avanços de conversão alimentar a qual diz respeito à relação de ganho de peso com a quantidade de ração consumida. O melhoramento também é capaz de reduzir o ciclo de produção e proporcionar animais com maior rendimento de filé.

“Por se tratar de uma espécie exótica produzida há décadas em diversos países, e cujo pacote tecnológico está relativamente bem desenvolvido, a tilápia apresenta indicadores zootécnicos bem superiores comparados aos do tambaqui, que ainda conta com um nível tecnológico limitado,” diz a pesquisadora.

O trabalho mostra que a biodiversidade da fauna aquática brasileira é, ao mesmo tempo, vantagem competitiva e gargalo ao desenvolvimento para a inovação tecnológica. “Isso acontece porque cada espécie de peixe apresenta diferentes demandas, o que leva à priorização de poucas espécies a serem desenvolvidas. Essa característica é encontrada em grandes países piscicultores como Noruega, Chile, China e Vietnã”, esclarece o pesquisador Manoel Pedroza.

Outro grande desafio para a pesquisa aquícola no Brasil é desenvolver soluções que abordem a diversidade climática encontrada nos cultivos, uma vez que a piscicultura é praticada em todos os estados brasileiros.

O estudo considera ainda o pirarucu (Arapaima gigas) uma das mais promissoras espécies de peixe do Brasil. Apesar de ser muito apreciado e apresentar bom rendimento, os pesquisadores lembram que há grandes desafios que comprometem a estruturação de sua cadeia produtiva. Entre os obstáculos mais críticos, está o baixo domínio de sua reprodução em cativeiro e a oferta irregular de alevinos (animal jovem), o que faz o preço desse insumo representar quase 25{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} do custo operacional efetivo da atividade. Em uma comparação, alevinos de tambaqui representam apenas 1,6{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} desse mesmo custo.

“Quando os desafios tecnológicos relacionados à reprodução forem superados, consequentemente haverá maior disponibilidade de alevinos e o custo desse insumo cairá, melhorando a viabilidade econômica do cultivo do pirarucu”, acredita Pedroza.

Fabio Reynol (MTb 30.269/SP)
Secretaria de Comunicação Embrapa

Embrapa Pesca e Aquicultura

Rodada da Piscicultura reúne produtores e compradores dia 17 em Ariquemes

Com uma produção anual de cerca 90 mil toneladas de pescado, o Estado de Rondônia se esforça para ampliar sua faixa de mercado comprador, e neste sentido realizará no próximo dia 17 a 3ª Rodada da Piscicultura de Ariquemes, com o compromisso de atrair para o evento 12 dos principais compradores de peixes do País.

Segundo Pedro Teixeira, diretor executivo da Superintendência de Desenvolvimento de Rondônia (Suder), o evento será aberto a todos os produtores do estado, embora seja dirigido neste momento aos produtores da região do Vale do Jamari, que hoje é responsável por 30{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} da produção estadual de pescado (cerca de 25 mil toneladas/ano), e que deve acertar neste evento a colocação (comercialização) de pelo menos sete mil toneladas de sua produção anual.

Organizada pela Suder em parceria com a Federação do Comércio de Rondônia (Fecomércio) e Associação Comercial e Industrial de Ariquemes (Acia), a Rodada da Piscicultura vai reunir o que há de melhor em produção e comercialização de pescado. O diretor da Suder observou que por necessidade, a organização está realizando uma seleção dos compradores que estarão no evento, de modo que sejam escolhidos aqueles que tiverem uma maior diversidade de clientes, e que assim ajudem o Estado de Rondônia a colocar sua produção e incentivar seu crescimento.

Pedro Teixeira anunciou para o início de dezembro a realização de três seminários de caráter preparatório para a Rodada da Piscicultura, com o tema “Como vender o meu peixe?”, que vai reunir todos os produtores do Vale do Jamari, de Ji-Paraná e de Urupá, que participarão da Rodada em Ariquemes, para discussão e orientação de meios e estratégias de comercialização.

O primeiro seminário foi realizado dia 1º de dezembro em Urupá, e como os demais teve uma temática única em torno do processo de comercialização, com orientação e diálogos produtivos e dirigidos, da relação de quem vende e quem compra. No dia 2, foi a vez dos produtores de Ji-Paraná, que se reuniram com o mesmo objetivo, fechando o ciclo dia 3, com a realização do Seminário de Ariquemes com a participação de todos os produtores da região do Vale do Jamari.

Participaram dos três seminários apenas os produtores que tomarão parte da Rodada da Piscicultura.

 Texto: Cleuber R Pereira
Fotos: Ésio Mendes

Portaria proíbe pesca de todas as espécies de peixes nos próximos 120 dias em Rondônia

A Portaria de n° 308, de 2016, da secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), proíbe a prática da pesca profissional e amadora de todas as espécies de peixes nos rios e afluentes do Estado de Rondônia durante o período de defeso, que iniciou na quarta-feira (15) e vai até 15 de março do próximo ano. Segundo a gerente de Pesca, Aquicultura e Manejo da Fauna da Sedam, Marli Lustosa Nogueira, fica liberada a cota de cinco quilos de peixe por dia, por família, para subsistência das comunidades ribeirinhas. Neste caso, a pesca deve ser feita com apetrechos permitidos pela legislação, ficando proibida a comercialização.

Marli Lustosa explicou que a proibição da pesca de todas as espécies de peixes no estado foi um pedido da própria Federação de Pescadores de Rondônia, que teme que a escassez de peixes nos rios e afluentes do estado comprometa o trabalho de centenas de pescadores profissionais, principalmente porque no ano passado uma liminar liberou a pesca de todas as espécies no período de piracema, “ou seja, o período de reprodução das espécies não foi respeitado e isso pode causar a escassez dos peixes nativos que são comuns na região”, afirmou Marli.

Ela explicou que houve consenso em proibir a pesca de todas as espécies nos próximos 120 dias. Marli Lustosa também lembrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a liminar que liberava a pesca. Ao contrário do período da piracema passada, os pescadores profissionais vão receber o seguro defeso, que é o auxílio de um salário mínimo por mês, pago pelo governo federal.

Quem comercializa o pescado deve fazer a declaração do estoque junto à Sedam até o próximo dia 25. Marli Lustosa ressaltou a importância de todos os estabelecimentos do ramo fazer a comprovação de estoque, sob pena de ser punidos durante a fiscalização, se não apresentar o documento que comprove a procedência do estoque e quando que foi pescado.

Texto: Eleni Caetano
Fotos: Arquivo Secom

Peixe fortalece nutrição nas escolas em Rondônia; Seduc apela a prefeitos para que comprem mais

Duas vezes por semana, pirarucu, tambaqui e outros peixes são servidos em escolas rondonienses.

Por solicitação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a inclusão do peixe na alimentação escolar em 52 municípios será difundida em outros estados amazônicos e até serve de estímulo a países vizinhos, entre os quais a Bolívia.

“Por isso, apelamos aos novos gestores municipais: fortaleçam o programa, adquirindo peixe para suas escolas”, disse a gerente de convênios da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Gracita Stresser Galvão.

Em dez parcelas, correspondentes a 200 dias letivos, o Ministério da Educação (MEC) repassa anualmente ao governo estadual R$ 20,3 milhões para alimentação escolar. Compras de peixes representam R$ 4,25 milhões por ano.

Pela Lei nº 3.753/2015, foi criado o Programa Estadual de Alimentação Escolar (Peale), que atualmente atende 228,4 mil alunos em 440 escolas da rede estadual, em 52 municípios.

O Peale pesquisou hábitos alimentares regionais, estudando os cardápios com cada escola e a melhor aceitação de cada item. Nesse aspecto, os conselhos escolares têm autonomia para decidir os gostos.

“Assim, por exemplo, se em Vilhena (divisa RO-MT) as crianças apreciam iogurte, em Porto Velho, o açaí é bem consumido”, explicou a gerente Gracita Stresser.

O Peale adquire polpas de frutas e, via Secretaria da Agricultura, adquire alimentos de agricultores familiares, com dispensa de licitação, a preços compatíveis aos praticados nos mercados regionais.

DESCENTRALIZAÇÃO

Os recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) são transferidos entre fevereiro e dezembro. “A Seduc os descentraliza para os conselhos escolares, que adotam os procedimentos de compra”, informou Gracita Stresser.

Pela resolução nº 26/2013, o FNDE estabeleceu o gasto mínimo de 30{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} dos recursos para compras da agricultura familiar, o que, conforme lembrou Gracita, movimenta a economia municipal.

Segundo o MEC, somente este ano, 41 milhões de estudantes foram atendidos, em 155 mil escolas. O MEC repassou R$ 2,7 bilhões em 2016 para o programa, com previsão de enviar mais R$ 3,6 bilhões até dezembro.

No próximo ano, o MEC lançará edital sobre educação alimentar e nutricional, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, visando identifica projetos e iniciativas que contemplem alunos do ensino médio e de universidades.

Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Admilson Knigthz