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Rondônia busca apoio da Embrapa para solucionar desafios da piscicultura

Na última semana, representantes do governo e da iniciativa privada de Rondônia, além da Embrapa daquele estado, visitaram a Embrapa Pesca e Aquicultura. O objetivo foi conhecer avanços científicos e estabelecer parcerias. “Estamos aqui pedindo o apoio a esta instituição, precisamos assinar o quanto antes um termo de cooperação técnica, pois estamos num momento crítico da produção”, enfatizou o secretário de Agricultura de Rondônia, Evandro Cesar Padovani.

Além da visita à Unidade, a comitiva conheceu um frigorífico no interior do estado e os parque aquícolas de Sucupira, na capital Palmas, e de Brejinho de Nazaré, cidade que fica na região Centro-Sul do Tocantins. Carlos Magno Campos da Rocha, chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, solicitou que eles fossem mais específicos na determinação de suas demandas e apontou soluções já prontas, como um curso de piscicultura que o Serviço de Nacional Aprendizagem Rural (Senar) fez com a Embrapa e que está disponível on-line.

“A gente precisa primeiro que eles caracterizem quais demandas necessitam ser atendidas para que possamos inseri-las no planejamento da Unidade”, ponderou. O chefe geral continua: “O grupo apontou questões de sanidade, mas pode ser que haja outras demandas. Inclusive essa área envolve geração de conhecimento. Mas já temos algumas coisas prontas, como o curso do Senar, por exemplo, que tem mais de 20 horas gravadas e está disponível on-line no site dessa instituição”.

Sanidade e conversão da alimentação (eficiência na dosagem de ração para ganho de peso) são os maiores problemas da região, segundo o superintendente de Desenvolvimento Econômico de Rondônia, Basilio Leandro Oliveira. “Há ainda muito experimentalismo, portanto é fundamental o incentivo de pesquisas nessa área. Há quem jogue Roundup (tipo de agrotóxico) para combater doenças na piscicultura”, afirma ele, acrescentando que melhoramento genético também é outra grande demanda do setor.

Em Rondônia, há 4.900 piscicultores, com uma produção na casa de 80 mil toneladas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 10 maiores produtores de peixe do país, cinco estão naquele estado, segundo a Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO). Oliveira afirma que essa é uma conquista recente. “Há 5 anos, produzíamos 8 mil toneladas. Um dos principais fatores que incrementaram a produção foi o aumento das áreas licenciadas”, pontua ele. Para a técnica da Emater-RO Maria Mirtes Pinheiro, também presente no evento, a piscicultura passou a atrair muito a atenção dos pequenos produtores que adotaram essa nova cultura: “muitos agricultores familiares migraram para a produção de peixe porque Manaus era nosso comprador certo. Agora vendemos não só para eles, mas também para outros estados”.

Sobre possibilidades de expansão da produção da piscicultura, o secretário de Agricultura de Rondônia cita um grande potencial de crescimento. De acordo com ele, estudos da Fundação Universidade Federal de Rondônia (Unir) e das usinas de Santo Antônio e Jirau, ambas no Rio Madeira, identificaram que é possível produzir 800 mil toneladas de peixes na região. Ou seja, 9,5 vezes a produção medida pelo IBGE em 2015. No entanto, é necessária uma aproximação maior entre o estado e a Embrapa: “Rondônia é muito rico no potencial hídrico. Mas a gente precisa da pesquisa. Não há desenvolvimento se não tiver a pesquisa”, afirma.

Programação – A comitiva reuniu-se no auditório da Embrapa Pesca e Aquicultura na manhã da quinta-feira. Após o pesquisador Giovanni Moro apresentar as linhas de pesquisa da Unidade, Basilio Oliveira enumerou os desafios e as metas do governo, que incluem capacitação de técnicos e piscicultores. Ilce Santos, da Superintendência de Desenvolvimento Econômico de Rondônia, lembrou que, na medida em que a produção foi aumentando, os problemas de sanidade começaram a surgir. “Contamos com a Embrapa para nos ajudar a combater esse problema. A piscicultura em Rondônia foi o setor que mais gerou empregos no estado e é o mais impactante na economia regional”, salientou.

Após a explanação dos representantes do governo, foi a vez do analista Francisco de Assis Correa Silva, da Embrapa Rondônia, falar sobre as linhas de pesquisa daquela Unidade – que ainda não desenvolve estudos em piscicultura. Na sequência, Mayara Batschke, representando a Piscicultura Dourada, fez suas considerações. Ela destacou que leis estaduais incentivaram a produtividade. “Quando pudemos ter produção de pescado em áreas de preservação permanente (APPs) em estado de degradação, pudemos avançar bastante na piscicultura”, destaca ela. Além disso, a empresária ressaltou a importância de financiamento a baixos juros do Banco da Amazônia.

Finalizando as apresentações na parte da manhã, a pesquisadora Adriana Lima, da Embrapa Pesca e Aquicultura, apresentou trabalhos com sexagem e avaliação genética do pirarucu. Após o almoço, o grupo visitou o Parque Aquícola de Sucupira, em Palmas. No dia seguinte, a comitiva visitou a Fazenda São Paulo, em Brejinho de Nazaré. Na mesma cidade, os visitantes conheceram também o sisteminha da Embrapa. Por esse processo, é possível unir a piscicultura e o cultivo agrícola em pequenas propriedades.

Elisângela Santos (19.500 MTb-RJ) e Clenio Araujo (6279/MG)
Embrapa Pesca e Aquicultura

Telefone: (63) 3229-7834 / 7836

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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