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Conab lança plataforma para rastreabilidade do café brasileiro

A Companhia Nacional de Abastecimento lançou uma plataforma em que os produtores de café do Brasil poderão emitir uma certificação comprovando que estão dentro das regras previstas no Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês), também conhecida como lei antidesmatamento europeia. Nomeada de Parque Cafeeiro, a ferramenta reúne e cruza uma série de banco de dados de órgãos do governo federal e foi lançada nessa terça-feira, 25.

A plataforma foi feita em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem uso gratuito. Um dos objetivos é viabilizar a comprovação de que o café exportado para o bloco tem origem em áreas sem desmatamento após 31 de dezembro de 2020. A legislação europeia, apesar de ainda não estar em vigor, prevê que alguns produtos agropecuários só podem ser importados se cumprirem esse critério.

Com a ferramenta, o próprio produtor rural ou a cooperativa poderão emitir uma declaração de conformidade com a regra europeia, desde que os dados comprovem isso. “Sem uma referência oficial, a checagem vira estresse e custo. A plataforma dá base pública para comprovar conformidade e sustentar renda com segurança”, disse o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Antonio Matos.

Além de uma integração com base de dados governamentais, a certificação verifica o desmatamento a partir das atualizações feitas no Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). Também há checagem com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e se não há sobreposição de áreas delimitadas como terras indígenas ou quilombolas e unidades de conservação.

“É uma ferramenta pública e gratuita que dá segurança ao produtor e abre caminho para o Brasil se afirmar como referência: produzir muito, com responsabilidade, e comprovar isso com dados”, destacou o presidente da Conab, Edegar Pretto.

 

 

Sistema FAPERON/SENAR capacita lideranças em workshop realizado em parceria com o Sebrae Rondônia

O Sistema FAPERON/SENAR realizou, ao longo de dois dias, um workshop voltado à capacitação de colaboradores da instituição e presidentes dos Sindicatos dos Produtores Rurais de Rondônia. O treinamento foi concluído na última sexta-feira (20) e integrou as ações do projeto “Juntos Pelo Agro”, desenvolvido em parceria com o Sebrae Rondônia.

O curso foi ministrado por Samuel Almeida, gerente no Sebrae Rondônia, e teve como objetivo preparar lideranças para os desafios atuais do setor, abordando temas como gestão de pessoas, comunicação, inovação, uso de tecnologia e aplicação da inteligência artificial no ambiente de trabalho. A proposta foi fortalecer uma liderança de alto impacto, alinhada às transformações do mundo globalizado e às necessidades do campo.

Durante a capacitação, os participantes receberam orientações práticas para melhorar a atuação profissional, qualificar processos e ampliar resultados, contribuindo diretamente para a eficiência das ações realizadas junto aos produtores rurais.

Samuel Almeida destacou que a parceria entre as instituições contribui para o crescimento sustentável do setor agropecuário. “Quando trabalhamos juntos, conseguimos fortalecer as lideranças e melhorar a gestão. O resultado aparece na produção, na produtividade e, consequentemente, no aumento da renda do produtor rural”, afirmou.

O coordenador do Departamento de Assistência Técnica do SENAR Rondônia, Leonardo Cabral, ressaltou a importância do tema para o trabalho de campo. “A assistência técnica é feita por pessoas. Por isso, liderar, compreender o ser humano e desenvolver empatia são fundamentais. O workshop também trouxe o uso da inteligência artificial como ferramenta importante para nossas atividades, permitindo alcançar melhores resultados de forma mais rápida e dinâmica. O Senar está alinhado a esse crescimento”, explicou.

Para o coordenador de projetos do SENAR, Cleber Simião, a capacitação reforça o processo de modernização institucional. “O Senar está em constante desenvolvimento e o treinamento nos mostrou como utilizar a tecnologia em favor das nossas ações, nos departamentos e nos processos. Isso melhora tanto a entrega ao produtor quanto o planejamento e os relatórios de execução”, pontuou.

A presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Alto Paraíso, Antonielly Rottoli, que participou do encontro, avaliou a experiência como enriquecedora. “O tema liderança nos incentiva a sair da zona de conforto, buscar soluções e aprender a lidar com situações e pessoas no dia a dia. Esse conhecimento fortalece ainda mais o trabalho desenvolvido nos municípios”, destacou.

A iniciativa reforça o compromisso do Sistema FAPERON/SENAR em qualificar profissionais e fortalecer a gestão no meio rural, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do agro em Rondônia.

Piscicultura brasileira ultrapassa 1 milhão de toneladas em 2025

A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) apresentou nessa terça-feira, 24, o Anuário da Piscicultura Peixe BR 2026. De acordo com o levantamento, o Brasil produziu no ano passado 1,01 milhão de toneladas de peixes de cultivo. O crescimento em relação a 2024 é de 4,41%.

“Com esse número, somos o maior produtor de peixes de todas as Américas”, disse o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, no evento de apresentação do anuário.

Entre os Estados produtores de peixe de cultivo no geral, os cinco principais são:

Paraná, com 273,1 mil toneladas;
São Paulo, com 93,7 mil toneladas;
Minas Gerais, com 77,5 mil toneladas;
Santa Catarina, com 63,4 mil toneladas;
Maranhão, com 59,6 mil toneladas.

Entre as espécies, a tilápia continua sendo o destaque com mais de 707,4 mil toneladas produzidas, um aumento de 6,83% na comparação com o mesmo período anterior. A produção de peixes nativos chegou a 257 mil toneladas, representando um recuo de 0,63%. Demais espécies somaram 46,9 mil toneladas, queda de 1,75%.

Nós nunca tivemos na história do Brasil uma arrancada [da produção] de uma espécie de proteína animal em 10 anos como a gente observou no caso da tilápia”, comentou Medeiros ao lembrar do aumento no volume de tilápia desde 2015. Naquele ano, o Brasil registrou 285 mil toneladas desse peixe, um crescimento de 148,2% em 2025.

No entanto, os peixes nativos cultivados, como o tambaqui e tambatinga,  já registram o terceiro ano de queda. De acordo com o levantamento, essa tendência é explicada por alguns fatores, como um mercado mais restrito e concentrado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a falta de uma industrialização e a necessidade de intensificar avanços tecnológicos para esses cultivos.

Quanto às exportações brasileiras ligadas à piscicultura, houve um crescimento de 2% no faturamento registrado, chegando a US$ 60 milhões em 2025. O volume, no entanto, caiu 1%, somando 13,6 mil toneladas embarcadas.

“Mesmo em um ano que tivemos o tarifaço dos Estados Unidos, haja vista que mais de 90% das nossas exportações foram para os Estados Unidos, nós tivemos um resultado positivo. Mas por que isso aconteceu? Porque, no início de 2025, o planejamento, seja das indústrias, seja do setor, era que teríamos o ano como o maior exportador de filé fresco para os Estados Unidos. E terminamos o primeiro semestre praticamente empatados com a Colômbia, que está em primeiro, mas com o tarifaço a gente acabou reduzindo”, indicou o presidente da Peixe BR.

A tilápia respondeu por 92% do volume exportado. Somente o filé congelado de tilápia teve um salto de 421%. Além disso, o México se tornou o quinto principal mercado desse peixe. Os demais mercados, em ordem de importância, foram Estados Unidos, Canadá, Japão e China.

Mudança na tarifa
Depois da decisão da Suprema Corte norte-americana de derrubar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos oficializou nessa terça-feira a tarifa global de 10% sobre uma série de produtos. Apesar disso, esse movimento é comemorado pelo setor de pescado, já que na prática houve uma redução dessa tarifa, que antes chegava a 50% no caso dos pescados.

“Com a retomada da tarifa para 10% e como nós temos um produto que é o filé fresco, caindo a tarifa hoje, amanhã eu já estou exportando, porque o produto eu tiro da água e em 48 horas eu estou entregando lá, então abre uma oportunidade muito grande”, disse Medeiros a jornalistas após a apresentação do anuário.

Na avaliação dele, os exportadores de peixe brasileiros saem “mais fortalecidos”. Isso porque, antes do tarifaço, a visão dos compradores norte-americanos sobre os vendedores brasileiros não era de confiança. Porém, os meses com as alíquotas adicionais inverteram essa imagem. Além disso, ele destacou ser preciso ampliar os mercados da piscicultura brasileira.

“Um dos aprendizados que fica é que nós temos que procurar principalmente mercados da América Latina”, comentou o presidente.

 

 

Regularização de documentos no Setor Chacareiro termina nesta quinta-feira

Os produtores do Setor Chacareiro de Porto Velho terão, nesta terça-feira (24) e quinta-feira (26), uma oportunidade importante para colocar a documentação em dia sem precisar sair da comunidade.

Atendendo a um pedido da Associação Boa Safra, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Semagric) promove uma ação itinerante para emissão e regularização da CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar).

A iniciativa aproxima o poder público do campo e garante que os agricultores familiares tenham acesso facilitado aos documentos indispensáveis para participar de programas, linhas de crédito e políticas públicas que fortalecem a produção rural e movimentam a economia local.

A ação prevê cerca de 25 atendimentos em cada dia, totalizando aproximadamente 50 produtores beneficiados. Durante o mutirão, a equipe técnica da Semagric presta orientações e realiza todos os procedimentos necessários para emissão ou atualização do cadastro. A proposta itinerante busca atender principalmente agricultores que enfrentam dificuldades de deslocamento até a área urbana, garantindo mais comodidade, rapidez e inclusão no acesso às políticas públicas do setor.

De acordo com o prefeito Léo Moraes “a iniciativa tem o objetivo de ajudar os agricultores na conquista do fomento para suas propriedades. Isso significa mais emprego, renda e novas oportunidades para muita gente”.

O secretário da Semagric, Rodrigo Ribeiro, destaca que a iniciativa reforça a presença do poder público no campo e amplia as oportunidades para os produtores rurais. “A CAF é a porta de entrada para diversas políticas de apoio à agricultura familiar. Além do atendimento diário na sede da Semagric, estamos organizando ações itinerantes conforme a demanda das comunidades e associações. Isso garante mais acesso, agilidade e fortalece a agricultura familiar com mais presença do poder público no campo”, afirmou.

A CAF é um documento essencial que reconhece formalmente o produtor como agricultor familiar, possibilitando acesso a programas de fomento, assistência técnica, crédito, projetos produtivos e ações que estimulam a geração de renda e o abastecimento local. A Semagric reforça que o serviço também está disponível na sede da Secretaria, com atendimento das 7h30 às 13h30, e que o calendário de atendimentos itinerantes é definido conforme a demanda das associações, comunidades e distritos rurais.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Jean Carla Costa

Edital prevê R$ 131,9 milhões para regularização fundiária e apoio a agricultores

A Prefeitura de Porto Velho informa que o Governo Federal está com inscrições abertas para a seleção de entidades e empresas que irão executar ações de regularização fundiária e ambiental e prestar Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) a agricultores familiares em municípios prioritários da Amazônia.

A chamada pública integra o Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia (UcM) e contará com investimento de R$ 131,9 milhões, com recursos do Fundo Amazônia. A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em parceria com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O edital prevê a divisão em 16 lotes, com potencial de atendimento a mais de 7 mil famílias em 48 municípios de seis estados da Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. Em Rondônia, as ações contemplam os municípios de Candeias do Jamari, Nova Mamoré e Porto Velho.

As inscrições estão abertas desde 7 de fevereiro de 2026 e seguem até 2 de março de 2026. Podem enviar propostas entidades privadas, com ou sem fins lucrativos, desde que estejam regularmente credenciadas na Anater para a prestação de serviços de Ater. Cada instituição poderá concorrer em até dois lotes.

O envio das propostas deve ser feito exclusivamente pelo Sistema de Gestão de Ater (SGA). A experiência na Amazônia Legal e o conhecimento dos territórios onde as ações serão desenvolvidas contam pontos nos critérios de avaliação, embora não haja exigência de que a sede da entidade esteja localizada nos municípios contemplados.

O projeto prioriza pequenas propriedades rurais (com até quatro módulos fiscais), situadas em assentamentos ou em glebas públicas federais ainda não destinadas. O público-alvo inclui agricultores familiares e assentados da reforma agrária.

As atividades começam com a identificação e visita às famílias em áreas previamente selecionadas, em diálogo entre os parceiros do programa. Em seguida, serão iniciados os processos de regularização fundiária e ambiental. Na sequência, as equipes técnicas irão apoiar a adoção de práticas agroecológicas e sistemas agroflorestais, com foco no aumento da renda e na manutenção da floresta em pé.

A iniciativa integra um conjunto de três projetos previstos para os próximos cinco anos dentro do Programa União com Municípios, com meta de alcançar cerca de 30 mil famílias e investimento estimado em R$ 600 milhões.

O Programa União com Municípios foi instituído pelo Decreto nº 11.687/2023 e reconhece o papel estratégico das gestões locais na redução do desmatamento e de incêndios florestais. Atualmente, 70 municípios participam da iniciativa, que já realizou a entrega de equipamentos, ações de formação técnica e pagamento por serviços ambientais a agricultores familiares.

O Fundo Amazônia, criado em 2008, financia projetos voltados à conservação e ao uso sustentável das florestas na Amazônia Legal. Em 2025, o mecanismo registrou o maior volume anual de recursos aprovados desde sua criação, com cerca de R$ 2 bilhões em projetos.

Em caso de dúvidas sobre o edital, os interessados podem encaminhar questionamentos para o e-mail duvidas001.2026@anater.org.

CONFIRA O EDITAL AQUI.

Brasil suspende importação de cacau da Costa do Marfim

O Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau proveniente da Costa do Marfim, maior país produtor do mundo. A medida foi oficializada pelo secretário-executivo da pasta, Irajá Lacerda, substituto do ministro Carlos Fávaro, que está em viagem na Ásia, e consta no Despacho Decisório Nº 456, de segunda-feira (23/2), publicado no diário oficial nesta terça (24/2).

Segundo a pasta, a suspensão tem como base “possíveis implicações fitossanitárias e fatos de triangulação de amêndoas fermentadas e secas de cacau” associada ao elevado fluxo de grãos de países vizinhos – como Gana, Guiné e Libéria – para a Costa do Marfim.

O Ministério também determinou que as áreas técnicas investiguem os possíveis casos de triangulação comercial das amêndoas vindas do país africano.

importação permanecerá suspensa até que o governo marfinense se manifeste sobre a situação e apresente garantias de que os envios não apresentam risco de conter amêndoas de cacau produzidas em outros países que não têm autorização para exportar ao Brasil.

Técnicos do ministério reforçam, no entanto, que essa é uma medida temporária e não pode ser vista como salvação para o setor. Uma postura mais “radical”, defendida por alguns produtores brasileiros de cacau, como a proibição definitiva de importação, está fora de cogitação pelo governo.

No Ministério da Agricultura, a tônica é a de que “problemas sanitários não fecham mercados para sempre”. Ou seja, por mais que algum problema sanitário, como risco de disseminação de praga ou doença, seja identificado e haja suspensão temporária de importação, a medida deve e será revertida assim que o país exportador resolver a situação sanitária.

A fonte citou como exemplo a importação de camarão do Equador. As importações foram suspensas porque houve a detecção de problemas técnicos e sanitários no país pela delegação do Ministério da Agricultura. Quando a situação for resolvida, no entanto, não haverá razão para manter barreiras. Esse é um recado claro ao setor do cacau de que o problema é conjuntural e não será resolvido com uma vedação às importações, mas que a cadeia precisa de uma política mais estruturada.

O tema escalou e está sob a batuta da Casa Civil, onde houve reunião nessa segunda-feira. Há algumas semanas, o governador do Pará, Helder Barbalho, discutiu a situação com o ministro Carlos Fávaro e representantes da cadeia produtiva em Brasília. No fim de janeiro, produtores baianos protestaram contra a importação e a Federação de Agricultura da Bahia (Faeb) cobrou medidas do governo federal.

Mudanças no regime de drawback, que permite isenção na importação de cacau que será usado como matéria-prima para derivados processados aqui e exportados, são vistas como mais complexas em Brasília. A avaliação é que o drawback é instituído por lei de forma linear, sem indicações específicas por cadeia, por exemplo.

Exotismo no campo: saiba como criar cervos

Os cervos usam seus chifres, principalmente como instrumento de combate, mas, todos os anos o descartam, quando ocorre a renovação — Foto: Aflo Images/Canva
Os cervos usam seus chifres, principalmente como instrumento de combate, mas, todos os anos o descartam, quando ocorre a renovação — Foto: Aflo Images/Canva

Não há como não ficar impressionado com as galhadas que crescem no topo da cabeça dos cervos. Elas são de particular imponência quando formam um arco grande, com muitas pontas, em direção ao céu, o que fortalece ainda mais a imagem desse animal exótico, bastante cobiçado quando se busca uma opção para ornamentar propriedades no campo.

Com sua beleza selvagem, o cervídeo integra ainda mais a natureza à rotina de lugares como hotéis, pousadas campestres, estabelecimentos de turismo rural, parques ecológicos e fazendas particulares.

Para o cervo, a principal função do chifre é servir de instrumento de combate, para o animal defender seu território e disputar a preferência das fêmeas. A galhada, que só se desenvolve no cervo macho, tem valor comercial específico.

Brasil firma acordos com Coreia do Sul para cooperação bilateral no agro

Os atos foram celebrados durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul — Foto: Carol De Vita/MAPA
Os atos foram celebrados durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul — Foto: Carol De Vita/MAPA

O Ministério da Agricultura assinou, nesta segunda-feira (23/2), em Seul, na Coreia do Sul, dois memorandos de entendimento com o governo sul-coreano voltados ao fortalecimento da cooperação bilateral em agricultura, sanidade, inovação e desenvolvimento rural. As parcerias abrangem áreas como agricultura digital, infraestrutura agrícola e bioinsumos, segundo comunicado oficial da pasta.

Os acordos foram firmados durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático.

O primeiro memorando, celebrado entre os ministérios da Agricultura dos dois países, prevê a ampliação do intercâmbio técnico e institucional em ciência, tecnologia, agricultura digital, segurança alimentar e cadeias de abastecimento. O documento também estabelece cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), com harmonização de normas e troca de informações para avançar em temas de interesse comum.

Soro de leite pode virar refrigerante e gerar nova receita para laticínios

O soro do leite, um dos principais subprodutos da indústria de queijos, pode deixar de ser um passivo ambiental para se tornar uma nova fonte de receita para laticínios. Isso porque pesquisadores do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), ligado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), avançam no desenvolvimento de uma bebida carbonatada à base de soro, com potencial de enriquecimento proteico e funcional.

Batizada de “refrigerante do bem”, a formulação pode ser acidificada ou fermentada e incorporar proteínas, vitaminas, minerais e até culturas probióticas. A proposta alia aproveitamento integral da matéria-prima à criação de um produto com maior valor agregado.

Segundo Junio de Paula, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Leite e Derivados da Epamig, o diferencial está na combinação entre sustentabilidade e inovação industrial. “Chamamos de ‘refrigerante do bem’ porque contribui com o meio ambiente ao utilizar um soro que, muitas vezes, seria descartado e poderia causar poluição. Também contribui para a saúde, já que mantém nutrientes do leite, como cálcio, outros sais minerais e vitaminas, além de poder conter prebióticos e probióticos”, afirma.


No momento, o projeto está na fase de caracterização do soro, com análises de composição e qualidade para definir parâmetros de formulação. A próxima etapa será a produção em escala industrial na fábrica-escola da Epamig ILCT.

Nessa fase, serão avaliados dois processos tecnológicos (fermentação e acidificação) com repetição dos lotes para validação. Após o envase, o produto passará por armazenamento refrigerado para análise de estabilidade e vida de prateleira. Durante a estocagem, serão realizadas análises físico-químicas e microbiológicas para assegurar segurança, estabilidade e eventual enquadramento como produto probiótico.

Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), execução da Epamig ILCT e gestão da Fundação Arthur Bernardes, o projeto tem conclusão prevista para o início de 2027. A expectativa é que a tecnologia seja considerada de simples adaptação industrial, o que pode facilitar sua adoção por laticínios interessados, desde que cumpridas as etapas regulatórias, como registro do produto e adequações de linha.

Café solúvel, uva, mel e pescados brasileiros podem ser impactados por derrubada do tarifaço de Trump; entenda

Produtos brasileiros como o café solúvel, a uva, o mel e os pescados podem ser beneficiados pela decisão da Suprema Corte dos EUA desta sexta-feira (20) de suspender o tarifaço imposto por Trump.

Isso porque esses itens ficaram de fora de duas decisões anteriores do governo americano que isentaram do tarifaço, no final do ano passado, diversos produtos exportados pelo agro brasileiro aos EUA.

Na ocasião, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou que a reversão parcial do tarifaço abrangeu 55% do valor que o Brasil exportou aos EUA, em 2024.

Alguns dos beneficiados, na época, foram o café em grão e a carne bovina, que são, respectivamente, o segundo e o terceiro itens mais vendidos ao mercado americano, atrás apenas dos produtos florestais.

Os 45% que ficaram fora da isenção incluem setores que, apesar de não liderarem as vendas aos EUA, têm forte dependência do mercado americano, caso justamente do café solúvel, mel, pescados e uva.

Horas depois da decisão da Suprema Corte, Trump anunciou novas taxas globais de 10%, na rede social Truth Social. Ele não informou quais produtos serão atingidos, e afirmou que deve assinar uma ordem executiva ainda nesta sexta-feira.

a Corte, Trump anunciou novas taxas globais de 10%, na rede social Truth Social. Ele não informou quais produtos serão atingidos, e afirmou que deve assinar uma ordem executiva ainda nesta sexta-feira.

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) disse que a medida da Suprema Corte reforça a segurança jurídica e o respeito às competências legais nas relações comerciais internacionais.

A nota diz ainda que, medidas “unilaterais”, como o tarifaço, geram incertezas e impactos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Após o anúncio da Suprema Corte, o g1 procurou ainda a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) e a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Já a Associação Brasileira dos produtores e exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) disseram que ainda estão buscando mais informações para entender a medida.

A CNA, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disseram que não vai se pronunciar no momento.

Trump reverteu parte do tarifaço no final de 2025

A primeira medida de isenção do tarifaço aconteceu no dia 14 de novembro e retirou a tarifa recíproca de 10%, imposta em abril, para cerca de 200 produtos alimentícios de diversos países.

A segunda, no dia 20 do mesmo mês, foi direcionada ao Brasil, e suspendeu a sobretaxa de 40%, anunciada em julho, para mais de 200 produtos, que foram acrescentados à lista anterior de quase 700 exceções ao tarifaço.

Café solúvel

Em 2024, as vendas de solúvel para os EUA representaram 10% de toda a exportação da indústria brasileira de café. O restante da exportação é de café em grão que já foi isenta da tarifa.

O café solúvel brasileiro sempre teve uma forte presença nos supermercados dos EUA, segundo o diretor-executivo da Abics, Aguinaldo Lima, em entrevista ao g1 em novembro.

No ano passado, por exemplo, 38% do que os americanos importaram teve origem no Brasil, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA, citados por Lima.

As exportações brasileiras para o país começaram nos anos de 1960 e, desde então, os americanos se mantiveram como o principal destino do solúvel nacional, o que mudou após o tarifaço.

“A Rússia, que tradicionalmente sempre foi o segundo colocado, passou para primeiro. Algo inédito”, diz Lima, detalhando que isso aconteceu a partir de julho, quando Trump impôs a taxa adicional de 40%.

Desde então, o volume exportado para os EUA nos meses de agosto, setembro e outubro caiu cerca de 50%, quando comparado a igual período de 2024.

Uva

Em 2024, o país foi o destino de 12% todas as frutas frescas exportadas pelo Brasil. Nesse período, somente os exportadores de uva faturaram US$ 41,5 milhões, segundo a Abrafrutas.

Segundo o AgroStat, plataforma de dados de exportação do Ministério da Agricultura, 23% do total de uvas vendidas para o exterior em 2024 foram para os EUA.

Entre outubro e novembro, a comercialização de uvas para os EUA caiu 73% na comparação com o mesmo período de 2024, informou o diretor-executivo da Abrafrutas, Eduardo Brandão.

Apesar de ter uma categoria de “frutas frescas” na lista de exceções publicadas pela Casa Branca em novembro, a uva ficou de fora dela, segundo confirmou a Abrafrutas com a embaixada.

 

Para o diretor-executivo, essa exclusão aconteceu porque os EUA são grandes produtores de uva e devem ter uma supersafra no próximo ano. Além disso, eles também importam muito do Chile e do Peru.

Entretanto, Brandão afirma que os cachos que deixaram de ir para os EUA já foram realocados para países da Europa e da América do Sul.

O maior prejuízo, portanto, foi que, com menos demanda, o poder de negociação para decidir o preço caiu, aponta o diretor.

Mel

Além do tarifaço de 50%, o mel brasileiro já estava sujeito à uma taxa de importação de 8,04% nos EUA, conta Renato Azevedo, presidente da Abemel, em entrevista ao g1 em novembro.

Todos os contratos com os EUA estavam garantidos até dezembro de 2025, afirmou Sitônio Dantas, diretor da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos (Piauí).

De acordo com o AgroStat, os EUA representaram quase 80% de todas as exportações de mel natural do Brasil.

Pescados

A exclusão dos pescados das isenções do tarifaço também frustrou o setor, disse o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, em entrevista ao g1 em novembro.

Segundo a associação, as vendas de pescados para os Estados Unidos geram US$ 300 milhões por ano para o setor.

Os norte-americanos representaram quase metade de todas as exportações do alimento em 2024, aponta o AgroStat.

Segundo Lobo, a atividade tem um peso importante no sustento de comunidades costeiras e ribeirinhas, com forte impacto em pequenas e médias empresas, “justamente onde a sensibilidade às tarifas é maior” Ele afirma que é urgente recolocar o pescado brasileiro no radar das negociações bilaterais.