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Ampliar seguro rural evitaria dívidas no agro, diz economista

O Senado Federal deve votar nesta quarta-feira (10) o Projeto de Lei que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar dívidas de produtores rurais que sofreram perdas causadas por calamidades climáticas. A proposta enfrenta resistência do Governo Federal, que considera que o fundo deve continuar priorizando áreas como educação, saúde e habitação social.

O texto, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no fim de maio, também prevê a utilização de recursos dos fundos constitucionais do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO). O governo tentou negociar alterações na proposta, mas ainda mantém divergências com o relatório apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Para o economista e especialista em agronegócio Miguel Daoud, a votação não encerra a disputa entre governo e Congresso sobre o socorro ao setor. “Provavelmente o Senado deve aprovar essa utilização. Essa aprovação vai para a Câmara dos Deputados, porque houve modificações. E aí o governo imagina entrar com uma Medida Provisória financiando e estabelecendo condições objetivas para os prejuízos que levaram à inadimplência dos produtores rurais. É um novo embate sem solução rápida.”

Segundo Daoud, o principal risco é que os produtores continuem sem acesso efetivo aos recursos prometidos. “Pegamos o caso do Rio Grande do Sul: como é que eles vão comprovar se perderam tudo? Você teria que comprovar perdas passadas, perdas atuais, num período pré-determinado de 30%. Isso é impossível. Então o governo oferece um recurso, mas na realidade ele não vai ser factível, porque vai ser muito difícil ter acesso a esses recursos pelas condições que o governo quer propor.”

Plantação de soja na região da Chapada dos Veadeiros | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O especialista também descreve um cenário de deterioração financeira no campo. “A situação do campo é muito ruim nesse momento. O produtor rural está com as margens totalmente apertadas. A questão do financiamento, aqueles que têm terras arrendadas já não estão conseguindo mais. O mercado internacional está sofrendo um enxugamento muito forte de recursos destinados ao agronegócio e a inadimplência vem aumentando muito.”

Daoud criticou ainda a redução dos recursos destinados ao seguro rural e defendeu uma mudança de foco na política agrícola. “Se nós tivéssemos um seguro rural adequado a cobrir esses eventos climáticos, hoje não estaríamos tratando da consequência da falta de você ter um seguro. O mundo todo subsidia. Nos Estados Unidos, 90% da área plantada tem seguro e o governo ajuda a pagar. Aqui, tivemos a maior área coberta em 2021, com 13%. Hoje estamos com 3,5% e ainda o governo corta a verba.”

Na avaliação do economista, investir em proteção contra perdas climáticas seria mais eficiente do que renegociar dívidas após os prejuízos já terem ocorrido. “Se essa renegociação de dívida vai gerar 17 bilhões de reais, segundo o governo, por que não gastar 4 bilhões com o seguro? Você então não teria esses prejuízos de eventos climáticos. E agora, com esse forte El Niño, seguramente nós vamos ter mais prejuízos.”

Ao analisar o cenário político e econômico, Daoud afirmou que a polarização dificulta a construção de soluções estruturais para o país. “Falta a organização do raciocínio em torno de uma ação que possa realmente não resolver as consequências de fatos que foram gerados por omissão. A gente vê um embate entre Executivo e Legislativo que é lamentável, porque quem paga essa conta é o povo brasileiro. Infelizmente, falta um pouco de organização das ideias objetivas que caminhem ao encontro da necessidade do país.”

Início do vazio sanitário da soja começa hoje em todo o estado de Rondônia

A partir desta quarta-feira (10), tem início em Rondônia, o período do vazio sanitário da soja, medida fitossanitária fundamental para o controle da ferrugem asiática, considerada uma das principais doenças que afetam a sojicultura. O período se estende até 10 de setembro e, nesse intervalo de tempo, fica proibido semear ou manter plantas vivas de soja em todo o território estadual.

A medida tem como principal objetivo interromper o ciclo de sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja. Ao eliminar as plantas hospedeiras durante a entressafra, reduz-se significativamente a pressão da doença na safra seguinte, contribuindo para a sanidade das lavouras e para a redução dos custos de produção.

Segundo o gerente de defesa vegetal da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril (Idaron), Jessé de Oliveira Júnior, durante os 90 dias de vazio sanitário os produtores devem eliminar todas as plantas voluntárias da cultura, conhecidas como ‘soja tiguera’ ou ‘guaxa’, que nascem espontaneamente após a colheita. “A permanência de plantas vivas de soja em áreas irrigadas ou associadas a cultivos como milho, sorgo e milheto também é proibida”, explicou.

A partir desse ano, mesmo a soja ‘tiguera’ que nasce voluntariamente às margens da BR-364 terão que ser eliminadas, sendo que esta atividade será desempenhada pela concessionária que é responsável pela administração da Rodovia.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, ressaltou que, o cumprimento do vazio sanitário é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público e os produtores rurais para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva da soja no estado. “Rondônia é reconhecida nacionalmente como um importante polo produtor agrícola, deste modo, preservar a sanidade das lavouras é essencial para mantermos nossa competitividade. O vazio sanitário é uma medida técnica comprovadamente eficaz e que depende do comprometimento de cada produtor rural. Cumprir esse período é investir na segurança e no futuro da produção agrícola do nosso estado.”

O presidente da Agência Idaron, Julio Cesar Rocha Peres, salientou que a colaboração dos produtores é decisiva para o sucesso da estratégia de controle da doença. “O vazio sanitário é uma das mais importantes ferramentas de prevenção da ferrugem asiática. Por isso, orientamos os produtores a realizarem a eliminação completa das plantas voluntárias e a observarem rigorosamente as normas estabelecidas.”

AÇÕES DE ORIENTAÇÃO

A fiscalização e as ações de orientação aos produtores serão realizadas pela Idaron ao longo do período, conforme estabelecem a Portaria SDA/Mapa nº 1.579, de 9 de abril de 2026, e a Instrução Normativa nº 4/2026/Idaron-Procfas. A Agência alerta, ainda, que o respeito ao vazio sanitário é fundamental para preservar os avanços conquistados pela agricultura rondoniense e garantir condições mais favoráveis para o desenvolvimento da próxima safra. O descumprimento das normas pode resultar em sanções previstas na legislação vigente.

Murilo Huff fatura quase R$ 100 milhões no seu primeiro leilão de gado

Murilo Huff não é apenas um cantor de sucesso. O sertanejo de 30 anos também se destaca como empresário do agronegócio ao investir forte na pecuária, conciliando a rotina dos palcos com a administração da Nelore Huff, marca focada na criação de gado da raça Nelore.

Depois de uma série de investimentos milionários no setor nos últimos anos, como a compra das vacas Íris 8 FIV da Valônia e Donna FIV CIAV, avaliadas em R$ 17 milhões e R$ 54 milhões, respectivamente, ele deu mais um passo no mercado: realizou o primeiro leilão.

O evento, organizado em parceria com a Lucente Agropecuária, Syagri Agropecuária, Nelore Cascão e Nelore São Pedro, foi intitulado “Leilão Raridades” e reuniu famosos, criadores e muitos apaixonados pela genética de elite em Ribeirão Preto (SP) no último fim de semana. O faturamento de R$ 99 milhões o surpreendeu.

“É motivo de muito orgulho estarmos entre grandes parceiros na realização de um dos maiores leilões do Brasil. Apesar de pouco tempo de raça, eu, Fredinho e toda nossa equipe chegamos aqui com muita determinação e amor. Fazer parte da família Nelorista é motivo de muita alegria”.

Entre os famosos presentes no leilão estavam o zagueiro Éder Militão, do Real Madrid, acompanhado da esposa e influenciadora Tainá Castro, além dos sertanejos Zé Neto e João Bosco, que, assim como Murilo, dividem a carreira musical com a paixão pela pecuária.

O lote de abertura envolveu a vaca Bebella FIV Bonfiglioli, valorizada em R$ 3,12 milhões. Em outro momento, a vaca Deluxe FIV CBA, da Nelore Cascão, teve valorização de R$9,12 milhões, a maior do evento.

Conheça as raízes rurais de Haaland, Modrić e outros jogadores da Copa

Os holofotes da Copa do Mundo costumam estar voltados para gols, títulos e cifras milionárias. Mas, entre os craques que disputarão o Mundial de 2026, alguns carregam uma ligação pouco conhecida com o campo – e não apenas o de futebol.

Antes de se tornarem estrelas internacionais, nomes como Luka Modrić e Erling Haaland conviveram com a rotina rural, seja ajudando no manejo de animais, trabalhando em propriedades agrícolas ou investindo na agropecuária fora das quatro linhas.

Em comum, eles têm histórias que mostram como a vida no campo ajudou a moldar trajetórias que hoje fazem sucesso nos maiores estádios do planeta.

Erling Haaland (Noruega)

Foto do craque pilotando trator se tornou icônica na Noruega — Foto: Reprodução
Foto do craque pilotando trator se tornou icônica na Noruega — Foto: Reprodução

Craque do Manchester City, o principal jogador da Noruega nasceu em Byrne, no distrito de Jæren, região com forte tradição agrícola. A convivência com a atividade agropecuária fez parte da sua juventude.

Mais jovem, Haaland guiou tratores na fazenda do tio, produtor de batatas. Segundo reportagem do The Guardian, uma foto do jogador pilotando uma dessas máquinas se tornou icônica na região. O veículo em questão é um Fordson Super Dexta, da década de 1960.

Postagens de Haaland bebendo leite de fazendas locais – que ele chama de “poção mágica” – ajudaram a impulsionar os laticínios locais (veja a postagem abaixo).

“Quando posso, tento relaxar minha mente. Por exemplo, estar no campo, guiar um trator ou alimentar vacas. Ainda não tenho vacas ou porcos, mas no futuro, tenho certeza que sim”, disse.

Luka Modrić (Croácia)

Luka Modrić, da Croácia e do Milan, cresceu em um pequeno vilarejo rural — Foto: AC Milan
Luka Modrić, da Croácia e do Milan, cresceu em um pequeno vilarejo rural — Foto: AC Milan

A estrela da seleção croata cresceu no vilarejo de Modrići, uma pequena aldeia rural. A atividade que predominava na região era a criação de ovinos e caprinos.

O avô, que morreu durante a guerra, era pastor e criador de animais na região. Segundo uma reportagem da BBC, ele estava cuidando do rebanho quando foi assassinado. O futuro jogador tinha seis anos na época.

O jovem Luka ajudava o avô nas atividades rurais, e há imagens dele ainda criança conduzindo cabras. Quando o avô foi assinado, porém, a família teve de deixar a propriedade.

“Meu avô me ensinou a limpar a neve, empilhar feno, levar o rebanho para pastar. Eu cresci com animais. Me divertia puxando as ovelhas pelo rabo. Acho que foi ali que aprendi a jogar futebol, entre ovelhas e pedras”, disse o jogador ao Corriere Della Sera.

Aiden O’Neill (Austrália)

O australiano Aiden O'Neill, do New York City FC, trabalhou em fazendas e hoje cria gado — Foto: New York City FC
O australiano Aiden O’Neill, do New York City FC, trabalhou em fazendas e hoje cria gado — Foto: New York City FC

A Austrália é um dos maiores produtores de carne bovina do mundo. Não por acaso, a atividade faz parte também do dia a dia de jogadores da seleção nacional de futebol.

O meio-campista Aiden O’Neill possui uma propriedade rural de cerca de 70 hectares em New South Wales, onde mantém o rebanho bovino. Na juventude, o agora jogador trabalhou em fazendas da região.

Em entrevista ao site da Fifa, ele disse que a agropecuária é um hobby e também um investimento. “É um pouco diferente. Não são muitos os jogadores de futebol que têm uma fazenda ou interesse em gado”, comentou.

“É um lugar relativamente pequeno para os padrões australianos, com 170 acres. Temos algumas cabeças de gado lá e é algo que gosto de fazer fora do futebol.”

Gustavo Gómez (Paraguai)

Gustavo Gómez, da seleção paraguaia e do Palmeiras, possui uma fazenda no seu país — Foto: Cesar Greco/Palmeiras
Gustavo Gómez, da seleção paraguaia e do Palmeiras, possui uma fazenda no seu país — Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Zagueiro do Paraguai e também do Palmeiras, Gómez mantém uma forte identificação com as tradições rurais e compartilha momentos ligados à vida no campo.

Em entrevista ao ge.globo, o atleta de 33 anos revelou que não gostava muito do interior, mas a influência de pessoas próximas despertou a paixão, tanto é que possui uma fazenda em San Juan Bautista, cidade localizada a 200 quilômetros de Assunção.

“O meu melhor amigo é veterinário, meu cunhado é veterinário, meu primo é veterinário. Todo mundo virou veterinário. E depois, a cada dia, eu fui conhecendo mais, fui aprendendo um pouco mais. É uma coisa agradável e um negócio financeiramente legal também”, afirmou.

União Europeia formaliza veto à carne brasileira

A União Europeia formalizou o veto à importação da carne brasileira, que terá início a partir do dia 3 de setembro. A proibição ainda atinge aves, peixes e mel. A decisão foi publicada no diário oficial do bloco nesta sexta-feira (5).

O texto afirma que o Brasil não apresentou provas de que a produção pecuária esteja livre de determinados microbianos, proibidos na criação de animais pelo bloco europeu.

“A Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos no artigo 3.o do Regulamento Delegado (UE) 2023/905 relativamente a estas categorias. A menção relativamente a bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas deverá, por conseguinte, ser suprimida no anexo do presente regulamento”, afirma trecho do documento publicado.

Segundo as normas da UE, não é permitido o uso de antimicrobianos em animais de criação para estimular o crescimento ou aumentar a produção. Também é proibido o tratamento de animais com antimicrobianos reservados exclusivamente para infecções humanas.

A resistência antimicrobiana é considerada uma das maiores ameaças à saúde pública da atualidade. Segundo a UE, ao garantir o uso prudente desses medicamentos em animais, o bloco busca proteger a saúde da população europeia.

Especialista em agronegócio, Miguel Daoud diz acreditar que o problema é somente de burocracias e vê responsabilidade do governo brasileiro.

“Quem acompanha o agronegócio brasileiro sabe que o produtor faz o regramento de todas essas exigências. Portanto, essa decisão da comunidade europeia vem em linha com o aviso que já foi dado há algum tempo para o Brasil de que ele precisaria se enquadrar. Infelizmente, até agora o ministério da Agricultura não conseguiu mandar os documentos”, explica.

Em maio, o governo informou que adotará todas as medidas necessárias para reverter a decisão, retomar a habilitação e garantir o fluxo de vendas ao mercado europeu. O SBT News questionou novamente o Ministério da Agricultura e Pecuária, mas ainda não obteve resposta.

Porto Velho forma novos operadores e fortalece a agricultura familiar com curso gratuito de retroescavadeira

15 novos operadores certificados e mais oportunidades para quem vive e produz no campo
15 novos operadores certificados e mais oportunidades para quem vive e produz no campo

A agricultura familiar de Porto Velho ganhou um importante reforço nesta semana com a conclusão do Curso de Operação de Retroescavadeira realizado na Linha 15, no assentamento Joana D’Arc. A iniciativa, resultado da parceria entre a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), e o Senar Rondônia, certificou 15 novos operadores, ampliando oportunidades de emprego, qualificação profissional, geração de renda e desenvolvimento rural para homens e mulheres que vivem no campo.

Semagric e Senar: parceria que gera renda, qualificação e desenvolvimento rural
Semagric e Senar: parceria que gera renda, qualificação e desenvolvimento rural

Além da capacitação gratuita, o curso também levou benefícios diretos aos produtores rurais da região. As aulas práticas foram realizadas dentro do programa Porteira Adentro, uma das principais ações de apoio à agricultura familiar desenvolvidas pela Prefeitura de Porto Velho. Durante o treinamento, 10 propriedades rurais receberam melhorias em infraestrutura, contribuindo para o aumento da produção agrícola, melhoria do acesso e fortalecimento das atividades desenvolvidas pelos agricultores familiares.

O secretário municipal de Agricultura, Douglas Bener, destacou que investir na qualificação dos trabalhadores rurais significa fortalecer toda a economia do campo. “É muito gratificante ver mais 15 pessoas preparadas para ingressar no mercado de trabalho e conquistar novas oportunidades. A capacitação profissional é uma ferramenta poderosa para transformar vidas, gerar renda e fortalecer a agricultura familiar. Nosso compromisso é continuar levando cursos, assistência técnica, tecnologia e desenvolvimento para as comunidades rurais de Porto Velho”, afirmou.

Conhecimento, trabalho e desenvolvimento chegando às comunidades rurais
Conhecimento, trabalho e desenvolvimento chegando às comunidades rurais

O secretário adjunto da Semagric, Rodrigo Ribeiro, ressaltou que a união entre capacitação e atendimento aos produtores gera resultados que permanecem nas propriedades. “Enquanto os alunos aprendiam na prática a operar a retroescavadeira, os produtores recebiam melhorias importantes em suas áreas. É uma ação que une qualificação profissional, desenvolvimento rural e fortalecimento da agricultura familiar. Todos ganham, os alunos, os produtores e a economia rural do município”, destacou.

Mais qualificação, mais oportunidades e mais desenvolvimento para a agricultura familiar.
Mais qualificação, mais oportunidades e mais desenvolvimento para a agricultura familiar.

A Semagric segue investindo em capacitação, assistência técnica, mecanização agrícola e ações que fortalecem a agricultura familiar e impulsionam o desenvolvimento das comunidades rurais. Com iniciativas como essa, Porto Velho valoriza o homem e a mulher do campo, gera oportunidades, fortalece a produção de alimentos e contribui para o crescimento da economia rural de Rondônia.

A força do campo começa com capacitação e oportunidade

Brasil segue fora de lista europeia para exportações pecuárias

A Comissão Europeia publicou nesta quinta-feira (5) uma atualização da regulamentação que altera as condições para a importação de animais e produtos de origem animal destinados ao consumo humano no bloco. O Brasil permanece fora da lista de países considerados aptos a atender às novas exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

Segundo o texto, a decisão foi tomada porque a Comissão Europeia afirma não ter recebido informações suficientes que garantam que o Brasil implementará, até 3 de setembro de 2026, as medidas necessárias para cumprir as exigências previstas na legislação europeia.

As regras proíbem o uso de determinados antibióticos considerados essenciais para a saúde humana e restringem a utilização de medicamentos antimicrobianos para promoção de crescimento ou aumento de produtividade em animais destinados à produção de alimentos.

A exclusão afeta categorias relevantes para as exportações brasileiras ao mercado europeu, incluindo bovinos, equinos, aves, produtos de aquicultura, mel e tripas animais. Até então, o Brasil figurava na lista de países autorizados para esses segmentos.

A medida faz parte de um esforço mais amplo da União Europeia para combater a resistência antimicrobiana, considerada uma das principais ameaças globais à saúde pública. Bruxelas vem endurecendo as exigências para países terceiros que exportam alimentos de origem animal ao bloco, exigindo garantias de que práticas proibidas dentro da UE também não sejam utilizadas na produção destinada ao mercado europeu.

A nova regulamentação também amplia a lista de países autorizados a exportar determinados produtos para a União Europeia. Nações como Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Sérvia, Tunísia, Tanzânia e Uganda passaram a integrar a relação após apresentarem documentação considerada suficiente pelas autoridades europeias.

Apesar da retirada do Brasil da lista, a regulamentação não representa um embargo imediato às exportações. O texto estabelece que as novas disposições entrarão em vigor a partir de 3 de setembro de 2026. Até lá, autoridades brasileiras e europeias ainda podem manter negociações e apresentar informações adicionais para demonstrar conformidade com as exigências sanitárias do bloco.

Negociações continuam

Nas últimas semanas, representantes do governo brasileiro intensificaram as negociações com Bruxelas em busca de uma solução. O principal foco das discussões tem sido a carne bovina, embora também existam preocupações envolvendo aves, aquicultura e mel.

Como parte dessa estratégia, o Ministério da Agricultura apresentou recentemente um protocolo privado de certificação para bovinos livres de antimicrobianos. O sistema prevê o acompanhamento dos animais desde o nascimento até o abate, com o objetivo de comprovar que não houve utilização dos medicamentos proibidos pela legislação europeia.

O governo brasileiro também buscou negociar um período de adaptação que permitisse comprovar inicialmente o não uso dos medicamentos apenas nos meses finais da vida dos animais, avançando gradualmente para um sistema integral de rastreabilidade. A proposta, porém, não encontrou apoio entre os europeus.

Exportações de carne suína crescem 9% em maio

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 129,4 mil toneladas em maio, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado é o maior já registrado para um mês de maio e supera em 9% o volume embarcado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 118,8 mil toneladas.

A receita das exportações alcançou US$ 302,1 milhões, também o melhor desempenho já registrado para meses de maio, resultado 3,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado, com US$ 291,2 milhões.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 584,8 mil toneladas.

Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,9%, com US$ 1,546 bilhão entre janeiro e maio deste ano, frente aos US$ 1,382 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne suína em maio, as Filipinas permaneceram na liderança, com 27,2 mil toneladas embarcadas, volume 3,8% inferior ao registrado em maio de 2025. Em seguida aparecem Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%), Chile, com 10,9 mil toneladas (-0,1%), China, com 8,9 mil toneladas (-25,9%), México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%), Hong Kong, com 8,2 mil toneladas (+13,8%), Argentina, com 5,8 mil toneladas (+13,7%), Uruguai, com 4,7 mil toneladas (+0,3%), Vietnã, com 4,6 mil toneladas (-14,2%) e Singapura, com 4,1 mil toneladas (-50,5%).

No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 62,5 mil toneladas embarcadas em maio (+4,9%), seguida por Rio Grande do Sul, com 32,7 mil toneladas (+19,5%), Paraná, com 18,3 mil toneladas (-4,8%), Mato Grosso, com 4,6 mil toneladas (+52,4%) e Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+26,5%).

“Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor. Observamos expansão relevante em mercados estratégicos de valor agregado, como o Japão, e diversos outros com volumes menores como Geórgia, Costa do Marfim, Coreia do Sul e outros que, somados, influenciaram positivamente o resultado do mês. O fato de registrarmos o melhor mês de maio da história para as exportações de carne suína reforça a solidez da demanda internacional e projeta um ano extremamente positivo para a suinocultura brasileira, com potencial para alcançar novos recordes em volume e receita”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Sebrae transforma pequenos negócios rurais em marcas de sucesso e fortalece a competitividade de Rondônia

A força do empreendedorismo rural em Rondônia tem ganhado cada vez mais destaque graças ao trabalho desenvolvido por pequenos produtores que transformaram propriedades familiares em negócios competitivos, geradores de renda e reconhecidos pela qualidade dos seus produtos. Por trás de muitas dessas histórias está o apoio do Sebrae Rondônia, instituição que atua diretamente na capacitação, qualificação, gestão, inovação e acesso a mercados para pequenos empreendedores urbanos e rurais.

Os resultados desse trabalho puderam ser vistos durante a 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional, em Ji-Paraná, onde agroindústrias familiares de diferentes regiões do estado apresentaram produtos que hoje conquistam consumidores em Rondônia e em outros estados brasileiros.

Mais do que produzir alimentos, esses empreendedores agregam valor à matéria-prima, geram empregos, fortalecem a economia local e demonstram que produtividade e competitividade podem caminhar lado a lado com a agricultura familiar.

Entre os exemplos de sucesso está a agroindústria de chocolates Tiengo, que nasceu a partir do sonho do produtor Deuclides Pires, agricultor que decidiu substituir parte da pastagem pelo cultivo de cacau em sua propriedade rural.

Chocolates que são comercializados em várias regiões do País. Foto: Eduardo Kopanakis

A aposta, que inicialmente gerou dúvidas até mesmo dentro da própria família, transformou-se em um caso de sucesso reconhecido nacionalmente. Hoje, a propriedade produz cacau fino premiado em concursos nacionais e abastece a fabricação dos chocolates da marca.

Marcelo Alves Medeiros, genro de Deuclides e responsável pela agroindústria, conta que a família acreditou no potencial da cultura e investiu na verticalização da produção.

Marcelo Tiengo, durante entrevista ao programa Rondorural. Foto: Eduardo Kopanakis

“Meu sogro apostou no cacau quando muita gente não acreditava. Ele transformou uma área de pastagem em uma lavoura produtiva e hoje conquistou dois concursos nacionais com um dos melhores cacaus do Brasil. É uma história construída com muito trabalho e dedicação”, destacou.

Atualmente, cerca de 80% da matéria-prima utilizada na fabricação dos chocolates é produzida pela própria família. A empresa controla praticamente toda a cadeia produtiva, desde o plantio até o produto final.

Cacau produzido na propria fazenda. Arquivo pessoal

“Nós plantamos o cacau e fazemos o nosso chocolate. Isso nos dá maior controle da matéria-prima e garante qualidade ao consumidor. Nosso chocolate nasceu com uma proposta diferenciada, sendo um produto sem leite, sem glúten e com foco em alimentação saudável”, explicou Marcelo.

Outro exemplo do fortalecimento dos pequenos negócios apoiados pelo Sebrae é a Agroindústria Colonial, do apicultor Virgílio Remoacir Possebon, de Vilhena.

Mel produzido no cone sul do estado de Romdônia. Arquivo pessoal

Com aproximadamente 120 caixas de abelhas, o produtor desenvolveu uma agroindústria familiar que hoje comercializa mel certificado e leva o produto rondoniense para mercados cada vez mais distantes.

Participante de 11 edições da Rondônia Rural Show, Virgílio acompanha de perto a evolução do agronegócio no estado e reconhece a importância das feiras e do apoio institucional para o crescimento dos pequenos produtores.

Durante o programa Rondorural o apicultor destacou a produção e o apoio do Sebrae/RO. Foto: Eduardo Kopanakis

“Hoje estamos mandando mel até para o Acre. Isso mostra como a divulgação e o apoio que recebemos fazem a diferença para quem produz no campo”, afirmou.

Segundo ele, a participação em eventos como a Rondônia Rural Show fortalece a marca, amplia a rede de contatos e cria oportunidades de negócios.

Apicultor Virgílio, comercializou todos os produtos durante a feira. Foto: Jean Carla Costa

“Temos recebido apoio do Governo do Estado, da Seagri e do Sebrae. Através dessas parcerias conseguimos mostrar nossos produtos e crescer junto com Rondônia”, ressaltou.

Em Jaru, a Agroindústria Paraíso também representa um caso de empreendedorismo familiar que encontrou nas feiras e na qualificação uma oportunidade para expandir os negócios.

Há 11 anos no mercado, a empresa produz requeijão e manteiga de garrafa a partir do leite produzido na própria propriedade e adquirido de produtores vizinhos.

O negócio nasceu da experiência da esposa de Pedro Teixeira Nolasco, que trouxe da tradição mineira o conhecimento sobre a fabricação de requeijão artesanal.

Requeijão que mudou a vida da familia que hoje se tornaram emprensarios em Rondônia. Foto: Eduardo Kopanakis

“A gente viu que poderia ser uma fonte de renda. Compramos uma chácara e começamos a produzir. Hoje já são 11 anos de trabalho”, contou.

Além da produção própria, a agroindústria também fortalece a economia local ao comprar leite de pequenos produtores da região.

“Hoje produzimos entre 80 e 100 litros por dia e compramos mais cerca de 300 litros de produtores vizinhos. Isso ajuda outras famílias e fortalece toda a cadeia produtiva”, explicou.

Pedro destaca que a participação na Rondônia Rural Show foi decisiva para abrir novas oportunidades comerciais.

“No ano passado foi nossa primeira participação e abriu portas para vários mercados e empórios do estado. Este ano as vendas estão superando as expectativas desde o primeiro dia da feira”, afirmou.

As histórias dessas agroindústrias demonstram como o empreendedorismo pode transformar realidades quando aliado à capacitação, ao planejamento e à inovação.

Ao longo dos anos, o Sebrae Rondônia tem desempenhado papel estratégico no fortalecimento desses negócios, oferecendo consultorias, cursos, orientações técnicas e apoio à participação em feiras e eventos de negócios.

O resultado é o crescimento de empreendimentos que deixam de comercializar apenas matéria-prima para agregar valor aos produtos, ampliar a renda das famílias e aumentar a competitividade dos produtos rondonienses.

Dayan Saldanha apoio aos empreendedores do estado durante o programa Rondorual. Foto: Eduardo Kopanakis

“Mais do que apoiar empresas individuais, o Sebrae contribui para o desenvolvimento econômico regional, fortalecendo cadeias produtivas inteiras e criando oportunidades para que produtos com identidade amazônica conquistem espaço no mercado estadual, nacional e até internacional” destacou o gerente de Comunicação do Sebrae Rondônia, Dayan Saldanha.

Os casos do chocolate Tiengo, da Agroindústria Colonial e da Agroindústria Paraíso mostram que, quando conhecimento, empreendedorismo e apoio institucional caminham juntos, os pequenos negócios se transformam em grandes histórias de sucesso, levando o nome de Rondônia cada vez mais longe.

Por: Eduardo Kopanakis

Exportações de frango superam US$ 1 bilhão em maio

As exportações brasileiras de carne de frango somara US$ 1,009 bilhão em maio, em alta de 36,1% sobre igual período do mesmo mês de 2025, quando o setor faturou US$ 741,2 milhões. As vendas foram impulsionadas pelo avanço da demanda internacional e pela ampliação dos embarques para mercados estratégicos como China, Japão e União Europeia.

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o volume é recorde para o período.

Em volume, as exportações somaram 509,9 mil toneladas, também o maior resultado já registrado para o período, em alta de 29,6% na comparação anual. Segundo a entidade, o desempenho também reflete a base de comparação mais baixa do ano passado, marcada pelos impactos do único caso registrado de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na história da avicultura comercial brasileira.

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 2,453 milhões de toneladas de carne de frango, avanço de 8,7% frente ao mesmo período de 2025. A receita acumulada chegou a US$ 4,714 bilhões, crescimento de 11,3%.

A China permaneceu como principal destino da proteína brasileira em maio, com importações de 48,3 mil toneladas, alta de 34,7%. Na sequência aparecem Japão, com 43,2 mil toneladas (+53,9%), União Europeia, com 40,2 mil toneladas (+61,6%), Arábia Saudita, com 39,1 mil toneladas (+27,5%) e Emirados Árabes Unidos, com 32,3 mil toneladas (+1,2%).

Também apresentaram crescimento relevante mercados como México (+40,9%), Coreia do Sul (+36,4%) e África do Sul (+22,8%). Entre os principais compradores, apenas as Filipinas registraram retração nos embarques, com queda de 14,2%.

Entre os estados exportadores, o Paraná manteve a liderança nacional, com 213,9 mil toneladas embarcadas em maio, crescimento de 35,1%. Santa Catarina aparece em seguida, com 113,9 mil toneladas (+39,7%), seguido pelo Rio Grande do Sul, com 62,9 mil toneladas (+21,3%).

Na avaliação do presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho ocorreu mesmo em um cenário global de elevada instabilidade logística e geopolítica.

Segundo ele, as tensões no Oriente Médio e os riscos envolvendo as rotas marítimas ligadas ao Estreito de Ormuz aumentaram as incertezas do comércio internacional. Ainda assim, o Brasil conseguiu ampliar presença em mercados considerados estratégicos e de maior valor agregado.E

Em nota, o presidente da ABPA afirma que Brasil ampliou significativamente a presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que registrou forte presença no Oriente Médio e ampliou negócios em mercados emergentes.

Para o setor, o resultado reforça a competitividade da cadeia avícola brasileira, sustentada pela diversificação dos mercados compradores, capacidade produtiva e status sanitário do país, fatores que seguem impulsionando a demanda internacional pela proteína brasileira.