A cafeicultura no Vale do Guaporé tem registrado avanços significativos nos últimos anos, impulsionada pela presença da assistência técnica e extensão rural nas propriedades familiares. Com orientação especializada desde o planejamento da lavoura até o manejo nutricional e a implantação de sistemas de irrigação, produtores têm alcançado ganhos expressivos em produtividade, qualidade dos grãos e estabilidade de safra. A transformação é resultado das ações do programa Plante Mais, desenvolvido pelo governo de Rondônia.
A iniciativa é realizada por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), sendo executada pela Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do estado de Rondônia (Emater-RO), e integra a distribuição de mudas clonais de alto desempenho, acompanhamento técnico e orientação para acesso ao crédito rural.
Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o fortalecimento da cafeicultura representa desenvolvimento econômico aliado à inclusão social. “O Plante Mais gera oportunidade e renda para as famílias do campo. Com investimentos em tecnologia e orientação técnica, os resultados aparecem na produtividade e na melhoria da qualidade de vida”, salientou.
MAIOR UNIFORMIDADE DAS PLANTAS
Cafeicultora Célia Aragão está satisfeita com a orientação recebida
Nos municípios que integram a região do Vale do Guaporé, produtores relatam mudanças na condução das lavouras após a adoção do sistema clonal. A nova metodologia proporciona maior uniformidade das plantas, precocidade produtiva e potencial de qualidade superior. Além disso, a assistência técnica da Emater-RO tem contribuído para melhorar a organização das propriedades e reduzir os custos operacionais.
De acordo com o presidente da Emater-RO, Luiz Cláudio Pereira Alves, o diferencial do programa está no acompanhamento próximo às famílias rurais. “A assistência técnica garante que o produtor tome decisões com base em orientação qualificada, promovendo sustentabilidade e crescimento da atividade”, afirmou, ressaltando que o trabalho da Emater-RO é acompanhar, orientar e construir soluções junto com o agricultor, fortalecendo cada propriedade atendida.
AUMENTO DA PRODUTIVIDADE
Produtores atendidos pelo programa confirmam os impactos positivos. Em São Domingos do Guaporé, distrito de Costa Marques, agricultores que receberam mudas clonais apontam aumento na produtividade e maior padronização das lavouras. A cafeicultora Célia Aragão dos Santos, relatou que o acompanhamento contínuo da Emater-RO tem sido decisivo para aprimorar o manejo e ampliar as perspectivas de crescimento. “Os técnicos da Emater estão aqui, do nosso lado, nos orientando e nos ajudando, assim a gente trabalha e tem certeza que a bênção chega e ficamos felizes com o que fazemos.”
Com a modernização das lavouras e a adoção de tecnologia, Rondônia consolida sua posição como referência na produção de robustas amazônicos de qualidade, fortalecendo a agricultura familiar e promovendo desenvolvimento sustentável na região do Vale do Guaporé.
Especialista André Carvalho destaca impactos das novas regras tributárias para PMEs
A população e os empresários de Mirante da Serra terão uma oportunidade especial para se atualizar sobre dois dos assuntos mais relevantes do cenário econômico atual: a Reforma Tributária e a malha fiscal do PIX. A palestra será realizada nesta quinta-feira (5), às 19h, no auditório da Prefeitura Municipal, localizado na Rua Dom Pedro I, nº 2389.
O evento contará com os palestrantes André Carvalho e Silvana Mattiuzzi, que irão abordar de forma prática e acessível os impactos das novas regras tributárias, especialmente para as pequenas e médias empresas (PMEs).
Reforma Tributária já está em andamento
A Reforma Tributária já está acontecendo e, em 2026, entra em uma nova fase de implementação. Para muitos empresários, especialmente os de pequeno e médio porte, a falta de assessoria especializada pode gerar insegurança, erros na precificação e até prejuízos.
Durante a palestra, serão abordados temas essenciais como:
Impactos da reforma na precificação de produtos e serviços;
Mudanças na carga tributária;
Adequação das empresas às novas regras;
Planejamento estratégico para reduzir riscos fiscais;
Como uma contabilidade moderna pode aumentar a lucratividade.
O foco será orientar principalmente as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) que têm sentido com mais intensidade os reflexos das mudanças por falta de informação clara e direcionada.
Alerta sobre a malha fiscal do PIX
Outro tema de grande relevância será a malha fiscal envolvendo movimentações via PIX. No Estado, têm sido frequentes notificações relacionadas a:
Movimentações de PIX no CPF;
Uso de maquininhas de débito e crédito sem a devida declaração;
Divergências entre faturamento declarado e movimentação financeira.
Empresários e autônomos que não realizam corretamente suas declarações podem sofrer sanções e notificações para regularização junto aos órgãos fiscalizadores.
A palestra vai explicar como funciona essa dinâmica e como evitar problemas futuros, trazendo orientação prática e preventiva.
Contabilidade que vai além dos números
A iniciativa é promovida pela Mirante Contabilidade, que faz parte do Grupo MAX, reforçando seu compromisso em facilitar a contabilidade e levar informação estratégica aos empresários.
Essa é mais uma ação que demonstra que a contabilidade moderna vai muito além de números. Com orientação correta, planejamento tributário e acompanhamento profissional, o risco diminui e a lucratividade aumenta.
A proposta do evento é justamente essa: transformar informação em segurança e crescimento para o empresário.
Participe
Evite problemas futuros e prepare sua empresa para as mudanças que já estão em curso.
📍 Local: Auditório da Prefeitura Municipal de Mirante da Serra
📅 Data: Quinta-feira (5)
🕖 Horário: 19h
📌 Endereço: Rua Dom Pedro I, 2389
Empresários, profissionais autônomos e a população em geral estão convidados a participar desse momento de aprendizado e atualização sobre o novo cenário tributário brasileiro.
O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária cresceu 11,7% em 2025 na comparação com o ano anterior, somando R$ 775,3 bilhões, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta terça-feira (3). O PIB da agropecuária correspondeu a aproximadamente 6,1% do PIB brasileiro em 2025 mas, levando em conta outros setores, como insumos, agroindústria, transporte e comércio, a participação é ainda maior.
Segundo o instituto, o resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção e da produtividade na Agricultura. O milho teve crescimento de 23,6% e a soja de 14,6%, ambas com recorde de produção na série histórica. A Pecuária também contribuiu para o desempenho positivo do setor.
No quarto trimestre de 2025, a Agropecuária cresceu 12,1% na comparação com o mesmo período de 2024. O resultado foi influenciado pela Pecuária e pelo bom desempenho de produtos com safra concentrada no período, como fumo (29,8%), laranja (28,4%) e trigo (3,7%).
Enquanto a Agropecuária apresentou crescimento de dois dígitos, outros setores da economy avançaram menos. As Indústrias extrativas cresceram 8,6%, Informação e comunicação 6,5% e Atividades financeiras e de seguros 2,9%.
De acordo com Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, quatro atividades (Agropecuária, Indústrias extrativas, Informação e comunicação e Outras atividades de serviços) responderam por 72% do crescimento do Valor Adicionado em 2025.
No total, o PIB brasileiro somou R$ 12,7 trilhões em 2025, com alta de 2,3% em relação ao ano anterior. O resultado geral foi influenciado pelo crescimento da Agropecuária (11,7%), da Indústria (1,4%) e dos Serviços (1,8%).
Importância do agro no PIB
“O segmento é atualmente o motor mais dinâmico da economia nacional, não havendo outro setor com desempenho semelhante”, avaliou Luiz Honorato Junior, economista e pesquisador da UnB (Universidade de Brasília), em recente entrevista à CNN Brasil.
O economista da UnB destaca que, embora recentemente o setor petroquímico venha apresentando crescimento e contribuindo para a geração de divisas, ele ainda não possui o mesmo histórico, grau de robustez ou nível de competitividade internacional alcançado pelo agronegócio brasileiro.
O economista atribuiu a predominância do agronegócio às vantagens comparativas do Brasil, como a extensa área territorial, longa tradição na atividade agrícola, disponibilidade de terras, possibilidade de colheita de mais de uma safra por ano, custos relativamente baixos, abundância de recursos naturais, como água, boa incidência solar, e baixo custo da mão de obra.
De acordo com ele, essas condições não se reproduzem com a mesma intensidade em outros setores da economia, o que limita a competitividade nos outros segmentos.
Com o objetivo de modernizar a produção e garantir autonomia aos apicultores locais, a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagric), realizou uma série de oficinas práticas sobre o beneficiamento da cera apícola. A capacitação mais recente ocorreu na Associação dos Apicultores e Meliponicultores da Amazônia (Apama), neste sábado (28), reunindo cerca de 30 produtores interessados em aprender técnicas que agregam valor à cadeia produtiva do mel.
Para o apicultor Wanderlei, a modernização traz segurança e renda
A iniciativa busca solucionar um gargalo econômico. Por meio do treinamento, os apicultores aprendem a utilizar equipamentos como o laminador e o cilindro alveolador, transformando a cera bruta em lâminas que servem de alicerce para as abelhas. Esse processo é fundamental para a produtividade, pois evita que o enxame gaste energia produzindo cera do zero, permitindo que foque na produção de mel.
Para o apicultor Wanderlei Chocolate, a modernização traz segurança e renda. “A apicultura vem se aperfeiçoando. Hoje temos mais segurança com o uso de macacões e também segurança ambiental, resgatando abelhas na cidade em vez de usar fogo”, destaca o produtor atendido, que chega a colher 100 kg de mel por ano, complementando a renda familiar.
De acordo com o gerente de assistência técnica da Semagric, Roseval Guzo, a meta é tornar o produtor independente. “O grande objetivo dessa oficina é diminuir o custo para o produtor e capacitá-lo a beneficiar sua própria cera. Isso vai baratear o custo em pelo menos 40% e tornar o produto final mais acessível ao consumidor”.
De acordo com o Roseval Guzo, a meta é tornar o produtor independente
Reforçando o compromisso da gestão municipal com o setor, o prefeito Léo Moraes destacou a relevância estratégica da atividade para a capital, como uma ação criada para atender a todos dentro da capacidade técnica, aproveitando a produção de Porto Velho.
“Nossa gestão trabalha para diminuir o peso no bolso do produtor e garantir que ele tenha logística e fomento para avançar não apenas no mel, mas na produção de cera, pólen e própolis”, afirmou.
A capacitação, que conta com a parceria do Sistema Faperon/Senar, já passou por Nova Califórnia e Nova Mutum, consolidando o avanço da apicultura em toda a extensão rural de Porto Velho.
Quem não gosta daquele cafezinho? O grão que é transformado na bebida mais consumida do mundo e a segunda mais apreciada pelos brasileiros em 2025 tem ganhado espaço nas áreas destinadas às plantações de Goiás. Apesar de ainda não configurar entre os que mais produzem em números absolutos, o Estado tem sido protagonista quando falamos em produtividade de café por hectare.
De acordo com números da Secretaria de Estado de Pecuária e Abastecimento (Seapa), Goiás teve uma produção de 215,5 mil sacas em 5,5 mil hectares plantados, o que resultou em uma produtividade de 38,6 sacas por hectare. Para se ter uma ideia, em Minas Gerais — considerado o maior produtor — varia de 25 a 30 sacas por hectare.
No ano passado, Goiás exportou 14,5 mil toneladas de café, o que resultou em US$ 105,6 milhões. Resultado que colocou o Estado em sexto entre os que mais exportaram, tendo Alemanha, Itália, Estados Unidos, Rússia e Países Baixos como os principais destinos do café do Cerrado.
A gerente de Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa, Christiane Amorim, explica que a produção em solo goiano é exclusivamente do café arábica, que tem uma variedade mais saborosa e é amplamente utilizada pela indústria. Segundo ela, fatores como clima, altitude e característica do solo acabam influenciando na qualidade do grão que é transformado na bebida mais querida dos brasileiros e de alguns outros países.
Christiane Amorim afirma que Goiás ainda não tem determinada expressividade em volume produzido, como é o caso de Minas Gerais e Espírito Santo, mas que caminha para isso.
“Esse resultado é fruto de investimentos em tecnologia, boas práticas de manejo e sustentabilidade. O produtor goiano tem investido em técnicas que elevam a eficiência da lavoura, o que impacta positivamente tanto na produtividade quanto na qualidade do grão”, destaca.
Christiane Amorim explica o ciclo do café em Goiás | Foto: Fábio Chagas/Jornal Opção
A gerente destaca que o café passa por ciclo natural que impacta na quantidade da produção de um ano para o outro. Em 2025, por exemplo, a quantidade produzida representou 6% a menos do total colhido em 2024.
“Essa queda está relacionada à bienalidade do café, um fenômeno natural da planta em que há alternância entre um ano de alta produção e outro de menor produtividade. Em 2025, vivenciamos a bienalidade negativa”, pontua.
A gerente destaca que Goiás conta com cerca de 15 municípios produtores de café, que ficam, principalmente, em regiões de clima mais ameno e maior altitude. Cristalina, Cabeceiras de Goiás, Campo Alegre, Ipameri e Paraúna são alguns dos municípios produtores.
Café: Goiás exportou quase 15 mil toneladas do grão em 2025 | Foto: reprodução
Produção de 28 anos
422 hectares e cerca de 2,2 milhões de pés de café. Essa é a quantidade presente na fazenda gerenciada por nosso personagem, que preferiu não ser identificado. A plantação fica em uma área a 80 quilômetros de Paraúna. Após 28 anos de plantio da cultura, ele explica que a altitude influenciou muito na escolha da produção do café.
Pela quantidade plantada, a fazenda conta com plantações de diferentes idades, o que não leva a uma média única de produtividade, mas ele afirma que cada hectare varia de 30 a 50 sacas colhidas.
O gerente explica o processo de plantação. “Primeiro é feito o sulco na terra, como no plantio de cana. Colocamos adubo, esterco e plantamos as mudas. A primeira safra vem com cerca de dois anos e meio. Após a colheita, o café passa pelo lavador, onde é separado em verde, maduro e boia. Cada tipo segue separado para o terreiro, depois para o secador e, em seguida, vai para a tulha de madeira, onde descansa. Por fim, segue para o beneficiamento, quando é descascado”.
Outro fator importante que influencia a produção é a irrigação. Na fazenda, dois modelos são utilizados: o pivô, que abrange uma grande área, e o de gotejamento, que mantém a planta aguada principalmente no período de seca. Cada um tem suas vantagens particulares.
“O pivô facilita porque exige menos mão de obra. Já o gotejamento consome menos água, o que é importante, já que enfrentamos períodos de escassez. Em termos de eficiência, os dois funcionam bem, mas o gotejamento demanda mais trabalho por causa das mangueiras sob os pés”, pontua.
O sistema de gotejamento também ganha mais um ponto positivo devido às chuvas irregulares causadas pelas mudanças climáticas. O gerente destaca que, por causa disso, em diversas ocasiões, a irrigação precisou ser estendida em períodos aos quais já se eram aguardados um volume expressivo de precipitação.
“Às vezes chove em maio, às vezes não. Em alguns anos, passamos de novembro ainda irrigando porque a chuva não foi suficiente. Essa irregularidade afeta a florada. Antes tínhamos duas ou três floradas por ano. Hoje podemos ter quatro ou cinco. Isso faz com que, na colheita, haja frutos em diferentes estágios: maduros, verdes e até já caindo no chão. Isso dificulta e impacta a qualidade”, conta.
Na visão do gerente, o principal desafio do cultivo do café é a mão de obra para se trabalhar e a montagem da estrutura necessária que o processo de colheita exige. Entre as facilidades destacadas por ele está justamente o uso da tecnologia na área da irrigação.
Aventura
O produtor Laerte Antônio de Oliveira decidiu investir no café recentemente. Para isso, realizou o plantio de 150 pés na sua fazenda em Ceres, no Norte goiano. Ele explica que buscou conhecer mais sobre a cultura e viu que Goiás já tinha sido um polo cafeeiro nas décadas de 1960 e 1970.
Para ele, investir em atividades já consagradas, como pecuária e cana-de-açúcar, não seria tão viável devido ao tamanho das suas propriedades. Ele buscou conhece uma cultura perene e encontrou no café essa oportunidade de investimento. Laerte conta que buscou ajuda especializada em plantação do grão para minimizar possíveis desperdícios e otimizar ao máximo a plantação.
“Contratei uma equipe especializada de fora da região, porque aqui não há mão de obra com prática em café. Em cerca de dez dias, eles concluíram o plantio. Também contratei um funcionário com experiência na cultura para me acompanhar no manejo”, assinala.
Plantação de café na propriedade de Laerte de Oliveira está em estágio inicial | Foto: Arquivo pessoal
Ao todo, ele conta que foram investidos R$ 3 milhões, que incluíram compra de maquinários necessários e outras necessidades para o plantio. Se for considerar apenas a formação da lavoura, o custo oscilou entre R$ 60 mil a R$ 70 mil por hectare.
Na sua propriedade, Laerte de Oliveira conta que foi necessário fazer uma análise e correção do solo, além do sulcamento (abertura de fenda no solo para o plantio das mudas), entre outros preparos.
“Optei pelo plantio manual, mesmo tendo comprado máquina, porque considerei mais preciso. Após o plantio, há tratos culturais como controle de mato, pulverizações e adubação. Implantei irrigação por gotejamento, que é fundamental hoje. O sistema permite economia de água e aplicação de adubo diretamente na raiz”, conta.
Muda de café na fazenda de Laerte de Oliveira expectativa é que primeira colheita seja feita em dois anos e meio | Foto: Arquivo pessoalA primeira colheita deve ocorrer daqui há dois anos e meio e a expectativa é que a plantação atinja seu ápice no seu quarto ano. De maneira inicial, ele prevê a colheita entre 50 e 60 sacadas. “Se chegar a 70 ou 80, será um resultado muito bom para a região.”
O produtor adianta que, se o desenvolvimento for satisfatório, pretende plantar mais 100 mil pés na próxima safra, que deve acontecer ainda este ano. Tudo isso vai depender da disponibilidade de água, pois “café sem irrigação hoje não é viável”.
Café de atitude
Outra pessoa que se aventurou no plantio de café foi Giovanni Machado Gonçalves, pai de Pedro Machado, que conversou com a reportagem do Jornal Opção. Ele conta que, na propriedade do pai, em Goianésia, foi feito um experimento com três hectares de café arábica. “O que mais nos move nesse momento é curiosidade. É saber se isso vai produzir ou não.”
Segundo Pedro Machado, a decisão pelo plantio do grão veio após acompanhar estudos conduzidos no Instituto Federal Goiano (IF Goiano), em Ceres, que avaliaram 35 cultivares de café arábica em condições de Cerrado. Destas, 11 apresentaram melhor desempenho produtivo e adaptação climática.
“O que esse experimento pode quebrar é o entendimento de que café só dá em altitude. Existe café de altitude e café de atitude”, brinca, mas falando sério.
Na propriedade da família, cada hectare recebeu uma variedade diferente: Asa Branca, Acauã Novo e Catucaí Amarelo 2SL. Ao todo, são cerca de 15,8 mil pés plantados, com média de 5,2 mil plantas por hectare.
Na fazenda do pai de Pedro Machado, em Goianésia, há mais de 15 mil pés de café plantados | Foto: Arquivo pessoalN
Pedro Machado, assim como Laerte de Oliveira, também destaca a expectativa de colheita nos dois anos e meio da plantação. A estratégia adotada inclui irrigação por gotejamento e controle hídrico para indução da florada.
“Em agosto, quando estamos no período seco, eu coloco água no pé da planta. Ela solta a flor e eu mantenho a irrigação para consolidar e encher o grão”, relata.
A expectativa inicial é de produtividade em torno de 50 sacas por hectare, caso as condições se confirmem favoráveis. A produção, no início, deve atender o mercado local. “Três hectares são cerca de 150 sacas. Isso o próprio comércio regional absorve.”
Caso o resultado seja positivo, a área pode ser ampliada dentro da estrutura já irrigada da fazenda, que pode chegar a mais de 200 hectares.
Ao lado esquerdo, maquinário ajuda na plantação do café na fazenda | Foto: arquivo pessoal
Pedro Machado se mostra entusiasmado com o plantio da cultura em Goiás e diz acreditar que o Estado tem potencial para competir com grandes produtores em volumes absolutos. Além disso, ele destaca que já tem conversas com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) para debater a criação de um Selo de Indicação Geográfica do Café do Cerrado Goiano.
“A ideia é construir uma identidade própria, assim como existe o Café do Cerrado Mineiro. O café goiano não será melhor nem pior, mas terá características próprias”, pontua.
Giovanni Machado e o filho, Pedro Machado, na plantação de café | Foto: arquivo pessoal
Ciência aliada ao desenvolvimento
Como citado pelo entrevistado anterior, o trabalho científico para identificar o desenvolvimento do café em Goiás foi feito no IF Goiano — Campus Ceres. O responsável por isso é o professor Cleiton Mateus Sousa, que também é gerente de pesquisa agropecuária da Emater Goiás. Segundo ele, os primeiros trabalhos tiveram início em 2013, a partir de uma chamada pública da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), dentro da modalidade de Desenvolvimento Científico Regional.
A elaboração da proposta se deu inicialmente junto com o pesquisador aposentado Wellington Pereira (falecido). “Ela foi aprovada e buscamos as cultivares de café arábica mais cultivadas no Brasil. Conseguimos as sementes, produzimos as mudas e implantamos o experimento no campus em abril de 2015. Desde então, passamos a avaliar as plantas periodicamente, observando altura, número de ramos, características agronômicas e morfológicas, além da produtividade.”
O professor destaca que mais recentemente a qualidade da bebida também entrou no radar de avaliação. Das 35 cultivares, 11 se destacaram, tendo produtividade acima da média nacional, algumas registrando mais que o dobro.
“Essas mesmas 11 cultivares obtiveram pontuação acima de 80 pontos na análise sensorial realizada pelo Instituto Federal do Espírito Santo, classificando-se como café especial. Isso mostrou que é possível produzir, em Goiás, café competitivo em produtividade e qualidade”, afirma.
Professor Cleiton Mateus participa de estudo sobre o desenvolvimento do café em Goiás | Foto: arquivo pessoal
Ele conta que, após 11 anos de pesquisa, a cafeicultura tem se tornado uma vitrine no Estado a partir das técnicas adequadas para o plantio. Pelo projeto, 15 produtores estão em Goianésia, um em Rialma, outro em Rianápolis, e também foi implantado um projeto em Mundo Novo — este apenas com mulheres à frente do plantio dos grãos. “Nosso objetivo é consolidar essa produção regional com qualidade e volume.”
Ele explica que o projeto não consiste em produção de mudas em larga escala e, sim, indicar o material genético mais adequado e proporcionar orientação técnica. Para fins demonstrativos, foram produzidas 800 mudas, mas que, para produtores que trabalham em maior escala, as aquisições dos brotos são feitas em viveiros credenciados.
Cleiton Mateus destaca que por anos se repetiu que Goiás não teria capacidade para plantação de café, ao mesmo tempo que nunca havia sido feito um experimento genético para identificar quais cultivares poderiam se adaptar ao solo goiano. “Hoje temos materiais genéticos mais modernos e adaptados. A pesquisa mostra que, com a escolha correta da cultivar e manejo adequado, é possível produzir café em Goiás com bons resultados.”
Goiás conta com a produção 100% do café arábica | Foto: arquivo pessoal
Cleiton Mateus destaca que Goiás difere de outros Estados que plantam café pelo fato de ter um clima bem definido, com estação seca e chuvosa, o que acaba favorecendo o manejo. Além disso, o solo do Cerrado, quando bem corrigido, pode gerar altas produtividades, como já ocorreu com soja e milho.
O mestre explica a importância da diversificação de culturas na área da agricultura: “É uma alternativa de diversificação para o produtor. O café é a segunda bebida mais consumida no mundo, e o Estado não produz tudo o que consome. Pode ser uma excelente opção para agricultura familiar, agregando valor em pequenas áreas, além de representar nova fonte de renda para o Estado”.
Mesmo com os mais diversos avanços, Cleiton Mateus afirma que a pesquisa não para e já adianta quais serão os próximos objetivos com os trabalhos realizados.
“Estamos investigando diferenças anatômicas e fisiológicas entre cultivares que apresentam melhor desempenho em Goiás. Também pretendemos ampliar os testes com outros materiais genéticos. Além da pesquisa acadêmica, continuamos trabalhando em campo, implantando experimentos regionais e fortalecendo a integração com produtores”, finaliza.
Um grupo de pesquisadores brasileiros acaba de divulgar nesta semana uma carta aberta contestando a continuidade do abate de jumentos no Brasil e classificando a atividade como economicamente inviável, ambientalmente insustentável e juridicamente questionável. O documento solicita a revisão da decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que reconheceu a legalidade do abate, e defende a suspensão imediata da prática em todo o território nacional.
A manifestação é assinada por especialistas das áreas de economia aplicada, medicina veterinária, genética, saúde pública, zootecnia e biologia, vinculados a instituições como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal da Bahia (UFBA), e Universidade Estadual Paulista (UNESP).
A carta tem como base o estudo “Viabilidade Econômica do Abate de Jumentos na Bahia”, conduzido pelo professor da ESALQ/USP, Roberto Arruda de Souza Lima, que conclui não haver sustentabilidade econômica na criação de jumentos para fins de abate. Segundo o pesquisador e um dos signatários do documento, a atividade não possui cadeia produtiva estruturada, manejo reprodutivo planejado nem reposição de plantel, caracterizando-se como extrativista e baseada na exaustão de um estoque biológico finito.
“O modelo atual não se sustenta do ponto de vista produtivo. Trata-se de uma atividade de curto prazo, cujo colapso é previsível”, afirma Arruda, alertando sobre o risco de extinção do jumento nordestino.
Dados da FAO, IBGE e Agrostat indicam que 94% da população de jumentos no Brasil desapareceu entre 1996 e 2024. Para a professora da UFBA Chiara Albano de Araujo Oliveira, doutora em Nutrição de Equinos, a manutenção do abate compromete a sobrevivência da espécie e ignora suas limitações biológicas. “A baixa taxa reprodutiva e o longo período de gestação impedem qualquer escala produtiva sustentável”, destaca.
A professora da UFRB Iaçanã Valente Ferreira Gonzaga, especialista em nutrição e produção animal, reforça que não há estrutura técnica que permita reposição populacional compatível com o ritmo de abate. “Sem um sistema organizado de criação, a atividade leva inevitavelmente ao esgotamento dos animais disponíveis”,diz.
Além da inviabilidade produtiva, os pesquisadores ressaltam a irrelevância econômica do setor. A contribuição da indústria representa menos de 0,000003% das exportações brasileiras. Municípios com frigoríficos ativos, como Amargosa (BA), não registraram crescimento econômico significativo nem aumento consistente na arrecadação tributária durante o período de operação.
A bióloga e pesquisadora da USP Patricia Tatemoto avalia que os dados demonstram um cenário de risco ambiental sem retorno socioeconômico. “Estamos diante de uma atividade que não gera desenvolvimento, mas compromete biodiversidade e patrimônio genético nacional”, pontua.
A professora titular da UFBA Thereza Cristina Calmon de Bittencourt, doutora em Genética, alerta para a possibilidade de perda irreversível do jumento nordestino. “A extinção dessa população representaria um dano biológico e cultural permanente para o Brasil”, destaca.
O médico veterinário e doutor em Saúde Pública pelo Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da UFBA, José Roberto Pinho de Andrade Lima, com atuação na área de Saúde Única, chama atenção para impactos que ultrapassam a dimensão ambiental. “A fragilidade da exploração extrativista dos jumentos no Brasil envolve riscos sanitários, insegurança jurídica e potenciais prejuízos à imagem do país no cenário internacional”, alega.
O médico-veterinário Pierre Barnabé Escodro, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), acrescenta que o abate de jumentos também oferece riscos à saúde pública. Sua equipe analisou amostras de 104 animais destinados ao abate e identificou problemas graves de saúde, como má nutrição, inflamação sistêmica e sinais de maus-tratos, em estudo publicado em março de 2025 na revista Animals. A falta de controle sanitário favorece a transmissão de zoonoses – doenças que podem passar do animal para o ser humano.
A carta também aponta inconsistências entre o número de animais abatidos e o volume de peles exportadas. Segundo os pesquisadores, nos últimos dez anos, o peso médio das peles exportadas foi de 3,8 kg por unidade, abaixo do esperado tecnicamente, o que levanta riscos de evasão fiscal e irregularidades comerciais, ampliando a insegurança jurídica da atividade.
Diante do conjunto de evidências científicas e econômicas, os especialistas defendem:
Suspensão imediata do abate de jumentos em todo o território nacional;
Revisão da decisão do TRF1 à luz das evidências científicas e econômicas atuais;
Reconhecimento do jumento nordestino como patrimônio genético, cultural e ambiental;
Formulação de políticas públicas voltadas à conservação desses animais.
Para os signatários, os dados hoje disponíveis são inequívocos: o abate de jumentos é uma atividade predatória, economicamente irrelevante e biologicamente insustentável, cujo esgotamento já está em curso.
A produção de leite em Mato Grosso registrou uma retração de 41% na última década. No entanto, uma pesquisa da Embrapa Agrossilvipastoril, na cidade de Sinop, apontou o caminho para a recuperação do setor. Com genética adaptada e manejo intensivo, o experimento alcançou uma média de 14 litros/dia por animal, quase o triplo da média estadual.
O estudo, que se estende até 2027, foca no desempenho de vacas Girolando 5/8 (racça 62,5% Holandesa e 37,5% Gir). A escolha da linhagem busca o “equilíbrio de ouro”: a alta produtividade do Holandês com a rusticidade e tolerância ao calor do Gir.
“Nosso rebanho conta com cerca de 40 vacas em lactação. Temos animais com média diária de 26 litros”, revelou o pesquisador Luciano Lopes, coordenador dos trabalhos.
Triângulo do sucesso: genética, pasto e suplementação
O resultado superior alcançado no experimento não se deve exclusivamente à genética privilegiada dos animais, mas sim à integração de três pilares fundamentais no sistema produtivo.
A base do projeto utiliza uma pastagem de alta performance com a cultivar híbrida BRS Quênia, complementada por uma nutrição estratégica que inclui a suplementação diária de 5 kg de concentrado proteico e o uso de silagem de milho como volumoso durante o período da seca.
Além do manejo técnico, o sucesso da iniciativa é sustentado por parcerias estratégicas com a Cooperativa Coopernova e a prefeitura de Sinop, que viabilizam a transferência desse melhoramento genético diretamente aos produtores locais por meio do repasse de bezerros machos.
Rentabilidade superior à soja e ao corte
Em uma área de 12,5 hectares com 30 vacas, a receita bruta anual apenas com a venda do leite atingiu R$ 23.841,80 por hectare. O valor supera o rendimento médio obtido com a pecuária de corte e até com o sistema de sucessão soja-milho na região.
Além disso, a pesquisa abre portas para a dupla aptidão: gerar lucro em duas frentes distintas: a produção de leite e a produção de carne (corte).
Machos mestiços engordados em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) apresentaram ganho de peso diário de até 1,2 kg. “O produtor pode ter o leite como atividade principal e aproveitar os bezerros para o corte com alta produtividade”, explicou Lopes.
Desafios térmicos e o futuro da pesquisa
O próximo passo do estudo é entender como o estresse térmico afeta a reprodução e a fisiologia dos animais. Os pesquisadores comparam o desempenho das vacas a pleno sol com o sistema silvipastoril (com árvores).
Embora a produtividade tenha sido similar no primeiro ano, a equipe coletará dados de temperatura retal e bioquímica para verificar se o sombreamento oferece benefícios que, embora não alterem o volume de leite, possam melhorar os índices reprodutivos do rebanho em Mato Grosso.
A média mensal do preço da carne suína atingiu o menor nível desde abril de 2024, em termos reais, considerando série deflacionada pelo IPCA de janeiro de 2026, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A desvalorização, que seguiu intensa em fevereiro, elevou pelo segundo mês consecutivo a competitividade da carne suína frente às principais concorrentes, bovina e de frango.
Segundo o Cepea, o ganho de competitividade em relação à carne bovina também é influenciado pela alta no preço da carcaça casada. Já no caso do frango, embora também tenha sido registrada queda nos valores, a retração foi menos intensa que a observada para a proteína suína.
Pesquisadores do Centro de Pesquisas destacam que o movimento de baixa nos preços do suíno vivo, verificado desde o início do ano, perdeu força nesta semana. O principal fator por trás do cenário de desvalorização é a oferta superior à demanda.
Agentes consultados pelo Cepea indicam que já eram esperadas quedas no primeiro bimestre de 2026, devido ao menor poder de compra da população neste período. No entanto, a intensidade do recuo tem gerado preocupação no setor.
Nos últimos sete anos, o estado de Rondônia registrou 50 mortes envolvendo a rede elétrica. Um número que, quando lido em uma estatística fria, pode parecer pequeno. Mas que, na vida real, representa 50 famílias destroçadas, 50 histórias interrompidas, 50 tragédias que, em sua grande maioria, poderiam ter sido evitadas.
O dado mais alarmante não é o total é onde essas mortes acontecem.De todas as ocorrências registradas, 38 casos se deram na zona rural, o que representa cerca de 80% do total.
Uma concentração brutal que não é coincidência. É o reflexo de uma combinação perigosa, infraestrutura elétrica frágil, falta de manutenção preventiva, ausência de campanhas educativas eficazes e, acima de tudo, um abandono histórico da população do campo.
O principal fator por trás das fatalidades é o toque acidental na rede elétrica muitas vezes em situações que parecem corriqueiras, o braço de um maquinário agrícola que sobe um centímetro além do previsto, uma estrutura metálica içada sem a devida atenção à rede aérea, uma mangueira d’água apontada para cima durante a limpeza de uma área próxima aos cabos.
A pergunta que precisa ser feita com urgência é, o que está sendo feito para evitar essas tragédias?. Existe um segundo problema, talvez ainda mais grave do ponto de vista institucional, a demora no atendimento nas áreas rurais. Quando a energia falta em um bairro urbano, o prazo de restabelecimento as vezes não ultrapassa poucas horas. Quando falta no interior, em comunidades distantes, em ramais de difícil acesso a espera pode durar dias.
E é exatamente nesse vácuo de resposta que as tragédias ganham espaço.Sem alternativa, os próprios moradores sobem nos postes. Manuseiam fios. Tentam improvisar soluções que exigem técnica especializada, equipamentos de proteção e anos de treinamento. Não por imprudência mas por necessidade. Por não terem a quem recorrer.
Não há como tratar esse dado como aceitável. Não há como normalizar a morte de trabalhadores rurais que, muitas vezes, sequer tinham consciência do risco que corriam. Não há como aceitar que a solução encontrada por uma comunidade abandonada seja escalar um poste sem equipamento de proteção.
A zona rural de Rondônia produz alimentos, gera riqueza, sustenta famílias e move a economia do estado. Merece, em troca, um serviço de energia digno, seguro e responsivo.
Enquanto o campo continuar sendo tratado como território de segunda classe no acesso a serviços essenciais, os números continuarão chegando. E cada número, lembremos, tem um nome.
Do pequeno ao grande, a cadeia que alimenta o mundo não pode romper
No Dia do Agronegócio, celebrado hoje 25 de fevereiro, o Brasil volta os olhos para um dos setores mais estratégicos da economia nacional. Mas, se o agronegócio costuma ser lembrado por cifras, exportações e recordes de produtividade, é preciso dizer com todas as letras, a força que mantém esse sistema de pé todos os dias, em silêncio, com constância, tem nome e sobrenome em grande parte do território brasileiro, e em Rondônia isso salta aos olhos, agricultura familiar.
O agro que move Rondônia, diversidade, interdependência e um alerta
É ela que sustenta a base do abastecimento. É ela que dá diversidade à mesa, regularidade às feiras, vida aos pequenos comércios e estabilidade a muitas comunidades rurais. É ela que produz perto, entrega rápido, conhece o solo pelo nome e o clima pelo cheiro.
E é justamente por isso que a agricultura familiar não pode aparecer apenas como “coadjuvante simpática” em discursos oficiais, ela é coluna estrutural do agro e do desenvolvimento rondoniense. Ao mesmo tempo, seria um erro e uma injustiça, reduzir o agro a uma única cara. O agronegócio é uma engrenagem ampla, complexa e interdependente. Todos os setores são importantes, do café ao leite, da piscicultura à pecuária, do cacau à horticultura, dos grãos à fruticultura, da produção florestal às cadeias extrativistas, do pequeno processamento local às grandes indústrias.
Não é só exportação, é abastecimento, território e vida no campo
O agro só é forte porque funciona como cadeia produtiva, e cadeia não se sustenta com um único elo. Quem planta depende de quem fornece insumos, assistência técnica e crédito. Quem cria depende de sanidade, logística e mercado. Quem colhe depende de estrada, armazenamento e compra. Quem processa depende de matéria-prima constante. Quem exporta depende de padrão, rastreabilidade e organização. Quem consome depende de todos eles, e muitas vezes não percebe. O agro é, no fundo, uma grande rede de trabalho coletivo, ainda que cada um esteja no seu pedaço de chão. E dentro dessa rede, há um ponto que precisa ser repetido até virar compromisso, há importância no pequeno, no médio e no grande.
Produtividade não herda sozinha, o agro precisa de gente para o trabalho no campo em todos os segmentos
O grande produtor puxa escala, investimento, tecnologia e competitividade global. O médio produtor faz a ponte entre produtividade e estabilidade regional. O agricultor familiar sustenta a diversidade, o abastecimento, a presença humana no território e a circulação de renda em comunidades inteiras. Não existe “agro completo” sem reconhecer o valor de cada perfil, porque este segmento que alimenta o mundo é, antes de tudo, feito de gente. Rondônia sabe disso na prática. Sabe que desenvolvimento não é só aumentar produção, é também manter famílias no campo com dignidade, fazer a renda girar no interior, garantir comida acessível, fortalecer cooperativas, estimular agroindústria, valorizar quem produz e melhorar as condições para que a próxima geração queira ficar.
Não existe “agro completo” sem reconhecer o valor de cada perfil, porque este segmento que alimenta o mundo
Quando a agricultura familiar prospera, não prospera sozinha, ela puxa comércio, transporte, serviços, educação e saúde rural. Ela dá sentido econômico e social ao território. Mas há uma pergunta que não dá mais para adiar, e talvez ela seja a mais importante de todas neste 25 de fevereiro, como será o futuro?
Em muitas propriedades, quem está no comando já carrega décadas de campo nas costas. A mão que planta, colhe e cria está envelhecendo. E então vem o incômodo que precisa virar pauta pública, conversa de família e planejamento de Estado, estamos preparando sucessores? Estamos formando jovens com acesso a tecnologia, gestão, crédito, conectividade, assistência técnica e perspectiva real de renda?
O campo envelhece, a cidade consome, quem fará essa ponte no futuro?
Estamos tornando o campo um lugar de oportunidade, e não de renúncia? Porque o futuro do agro não se mede apenas em hectares, máquinas ou toneladas. O futuro do agro se mede na resposta a uma questão simples e profunda, quem continuará aqui amanhã? Se o agro é o motor, a agricultura familiar é o coração que mantém o ritmo. E coração não pode falhar. Neste Dia do Agronegócio, que a celebração não seja só aplauso. Que seja reflexão. E que a pergunta final, deixada como alerta e convite, ecoe em cada propriedade, cada gabinete e cada mesa de decisão, como será o futuro, e quem vai herdá-lo?