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2ª Agrotec terá policiamento reforçado e ações preventivas para garantir segurança do público

A Polícia Militar de Rondônia estará presente na 2ª edição da Agrotec, Raízes que conectam o futuro, realizada pela Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), de 26 a 30 de agosto, das 14h às 21h, no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. A corporação levará exposição de materiais e equipamentos, orientações preventivas e serviços à população, incluindo ações relacionadas à violência doméstica, prevenção às drogas, educação ambiental, doação de mudas pelo Batalhão de Polícia Ambiental e cadastro para o Programa Segurança Rural.

Segundo o tenente-coronel Alex Miranda, porta-voz da Polícia Militar de Rondônia, a participação busca aproximar a corporação da comunidade. “Vamos levar prevenção, informação e serviços para a população, além de apresentar equipamentos e o trabalho desenvolvido pela Polícia Militar”.

A programação também contará com a participação do Batalhão de Operações Especiais, do Batalhão de Polícia de Choque e do 1º Batalhão, que realizará o policiamento ostensivo em toda a área do evento, com equipes a pé e quadriciclos. A segurança também será reforçada pela Atividade Delegada da Prefeitura de Porto Velho.

Segurança também será reforçada pela Atividade Delegada da Prefeitura de Porto Velho

Para o secretário da Semagric, Douglas Bener, a presença da Polícia Militar contribui para tornar a Agrotec ainda mais completa e segura para as famílias. O público também poderá acompanhar apresentações da Polícia Militar Mirim, da Banda de Música da PMRO e do conjunto Combo, com músicas populares e mensagens de utilidade pública. “A Agrotec é uma feira para toda a família. Segurança, cultura, serviços e conhecimento fazem parte dessa grande programação”, afirmou Douglas Bener.

Texto: Jean Carla Costa

Seca e assoreamento do Tapajós ameaçam escoamento de grãos pelo Arco Norte

A expansão do agronegócio brasileiro no Arco Norte criou uma dependência logística que agora começa a ser testada pelo clima. O Rio Tapajós, principal corredor para levar soja e milho de Mato Grosso aos portos do Pará, entra no segundo semestre de 2026 sob o risco de redução do nível das águas e com uma disputa ainda sem solução sobre a realização de dragagens de manutenção em trechos considerados críticos para a navegação. 

O problema é especialmente relevante para o agronegócio porque o Tapajós deixou de ser apenas uma alternativa logística e passou a concentrar uma parcela importante do escoamento da produção do Centro-Oeste. Em 2025, a hidrovia movimentou 16,8 milhões de toneladas, alta de 14,3% em relação ao ano anterior. Soja e milho responderam por 88,4% desse volume. 

É uma configuração que ganhou espaço justamente porque reduz a dependência dos corredores do Sul e Sudeste. Segundo estimativas apresentadas pelo setor produtivo, entre 5 milhões e 5,5 milhões de toneladas de grãos podem ter o escoamento comprometido caso os trechos críticos do Tapajós sofram restrições de calado durante a estiagem.

Custos adicionais

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) calcula que a transferência dessas cargas para rotas alternativas possa acrescentar pelo menos R$ 500 milhões aos custos logísticos. A ABTP, Associação Brasileira dos Terminais Portuários, que representa os terminais de transbordo, trabalha com uma conta que chega a R$ 800 milhões. 

“Não dá para fazer esse transporte por estrada. Primeiro porque falta estrutura na BR-163, segundo, porque os terminais de transbordo foram criados para receber de 2 mil a 3 mil toneladas de produtos de uma vez, justamente porque os grãos chegam por barcaças”, diz Jesualdo Silva, da ABTP.   

O impacto não ficaria restrito às exportações. O Tapajós também transporta fertilizantes, combustíveis e outros produtos que abastecem cidades da região. No primeiro bimestre de 2026, soja e milho responderam por 86% das 2,38 milhões de toneladas transportadas pela hidrovia, enquanto fertilizantes representaram 6,3% e granéis líquidos, 7,4%. 

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o risco não é apenas comercial. “Um dos pilares essenciais para a competitividade da indústria brasileira é uma infraestrutura eficiente que permita o escoamento das cargas de forma segura, rápida e com preço competitivo”, escreve em artigo publicado pela CNN.  

O setor industrial e principalmente do agro defende uma dragagem emergencial e pontual em sete trechos considerados críticos. 

A proposta em discussão não prevê, segundo o setor produtivo, a abertura de uma nova hidrovia ou uma alteração ampla do curso do rio. A intervenção seria concentrada em pontos onde houve acúmulo de sedimentos. 

O próprio DNIT define a dragagem de manutenção como a remoção periódica de sedimentos acumulados no leito dos rios, como bancos de areia, que podem dificultar ou impedir a passagem de embarcações. Em documento oficial sobre o Tapajós, o órgão afirma que a intervenção teria como objetivo “restabelecer o padrão de escoamento e navegabilidade originalmente existente”, corrigindo o assoreamento decorrente de processos naturais ou da deposição de sedimentos. 

Outro lado 

O problema é um conflito com os povos indígenas da região.  O governo federal chegou a publicar, em janeiro, um edital de R$ 74,8 milhões para a dragagem de manutenção do trecho entre Santarém e Itaituba. A contratação fazia parte do Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária e tinha recursos do Novo PAC. 

Em fevereiro, porém, o governo suspendeu o pregão após a mobilização de povos indígenas do Tapajós. A União afirmou que a dragagem é uma atividade de rotina e não está relacionada à eventual concessão da hidrovia, mas decidiu suspender o processo e criar um grupo de trabalho para discutir a consulta livre, prévia e informada às populações indígenas. 

Uma nota técnica do GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental também questiona a classificação das intervenções como simples dragagem de manutenção. Segundo o documento, quatro dos sete pontos previstos nunca haviam recebido esse tipo de intervenção e, em outros locais, os volumes planejados poderiam ultrapassar o que seria compatível com uma manutenção do canal. O grupo defende licenciamento ambiental, estudos de impacto e consulta às comunidades antes de qualquer intervenção. 

“Estamos falando de um rio que já sofre pressão de outras atividades, como o garimpo, e de intervenções que podem afetar a biodiversidade, os modos de vida das comunidades e até a dinâmica dos ambientes do próprio rio”, afirma Renata Utsunomiya, analista de políticas públicas de transportes do GT Infra e autora da nota técnica. 

A ABTP e outras entidades que representam os operadores do Arco Norte sustentam que a intervenção precisa ser realizada antes do agravamento da estiagem. O argumento é que, quando o nível do rio cair demais, a própria operação de dragagem poderá ficar mais difícil. 

Hoje, segundo o setor, a navegação ainda ocorre normalmente, com calado na faixa de 4,8 a 5 metros nos trechos navegáveis. O temor é que a combinação entre menor nível das águas e bancos de areia reduza o calado disponível em determinados pontos. 

Procurado, o DNIT informa que “após avaliação das informações técnicas disponíveis, diálogo entre os órgãos envolvidos e escuta de povos indígenas e comunidades tradicionais da região, o Governo Federal decidiu não realizar, neste momento, a dragagem no rio Tapajós, no trecho entre Itaituba e Santarém, no Pará.”

Em nota, o órgão diz que a decisão considerou os aspectos logísticos, ambientais e sociais envolvidos, assim como os cenários hidrológicos previstos para os próximos meses. “As avaliações realizadas até o momento indicam que a navegação local, feita predominantemente por embarcações de menor porte e menor calado, poderá ser mantida mesmo em cenário de redução do nível das águas, assegurando o abastecimento das comunidades ribeirinhas.”
“Em caso de necessidade de escoamento de cargas de maior porte, o corredor rodoviário já constitui alternativa logística efetivamente utilizada na região. Há fluxo rodoviário regular e os planos de contingência preveem a realização de intervenções nas rodovias para o eventual aumento do número de caminhões. “
O DNIT ainda informa que com essa medida, o Governo Federal busca uma solução equilibrada, que assegure segurança às comunidades, preserve as condições socioambientais da região e garanta a continuidade do transporte e do escoamento de cargas durante o período de estiagem, sem prejuízo às populações que dependem do rio Tapajós.

Histórico de problemas 

O fenômeno de seca no rio não é novo. Rios amazônicos sofrem naturalmente com processos de erosão e deposição de sedimentos. O problema é que, em períodos de seca mais intensa, uma redução de alguns centímetros ou metros na lâmina d’água pode limitar a quantidade de carga transportada por uma embarcação. 

Para o agronegócio, isso significa uma conta direta. Uma barcaça que não consegue navegar com sua capacidade máxima precisa fazer mais viagens ou reduzir o volume transportado. Em uma cadeia de exportação de milhões de toneladas, a diferença rapidamente aparece no frete. 

A alternativa rodoviária também não é simples. A produção que chega a Miritituba pela BR-163 teria de ser direcionada para outros corredores, justamente em um momento em que as principais rotas alternativas também enfrentam limitações. O setor afirma que não existe infraestrutura suficiente em Santarém para absorver todo o volume que normalmente passa pelos terminais de Miritituba. 

A própria Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) já registrou os efeitos que uma seca amazônica pode produzir sobre a logística agrícola. No anuário agrologístico de 2025, a companhia apontou que parte do milho que seria destinado a Barcarena foi deslocada para Itaqui, no Maranhão, e Santos, em São Paulo, durante a forte seca de 2024, que dificultou a navegação em hidrovias como Madeira e Tapajós. 

A diferença agora é que o fenômeno climático chega a uma estrutura logística ainda mais dependente do Arco Norte. A hidrovia transportou 16,8 milhões de toneladas em 2025 e vem aumentando sua participação no sistema de escoamento do país. No primeiro bimestre deste ano, foram 2,38 milhões de toneladas. Além dos grãos, o corredor também ganhou importância no transporte de fertilizantes e combustíveis. 

Há ainda uma segunda discussão: quem deve pagar pela manutenção das hidrovias. “O setor privado está disposto a custear a dragagem emergencial, mas precisamos de autorização do governo federal”, afirma Silva.  

A proposta faz parte de uma discussão mais ampla sobre a concessão de serviços de infraestrutura hidroviária. O setor afirma que eventual cobrança pelo serviço deverá recair sobre o transporte comercial de cargas, e não sobre ribeirinhos, passageiros ou atividades de subsistência. 

Para as comunidades indígenas e organizações socioambientais, porém, a questão vai além do financiamento. O temor é que a dragagem seja utilizada como porta de entrada para uma transformação mais ampla do Tapajós em corredor de exportação, com impactos sobre pesca, biodiversidade e modos de vida tradicionais. 

As lideranças indígenas que se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho afirmaram ter recebido a garantia de que a dragagem não seria realizada. Após o encontro, representantes disseram que o agronegócio estaria utilizando a possibilidade de uma nova seca como justificativa para intervir no rio. 

Carlos Magno intensifica agenda pelo interior de Rondônia e amplia diálogo com produtores rurais

O candidato a deputado estadual Carlos Magno vem intensificando sua agenda de visitas e reuniões pelo interior de Rondônia, ampliando o contato direto com produtores rurais, lideranças e moradores de diferentes regiões do estado. Nos últimos dias, a programação incluiu encontros em propriedades rurais, participação em emissora de rádio e reunião com moradores, em uma agenda voltada principalmente à escuta das demandas de quem vive e trabalha no campo.

Entre os compromissos, Carlos Magno esteve na região de Ouro Preto do Oeste, na Linha 203, onde visitou o produtor Cimar Luiz Coutinho, ligado à produção de banana e à atividade de criação de gado. O encontro permitiu conversar sobre as necessidades enfrentadas pelos produtores. Em Vale do Paraíso, Carlos Magno também participou de entrevista na Rádio Geração FM 104.9, com o apresentador Mauro Usanovich, levando ao público da região suas propostas e ouvindo questões relacionadas ao desenvolvimento do estado.

Já em Jaru o candidato participou de uma reunião na residência da professora Isabel Barbosa. O encontro reuniu moradores e pessoas próximas à comunidade para uma conversa sobre as demandas locais e as perspectivas para a região.

“Tenho procurado estar presente onde as coisas acontecem, principalmente junto ao produtor rural. É no contato direto, dentro das propriedades e conversando com as pessoas, que conseguimos compreender melhor as necessidades de cada região ”, afirmou Carlos Magno.

A expectativa, segundo o candidato, é fortalecer cada vez mais essa atuação junto aos produtores rurais e ampliar o diálogo com as diferentes regiões de Rondônia. A agenda desta semana é considerada produtiva pela equipe, com previsão de novas reuniões e visitas a propriedades rurais ao longo dos próximos dias. A proposta é manter uma presença mais próxima no interior, ouvindo as demandas locais e conhecendo in loco os desafios enfrentados por quem produz em Rondônia.

Conheça o abacaxi que dura mais tempo após a colheita

O produtor Fábio Roberto, de Seringueiras (RO), plantou um pé de abacaxi e agora tem uma dúvida: qual é o momento certo de colher o fruto para comercialização?

Um dos principais sinais está na coloração da casca. A mudança de cor indica o avanço da maturação e ajuda o produtor a definir quando retirar o fruto da planta, levando em consideração também o tempo necessário para transporte e comercialização.

Além do ponto de colheita, outro desafio é fazer com que o abacaxi mantenha a qualidade por mais tempo depois de sair da lavoura.

Uma das alternativas desenvolvidas pela Embrapa é a BRS Sol Bahia, variedade mais nova que apresenta maior resistência após a colheita, inclusive quando o fruto já está mais amarelado.

A BRS Sol Bahia foi lançada inicialmente para cultivo no semiárido de Minas Gerais e da Bahia, mas já existem estudos para avaliar o desempenho da variedade em outras regiões do Brasil.

Onde encontrar mudas e orientações

Produtores interessados na BRS Sol Bahia devem procurar a Embrapa para obter informações sobre pontos de comercialização de mudas próximos à sua região.

A instituição também disponibiliza publicações técnicas com orientações sobre o plantio, manejo e colheita do abacaxi, que podem ajudar o produtor desde a implantação da lavoura até a comercialização dos frutos.

Renegociação de dívidas rurais esbarra em prazo e excesso de exigências

A publicação da portaria do Ministério da Fazenda que autoriza a equalização das taxas de juros nas novas operações destinadas à renegociação de dívidas rurais destravou uma etapa importante para a operacionalização das linhas de crédito. Apesar do avanço, representantes do agronegócio alertam que os produtores ainda encontram dificuldades para acessar os recursos.

O documento foi publicado após a regulamentação da Medida Provisória 1.376/2026 e permite que as instituições financeiras habilitadas avancem na implementação das operações de renegociação.

A portaria saiu um dia depois de mais de 20 entidades ligadas ao agronegócio entregarem à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) um manifesto cobrando do governo federal medidas para viabilizar, na prática, as linhas anunciadas.

Com a publicação, uma das principais reivindicações do setor foi atendida. Agora, porém, as atenções estão voltadas à capacidade dos bancos de receber os pedidos e efetivar as renegociações.

A presidente-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella, afirma que a regulamentação permite às instituições financeiras avançarem na implementação das linhas, mas destaca que ainda existe uma distância entre a criação do programa e o acesso efetivo pelos produtores.

Segundo ela, uma das principais preocupações neste momento é o prazo de suspensão das dívidas previsto na medida provisória, que chegou ao fim antes de as instituições estarem plenamente preparadas para receber as operações.

“O que nos preocupa ainda é que a medida provisória trazia o prazo de 30 dias dessa prorrogação da dívida, juros e tudo mais, suspensão dessa dívida. Esse prazo acabou agora na sexta-feira”, afirmou.

Diante desse cenário, a OCB mantém interlocução com o Ministério da Fazenda para tentar obter uma prorrogação.

“A interlocução que nós estamos fazendo já hoje com o Ministério da Fazenda é para que isso seja prorrogado, dado que as instituições financeiras, os bancos que estão operando, não estão em condição ainda de recepcionar essa operação do endividamento rural”, acrescentou Zanella.

A avaliação é de que um prazo adicional daria tempo para os sistemas das instituições financeiras se adaptarem às novas linhas sem que os produtores sejam prejudicados enquanto aguardam a possibilidade de renegociação.

Produtor ainda encontra dificuldades

Apesar da publicação da portaria, a preocupação das entidades permanece porque, segundo Zanella, os produtores ainda não conseguem acessar plenamente as condições anunciadas.

O manifesto apresentado pelo setor havia colocado a ausência da portaria entre os principais entraves para a operacionalização do programa. Com essa etapa superada, as entidades agora acompanham como as instituições financeiras vão colocar as regras em prática.

“A preocupação maior era a falta dessa portaria, mas agora também ela tem sido mantida em virtude ainda de que o produtor não está conseguindo acessar essa proposta de renegociação”, afirmou a presidente-executiva da OCB.

Zanella também defendeu que os produtores comuniquem às entidades representativas as dificuldades encontradas nas instituições financeiras. A intenção é reunir informações sobre a aplicação das regras e subsidiar as negociações do setor em Brasília.

A regulamentação habilitou dez instituições financeiras para operar as linhas de renegociação. Entre elas estão instituições bancárias e sistemas cooperativos de crédito.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), porém, ficou fora da relação.

Questionada sobre a ausência, Zanella ressaltou a importância da instituição para o financiamento do setor e sua capilaridade, mas afirmou que a OCB respeita a decisão.

“A gente sabe da importância e dessa capilaridade que o BNDES consegue chegar, mas respeitamos essa posição do banco”, disse.

Segundo ela, existe a possibilidade de que a instituição possa participar de iniciativas futuras relacionadas ao tema.

Especialista vê alcance limitado da renegociação

Além das dificuldades operacionais, os critérios para acesso às linhas também são motivo de preocupação.

O consultor jurídico Thiago Rocha avalia que a portaria preencheu uma lacuna importante da regulamentação, mas considera elevado o número de requisitos para que os produtores sejam considerados elegíveis.

“A publicação da portaria do Ministério da Fazenda fechou uma importante lacuna na regulamentação da 1.376”, afirmou.

Para Rocha, o volume de crédito direcionado à iniciativa representa apenas uma parcela da carteira problemática do crédito rural brasileiro.

“Há um nível excessivo de requisitos de elegibilidade e o crédito direcionado corresponde apenas a 10% ou pouco mais daquilo que é a carteira problemática de crédito rural no Brasil”, avaliou.

Na visão do consultor, a combinação entre critérios restritivos e recursos limitados pode reduzir o alcance da iniciativa.

“O resultado é que temos hoje um instrumento importante, mas com resultados muito tímidos do ponto de vista de renegociação de dívidas”, acrescentou.

Próxima etapa será acompanhada nos bancos

Com a regulamentação avançando, a atenção do setor se volta agora para a execução das linhas pelas instituições financeiras.

Entre os pontos que deverão ser acompanhados estão as exigências para comprovação da elegibilidade, as análises de crédito e as garantias solicitadas pelos bancos. O comportamento das instituições será determinante para medir quantos produtores conseguirão, de fato, transformar as condições anunciadas pelo governo em novas operações.

Para as entidades do agronegócio, a publicação da portaria representa um avanço, mas a efetividade da medida dependerá da velocidade de implementação das linhas e da capacidade de os produtores atenderem aos critérios estabelecidos para a renegociação.

Carlos Magno participa de reunião com lideranças da região Central em Ouro Preto do Oeste

Encontro reuniu apoiadores e lideranças políticas da região para discutir demandas e fortalecer o diálogo com a população.

O candidato a deputado estadual Carlos Magno participou de uma reunião do Comitê Cidade, em Ouro Preto do Oeste, com a presença de lideranças e apoiadores de municípios da região Central de Rondônia.

Recebido por um grande número de pessoas, Carlos Magno ouviu lideranças locais, conversou com representantes da comunidade e apresentou propostas voltadas ao desenvolvimento da região. O encontro também foi marcado pela troca de ideias e pelo fortalecimento das articulações políticas para o período eleitoral.

Durante a reunião, o candidato destacou a importância de estar próximo das comunidades e conhecer de perto as necessidades de cada município. A participação expressiva no encontro, segundo os organizadores, demonstrou o interesse das lideranças regionais em acompanhar o projeto político e contribuir com a construção de novas propostas para Rondônia.

Agroindústria teve retração de 0,3% no primeiro semestre

A agroindústria começou o ano com a produção em alta, mas perdeu força ao longo dos meses seguintes e encerrou o primeiro semestre com retração acumulada de 0,3%, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro).

Entre os segmentos, os comportamentos foram distintos. Enquanto as indústrias não alimentícias tiveram contração de 2% no semestre, as de alimentos e bebidas cresceram 1,1% no período. Para o FGV Agro, “a desaceleração da economia brasileira e as turbulências no setor externo explicam a perda de ritmo do setor” no semestre.

A indústria com pior desempenho no semestre foi a de insumos agropecuários (queda de 8,3% na produção). O segmento já vinha registrando retração desde 2025 e teve o desempenho agravado pela guerra no Oriente Médio, dado seus “potenciais efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos”, explicou o centro de estudos.

Outros segmentos que também tiveram desempenho negativo no semestre foram os de produtos têxteis (-5%) e produtos florestais (-2,4%). Já as indústrias de biocombustíveis tiveram aumento da produção, com alta de 18,1% no semestre, puxadas pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar. Também houve alta de 1,6% na produção das indústrias de fumo.

O comportamento das agroindústrias também foi distinto na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres. Entre janeiro e março, o indicador subiu 0,3% em relação ao mesmo período ao ano passado, enquanto entre abril e junho a produção caiu 0,8%.

No segmento de produtos alimentícios e bebidas, todas as indústrias tiveram aumento de produção no primeiro semestre. O destaque foram as indústrias de bebidas alcoólicas e não alcoólicas — ambas cresceram 1,5%. Já a produção das indústrias de alimentos de origem animal subiu 1,3%, puxada por carne e de laticínios.

As indústrias de alimentos de origem vegetal cresceram 0,4% até junho, sustentadas por conservas e sucos, óleos e gorduras, moagem de trigo e café. Enquanto esse segmento avançou 4,4% no primeiro trimestre, no trimestre seguinte contraiu 2,7%.

Somente em junho, o PIMAgro caiu 0,9% na comparação anual, a segunda baixa consecutiva.

Para o FGV Agro, a agroindústria deverá ser impactada no segundo semestre do ano pelo preenchimento da cota chinesa para a carne bovina. Isso porque a produção destinada ao país asiático vinha dando fôlego para um dos segmentos mais dinâmicos do indicador. A interrupção dos embarques de produtos de origem animal à União Europeia, que deve entrar em vigor em 3 de setembro, também deve afetar o indicador.

Planta venenosa no pasto pode matar bovinos e gerar prejuízos; manejo de daninhas é essencial

O controle de plantas daninhas nas pastagens vai muito além da disputa por espaço e nutrientes. Algumas espécies invasoras presentes em áreas de pastejo podem representar risco direto à saúde e à sobrevivência dos bovinos, além de provocar perdas econômicas ao reduzir a disponibilidade e a qualidade da forragem.

Entre as plantas de maior preocupação está o fedegoso-branco (Senna obtusifolia), espécie que pode provocar intoxicação grave em bovinos. Estudos publicados na revista Pesquisa Veterinária Brasileira apontam letalidade de 100% entre os animais intoxicados em determinados quadros associados à ingestão da planta.

O alerta reforça a necessidade de integrar o manejo de plantas daninhas às estratégias de sanidade, produtividade e segurança da pecuária.

Fedegoso-branco ameaça produtividade e saúde do rebanho

O gênero Senna reúne diferentes espécies consideradas tóxicas para animais de produção, entre elas Senna occidentalis, Senna pendula e Senna pilifera. O fedegoso-branco, porém, merece atenção especial pelo potencial de intoxicação de bovinos.

A planta apresenta porte ereto e subarbustivo, com diversas ramificações próximas à base. Normalmente, alcança entre 70 centímetros e 1,60 metro, mas pode superar dois metros em condições favoráveis.

Seu sistema radicular é perene, enquanto a parte aérea se renova anualmente. A propagação ocorre por sementes, característica que favorece a permanência da espécie nas áreas agrícolas e de pastagem.

Segundo Thaís Lopes, gerente de Marketing Regional da Linha Pastagem da Corteva Agriscience, o fedegoso-branco possui ampla distribuição no território brasileiro e consegue se desenvolver em pastagens e também em lavouras anuais e perenes.

Em algumas regiões, a planta apresenta germinação rápida após o início das chuvas, aumentando a necessidade de monitoramento das áreas de produção.

Matocompetição reduz oferta de alimento para o gado

Antes mesmo de provocar intoxicações, a presença de plantas daninhas já representa um problema econômico para a propriedade.

O fedegoso-branco compete diretamente com as forrageiras por água, luz, espaço e nutrientes. Essa matocompetição pode reduzir a produção de massa verde e comprometer a qualidade nutricional do pasto.

Com menor disponibilidade de alimento, os impactos podem aparecer em diferentes indicadores zootécnicos, incluindo:

  • redução do ganho de peso dos animais;
  • queda na produção de leite e carne;
  • diminuição da capacidade de suporte das pastagens;
  • redução da taxa de lotação;
  • aumento do custo de produção;
  • maior risco de intoxicação do rebanho.

Dessa forma, o controle de plantas daninhas deve ser considerado parte da estratégia de produtividade da fazenda e não apenas uma operação de manutenção das pastagens.

Intoxicação por fedegoso-branco pode ser fatal

Embora os casos de intoxicação não sejam considerados frequentes em todas as regiões, há registros que chamam a atenção para o problema, especialmente no Mato Grosso do Sul, além de ocorrências em Santa Catarina e Paraná.

Pesquisas relacionadas à intoxicação por Senna obtusifolia, incluindo estudo publicado na Pesquisa Veterinária Brasileira por pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, associam a ingestão de folhas e vagens verdes ao desenvolvimento de uma miopatia degenerativa grave.

Nos casos avaliados pelo estudo citado, a evolução clínica foi fatal, com letalidade de 100% entre os animais afetados.

Sintomas exigem atenção do pecuarista

A intoxicação pode provocar comprometimento severo da musculatura dos bovinos. Entre os sinais clínicos descritos estão:

  • fraqueza intensa;
  • dificuldade para caminhar;
  • alteração da coloração da urina, que pode ficar escura;
  • liberação de mioglobina;
  • dificuldade de permanecer em estação;
  • permanência em decúbito esternal.

De acordo com Thaís Lopes, medidas de suporte mencionadas em pesquisas, como suplementação com vitamina E e selênio, não demonstraram capacidade de reverter clinicamente o quadro fatal descrito nos animais intoxicados.

Diante da gravidade, a prevenção ganha importância ainda maior. Ao identificar plantas potencialmente tóxicas ou animais com sinais de intoxicação, o produtor deve buscar orientação de um médico-veterinário para diagnóstico e definição das medidas adequadas.

Roçagem isolada pode não resolver o problema

O controle das plantas daninhas exige planejamento. A simples roçagem pode eliminar temporariamente a parte aérea da planta, mas não necessariamente impede sua recuperação.

No caso de espécies com sistema radicular perene, a rebrota pode ocorrer após a retirada da parte visível da planta. Por isso, o manejo deve considerar as características biológicas da invasora e o estágio adequado para controle.

O uso de herbicidas registrados para a cultura e para a planta-alvo, seguindo rigorosamente as recomendações de bula e orientação técnica, pode integrar uma estratégia de manejo mais eficiente.

Tecnologia auxilia no controle de plantas daninhas

A Linha Pastagem da Corteva Agriscience destaca tecnologias voltadas ao controle de plantas invasoras em áreas de pastagem.

Entre as soluções citadas pela empresa está a Tecnologia Ultra-S, destinada ao controle de plantas daninhas anuais, bianuais e herbáceas, além do produto Navius.

Segundo a companhia, as formulações concentradas podem contribuir para maior rendimento operacional por hectare tratado, desde que utilizadas de acordo com as recomendações técnicas e legais.

Para a empresa, manter as pastagens livres de plantas daninhas é uma medida importante tanto para preservar a produtividade da área quanto para reduzir riscos relacionados à presença de espécies potencialmente tóxicas.

Manejo integrado protege o pasto e o rebanho

O caso do fedegoso-branco mostra que o controle de plantas daninhas possui impacto que vai além da estética ou da competição com as forrageiras. A presença de espécies tóxicas pode transformar uma área de pastagem em uma fonte de risco sanitário e econômico.

Por isso, o monitoramento periódico das áreas, a identificação correta das espécies, o manejo adequado da pastagem e o controle químico ou mecânico quando tecnicamente indicado devem fazer parte da rotina da propriedade.

Para o pecuarista, a prevenção pode representar menor perda de forragem, melhor aproveitamento da área produtiva e, principalmente, maior proteção do rebanho.

Pesquisadores da Amazônia sequenciam o genoma do açaí pela primeira vez

 

Cientistas da Amazônia sequenciaram pela primeira vez o genoma do açaí (Euterpe oleracea Mart.), uma palmeira que produz um dos frutos mais representativos da bioeconomia da Região Norte. A descoberta agilizará o melhoramento genético do açaizeiro ao identificar os genes responsáveis por características desejáveis, como elevada produtividade, maior teor de antocianinas (pigmentos naturais da planta) e resistência a enfermidades. Além disso, o conhecimento do genoma do açaí amplia a compreensão sobre as diferentes colorações dos frutos e permitirá o desenvolvimento de novos produtos a partir da identificação dos genes relacionados a moléculas de interesse, como corantes naturais e antioxidantes.

O trabalho é resultado da parceria entre pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e teve seus resultados publicados no artigo The genome sequence of the açaí berry (Euterpe oleracea Mart.) and RNA-Seq analysis of the fruit ripening, da revista científica Genome.

A pesquisa começou pela seleção de amostras de açaizeiro no banco genético da Embrapa Amazônia Oriental. O centro de pesquisa forneceu amostras da cultivar BRS Pai d’Égua para o sequenciamento do DNA, bem como frutos em diferentes fases de desenvolvimento de uma variedade de açaizeiro que produz frutos roxos e de outra que produz frutos verdes, popularmente conhecido como “açaí branco”. Já ao Laboratório de Engenharia Biológica, da UFPA, coube o sequenciamento do DNA das amostras e a montagem do genoma com recursos de bioinformática.

A comparação entre as amostras de açaí roxo e branco revelou aos pesquisadores que a coloração mais comum se deve à ativação de uma enzima específica, responsável pela síntese de antocianinas. A variedade branca, por sua vez, apresenta uma inibição generalizada dos genes que iniciam esse processo de coloração. A pesquisadora Elisa Moura, da Embrapa Amazônia Oriental e uma das autoras do artigo, avalia que essas informações sobre a genética da planta podem agilizar o trabalho de campo. “Com o sequenciamento, podemos identificar regiões do genoma que funcionem como marcadores para evitar a espera de cerca de seis anos até que tenhamos informações sobre produção de antocianinas e produtividade”, afirma.

Segundo Moura, o conhecimento do genoma do açaí é um importante ponto de partida para identificar os genes relacionados a características desejáveis da planta por meio de marcadores genéticos. Ela pontua que, embora ainda não exista uma enfermidade que seja um problema grave para a produção de açaí, se vier a ocorrer alguma, a informação do sequenciamento do genoma já será um passo importante para identificar os genes relacionados à resistência a uma doença.

Outro avanço importante no mapeamento genômico é a busca por variedades de açaí mais aptas ao cultivo em terra firme. Como a palmeira é nativa das florestas de várzea, áreas parcialmente alagáveis, desenvolver essa adaptação do açaizeiro a um ambiente com menos água tem sido um dos grandes focos dos estudos da Embrapa.

A também pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental Maria do Socorro Padilha, outra autora do artigo e responsável pela equipe que lançou a primeira cultivar de açaí, em 2005, exemplifica o impacto do novo conhecimento recordando a linha do tempo daquela pesquisa. De acordo com ela, foram necessários 24 anos de trabalho em campo para alcançar aquela primeira cultivar. Se os dados genômicos atuais estivessem disponíveis naquela época, o desenvolvimento poderia ter sido reduzido em até três vezes.

“Creio que levaria uns oito a dez anos, no máximo. Quando você tem informações consistentes do genoma da espécie, boa parte do trabalho de seleção pode ser feito dentro do laboratório. Torna-se muito mais fácil”, afirma. Os dados das avaliações das diferentes palmeiras de açaí em campo poderão ser relacionados às informações das equipes de biologia molecular, genética e bioinformática.

Novas rotas biotecnológicas

Além de apoiar o melhoramento genético do açaizeiro, o professor Rafael Baraúna, do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA e um dos autores do artigo, aponta que o sequenciamento do genoma do açaí também serve de base para dois campos de estudos. O primeiro se refere à geração de informações para o entendimento da biologia da planta, por meio de uma futura base de dados pública para ajudar os estudos de outros pesquisadores da região.

Já no âmbito da pesquisa aplicada, o mapeamento do genoma pode contribuir para a produção de moléculas de interesse da indústria farmacêutica ou cosmética. Após a  identificação dos genes responsáveis por essas moléculas no açaí, como corantes naturais e antioxidantes, novas pesquisas podem utilizar técnicas de engenharia biológica para levar microrganismos, como bactérias ou leveduras, a produzir esses compostos em larga escala em laboratório. Esse processo é chamado pelos pesquisadores de criação de rotas biotecnológicas.

“Dessa forma, nós diminuímos a exploração da planta no campo e aumentamos a produção dessas substâncias dentro de um ambiente controlado, o laboratório. É uma maneira mais sustentável de alcançar aquele produto de interesse da indústria”, conclui Baraúna.

A pesquisa contou com o financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Além dos pesquisadores citados acima, também assinam o artigo: Maria Silvanira Ribeiro Barbosa, Sávio de Souza Costa, Davi Josué Marcon, Adan Rodrigues de Oliveira, Lucas da Silva e Silva, Maria Paula Cruz Schneider, Juarez Antônio Simões Quaresma, Diego Assis das Graças, Adonney Allan de Oliveira Veras, Simone de Miranda Rodrigues e Artur Silva.

Quatro décadas de melhoramento genético do açai

Com viabilidade comercial, a Amazônia abriga duas espécies da planta: o açaí-solteiro (Euterpe precatoria Mart.), que predomina no Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima e que desenvolve um único tronco; e o açaí de touceira (Euterpe oleracea Mart.), nativo do Pará, Amapá e Maranhão, de cuja base brotam vários troncos e que hoje é responsável pela maior parte da produção nacional.

O trabalho de melhoramento genético da Embrapa começou na década de 1990 com foco no açaí de touceira, resultando no lançamento de duas variedades adaptadas para o cultivo em terra firme. Essa foi uma mudança importante, pois a palmeira é nativa de áreas de florestas de várzea, ou seja, temporariamente alagadas.

A primeira delas, a ‘BRS Pará’, foi lançada em 2005 com foco no aumento de produtividade. Já em 2019, a Embrapa lançou a ‘BRS Pai d’Égua’, que, além do rendimento, trouxe como diferencial a distribuição equilibrada da colheita ao longo do ano quando irrigada como forma de minimizar a escassez do fruto no período de entressafra no Pará.

Atualmente, o projeto Melhoraçaí – Fase III prossegue com as pesquisas de açaí de touceira e também busca selecionar genótipos (plantas com características genéticas superiores) da espécie Euterpe precatoria Mart. (açaí-solteiro) para abastecer o mercado de polpa nos estados do Acre e Roraima.

Fotos: Ronaldo Rosa and Vinícius Braga

Vinicius Soares Braga (MTb 12.416/RS)
Embrapa Amazônia Oriental
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Tradução em inglês: Maria Rita Andreozzi, supervisionada por Mariana de Lima Medeiros (13044/DF)
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Preço do boi gordo sobe em 26 das 28 praças pecuárias em agosto, aponta levantamento do Cepea

De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), 26 das 28 praças pecuárias monitoradas registraram valorização da arroba nos primeiros 15 dias de agosto. As maiores altas foram observadas no Tocantins, oeste da Bahia e noroeste do Paraná.

No Tocantins, a valorização chegou a 4,2% no período. No oeste baiano, os preços avançaram 3,4%, enquanto no noroeste do Paraná a alta foi de 3,3%.

Apesar do movimento positivo na primeira metade de agosto, o mercado perdeu ritmo no fim da última semana. Segundo o Cepea, boa parte dos lotes negociados na quinta e na sexta-feira foi destinada a escalas de abate de sete a 12 dias.

Frigoríficos de maior porte, especialmente aqueles que operam com maior volume de contratos, relataram escalas razoavelmente preenchidas até o fim de agosto.

Pecuaristas encontram ofertas menores

A postura dos vendedores também segue influenciando as negociações. Parte dos pecuaristas que havia segurado os animais à espera de preços mais elevados percebeu, no fim da semana, uma redução nas ofertas feitas pelos compradores.

Com isso, alguns passaram a considerar negócios em valores menores, enquanto outros continuam aguardando novas altas para negociar os animais.

O cenário contribuiu para a baixa liquidez observada no encerramento da semana e coloca as escalas dos frigoríficos e a disponibilidade de animais entre os fatores que devem permanecer no radar do mercado.

Preço da carne perde força

No atacado, os preços da carne bovina também apresentaram enfraquecimento com a chegada da segunda quinzena de agosto.

Segundo o Cepea, o movimento está relacionado à desaceleração sazonal do consumo. Com a redução da disponibilidade de renda das famílias na segunda metade do mês, as vendas de carne tendem a perder força.

Na sexta-feira, a carcaça casada de boi registrou média de R$ 24,07 por quilo à vista, recuo de 0,4% na comparação semanal.

Assim, o mercado inicia a nova semana dividido entre a valorização acumulada pela arroba na primeira quinzena e sinais de menor liquidez nas negociações, além do enfraquecimento das vendas de carne bovina.