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Perto do fim da cota chinesa, embarque de carne bovina recua 17,7% em julho

Valor das exportações reduziu de US$ 1,53 bilhão para US$ 1,44 bilhão (5,8%); embarques totais de produtos agropecuários aumentaram 9,3% e somaram US$ 7,8 bilhões, segundo dados do MDIC.

Com mais de 80% da cota chinesa já preenchida, o volume de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada exportada em  julho recuou 17,7% frente ao mesmo período de 2025.

Segundo dados da balança comercial divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) divulgados nesta quinta-feira (6), o Brasil exportou 227,9 mil toneladas em julho ante as 276,8 mil toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025.

O recuo do volume refletiu-se também no valor dos embarques, que caíram 5,8%, para US$ 1,44 bilhão, queda de 5,8%.

Por outro lado, o preço médio por tonelada aumentou 14,4%, saltando de US$ 5.549 para US$ 6.350.

Dados do setor  

Em comparação ao mesmo período de 2025, os embarques totais de produtos da agropecuária aumentaram 9,3% e somaram US$ 7,8 bilhões. Além do valor, as exportações do agro também cresceram em volume (4,8%) e preço (4,1%) no comparativo.

A soja, principal produto do setor, correspondeu a 17,2% do total embarcado pelo Brasil no mês e somou US$ 5,87 bilhões em julho, um aumento de 17,4% em comparação ao mesmo período de 2025. As exportações da oleaginosa também aumentaram em volume (9,3%) e preço (7,4%).

Já as exportações de café não torrado apresentaram uma redução no volume (4,8%) e preço (17,8%). Em julho, os embarques de produto somaram US$ 0,81 bilhão, uma queda de 21,8% frente ao mesmo mês de 2025.

Outros produtos de destaque no mês foram: Animais vivos, não incluído pescados ou crustáceos (+ 67,8% com aumento de US$ 0,41 bilhão); Algodão em bruto (+ 13,6% com aumento de US$ 0,37 bilhão; Milho não moído, exceto milho doce (+ 11,7% com aumento de US$ 0,23 bilhão) e Frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas (+ 20,0% com aumento de US$ 0,13 bilhão).

Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas (+ 20,0% com aumento de US$ 1,01 bilhão) e Farelos de soja e outros alimentos para animais (excluídos cereais não moídos), farinhas de carnes e outros animais (+ 16,9% com aumento de US$ 0,86 bilhão), também apresentaram um desempenho positivo ante julho de 2025

Agro pode gerar 314 milhões de créditos de carbono até 2035, diz estudo

O agronegócio brasileiro tem potencial para movimentar 314,3 milhões de créditos de carbono entre até 2035, mas a ausência de regras operacionais para autorizar e comercializar esses ativos ainda impede que o setor aproveite plenamente as oportunidades do mercado internacional. A conclusão é de um estudo apresentado nesta quinta-feira (6), durante o Fórum de Agro & Sistemas Alimentares, na São Paulo Climate Week.

O levantamento, elaborado pela Carbonn Nature com apoio do Instituto Equilíbrio e do IEAg (Instituto de Estudos do Agronegócio), da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), estima que o Brasil poderia movimentar bilhões de reais mesmo sem comprometer suas metas climáticas.

Segundo o estudo, uma estratégia moderada de autorizações, limitada a um impacto de até 4% sobre a segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) do Brasil no âmbito do Acordo de Paris, permitiria negociar cerca de 15,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente no mercado internacional.

Esse volume poderia gerar receitas de até R$ 2,4 bilhões por meio dos chamados Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, mecanismo previsto no Artigo 6 do Acordo de Paris que permite a comercialização de créditos entre países.

Caso esses créditos sejam destinados ao Corsia, programa internacional de compensação de emissões da aviação civil, a receita potencial sobe para R$ 3,5 bilhões.

O estudo aponta que o potencial do agro brasileiro está concentrado em três frentes: o manejo aprimorado de terras agrícolas, a recuperação de áreas degradadas e a redução das emissões de metano provenientes do manejo de dejetos animais. Segundo os pesquisadores, essas atividades já possuem metodologias reconhecidas internacionalmente e contam com projetos em desenvolvimento no país.

Para a pesquisadora responsável pelo estudo, Natascha Trennepohl, o levantamento mostra uma mudança no papel do agronegócio dentro da agenda climática.

“O agronegócio brasileiro deixou de ser discutido apenas como fonte de emissões e passa a ocupar o centro da conversa sobre soluções. Não existe uma escolha binária entre gerar receita com carbono e proteger a meta climática do País. Com critérios de autorização bem definidos e volumes graduais, as duas coisas caminham juntas”, afirmou.

Apesar do potencial identificado, o estudo ressalta que os valores estimados não representam receitas garantidas. A concretização dos negócios depende da autorização do governo brasileiro para que os créditos sejam reconhecidos como ITMOs, da existência de compradores internacionais e das condições de mercado.

Os autores avaliam que o principal entrave não está na capacidade do agronegócio de gerar créditos, nem na demanda internacional, mas na falta de regulamentação para operacionalizar o mercado.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão a regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, a definição de critérios para autorização dos ITMOs, o reconhecimento de metodologias do agronegócio no SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), a criação de limites de créditos compatíveis com as metas climáticas brasileiras, a emissão das cartas de autorização pelo governo federal e o fortalecimento dos sistemas de monitoramento, reporte e verificação dos projetos.

O estudo também recomenda preparar os projetos brasileiros para o aumento da demanda do Corsia a partir de 2027, quando o programa passará a exigir compensações obrigatórias para a maior parte dos voos internacionais.

Para Trennepohl, o país reúne as condições técnicas para disputar esse mercado, mas ainda depende de avanços regulatórios.

Carlos Magno visita Expoari e Agroari e reforça compromisso com o fortalecimento do agronegócio

O candidato a deputado estadual Carlos Magno esteve em Ariquemes durante a realização da Expoari, uma das mais tradicionais exposições agropecuárias de Rondônia, e aproveitou a oportunidade para visitar a Agroari, feira voltada à inovação, à tecnologia e ao fortalecimento do setor produtivo rural.

Durante a visita, Carlos Magno conversou com produtores rurais, expositores, representantes da agricultura familiar e empreendedores que apresentavam produtos e soluções voltadas ao desenvolvimento do campo. O candidato conheceu iniciativas ligadas à produção de cacau e chocolate, percorreu os estandes, visitou a praça de alimentação e acompanhou as atividades realizadas no parque de exposições, incluindo o rodeio.

Ao longo do encontro, ele destacou a importância de ampliar as políticas públicas destinadas ao setor, incentivar a produção e criar condições para impulsionar a economia regional. A Expoari é considerada uma das principais vitrines do agronegócio rondoniense e marca o início da temporada de feiras agropecuárias no estado.

“O agronegócio é uma das maiores forças da nossa economia e merece cada vez mais atenção. Precisamos valorizar o produtor rural, investir em infraestrutura, incentivar a agricultura familiar e garantir que a tecnologia chegue ao campo. Rondônia tem um enorme potencial, e é por meio do trabalho e do apoio ao setor produtivo que vamos continuar gerando emprego, renda e desenvolvimento para a nossa população.” Destacou Carlos Magno.

Três casos de raiva bovina são confirmados em distrito de Jaru interior de Rondônia

A Agência de Defesa Sanitária Agrossilvopastoril de Rondônia (Idaron) confirmou três casos de raiva bovina em uma propriedade rural localizada no distrito de Tarilândia, em Jaru. A confirmação ocorreu após um produtor comunicar à agência que um animal apresentava comportamento anormal. O bovino morreu e, após a coleta de material para análise laboratorial, o diagnóstico da doença foi confirmado. Outros casos suspeitos seguem sendo investigados.

Como medida de contenção, equipes da Idaron estão realizando ações de vigilância e bloqueio sanitário na região. Todo o rebanho existente em um raio de até três quilômetros da propriedade afetada está sendo vacinado pela agência. Já os produtores localizados no raio entre três e 12 quilômetros devem realizar a vacinação dos animais e comprovar o procedimento junto à Idaron. A área afetada fica a cerca de 70 quilômetros da zona urbana de Jaru e também abrange parte do município de Governador Jorge Teixeira.

Segundo o supervisor regional da Idaron em Jaru, Júlio, as equipes permanecem em campo orientando os produtores rurais, aplicando questionários sanitários e acompanhando a vacinação dos rebanhos. “Reforçamos que qualquer animal que apresente sintomas diferentes do habitual deve ser imediatamente notificado à Idaron para que possamos realizar a investigação e adotar as medidas sanitárias necessárias”, destacou.

A raiva bovina é uma doença viral que afeta o sistema nervoso dos animais e pode ser transmitida aos seres humanos por meio do contato com animais infectados. De acordo com as autoridades sanitárias, os funcionários da propriedade onde os casos foram registrados já receberam vacinação preventiva contra a doença. A orientação é que todos os produtores mantenham a vacinação do rebanho em dia e comuniquem imediatamente qualquer suspeita à Idaron para evitar a disseminação do vírus

SENAR Rondônia abre credenciamento de pessoas jurídicas para atuação no Programa Saúde no Campo

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Rondônia (SENAR-AR/RO) abriu um edital de credenciamento para pessoas jurídicas da área da saúde interessadas em atuar no Programa Saúde no Campo. A seleção vai formar um banco de prestadores de serviços para atender produtores rurais e suas famílias em ações de promoção da saúde desenvolvidas pela instituição em diversas regiões do estado.

O credenciamento é voltado para empresas que possuam profissionais com nível técnico ou superior em Enfermagem, aptos a atuar como Técnicos de Saúde Rural ou Supervisores Técnicos de Saúde Rural. A contratação será realizada conforme a demanda do programa e não gera vínculo empregatício nem obrigação de contratação por parte do SENAR Rondônia.

De acordo com o edital, o programa prevê, inicialmente, a atuação simultânea de até 30 Técnicos de Saúde Rural e dois Supervisores Técnicos, distribuídos entre as regiões Central e Zona da Mata de Rondônia. O documento também prevê a ampliação do atendimento para novos municípios durante a vigência do credenciamento, conforme a necessidade operacional do programa.

As inscrições são gratuitas e permanecerão abertas durante todo o período de vigência do edital, de 24 meses. Os interessados devem realizar o cadastro exclusivamente pelo portal do Sistema FAPERON/SENAR Rondônia, na área “Trabalhe Conosco”, onde também está disponível o edital completo com os critérios de participação e a documentação exigida (CLIQUE AQUI)

O Programa Saúde no Campo integra as ações de Promoção Social do SENAR e tem como objetivo ampliar o acesso à saúde preventiva no meio rural, levando orientação e acompanhamento diretamente às propriedades rurais.

Inscrições: sistemafaperon.org.br/trabalhe-conosco/

Mais informações: saude.sistemafaperon.org.br/

Possível proibição da pesca do tambaqui acende alerta em Rondônia

A possibilidade de proibição da pesca do tambaqui em todo o Brasil tem gerado preocupação em Rondônia, estado que lidera a produção nacional da espécie em cativeiro e onde o peixe possui grande importância econômica, social e cultural.

O alerta surgiu após a publicação da Portaria GM/MMA nº 1.666, de 27 de abril de 2026, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que incluiu o tambaqui (Colossoma macropomum) na lista oficial das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, na categoria “Vulnerável (VU)”.

A portaria estabeleceu um prazo de 180 dias para que seja elaborado e aprovado um Plano de Recuperação da espécie. O prazo termina em 25 de outubro de 2026. Caso esse plano não seja concluído dentro do período previsto, poderão ser adotadas medidas mais restritivas para proteger a espécie, incluindo a possibilidade de proibição da pesca do tambaqui em ambiente natural.

É importante destacar que a pesca do tambaqui continua permitida neste momento, respeitando as normas já existentes, como o período do defeso e demais regras ambientais. Nenhuma proibição entrou em vigor até agora.

Rondônia pode sentir impactos diretos

Em Rondônia, a notícia repercute com atenção porque o estado se consolidou como o maior produtor brasileiro de tambaqui cultivado. A cadeia produtiva movimenta milhares de empregos, envolvendo piscicultores, fábricas de ração, frigoríficos, transportadoras, distribuidores e o comércio de pescado.

Além da produção em cativeiro, o tambaqui também é um dos peixes mais consumidos pela população rondoniense e tem forte presença na pesca artesanal realizada nos rios da região amazônica.

Caso uma eventual restrição alcance apenas a captura de exemplares na natureza, os principais afetados deverão ser os pescadores artesanais que dependem da atividade para garantir renda e sustento às famílias.

Por outro lado, especialistas destacam que a piscicultura não deve ser automaticamente afetada. A criação de tambaqui em viveiros possui regras próprias e qualquer mudança dependerá da regulamentação que vier a ser publicada pelo governo federal.

Por que o tambaqui entrou na lista?

De acordo com estudos técnicos utilizados pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a população natural do tambaqui apresentou redução estimada em 43,4% ao longo de três gerações, principalmente em decorrência da pressão da pesca sobre os estoques naturais na Amazônia.

A inclusão da espécie na categoria “Vulnerável” busca garantir medidas de conservação antes que o risco de extinção se torne ainda maior.

O que acontece agora?

Até o dia 25 de outubro de 2026, o governo federal deverá apresentar o Plano de Recuperação do tambaqui, definindo ações de manejo, monitoramento e conservação da espécie.

Caso o plano seja aprovado dentro do prazo, novas regras poderão disciplinar a exploração sustentável do peixe, evitando medidas mais severas. Se isso não ocorrer, a legislação prevê a possibilidade de adoção de restrições adicionais para proteger a espécie.

Enquanto isso, produtores, pescadores e consumidores acompanham o tema de perto, principalmente em Rondônia, onde o tambaqui representa uma das principais atividades da piscicultura brasileira e um importante componente da economia do estado.

Pesquisa indica 27 novos registros de abelhas nativas na cultura da soja

Estudo liderado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), no sudoeste de Goiás, identificou 27 novos registros de abelhas associadas à cultura da soja no Brasil. Elas foram registradas entre as 40 espécies encontradas nas plantações da região de Rio Verde e Montividiu e nunca haviam sido citadas pela literatura científica. A pesquisa também aponta que a presença de abelhas silvestres em lavouras de soja pode aumentar o peso dos grãos em média 7%.

Os resultados estão publicados no artigo Bioinput Use and Native Vegetation Fragments are Associated With Higher Bee Community Evenness in Large-Scale Soybean Crops, no Journal of Applied Entomology. Considerando também as matas nativas vizinhas, o levantamento identificou, no total, 53 espécies de abelhas pertencentes a cinco famílias (Apidae, Andrenidae, Megachilidae, Colletidae e Halictidae).

O estudo reforça que a conservação das manchas de mata nativa no entorno das lavouras e, consequentemente, de polinizadores, pode trazer benefícios não apenas para a biodiversidade, mas também para a produção agrícola, ao indicar que a presença desses insetos pode contribuir para o aumento da produtividade da soja.

A pesquisa confirma também que a conservação de polinizadores representa não apenas uma estratégia de conservação da biodiversidade, mas também uma forma de contribuir para a produtividade, à sustentabilidade da produção e, em última instância, para a segurança alimentar, em sintonia com critérios ESG cada vez mais presentes nas exigências dos mercados internacionais.

O “filtro invisível” dos defensivos químicos

Historicamente, o modelo de produção em larga escala da soja tem se apoiado no uso intensivo de inseticidas e fungicidas sintéticos de amplo espectro. O grande gargalo desse sistema é o impacto sobre organismos não-alvo. Ao tentar combater pragas específicas, a aplicação maciça de defensivos químicos convencionais acaba agindo como um “filtro ambiental” severo sobre a fauna benéfica. E a pesquisa da Embrapa comprova estatisticamente esse fenômeno.

A pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Carmen Pires explica que, nas propriedades agrícolas com manejo químico altamente intensivo, houve uma queda drástica na chamada equitabilidade das comunidades de abelhas. Em ecologia, o termo indica o quão uniformemente os indivíduos estão distribuídos entre as diferentes espécies presentes em um ambiente. Nas áreas avaliadas, o manejo mais intensivo esteve associado à redução da diversidade, favorecendo um pequeno número de espécies possivelmente mais tolerantes ao estresse, enquanto espécies mais especializadas e potencialmente mais eficientes na polinização deixaram de ocorrer.

Porém, os cientistas alertam para um erro metodológico comum que essas análises de comunidades podem esconder: avaliar a saúde de uma lavoura apenas pela abundância bruta de insetos pode ser um engano. “Uma área altamente pulverizada com químicos pode apresentar um número elevado de insetos na contagem rápida, mas quase todos pertencem a uma única espécie resistente. Funcionalmente, a lavoura torna-se um “deserto de biodiversidade”, vulnerável e dependente de intervenções artificiais constantes”, explica Pires.

O avanço dos bioinsumos e do plantio regenerativo

A boa notícia é que existe uma rota de fuga viável e economicamente vantajosa: as fazendas que integraram bioinsumos — como bactérias e fungos de menor impacto ambiental para o controle biológico de pragas e fertilização do solo — e reduziram a dependência de químicos de alta toxicidade, conseguiram manter comunidades de abelhas significativamente mais equilibradas, saudáveis e funcionalmente diversas.

A transição para os biológicos, classificados na Classe IV de risco ambiental (pouco perigosos), evita o extermínio de abelhas silvestres e preserva o ciclo natural. O impacto ecológico dessa escolha é visível na estrutura de vida das próprias abelhas: cerca de 60% das espécies identificadas no sudoeste de Goiás constroem seus ninhos diretamente no chão.

A pesquisadora observa que, nesse ponto, a agricultura regenerativa assume um papel central de preservação. Segundo ela, práticas que minimizam o revolvimento da terra e mantêm a palhada na cobertura do solo, protegem os ninhos subterrâneos das abelhas dentro da própria lavoura de soja. “Sem tratores desfazendo seus abrigos e sem venenos penetrando a terra, essas abelhas podem persistir de uma safra para a outra, prontas para polinizar a próxima floração”, diz.

Além disso, o estudo constatou que a maioria das espécies coletadas (44,7%) possui hábitos de vida solitários. Ao contrário das abelhas sociais, que vivem em colônias populosas e podem ser manejadas em caixas por apicultores (a chamada polinização assistida), as abelhas solitárias dependem exclusivamente das boas condições ecológicas da fazenda para sobreviver. Por isso, o produtor precisa adotar práticas amigáveis para mantê-las vivas na propriedade. Caso contrário, perderá o bônus de produtividade que elas oferecem gratuitamente.

O Cerrado pode ser o “pulmão” polinizador da fazenda

A pesquisa também explica como se dá a relação de dependência entre a floresta e a lavoura. Os fragmentos de vegetação nativa do Cerrado adjacentes às plantações de soja atuam como verdadeiros refúgios ecológicos e como “fábricas” de polinizadores. Das abelhas nativas coletadas nas matas vizinhas, a espécie mais representativa foi a Ceratina duplocarinata, enquanto, nas áreas de soja predominou o gênero Dialictus.

Os dados revelaram que a proximidade física com a mata é um fator relevante. Quanto maior o afastamento da lavoura em relação às bordas de Cerrado nativo, menores foram a riqueza e a abundância de abelhas nativas encontradas nas flores de soja. A mata preservada funciona como um lar permanente que fornece abrigo, locais de nidificação para os 18% de espécies que fazem ninhos em ocos de troncos de árvores caídas, e alimento alternativo nos períodos em que a soja não está florescendo. Sem a floresta vizinha, as abelhas não conseguem colonizar as plantações comerciais.

Os novos recordes

Os números consolidados do estudo revelam a dimensão da biodiversidade encontrada no sudoeste goiano. Do total de 764 abelhas coletadas nas amostragens, 89% eram abelhas nativas do Brasil. Apenas 11% pertenciam à espécie exótica Apis mellifera (a abelha africanizada, amplamente conhecida pela produção de mel).

Antes dessa publicação, revisões científicas acumuladas até 2018 registravam apenas 12 espécies de abelhas nativas associadas, de alguma forma, à soja no território brasileiro. O novo trabalho da Embrapa ampliou significativamente esse conhecimento ao documentar 40 espécies de abelhas nas áreas cultivadas de soja no sudoeste goiano, incluindo 27 registros inéditos de espécies visitando as flores da leguminosa na região.

Para chegar a essa precisão científica, os pesquisadores testaram e compararam diferentes metodologias de campo, o que gerou outra descoberta metodológica importante. Os tradicionais pratos-armadilha (chamados tecnicamente de pan traps, pintados de azul para atrair os insetos) mostraram-se mais eficientes para medir a biodiversidade real do que as clássicas redes entomológicas (as populares “redes de caçar borboletas”).

As pan traps foram responsáveis por 95% de todas as capturas do estudo (728 indivíduos), identificando 33 espécies distintas. A rede entomológica ativa, por sua vez, registrou apenas 7 espécies. O estudo aponta que o uso exclusivo de redes subestima a riqueza biológica real das fazendas de soja, em grande parte devido à densidade das plantas e ao comportamento discreto das abelhas nativas menores que dificultam as coletas.

“A pesquisa da Embrapa consolida, com dados de campo, que o futuro da agricultura nacional depende do equilíbrio ecológico. Os insetos polinizadores são os amigos invisíveis das lavouras, mas o manejo inadequado pode colocá-los em risco. Proteger as abelhas nativas e o Cerrado que as abriga é, acima de tudo, preservar a economia e a segurança alimentar do Brasil”, conclui Pires.

O estudo

Conduzido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o estudo também contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde (IF Goiano). A pesquisa integra o projeto Regenera Cerrado, desenvolvido em parceria entre instituições de pesquisa, produtores rurais e a Cargill. O projeto avalia os impactos da adoção de práticas de agricultura regenerativa sobre a saúde do solo, a ocorrência de pragas e de inimigos naturais em áreas de produção no sudoeste de Goiás.

Adilson Honorato defende renovação da bancada federal e diz que política precisa se reaproximar da população

Durante participação no programa Sem Filtro Eleições 2026, apresentado pelo jornalista Carlos Caldeira, o candidato a deputado federal pelo PSD, Adilson Honorato, defendeu uma atuação política baseada no diálogo entre os poderes e na transparência com a população. Ao comentar a relação entre o Governo de Rondônia e a bancada federal, ele afirmou que, encerrado o período eleitoral, os representantes públicos devem colocar as diferenças políticas de lado e trabalhar em conjunto pelos interesses do estado.

Honorato avaliou que o governador Marcos Rocha cometeu erros, como qualquer gestor público, mas ponderou que sua administração também apresentou avanços. Como exemplos, citou a ausência de greves recentes em áreas como saúde e segurança pública e afirmou que Rondônia não registrou escândalos de corrupção comprovados de grande repercussão nos últimos anos. Segundo o candidato, esses fatores também devem ser considerados pela população ao analisar a atuação do governo estadual.

Questionado sobre sua principal bandeira de campanha, Honorato respondeu de forma direta: “o povo”. Ele afirmou que pretende manter na política os mesmos princípios que adotou ao longo de sua carreira na comunicação, ressaltando o compromisso com a transparência e a prestação de contas. Também disse estar preparado para enfrentar questionamentos durante a campanha eleitoral, destacando que o agente público deve estar sempre aberto ao diálogo e ao escrutínio da sociedade.

Ao encerrar a entrevista, o candidato reforçou que sua motivação para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados está ligada ao desejo de contribuir para o desenvolvimento do estado e para o fortalecimento da representação dos rondonienses em Brasília.

VEJA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI:

 

Carlos Magno reúne coordenadores e define estratégias para a campanha a deputado estadual

Após ter sua candidatura a deputado estadual oficializada durante a convenção partidária do Solidariedade, Carlos Magno reuniu coordenadores de campanha de diversas regiões de Porto Velho para alinhar as estratégias que serão adotadas durante o período eleitoral. O encontro teve como foco a definição de metas, o planejamento das ações e o fortalecimento da organização da campanha em todo o estado.

Durante a reunião, foram estabelecidas diretrizes para ampliar a presença da equipe nos municípios e intensificar o contato direto com os eleitores. A proposta é desenvolver uma campanha pautada pelo diálogo, ouvindo as demandas da população e apresentando as principais propostas do candidato para Rondônia.

Entre as principais bandeiras defendidas por Carlos Magno está o fortalecimento da agricultura, com atenção especial à agricultura familiar. Com uma trajetória de proximidade com o setor produtivo rural, o candidato destaca a importância de incentivar a produção, ampliar o apoio aos pequenos produtores e criar políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento do campo e a geração de oportunidades no estado.

Segundo a coordenação da campanha, o encontro marcou o início de uma nova etapa dos trabalhos, com foco na mobilização das equipes, no planejamento das ações regionais e na construção de uma campanha próxima da população, baseada no diálogo e na apresentação de propostas para o desenvolvimento de Rondônia.

Gasolina com 32% de etanol entra em vigor e fortalece produção nacional de biocombustíveis

Mais etanol, menos dependência externa: a nova mistura de 32% de etanol na gasolina fortalece o agronegócio brasileiro
Mais etanol, menos dependência externa: a nova mistura de 32% de etanol na gasolina fortalece o agronegócio brasileiro

A gasolina comum comercializada nos postos de combustíveis de todo o Brasil passou a contar com 32% de etanol anidro (E32) desde o dia 1 de agosto. A medida, oficializada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. O objetivo do Governo Federal é reduzir a dependência das importações de gasolina, ampliar a segurança energética do país e fortalecer a produção nacional de biocombustíveis.

Com a nova mistura, a expectativa do Ministério de Minas e Energia é que o Brasil deixe de importar aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano, reduzindo a exposição às oscilações do mercado internacional de petróleo, especialmente em um cenário de alta nos custos provocado pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. A gasolina premium continuará sendo comercializada com 25% de etanol anidro, sem alterações.

A mudança também representa uma oportunidade para o agronegócio brasileiro. O setor sucroenergético projeta uma demanda adicional de aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol anidro por ano em relação à mistura anterior (E30). A expectativa é de que 2026 registre uma safra recorde de etanol, impulsionada pelo maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível, além do crescimento contínuo da produção de etanol de milho, segmento que vem ganhando força em diversas regiões do país.

Para especialistas, o aumento da participação do etanol na matriz energética reforça o protagonismo do Brasil na produção de combustíveis renováveis, gera novas oportunidades para produtores rurais, usinas e investidores do setor, além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa. A medida também fortalece a estratégia nacional de valorização dos biocombustíveis como alternativa sustentável para o abastecimento da frota brasileira.