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Porto Velho chega aos 111 anos ampliando apoio a quem produz no campo

De uma cidade conectada pela Amazônia profunda a um polo de oportunidades no Norte, Porto Velho, capital de Rondônia, se consolidou no mapa do agro com estradas melhores, acesso a mercados e um ambiente mais favorável à agricultura familiar. Nesse processo, a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), atua com políticas públicas voltadas às famílias que cultivam o solo e garantem a produção de alimentos que chegam diariamente à mesa da população urbana. A trajetória do agricultor Abrelino Alves, morador do distrito de Extrema, reflete essa transformação vivida pelo município ao longo de seus 111 anos.

Filho de agricultor, Abrelino é natural do Rio Grande do Sul e chegou a Rondônia em 1986, vindo do Paraná com a esposa, Helena Alves, e os filhos, em busca de um pedaço de terra para trabalhar. Em 1998, vendeu a casa que possuía na cidade e adquiriu o primeiro lote em Extrema, onde criou os filhos e construiu seu patrimônio.

“Quando cheguei, muita gente dizia que Rondônia era perigosa, mas eu queria um pedaço de chão. Fui ficando, trabalhando, comprando e aumentando a propriedade”, relembra.

Trabalho, adaptação e diversificação no campo

Abrelino trabalha com sistema de agrofloresta em uma área de oito hectares
Abrelino trabalha com sistema de agrofloresta em uma área de oito hectares

No início, Abrelino cultivava diferentes culturas até compreender a dinâmica do mercado local. Aprendeu a produzir farinha, colher castanha, participar de associações e diversificar a produção como estratégia de permanência e crescimento no campo. “Quem tem terra nunca passa necessidade. Da terra a gente tira tudo. Aqui aprendi a trabalhar com castanha, fazer farinha e viver da agricultura”.

Com o tempo, o cultivo da mandioca, do café e da castanha se consolidou como base da produção, impulsionado pela melhoria da logística e pelo crescimento do distrito, que reduziram a distância entre o campo e a cidade.

Agrofloresta, qualidade e renda sustentável

Atualmente, Abrelino trabalha com sistema de agrofloresta em uma área de oito hectares, sendo cinco destinados ao cultivo de café consorciado com castanheira. A propriedade também conta com cacau clonal e produção de mel, integrando floresta, produção e renda. “Eu cultivo a floresta porque ela traz retorno. O café melhora, a castanha produz e tudo o que a gente investe volta”.

Agricultor Abrelino segue ativo e orgulhoso da terra que cultiva
Agricultor Abrelino segue ativo e orgulhoso da terra que cultiva

O cuidado com a pós-colheita e a busca por qualidade levaram o café da propriedade a obter boa avaliação em eventos como a Agrotec – 1ª Feira Tecnológica de Agroindústria e Agricultura Familiar, fortalecendo a renda da família.

Semagric ao lado de quem produz

A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric) tem sido parceira de trajetórias como a de Abrelino, com apoio técnico, distribuição de mudas de café, incentivo a sistemas produtivos sustentáveis e facilitação do acesso a mercados. O primeiro plantio de café da propriedade foi viabilizado com suporte da secretaria, marcando um passo importante para a consolidação da atividade.

Segundo o secretário municipal de Agricultura, Rodrigo Ribeiro, o exemplo do produtor representa o caminho do desenvolvimento rural em Porto Velho. “Histórias como a do seu Abrelino mostram que tecnologia e sustentabilidade caminham juntas. Nosso papel é estar presente no campo, oferecendo condições para que o produtor aumente a produção, reduza custos e tenha renda com qualidade”.

Campo, cidade e futuro integrados

Semagric tem sido parceira de trajetórias como a de Abrelino
Semagric tem sido parceira de trajetórias como a de Abrelino

Com estradas melhores, serviços ampliados e distritos em crescimento, o escoamento da produção se tornou mais eficiente, fortalecendo a economia rural e aproximando o campo da mesa do consumidor. Para Abrelino, o futuro do município é promissor. “Hoje está mais fácil produzir e vender. Porto Velho é lugar de futuro. Quem tem terra aqui tem oportunidade”.

Aos 80 anos, o agricultor segue ativo e orgulhoso da terra que cultiva. Sua história se soma à do município e reforça que Porto Velho avança quando investe em quem produz, fortalecendo a agricultura familiar como base do desenvolvimento sustentável.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Arquivo pessoal Abrelino

Produção de café no Acre cresce 115% em dezembro

A produção de café no Acre registrou crescimento de 115,4% em dezembro de 2025, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no dia 15. De acordo com informações da Agência de Notícias do Acre, o volume passou de 3.079 toneladas para 6.632 toneladas, resultado atribuído às ações do governo estadual voltadas ao fortalecimento da cafeicultura.

Durante encontro realizado na terça-feira, 20, a Secretaria de Estado de Agricultura destacou que o governo atua em toda a cadeia produtiva do café, com capacitações, ações de fomento, promoção e investimentos. Na ocasião, foi assinado um edital de chamamento público que permitirá a viveiristas vender diretamente mudas de café e cacau ao governo. Segundo a Seagri, a iniciativa representa “um marco histórico para a agricultura acreana”.

A estratégia de promoção inclui a realização do concurso QualiCafé, a participação na Semana Internacional do Café, o apoio a produtores em rodadas de negócios e o incentivo à presença em concursos nacionais. A Seagri informou que seguirá investindo na capacitação de produtores e buscará, junto à Companhia de Armazéns Gerais e Entrepostos do Estado do Acre, recursos para o beneficiamento do café em oito unidades da empresa.

Além disso, está em andamento um estudo para a identificação geográfica do café produzido no estado, com o objetivo de agregar valor ao produto. O valor bruto da produção alcançou R$ 139,6 milhões, aumento de 428% entre 2018 e 2025, superando a soja, que fechou 2025 com R$ 123 milhões. A Secretaria avalia que o café se consolidou como atividade relevante para renda, sustentabilidade e inclusão no estado.

Para os próximos dez anos, a Seagri estima avanços nos indicadores sociais e econômicos, com o Índice de Desenvolvimento Humano passando de 0,559 para 0,680 e um valor bruto da produção potencial anual de R$ 532 milhões, dos quais 85% devem permanecer na economia local. No aspecto ambiental, o governo destaca a preservação de 84% da floresta, associada à adoção de sistemas agroflorestais, práticas de agroecologia e geração de empregos verdes, além do estímulo ao turismo vinculado à marca territorial.

O setor cafeeiro no Acre conta com benefícios fiscais e tributários voltados à competitividade, como isenção de insumos, redução da base de cálculo para equipamentos agrícolas e incentivos específicos à indústria. O café acreano também foi incluído na cesta básica, com tributação diferenciada de 7%, enquanto o produto de outros estados é taxado em 19%, além da isenção de imposto sobre kits de irrigação.

Os Programas de Incentivos Fiscais à Indústria abrangem modalidades como o Copiai I, que permite a dedução de até 95% dos saldos devedores do ICMS, e o Copiai II, que prevê crédito presumido de até 85% do imposto devido. Há ainda o Programa de Concessão de Terrenos para Incentivo à Indústria e o Programa de Compras Governamentais, criado em 2021, que já movimentou R$ 166 milhões desde sua criação, sendo R$ 47 milhões apenas em 2025.

No segmento do café, os incentivos do Copiai I somaram R$ 31,1 milhões, enquanto as compras governamentais de café industrializado buscam atender à demanda de órgãos públicos por meio de edital aberto. Segundo o governo estadual, o número reduzido de empresas credenciadas evidencia a necessidade de ampliar a participação de indústrias locais no setor.

Agricultora de Porto Velho transforma a roça em sustento e vende toda a produção pela internet

Pequena propriedade, grande produção: a rotina de uma agricultora no campo
Pequena propriedade, grande produção: a rotina de uma agricultora no campo

Na Linha 27, km 40 da BR-364, zona rural de Porto Velho, a agricultora Mislene Josué constrói diariamente uma história marcada por dedicação, trabalho árduo e amor pela vida no campo. Em uma chácara de 100 por 250 metros, ela mantém uma produção diversificada e mostra como a agricultura familiar segue firme, mesmo diante dos desafios da rotina rural.

produtora rural transforma pequena chácara em fonte de renda e sustento
produtora rural transforma pequena chácara em fonte de renda e sustento

Encantada pela roça, Mislene começa o dia ainda cedo para dar conta das atividades na propriedade, que incluem criação de porcos e galinhas, além do plantio de macaxeira, com pés já em produção e outros em fase de crescimento. O aumento da área plantada levou a agricultora a contratar mais duas pessoas para auxiliar no cultivo.

“O trabalho no campo é pesado, mas é gratificante. A gente levanta cedo todos os dias, mas faz com amor”, relata a agricultora.

Além da produção, Mislene encontrou na internet uma importante aliada para a comercialização. Segundo ela, toda a produção é vendida por meio das redes sociais, o que facilita o contato direto com os consumidores. Aos sábados, a agricultora vai até a cidade exclusivamente para realizar as entregas.

Entre a roça e as entregas: a história de quem vive e acredita no campo
Entre a roça e as entregas: a história de quem vive e acredita no campo

A história de Mislene Josué reforça a importância da agricultura familiar para a economia local, garantindo alimento na mesa da população e renda para quem vive e trabalha no campo, mantendo viva a tradição rural na capital rondoniense.

Lei que reconhece o açaí como fruta nacional fortalece produção da agricultura familiar na Capital

Reconhecimento valoriza a cadeia produtiva local e impulsiona a geração de renda no campo
Reconhecimento valoriza a cadeia produtiva local e impulsiona a geração de renda no campo

A produção de açaí em Porto Velho ganha ainda mais destaque com a sanção da Lei nº 15.330, de 2026, que reconhece oficialmente o açaí como fruta nacional. A medida valoriza um dos principais símbolos da cultura alimentar da Região Norte e fortalece a cadeia produtiva conduzida, em sua maioria, pela agricultura familiar, com apoio da Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Semagric).

Tradicional na mesa das famílias nortistas desde a instalação do município de Porto Velho, o açaí representa identidade cultural, geração de renda e segurança alimentar. Atualmente, muitos feirantes encontram no fruto uma importante oportunidade de comercialização nas feiras da capital, ampliando suas fontes de renda e fortalecendo a economia local. De acordo com dados do IBGE, por meio da Produção Agrícola Municipal 2024, Porto Velho registra:

– área plantada de 125 hectares;
– produção de 1.030 toneladas;
– rendimento médio de 8.240 quilos por hectare.

Agricultor Levi Moraes de Deis durante a colheita do açaí nativo
Agricultor Levi Moraes de Deis durante a colheita do açaí nativo

Os números refletem o crescimento e o potencial da produção local, impulsionada pelo trabalho dos agricultores familiares e pelas políticas públicas de incentivo ao setor.

Um exemplo desse fortalecimento é o agricultor Levi Moraes de Deus, produtor de açaí em Porto Velho, que beneficiou e comercializou o produto durante a Agrotec – 1ª Feira Tecnológica de Agroindústria e Agricultura Familiar. Ele também participa anualmente da Rondônia Rural Show, em Ji-Paraná, com apoio da Semagric na logística de transporte, o que garante melhores condições para levar a produção a novos mercados.

Açaí faz parte da história, da cultura e da economia do nosso município
Açaí faz parte da história, da cultura e da economia do nosso município

“O açaí é o nosso sustento. Com o apoio da Semagric, principalmente no transporte, conseguimos participar das feiras, divulgar nosso produto e aumentar as vendas. Esse reconhecimento do açaí como fruta nacional é muito importante para nós, produtores”, destacou o produtor.

Segundo o diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural e Técnicas Agrícolas da Semagric, Paulo Neri, o reconhecimento nacional do açaí reforça a importância de investir na agricultura familiar e na valorização dos produtos regionais. “O açaí faz parte da história, da cultura e da economia do nosso município. A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Semagric, atua para fortalecer essa cadeia produtiva, oferecendo apoio à comercialização e suporte logístico aos agricultores familiares, ampliando as oportunidades de venda”.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Acesso pessoal Levi Moraes de Deus

Rondônia registra recorde no abate de bovinos e se consolida como potência na produção de carne

Rondônia vive um momento de destaque no cenário nacional da produção de proteína animal. Dados divulgados pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (IDARON) apontam que, somente no ano passado, cerca de 3,5 milhões de bovinos foram abatidos no estado, número considerado um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores.

De acordo com especialistas do setor, o avanço é resultado de um conjunto de fatores estratégicos, que colocam Rondônia entre os estados considerados potências na produção de carne bovina no Brasil. Entre os principais pontos estão a ampliação de mercados, os investimentos em tecnologia e infraestrutura dos frigoríficos e, principalmente, o rigor sanitário adotado em todo o território rondoniense.

Um dos marcos mais importantes desse processo foi a adesão de Rondônia ao SISB — Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal. Na prática, essa certificação permite que a carne produzida no estado seja comercializada em todo o país, ampliando significativamente o alcance dos frigoríficos locais. Além disso, parte expressiva da produção rondoniense também é destinada à exportação, atendendo mercados internacionais que consomem carne brasileira.

Com a certificação, os frigoríficos ampliaram a capacidade de abate, movimentando toda a cadeia produtiva, gerando mais oportunidades para o produtor rural e fortalecendo a economia do estado. Segundo a IDARON, o crescimento no abate ocorre mesmo com a redução do tamanho total do rebanho bovino, que atualmente é estimado em cerca de 17 milhões de cabeças. Esse movimento é considerado sazonal e está associado à maior abertura de mercados e à dinâmica da produção.

Os dados mostram ainda que o rebanho bovino de Rondônia está distribuído em aproximadamente 113.700 propriedades rurais, reforçando a importância da pecuária para pequenos, médios e grandes produtores. A maior parte do rebanho é composta por fêmeas, com mais de 10 milhões de cabeças, enquanto a produção leiteira conta com cerca de 2,2 milhões de animais.

Os municípios de Machadinho do Oeste, Jaru e Ouro Preto do Oeste lideram a concentração do rebanho no estado, consolidando-se como polos importantes da atividade pecuária.

Com números robustos e reconhecimento sanitário, Rondônia reforça sua posição no mapa da produção de carne bovina do Brasil, mostrando que investimentos, controle sanitário e acesso a mercados são decisivos para o crescimento sustentável do setor.

Mudanças climáticas interferem no desempenho dos suínos, exigindo novas soluções nutricionais, aponta pesquisador da UFMG

O aumento das temperaturas médias e a intensificação das ondas de calor já estão entre os maiores desafios da suinocultura mundial. De acordo com o professor e pesquisador Bruno Silva, especialista em bioclimatologia animal e nutrição de suínos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o ambiente térmico é hoje o principal fator limitante da produção, impactando bem-estar, saúde e desempenho dos animais.

Sensíveis ao calor por possuírem glândulas sudoríparas pouco desenvolvidas, os suínos sofrem quando expostos a temperaturas acima da zona de conforto térmico, que varia entre 16°C e 21°C para matrizes e de 26°C a 34°C para leitões. Conforme a fase de vida, os animais rapidamente apresentam queda de desempenho e maior vulnerabilidade fisiológica. “O estresse térmico reduz o consumo de alimentos, compromete a integridade intestinal e altera o metabolismo, afetando produtividade e eficiência”, explica especialista da UFMG.

O problema tem escala global. Nos Estados Unidos, as perdas relacionadas ao estresse por calor alcançaram US$ 400 milhões em 2024. No Brasil, onde altas temperaturas são constantes, os prejuízos podem ter atingido de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões no mesmo período. “Além das mudanças climáticas, as fêmeas modernas se tornaram mais produtivas, geram mais calor metabólico e se tornaram mais sensíveis às variações térmicas”, destaca Silva.

Segundo o pesquisador, esse desafio exige ajustes nutricionais para reduzir o efeito termogênico da dieta, como diminuição da proteína bruta associada a aditivos e nutrientes específicos que ajudem a manter a homeostase metabólica e a integridade intestinal.

Bruno Silva é um dos colaboradores do livro técnico Nutrição e Estratégias de Produção para as Matrizes Suínas de Hoje, lançado pela Novus, líder global em nutrição animal inteligente. “A Novus é uma empresa global com forte influência no desenvolvimento de tecnologias nutricionais para suínos. A elaboração desse livro representa um marco na atualização e difusão do conhecimento gerado pelos principais grupos de pesquisa do mundo dedicados a estudar as fêmeas suínas modernas. Sem dúvida, é um livro que deve estar na mesa de cabeceira de todo nutricionista de suínos. Contribuir para sua elaboração foi uma grande honra para mim e uma grande oportunidade para compartilhar um pouco dos trabalhos desenvolvidos na nossa universidade nessa área”, afirma o professor da UFMG.

Para baixar o livro gratuitamente no site da NOVUS, acesse https://www.novusint.com/resources/download-new-book-nutrition-and-production-strategies-for-todays-sows/

Produtores antecipam vendas de soja diante de safra recorde

A comercialização de soja no mercado físico brasileiro ganhou ritmo recentemente. Conforme apontado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a maior movimentação tem sido motivada pela necessidade de liberar espaço nos armazéns para o escoamento da safra 2025/26, cuja colheita já começa a se intensificar em algumas regiões produtoras.

Com a intensificação das vendas e a perspectiva de uma oferta abundante, os preços da soja no Brasil enfrentam pressão de baixa. De acordo com o boletim mais recente da instituição, divulgado nesta semana, as cotações vêm recuando à medida que o volume disponível se eleva e o mercado antecipa uma grande entrada de produto.

O cenário de abundância foi reforçado por uma atualização da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que revisou o estoque inicial da temporada 2025/26 para 10,73 milhões de toneladas. O número representa um aumento de 2,9% em relação à estimativa anterior e impressionantes 48,4% acima do volume observado no mesmo período do ano passado.

A produção nacional de soja segue projetada no patamar recorde de 176,12 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como principal fornecedor global do grão. Esse nível de oferta, combinado com estoques elevados, tende a manter a pressão sobre os preços internos ao longo dos próximos meses.

Para o setor produtivo, o avanço da comercialização é importante para equilibrar o fluxo logístico e evitar gargalos no armazenamento. No entanto, a queda nos preços exige atenção dos produtores na definição de estratégias de venda, principalmente diante de custos de produção ainda elevados em algumas regiões.

Inadimplência no agro atinge 8,3% da população rural no 3º tri de 2025

A inadimplência no agronegócio atingiu 8,3% da população rural brasileira no terceiro trimestre de 2025, segundo dados da Serasa Experian, uma alta de 0,9 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, porém, a alta foi de 0,2 ponto, indicando um ritmo de crescimento mais moderado no curto prazo.

A série trimestral mostra que, desde o terceiro trimestre de 2024, a inadimplência da pessoa física no campo vem avançando de forma gradual, passando de 7,4% para o patamar atual.

“A inadimplência segue avançando de forma gradual e, mesmo com alguma estabilização em partes do setor, muitos produtores continuam operando com margens apertadas e um fluxo de caixa pressionado dentro do contexto, que mantém custos elevados, preços voláteis e uma concessão de crédito mais seletiva”, disse Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.

Os dados também apontam diferenças relevantes conforme o perfil do produtor. Aqueles sem informação de registro rural, ou seja, grupo que pode incluir arrendatários ou integrantes de estruturas familiares e econômicas, apresentaram o maior percentual de inadimplência, de 10,8%. Entre os produtores com registro, os grandes proprietários registraram taxa de 9,6%, os médios 8,1% e os pequenos 7,8%

Em relação ao tipo de credor, a inadimplência está concentrada principalmente em dívidas com instituições financeiras, que alcançaram 7,3% no terceiro trimestre de 2025. Já os débitos junto a credores do próprio setor agro responderam por apenas 0,3%, enquanto outros setores relacionados ao agronegócio somaram 0,2%. Os percentuais refletem taxas por tipo de credor, e não a divisão de um mesmo volume de dívida.

Entre os inadimplentes, a dívida média com instituições financeiras foi de R$ 100,5 mil no período. No caso dos débitos diretamente ligados ao setor agro, a média chegou a R$ 130,3 mil, acima do observado em outros setores associados ao campo, como transporte, armazenagem e seguros não-vida, que registraram média de R$ 31,7 mil.

“O perfil do crédito rural, marcado por tíquetes mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco mesmo em um cenário de taxa relativamente controlada”, explicou Pimenta.

A análise por faixa etária mostra que produtores mais experientes apresentam menores índices de inadimplência. A menor taxa foi registrada entre aqueles com 80 anos ou mais. Em sentido oposto, a maior inadimplência apareceu na faixa de 30 a 39 anos, com 12,7%. As taxas diminuem progressivamente a partir dos 40 anos.

Regiões

No recorte regional, a Região Sul apresentou o melhor desempenho no terceiro trimestre de 2025, com inadimplência de 5,5%, seguida pelo Sudeste, com 7%. As regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte aparecem na sequência, com, 9,4%, 9,7% e 12,4%, respectivamente. 

Entre os estados, o Rio Grande do Sul registrou a menor taxa, de 5,1%, enquanto o Amapá apresentou o maior percentual, de 19,8%. Para Pimenta, o resultado do Rio Grande do Sul é surpreendente devido às perdas por seca e enchentes dos últimos anos na região. “O Rio Grande do Sul tem uma presença forte de cooperativas e sistemas integrados, como soja, milho, pecuária e leite, que oferecem suporte técnico e financeiro aos produtores rurais. O estado também conta com o uso mais intenso do seguro agrícola e de instrumentos de mitigação de risco climático, além das políticas e linhas de financiamento para alongamento e renegociação de dívidas”, avaliou o head.

Indicador de crédito

O levantamento também acompanhou a evolução do AgroScore, indicador de crédito da Serasa Experian voltado ao setor. A pontuação média dos produtores rurais caiu de 644 pontos no terceiro trimestre de 2024 para 603 pontos no mesmo período de 2025, movimento observado em todas as faixas de produtores e associado a um ambiente mais cauteloso no campo

Para o cálculo do Indicador de Inadimplência do Agronegócio, foram consideradas apenas dívidas vencidas há mais de 180 dias e até cinco anos, com valor mínimo de R$ 1 mil, relacionadas a atividades e financiamentos do setor. A base analisada reúne cerca de 10,5 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural brasileira.

Atingido por tarifaço, Brasil exporta menos café em volume, mas alcança receita recorde em 2025

Tarifa dos EUA sobre o café brasileiro preocupa produtores | Reprodução

A exportação brasileira de café alcançou uma receita recorde em 2025, de US$ 15,6 bilhões, mesmo com uma queda do volume exportado em relação aos anos anteriores.

A informação é do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

De acordo com a entidade, o Brasil embarcou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto, para 121 países, entre janeiro e dezembro do ano passado.

Foi uma queda de 20,8% em relação a 2024. Uma das explicações para a redução, segundo o Cecafé, foi o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, entre agosto e novembro.

A receita de mais de US$ 15 bilhões, no entanto, foi a maior da história e representou um aumento de 24,1% na comparação com o ano anterior, segundo o Cecafé.

Um dos motivos para a maior receita foi o aumento do preço do produto.

Em 2024, o valor médio da saca de 60 kg foi US$ 248,36. No ano passado, esse valor aumentou para US$ 389,17, impulsionado pela baixa disponibilidade do café no mercado.

Alemanha ultrapassou EUA como maior mercado

O ano de 2025 também mostrou uma mudança no topo dos mercados consumidores do café brasileiro, com a Alemanha assumindo o lugar dos Estados Unidos como maior comprador do produto nacional.

O fator principal para a mudança, novamente, foi o tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump. Em todo o ano passado, a Alemanha comprou 5,40 milhões de sacas de 60 kg do café brasileiro, contra 5,38 milhões dos Estados Unidos.

“Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, e vale lembrar que o solúvel ainda segue taxado, nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas”, disse Márcio Ferreira, presidente do Cecafé.

Prefeitura reforça preservação das abelhas com remoção segura na Av. Jorge Teixeira

A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), realizou no inicio de janeiro, a remoção segura de um enxame de abelhas na avenida Jorge Teixeira com Imigrantes. A ação foi coordenada pelo gerente de assistência técnica da Semagric, Roseval Guzo, e teve como objetivo garantir a segurança da população sem eliminar os insetos, preservando a espécie e o equilíbrio do ecossistema.

Segundo Roseval, o procedimento adotado pela Prefeitura prioriza a vida das abelhas

Segundo Roseval, o procedimento adotado pela Prefeitura prioriza a vida das abelhas. “As abelhas não são exterminadas. Quando somos acionados, fazemos a remoção técnica e encaminhamos os enxames para locais adequados, com apoio de apicultores capacitados”, explicou.

O apicultor Luiz de Paula Martins, que recebeu o enxame retirado da via pública, destaca a importância do trabalho. “Sem abelhas não tem alimento. Elas são fundamentais para a polinização e para a sobrevivência humana. Por isso, é importante não matar e sempre chamar alguém preparado para fazer o resgate”, afirmou.

Orientação da Semagric é que, ao identificar enxames, a população entre em contato com a Prefeitura ou Corpo de Bombeiros
Orientação da Semagric é que, ao identificar enxames, a população entre em contato com a Prefeitura ou Corpo de Bombeiros

Luiz conta que atua na apicultura há cerca de dois anos e que as colmeias instaladas em sua propriedade contribuem diretamente para a produtividade das culturas. “A presença das abelhas melhora o desenvolvimento das fruteiras e de outras plantações”, completou.

O secretário da Semagric, Rodrigo Ribeiro, reforça que a Prefeitura mantém atendimento às solicitações da população e trabalha de forma contínua para proteger a espécie. “Nosso compromisso é atender às demandas da cidade com responsabilidade ambiental, garantindo a preservação das abelhas, que têm papel essencial no ecossistema”, destacou.

A orientação da Semagric é que, ao identificar enxames em áreas urbanas, a população evite qualquer ação por conta própria e entre em contato com a Prefeitura ou Corpo de Bombeiros para que a remoção seja feita de forma segura e ambientalmente correta.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Anderson Flores e Jean Carla Costa/ José Carlos