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El Niño pode mudar cenário da produção de leite e pressionar preços em 2027

A confirmação de um novo episódio de El Niño para a temporada 2026/27 reacendeu a atenção do setor lácteo brasileiro e internacional. Embora o fenômeno climático não tenha apresentado, historicamente, uma relação direta com a produção total de leite, especialistas alertam que seus efeitos sobre pastagens, disponibilidade de alimentos para o rebanho, sanidade animal e custos de produção podem influenciar significativamente o mercado nos próximos meses.

Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), existe uma probabilidade de 63% de que o El Niño atinja intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O período coincide com a estação chuvosa nas principais regiões produtoras da América do Sul, considerada fundamental para a formação das pastagens e para o desenvolvimento das lavouras destinadas à alimentação animal.

Segundo Juliana Torres Santiago, analista de inteligência de mercado da StoneX, o fenômeno exige atenção porque interfere diretamente nas condições de produção.

“Os principais impactos sobre o leite envolvem a disponibilidade de forragem e o estresse térmico, com reflexos na produção e na produtividade animal. Há também efeitos indiretos, como dificuldades logísticas e de captação, maior incidência de doenças no rebanho e nas pastagens, além de aumento nos custos de produção, especialmente com alimentação, tanto volumoso quanto ração”, explica.

Apesar dessas preocupações, os dados históricos analisados pela StoneX mostram que não existe uma correlação clara entre os episódios de El Niño e o desempenho da produção brasileira de leite. Isso ocorre porque o Brasil possui uma distribuição geográfica muito ampla da atividade, presente em praticamente todos os municípios do país.

Em muitos casos, os impactos negativos observados em determinadas regiões acabam sendo compensados por condições mais favoráveis em outras áreas produtoras.

“Embora o El Niño apresente um viés levemente negativo, os dados mostram que tanto períodos de El Niño quanto de La Niña podem gerar desvios positivos ou negativos em relação à tendência de produção. Os efeitos tendem a se contrabalançar entre as regiões”, destaca Juliana.

Nos últimos anos, o Nordeste ampliou sua participação na produção brasileira de leite graças à adoção de tecnologias, melhorias na formalização da cadeia e uso de forrageiras adaptadas ao clima local. No entanto, o avanço do El Niño pode representar um obstáculo para esse crescimento.

Os estados da Bahia, Sergipe e Alagoas estão entre os mais expostos ao risco de redução das chuvas. As previsões indicam maior probabilidade de déficit hídrico entre fevereiro e março de 2027, período em que a disponibilidade de água é fundamental para a manutenção das pastagens e para a alimentação dos rebanhos.

A diminuição das precipitações pode comprometer a produção de forragem, aumentar os custos com suplementação alimentar e reduzir a produtividade das vacas leiteiras.

No Centro-Oeste e no Sudeste, onde estão alguns dos maiores polos produtores do país, o desafio tende a ser diferente. Minas Gerais, líder nacional na produção de leite, e Goiás podem enfrentar um cenário marcado por chuvas irregulares e temperaturas acima da média.

Nessas regiões, a preocupação se concentra especialmente na chamada safra do leite, período compreendido entre outubro e março. Durante esses meses, as condições climáticas determinam o desenvolvimento das pastagens e das culturas destinadas à produção de silagem, principalmente o milho.

Além disso, o aumento das temperaturas representa um risco importante para os rebanhos. O estresse térmico reduz o consumo de alimento, compromete a reprodução e afeta diretamente a produção de leite.

Internacional

Enquanto parte do Brasil pode enfrentar dificuldades, a região Sul e os países do Mercosul tendem a apresentar um cenário mais favorável. Argentina, Uruguai e os estados do Sul brasileiro devem receber volumes de chuva acima da média, o que favorece a produção de pastagens e a oferta de silagem para os rebanhos.

Essa condição pode contribuir para uma maior disponibilidade de alimento e para melhores índices produtivos. No entanto, especialistas alertam que o excesso de umidade também traz desafios. Chuvas muito intensas podem dificultar o manejo nas propriedades, prejudicar o plantio de forragens, aumentar a incidência de doenças e criar obstáculos para a logística de coleta do leite.

O impacto do El Niño também é acompanhado de perto no mercado internacional. Nova Zelândia e Austrália, dois dos principais exportadores mundiais de lácteos, possuem sistemas de produção fortemente baseados em pastagens e, por isso, costumam ser apontados como mais sensíveis às alterações climáticas.

Na Austrália, a expectativa é de condições mais quentes e secas nas principais regiões produtoras, o que pode limitar o crescimento das pastagens. Já na Nova Zelândia, os efeitos tendem a ser mais heterogêneos, com algumas áreas registrando mais chuvas e outras enfrentando condições mais secas.

Ainda assim, os estudos da StoneX mostram que, assim como ocorre no Brasil, não há uma correlação consistente entre os índices do El Niño e a produção de leite na Oceania. Fatores estruturais, tecnológicos e econômicos costumam exercer influência mais significativa sobre os resultados da atividade.

Rentabilidade

Para os analistas, o principal ponto de atenção não está necessariamente na produção de 2026, mas sim nos possíveis reflexos para 2027. Neste ano, a atividade ainda deverá responder principalmente aos níveis de rentabilidade do produtor e às condições de mercado. Entretanto, se o El Niño confirmar a intensidade projetada e permanecer ativo por um período prolongado, os impactos sobre a oferta de leite poderão se tornar mais evidentes.

Nesse cenário, uma eventual redução da produção em regiões importantes, combinada a custos mais elevados de alimentação e manejo, poderá alterar o equilíbrio entre oferta e demanda e sustentar movimentos de alta nos preços do leite e dos derivados.

Mais do que prever uma queda generalizada na produção, a análise reforça que o setor lácteo precisará acompanhar de perto a evolução das condições climáticas ao longo dos próximos meses. Em um mercado cada vez mais dependente de eficiência produtiva e gestão de custos, a capacidade de adaptação dos produtores às mudanças impostas pelo clima poderá ser decisiva para os resultados da atividade em 2027.

Reca representa Porto Velho na maior feira de produtos orgânicos da América Latina

A Cooperativa Agroextrativista do Projeto Reca está representando Porto Velho na Bio Brazil Fair 2026, considerada a maior feira de produtos orgânicos da América Latina. O evento acontece até o dia 13 de junho, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo especialistas, empresas, compradores e visitantes de diversos países.

Com apoio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), o Reca apresenta sua linha de produtos orgânicos certificados, entre eles geleias de cupuaçu e açaí, cupulate, palmitos, manteigas e óleos, além de realizar degustações no estande do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

O Reca é uma das principais referências em produção sustentável da Amazônia e reúne mais de 300 famílias de agricultores cooperados, que trabalham com sistemas agroflorestais e produção orgânica certificada há mais de 15 anos, gerando renda e preservando a floresta.

Reca é uma das principais referências em produção sustentável da Amazônia

Para o secretário da Semagric, Douglas Bener, apoiar a participação da cooperativa em grandes eventos é uma forma de valorizar os agricultores familiares e ampliar as oportunidades de negócios para os produtores da região. “Quando apoiamos iniciativas como essa, estamos investindo diretamente nos agricultores, fortalecendo a agricultura familiar e levando o nome de Porto Velho para mercados cada vez mais importantes”.

O prefeito Léo Moraes ressaltou que a presença do RECA na feira demonstra a força da produção rural do município. “O trabalho desenvolvido por essas mais de 300 famílias cooperadas é motivo de orgulho para Porto Velho. São produtores que geram emprego, renda e mostram ao Brasil a qualidade dos produtos da nossa região”.

A Bio Brazil Fair é considerada uma das maiores vitrines do setor orgânico na América Latina e recebeu mais de 61 mil visitantes de 42 países em sua última edição. A participação do Reca fortalece a divulgação dos produtos amazônicos e cria novas oportunidades para os agricultores familiares de Porto Velho.

Texto: Jean Carla Costa
Edição: Secom

Foto: Reca

Segurança alimentar e geração de renda são impulsionadas em comunidade indígena por meio do PAA

A atuação do governo de Rondônia junto aos povos indígenas tem contribuído para o fortalecimento da produção de alimentos, da segurança alimentar e da geração de renda nas comunidades tradicionais do estado. Um exemplo desse trabalho ocorreu na aldeia Pingo d’Água, da etnia Cinta Larga, localizada na Terra Indígena Roosevelt, onde produtores indígenas assistidos pela Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO) de Espigão do Oeste realizaram a primeira entrega de alimentos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) na região.

O PAA representa uma importante política pública de incentivo à agricultura familiar, garantindo mercado para a produção dos agricultores e promovendo a distribuição de alimentos para as comunidades mais necessitadas. Na região dos Cinta Larga, o programa se torna uma ferramenta estratégica para valorizar a produção local, incentivar o cultivo sustentável e ampliar as oportunidades de renda das famílias locais.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, destacou a importância das políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção rural nas comunidades tradicionais. “O governo de Rondônia tem trabalhado para ampliar as oportunidades de geração de renda e promover a segurança alimentar em todas as regiões do estado. A inclusão dos produtores indígenas no PAA impulsiona o desenvolvimento sustentável, a valorização dos povos indígenas e o fortalecimento da agricultura familiar.”

Além dos benefícios econômicos, ao incentivar a participação dos produtores indígenas no PAA, a Emater-RO incentiva ações que contribuem para a preservação dos modos tradicionais de cultivo e para o fortalecimento da autonomia das comunidades. “A produção comercializada é resultado do trabalho das famílias indígenas, que cultivam alimentos adaptados às condições locais e de grande importância para a alimentação regional”, explicou o extensionista.

As lideranças da aldeia Pingo d’Água, representadas pelo cacique Joacílio Cinta Larga, agradeceram o apoio da Emater-RO e destacaram a relevância da iniciativa para a comunidade. “A Emater tem possibilitado novas oportunidades para nós, produtores indígenas”, disse o cacique.

De acordo com o diretor-presidente da Emater-RO, Hermes José Dias Filho, a parceria com a comunidade indígena promove inclusão produtiva, desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida das famílias. “Por meio da assistência técnica e da extensão rural, a gestão estadual reafirma o compromisso com o fortalecimento da agricultura familiar indígena, contribuindo para a valorização da produção de alimentos, a geração de renda e o desenvolvimento das comunidades tradicionais de Rondônia”, frisou.

Empresário Adélio Barofaldi recebe Medalha de Mérito Legislativo em reconhecimento à sua trajetória e contribuição para Rondônia

Em uma solenidade marcada por homenagens e reconhecimento, o empresário Adélio Barofaldi foi agraciado na Assembleia Legislativa do Estado, com a Medalha de Mérito Legislativo, honraria concedida a personalidades que se destacam por relevantes serviços prestados à sociedade e pelo compromisso com o desenvolvimento do estado de Rondônia.

A indicação foi feita pelo Deputado Estadual Luís do Hospital, e a entrega da medalha reuniu autoridades, familiares, amigos e representantes de diversos segmentos da sociedade, que prestigiaram o reconhecimento à trajetória empresarial e ao legado construído por Adélio Barofaldi ao longo de décadas de trabalho, geração de empregos e contribuição para o crescimento econômico regional.

Durante a cerimônia, foi destacada a atuação do empresário como um dos importantes incentivadores do desenvolvimento econômico do estado, sempre pautando sua atuação pela ética, responsabilidade social e valorização das pessoas.

Em seu pronunciamento, Adélio Barofaldi agradeceu a homenagem e compartilhou o reconhecimento com todos que fizeram parte de sua caminhada.

“Recebo esta Medalha de Mérito Legislativo com muita gratidão e humildade. Este reconhecimento não é apenas meu, mas de todas as pessoas que caminham ao meu lado ao longo dessa trajetória: minha família, meus sócios, diretores, nossos colaboradores, parceiros e amigos. Tudo o que construímos foi resultado de muito trabalho, dedicação e da confiança de tantas pessoas. Tenho orgulho de contribuir para o desenvolvimento de Rondônia e sigo motivado a continuar trabalhando pelo crescimento da nossa região. Muito obrigado por esta honraria tão especial.”, disse ele.

A Medalha de Mérito Legislativo simboliza o reconhecimento do Poder Legislativo às personalidades que deixam marcas positivas na sociedade por meio de suas ações e realizações.

Carne bovina supera soja e lidera exportações de Rondônia em maio

O Observatório da Indústria de Rondônia, um instrumento de inteligência da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero), divulga dados da balança comercial do mês de maio de 2026. O Relatório mostra que o estado registrou um superávit de US$ 133,2 milhões. Durante o mês, as exportações rondonienses somaram US$ 358,7 milhões, enquanto as importações atingiram US$ 225,5 milhões. Embora o resultado confirme a capacidade local de manter um saldo favorável, o forte ritmo das compras externas segue influenciando a velocidade de expansão do saldo comercial.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, Rondônia apresenta um desempenho sólido, com US$ 1,7 bilhão em exportações e US$ 1,3 bilhão em importações, resultando em um superávit acumulado de US$ 484,8 milhões. O avanço das importações no período acentua a dependência do setor produtivo local por insumos, equipamentos e bens manufaturados estrangeiros, puxados principalmente pela forte demanda da atividade agrícola.

A China segue ainda com sua posição como o principal parceiro comercial do estado. No acumulado de janeiro a maio, o país asiático respondeu por 46,4% de todas as importações feitas por Rondônia, totalizando US$ 581,5 milhões. Outro parceiro de destaque nas importações é a Argentina, que representa 12,4% das compras acumuladas do estado, com forte presença na entrada de produtos como leite e laticínios. Somente no mês de maio, as compras de leite e laticínios somaram US$ 26,2 milhões, posicionando-se logo atrás dos adubos e fertilizantes, que lideraram a pauta de importação mensal com US$ 29,2 milhões.

A importação de produtos lácteos da Argentina é classificada como “importação escritural”, mecanismo previsto na Lei Estadual nº 1.473/2005. Nesse modelo, empresas com sede ou filial em Rondônia realizam a compra de produtos no exterior, mas a mercadoria não ingressa fisicamente no estado. O desembaraço aduaneiro ocorre em portos de outras regiões, como Santos, Paranaguá ou Rio Grande, enquanto o ICMS é recolhido em Rondônia.

Pelo lado das exportações, a pauta mensal de maio seguiu altamente concentrada na carne bovina, que somou US$ 181,8 milhões, e na soja, com US$ 147 milhões. Juntas, as duas commodities representaram cerca de 91% de tudo o que o estado vendeu para o exterior no mês. No acumulado do ano, a China lidera o recebimento dos produtos rondonienses com 28,5% de participação, seguida por Turquia, México, EUA e Argélia.

O diagnóstico do analista do Observatório da Indústria de Rondônia indica que, embora a alta competitividade internacional do agronegócio garanta a Rondônia a posição de 13º maior exportador do país, o modelo atual apresenta gargalos estruturais. “A extrema dependência de commodities e a necessidade crítica de fertilizantes e insumos importados expõem a economia estadual à volatilidade dos preços internacionais, barreiras sanitárias e oscilações cambiais, evidenciando o desafio de ampliar a diversificação e a agregação de valor industrial na pauta local”, disse Igo Ribeiro, gerente do Observatório.

Programa Alimenta Cidades fortalece segurança alimentar

A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric) recebeu, na última terça-feira (9), a visita da representante do Instituto Comida do Amanhã, Bruna da Silva Cavalcante, organização parceira do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), para acompanhar o andamento das ações da Estratégia Alimenta Cidades em Porto Velho.

O encontro teve como objetivo monitorar a implementação da rota de ações construída durante a oficina realizada no município no ano passado, além de alinhar novas iniciativas voltadas ao fortalecimento da segurança alimentar e nutricional, ao incentivo à agricultura urbana e periurbana e à ampliação das oportunidades para agricultores familiares.

Segundo o secretário municipal de Agricultura, Douglas Bener, a parceria representa mais uma importante ferramenta para fortalecer as políticas públicas voltadas ao setor produtivo e à garantia de alimentação de qualidade para a população.

“Porto Velho tem avançado na construção de políticas que aproximam a produção rural da mesa das famílias. Essa parceria com o Alimenta Cidades fortalece a agricultura familiar, amplia oportunidades para nossos produtores e contribui para a segurança alimentar da população. Estamos trabalhando para que cada vez mais agricultores tenham acesso a programas, tecnologias e mercados”, destacou Douglas Bener.

Foram discutidos avanços conquistados desde a realização da oficina da Estratégia Alimenta Cidades

Durante a reunião, foram discutidos avanços conquistados desde a realização da oficina da Estratégia Alimenta Cidades. Entre eles está a adesão do município ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), passo considerado fundamental para ampliar o acesso a programas e políticas públicas do Governo Federal.

Para o prefeito Léo Moraes, a iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal com o fortalecimento da agricultura e o combate à insegurança alimentar. “Estamos construindo uma cidade mais preparada para garantir alimentação de qualidade à população e mais oportunidades para quem produz. Investir na agricultura familiar e em políticas de segurança alimentar é investir no desenvolvimento social e econômico de Porto Velho”.

De acordo com Bruna da Silva Cavalcante, a visita teve como foco acompanhar o desenvolvimento das ações definidas em conjunto com a Prefeitura e garantir a continuidade do trabalho iniciado em Porto Velho.

“Essa visita é um momento de monitoramento da rota de implementação construída durante a oficina realizada no ano passado. Estamos acompanhando as ações que estão sendo desenvolvidas pelo município e alinhando novas etapas para fortalecer as políticas de segurança alimentar e nutricional. Porto Velho tem avançado de forma muito positiva e está no caminho certo para consolidar essas iniciativas”.

Projeto busca integrar políticas públicas de abastecimento, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável

Outro destaque apresentado durante o encontro foi a possibilidade de o município aderir a novas ofertas do MDS por meio do programa Alimenta Cidades, incluindo a implantação do Sisteminha, tecnologia social desenvolvida pela Embrapa que integra produção de alimentos, criação de pequenos animais e sustentabilidade, beneficiando agricultores familiares e comunidades urbanas e periurbanas.

O secretário adjunto da Semagric, Rodrigo Ribeiro, ressaltou que a parceria abre novas perspectivas para o desenvolvimento da agricultura local.

“Estamos buscando alternativas que fortaleçam a produção de alimentos e gerem mais renda para os agricultores. A chegada de tecnologias, programas federais e ações de capacitação contribui diretamente para o desenvolvimento sustentável do município e para a melhoria da qualidade de vida das famílias que vivem da produção agrícola”, destacou Rodrigo Ribeiro.

A Estratégia Alimenta Cidades é uma iniciativa do Governo Federal que busca integrar políticas públicas de abastecimento, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável, promovendo o acesso a alimentos saudáveis e incentivando sistemas alimentares mais eficientes e inclusivos.

Com a continuidade das ações e o fortalecimento das parcerias institucionais, Porto Velho segue avançando na construção de políticas públicas que beneficiam produtores rurais, agricultores urbanos e toda a população do município.

Texto: Jean Carla Costa
Edição: Secom
Foto: Jean Carla Costa

Safra de grãos é estimada em 358,6 milhões de toneladas e pode ser recorde

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) elevou em 600 mil toneladas a estimativa para a safra brasileira de grãos 2025/26, para 358,6 milhões de toneladas. Caso o volume se confirme, será o maior já registrado no país.

A nova projeção representa aumento de 0,2% em relação ao levantamento divulgado em maio e crescimento de 1,8%, ou 6,4 milhões de toneladas, na comparação com a safra anterior.

A revisão em relação ao levantamento de maio foi influenciada principalmente pelos resultados de produtividade observados após a conclusão das colheitas da soja, do arroz e do feijão da primeira safra.

No período analisado pela Companhia, as culturas de primeira safra estavam praticamente colhidas, com exceção de parte das áreas de milho. As lavouras de segunda safra encontravam-se, em sua maioria, nas fases de enchimento de grãos, maturação e início da colheita. Já as culturas de terceira safra e de inverno estavam em fase de plantio.

A área cultivada total foi estimada em 83,5 milhões de hectares, crescimento de 2,2% em relação à safra anterior, o que representa expansão de 1,8 milhão de hectares. O avanço foi impulsionado principalmente pela soja, que ampliou sua área em 2,6%, equivalente a 1,2 milhão de hectares; pelo milho, com aumento de 3,4%, ou 744 mil hectares; e pelo sorgo, cuja área cresceu 31,7%, correspondendo a 516,6 mil hectares.

Soja

No início de junho, a colheita da soja da safra 2025/26 havia alcançado 99,71% da área estimada. Os trabalhos ainda seguiam em algumas áreas do Pará, Maranhão e Santa Catarina.

De acordo com a Conab, apesar da ocorrência de períodos de falta e excesso de chuvas em algumas regiões, as produtividades foram consideradas satisfatórias na maior parte dos estados. Pará e Bahia registraram os maiores índices de produtividade de suas séries históricas.

A área cultivada com soja foi estimada em 48,56 milhões de hectares, enquanto a produtividade média deve alcançar 3.712 quilos por hectare. A produção está projetada em 180,2 milhões de toneladas, volume 5,1% superior ao obtido na safra 2024/25 e o sétimo recorde registrado nas últimas dez safras.

Milho

A colheita da primeira safra de milho atingiu 87,7% da área semeada. Os trabalhos ainda ocorrem na região do Matopiba e estão próximos da conclusão em Minas Gerais e Goiás.

Segundo a Companhia, a redução das precipitações durante maio favoreceu a perda de umidade dos grãos e o avanço da colheita. As produtividades permanecem elevadas nos estados produtores, com destaque para Goiás, Minas Gerais e Paraná.

A produção da primeira safra de milho está estimada em 29,3 milhões de toneladas, crescimento de 17,7% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média prevista é de 7.110 quilos por hectare.

Trigo

A produção de trigo foi estimada em 6,3 milhões de toneladas, volume 20% inferior ao registrado na safra passada. A redução é atribuída principalmente à menor área cultivada no Rio Grande do Sul e no Paraná, principais estados produtores do cereal.

Em comparação com o levantamento anterior, a projeção também apresentou recuo, influenciada pela redução da produtividade em Goiás e por ajustes de área observados principalmente no Paraná e em Santa Catarina.

A semeadura da cultura já foi iniciada em todas as regiões produtoras do país. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os trabalhos avançam em ritmo mais intenso. No Paraná, o plantio se aproxima da metade da área prevista. Em Mato Grosso do Sul e São Paulo, a implantação das lavouras foi concluída, enquanto em Minas Gerais e Goiás os trabalhos estão em fase final.

Algodão

A produção de algodão em pluma na safra 2025/26 está estimada em 4 milhões de toneladas, volume 2,5% inferior ao registrado no ciclo anterior. Em relação ao levantamento de maio, a Conab elevou a projeção de produção após observar ganhos de produtividade em estados produtores como Bahia, Piauí e Mato Grosso, apesar de ajustes que reduziram a área cultivada, especialmente em território mato-grossense.

Arroz e feijão

A colheita do arroz está praticamente concluída. A Conab confirmou a redução da área plantada em relação à safra passada, movimento atribuído principalmente às condições de mercado e aos custos de produção. Apesar da menor área cultivada, o desenvolvimento das lavouras foi considerado satisfatório, resultando em bons rendimentos. A área de arroz irrigado foi estimada em 1,25 milhão de hectares, enquanto o cultivo de sequeiro recuou para 265,4 mil hectares.

Já a colheita da primeira safra de feijão foi finalizada. Segundo a Companhia, as condições climáticas foram favoráveis durante boa parte do ciclo, embora o atraso no início das chuvas tenha afetado o calendário de plantio e limitado parte do potencial produtivo da cultura. Ainda assim, a produtividade média ficou acima da registrada na safra anterior. A área destinada ao cultivo apresentou redução em comparação com 2024/25, influenciada por fatores de mercado, condições climáticas e questões fitossanitárias.

Mayara Fernandes leva o nome de Rondônia ao topo da aquicultura brasileira e recebe prêmio nacional

A força da aquicultura de Rondônia voltou a ganhar destaque em nível nacional. A engenheira e aquicultora Mayara Fernandes Olsen, representante da Dourada Piscicultura e Engenharia, foi eleita Personalidade Feminina da Aquicultura Brasileira durante uma das mais importantes premiações do setor no país.

Única representante da Região Norte entre os dez profissionais indicados, Mayara recebeu o troféu em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento da aquicultura nacional. A cerimônia reuniu autoridades, pesquisadores, empresários e representantes da cadeia produtiva do pescado, consolidando o evento como uma das principais vitrines do segmento no Brasil.

A entrega da premiação contou com a presença do ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, e da presidente da Aquishow Brasil, Marilsa Patrício, que realizaram a entrega dos troféus aos vencedores e dos certificados de reconhecimento aos demais indicados.

Escolhida por votação popular na categoria Personalidade Feminina, Mayara destacou a emoção de receber o reconhecimento nacional e relembrou sua trajetória profissional construída em Rondônia.

“É uma honra estar neste palco representando minha família e todos que acreditaram e votaram em mim. Sou formada pela Unioeste, em Toledo, no Paraná, mas foi em Rondônia que cresci profissionalmente, construí minha história e meu nome. Tenho muito a agradecer por todo o acolhimento que recebi”, afirmou durante o evento.

Na categoria masculina, o prêmio foi concedido ao professor Ricardo Ribeiro, da Universidade Estadual de Maringá, também reconhecido por sua atuação no fortalecimento da cadeia produtiva e do mercado de pescado brasileiro.

A conquista de Mayara reforça o protagonismo de Rondônia no cenário nacional da produção de peixes cultivados. O reconhecimento também evidencia a importância de Ariquemes, conhecida como a Capital do Tambaqui, município que se tornou referência na criação de espécies nativas e no desenvolvimento da piscicultura.

O tambaqui, principal espécie produzida no estado, movimenta a economia regional, gera milhares de empregos e fortalece uma cadeia produtiva que vem colocando Rondônia entre os maiores polos aquícolas do país.

Mais do que uma conquista individual, a homenagem recebida por Mayara simboliza o resultado do trabalho desenvolvido por produtores, técnicos, pesquisadores, empresários e empreendedores que contribuem diariamente para o crescimento da aquicultura rondoniense.

O prêmio reafirma a posição de Rondônia como uma das maiores potências da aquicultura brasileira e demonstra que o trabalho realizado no estado segue conquistando reconhecimento e espaço nos principais cenários do setor em todo o país.

Ampliar seguro rural evitaria dívidas no agro, diz economista

O Senado Federal deve votar nesta quarta-feira (10) o Projeto de Lei que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar dívidas de produtores rurais que sofreram perdas causadas por calamidades climáticas. A proposta enfrenta resistência do Governo Federal, que considera que o fundo deve continuar priorizando áreas como educação, saúde e habitação social.

O texto, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no fim de maio, também prevê a utilização de recursos dos fundos constitucionais do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO). O governo tentou negociar alterações na proposta, mas ainda mantém divergências com o relatório apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Para o economista e especialista em agronegócio Miguel Daoud, a votação não encerra a disputa entre governo e Congresso sobre o socorro ao setor. “Provavelmente o Senado deve aprovar essa utilização. Essa aprovação vai para a Câmara dos Deputados, porque houve modificações. E aí o governo imagina entrar com uma Medida Provisória financiando e estabelecendo condições objetivas para os prejuízos que levaram à inadimplência dos produtores rurais. É um novo embate sem solução rápida.”

Segundo Daoud, o principal risco é que os produtores continuem sem acesso efetivo aos recursos prometidos. “Pegamos o caso do Rio Grande do Sul: como é que eles vão comprovar se perderam tudo? Você teria que comprovar perdas passadas, perdas atuais, num período pré-determinado de 30%. Isso é impossível. Então o governo oferece um recurso, mas na realidade ele não vai ser factível, porque vai ser muito difícil ter acesso a esses recursos pelas condições que o governo quer propor.”

Plantação de soja na região da Chapada dos Veadeiros | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O especialista também descreve um cenário de deterioração financeira no campo. “A situação do campo é muito ruim nesse momento. O produtor rural está com as margens totalmente apertadas. A questão do financiamento, aqueles que têm terras arrendadas já não estão conseguindo mais. O mercado internacional está sofrendo um enxugamento muito forte de recursos destinados ao agronegócio e a inadimplência vem aumentando muito.”

Daoud criticou ainda a redução dos recursos destinados ao seguro rural e defendeu uma mudança de foco na política agrícola. “Se nós tivéssemos um seguro rural adequado a cobrir esses eventos climáticos, hoje não estaríamos tratando da consequência da falta de você ter um seguro. O mundo todo subsidia. Nos Estados Unidos, 90% da área plantada tem seguro e o governo ajuda a pagar. Aqui, tivemos a maior área coberta em 2021, com 13%. Hoje estamos com 3,5% e ainda o governo corta a verba.”

Na avaliação do economista, investir em proteção contra perdas climáticas seria mais eficiente do que renegociar dívidas após os prejuízos já terem ocorrido. “Se essa renegociação de dívida vai gerar 17 bilhões de reais, segundo o governo, por que não gastar 4 bilhões com o seguro? Você então não teria esses prejuízos de eventos climáticos. E agora, com esse forte El Niño, seguramente nós vamos ter mais prejuízos.”

Ao analisar o cenário político e econômico, Daoud afirmou que a polarização dificulta a construção de soluções estruturais para o país. “Falta a organização do raciocínio em torno de uma ação que possa realmente não resolver as consequências de fatos que foram gerados por omissão. A gente vê um embate entre Executivo e Legislativo que é lamentável, porque quem paga essa conta é o povo brasileiro. Infelizmente, falta um pouco de organização das ideias objetivas que caminhem ao encontro da necessidade do país.”

Início do vazio sanitário da soja começa hoje em todo o estado de Rondônia

A partir desta quarta-feira (10), tem início em Rondônia, o período do vazio sanitário da soja, medida fitossanitária fundamental para o controle da ferrugem asiática, considerada uma das principais doenças que afetam a sojicultura. O período se estende até 10 de setembro e, nesse intervalo de tempo, fica proibido semear ou manter plantas vivas de soja em todo o território estadual.

A medida tem como principal objetivo interromper o ciclo de sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja. Ao eliminar as plantas hospedeiras durante a entressafra, reduz-se significativamente a pressão da doença na safra seguinte, contribuindo para a sanidade das lavouras e para a redução dos custos de produção.

Segundo o gerente de defesa vegetal da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril (Idaron), Jessé de Oliveira Júnior, durante os 90 dias de vazio sanitário os produtores devem eliminar todas as plantas voluntárias da cultura, conhecidas como ‘soja tiguera’ ou ‘guaxa’, que nascem espontaneamente após a colheita. “A permanência de plantas vivas de soja em áreas irrigadas ou associadas a cultivos como milho, sorgo e milheto também é proibida”, explicou.

A partir desse ano, mesmo a soja ‘tiguera’ que nasce voluntariamente às margens da BR-364 terão que ser eliminadas, sendo que esta atividade será desempenhada pela concessionária que é responsável pela administração da Rodovia.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, ressaltou que, o cumprimento do vazio sanitário é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público e os produtores rurais para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva da soja no estado. “Rondônia é reconhecida nacionalmente como um importante polo produtor agrícola, deste modo, preservar a sanidade das lavouras é essencial para mantermos nossa competitividade. O vazio sanitário é uma medida técnica comprovadamente eficaz e que depende do comprometimento de cada produtor rural. Cumprir esse período é investir na segurança e no futuro da produção agrícola do nosso estado.”

O presidente da Agência Idaron, Julio Cesar Rocha Peres, salientou que a colaboração dos produtores é decisiva para o sucesso da estratégia de controle da doença. “O vazio sanitário é uma das mais importantes ferramentas de prevenção da ferrugem asiática. Por isso, orientamos os produtores a realizarem a eliminação completa das plantas voluntárias e a observarem rigorosamente as normas estabelecidas.”

AÇÕES DE ORIENTAÇÃO

A fiscalização e as ações de orientação aos produtores serão realizadas pela Idaron ao longo do período, conforme estabelecem a Portaria SDA/Mapa nº 1.579, de 9 de abril de 2026, e a Instrução Normativa nº 4/2026/Idaron-Procfas. A Agência alerta, ainda, que o respeito ao vazio sanitário é fundamental para preservar os avanços conquistados pela agricultura rondoniense e garantir condições mais favoráveis para o desenvolvimento da próxima safra. O descumprimento das normas pode resultar em sanções previstas na legislação vigente.