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Vale do Paraíso inaugura primeira agroindústria de peixe de Rondônia com apoio do governo estadual

Com uma produção de 4 toneladas por mês de processamento e comercialização de tambaqui, pirarucu e pintado, a Agroindústria Peixes Rodrigues foi inaugurada na segunda-feira (29), na zona rural de Vale do Paraíso, com o apoio do Governo de Rondônia.

A primeira agroindústria do gênero atende aos mercados das cidades localizadas no eixo entre Ouro Preto do Oeste a Cacoal e já tem clientes interessados nas praças de Vilhena e de São Paulo. A meta dos investidores da agricultura familiar é de dobrar a produtividade nos próximos cinco anos. Rondônia possui mais de 500 agroindústrias registradas em diversos segmentos alimentícios e que abastecem o comércio regional.

“O pequeno produtor faz a diferença no desenvolvimento de Rondônia. Começamos vendendo apenas 100 quilos de tambaqui e nossa produtividade vêm crescendo anualmente”, disse um dos proprietários, Elivelton Rodrigues, que emprega diretamente 14 pessoas e compra toda a produção de peixe da região. A Peixes Rodrigues está localizada a 10 quilômetros do centro de Vale do Paraíso, na linha 202, lote 94.

O piscicultor Marcelo Ribeiro dos Santos vende toda a produção de tambaqui para a Peixes Rodrigues e motiva os vizinhos a fazerem o mesmo. “São 19 toneladas por ano que vendo diretamente na agroindústria. Vale a pena produzir peixe pelo resultado financeiro positivo que traz”, disse Marcelo Santos, que tem o apoio de técnicos da Emater no desenvolvimento da piscicultura, do leite e da olericultura no sítio dele distante 22 quilômetros da agroindústria.

O piscicultor Marcelo vende a produção para a Peixes Rodrigues

“Rondônia é terra de produzir alimentos. Existem dois fatores para o crescimento das agroindústrias e do agronegócio no estado, que são: tecnologia e conhecimento. Aqui está um exemplo de que a agricultura familiar é responsável pelo desenvolvimento econômico regional”, disse o governador Confúcio Moura, na solenidade inaugural.

O governador reforçou que a modernidade, o acesso à internet e outras tecnologias são fundamentais para a evolução produtiva rondoniense. “A Rondônia Rural Show, que acontece no final do mês de maio em Ji-Paraná, é um claro exemplo do futuro do agronegócio rondoniense”, citou Confúcio Moura, ao elogiar os proprietários da Peixes Rodrigues pelo empreendimento alicerçado em tecnologia.

Fonte
Texto: Paulo Sérgio
Fotos: Ésio Mendes
Secom – Governo de Rondônia

EMPRESA RONDONIENSE LEVA PEIXES AMAZÔNICOS PARA TODO O BRASIL

Localizada em Rondônia, na cidade de Ariquemes, a Zaltana Pescados é referência no Brasil no processamento de cortes dos peixes tambaqui, pintado e pirarucu. Fundada em 2002, a empresa possui um modelo de estrutura sustentável, respeitando os mais exigentes padrões para atender o mercado nacional. Seu moderno sistema de produção em cativeiro e tratamento de efluentes garantem a qualidade superior de todos os seus produtos.

 

Por ser o maior frigorífico da região, a Zaltana abastece atualmente 18 estados brasileiros como Mato Grosso, Goiás, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amazonas e Paraná. Até mesmo o Rio Grande do Sul, forte no consumo de carne bovina, chega a representar 10% do faturamento da empresa, o que significa a grande aceitação dos produtos no Brasil.

Seu complexo industrial foi reformulado e atualmente possui amplas salas corporativas, maior frigorífico, laboratório de alevinagem, fábrica de ração para peixe, balança de pesagem e melhor estrutura para toda a equipe de funcionários e colaboradores.

A fábrica de ração de peixes, inaugurada em 2016, tem capacidade para a produzir cerca de quatro mil toneladas de ração por mês, gerando ainda 40 empregos diretos, e irá atender grandes produtores da região que abastecem o frigorífico. É a primeira fábrica brasileira a produzir grão exclusivo para Tambaqui.

A grande aceitação dos produtos no Brasil é motivo de comemoração e otimismo. “Hoje a Zaltana já é referência em pescados de água doce no Brasil e a nossa meta e desejo para 2018 é exportar para outros países,” afirma Bruno Leite, sócio proprietário da empresa.

São produzidos pela Zaltana: Pintado inteiro, filé e filezinho de Pintado, Pintado em posta, e iscas de Pintado, filé de Pirarucu, Pirarucu esviscerado sem cabeça, Pirarucu inteiro, Pirarucu em postas, manta de Pirarucu, e isca de Pirarucu, Tambaqui espalmado, banda de Tambaqui, filé de Tambaqui, costela palito, lombo de Tambaqui e costela Ventrecha.

Fonte: Contexto

Produção de peixe em Rondônia é expandida com apoio do governo na organização do sistema produtivo e comercialização

Para desenvolver a cadeia produtiva da aquicultura e pesca o governo do estado focou em 2017 nas ações de organização do sistema produtivo; de controle das doenças parasitárias; e na inspeção dos produtos e comercialização para levar o peixe de Rondônia aos mercados de todo o país. O resultado desse trabalho colocou Rondônia em 1º lugar na criação de peixes nativos do Brasil, com uma produção de aproximadamente 94 mil toneladas de pescado em 2017.

O peixe de Rondônia está abastecendo os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Distrito Federal, Pará, Maranhão, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Para tratar da sanidade do peixe produzido na região, o governo realizou três seminários, denominado Peixe saudável, nas cidades de Ariquemes, Ji-Paraná e Pimenta Bueno, sendo capacitados mais de 600 piscicultores. “Essa ação foi de suma importância para o setor e contou com o apoio financeiro da Superintendência de Desenvolvimento [Sedi]”, destacou a técnica Ilce Santos, bióloga especialista em piscicultura.

Outra iniciativa realizada para beneficiar o setor, segundo ela, foi da Agência de Defesa Agrosilvopastoril (Idaron), com a consolidação da GTA (Guia de Transporte Animal) eletrônica, uma ferramenta que possibilita o piscicultor retirar a guia pela internet qualquer dia e hora sem precisar ir aos escritórios da Idaron.

Para movimentar o setor de pesca foram três grandes eventos organizados em 2017, sendo a Exposição de Piscicultura do Vale do Jamari (Expovale), em Ariquemes que contou com palestras sobre as novas técnicas de manejo da piscicultura. O evento contou com a participação de empresários de dentro e fora do estado que levaram produtos e equipamentos utilizados na piscicultura para serem comercializados;

A Rondônia Rural Show, na cidade de Ji-Paraná, contou com estande para capacitação de piscicultores em novas tecnologias. Foram três salas interligadas que mostraram as melhores práticas sobre criação de peixe em cativeiro, seja em tanques escavados ou lona; e a 1ª Feira Nacional de Peixe da Amazônia (Fenapam) em Ji-Paraná que reuniu produtores, comerciantes e expositores em torno de uma programação que incluiu palestras com especialistas e um show de gastronomia exclusivo com peixes da Amazônia.

“O resultado desse trabalho foi piscicultores capacitados, fortalecimento da cadeia produtiva do peixe com novas técnicas e tecnologias de manejo, a comercialização de produtos e serviços que vem contribuir com o desenvolvimento da piscicultura”, ressaltou Ilce Santos, da Sedi.

As rodadas de negócios do tambaqui é uma ferramenta que o governo utiliza para conquistar novos mercados para os produtores de peixe da região. No ano passado,  foram duas rodadas de negócios com uma comercialização em torno de R$ 30 milhões entre piscicultores de Rondônia e empresários do ramo da industrialização de pescado de 16 estados brasileiros.

A bióloga Ilce Santos falou também do fortalecimento do Grupo de Trabalho da Piscicultura de Rondônia, do qual ela faz parte por meio da Sedi juntamente com os representantes da Emater, Seagri, Idaron e Sedam. Criado através de decreto, o grupo é responsável pela execução das ações de piscicultura do estado, sendo formado por: biólogos, agrônomo, veterinário, engenheiro de pesca e oceanógrafo.

Para este ano, ela adiantou que o governo começa com a execução de um projeto de elaboração de protocolos sanitários e genéticos para laboratório de produção de alevinos, com aquisição de laboratórios móveis para dar suporte aos piscicultores direto nas propriedades. Com esse laboratório móvel será possível fazer análise de água e da sanidade do peixe.

Outros benefícios para o setor são o monitoramento da piscicultura via satélite; a ampliação do laboratório de piscicultura da Universidade Federal de Rondônia, campus Presidente Médici; a capacitação de técnicas em manejo e missões empresariais que levam o piscicultor para visitar projetos inovadores em vários estados do Brasil; e ainda, duas rodadas de negociação “Tambaqui de Rondônia” para ampliar o mercado do peixe produzido no estado.  “Estamos consolidados como a grande fronteira do agronegócio do estado”, assegurou a bióloga da Sedi.

Ela acrescentou que nas rodadas de negócios que serão promovidas este ano o governo vai trazer especialistas representantes de novas indústrias para ampliar ainda mais o mercado de peixe, as feiras tecnológicas e as palestras voltadas ao setor com foco na organização e o fortalecimento das associações e cooperativas para garantir a representatividade do setor nas reivindicações de políticas públicas, do desenvolvimento do setor e a qualidade da produção e mercado

Fonte
Texto: Marilza Rocha
Fotos: Marcelo Gladson e Ésio Mendes
Secom – Governo de Rondônia

Governo do MT promove capacitações para técnicos da piscicultura

O Governo do Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários (Seaf-MT), tem fomentado a piscicultura com capacitações para os técnicos da área e veterinários.

Entre junho e novembro de 2017, com investimento de R$ 70 mil, 30 técnicos dos municípios do estado participaram em Sinop dos três módulos de capacitação continuada sobre piscicultura, com carga horária de 72 horas.

Segundo o médico veterinário da Empaer, João Vechi, o treinamento deu certo por causa da parceria da empresa com a Seaf, Senar, Mapa e a Embrapa, que é uma entidade que valida os programas técnicos da Seaf, como por exemplo o Pró Café.

Temas como avanços no cultivo do tambaquimonitoramento da qualidade da águauso e manutenção de oxímetrosmedidores de pH e de condutividade, princípios da aeração de viveiros de pisciculturaassociativismo e cooperativismolegislação, avaliação de solo e água para piscicultura e manejo foram apresentadas aos técnicos, que também participaram ao fim de uma aula prática sobre construção de viveiros.

Segundo o secretário de Agricultura Familiar de Mato Grosso, Suelme Fernandes, a piscicultura é uma ótima solução econômica no Estado. “Estamos já incentivando a piscicultura, com capacitações no Norte e Araguaia com o Pirarucu, e nosso estado tem hidrografia, gente que conhece do ramo e bom clima para que possamos voltar a ser o 1º do Brasil na produção de pescado”.

A capacitação continuada tem como objetivo, instruir de forma contínua, técnicos da assistência técnica e extensão rural, para implementação de novas tecnologias e bons modos, além de orientá-los para implantação e condução de uma Unidade de Referência Tecnológica (URT).

Fonte: Governo Mato Grosso

ESTADO INVESTE PARA MAPEAR PISCICULTURA

Por conta da importância do uso do solo para o planejamento territorial e tomada de decisão, tendo em vista que fornece informações de destaques tanto quantitativas quanto qualitativas, permitindo viabilizar o acompanhamento sobre a forma como o solo está sendo utilizado, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura (Seagri), prepara o diagnóstico e zoneamento da piscicultura em Rondônia. O georreferenciamento, conforme acentua o gerente de Aquicultura e Pesca da Seagri, Jander Plaça, propiciará condições para o controle da piscicultura em todo o Estado, por meio de um sistema integrado, viabilizando que a atividade tenha o acompanhamento técnico, baseado no planejamento necessário.

Segundo Plaça, o mapeamento deverá começar a ser feito pela região do Vale do Jamari, englobando os municípios de Ariquemes, Rio Crespo, Buritis, Alto Paraíso, Cujubim, Cacaulândia, Campo Novo e Monte Negro. O projeto prevê, em sua primeira fase, os trabalhos de análise, validação, sistematização e padronização de dados estatísticos gerados com base em informações fornecidas pela Seagri, Sedam, Idaron, Emater, Sebrae e Ministério da Pesca, órgãos envolvidos nas atividades em todo o Estado. “Os dados tabulares validados na primeira fase serão espacializados com o uso de ferramentas de geoprocessamento e armazenados em banco de dados espacial para gerenciamento, análises, estudos e tomadas de decisão”, menciona o gerente, acrescentando que o mapeamento da piscicultura no Estado é importante porque as informações do uso da terra têm grande impacto nos recursos naturais, incluindo água, solo, nutrientes, plantas e animais e se constituem em subsídios para desenvolver soluções para a gestão dos recursos naturais e para as políticas públicas de desenvolvimento. Na segunda fase do projeto será feito o mapeamento das unidades produtivas (tanques, represas, lagos naturais e artificiais) mediante a implementação de técnicas de sensoriamento remoto, com a utilização de ferramentas de segmentação e classificação orientada e de imagens de satélite de alta resolução espacial. “Neste processo deverá ser verificada a acurácia e a estabilidade das classificações para que seja determinado o nível de precisão na identificação dos alvos”, informa Jander Plaça, salientando que ao final será feita a integração dos dados da primeira e da segunda fases e a validação dos dados de classificação das unidades produtivas, com a verificação de amostras previamente estabelecidas por recursos estatísticos. “O mapeamento permitirá que a cadeia da piscicultura rondoniense seja acessada mais facilmente, destacando as regiões onde as unidades produtivas estão localizadas”, conclui Plaça, informando que o início dos trabalhos depende de pequenos detalhes junto à empresa que fará o mapeamento, que estão previstos para abertura de orçamento de 2018.

Com uma produção em cativeiro de 94 mil toneladas de peixes em 2017, Rondônia abastece praticamente metade dos Estados brasileiros. Nos últimos cincos anos, a produção saltou de 25 mil toneladas em 2012 para 94 mil toneladas em 2017, conforme dados fornecidos pela Gerência de Aquicultura e Pesca da Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri). De acordo com Jander Plaça, a Seagri tem acompanhado todo o processo de criação de peixes nativos em cativeiro, com inspeções sobre o cumprimento de regras específicas da legislação. “A meta é certificar o peixe nativo produzido em Rondônia com o Selo Verde”, informou o gerente, acrescentando que o tambaqui, o pirarucu, o pintado e a jatuarana são as espécies com maior volume de produção. Mais de quatro mil produtores são licenciados em Rondônia, o maior número dentre todos os Estados. O tambaqui totaliza 80% do volume de peixes nativos produzidos no Estado, seguido do pirarucu e do pintado.

Por Chagas Pereira

Tambaquis de cativeiro engordam na Vila Nova de Teotônio

A criação de tambaquis no programa de piscicultura implantado pela Santo Antônio Energia na Vila Nova de Teotônio, localizada a 40 quilômetros de Porto Velho, está ocorrendo com bastante sucesso.

Nos últimos dias, foram realizados os trabalhos de pesagem e medida dos mais de 15 mil peixes que foram colocados nos tanques de recria em outubro do ano passado. Os biólogos observaram que nestes três meses os filhotes de tambaquis se desenvolveram bem,  estão saudáveis e pesando mais de 150 gramas.

Eles já foram transferidos para os tanques de engorda, onde permanecerão até o mês de julho, quando serão destinados ao mercado consumidor de Porto Velho. Neste mês de janeiro, mais 15.000 alevinos de tambaqui, comprados de um produtor licenciado de Rondônia, devem ser colocados nos tanques.

O programa  de piscicultura da Vila Nova de Teotônio ocupa uma área de 13 hectares, o equivalente a 13 campos de futebol, e possui 19 tanques escavados para a criação de peixes.

Fonte: Assessoria

Nota de esclarecimento à sociedade e à imprensa

Em atenção à imprensa e à sociedade, em virtude de notícias veiculadas a respeito da produção de tilápia no Estado, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental do Estado de Rondônia (SEDAM/RO) vem esclarecer que:

1) Trata-se de uma espécie exótica, rústica, com grande facilidade de reprodução, cujo processo de criação já foi amplamente estudado, mas que apresenta ameaça de sua introdução no ambiente amazônico caso seja criada sem planejamento.

2) Deve ser ressaltado que como não há estudos na região sobre a possível alteração no ecossistema aquático ocasionado por esta espécie, deve-se evitar esse tipo de cultivo, haja visto que existem outras espécies nativas com significativo potencial produtivo e econômico a serem cultivadas.

3) O crescente desenvolvimento da piscicultura no Estado dá-se em expressiva consideração devido à produção do Tambaqui (Colossoma macropomum).

4) A lei 3.437 de 9 Setembro de 2014, que rege o licenciamento aquícola do Estado, em seu artigo 9, permite a criação de híbridos e exóticos, porém restringe sua criação em cativeiro a ocorrer em viveiros escavados, em sistemas que impeçam o acesso dos espécimes, em qualquer fase de desenvolvimento, às águas de drenagem das bacias hidrográficas do Estado de Rondônia. Com base nos pontos acima mencionados, o Estado não incentiva a produção de espécies exóticas, em especial a tilápia. Além do que, os produtores rurais não demonstram interesse no cultivo da mesma.

Fonte: Portal do Peixe/RO

Planta da Amazônia é usada para agregar ômega 3 ao tambaqui

Na Embrapa Amazônia Ocidental (AM) conseguiu resultados promissores ao buscar aumentar a quantidade de ácido graxo ômega 3 no tambaqui (Colossoma macropomum), peixe nativo de grande importância nacional. Experimentos com rações enriquecidas com a planta amazônica Sacha Inchi (Plukenetia volubilis), rica em ácido linolênico (ômega 3), foram fornecidas aos animais na fase juvenil que absorveram o nutriente.

Trata-se de um importante passo para agregar valor nutricional ao peixe, uma vez que o ômega 3, relacionado ao combate de doenças cardíacas, está naturalmente presente em maiores quantidades em algumas espécies de peixes de águas frias, e o tambaqui, nativo da Bacia Amazônica, possui pouca quantidade desse nutriente. Os resultados foram obtidos por meio da pesquisa intitulada “Sacha Inchi na nutrição de juvenis de tambaqui”, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenada pelo pesquisador da EmbrapaJony Dairiki.

A Sacha Inchi é uma planta nativa da Amazônia, cultivada comercialmente na Amazônia Peruana com potencial de produção no Brasil. No Peru, agricultores têm se organizado em cooperativas com a finalidade de produzir a planta para atender a demanda de produção de óleo. O óleo de Sacha Inchi possui vitaminas A e E, além de ser rico em ácidos graxos poli-insaturados, como os ômegas 3, 6 e 9. Esses ácidos graxos são relacionados à prevenção de doenças cardiovasculares, entre outros benefícios para a saúde humana.

De acordo com Dariki, que atua na área de nutrição e alimentação de espécies aquícolas da Amazônia, houve um bom desempenho zootécnico dos juvenis de tambaqui alimentados com as rações experimentais elaboradas com os três ingredientes da Sacha Inchi (sementes, folhas e torta de extração do óleo) e também foram registradas uma alta taxa de sobrevivência e uma boa aceitação das rações experimentais. O melhor resultado foi obtido com a ração elaborada com a inclusão das sementes. No grupo alimentado com esta ração, além do crescimento houve um acréscimo de ácidos graxos poli-insaturados na carcaça dos animais, especialmente o ácido linolênico (ômega 3) e desta forma foi comprovada a agregação do valor nutricional no peixe.

Nos experimentos, foram avaliados peixes juvenis que ao término dos ensaios pesavam em torno de 30 gramas. A fase juvenil engloba o período em que o animal ainda não atingiu 100 gramas de massa, também chamada fase de recria. Esses primeiros resultados mostraram o potencial do peixe em assimilar e incorporar o ácido graxo ômega 3 na sua composição corporal. Ainda que as avaliações sejam feitas na fase inicial de criação do tambaqui, os resultados positivos abrem perspectivas para que sejam feitas mais investigações avaliando a inclusão da planta em rações para as outras fases de criação do tambaqui. O pesquisador pretende conduzir futuros experimentos com peixes maiores em fase de engorda ou terminação (próximo ao abate) para comparar os resultados.

Rações enriquecidas com ômega 3

Também chamado de óleo Inca, o óleo de Sacha Inchi é um produto nobre, valorizado no mercado por seu alto teor de ácido graxo ômega 3. A principal proposta da pesquisa foi aproveitar partes residuais da planta que pudessem ser incluídas na ração e agregar valor nutricional ao peixe.

Foram utilizadas três formas de inclusão da Sacha Inchi na nutrição de juvenis de tambaqui. Em uma delas, as sementes da planta foram trituradas e incorporadas aos demais ingredientes para fabricação das rações experimentais. Em outra, as folhas foram secadas em estufa e moídas para inclusão nas rações. E na terceira foi incluída a torta residual obtida após a extração experimental do óleo das sementes.

Os experimentos avaliaram seis níveis de inclusão das sementes, folhas e torta residual da extração do óleo de Sacha Inchi em 10 %, 20%, 30%, 40%, 50 % além do controle − ração sem a Sacha Inchi. Grupos de peixes foram alimentados por 60 dias contínuos com as rações experimentais em duas refeições diárias até a saciedade aparente. Os parâmetros de qualidade da água foram monitorados e se mantiveram adequados durante todo o período experimental.

Foram avaliados também os parâmetros de desempenho zootécnico, composição corporal dos peixes, perfil de ácidos graxos e análises fisiológicas complementares. No desempenho zootécnico, foram avaliados o ganho de massa, o consumo de ração, a taxa de conversão alimentar, a taxa de crescimento específico e a sobrevivência dos animais.

Ao término dos experimentos, foram determinados os níveis ótimos de inclusão dos produtos avaliados. No experimento em que foram incluídas as folhas trituradas, foi determinada a inclusão ótima de 10% das folhas que promoveu o melhor desempenho zootécnico. Entretanto, ao se analisar as folhas da Sacha Inchi e as rações experimentais com a inclusão deste produto, não houve o acréscimo do ácido graxo ômega 3 nessas amostras, por este motivo não foi avaliado o perfil de ácidos graxos na carcaça dos peixes deste ensaio.

Já no experimento com a torta residual da extração do óleo, foi determinada a inclusão ótima de até 40% sem prejuízo ao desempenho zootécnico. Este é considerado outro ponto de destaque da pesquisa, pois utilizar até 40% de um resíduo (sem valor comercial) na nutrição do peixe, acrescenta uma finalidade útil para aproveitamento do resíduo, além de diminuir o custo da ração.

Das três formas de inclusão, a ração com sementes foi a que proporcionou o maior acréscimo de ácidos graxos poli-insaturados, especialmente com o ácido graxo ômega 3. O nível ótimo determinado ocorreu com a inclusão de 10% das sementes na ração. O grupo controle, sem inclusão da Sacha Inchi, apresentou uma porcentagem de ácido alfa-linolênico (ômega 3) de aproximadamente 0,2% na composição centesimal. Comparado ao grupo controle, houve um acréscimo significativo do ácido graxo ômega 3 na composição corporal dos animais que se alimentaram com a ração contendo 10% de sementes de Sacha Inchi, que apresentaram porcentagem aproximada de 0,6% de incorporação do ômega 3.

Alternativa para agregar valor nutricional

Existem  pesquisas desenvolvidas pela Embrapa com o propósito de encontrar  ingredientes não convencionais para inclusão nas rações de peixes, principalmente para o tambaqui, que é a principal espécie de peixe nativa criada em âmbito nacional. O tambaqui é um peixe onívoro, ou seja, se alimenta tanto de ingredientes de origem animal ou vegetal. Nas rações não convencionais, a meta é agregar valor nutricional e reduzir custos, mantendo condições de bom desempenho zootécnico e de boa qualidade do produto final.

A ração é o item mais oneroso no sistema de produção do tambaqui. “Para diminuir o custo, as fábricas de ração costumam utilizar fontes lipídicas de baixa qualidade e o peixe reflete essa condição em sua musculatura. Isso motivou a pesquisa a agregar valor nutricional à composição corporal do peixe com ingredientes ricos em ácidos graxos poli-insaturados”, explica o pesquisador Jony Dariki.

Diversidade de Sacha Inchi

A Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus, possui um Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de Sacha Inchi com 37 acessos dessa planta. Alguns estudos sobre essa espécie vegetal a partir do BAG geraram teses em parceria com universidades brasileiras. Estudos sobre diversidade, caracterização botânica, genética e pesquisas agronômicas vêm sendo realizados sobre a planta amazônica.

Cultivos experimentais conduzidos em Manaus pela Embrapa mostram que a germinação ocorre em torno de 13 dias e que, após 40 dias de cultivo em bandejas, pode ser levada ao campo para plantio definitivo. “Embora as pesquisas estejam em andamento, já verificamos que as plantas permanecem em produção por até quatro anos, apresentando ao longo do ano alguns picos de produção”, informa o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Francisco Celio Maia Chaves, responsável por pesquisas sobre o cultivo da planta.

Chaves informa que no período de produção no Amazonas, são feitas duas colheitas semanais. Pelo fato de o fruto ser deiscente (que abre naturalmente quando fica maduro), um maior intervalo de tempo entre colheitas pode levar à perda da semente, que é lançada no ambiente. No cultivo no Amazonas, tem se adotado o espaçamento de dois metros entre plantas e de quatro metros entre fileiras, com plantas tutoradas. No período seco, tem se utilizado o uso de irrigação por gotejamento. A produção tem sido menor no período de chuva intensa, pois prejudica a polinização.

O ômega 3

A médica Evelyn de Paula, que possui pós-graduação em nutrologia, explica que o ômega 3 trabalha no organismo humano na prevenção das doenças do risco cardiovascular e na prevenção de algumas enfermidades neurodegenerativas como, por exemplo, a doença de Parkinson e o mal de Alzheimer e outras demências em geral. A nutróloga esclarece que o ômega 3 é um ácido graxo essencial e, assim como os aminoácidos essenciais, nosso corpo não produz essa substância, mas absorve de fontes externas por meio da alimentação ou da suplementação. O ômega 3 é mais encontrado em alguns peixes, principalmente os de águas geladas e profundas. Sardinha, salmão e arenque são exemplos que mais se destacam com a substância. Porém, pesquisas com peixes amazônicos têm indicado também a presença de ômega 3, em menor quantidade. Alguns vegetais contêm a substância, ainda em menor quantidade que nos peixes. A linhaça é uma das fontes vegetais de ômega 3, além da Sacha Inchi.

 

Síglia Souza (MTb 066/AM)
Embrapa Amazônia Ocidental

Telefone: (92) 3303-7852

Oportunidade na Piscicultura em Rondônia

O ministério da agricultura suspendeu a venda de pescado brasileiro para a União Européia desde o dia 3 de janeiro de 2018, trata-se de uma medida de proteção desse mercado, que corria o risco de ser fechado por decisão unilateral do órgão sanitário daquele bloco econômico.

Na ultima visita sanitária dos europeus aqui no Brasil, em setembro de 2017, foi constado que algumas indústrias de processamento de pescado e um percentual importante das embarcações pesqueiras brasileiras estavam operando em desconformidade com os protocolos estabelecidos para a produção e processamento do pescado destinado a  exportação  para a união européia, e para evitar maiores prejuízos nesse mercado o MAPA decidiu suspender a venda,  e implementar ações de implantação das medidas recomendadas pelos auditores da missão européia.

A medida que a principio pode parecer ruim, na verdade apresenta vários pontos positivos para o caso particular de Rondônia, só tem vantagens, porque além de corrigir imperfeições no sistema e adequar a infra-estrutura de produção, o ministério também está solicitando dos europeus o reconhecimento da diferença entre peixes de piscicultura e o produto de captura na natureza.

O reconhecimento da separação entre os sistemas de produção de peixes em piscicultura e o conseguido através da captura na natureza  é muito importante, porque são matrizes totalmente diferentes, o que pede normas e exigências sanitárias também diferentes, e até agora os europeus tratam de maneira igualitária, muito embora os riscos e contaminantes não sejam os mesmos, para os produtos da aqüicultura e de captura.
Rondônia ainda não é um estado exportador para a União Européia, mas é fundamental que se prepare adote as normas rigorosas exigidas pelo bloco europeu, porque não só pode habilitar a produção do estado para o mercado consumidor mais importante, como pode dá status de excelência ao produto rondoniense, facilitando a entrada em qualquer outro grande mercado consumidor.

O momento é para aproveitar o debate sobre a sanidade e controle de riscos da produção pesqueira e implantar protocolos seguros de produção e processamento para garantir participação rondoniense nas exportações brasileiras, já que Rondônia detém a vice liderança na produção de peixes de aqüicultura no Brasil.

texto Enoque de Oliveira
fotos Irene Mendes

Peixes da Amazônia terão melhoramento genético

Tambaqui e Pirarucu serão os primeiros que receberão o melhoramento

Um projeto da Universidade Federal Rural da Amazônia pode contribuir com a preservação e até mesmo ampliar a exportação de peixes.

 

Pesquisadores da universidade trabalham na criação de um banco de perfil genético, inicialmente de matrizes de tambaqui e pirarucu, para a criação de alevinos (peixes recém-saídos do ovo). O objetivo do projeto é o melhoramento genético de peixes da Amazônia.

 

O coordenador do projeto, Igor Hamoy, explica que os peixes serão mapeados e muitos deles receberão um chip para possibilitar o melhoramento genético para fins comerciais.

 

Os piscicultores terão um login e uma senha que avaliará, dentro do banco genético, as melhores possibilidades de produção do tambaqui e do pirarucu.

 

“Os peixes da Amazônia, quando comparados com animais como a tilápia, têm uma performance zootécnica menor. A tilápia é um animal que vem passando por melhoramento há mais de 20 anos. A solução não é criar tilápia na Amazônia, mas é melhorar geneticamente de nossos animais nativos, como o tambaqui, e esse projeto é um embrião disso”, destacou Igor Hamoy.

O coordenador do projeto acrescenta que o investimento na pesquisa sobre o perfil genético dos peixes vai fortalecer outros estudos da universidade.

“Estamos comprando um sequenciador de DNA, um dos mais modernos que existe, em termos de equipamento. Também em termos de formação de recursos, neste projeto vai ter aluno de mestrado e do doutorado da Universidade Federal Rural da Amazônia e da UFPA – Universidade Federal do Pará -, colaboradora nossa.”

O projeto do banco de perfil genético de peixes conta com financiamento de R$ 1 milhão, e as informações da pesquisa serão disponibilizadas gratuitamente na internet até 2019.