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Empreendedora rondoniense compartilha desafios e conquistas da cocada artesanal em entrevista ao Rondorural

Elianete contou que todos participam do processo produtivo e administrativo, reforçando o caráter familiar da cocada
Elianete contou que todos participam do processo produtivo e administrativo, reforçando o caráter familiar da cocada

Durante o programa Rondorural, exibido ao vivo pela Rádio Conecta 107.9 FM, os jornalistas Eduardo Kopanakis e Jean Carla Costa conduziram uma entrevista especial com a empreendedora rondoniense Elianete Gomes, conhecida pela produção da tradicional cocada artesanal Agrokolly, símbolo de identidade, sabor e história familiar de Rondônia.

Na conversa, Elianete falou sobre a mudança da família para o Rio Grande do Norte, motivada principalmente pela busca de matéria-prima em abundância, especialmente o coco, essencial para a produção do doce. Segundo ela, em Rondônia a dificuldade de acesso ao insumo limitava a produção, enquanto no Nordeste há maior oferta, melhor rendimento e custos mais baixos.

Apesar da vantagem logística, a empreendedora destacou que a principal dificuldade enfrentada atualmente é a inserção do produto no mercado local, marcado por alta competitividade e preços mais acessíveis. “A concorrência não é na qualidade, mas no valor. Nosso produto é diferenciado, artesanal, familiar, e isso tem um custo que não permite competir apenas por preço”, explicou.

O diálogo também abordou educação e identidade rural, destacando a importância de uma formação que una conhecimento técnico e valores humanos
O diálogo também abordou educação e identidade rural, destacando a importância de uma formação que una conhecimento técnico e valores humanos

Elianete ressaltou ainda que, mesmo com a produção sendo realizada no Rio Grande do Norte, a sustentabilidade financeira do negócio continua fortemente ligada a Rondônia, onde a cocada Kolly mantém uma clientela fiel e presença constante em estabelecimentos comerciais de Porto Velho, por meio do apoio da família, especialmente de sua irmã Elisabeth, que atua como representante da marca no estado.

Durante a entrevista, também foi destacada a importância da família como base do empreendimento. Elianete contou que todos participam do processo produtivo e administrativo, reforçando o caráter familiar da cocada, um dos diferenciais do produto. “Sem minha família, eu não teria conseguido continuar”, afirmou.

Elianete Gomes ainda levou um gesto de carinho aos jornalistas, presenteando-os com cocada vinda diretamente do Rio Grande do Norte.
Elianete Gomes ainda levou um gesto de carinho aos jornalistas, presenteando-os com cocada vinda diretamente do Rio Grande do Norte.

O bate-papo também abordou educação e formação, com destaque para a experiência da filha em uma escola técnica rural em Rondônia, reconhecida pela estrutura, ensino de valores e atividades culturais, como o coral estudantil.

A entrevista foi ao ar em edição especial do Rondorural, em comemoração aos 111 anos de Porto Velho, celebrando histórias de superação, empreendedorismo e identidade rondoniense. A programação contou ainda com interação ao vivo pelas redes sociais e participação musical do cantor Luan Maia, reforçando o vínculo do programa com o público do campo e da cidade.

O Rondorural vai ao ar todos os sábados pela Rádio Conecta 107.9 FM, levando informação, histórias que valorizam a agricultura familiar e dos empreendedores que ajudam a construir Rondônia.

Show Rural Coopavel terá os maiores estandes de sua história em 2026

38º Show Rural Coopavel, que ocorre de 9 a 13 de fevereiro, terá os maiores estandes já montados em sua história.

A ampliação das estruturas reflete o aumento do investimento dos expositores e consolida o evento como um dos três maiores encontros técnicos do agronegócio mundial.

Entre os estandes com maior área construída, a Jacto lidera com 3,6 mil metros quadrados, seguida pela John Deere, que ocupa 2.850 metros quadrados.

Segundo a organização da feira, a Stara aparece com 2.250 metros quadrados, enquanto a Kuhn investiu em uma estrutura de 2,1 mil metros quadrados.

A Jan ocupa 1,3 mil metros quadrados, e a Baldan completa a lista com um estande de 1,2 mil metros quadrados.

Lotes maiores ampliam áreas de demonstração

Quando o recorte é a metragem total dos lotes, os números também chamam atenção.

A Jacto ocupa uma área de 4.026 metros quadrados no parque. Em seguida aparecem a John Deere, com 3,5 mil metros quadrados, a Kuhn, com 3,4 mil, e a Stara, com 2.575 metros quadrados.

A Jan figura entre as maiores, com lote de 1.452 metros quadrados.

Esses espaços ampliados permitem não apenas estandes mais robustos, mas também áreas para demonstrações práticas, exposição de máquinas e melhor circulação do público.

Áreas técnicas reforçam foco em inovação

As áreas técnicas, voltadas à transferência de tecnologia e à apresentação de resultados de pesquisa no campo, também cresceram. Criado oficialmente em 1989, o Show Rural Coopavel se tornou referência nesse formato no Brasil e no exterior.

Nesse segmento, a Bayer lidera com uma área técnica de 6 mil metros quadrados, seguida pela Corteva, com 4,9 mil metros quadrados.

A Syngenta ocupa 3 mil metros quadrados, enquanto Ihara e FMC contam, cada uma, com áreas técnicas de 1,5 mil metros quadrados.

Confiança

Para o presidente da Coopavel e do Show Rural, Dilvo Grolli, o aumento das áreas reflete a relação de confiança entre o evento e os expositores.

“Essas grandes áreas representam a confiança dos expositores no Show Rural. Somos muito gratos a todos por essa parceria construída ao longo de muitos anos. Esse resultado é fruto de um trabalho planejado, feito de forma unida e sempre com foco na inovação e na superação contínuas”, afirma.

Com estandes maiores, áreas técnicas ampliadas e espaços voltados a demonstrações, o Show Rural Coopavel reforça seu papel como vitrine de tecnologias, ambiente de negócios e polo de troca de conhecimento no agronegócio.

Renegociação do Desenrola Rural supera R$ 20 bilhões em dívidas

programa Desenrola Rural já renegociou mais de R$ 20 bilhões em dívidas, beneficiando mais de 440 mil produtores rurais e permitindo a regularização de débitos com condições especiais de pagamento e retomada do acesso ao crédito rural.

Criado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o programa é voltado à regularização de dívidas de produtores rurais, com foco na agricultura familiar. Desde o lançamento, foram firmados mais de 440 mil acordos, que somam R$ 20,3 bilhões renegociados e cerca de R$ 6 bilhões em descontos.

A iniciativa segue aberta para novas adesões até o dia 30 de janeiro.

O Desenrola Rural reúne um conjunto de incentivos para facilitar a regularização das dívidas, entre eles descontos de até 70% sobre o valor devido, parcelamento em até 145 meses e possibilidade de dividir a entrada em até 12 prestações.

Entre fevereiro e dezembro de 2025, foram regularizados 881 mil débitos, o que indica que muitos produtores aproveitaram a renegociação para reorganizar a situação financeira.

Retomada do crédito

Um dos principais efeitos do programa, segundo produtores, é a rapidez na recuperação do acesso ao crédito.

Após o pagamento da primeira parcela do acordo, o agricultor passa a contar com a Certidão Positiva de Débito com Efeito de Negativa (CPDEN), documento que permite a retirada do nome dos cadastros de inadimplência e a retomada do acesso a linhas de crédito, incluindo aquelas vinculadas ao Plano Safra e a outros programas federais.

Para produtores que dependem de financiamento para aquisição de insumos, renovação de máquinas ou manutenção das atividades, a regularização representa a possibilidade de planejar a próxima safra e manter a produção em funcionamento.

Prazo e projeções

Inicialmente previsto para vigorar até o fim de janeiro de 2026, o programa teve o prazo de adesão estendido até 30 de janeiro. A expectativa da PGFN é que o número de acordos ultrapasse 450 mil e que o volume total renegociado alcance R$ 22 bilhões.

No campo, o Desenrola Rural tem sido avaliado como um instrumento de reorganização financeira que vai além do ajuste fiscal, ao permitir que produtores voltem a acessar políticas públicas de crédito e financiamento após a regularização de débitos.

Cientistas criam ‘biofábrica’ de colágeno para salvar jumentos da extinção no Brasil

Uma tecnologia desenvolvida no Laboratório de Zootecnia Celular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) promete transformar o futuro dos jumentos no Brasil. Com o uso de fermentação de precisão, pesquisadores conseguiram criar em laboratório o colágeno idêntico ao extraído da pele desses animais, atendendo à crescente demanda da indústria de beleza e saúde chinesa sem ameaçar a sobrevivência da espécie.

Após concluir as etapas laboratoriais de bancada em 2025, a equipe busca captar US$ 2 milhões para escalar a produção em biorreatores e validar o processo em nível industrial.

‘Corrida’ contra a extinção

O cenário para a espécie no Brasil é crítico. Dados da FAO e do IBGE revelam que a população de jumentos no país despencou 94% entre 1996 e 2024. “De cada 100 jumentos que existiam há 30 anos, hoje restam apenas seis”, alerta Patricia Tatemoto, coordenadora da pesquisa e PhD pela USP.

Atualmente, o abate ocorre de forma extrativista para alimentar o mercado de ejiao — uma gelatina da medicina tradicional chinesa. O setor de ejiao é avaliado em US$ 1,9 bilhão, com projeção de dobrar de valor até 2032. A técnica brasileira surge como a única alternativa capaz de suprir esse mercado bilionário sem levar a espécie ao desaparecimento total.

Como funciona a tecnologia

A fermentação de precisão utiliza micro-organismos geneticamente modificados para produzir proteínas específicas.

  • Biofábrica: O DNA do colágeno do jumento é inserido em uma levedura.
  • Processo: Semelhante à produção de cerveja, a levedura passa a produzir a proteína em grandes quantidades dentro de biorreatores.
  • Vantagem: O produto final é altamente purificado e dispensa fazendas, pastagens e o abate de animais.

“Já avançamos nas etapas mais complexas. Agora estamos prontos para transformar a levedura em uma biofábrica”, explicou Carla Molento, coordenadora do laboratório.

Impacto econômico e sustentabilidade

A produção em laboratório é considerada muito mais eficiente que o modelo convencional. Em um único galpão com biorreatores, é possível produzir volumes superiores de proteína com menos insumos e impacto ambiental reduzido.

O objetivo dos pesquisadores é apresentar a “prova de conceito” (produção das primeiras miligramas integrais) até dezembro de 2026. Se o investimento de US$ 2 milhões for concretizado, a produção em escala piloto poderá ser iniciada já em 2027, permitindo a transferência da tecnologia para o mercado global no modelo B2B (venda para empresas que fabricam os produtos finais).

O projeto conta com financiamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e parceria estratégica com a Universidade de Wageningen, na Holanda, referência mundial em proteínas alternativas.

 

Boi gordo desafia janeiro: preço se mantém firme com menor oferta de gado desde 2021

Contrariando a tendência histórica de queda no consumo e nos preços no início do ano, o mercado de carne bovina mantém um ritmo firme em janeiro de 2026. Segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação de demanda aquecida e oferta restrita no campo tem sustentado as cotações em níveis elevados.

O principal indicador dessa pressão é o encurtamento das escalas de abate. Atualmente, a média nacional está em 7,8 dias, o menor patamar para o mês de janeiro desde 2021. Para efeito de comparação, em dezembro de 2025, o prazo médio de programação das indústrias superava os 14 dias.

Retenção no pasto e demanda externa

Pesquisadores do Cepea explicam que as boas condições das pastagens neste ano têm dado ao pecuarista um maior poder de barganha. Com pasto disponível, o produtor consegue segurar os animais no campo por mais tempo, aguardando ofertas melhores, o que limita a oferta imediata para os frigoríficos.

Além disso, dois fatores têm sido cruciais para manter os preços elevados:

  • Demanda Externa: As exportações continuam em ritmo acelerado.
  • Consumo Interno: Apesar do período de férias e gastos extras das famílias (como IPVA e material escolar), o consumo doméstico tem demonstrado resiliência.

Cotações atuais

Na parcial deste mês, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ tem operado na casa dos R$ 319,00. No atacado da Grande São Paulo, o reflexo é direto na carcaça casada bovina, que registra média de R$ 23,00 por quilo para pagamentos à vista.

O cenário aponta para um primeiro trimestre de margens apertadas para a indústria, mas de preços sólidos para a ponta produtora, consolidando um ciclo de valorização que desafia a tradicional calmaria de janeiro.

Por: Giullia Gurgel

Indicações Geográficas devem crescer 20% ao ano, estima Sebrae

Herança dos holandeses, tortas de Carambeí (PR) receberam primeira IG de 2026. Foto: Tortas Wolf e Governo do Paraná/Divulgação

O ritmo de novas Indicações Geográficas (IGs) brasileiras deve continuar crescendo 20% ao ano. A estimativa é da coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, mantendo um compasso observado nos últimos cinco anos.

O processo e o registro das IGs é feito junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Em 2020, o país tinha 73 certificações feitas. No final de 2025, esse número foi para 150, um crescimento de 105,4%.

O Sebrae tem atuado na identificação de produtos regionais que têm potencial para receber o registro de IGs, além de auxiliar no processo de reconhecimento e oficialização do certificado. Só no ano passado, a entidade dos pequenos negócios encontrou 69 territórios com aptidão para receber o reconhecimento.

A coordenadora explica ainda que há um tempo considerável para estruturar e depois encaminhar o processo junto ao INPI. Só a etapa antes de protocolar o pedido de IG costuma ser de, pelo menos, 18 meses. Já o trâmite para análise e resposta do INPI é de aproximadamente 12 meses.

“Esse prazo é fundamental para a estruturação, mobilização dos produtores, construção da governança, consolidação de evidências e análises detalhadas do pedido de registro”, destacou a especialista.

O que são as IGs?
Uma Indicação Geográfica é um reconhecimento de um produto ou serviço que tem características próprias de um determinado local. Essas características conferem qualidade e reputação a essa origem geográfica. Por isso, esses produtos são mais valorizados nos mercados e essa certificação também protege a forma de produção.

Existem dois tipos de IGs:

Indicação de Procedência (IP): é o para o reconhecimento de uma localidade ou região que tenha se tornado notória como polo de extração ou produção de determinado produto ou de serviço;
Denominação de Origem (DO): se refere ao nome de um país, cidade, região ou território usado para identificar um produto ou serviço. Esse produto ou serviço tem suas características e qualidades diretamente ligadas ao ambiente geográfico de onde provém, considerando tanto os elementos naturais, como solo, por exemplo, quanto os fatores humanos, como saberes locais.
Cafés nacionais têm destaque dentro das IGs do Brasil
Entre as IGs brasileiras, 20 são conferidas a cafés produzidos em diferentes localidades do País. Do grupo de produtos, o café é o que mais tem registros conferidos pelo INPI. A maior parte se concentra na categoria de IP e nos Estados de Minas Gerais e São Paulo.

Estimativas do Sebrae apontam que produtores localizados nas regiões de IG faturaram cerca de R$ 80 bilhões em 2025. O montante é aproximadamente 68% do total movimentado pelo mercado de café no Brasil, estimado em R$ 120 bilhões.

Porém, nem todo o café produzido nessas áreas recebe o selo IG, já que alguns dependem de técnicas diferenciadas e, por isso, são negociados em microlotes. É o caso do café frutuoso, do sudoeste de Minas Gerais, que produz 100 sacas por ano, dada a particularidade na produção, que conta com técnicas de cultivo regenerativo.

Esse café recebeu o registro de IG há cerca de um ano e meio, mas já está conquistando mercados internacionais devido à qualidade e premiações, como comenta o produtor Edivaldo de Oliveira. “Dentro da IG, tem produtores que já exportam e outros que vendem mais internamente. No nosso caso, conseguimos uma exportação indireta para o Canadá, após sermos finalistas do concurso da Semana Internacional do Café”, disse.

Primeira IG de 2026 é do Paraná
As tortas de Carambeí, na região dos Campos Gerais, Paraná, tiveram a primeira IG registrada em 2026. Produzidas desde 1911, carregam traços dos imigrantes holandeses, que começaram com a produção no local. Com o tempo, as receitas foram sendo adaptadas, mas mantendo a fabricação com materiais locais e de forma artesanal.

O turismo gastronômico leva para a cidade cerca de 200 mil visitantes por ano. A expectativa é de que novos mercados possam ser abertos, além de agregar valor ao produto. “É um reconhecimento a características que são diferenciais importantes no mercado, como origem e qualidade”, destacou a coordenadora do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht.

 

Competição entre etanol e exportações pode elevar preços do milho, diz consultoria

O preço da saca de milho, que desde o início de janeiro tem girado em torno de R$ 67, segundo o indicador Cepea, base Campinas, pode ganhar força nos próximos meses e se aproximar dos patamares observados durante a safra 2024/2025. No ciclo passado, a saca de 60 quilos chegou a ser negociada perto de R$ 90 na mesma praça.

Segundo Nathalia Giannetti, especialista sênior da Argus Media, esse movimento pode ocorrer devido à crescente competição entre o milho destinado à exportação e o consumo doméstico. “A demanda doméstica tomou um espaço muito relevante no mercado brasileiro nos últimos dois anos, influenciando preços e bases de forma cada vez mais consistente”, afirmou, durante webinar da Argus, nesta quinta-feira, 22.

A especialista lembra que, atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, atrás dos Estados Unidos e da China. Na temporada atual (2025/26), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o País colherá a segunda maior safra: 141,7 milhões de toneladas. “Mesmo com uma safra grande, a disputa entre exportação e etanol doméstico deve continuar intensa, o que pode provocar novas altas de preços, semelhantes às observadas entre 2024/2025”, disse. Ela ressalta que, nesse contexto, existem as exportações, que devem se recuperar após a desaceleração nas duas últimas temporadas.

Paralelamente a esse cenário, está o contexto de oferta global elevada. Segundo análise de Libin Zhou, gerente de pesquisa agrícola na Bolsa de Valores de Londres (LSEG), a produção global de milho em 2025/2026 deve aumentar cerca de 69 milhões de toneladas. O incremento é impulsionado principalmente por Estados Unidos, Ucrânia, China e América do Sul, atingindo 1,29 bilhão de toneladas.

Zhou destaca, ainda, que o aumento da oferta deve ser acompanhado por uma expansão do consumo, especialmente nos Estados Unidos e no Brasil – também sustentada pela maior demanda por milho para etanol. “Os estoques globais de milho para 2025/2026 são projetados para aumentar cerca de 26 milhões de toneladas, porque o crescimento da produção supera a expansão de consumo, baseado na nossa análise”, salienta a especialista da LSEG.

No radar da LSEG, está também um possível aumento da demanda por milho. Libin lembrou que, nos últimos dois anos, devido a estoques robustos, os chineses reduziram suas importações de milho. “Os estoques de milho da China recuaram de forma significativa, com queda por dois anos consecutivos. Diante desse cenário, a expectativa é que o país volte a ampliar as importações de milho neste ano para recompor seus estoques”, apontou.

 

Porto Velho chega aos 111 anos ampliando apoio a quem produz no campo

De uma cidade conectada pela Amazônia profunda a um polo de oportunidades no Norte, Porto Velho, capital de Rondônia, se consolidou no mapa do agro com estradas melhores, acesso a mercados e um ambiente mais favorável à agricultura familiar. Nesse processo, a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), atua com políticas públicas voltadas às famílias que cultivam o solo e garantem a produção de alimentos que chegam diariamente à mesa da população urbana. A trajetória do agricultor Abrelino Alves, morador do distrito de Extrema, reflete essa transformação vivida pelo município ao longo de seus 111 anos.

Filho de agricultor, Abrelino é natural do Rio Grande do Sul e chegou a Rondônia em 1986, vindo do Paraná com a esposa, Helena Alves, e os filhos, em busca de um pedaço de terra para trabalhar. Em 1998, vendeu a casa que possuía na cidade e adquiriu o primeiro lote em Extrema, onde criou os filhos e construiu seu patrimônio.

“Quando cheguei, muita gente dizia que Rondônia era perigosa, mas eu queria um pedaço de chão. Fui ficando, trabalhando, comprando e aumentando a propriedade”, relembra.

Trabalho, adaptação e diversificação no campo

Abrelino trabalha com sistema de agrofloresta em uma área de oito hectares
Abrelino trabalha com sistema de agrofloresta em uma área de oito hectares

No início, Abrelino cultivava diferentes culturas até compreender a dinâmica do mercado local. Aprendeu a produzir farinha, colher castanha, participar de associações e diversificar a produção como estratégia de permanência e crescimento no campo. “Quem tem terra nunca passa necessidade. Da terra a gente tira tudo. Aqui aprendi a trabalhar com castanha, fazer farinha e viver da agricultura”.

Com o tempo, o cultivo da mandioca, do café e da castanha se consolidou como base da produção, impulsionado pela melhoria da logística e pelo crescimento do distrito, que reduziram a distância entre o campo e a cidade.

Agrofloresta, qualidade e renda sustentável

Atualmente, Abrelino trabalha com sistema de agrofloresta em uma área de oito hectares, sendo cinco destinados ao cultivo de café consorciado com castanheira. A propriedade também conta com cacau clonal e produção de mel, integrando floresta, produção e renda. “Eu cultivo a floresta porque ela traz retorno. O café melhora, a castanha produz e tudo o que a gente investe volta”.

Agricultor Abrelino segue ativo e orgulhoso da terra que cultiva
Agricultor Abrelino segue ativo e orgulhoso da terra que cultiva

O cuidado com a pós-colheita e a busca por qualidade levaram o café da propriedade a obter boa avaliação em eventos como a Agrotec – 1ª Feira Tecnológica de Agroindústria e Agricultura Familiar, fortalecendo a renda da família.

Semagric ao lado de quem produz

A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric) tem sido parceira de trajetórias como a de Abrelino, com apoio técnico, distribuição de mudas de café, incentivo a sistemas produtivos sustentáveis e facilitação do acesso a mercados. O primeiro plantio de café da propriedade foi viabilizado com suporte da secretaria, marcando um passo importante para a consolidação da atividade.

Segundo o secretário municipal de Agricultura, Rodrigo Ribeiro, o exemplo do produtor representa o caminho do desenvolvimento rural em Porto Velho. “Histórias como a do seu Abrelino mostram que tecnologia e sustentabilidade caminham juntas. Nosso papel é estar presente no campo, oferecendo condições para que o produtor aumente a produção, reduza custos e tenha renda com qualidade”.

Campo, cidade e futuro integrados

Semagric tem sido parceira de trajetórias como a de Abrelino
Semagric tem sido parceira de trajetórias como a de Abrelino

Com estradas melhores, serviços ampliados e distritos em crescimento, o escoamento da produção se tornou mais eficiente, fortalecendo a economia rural e aproximando o campo da mesa do consumidor. Para Abrelino, o futuro do município é promissor. “Hoje está mais fácil produzir e vender. Porto Velho é lugar de futuro. Quem tem terra aqui tem oportunidade”.

Aos 80 anos, o agricultor segue ativo e orgulhoso da terra que cultiva. Sua história se soma à do município e reforça que Porto Velho avança quando investe em quem produz, fortalecendo a agricultura familiar como base do desenvolvimento sustentável.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Arquivo pessoal Abrelino

Produção de café no Acre cresce 115% em dezembro

A produção de café no Acre registrou crescimento de 115,4% em dezembro de 2025, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no dia 15. De acordo com informações da Agência de Notícias do Acre, o volume passou de 3.079 toneladas para 6.632 toneladas, resultado atribuído às ações do governo estadual voltadas ao fortalecimento da cafeicultura.

Durante encontro realizado na terça-feira, 20, a Secretaria de Estado de Agricultura destacou que o governo atua em toda a cadeia produtiva do café, com capacitações, ações de fomento, promoção e investimentos. Na ocasião, foi assinado um edital de chamamento público que permitirá a viveiristas vender diretamente mudas de café e cacau ao governo. Segundo a Seagri, a iniciativa representa “um marco histórico para a agricultura acreana”.

A estratégia de promoção inclui a realização do concurso QualiCafé, a participação na Semana Internacional do Café, o apoio a produtores em rodadas de negócios e o incentivo à presença em concursos nacionais. A Seagri informou que seguirá investindo na capacitação de produtores e buscará, junto à Companhia de Armazéns Gerais e Entrepostos do Estado do Acre, recursos para o beneficiamento do café em oito unidades da empresa.

Além disso, está em andamento um estudo para a identificação geográfica do café produzido no estado, com o objetivo de agregar valor ao produto. O valor bruto da produção alcançou R$ 139,6 milhões, aumento de 428% entre 2018 e 2025, superando a soja, que fechou 2025 com R$ 123 milhões. A Secretaria avalia que o café se consolidou como atividade relevante para renda, sustentabilidade e inclusão no estado.

Para os próximos dez anos, a Seagri estima avanços nos indicadores sociais e econômicos, com o Índice de Desenvolvimento Humano passando de 0,559 para 0,680 e um valor bruto da produção potencial anual de R$ 532 milhões, dos quais 85% devem permanecer na economia local. No aspecto ambiental, o governo destaca a preservação de 84% da floresta, associada à adoção de sistemas agroflorestais, práticas de agroecologia e geração de empregos verdes, além do estímulo ao turismo vinculado à marca territorial.

O setor cafeeiro no Acre conta com benefícios fiscais e tributários voltados à competitividade, como isenção de insumos, redução da base de cálculo para equipamentos agrícolas e incentivos específicos à indústria. O café acreano também foi incluído na cesta básica, com tributação diferenciada de 7%, enquanto o produto de outros estados é taxado em 19%, além da isenção de imposto sobre kits de irrigação.

Os Programas de Incentivos Fiscais à Indústria abrangem modalidades como o Copiai I, que permite a dedução de até 95% dos saldos devedores do ICMS, e o Copiai II, que prevê crédito presumido de até 85% do imposto devido. Há ainda o Programa de Concessão de Terrenos para Incentivo à Indústria e o Programa de Compras Governamentais, criado em 2021, que já movimentou R$ 166 milhões desde sua criação, sendo R$ 47 milhões apenas em 2025.

No segmento do café, os incentivos do Copiai I somaram R$ 31,1 milhões, enquanto as compras governamentais de café industrializado buscam atender à demanda de órgãos públicos por meio de edital aberto. Segundo o governo estadual, o número reduzido de empresas credenciadas evidencia a necessidade de ampliar a participação de indústrias locais no setor.

Agricultora de Porto Velho transforma a roça em sustento e vende toda a produção pela internet

Pequena propriedade, grande produção: a rotina de uma agricultora no campo
Pequena propriedade, grande produção: a rotina de uma agricultora no campo

Na Linha 27, km 40 da BR-364, zona rural de Porto Velho, a agricultora Mislene Josué constrói diariamente uma história marcada por dedicação, trabalho árduo e amor pela vida no campo. Em uma chácara de 100 por 250 metros, ela mantém uma produção diversificada e mostra como a agricultura familiar segue firme, mesmo diante dos desafios da rotina rural.

produtora rural transforma pequena chácara em fonte de renda e sustento
produtora rural transforma pequena chácara em fonte de renda e sustento

Encantada pela roça, Mislene começa o dia ainda cedo para dar conta das atividades na propriedade, que incluem criação de porcos e galinhas, além do plantio de macaxeira, com pés já em produção e outros em fase de crescimento. O aumento da área plantada levou a agricultora a contratar mais duas pessoas para auxiliar no cultivo.

“O trabalho no campo é pesado, mas é gratificante. A gente levanta cedo todos os dias, mas faz com amor”, relata a agricultora.

Além da produção, Mislene encontrou na internet uma importante aliada para a comercialização. Segundo ela, toda a produção é vendida por meio das redes sociais, o que facilita o contato direto com os consumidores. Aos sábados, a agricultora vai até a cidade exclusivamente para realizar as entregas.

Entre a roça e as entregas: a história de quem vive e acredita no campo
Entre a roça e as entregas: a história de quem vive e acredita no campo

A história de Mislene Josué reforça a importância da agricultura familiar para a economia local, garantindo alimento na mesa da população e renda para quem vive e trabalha no campo, mantendo viva a tradição rural na capital rondoniense.