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Rondônia consolida rebanho de 17 Milhões de bovinos em declaração sanitária 2025

Rondônia, um dos principais polos pecuários do Brasil, concluiu com êxito a Declaração de Rebanho 2025.2, referente ao período de 1º a 30 de novembro de 2025. Os dados consolidados pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (IDARON), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Regularização Fundiária (SEAGRI), revelam números expressivos que reafirmam a importância do estado no cenário nacional do agronegócio.

O levantamento, que abrangeu 100% dos municípios rondonienses (52 de 52), contabilizou um rebanho bovino total de 17.018.709 cabeças, distribuídas entre gado de corte e leite. Desse montante, 14.802.478 animais são destinados à produção de carne (bovinos de corte), enquanto 2.216.231 cabeças compõem o rebanho leiteiro. Além disso, o estado registrou 6.966 búfalos, elevando a população total de bovídeos para 17.025.675 animais.

A operação mobilizou 113.684 produtores atendidos em 113.717 propriedades rurais, de um total de 171.486 propriedades existentes no estado. Vale destacar que 57.769 propriedades não possuem bovinos, o que demonstra a diversificação produtiva do território rondoniense.

Um dos principais indicadores de sucesso da campanha foi o índice de vacinação. Do total de bovinos de corte, apenas 344.195 animais não foram vacinados no período oficial, representando uma cobertura vacinal superior a 97,6%. No rebanho leiteiro, 49.597 bovinos ficaram sem vacinação, enquanto entre os búfalos, apenas 349 animais não receberam imunização.

A campanha contou com o apoio de 113.226 propriedades assistidas e fiscalização em todas as propriedades atendidas, garantindo o cumprimento das normas sanitárias estabelecidas pela defesa agropecuária estadual.

A análise por faixa etária revela um rebanho jovem e produtivo. Entre os bovinos de corte, 1.664.944 animais têm até 6 meses (machos e fêmeas), enquanto 4.039.575 cabeças estão na faixa de 7 a 12 meses, período crucial para desenvolvimento. A maior concentração está nos animais acima de 36 meses, com 9.458.393 bovinos de corte, demonstrando um plantel maduro e pronto para abate ou reprodução.

No segmento leiteiro, a distribuição é mais equilibrada, com 263.063 animais até 6 meses e 184.089 na faixa de 7 a 12 meses, indicando renovação constante do rebanho.

Os números consolidados pela IDARON reforçam a posição estratégica de Rondônia no cenário pecuário nacional. Com um dos maiores rebanhos da Região Norte, o estado se destaca não apenas pela quantidade, mas pela organização sanitária e controle epidemiológico, fatores essenciais para a exportação de carne e produtos derivados.

A declaração de rebanho é uma ferramenta fundamental para o planejamento de políticas públicas, controle de doenças como a febre aftosa e brucelose, além de subsidiar decisões estratégicas para o desenvolvimento sustentável da pecuária rondoniense.

Com a conclusão bem-sucedida da declaração e os altos índices de vacinação, Rondônia se consolida como um estado comprometido com a sanidade animal e a produção responsável. Os dados do SISIDARON, sistema oficial de gestão sanitária, permitem rastreabilidade e transparência, atributos cada vez mais valorizados pelos mercados consumidores nacional e internacional.

A expectativa é que esses números continuem crescendo, impulsionados por investimentos em tecnologia, genética e boas práticas de manejo, mantendo Rondônia como referência no agronegócio brasileiro.

Fonte: IDARON/SEAGRI – Relatório Final da Declaração de Rebanho 2025.2
Período de referência: 01/11/2025 a 30/11/2025

Idaron e Adaf alinham estratégias para reforçar fiscalização em barreiras volantes na fronteira entre Rondônia e Amazonas

Equipes das coordenações de trânsito agropecuário da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) e da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas (Adaf) participaram, nesta quarta-feira (28), de reunião técnica na sede da Idaron, em Porto Velho, para alinhar estratégias de fiscalização em postos fixos e barreiras volantes na zona limítrofe entre os dois estados.

O encontro reuniu representantes da Diretoria Técnica, da Gerência de Defesa Animal e da Coordenação de Trânsito da Idaron, além de técnicos da Adaf, e teve como foco o fortalecimento das ações de fiscalização agropecuária em áreas de interesse comum, especialmente nos corredores de trânsito de animais, produtos e subprodutos de origem animal.

Durante a reunião, foram apresentadas estratégias já desenvolvidas pela Idaron nas operações de barreiras volantes, que poderão ser incorporadas pela defesa agropecuária do Amazonas. A proposta é ampliar a integração entre as equipes e padronizar procedimentos, garantindo maior eficiência no controle sanitário da região de fronteira.

Na oportunidade, a Adaf sugeriu a realização de treinamentos conjuntos com os servidores que atuam diretamente nas barreiras de fiscalização — os chamados barreiristas — como forma de qualificar as equipes e fortalecer as ações preventivas de defesa agropecuária.

As medidas visam reforçar a proteção sanitária e assegurar a manutenção do status de área livre de febre aftosa sem vacinação, além de consolidar o acordo de cooperação firmado em agosto do ano passado, que instituiu a Comissão Interestadual da Zona Livre Sem Vacinação (CIZ-LSV).

De caráter preventivo, a iniciativa prevê a construção de um plano integrado de contingência para a proteção da região, recentemente reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como livre de febre aftosa sem vacinação.

Para o presidente da Idaron, Julio Cesar Rocha Peres, que também participou a atuação conjunta amplia a capacidade de resposta dos estados frente a eventuais riscos sanitários. “A estratégia é monitorar, fiscalizar e agir de forma imediata caso seja identificado qualquer foco da doença na tríplice fronteira que integra a chamada Zona 4 do Brasil”, destacou.

As ações seguem as diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e as recomendações da OMSA, com foco no bloqueio de riscos sanitários e no impedimento da entrada irregular de animais, produtos e subprodutos de origem animal que possam comprometer o status sanitário alcançado pelos estados.

Café tem safra incerta com impactos climáticos

Chuvas beneficiam café arábica, mas geram preocupação nas lavouras de robusta
Chuvas beneficiam café arábica, mas geram preocupação nas lavouras de robusta

As recentes chuvas em regiões cafeeiras do Brasil beneficiaram lavouras de café arábica, mas causaram apreensão em áreas de robusta no Espírito Santo. Segundo dados divulgados pelo Cepea, os efeitos variam conforme a região e a variedade cultivada.

Conforme análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as precipitações volumosas registradas nos últimos dias contribuíram para melhorar as condições das lavouras de arábica, principalmente após o período de estresse hídrico no fim de 2025. O aumento da umidade tem favorecido o enchimento dos grãos, etapa importante para o desempenho da atual safra.

Clima favorece arábica, mas excesso de chuva preocupa produtores de robusta
Clima favorece arábica, mas excesso de chuva preocupa produtores de robusta

Nas regiões produtoras de robusta, porém, o cenário é diferente. No norte do Espírito Santo, as chuvas intensas provocaram alagamentos em alguns talhões, o que pode elevar os riscos de doenças fúngicas. De acordo com o Cepea, esse excesso de umidade gera insegurança entre os produtores e pode comprometer a qualidade e a produtividade das lavouras.

A indefinição sobre os impactos exatos nas lavouras, tanto de arábica quanto de robusta, mantém o mercado em alerta. Até que haja estimativas mais precisas quanto ao volume a ser colhido, a tendência é de continuidade na volatilidade dos preços.

Efeitos das chuvas nas lavouras mantêm mercado do café em alerta
Efeitos das chuvas nas lavouras mantêm mercado do café em alerta

Além dos fatores climáticos, o Cepea destaca que o cenário macroeconômico global e as variações cambiais também têm influenciado diretamente as cotações do café no mercado interno e externo. Oscilações no dólar e incertezas econômicas em países importadores afetam tanto a formação dos preços quanto as estratégias de comercialização.

Semagric convoca reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural para planejar ações de 2026

A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric) realiza, nesta sexta-feira (30), às 9h, a reunião ordinária do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural (CMDR). O encontro acontecerá no auditório da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), localizado na Rua Mário Andreazza, ao lado da sede da Semagric, em Porto Velho.

Entre os temas da pauta estão a apresentação da nova estrutura organizacional da Semagric, a execução e ampliação do Programa Porteira Adentro, o atendimento com transporte de calcário às associações rurais e a definição das ações prioritárias para o fortalecimento da agricultura familiar em 2026.

De acordo com o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e presidente do CMDR, Rodrigo Ribeiro, a reunião é estratégica para alinhar decisões e planejar as políticas públicas do setor. “Este é um momento importante para apresentar as ações da Semagric e construir, junto com o conselho, o planejamento do desenvolvimento rural para o próximo ano”.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Jean Carla Costa

Rondônia reduz ICMS e libera saída de até 500 mil cabeças de gado vivo para outros estados

A Assembleia Legislativa de Rondônia aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que inclui a reduz de 12% para 4% a alíquota do ICMS incidente sobre a saída de animais vivos para abate em outros estados. A medida, que aguarda decreto regulamentador, libera a movimentação de cerca de 500 mil cabeças e representa um ajuste estratégico para corrigir distorções que vinham pressionando os preços pagos ao produtor rural no estado.

A Associação dos Pecuaristas de Rondônia (APRON) destaca que a decisão responde a um problema estrutural já identificado pelo setor. Estudos técnicos e levantamentos econômicos comprovaram que a elevada concentração de animais prontos para abate em Rondônia reduziu de forma expressiva os valores da arroba, diminuindo o diferencial de base em relação a estados como Mato Grosso e São Paulo e comprometendo o equilíbrio da cadeia da carne.

“A aprovação da redução do ICMS para a saída de gado vivo é uma medida madura, necessária e responsável. Não se trata de privilégio, mas de corrigir uma distorção histórica que vinha penalizando o produtor rural e afetando, inclusive, a arrecadação do próprio Estado”, afirma o presidente da APRON, Adélio Barofaldi.

Segundo o presidente, a atuação da APRON foi técnica e baseada em dados, demonstrando que o excesso de oferta local vinha desorganizando a formação de preços e comprometendo a rentabilidade da atividade. “Essa decisão traz previsibilidade ao produtor, amplia alternativas de comercialização e contribui para a reorganização econômica do setor, algo fundamental em um momento de margens apertadas”, destacou.

Na prática, a redução da alíquota tende a descomprimir a oferta interna, melhorar a formação de preços e criar um ambiente de mercado mais equilibrado, especialmente em períodos de maior concentração de animais prontos para o abate. A expectativa do setor é de recomposição gradual do valor da arroba e do bezerro, com impactos positivos diretos no caixa do produtor.

A proposta foi aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa, reforçando o consenso institucional sobre a necessidade do ajuste. O processo contou com participação técnica da SEFIN, que levou o tema ao CONFAZ, além da articulação conjunta entre entidades do setor produtivo e o governo estadual.

Para o coordenador da Câmara Setorial da Carne, Edson Afonso, a medida contribui para a organização do fluxo comercial e para a retomada da competitividade do produtor rondoniense. “O produtor vinha perdendo renda e previsibilidade. Esse ajuste cria um cenário mais racional, alinhado à realidade do mercado”, avalia.

“Essa conquista é coletiva e construída com base em diálogo e responsabilidade. Envolve entidades representativas como a APRON, a FAPERON, demais entidades do setor produtivo e órgãos públicos que compreenderam a importância de corrigir distorções e fortalecer a pecuária de Rondônia”, afirmou Edson Afonso.

Com a aprovação da LDO, o setor aguarda agora a publicação do decreto regulamentador pelo Governo do Estado. A expectativa é que a nova alíquota entre em vigor ainda neste primeiro semestre, permitindo que o mercado absorva o ajuste com segurança e retome um patamar mais equilibrado de preços e rentabilidade para o produtor rural.

Sobre a APRON

A APRON é a voz legítima da pecuária rondoniense. Representa, defende e fortalece os interesses de quem vive da atividade no estado. A entidade atua por meio de comissões temáticas dedicadas à regularização fundiária e ambiental, segurança rural, rastreabilidade bovina, crédito rural, leite e valorização da arroba. Integra a UNAPEC, União Nacional da Pecuária, e mantém atuação junto à FAPERON, à CNA e à Assembleia Legislativa na defesa da sustentabilidade e da competitividade da pecuária de Rondônia.

VÍDEO: Pescador instala câmera a caminho da pescaria e flagra onça farejando rastro deixado por ele em RO

O pescador Fábio Baca flagrou uma onça farejando o local por onde ele havia passado, em imagens captadas por uma câmera instalada ao longo do caminho da pescaria, no distrito de Jaci-Paraná, em Porto Velho. O registro foi divulgado nas redes sociais do pescador e chamou a atenção dos seguidores.

Segundo Fábio, a câmera foi instalada com o objetivo de registrar animais comuns da região, como antas, capivaras ou pacas. Para atrair os bichos, ele usou pupunhas como isca. O que ele não esperava era a aparição de uma onça, em plena luz do dia e tão próxima do lago onde costumava pescar.

“Peguei as poupunhas e falei: ‘vou colocar as poupunhas aqui porque aí pode atrair alguma coisa mais uma paca alguma coisa que queira comer e aí vai passar na frente da câmera vai registrar’. Enquanto eu estava pescando, ela passou lá, cheirou tudo e depois eu passei lá e peguei a câmera de novo”, disse.

Pênis bovino é novo ‘ouro’ da pecuária de MT no mercado chinês

Enquanto os cortes nobres, a picanha e o filé-mignon, brilham nas vitrines internacionais, um subproduto “inusitado” tem garantido lucros e eficiência máxima para os frigoríficos de Mato Grosso. O vergalho, pênis bovino, antes de baixo valor, tornou-se um item estratégico de exportação, chegando a ser comercializado por até US$ 6 mil a tonelada no mercado chinês.

O fenômeno reflete uma mudança de mentalidade na indústria, com o aproveitamento integral do animal. O que para o paladar ocidental pode parecer exótico, para a Ásia é uma iguaria valiosa, elevando o status do produto de “descarte” a “ouro da carne”.

Do mercado interno à exportação

A disparidade de valores entre o consumo doméstico e a exportação justifica o foco das indústrias no comércio exterior. Confira a comparação:

Mercado Unidade de Medida Valor Estimado (R$)
Brasil (Interno) Quilo R$ 21,00
Hong Kong (Exportação) Tonelada R$ 30.000,00

*Considerando a cotação média do dólar e o valor de US$ 6 mil por tonelada.

De acordo com Alan Gutierrez, gerente de marketing da SulBeef — empresa autorizada a exportar o subproduto —, o fluxo é constante. A unidade mantém uma média mensal de exportação entre quatro e cinco toneladas do produto in natura, seguindo protocolos sanitários rigorosos que garantem a segurança alimentar exigida pelos países asiáticos.

Tradição e textura na culinária asiática

O sucesso do vergalho na China e em Hong Kong não é por acaso. Na cultura gastronômica local, valoriza-se o consumo de todas as partes do animal. O pênis bovino é apreciado principalmente em:

  • Ensopados e cozidos longos: onde a textura cartilaginosa se torna macia.
  • Capacidade de absorção: o produto funciona como uma esponja para temperos e caldos complexos.
  • Valor cultural: pratos típicos que utilizam miúdos e partes menos convencionais são comuns e valorizados por suas propriedades nutricionais.

Eficiência e competitividade global

Para o setor, essa comercialização representa o auge da inteligência logística e comercial. Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), destaca que essa diversificação blinda a economia do estado.

“Quando ampliamos o portfólio e atendemos mercados com diferentes perfis de consumo, fortalecemos a economia, reduzimos riscos e aumentamos a competitividade da carne produzida em Mato Grosso no cenário global”, enfatizou o diretor de Projetos do Imac.

 

A burocracia bate à porta do campo: como a reforma tributária ameaça pequenos produtores rurais

Imagine o Seu João, pequeno produtor de milho que até 2025 emitia suas notas fiscais em papel (aquela nota modelo 4) ou ia até a prefeitura pedir uma nota avulsa quando precisava vender sua produção. Simples, rápido, sem complicação. A partir deste ano de 2026, acabou. Seu João precisará ter CNPJ obrigatório, certificado digital (aquele e-CPF que custa dinheiro e precisa renovar todo ano) e emitir nota fiscal eletrônica pelo computador ou celular.

Pois bem, o que muda na prática:

O agronegócio brasileiro em 2026 atravessa uma transformação que pode redefinir quem fica e quem sai do jogo. A Reforma Tributária, vendida sob o discurso da simplificação, impõe a obrigatoriedade do CNPJ para todos os produtores rurais e decreta o fim gradual da Inscrição Estadual até dezembro de 2032. O que deveria ser modernização revela-se, na prática, uma revolução silenciosa que pode excluir milhares de pequenos agricultores do mercado formal.

A questão não está na digitalização em si, mas no ritmo brutal de sua implementação. Enquanto grandes produtores e agroindústrias já operam há anos com estruturas contábeis sofisticadas, pequenos agricultores precisarão dominar certificação digital, emissão de notas fiscais eletrônicas e sistemas tributários complexos — tudo isso em meses. O ano de 2026 funciona como período de transição, mas os prazos apertados expõem um descompasso cruel entre ambição legislativa e realidade operacional do campo brasileiro.

O artigo 59 da Lei Complementar 214/2025 estabelece identificação única por CNPJ para todas as pessoas com atividade econômica. A Inscrição Estadual será extinta até 31 de dezembro de 2032, mas a obrigatoriedade prática começa já em 2026, quando produtores precisarão emitir notas fiscais eletrônicas no novo sistema.

Para acomodar o volume de novos registros, a Receita Federal criará o “CNPJ alfanumérico”, combinando letras e números. Produtores que nunca tiveram CNPJ enfrentam não apenas uma formalidade cadastral, mas uma completa reconfiguração de sua relação com o fisco. O problema é que poucos dominam ferramentas digitais básicas, quanto mais sistemas de emissão de NF-e.

Quem emitia notas fiscais em papel (modelo 4) ou utilizava a Nota Fiscal Avulsa Eletrônica de forma simplificada agora precisa dominar certificação digital, vinculação de e-CPF, séries numéricas específicas e softwares compatíveis com normas estaduais e federais. A fiscalização sobre o produtor pessoa física será tão rigorosa quanto a de uma empresa, alertam especialistas. Embora a lei assegure a condição de pessoa física para efeitos tributários, as exigências operacionais os equiparam a empresas.

Ferramentas como o aplicativo Nota Fiscal Fácil e o Provedor de Assinatura e Autorização, que permite sindicatos assinarem digitalmente notas em nome de associados, são apresentadas como soluções. Mas exigem familiaridade com smartphones, tablets e conectividade — recursos nem sempre disponíveis em regiões remotas do Brasil rural.

Caros leitores, o termo “simplificação” aparece repetidamente nos discursos oficiais. A experiência prática mostra o oposto. Quem entrar nesse processo sem planejamento corre risco de enfrentar problemas fiscais futuros. Para grande parte dos pequenos produtores rurais, “planejamento” significa escolher entre contratar um contador — despesa que pode comprometer margens de lucro — ou arriscar-se sozinho em um sistema fiscal cada vez mais complexo.

A questão se agrava para produtores com propriedades em diferentes estados. Vamos a um exemplo: Seu Carlos, produtor de café no sul de Minas que tem terras também no Espírito Santo (herança do pai). Hoje ele tem duas Inscrições Estaduais, uma em cada estado. Com a mudança, ele vai precisar de um CNPJ matriz (da propriedade principal) e outro CNPJ filial (da propriedade no outro estado). Parece simples? Só no papel. Na prática, significa documentação dobrada, mais custos com contador e risco de confusão na hora de declarar impostos.

A recomendação técnica é estruturar CNPJs de propriedades externas como filiais, mantendo a mesma composição societária. Para um agricultor familiar com terras herdadas em estados diferentes, isso representa uma maratona burocrática que demanda recursos e tempo que ele simplesmente não tem.

Um dos aspectos mais preocupantes da Reforma é a desigualdade digital que ela escancara. Enquanto grandes produtores possuem departamentos contábeis e sistemas integrados, pequenos agricultores enfrentam dificuldades básicas de acesso à internet. Dados do IBGE mostram que apenas 53% dos domicílios rurais brasileiros possuem internet. Como exigir emissão obrigatória de nota eletrônica de quem mal consegue acessar a rede?

A obrigatoriedade do certificado digital (e-CPF) representa mais um custo. Embora relativamente acessível em centros urbanos, em regiões remotas sua obtenção exige deslocamento, tempo e dinheiro — barreiras concretas para quem vive da agricultura de subsistência ou pequena escala.

Não se pode negar que modernizar o sistema tributário agrícola é necessário. Rastreabilidade, integração de dados fiscais e profissionalização da gestão são benefícios reais. O problema não é o destino, mas o caminho escolhido.

Uma reforma verdadeiramente inclusiva deveria ter começado por investimentos massivos em infraestrutura digital no campo, capacitação técnica dos produtores e um período de transição mais longo. Em vez disso, optou-se por impor mudanças estruturais em prazos apertados, transferindo para os agricultores — especialmente os menores — o custo e o risco da adaptação.

Experiências internacionais mostram que digitalizações fiscais bem-sucedidas no setor agrícola foram precedidas por anos de preparação, com investimento público em educação digital e infraestrutura. No Brasil, espera-se que produtores se adaptem em meses a mudanças que deveriam ter sido preparadas ao longo de anos.

A Reforma Tributária corre o risco de aprofundar desigualdades no campo ao exigir adaptações que favorecem grandes produtores e punem os pequenos.

Há urgência em reconhecer as assimetrias do campo brasileiro. Isso significa investir em assistência técnica gratuita, garantir acesso universal à internet rural, prorrogar prazos de adaptação e criar mecanismos de proteção para pequenos produtores. Caso contrário, o que se anuncia como “simplificação” tributária pode se transformar em mais um fator de concentração de terra e renda no agronegócio brasileiro.

A história mostrará se 2026 foi o ano em que o campo brasileiro deu um salto de modernização ou o momento em que milhares de pequenos produtores foram empurrados para fora do mercado formal. A pergunta permanece sem resposta — mas o relógio está correndo, e a conta será cobrada dos mais vulneráveis.

Charlene de Ávila é Advogada, Mestre em Direito Empresarial, Consultora Jurídica em propriedade intelectual na agricultura do Escritório Néri Perin Advogados Associados. Atua na análise jurídica das relações entre patentes de invenção, proteção de cultivares, biotecnologia agrícola e direitos dos agricultores, com especial atenção aos impactos institucionais, legais e econômicos do sistema de propriedade intelectual no agronegócio.

 

Néri Perin é Advogado Agrarista, especialista em Direito Tributário e em Direito Processual Civil pela UFP. Diretor Administrativo da Neri Perin Advogados Associados – Brasília- DF.

Exportações da piscicultura nacional se mantêm estáveis, mesmo com tarifaço dos Estados Unidos

O ano de 2025 teve pequenas alterações em relação ao anterior no que se refere às exportações brasileiras no setor de piscicultura. Ao mesmo tempo, houve leve aumento de 2% na movimentação financeira, que foi maior que U$ 60 milhões em 2025, e queda de 1% na quantidade exportada, que foi de quase 13,7 mil toneladas no ano passado. Portanto, o sentimento final foi de estabilidade. Tudo isso num cenário que, por conta do tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos, mostrava-se negativo.

No entanto, o impacto real foi menor que o esperado. Quem explica é Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO): “o tarifaço começou a valer no mês de agosto e isso impactou as exportações do terceiro e do quarto trimestres de 2025, que caíram respectivamente 28% e 34% comparadas com 2024. Ainda assim, no acumulado de 2025 as exportações totais aumentaram 2% em valor devido ao bom desempenho verificado entre os meses de janeiro e julho”.

A principal categoria de produtos exportados, formada por filés frescos ou refrigerados, teve aumento de 12% em volume financeiro entre os dois anos, evoluindo de U$ 36,6 milhões em 2024 para U$ 41,1 milhões no ano passado. Já a categoria formada por peixes inteiros congelados, a segunda mais importante, caiu 27% em volume financeiro, indo de U$ 17,6 milhões em 2024 para U$ 12,9 em 2025. As demais quatro categorias apresentaram volumes menores. Mesmo assim, chama a atenção o crescimento de 245% no volume da categoria de filés congelados, que passou de U$ 3 milhões em 2025.

Destaques

Manoel aponta a queda das exportações de tilápia brasileira para os Estados Unidos como o principal destaque do ano passado. “Isso levou as empresas a buscarem novos mercados, destacando-se o aumento dos embarques de tilápia para o Canadá (+108%) e a retomada das vendas de tilápia para o México”, explica. E continua dizendo que “o crescimento das exportações de filés congelados de tilápia (+421%) foi outro destaque, o que indica uma possível estratégia para acessar novos mercados voltados a esse produto”.

O pesquisador ainda destaca “as importações de filé de tilápia vindas do Vietnã, que atingiram US$ 1,5 milhão (374 toneladas), sendo a terceira espécie da piscicultura mais importada pelo Brasil, após o salmão e o pangasius”. Com relação ao destino das exportações, os Estados Unidos continuaram na liderança, com 87% do peixe que o Brasil comercializou em 2025. Foram mais de U$ 52,1 milhões. Valores bem acima dos comercializados com o Canadá, segundo principal destino: menos de U$ 2,4 milhões no ano passado.

Essas e outras informações estão disponíveis gratuitamente no Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, que pode ser acessado neste link. A edição 24, que acaba de ser publicada, refere-se a 2025. O informativo tem periodicidade trimestral e a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) é parceira na elaboração. O boletim é resultado do projeto BRS Aqua, coordenado pela Embrapa.

Para este ano, Manoel entende que “caso o tarifaço dos Estados Unidos se mantenha, é provável que haja uma redução nas exportações da piscicultura comparadas com 2025. Apesar dos exportadores já estarem buscando novos mercados, é muito difícil encontrar no curto prazo outros países importadores que absorvam o mesmo volume dos EUA”.

Segundo ele, “o mercado europeu seria uma alternativa, porém ainda não há uma perspectiva concreta de reabertura das exportações do Brasil. O recente acordo comercial assinado entre o Mercosul e a União Europeia prevê zerar os impostos sobre os pescados exportados para a Europa, o que trará mais competitividade aos produtos da piscicultura do Brasil quando as exportações forem retomadas”.

 

Clenio Araujo
Embrapa Pesca e Aquicultura

Pescador entra em igarapé considerado um dos mais perigosos da Amazônia e expõe risco e encontro com sucuris gigantes

Um vídeo que circula nas redes sociais tem chamado a atenção pelo alto nível de perigo envolvido. O pescador João Cordeiro, de Rondônia, entrou em um igarapé descrito por ele como um dos mais perigosos da Amazônia, um ambiente conhecido por ser habitat natural de sucuris gigantes e anacondas.

 

Nas imagens, é possível ver a água fechada, a vegetação densa e o clima de total silêncio da floresta características típicas de locais onde grandes predadores se escondem. Em determinado momento do vídeo, João mostra claramente a presença de várias cobras, evidenciando o risco real enfrentado por quem entra nesse tipo de ambiente.

 

Segundo o pescador, não se trata de aventura, mas de um território onde a natureza impõe suas próprias regras. “Quem entra, entra sabendo, a natureza não perdoa”, relata João no vídeo, reforçando o respeito e o cuidado necessários ao frequentar áreas selvagens da Amazônia.

 

VEJA O VÍDEO: