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Cláudia de Jesus propõe estado de calamidade pública para enfrentar crise do leite em Rondônia

Com a produção de leite em forte queda e custos acima do valor pago ao produtor, a deputada estadual Cláudia de Jesus (PT) apresentou indicação ao governo do estado defendendo a decretação de estado de calamidade pública na cadeia produtiva do leite em Rondônia.

A proposta foi encaminhada à Casa Civil, à Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), à Secretaria de Estado de Finanças (Sefin), à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e à Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), com o objetivo de viabilizar medidas técnicas, administrativas e jurídicas de apoio ao setor.

Segundo a parlamentar, a situação exige resposta imediata do Estado. “Sem medidas emergenciais, milhares de famílias que dependem da cadeia do leite podem ser diretamente impactadas, com reflexos econômicos e sociais em todo o estado”, afirmou.

Texto: Assessoria parlamentar

Sistema FAPERON/SENAR contribui com debate sobre desenvolvimento rural sustentável em Rondônia

O Sistema FAPERON/SENAR participou, nesta quinta-feira (29), da etapa regional da Conferência Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, realizada no auditório do Instituto Federal de Rondônia (Ifro), em Porto Velho. O encontro reuniu agricultores, lideranças comunitárias e representantes de entidades do setor com o objetivo de debater propostas voltadas ao fortalecimento do campo, à proteção da floresta e à melhoria da qualidade de vida das famílias rurais.

O presidente do Sistema FAPERON/SENAR, Hélio Dias, integrou a mesa de honra da abertura do evento, reforçando o compromisso da entidade com o desenvolvimento rural sustentável e a valorização do produtor rural.

Para o presidente, a conferência se consolida como um espaço estratégico de diálogo e construção coletiva. “Acredito que este seja um momento importante e oportuno para discutirmos temas que afetam diretamente o dia a dia da agricultura. É fundamental que as políticas públicas sejam assertivas e cheguem, de fato, aos produtores rurais, promovendo desenvolvimento, segurança e dignidade no campo”, destacou Hélio Dias.

A programação da conferência, que se estenderá até 30 de janeiro,  aborda temas centrais para o futuro do meio rural, como o papel da agricultura familiar frente às mudanças climáticas; a transformação agroecológica dos sistemas alimentares e o fortalecimento da agricultura familiar; a reforma agrária; a promoção e proteção do direito à terra, à água e ao território; além de questões relacionadas à cidadania, ao bem viver no campo, nas águas e nas florestas, e à participação popular na governança das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural.
Em Rondônia, 52 municípios possuem mais de 70% de suas propriedades classificadas como agricultura familiar, com áreas inferiores a quatro módulos fiscais. Atualmente, 52.868 famílias já possuem o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), de um total estimado de 91 mil famílias aptas a emitir o documento, que garante prioridade no acesso a políticas públicas e linhas de crédito voltadas ao setor rural.

Nesse contexto, o Sistema FAPERON/SENAR, em conjunto com os 37 Sindicatos de Produtores Rurais presentes nos municípios rondonienses, atua de forma contínua para fortalecer a agricultura familiar, promovendo a ampliação do acesso às políticas públicas, a melhoria da renda e o aumento da qualidade de vida no campo.

A participação do Sistema FAPERON/SENAR na conferência reafirma o compromisso da instituição com a construção de um desenvolvimento rural equilibrado, sustentável e inclusivo em Rondônia.

Cunhã do BBB 26 planeja investir prêmio milionário em cooperativa de mandioca

Participante do grupo Pipoca após vencer a Casa de Vidro NorteMarciele quer converter o prêmio do BBB 26 em investimento para a agricultura familiar na região.

Embora seja amplamente conhecida como a Cunhã do Boi Caprichoso, do Festival de Parintins, a trajetória da dançarina de 32 anos é ligada ao cultivo da mandioca.

Infância na casa de farinha

Em entrevista à Globo Rural, a mãe da participante, Néia Albuquerque, revelou que o interesse pela atividade rural surgiu na infância, em uma comunidade de Juruti, no Pará. Em uma região onde a agricultura de subsistência define a sobrevivência de famílias indígenas e ribeirinhas, Marciele já buscava seu espaço na produção aos três anos de idade.

“Ela sempre pedia uma faca para ajudar a descascar. Pegávamos uma sem corte e uma mandioca bem pequena para ela ir aprendendo. Da lavagem das raízes ao forno, tudo ela queria entender”, recordou a mãe.

Marciele com a família na produção de farinha de mandioca

Farinha como combustível para a arte

Hoje, Marciele vive em Manaus, onde consolida sua carreira como influenciadora e dançarina. No entanto, o “sucesso” não apagou a memória do trabalho braçal. Sempre que retorna à casa dos pais, às margens do Rio Amazonas, a sister troca os figurinos de gala pelo trabalho no roçado.

De acordo com a família, a mandioca foi, literalmente, o que permitiu que Marciele voasse mais alto. Nas redes sociais, ela também mostra que participa desde o plantio e colheita até o beneficiamento final.

A venda da farinha foi a principal fonte de renda para custear seus estudos e os primeiros anos de vida na capital amazonense. O dinheiro da produção rural foi o que deu estabilidade para que ela pudesse focar na dança e se tornar um dos maiores símbolos do folclore nortista.

Nas redes sociais, Marciele já vinha quebrando estereótipos ao compartilhar sua rotina “mão na massa”. Longe do glamour das apresentações no Bumbódromo, os vídeos mostram o suor na casa de farinha.

Fábrica mecanizada

Entre os planos de Marciele, caso conquiste o objetivo de prêmio do programa, está a construção de uma casa de farinha mecanizada com parte do montante.

Segundo a família, que ainda depende da produção de derivados da mandioca, como farinha amarela, farinha de tapioca e tucupi, a mecanização permitiria, além de reduzir o esforço físico, tornar o trabalho menos desgastante e, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade da comunidade local.

Tilápia 100% masculina e novas tecnologias protegem rios e a produção, aponta Epamig

A tilápia é protagonista da mesa e da economia aquícola brasileira, com uma produção que supera 600 mil toneladas anuais e movimenta R$ 7 bilhões. No entanto, o debate recente sobre sua possível classificação na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras (Conabio) acendeu um alerta no setor: como conciliar o sucesso econômico com a preservação dos ecossistemas nativos?

A resposta, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), está na ciência. Através de seu Programa de Pesquisa em Aquicultura, a instituição lidera frentes tecnológicas que visam transformar a tilápia em um modelo de produção sustentável, eliminando o estigma de “ameaça” ambiental.

O desafio da reprodução controlada

Um dos maiores riscos ambientais é o escape de peixes férteis para rios e lagos. Para mitigar isso, a EPAMIG, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trabalha no aperfeiçoamento da masculinização.

Atualmente, o método hormonal convencional deixa uma margem de erro de 5% de fêmeas. O objetivo das novas pesquisas é atingir lotes 100% masculinos e desenvolver peixes estéreis via manipulação cromossômica. “Estratégias para a inibição da reprodução são essenciais para evitar que a espécie se multiplique descontroladamente fora dos tanques de engorda”, explicou o pesquisador Franklin Costa.

Sistemas de produção blindados

Além do controle biológico, a EPAMIG aposta na modernização das estruturas físicas. O foco são os sistemas “fechados”, que desconectam a produção dos cursos d’água naturais:

  • RAS (Sistemas de Recirculação de Água): A água é filtrada e reutilizada, minimizando o descarte.
  • BFT (Bioflocos): Um ecossistema de microrganismos que transforma resíduos em alimento, aumentando a eficiência e a segurança.

Esses modelos funcionam como uma barreira física, reduzindo drasticamente as chances de qualquer peixe chegar ao meio ambiente.

Melhoramento genético: foco no vativeiro

Uma abordagem inovadora da EPAMIG é o melhoramento genético focado no desempenho em cativeiro. Ao desenvolver animais altamente adaptados às condições controladas de ração e densidade, esses peixes tornam-se menos aptos a competir na natureza. “O peixe é melhorado para o cativeiro; caso escape, terá chances mínimas de sobrevivência comparado aos peixes de vida livre”, destacou Costa.

Equilíbrio entre economia e ccologia

A proposta da EPAMIG não é extinguir os modelos tradicionais de tanques-rede, mas integrá-los a tecnologias que encurtem o tempo de permanência do peixe em ambientes naturais, utilizando sistemas controlados nas fases mais críticas.

Com essas inovações, a pesquisa mineira garante que a tilápia continue sendo um motor de desenvolvimento social e nutricional para o Brasil, sem abrir mão do rigoroso cuidado com a biodiversidade brasileira.

Presidente da FAPERON Hélio Dias projeta 2026 com acordos, bioceânica e foco em competitividade

Em entrevista ao programa Rondorural, Hélio Dias de Souza, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (FAPERON) e do Conselho Administrativo do SENAR/RO e presidente do Conselho Fiscal da CNA para o período 2025–2029 traçou um panorama direto do que espera para o agronegócio em um 2026 marcado por calendário político e mercados em reacomodação. Sem perder o foco na rotina do campo, ele reforçou que “o agro tem sua pujança e produz todos os dias” e que a prioridade é consolidar acordos comerciais, avançar na integração logística da rota bioceânica e reduzir o custo Brasil que pesa sobre insumos e energia no processo produtivo.

O dirigente lembrou que 2026 tende a ser um ano mais complexo pela combinação de Copa do Mundo e eleições, o que tradicionalmente desacelera a tramitação de políticas públicas e regulamentações. Ainda assim, a atividade não para. Segundo Hélio, a produção nacional segue robusta, com colheitas em curso e projeções que superam a casa das centenas de milhões de toneladas nas safras 2025/2026 e 2026/2027, reforçando a necessidade de previsibilidade regulatória para dar segurança ao investimento e ao custeio.

No comércio exterior, Hélio destacou a importância de tratativas bilaterais citando negociações com os Estados Unidos e do avanço do acordo Mercosul–União Europeia. A avaliação é pragmática: se as tratativas se consolidarem, cadeias hoje tarifadas entre 10% e 20% podem ganhar fôlego com redução a zero em determinadas pautas, abrindo mercados e ampliando margens. Ele reconhece que a concorrência europeia também entra com mais força, mas vê oportunidade ao consumidor brasileiro e confia nas vantagens do país: escala, produtividade, qualidade e custo competitivo. “Se consolidar, vai abrir muitas portas para muitas cadeias. É bom para o setor produtivo e para o consumidor”, resumiu.

No tabuleiro da logística, a bioceânica surge como peça-chave com Rondônia no centro. Porto Velho sediará encontro com autoridades da Bolívia, Peru e Chile, além de representantes dos estados do Acre e Rondônia, para discutir traçado e modais de integração entre Atlântico e Pacífico. Hélio defende decisões técnicas baseadas em eficiência e menor distância, com integração dos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário e a perspectiva de novos portos ao longo do eixo. Para ele, Porto Velho tende a se consolidar como um hub intermodal estratégico, encurtando caminhos até mercados como o de Xangai e transformando custo logístico em vantagem competitiva.

O retrato de Rondônia é de transformação visível no chão de fábrica do campo. Em uma década, o estado “deu um salto no tempo”, com os 52 municípios interligados por asfalto e propriedades rurais mais estruturadas. Na pecuária, cercas e manejo tecnificado; no café, lavouras novas, alta produtividade e maquinário, inclusive colhedoras. O resultado, segundo Hélio, aparece na renda, no patrimônio e na qualidade de vida de quem vive da terra. “Quem roda o estado vê a transformação: produtividade, tecnologia e melhoria de vida em curso.”

Nesse movimento, o SENAR/RO é o braço de execução. Hélio destacou a atuação de mais de 220 técnicos entre agrônomos, veterinários e técnicos em oito cadeias produtivas, com foco em assistência técnica e gestão. Em Porto Velho, um projeto piloto com 15 técnicos atende quatro culturas e aldeias indígenas, e um novo convênio com a FENTAG ampliará a presença do atendimento nos assentamentos. O programa Saúde no Campo, implantado em 2025, vem sendo bem aceito por trabalhadores rurais que antes não tinham esse tipo de serviço, reforçando a agenda de produtividade com qualidade de vida.

Ao tratar de crédito rural, o presidente da FAPERON adotou tom de comemoração com prudência. Agricultores familiares rondonienses contrataram mais de R$ 4 bilhões nas últimas três safras, número expressivo que exige disciplina de gestão para garantir pagamento em um ambiente de preços voláteis. A recomendação é calibrar investimento ao ciclo e ao momento de cada atividade: café vive janela positiva para tecnificação; cacau pede atenção redobrada pela volatilidade; no leite, endividamento em vacas e estrutura deve ser decidido com base em preço futuro e eficiência; na pecuária de corte, a reposição cara pode apertar margens e requer leitura fina do ciclo do boi. “Crédito é ferramenta. O segredo é o timing e a gestão do fluxo de caixa”, afirmou.

Sobre tributação, Hélio foi direto ao ponto: é preciso aliviar a carga sobre óleo diesel, insumos, máquinas e energia usados na produção. Ele questiona a assimetria que desonera exportação e indústria de processamento enquanto quem assume o risco no campo encara uma sequência de custos e tributos embutidos. A reforma tributária, em sua visão, deve evitar aumento efetivo sobre a produção primária e simplificar o sistema, priorizando a competitividade. “Queremos produzir com custo menor e previsível. Desonerar insumos é política pública pró-produtividade.”

A mensagem final é de trabalho contínuo e foco em competitividade. Com acordos comerciais destravados, logística integrada pela bioceânica e um ambiente tributário mais racional, Rondônia e o Brasil podem dar um salto. A equação, para fechar no campo, combina assistência técnica, gestão e uso responsável do crédito. “O agro segue forte e trabalha todos os dias. Cabe a nós garantir as condições para transformar essa força em resultado sustentável para o produtor e para a sociedade.”

 

VÍDEO: Gavião é resgatado após “viajar” preso a caminhão pela BR-364, em Rondônia

Uma ocorrência inicialmente tratada como um possível acidente de trânsito acabou se transformando em um resgate impressionante de um gavião, na manhã desta sexta-feira (30), no município de Ariquemes, às margens da BR-364.

O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para atender a uma suposta colisão em um posto de combustíveis da rodovia. No entanto, ao chegar ao local, a equipe constatou que não havia nenhum sinistro de trânsito. A verdadeira situação era ainda mais inusitada: uma ave de rapina estava presa a um caminhão.

De acordo com o sargento Lailson, a ave identificada inicialmente como um gavião havia ficado presa na estrutura do veículo, entre a cabine (o “cavalo mecânico”) e a carreta. A suspeita é de que o animal tenha colidido com o caminhão ainda no município de Jaru e, mesmo ferido ou desorientado, acabou sendo levado por vários quilômetros até Ariquemes, sem que o motorista percebesse.

O gavião percorreu praticamente toda a distância “viajando” junto ao caminhão pela BR-364, resistindo ao deslocamento e chamando a atenção apenas quando o veículo parou no posto de combustíveis.

Os bombeiros realizaram o resgate com cuidado para evitar ferimentos tanto na ave quanto na equipe. Após ser retirada com segurança, o animal foi encaminhado para os procedimentos adequados, onde deverá passar por avaliação veterinária antes de possível reabilitação e devolução à natureza.

O caso chamou a atenção de quem passava pelo local e reforça a importância do acionamento rápido das autoridades em situações envolvendo animais silvestres, especialmente em rodovias de grande fluxo como a BR-364.

VEJA O VÍDEO:

Frigorífico de Ji-Paraná foi habilitado a exportar carne bovina para Indonésia

A Indonésia habilitou nesta quinta-feira (29/1) mais 14 frigoríficos brasileiros para exportar carne bovina para lá. A informação foi confirmada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.

Em setembro de 2025, o país asiático já havia habilitado 17 plantas. Agora, o número total de unidades autorizadas a vender carne bovina para a Indonésia saltou para 52. “Passamos, em seis meses, de 21 para 52 plantas habilitadas”, afirmou Rua à reportagem.

A notícia já era aguardada pelo setor frigorífico brasileiro e foi bem recebida em meio às preocupações dos empresários com a cota adotada pela China em 2026, que limitará as exportações em 1,1 milhão de toneladas ao maior parceiro comercial do Brasil.

Recentemente, em entrevista coletiva, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, ressaltou que a “Indonésia pode ser o novo mundo para a carne bovina brasileira”.

Nesta quinta-feira, o dirigente comemorou as autorizações para mais plantas exportarem para a Indonésia. “As novas habilitações para a Indonésia representam um avanço importante em um ano desafiador, fortalecem a estratégia de diversificação de mercados e ampliam as oportunidades para a carne bovina brasileira em um mercado de grande potencial”, disse Perosa. Segundo o executivo, o aval é resultado do empenho do Ministério da Agricultura na abertura e na consolidação de novos mercados para a carne bovina brasileira.

As unidades habilitadas foram auditadas em missão da Indonésia em dezembro de 2025, segundo a Abiec. Os estabelecimentos autorizados agora foram da Frigol, em São Félix do Xingu (PA), Frigorífico Pantanal, em Várzea Grande (MT), Cooperfrigu, em Gurupi (TO), Primafoods, em Araguari (MG), Mercúrio, em Castanhal (PA), Zancheta, em Bauru (SP), Fisacre, em Rio Branco (AC), Minerva, em Barretos (SP), Fribal, em Imperatriz (MA), Distriboi, em Ji-Paraná (RO), e três plantas da JBS, em Andradina (SP), Anastácio (MS) e Campo Grande (MS).

Os 52 frigoríficos habilitados para a Indonésia estão distribuídos pelas cinco regiões do país. Até então, não havia autorização para planta do Nordeste, mas houve aval para a unidade da Fribal, no Maranhão. 

Relações comerciais

Em outubro do ano passado, mais de 30 empresários brasileiros do setor de carne bovina estiveram em missão em Jacarta, capital da Indonésia, para tentar ampliar as relações comerciais com o país do sudeste asiático.

O Brasil tem uma cota de 188 mil toneladas para exportar para a Indonésia, segundo a Abiec. Até 2023, o número era limitado a 20 mil toneladas. As exportações brasileiras para lá atendem às normas de certificação halal, em conformidade com a lei islâmica para atender exigência para o consumo muçulmano.

Essa ampliação e a habilitação de novas plantas começou a surtir efeito nos negócios. Em 2023, as exportações brasileiras de carne bovina para a Indonésia foram de apenas 2,7 mil toneladas e US$ 13,9 milhões em negócios. A quantidade embarcada saltou para 42,9 mil toneladas em 2025, com faturamento de US$ 153,9 milhões, de acordo com dados do Agrostat do Ministério da Agricultura.

O mercado indonésio para a carne bovina brasileira foi aberto apenas em 2019. No ano passado, houve ampliação, com autorização para exportação de cortes com osso, miúdos bovinos, produtos cárneos e preparados de carne.

Café tem maior alta da cesta básica em 2025, e preço deve manter patamar atual, diz indústria

O café foi o item da cesta básica que mais encareceu em 2025, apontou um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

E o preço da bebida deve continuar alto em 2026. Isso porque, mesmo com a expectativa de uma maior oferta, devido à boa safra, os estoques mundiais do grão estão esvaziados e a colheita deste ano deve ser usada para recompor essas reservas, aponta Pavel Cardoso, presidente da Abic.

O faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em 2025, na comparação com 2024, e chegou a R$ 46,24 bilhões. Segundo a associação, a alta foi provocada pelo aumento do preço do café no supermercado.

Entre 2021 e 2025, o valor subiu 116% para o consumidor. Mesmo assim, a alta foi menor do que a registrada pela indústria para a compra do alimento dos produtores. O preço do arábica, o tipo mais comum consumido no Brasil, cresceu 212%.

Esse aumento é resultado de problemas climáticos que afetaram as lavouras nos últimos anos, como geadas, secas e temperaturas elevadas. Com menos grãos disponíveis no mercado, os preços ficaram mais altos.

Como resultado, houve uma queda do consumo em 2,31% em 2025.

Apesar da queda, Cardoso avalia que o consumo no Brasil é resiliente e se manteve relativamente estável, mesmo após aumentos expressivos nos últimos anos.

Por que o café encareceu

O estudo da Abic considerou seis alimentos da cesta básica. Quatro ficaram mais baratos em 2025 em relação ao ano anterior: açúcar (-13,3%), leite (-4,9%), arroz (-31,1%), feijão (-14,3%). Dois encareceram: o preço do óleo de soja subiu 1,2% e o do café torrado e moído, 5,8%.

Diversos fatores fizeram com que o café ficasse mais caro em 2025. Confira abaixo:

☕O tarifaço de 50% dos EUA sobre o café brasileiro, que fez o preço do grão disparar na bolsa de Nova York, que é referência mundial para a negociação do grão;

☕Os baixos estoques de café no mundo, resultado de quatro anos seguidos de queda na colheita dos principais produtores do mundo em razão dos problemas climáticos;

☕A queda na produção causada por problemas climáticos, afetando principalmente o café arábica, principal variedade produzida no país.

☕O repasse do aumento de custos para os consumidores, que, ao longo dos anos, foi transmitido em menor proporção nas gôndolas. Por exemplo, Cardoso afirma que o café ainda subiria cerca de 70% se a indústria fosse repassar toda a alta de custos desde 2021 para o consumidor.

Como fica o café em 2026

Mesmo sem balanços oficiais da safra, o presidente da Abic avalia que o Brasil deve ter uma boa colheita em 2026.

Isso porque o La Niña, evento climático vigente no ano passado, provocou menos extremos climáticos nas áreas produtoras. Isso permitiu calor quando era necessário e chuvas nas épocas em que elas são importantes e no volume certo.

Contudo, Cardoso afirma que seriam necessárias ao menos duas boas safras, ou seja, boa colheita por dois anos seguidos, para gerar uma queda real nos preços do café. O foco da indústria, neste momento, é recuperar os estoques.

Por outro lado, ele acredita ser possível uma recuperação do consumo. Com mais grãos disponíveis, os preços tendem a oscilar menos, o que pode abrir espaço para promoções nos supermercados.

“Qualquer baixa do preço na prateleira, o consumidor já faz uma compra adicional e monta seu próprio estoque em casa. Ele não abre mão do café”, afirma.

Uma leve queda nos preços já foi observada em dezembro. O café tradicional extraforte, por exemplo, ficou 7,1% mais barato em relação ao mês anterior.

A redução ocorreu após a queda no preço da matéria-prima, repassada pela indústria ao consumidor.

café em cápsulas ficou 13,2% mais barato em dezembro, na comparação com novembro. Em relação a janeiro de 2025, a queda chega a 16,8%.

Segundo Cardoso, isso ocorre porque a quantidade de café por quilo comercializado é diferente nas cápsulas em relação aos pacotes tradicionais.

Além disso, ele avalia que a indústria pode ter fechado acordos para vender o produto mais barato a partir de abril, após a queda na cotação do café, impulsionada pela expectativa de uma boa safra de robusta.

Agricultores familiares rondonienses já contrataram mais de R$ 4 bilhões de crédito rural nas últimas três safras

O Governo do Brasil retomou o Plano Safra da Agricultura Familiar na safra 2023/2024. Desde então, os agricultores familiares de Rondônia já contrataram mais de R$ 4 bilhões em crédito com juros subsidiados pelo governo para investir na produção de alimentos saudáveis e gerar renda. Até o momento, considerando que a safra 2025/2026 finaliza no dia 30 de junho, já foram mais de 43 mil contratos de crédito rural feitos no estado.

Em todo o Brasil, entre 2023 e 2025, mais de 2 milhões de agricultores familiares acessaram o crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, previsto no Plano Safra da Agricultura Familiar.

Além de recordes em investimentos, o Governo do Brasil garantiu à agricultura familiar redução de juros para a produção de alimentos e novas linhas para mulheres rurais, jovens, irrigação sustentável e transição agroecológica. Essas mudanças resultaram na ampliação da diversificação dos produtos financiados, com variação, por exemplo, nos contratos para o cultivo de feijão (+92%), arroz (+30%), leite (+26%), pescados (+26%) e bovinos (+107%). É mais renda no campo e mais alimento de qualidade para a mesa das famílias brasileiras.

O apoio do Governo do Brasil à agricultura familiar impactou na redução histórica no preço dos alimentos e na saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, em 2025, de acordo com o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. “Nós diferenciamos os juros para esses alimentos que vão para a mesa do povo brasileiro. E foi um sucesso porque tivemos queda dos preços dos produtos nas feiras e supermercados. Um segundo esforço foi aumentar os programas de compras públicas para a agricultura familiar, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar [Pnae] e o Programa de Aquisição de Alimentos [PAA], que é aquele programa que você compra alimento da agricultura familiar e doa naquelas regiões onde tem insegurança alimentar ou com aquelas entidades que trabalham com pessoas que estão em insegurança alimentar”, explica Teixeira.

Produtos e serviços: governo de RO está com inscrições abertas para expositores na 13ª Rondônia Rural Show Internacional

Estão abertas as inscrições para expositores interessados em participar da 13ª Rondônia Rural Show Internacional, considerada a maior feira de agronegócio da Região Norte. O evento acontecerá de 25 a 30 de maio, no Centro Tecnológico Vandeci Rack, em Ji-Paraná. A feira é promovida pelo governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri). O prazo para inscrição segue até 20 de fevereiro, e é voltado a empresas, instituições, produtores rurais, cooperativas e empreendedores do setor agropecuário que desejam expor produtos, serviços, tecnologias e inovações durante a feira.
COMO REALIZAR A INSCRIÇÃO?
Os interessados devem realizar o processo de forma online, seguindo as etapas:
  • Anexar a documentação exigida
  • Enviar a inscrição dentro do prazo estabelecido.
O preenchimento do formulário e o envio dos documentos são necessário para o controle dos participantes, especialmente daqueles que participarão da feira pela primeira vez. Todas as inscrições serão analisadas pela comissão organizadora, que posteriormente entrará em contato com os selecionados para repassar as próximas orientações.
Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, a participação dos expositores é fundamental para o fortalecimento do setor produtivo estadual. “A Rondônia Rural Show é uma vitrine do agronegócio. A presença de expositores de diferentes segmentos fortalece a economia, estimula a geração de negócios e mostra a força do produtor rural rondoniense”, salientou.
O titular da Secretaria de Estado da Agricultura, Luiz Paulo, reforçou que esta etapa é fundamental para a organização do evento. “As inscrições continuam abertas e esse é um momento para planejarmos a estrutura da feira. Além disso, é importante ressaltar que a área do Centro Tecnológico Valdeci Rack não comporta uma quantidade significativa de expositores, razão pela qual faz-se necessário esse controle.”