Mais previsões: Previsao do tempo 30 dias
Início Site Página 198

ESTADO INVESTE PARA MAPEAR PISCICULTURA

Por conta da importância do uso do solo para o planejamento territorial e tomada de decisão, tendo em vista que fornece informações de destaques tanto quantitativas quanto qualitativas, permitindo viabilizar o acompanhamento sobre a forma como o solo está sendo utilizado, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura (Seagri), prepara o diagnóstico e zoneamento da piscicultura em Rondônia. O georreferenciamento, conforme acentua o gerente de Aquicultura e Pesca da Seagri, Jander Plaça, propiciará condições para o controle da piscicultura em todo o Estado, por meio de um sistema integrado, viabilizando que a atividade tenha o acompanhamento técnico, baseado no planejamento necessário.

Segundo Plaça, o mapeamento deverá começar a ser feito pela região do Vale do Jamari, englobando os municípios de Ariquemes, Rio Crespo, Buritis, Alto Paraíso, Cujubim, Cacaulândia, Campo Novo e Monte Negro. O projeto prevê, em sua primeira fase, os trabalhos de análise, validação, sistematização e padronização de dados estatísticos gerados com base em informações fornecidas pela Seagri, Sedam, Idaron, Emater, Sebrae e Ministério da Pesca, órgãos envolvidos nas atividades em todo o Estado. “Os dados tabulares validados na primeira fase serão espacializados com o uso de ferramentas de geoprocessamento e armazenados em banco de dados espacial para gerenciamento, análises, estudos e tomadas de decisão”, menciona o gerente, acrescentando que o mapeamento da piscicultura no Estado é importante porque as informações do uso da terra têm grande impacto nos recursos naturais, incluindo água, solo, nutrientes, plantas e animais e se constituem em subsídios para desenvolver soluções para a gestão dos recursos naturais e para as políticas públicas de desenvolvimento. Na segunda fase do projeto será feito o mapeamento das unidades produtivas (tanques, represas, lagos naturais e artificiais) mediante a implementação de técnicas de sensoriamento remoto, com a utilização de ferramentas de segmentação e classificação orientada e de imagens de satélite de alta resolução espacial. “Neste processo deverá ser verificada a acurácia e a estabilidade das classificações para que seja determinado o nível de precisão na identificação dos alvos”, informa Jander Plaça, salientando que ao final será feita a integração dos dados da primeira e da segunda fases e a validação dos dados de classificação das unidades produtivas, com a verificação de amostras previamente estabelecidas por recursos estatísticos. “O mapeamento permitirá que a cadeia da piscicultura rondoniense seja acessada mais facilmente, destacando as regiões onde as unidades produtivas estão localizadas”, conclui Plaça, informando que o início dos trabalhos depende de pequenos detalhes junto à empresa que fará o mapeamento, que estão previstos para abertura de orçamento de 2018.

Com uma produção em cativeiro de 94 mil toneladas de peixes em 2017, Rondônia abastece praticamente metade dos Estados brasileiros. Nos últimos cincos anos, a produção saltou de 25 mil toneladas em 2012 para 94 mil toneladas em 2017, conforme dados fornecidos pela Gerência de Aquicultura e Pesca da Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri). De acordo com Jander Plaça, a Seagri tem acompanhado todo o processo de criação de peixes nativos em cativeiro, com inspeções sobre o cumprimento de regras específicas da legislação. “A meta é certificar o peixe nativo produzido em Rondônia com o Selo Verde”, informou o gerente, acrescentando que o tambaqui, o pirarucu, o pintado e a jatuarana são as espécies com maior volume de produção. Mais de quatro mil produtores são licenciados em Rondônia, o maior número dentre todos os Estados. O tambaqui totaliza 80% do volume de peixes nativos produzidos no Estado, seguido do pirarucu e do pintado.

Por Chagas Pereira

Tambaquis de cativeiro engordam na Vila Nova de Teotônio

A criação de tambaquis no programa de piscicultura implantado pela Santo Antônio Energia na Vila Nova de Teotônio, localizada a 40 quilômetros de Porto Velho, está ocorrendo com bastante sucesso.

Nos últimos dias, foram realizados os trabalhos de pesagem e medida dos mais de 15 mil peixes que foram colocados nos tanques de recria em outubro do ano passado. Os biólogos observaram que nestes três meses os filhotes de tambaquis se desenvolveram bem,  estão saudáveis e pesando mais de 150 gramas.

Eles já foram transferidos para os tanques de engorda, onde permanecerão até o mês de julho, quando serão destinados ao mercado consumidor de Porto Velho. Neste mês de janeiro, mais 15.000 alevinos de tambaqui, comprados de um produtor licenciado de Rondônia, devem ser colocados nos tanques.

O programa  de piscicultura da Vila Nova de Teotônio ocupa uma área de 13 hectares, o equivalente a 13 campos de futebol, e possui 19 tanques escavados para a criação de peixes.

Fonte: Assessoria

Nota de esclarecimento à sociedade e à imprensa

Em atenção à imprensa e à sociedade, em virtude de notícias veiculadas a respeito da produção de tilápia no Estado, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental do Estado de Rondônia (SEDAM/RO) vem esclarecer que:

1) Trata-se de uma espécie exótica, rústica, com grande facilidade de reprodução, cujo processo de criação já foi amplamente estudado, mas que apresenta ameaça de sua introdução no ambiente amazônico caso seja criada sem planejamento.

2) Deve ser ressaltado que como não há estudos na região sobre a possível alteração no ecossistema aquático ocasionado por esta espécie, deve-se evitar esse tipo de cultivo, haja visto que existem outras espécies nativas com significativo potencial produtivo e econômico a serem cultivadas.

3) O crescente desenvolvimento da piscicultura no Estado dá-se em expressiva consideração devido à produção do Tambaqui (Colossoma macropomum).

4) A lei 3.437 de 9 Setembro de 2014, que rege o licenciamento aquícola do Estado, em seu artigo 9, permite a criação de híbridos e exóticos, porém restringe sua criação em cativeiro a ocorrer em viveiros escavados, em sistemas que impeçam o acesso dos espécimes, em qualquer fase de desenvolvimento, às águas de drenagem das bacias hidrográficas do Estado de Rondônia. Com base nos pontos acima mencionados, o Estado não incentiva a produção de espécies exóticas, em especial a tilápia. Além do que, os produtores rurais não demonstram interesse no cultivo da mesma.

Fonte: Portal do Peixe/RO

Planta da Amazônia é usada para agregar ômega 3 ao tambaqui

Na Embrapa Amazônia Ocidental (AM) conseguiu resultados promissores ao buscar aumentar a quantidade de ácido graxo ômega 3 no tambaqui (Colossoma macropomum), peixe nativo de grande importância nacional. Experimentos com rações enriquecidas com a planta amazônica Sacha Inchi (Plukenetia volubilis), rica em ácido linolênico (ômega 3), foram fornecidas aos animais na fase juvenil que absorveram o nutriente.

Trata-se de um importante passo para agregar valor nutricional ao peixe, uma vez que o ômega 3, relacionado ao combate de doenças cardíacas, está naturalmente presente em maiores quantidades em algumas espécies de peixes de águas frias, e o tambaqui, nativo da Bacia Amazônica, possui pouca quantidade desse nutriente. Os resultados foram obtidos por meio da pesquisa intitulada “Sacha Inchi na nutrição de juvenis de tambaqui”, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenada pelo pesquisador da EmbrapaJony Dairiki.

A Sacha Inchi é uma planta nativa da Amazônia, cultivada comercialmente na Amazônia Peruana com potencial de produção no Brasil. No Peru, agricultores têm se organizado em cooperativas com a finalidade de produzir a planta para atender a demanda de produção de óleo. O óleo de Sacha Inchi possui vitaminas A e E, além de ser rico em ácidos graxos poli-insaturados, como os ômegas 3, 6 e 9. Esses ácidos graxos são relacionados à prevenção de doenças cardiovasculares, entre outros benefícios para a saúde humana.

De acordo com Dariki, que atua na área de nutrição e alimentação de espécies aquícolas da Amazônia, houve um bom desempenho zootécnico dos juvenis de tambaqui alimentados com as rações experimentais elaboradas com os três ingredientes da Sacha Inchi (sementes, folhas e torta de extração do óleo) e também foram registradas uma alta taxa de sobrevivência e uma boa aceitação das rações experimentais. O melhor resultado foi obtido com a ração elaborada com a inclusão das sementes. No grupo alimentado com esta ração, além do crescimento houve um acréscimo de ácidos graxos poli-insaturados na carcaça dos animais, especialmente o ácido linolênico (ômega 3) e desta forma foi comprovada a agregação do valor nutricional no peixe.

Nos experimentos, foram avaliados peixes juvenis que ao término dos ensaios pesavam em torno de 30 gramas. A fase juvenil engloba o período em que o animal ainda não atingiu 100 gramas de massa, também chamada fase de recria. Esses primeiros resultados mostraram o potencial do peixe em assimilar e incorporar o ácido graxo ômega 3 na sua composição corporal. Ainda que as avaliações sejam feitas na fase inicial de criação do tambaqui, os resultados positivos abrem perspectivas para que sejam feitas mais investigações avaliando a inclusão da planta em rações para as outras fases de criação do tambaqui. O pesquisador pretende conduzir futuros experimentos com peixes maiores em fase de engorda ou terminação (próximo ao abate) para comparar os resultados.

Rações enriquecidas com ômega 3

Também chamado de óleo Inca, o óleo de Sacha Inchi é um produto nobre, valorizado no mercado por seu alto teor de ácido graxo ômega 3. A principal proposta da pesquisa foi aproveitar partes residuais da planta que pudessem ser incluídas na ração e agregar valor nutricional ao peixe.

Foram utilizadas três formas de inclusão da Sacha Inchi na nutrição de juvenis de tambaqui. Em uma delas, as sementes da planta foram trituradas e incorporadas aos demais ingredientes para fabricação das rações experimentais. Em outra, as folhas foram secadas em estufa e moídas para inclusão nas rações. E na terceira foi incluída a torta residual obtida após a extração experimental do óleo das sementes.

Os experimentos avaliaram seis níveis de inclusão das sementes, folhas e torta residual da extração do óleo de Sacha Inchi em 10 %, 20%, 30%, 40%, 50 % além do controle − ração sem a Sacha Inchi. Grupos de peixes foram alimentados por 60 dias contínuos com as rações experimentais em duas refeições diárias até a saciedade aparente. Os parâmetros de qualidade da água foram monitorados e se mantiveram adequados durante todo o período experimental.

Foram avaliados também os parâmetros de desempenho zootécnico, composição corporal dos peixes, perfil de ácidos graxos e análises fisiológicas complementares. No desempenho zootécnico, foram avaliados o ganho de massa, o consumo de ração, a taxa de conversão alimentar, a taxa de crescimento específico e a sobrevivência dos animais.

Ao término dos experimentos, foram determinados os níveis ótimos de inclusão dos produtos avaliados. No experimento em que foram incluídas as folhas trituradas, foi determinada a inclusão ótima de 10% das folhas que promoveu o melhor desempenho zootécnico. Entretanto, ao se analisar as folhas da Sacha Inchi e as rações experimentais com a inclusão deste produto, não houve o acréscimo do ácido graxo ômega 3 nessas amostras, por este motivo não foi avaliado o perfil de ácidos graxos na carcaça dos peixes deste ensaio.

Já no experimento com a torta residual da extração do óleo, foi determinada a inclusão ótima de até 40% sem prejuízo ao desempenho zootécnico. Este é considerado outro ponto de destaque da pesquisa, pois utilizar até 40% de um resíduo (sem valor comercial) na nutrição do peixe, acrescenta uma finalidade útil para aproveitamento do resíduo, além de diminuir o custo da ração.

Das três formas de inclusão, a ração com sementes foi a que proporcionou o maior acréscimo de ácidos graxos poli-insaturados, especialmente com o ácido graxo ômega 3. O nível ótimo determinado ocorreu com a inclusão de 10% das sementes na ração. O grupo controle, sem inclusão da Sacha Inchi, apresentou uma porcentagem de ácido alfa-linolênico (ômega 3) de aproximadamente 0,2% na composição centesimal. Comparado ao grupo controle, houve um acréscimo significativo do ácido graxo ômega 3 na composição corporal dos animais que se alimentaram com a ração contendo 10% de sementes de Sacha Inchi, que apresentaram porcentagem aproximada de 0,6% de incorporação do ômega 3.

Alternativa para agregar valor nutricional

Existem  pesquisas desenvolvidas pela Embrapa com o propósito de encontrar  ingredientes não convencionais para inclusão nas rações de peixes, principalmente para o tambaqui, que é a principal espécie de peixe nativa criada em âmbito nacional. O tambaqui é um peixe onívoro, ou seja, se alimenta tanto de ingredientes de origem animal ou vegetal. Nas rações não convencionais, a meta é agregar valor nutricional e reduzir custos, mantendo condições de bom desempenho zootécnico e de boa qualidade do produto final.

A ração é o item mais oneroso no sistema de produção do tambaqui. “Para diminuir o custo, as fábricas de ração costumam utilizar fontes lipídicas de baixa qualidade e o peixe reflete essa condição em sua musculatura. Isso motivou a pesquisa a agregar valor nutricional à composição corporal do peixe com ingredientes ricos em ácidos graxos poli-insaturados”, explica o pesquisador Jony Dariki.

Diversidade de Sacha Inchi

A Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus, possui um Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de Sacha Inchi com 37 acessos dessa planta. Alguns estudos sobre essa espécie vegetal a partir do BAG geraram teses em parceria com universidades brasileiras. Estudos sobre diversidade, caracterização botânica, genética e pesquisas agronômicas vêm sendo realizados sobre a planta amazônica.

Cultivos experimentais conduzidos em Manaus pela Embrapa mostram que a germinação ocorre em torno de 13 dias e que, após 40 dias de cultivo em bandejas, pode ser levada ao campo para plantio definitivo. “Embora as pesquisas estejam em andamento, já verificamos que as plantas permanecem em produção por até quatro anos, apresentando ao longo do ano alguns picos de produção”, informa o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Francisco Celio Maia Chaves, responsável por pesquisas sobre o cultivo da planta.

Chaves informa que no período de produção no Amazonas, são feitas duas colheitas semanais. Pelo fato de o fruto ser deiscente (que abre naturalmente quando fica maduro), um maior intervalo de tempo entre colheitas pode levar à perda da semente, que é lançada no ambiente. No cultivo no Amazonas, tem se adotado o espaçamento de dois metros entre plantas e de quatro metros entre fileiras, com plantas tutoradas. No período seco, tem se utilizado o uso de irrigação por gotejamento. A produção tem sido menor no período de chuva intensa, pois prejudica a polinização.

O ômega 3

A médica Evelyn de Paula, que possui pós-graduação em nutrologia, explica que o ômega 3 trabalha no organismo humano na prevenção das doenças do risco cardiovascular e na prevenção de algumas enfermidades neurodegenerativas como, por exemplo, a doença de Parkinson e o mal de Alzheimer e outras demências em geral. A nutróloga esclarece que o ômega 3 é um ácido graxo essencial e, assim como os aminoácidos essenciais, nosso corpo não produz essa substância, mas absorve de fontes externas por meio da alimentação ou da suplementação. O ômega 3 é mais encontrado em alguns peixes, principalmente os de águas geladas e profundas. Sardinha, salmão e arenque são exemplos que mais se destacam com a substância. Porém, pesquisas com peixes amazônicos têm indicado também a presença de ômega 3, em menor quantidade. Alguns vegetais contêm a substância, ainda em menor quantidade que nos peixes. A linhaça é uma das fontes vegetais de ômega 3, além da Sacha Inchi.

 

Síglia Souza (MTb 066/AM)
Embrapa Amazônia Ocidental

Telefone: (92) 3303-7852

Oportunidade na Piscicultura em Rondônia

O ministério da agricultura suspendeu a venda de pescado brasileiro para a União Européia desde o dia 3 de janeiro de 2018, trata-se de uma medida de proteção desse mercado, que corria o risco de ser fechado por decisão unilateral do órgão sanitário daquele bloco econômico.

Na ultima visita sanitária dos europeus aqui no Brasil, em setembro de 2017, foi constado que algumas indústrias de processamento de pescado e um percentual importante das embarcações pesqueiras brasileiras estavam operando em desconformidade com os protocolos estabelecidos para a produção e processamento do pescado destinado a  exportação  para a união européia, e para evitar maiores prejuízos nesse mercado o MAPA decidiu suspender a venda,  e implementar ações de implantação das medidas recomendadas pelos auditores da missão européia.

A medida que a principio pode parecer ruim, na verdade apresenta vários pontos positivos para o caso particular de Rondônia, só tem vantagens, porque além de corrigir imperfeições no sistema e adequar a infra-estrutura de produção, o ministério também está solicitando dos europeus o reconhecimento da diferença entre peixes de piscicultura e o produto de captura na natureza.

O reconhecimento da separação entre os sistemas de produção de peixes em piscicultura e o conseguido através da captura na natureza  é muito importante, porque são matrizes totalmente diferentes, o que pede normas e exigências sanitárias também diferentes, e até agora os europeus tratam de maneira igualitária, muito embora os riscos e contaminantes não sejam os mesmos, para os produtos da aqüicultura e de captura.
Rondônia ainda não é um estado exportador para a União Européia, mas é fundamental que se prepare adote as normas rigorosas exigidas pelo bloco europeu, porque não só pode habilitar a produção do estado para o mercado consumidor mais importante, como pode dá status de excelência ao produto rondoniense, facilitando a entrada em qualquer outro grande mercado consumidor.

O momento é para aproveitar o debate sobre a sanidade e controle de riscos da produção pesqueira e implantar protocolos seguros de produção e processamento para garantir participação rondoniense nas exportações brasileiras, já que Rondônia detém a vice liderança na produção de peixes de aqüicultura no Brasil.

texto Enoque de Oliveira
fotos Irene Mendes

Peixes da Amazônia terão melhoramento genético

Tambaqui e Pirarucu serão os primeiros que receberão o melhoramento

Um projeto da Universidade Federal Rural da Amazônia pode contribuir com a preservação e até mesmo ampliar a exportação de peixes.

 

Pesquisadores da universidade trabalham na criação de um banco de perfil genético, inicialmente de matrizes de tambaqui e pirarucu, para a criação de alevinos (peixes recém-saídos do ovo). O objetivo do projeto é o melhoramento genético de peixes da Amazônia.

 

O coordenador do projeto, Igor Hamoy, explica que os peixes serão mapeados e muitos deles receberão um chip para possibilitar o melhoramento genético para fins comerciais.

 

Os piscicultores terão um login e uma senha que avaliará, dentro do banco genético, as melhores possibilidades de produção do tambaqui e do pirarucu.

 

“Os peixes da Amazônia, quando comparados com animais como a tilápia, têm uma performance zootécnica menor. A tilápia é um animal que vem passando por melhoramento há mais de 20 anos. A solução não é criar tilápia na Amazônia, mas é melhorar geneticamente de nossos animais nativos, como o tambaqui, e esse projeto é um embrião disso”, destacou Igor Hamoy.

O coordenador do projeto acrescenta que o investimento na pesquisa sobre o perfil genético dos peixes vai fortalecer outros estudos da universidade.

“Estamos comprando um sequenciador de DNA, um dos mais modernos que existe, em termos de equipamento. Também em termos de formação de recursos, neste projeto vai ter aluno de mestrado e do doutorado da Universidade Federal Rural da Amazônia e da UFPA – Universidade Federal do Pará -, colaboradora nossa.”

O projeto do banco de perfil genético de peixes conta com financiamento de R$ 1 milhão, e as informações da pesquisa serão disponibilizadas gratuitamente na internet até 2019.

Ministério da Agricultura determina suspensão da exportação de pescado para a União Europeia a partir do dia 3

A exportação de pescado para a União Europeia será suspensa a partir do próximo dia 3 de Janiero em razão de auditoria realizada em setembro pelos europeus que apontou irregularidades sanitárias no produto brasileiro.

A suspensão, temporária, foi determinada pelo Ministério da Agricultura, que adotará um plano de ação a fim de responder aos questionamentos, dar solução para os problemas identificados e tentar evitar uma suspensão unilateral da exportação pela União Europeia.

Os principais peixes brasileiros vendidos para o exterior são o atum, a lagosta e o tamboril, o chamado “peixe-sapo”.

A maioria das empresas produtores fica no litoral situado entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul. Mas o estado que mais exporta para a União Europeia é Santa Catarina, onde os fiscais europeus fizeram a auditoria.

Por amostragem, eles foram a dez empresas e identificaram irregularidades em seis. Os problemas apontados são relacionados à estrutura dos estabelecimentos, manuseio e falhas nos barcos pesqueiros.

Não foram fiscalizados peixes de cultivo, como a tilápia, mas todo o mercado está impedido de exportar.

O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura, Francisco Medeiros, foi nesta terça ao Ministério da Agricultura para pedir que o governo atue a fim de reverter a medida.

Ele defende a suspensão da exportação somente de unidades produtoras que, de fato, apresentem problemas.

“A maioria das plantas estão funcionando dentro da legalidade, inclusive com certificações europeias e americanas, e não justifica essa proibição”, declarou.

A exportação de pescados para a União Europeia movimenta US$ 62 milhões por ano, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado.

O diretor da entidade, Christiano Lobo, a medida pode afetar outros mercados que importam pescado do Brasil.

“Se houver uma contaminação para outros mercados, a gente está falando de um prejuízo muito grande para o Brasil, de uma cadeia que consome mão-de-obra intensiva, como é a de pescados”, afirmou.

 Segundo ele, em vez de adotar uma “tão drástica”, o Ministério da Agricultura poderia solicitar correções aos estabelecimentos nos quais as deficiências são normalmente encontradas.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luis Eduardo Rangel, disse que não foram encontrados sinais de contaminação no pescado e que o governo vai montar um plano para resolver os problemas.

“A gente verifica com muita profundidade o produto. Mas os europeus então levantaram os seus olhos para as estruturas que envolvem o que nós entendemos ter uma correlação importante com a qualidade do produto”, disse.

“Então, o ministério vai agora mudar inclusive a sua forma de fazer a fiscalização, intensificando modelos de fiscalização que preservem essas exigências, esse nível de excelência que o europeu gostaria de ver. E aí todo mundo ganha com isso, inclusive o consumidor brasileiro”, declarou.

Fonte: Ministério da Agricultura

Governo de Rondônia realiza ações para o desenvolvimento comercial de peixes na região de Nova Mamoré e Guajará-Mirim

 “Como vender o meu peixe” foi o tema abordado pela bióloga Ilce Santos de Oliveira, especialista em piscicultura, durante o Seminário organizado pelo Governo de Rondônia em parceria com as prefeituras de Nova Mamoré Guajará-Mirim, para criadores de peixes da região de Nova Mamoré e Guajará-Mirim.

O evento que ocorreu na Câmara de Vereadores de Nova Mamoré faz parte da mobilização de empresários, produtores e piscicultores da região para participarem na 5º Rodada de Negócios de Tambaqui de Rondônia, que ocorrerá em março do ano que vem, na cidade de Porto Velho.

“Estou aqui para explicar e apresentar a vocês quais são as exigências e as condições que temos que seguir para atender os grandes compradores de peixes do nosso pais”, destacou Ilce Oliveira, uma das coordenadoras do grupo técnico instituído para promover o setor. O grupo é formado por técnicos das secretarias estaduais de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Agricultura (Seagri), Emater, Idaron e Superintendência de Desenvolvimento (Suder).

Um dos maiores criadores de peixe de Nova Mamoré, Anaderli Vivan, disse que sempre participa dos eventos de piscicultura que o governo realiza para acompanhar as novidades. “É sempre bom estar antenado para nas novidades”, enfatizou Vivan.

“Hoje em meia hora de prosa eu aprendi como negociar o meu peixe”, disse, rindo, o criador de tambaqui José dos Passos, morador da Terceira Linha do Ribeirão, localizado no KM 14, também na região de Nova Mamoré.

“Pensei que era só criar o peixe mas com essa palestra aprendi que tem toda uma metodologia e cuidados a seguir”, comentou Wanderleia de Oliveira da Cruz, acadêmica do sexto período de gestão ambiental da Unir.

Ilce explicou que a ideia da Rodada de Negócios é juntar os produtores de peixes do estado com os principais compradores. “No primeiro dia da terceira edição da Rodada de Negócios que foi realizado em dezembro do ano passado, em Ariquemes, fechamos mais de 11 milhões de reais em vendas em um só único dia durante de evento”, comentou Ilce. Já na 4ª edição da Rodada de Negócios realizado no mês de outubro, em Ji-Paraná, Ilce disse que foram fechado mais de 8 milhões em negócios.

O objetivo da realização da 5ª edição da Rodada de Negócios é comercializar o peixe dos criadores de Cujubim, Itapoã do Oeste, Candeias do Jamari, Porto Velho, Jaci-Paraná, Nova Mamoré e Guajará-mirim.

Estiveram presentes no evento o prefeito de Nova Mamoré, Claudionor Leme Rocha, o vereador Altamir Fochesatto (presidente da Câmara de Vereadores), Almir Rodrigues (sec. municipal de agricultura de Nova Mamoré), José Wirles Varão (presidente da Associação Comercial de Nova Mamoré), Chico Dias (sec. municipal de Guajará-mirim), Haroldo S. Ramos (Sepog), Luis Alberto Ruiz Duram (reitor da Universidade Autônoma de Beni/Bolivia), Rolando Villar (professor da UAB/Bolivia), acadêmicos da Unir e produtores de peixe da região.

Já na manhã desta quinta-feira, a equipe técnica do governo realizou reunião com a direção da Colônia de Pescadores de Guajará-mirim, Geronima Melo da Costa e Lucien Pereira Zamora, para falar sobre a piscicultura e a 5ª edição da Rodada de Negócios.

 

Fonte

Texto: Marcelo Gladson
Fotos: Marcelo Gladson
Secom – Governo de Rondônia

Pesquisador identifica mais de 400 substâncias secretadas da cabeça do pirarucu

Um importante passo no caminho da domesticação do pirarucu (Arapaima gigas), o maior dos peixes nativos do Brasil, foi dado pelo pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), Lucas Simon Torati: a descoberta de hormônios, proteínas, peptídeos e prováveis feromônios no líquido secretado pela cabeça de animais adultos. O cientista analisa a hipótese de que os alevinos devem se beneficiar diretamente dessa secreção, por causa da sua composição bioquímica. A pesquisa identificou mais de 400 proteínas secretadas pelo peixe. A descoberta foi publicada na revista científica Plos One.

Em sua tese de doutorado defendida na University of Stirling, na Escócia, Torati conseguiu demonstrar que essa secreção contém esteroides sexuais possivelmente usados como feromônios, os hormônios que servem para provocar atração para o acasalamento. O cientista observou que sempre que o nível desses hormônios estava alto no sangue, também se elevava na secreção da cabeça. Tal revelação, inédita nos meios científicos, comprovou o caráter singular do pirarucu. Em geral, os peixes liberam os feromônios pelo sêmen ou pela urina, mas em nenhuma outra espécie foi identificada a sua presença no líquido da cabeça.

A pesquisa também constatou que o muco possui proteínas que podem beneficiar os alevinos, o que seria uma das causas que justificaria a presença constante de filhotes no topo da cabeça do peixe. “Nessa região há cavidades que, quando apertadas, liberam uma espécie de leite pelos poros. Começaram a surgir diversas hipóteses, como a de que os alevinos se alimentam desse líquido, uma espécie de lactação. Filhotes de acará-disco comem o muco da cabeça dos pais, mas não há muitos dados validando essa hipótese no caso do pirarucu”, conta Torati. “Inclusive não há nem uma terminologia científica para se referir a essa secreção que o peixe libera pela cabeça”, comenta.

Grande parte da pesquisa foi conduzida em colaboração com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) do Ministério da Integração Nacional, que mantém um centro de pesquisas em aquicultura no município cearense de Pentecoste, a 85 quilômetros de Fortaleza. A parceria permitiu que o cientista monitorasse esteroides sexuais de 20 casais.

Proteínas para o sistema imunológico

A pesquisa também avançou no estudo da relação da secreção com o cuidado parental, tratado no artigo científico da Plos One. Pela primeira vez, foi identificada a presença de proteínas e peptídeos nesse muco, o que, segundo Lucas Torati, apesar de sua reduzida quantidade, poderia beneficiar os alevinos, na medida em que há diversas proteínas do sistema imunológico do pirarucu adulto. Essa seria uma das causas de os filhotes ficarem próximos à cabeça do macho. “A composição da secreção poderia beneficiar o sistema imunológico dos alevinos. Outra razão de eles estarem sempre na cabeça do macho é para serem protegidos. O maior predador dos filhotes são as aves, e quando o pirarucu está fazendo cuidado parental, a cabeça do pai fica mais escura, camuflando sua cria”, destaca Torati.

Os estudos também identificaram a presença de prolactina na secreção, que em outras espécies está ligada ao cuidado dos pais com sua prole. Na tilápia (Oreochromis niloticus), por exemplo, o aumento desse hormônio está relacionado à elevação do muco do qual os alevinos se alimentam. “No caso do pirarucu não sabemos se isso ocorre com a secreção da cabeça, mas agora pelo menos conseguimos levantar essa hipótese a partir da nossa descoberta”, comenta o pesquisador.

A caracterização da diversidade genética em populações naturais também foi alvo de pesquisas. Para isso, foram utilizadas ferramentas de sequenciamento de nova geração. Torati explica que, dependendo do lugar onde vive o pirarucu, sua diversidade genética muda. “Observamos que populações do Rio Amazonas e do Solimões possuem uma diversidade genética muito maior do que a do Rio Araguaia. E a região de Tucuruí, que está no meio dessas duas bacias, apresenta diversidade genética intermediária”, relata.

O estudo foi consistiu de sequenciamento de DNA. Os marcadores gerados a partir do genoma foram usados para entender a variação genética de populações do Tucuruí, Araguaia, Amazonas, Solimões e de uma população de cativeiro. Com isso, foi possível caracterizar esses estoques e os marcadores moleculares gerados, do tipo SNP, terão utilidade futura na identificação de reprodutores e caracterização de sua diversidade genética.

Gigante misterioso

O pirarucu é um peixe amazônico cheio de mistérios. Tema de lendas indígenas e sustento de populações ribeirinhas da região Norte, a espécie, ameaçada de extinção, ainda gera muitas dúvidas na sua morfologia, fisiologia e reprodução.

Originário das bacias do Amazonas, Tocantins-Araguaia e de Essequibo, na Guiana Francesa, o pirarucu (Arapaima gigas) é o maior peixe de escamas de água doce do planeta, com rápido ganho de peso, chegando a 250 quilos e três metros.

Segundo relatos indígenas, o macho e a fêmea liberam uma espécie de leite na cabeça no período de cuidado parental com os filhotes. O pesquisador da Embrapa identificou apenas uma secreção aquosa translúcida. “Sempre ouvi relatos de que ela é leitosa e branca, porém, nas amostras que coletei, ela se apresentou como aquosa e mucosa. É como se fosse uma água mais viscosa”, detalha o pesquisador.

“Certa vez fomos fazer um dia de campo em Manaus (AM) e, na ocasião, eu perguntei para alguns indígenas, que passam o dia inteiro na canoa vendo pirarucu, sobre o que eles achavam dessa secreção. Eles me atestaram que era um leite que você vê saindo na água”.

Clique aqui e confira o pesquisador Lucas Toratti fala sobre as substâncias secretadas pelo pirarucu e suas prováveis funções

Elisângela Santos (MTb:19.500/RJ)
Embrapa Pesca e Aquicultura
pesca-e-aquicultura.imprensa@embrapa.br
Telefone: (63) 32129-7834

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Criada a Câmara Setorial da Produção e Indústria de Pescado

Foi publicado nesta segunda feira (13 de novembro) no Diário Oficial da União, a criação de uma Câmara Setorial da Produção e Indústria de Pescado, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Segundo o portal da SEAGRI, uma câmara setorial constitui-se de um fórum composto por entidades representativas dos elos da cadeia produtiva, que tem por finalidade propor, apoiar e acompanhar ações para o desenvolvimento das atividades da cadeia, além de servir como órgão consultivo do governo.

Com a criação de uma câmara setorial voltada ao setor, espera-se um espaço para discussão organizada entre o setor privado e o setor público sobre as demandas existentes na atividade; melhor estruturação dos diferentes elos das cadeias; aprimoramento das políticas públicas e dos serviços voltados ao setor agropecuário e solução de conflitos por meio de negociações.

Fonte: Câmara setorial