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Uso de chapéu no campo não foi proibido; veja o que diz a lei

“Chapéu não é enfeite, é cultura e tradição”. Frases como essa são repetidas em vídeos nas redes sociais nos últimos dias. Os produtores rurais estão preocupados com uma série de notícias que afirmam que uma nova lei obriga o uso de capacete no lugar do acessório. Contudo, a informação não é verdadeira.

A legislação que trata da segurança do trabalhador rural já existe há mais de 20 anos. Ela foi criada em 2005 e é conhecida como Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31).

Segundo a norma, o empregador deve fornecer os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A escolha depende da atividade exercida e de análises técnicas sobre os riscos envolvidos. É considerado o uso de:

👷🏻capacete para prevenir impactos causados por quedas ou objetos.

Ou seja, o uso de ambos é previsto pela lei.

Em nota, o Ministério do Trabalho informou que a norma não determina o uso obrigatório e indiscriminado de capacete para todos os trabalhadores rurais.

“Não há qualquer dispositivo normativo que determine sua adoção universal no meio rural. A norma prevê, na verdade, a implementação de medidas de prevenção proporcionais aos riscos identificados”, diz a nota.

O programa exige a identificação dos perigos nas atividades rurais e a definição das medidas para controlar esses riscos.

“Assim, se em determinada atividade o risco avaliado for de trauma craniano por queda ou impacto (por exemplo, ocorre com os peões de rodeios), a medida de prevenção indicada no PGRTR poderá ser o uso do capacete de segurança, como EPI adequado”, explica a CNA.

Da mesma forma, quando há grande exposição ao sol, o chapéu é o equipamento mais indicado.

Apesar de, ao longo dos anos, a NR-31 passar por atualizações, nenhuma delas determinou a proibição do chapéu pelo produtor rural, aponta a CNA.

De mesmo modo, nenhuma profissão ou atividade específica é citada na lei e o uso dos equipamentos é sempre relacionado aos tipos de riscos que os profissionais são expostos.

O Ministério do Trabalho explica que a prevenção de riscos segue três etapas:

  • primeiro, a eliminação ou redução do risco na origem;
  • depois, a adoção de medidas de proteção coletiva;
  • e, por último, quando isso não for suficiente, o uso do EPI adequado.

Todos os equipamentos de proteção devem ser fornecidos pelo empregador.

Alguns vídeos que circulam no TikTok afirmam que não houve mudança na lei, mas sim uma alteração na interpretação da fiscalização, o que tornaria obrigatório o uso de capacete para peões.

Segundo o Ministério do Trabalho, essa informação também não é verdadeira.

Em nota, o diretor do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho do MTE, Alexandre Scarpelli, disse que a atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho é “pautada por critérios técnicos e legais, com foco na proteção da saúde, da segurança e da vida dos trabalhadores, sem imposições arbitrárias ou desconectadas da realidade das atividades rurais”.

De resto de açougue a iguaria valorizada, pé de galinha virou ‘negócio da China’ para o Brasil

Eu acho engraçado que quando os meus pais vieram para o Brasil, em 1998, o pé de galinha era dado de graça no açougue. Tinha muita sobra, minha mãe pegava um monte”.

A lembrança é da chef Jiang Pu, hoje moradora da zona sul da cidade de São Paulo, onde já chegou a pagar R$ 14 pelo quilo do pé de galinha, muito tradicional e valorizado na cultura alimentar de sua família.

No atacado, o produto tem saído mais em conta. Em 2026, o preço médio praticado no estado chegou a R$ 5,75. Ainda assim, o valor é 41,3% mais alto que a média registrada em 2020, início da série histórica levantada pelo analista Fernando Iglesias, do Safras & Mercado.

A valorização reflete um dos efeitos que a abertura comercial da China teve sobre a indústria brasileira, há mais de duas décadas.

Em 2009, o país asiático autorizou o Brasil a exportar carne de frango e, desde então, o que antes era resto para açougues e frigoríficos virou um negócio lucrativo, conta Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Só no ano passado, a indústria nacional faturou US$ 221 milhões com a venda do pé de galinha para a China, principal comprador do miúdo, segundo o Ministério da Agricultura. O valor representou um aumento de 9,5% em relação às vendas de 2024.

“A China é o mercado que melhor remunera o pé de galinha, pagando cerca de US$ 3 mil por tonelada”, diz Santin.

A África do Sul, segunda maior compradora do produto brasileiro, paga em média US$ 2 mil pela tonelada.

Apesar de importar bem menos que a China, o país mais que quadriplicou as compras em 2025, na comparação com 2024, atingindo US$ 49 milhões.

Mas a valorização do pé de galinha não tem a ver só com a exportação.

O aumento de preço também é explicado pelo crescimento da indústria pet no Brasil, que usa o pé de frango para produzir farinhas de ração animal, destaca Santin.

“O pé de galinha que não é exportado, é destinado principalmente à indústria pet”, diz.

Pé de galinha como snack na China

Pés de frango embalados a vácuo e prontos para consumo. Haikou, Hainan, China. — Foto: Anna Frodesiak

Pés de frango embalados a vácuo e prontos para consumo. Haikou, Hainan, China. — Foto: Anna Frodesiak

No país asiático, o pé de galinha é bastante apreciado na forma de petisco, como um “snack” para enganar a fome e “passar o tempo”, cumprindo um papel semelhante ao do amendoim para um brasileiro.

“Você come o pé de galinha chupando, roendo ele, então demora um pouquinho. É para quando está com vontade de mastigar alguma coisa”, conta Jiang.

Na China, o produto já é vendido embalado e temperado, em pacotes individuais, e pode ser encontrado com facilidade em lojas de rua, como rotisseries, e até em máquinas automáticas em estações de metrô e shopping centers.

Em reuniões familiares, Jiang prefere usar o pé de galinha como entrada, geralmente em saladas.

“Ele nunca é servido como prato principal. Não é um alimento que sustente uma refeição”, explica a consultora, que ficou nacionalmente conhecida durante a sua participação no MasterChef Brasil, em 2015.

Para prepará-lo, ela retira todos os ossos e mantém apenas a pele. “A textura fica crocante, lembra um pouco pele de porco”, compara.

Além do consumo direto, o pé de galinha também é usado na culinária chinesa para engrossar caldos. Rico em colágeno, ele ajuda a dar textura mais densa e gelatinosa às sopas, que depois podem servir de base para outros preparos.

Além da China, o pé de galinha também é consumido em outras regiões da Ásia, como Hong Kong, Vietnã, Coreia do Sul e Filipinas — destinos para os quais o Brasil exporta volumes bem menores em comparação ao mercado chinês.

 

Imagem do prato sul-africano Maotwana. — Foto: Picknpay/Reprodução/Instagram
Imagem do prato sul-africano Maotwana. — Foto: Picknpay/Reprodução/Instagram

Na África, o Brasil também exporta pé de galinha para Libéria, Serra Leoa, Moçambique e Guiné, mas o principal mercado é mesmo a África do Sul.

No país, o pé de galinha é protagonista em diversos pratos, como no “walkie-talkie”, nome que faz referência às partes do frango usadas na receita: o pé, associado ao verbo inglês walk (andar), e a cabeça, ligada a talk (falar).

No país, ele também pode ser encontrado pelos nomes “runaway” ou “Maotwana”.

“Diferente da China, onde o pé é apreciado na textura crocante, na África do Sul ele é bem cozidinho e ensopado, lembra o ensopado mineiro”, conta Mariana Bahia, representante da Câmara de Comércio Brasil – África do Sul.

Os walkie-talkies, como muitos pratos populares da culinária da África do Sul, estão ligados ao período colonial. O país foi invadido pelos holandeses em 1652 e, mais tarde, no século 19, colonizado pelos britânicos.

“Devido à segregação, a população negra não tinha acesso aos cortes de carne considerados ‘nobres’. Então eles desenvolveram uma série de possibilidades para o uso de miúdos na cozinha, como pé e pescoço. É uma culinária muito criativa”, diz Mariana.

“Os pratos são bem caprichados e temperados, com muitas especiarias como curry, páprica moída, cúrcuma e gengibre”, acrescenta.

No país, os pés de galinhas também são servidos com o “pap”, uma polenta de milho, que funciona como base de carboidrato para acompanhar carnes e miúdos.

Ela destaca que, em todo o continente africano, é comum que as pessoas consumam todas as partes de um animal devido às “dificuldades históricas de acesso a alimentos.”

Essa prática também está na base da cultura chinesa, diz Jiang.

“A China é um país com uma longa história, atravessada por muitas guerras e desastres naturais. Isso forçou as pessoas a fazerem o melhor possível com o que tinham, aprendendo a aproveitar frutas, legumes e carnes de forma integral”, conta Jiang.

 

Porto Velho prepara entrega de mudas de cacau para agricultores familiares

A secretaria implantou uma estufa de cerca de 750 metros quadrados e promoveu ajustes no acesso interno da área
A secretaria implantou uma estufa de cerca de 750 metros quadrados e promoveu ajustes no acesso interno da área

A Prefeitura de Porto Velho avança na execução do projeto “Fomenta Cacau”, voltado ao fortalecimento da produção de cacau no município.
A iniciativa trata da produção de mudas clonais de cacau em viveiro mantido pelo município. Para isso, a secretaria implantou uma estufa de cerca de 750 metros quadrados e promoveu ajustes no acesso interno da área, o que facilita o manejo, o transporte e a organização do trabalho. A estrutura e a condução das atividades ficam sob responsabilidade da Semagric.

Segundo o gerente de Projetos Ambientais da secretaria, Paulo Galvão, a ação chegou a um momento decisivo. “Já iniciamos o enchimento das sacolas com substrato preparado para receber as sementes e o material vegetal. A expectativa é que, dentro de um prazo estimado entre seis e oito meses, as mudas estejam aptas para serem distribuídas aos produtores rurais”, afirmou.

Iniciativa trata da produção de mudas clonais de cacau em viveiro mantido pelo município
Iniciativa trata da produção de mudas clonais de cacau em viveiro mantido pelo município

A entrega das mudas ocorre de forma compartilhada entre os parceiros, conforme o plano de trabalho do projeto. Uma parte segue para produtores atendidos pelo Senar de Rondônia, que já possui agricultores cadastrados. Outra parcela permanece no viveiro como contrapartida institucional. O restante fica sob gestão da Semagric, que fará a distribuição por meio de edital de chamamento público.

A entrega das mudas ocorre de forma compartilhada entre os parceiros, conforme o plano de trabalho do projeto
A entrega das mudas ocorre de forma compartilhada entre os parceiros, conforme o plano de trabalho do projeto

De acordo com o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Rodrigo Ribeiro, o processo seguirá critérios técnicos e regras claras. “A Semagric vai lançar um chamamento público para que os agricultores interessados possam se cadastrar. Entre os critérios estão o tamanho da área produtiva, sendo que um hectare poderá receber até mil mudas e meio hectare, 500 mudas, além da regularidade documental e do real interesse em produzir”, disse.

O projeto ocorre por meio de acordo de cooperação entre a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Rondônia e o Instituto de Desenvolvimento Socioambiental, Saúde, Educação e Sustentabilidade da Amazônia.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Jean Carla Costa

Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)

Mais de 50 toneladas de adubo são entregues pelo governo de RO para produtores da comunidade Rancho Alegre

Os produtores rurais da comunidade do Rancho Alegre, receberam 59 toneladas de adubo do governo de Rondônia, com o objetivo de melhorar as condições nas propriedades rurais, contribuindo para a sustentabilidade e aumento da produtividade da renda familiar. A entrega aconteceu no sábado (31), na Associação dos Produtores Rurais Nova Esperança (Asprone), em Candeias do Jamari.

A ação faz parte das políticas públicas desenvolvidas por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), voltadas ao fortalecimento do pequeno produtor, garantindo a melhoria de cultivo e o aumento da produtividade e renda dos moradores rurais. O insumo entregue será utilizado principalmente nas lavouras de subsistência e na produção comercial das famílias atendidas.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, os investimentos na agricultura familiar fortalecem a economia do estado e garantem mais desenvolvimento para Rondônia. “A entrega de insumos ajuda a reduzir os custos para o produtor e ampliam as oportunidades de crescimento no campo”, salientou.

O secretário de Estado da Agricultura, Luiz Paulo, ressaltou que a atuação da gestão tem sido estratégica para levar suporte direto e atender as principais demandas dos produtores. “A Seagri tem atuado de forma próxima aos agricultores, levando assistência, adubo e apoio técnico. O objetivo é garantir que o produtor tenha condições de produzir mais e melhor, com sustentabilidade e qualidade de vida para sua família.”

Moradores da comunidade também destacaram a importância da ação para o fortalecimento da produção local. O morador Aucemir Almeida, agradeceu ao governo do estado pelo apoio recebido. “A gente realmente precisava desse apoio para ajudar a comunidade e melhorar a produção”, disse.

Já a moradora Laudicene Domingos, destacou a satisfação com os insumos recebidos e os benefícios para o trabalho no campo. “Estou muito feliz com essa benfeitoria. O adubo vai ser muito bem utilizado na nossa produção. Só temos a agradecer ao governo de Rondônia por essa ação que ajuda tanto a gente.”

Do campo à cidade, organização fiscal é chave para o crescimento do agronegócio

A assessoria contábil adequada permite que associações e cooperativas estejam aptas a firmar convênios
A assessoria contábil adequada permite que associações e cooperativas estejam aptas a firmar convênios

O crescimento do agronegócio brasileiro, que envolve desde grandes empresários rurais até agricultores familiares, associações e cooperativas, depende cada vez mais de um fator essencial, a organização da vida fiscal e contábil. Em um cenário de constantes mudanças na legislação, quem atua no campo precisa estar atento às obrigações legais para garantir sustentabilidade, acesso a políticas públicas e segurança financeira.
É nesse contexto que a MAX Assessoria Contábil LTDA-ME vem ampliando sua atuação e se consolidando como referência em soluções contábeis estratégicas voltadas tanto para empresas urbanas quanto para o setor rural. Com presença em Rondônia e atendimento em estados como Acre, Amazonas, Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Santa Catarina, a empresa acompanha de perto a realidade de quem produz no campo e movimenta a economia regional.

Em Rondônia, a MAX atende empresários do agronegócio e produtores de vários estados brasileiro
Em Rondônia, a MAX atende empresários do agronegócio e produtores de vários estados brasileiro

Em Rondônia, a MAX atende empresários do agronegócio e produtores rurais em municípios como Porto Velho, Candeias do Jamari, Ariquemes, Machadinho do Oeste, Ouro Preto do Oeste, Rolim de Moura, Guajará-Mirim, Nova Mamoré, além de distritos estratégicos como União Bandeirantes, Vista Alegre do Abunã e Nova Califórnia, regiões onde o campo é base da geração de renda e empregos.

Empresária Silvana Mattiuzi, responsável pela MAX Assessoria Contábil em Rondônia
Empresária Silvana Mattiuzi, responsável pela MAX Assessoria Contábil em Rondônia

Segundo a empresária Silvana Mattiuzi, responsável pela MAX Assessoria Contábil, cuidar da vida fiscal deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade para quem produz no campo. “O produtor rural, o agricultor familiar e as cooperativas precisam entender que a contabilidade é uma aliada. É ela que permite acesso a crédito rural, participação em editais, regularidade para vender à iniciativa privada e ao poder público, além de evitar multas e prejuízos”, destaca.
A assessoria contábil adequada permite que associações e cooperativas estejam aptas a firmar convênios, receber recursos, prestar contas corretamente e manter a confiança dos associados. Já para o agricultor familiar, a regularização fiscal garante tranquilidade para produzir, vender e crescer com segurança. “Uma contabilidade bem feita protege o produtor, organiza o negócio e ajuda a planejar o futuro. No campo, isso significa mais investimento, mais renda e mais desenvolvimento para as famílias e comunidades rurais”, reforça a empresária.

A MAX Assessoria Contábil LTDA-ME vem ampliando sua atuação e se consolidando como referência em soluções contábeis estratégicas
A MAX Assessoria Contábil LTDA-ME vem ampliando sua atuação e se consolidando como referência em soluções contábeis estratégicas

Com uma atuação que vai além do cumprimento de obrigações fiscais, a MAX Assessoria Contábil oferece orientação estratégica, planejamento tributário e suporte contínuo, ajudando empresários do agronegócio e produtores rurais a transformar produção em crescimento sustentável.

Conselho de Desenvolvimento Rural faz avaliações e planeja 2026

A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric) de Porto Velho realizou, na última sexta-feira (30), no auditório da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), a reunião ordinária do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural (CMDR). O encontro reuniu representantes de mais de 30 instituições ligadas ao setor agropecuário do município, entre órgãos públicos, entidades financeiras, empresas e associações de produtores rurais.

De acordo com o secretário da Semagric, Rodrigo Ribeiro, a reunião marcou um momento estratégico para a pasta, especialmente após mudanças recentes na estrutura administrativa. “Apresentamos ao conselho transformações importantes, como a separação administrativa da Sema e a nova composição organizacional da Semagric. Isso fortalece nossa atuação no campo e melhora o atendimento ao produtor rural”.

Programa Porteira Adentro em foco

De acordo com o Rodrigo Ribeiro, a reunião marcou um momento estratégico para a pasta
De acordo com o Rodrigo Ribeiro, a reunião marcou um momento estratégico para a pasta

Entre os principais pontos da pauta esteve a prestação de contas do Programa Porteira Adentro, considerado o principal instrumento da atual gestão no apoio aos produtores rurais. Durante a reunião, foram detalhadas as propriedades já atendidas e as atividades executadas.

O programa oferece serviços de mecanização agrícola voltados à agricultura familiar, com uso da frota de tratores e implementos da Semagric. Em 2025, o Porteira Adentro consolidou sua execução em escala, seguindo critérios definidos pelo Decreto nº 31.017.

Para Pedro Bordalo, presidente das Associações de Produtores Rurais de Porto Velho, o programa tem impacto direto no campo. “O Porteira Adentro faz diferença real na vida do produtor. A mecanização reduz custos, aumenta a produtividade e traz mais dignidade ao trabalho rural. A expectativa é que o programa continue crescendo”.

Transporte da produção e apoio às associações

Para Pedro Bordalo, o programa tem impacto direto no campo
Para Pedro Bordalo, o programa tem impacto direto no campo

Outro tema debatido foi o transporte da produção agrícola, incluindo o transporte de calcário, demanda recorrente das associações. Segundo a Semagric, diversas associações já foram atendidas, e o planejamento é ampliar esse serviço.

Também foram apresentados os resultados das oficinas e capacitações realizadas em 2025, como o Workshop de Meliponicultura, Encontro da Mandiocultura, Oficinas de Agroecologia, Oficina Alimenta Cidades e o Agrotec, evento que movimentou a economia local e fortaleceu o setor agropecuário.

A reunião também iniciou a definição das prioridades da agricultura familiar para 2026, com foco no planejamento participativo. “O conselho é o espaço democrático para ouvir quem está no campo e transformar essas demandas em políticas públicas efetivas”, reforçou o secretário.

Ricardo Botelho, ressaltou o papel do conselho
Ricardo Botelho, ressaltou o papel do conselho

Durante o encontro, foi debatida ainda a reestruturação dos membros do CMDR, com destaque para a necessidade de maior engajamento das entidades participantes. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porto Velho, Ricardo Botelho, ressaltou o papel do conselho. “O CMDR é um espaço fundamental de escuta e construção coletiva. A participação do trabalhador rural garante políticas mais alinhadas à realidade de quem produz”.

Projeto Cidadania Rural

Representantes da Secretaria de Estado de Finanças (Sefin) apresentaram orientações sobre o Projeto Cidadania Rural, que busca auxiliar produtores na emissão da nota fiscal do produtor rural, por meio da regularização cadastral, ampliando o acesso a direitos e à formalização da produção.

Atualmente, o CMDR é composto por órgãos governamentais, instituições financeiras, empresas públicas e mais de 15 associações e cooperativas de produtores rurais, representando diferentes regiões e cadeias produtivas de Porto Velho. A próxima reunião está agendada para o dia 27 deste mês.

Texto: Jean Carla Costa
Foto: Jean Carla Costa

Ação integrada fortalece agricultura familiar e desenvolvimento sustentável em Candeias do Jamari

Com o objetivo de orientar, atender e ampliar o acesso dos produtores rurais aos instrumentos de regularização de seus imóveis, o governo de Rondônia realizou, entre os dias 26 e 30 de janeiro, uma ação conjunta no município de Candeias do Jamari, com foco na regularização ambiental e inscrição no edital de Chamada Pública voltado aos agricultores familiares. A iniciativa foi organizada pelo Projeto Floresta+ Amazônia, em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), por meio da Coordenadoria de Monitoramento e Regularização Ambiental Rural (Comrar), visando ampliar o acesso às políticas públicas ambientais. As atividades também fortaleceram o entendimento dos agricultores sobre a regularização ambiental, promovendo informação, segurança jurídica e oportunidades de acesso a benefícios socioambientais.
Durante os atendimentos, a equipe técnica prestou esclarecimentos sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR), ferramenta essencial para a regularização das propriedades, já que muitos agricultores ainda desconhecem sua importância e finalidade. A ação de campo foi fundamental para propor aos agricultores o acesso ao projeto de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), Floresta + Amazônia, uma vez que o CAR é um dos critérios de elegibilidade, para que o agricultor familiar seja beneficiado.  Ao garantir a regularização ambiental, os agricultores passam a ter possibilidades de incentivos financeiros que reconhecem e valorizam a conservação da vegetação nativa, gerando renda, fortalecendo a produção sustentável e promovendo o desenvolvimento socioambiental das propriedades rurais.
O  governador de Rondônia, Marcos Rocha, salientou a importância de ações integradas que conciliam produção rural, inclusão social e preservação ambiental no estado. “Temos trabalhado para construir políticas públicas que aliem desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. Ações como essa fortalecem a agricultura familiar, garantem segurança jurídica aos produtores e contribuem diretamente para a conservação dos nossos recursos naturais, promovendo um futuro mais sustentável para o estado.”
INCENTIVO ÀS BOAS PRÁTICAS 
De acordo com o coordenador da Comrar, Geovani Marx Rosa, o  trabalho conjunto no apoio direto aos agricultores familiares tem sido fundamental para ampliar o alcance das ações voltadas ao desenvolvimento sustentável. “A iniciativa reforça o papel da Comrar na articulação entre instituições e no apoio direto aos agricultores familiares, levando orientação técnica, regularização ambiental e incentivo às boas práticas no campo. Esse esforço integrado é essencial para consolidar um modelo de desenvolvimento sustentável que gere renda, preserve o meio ambiente e valorize quem produz de forma responsável”, destacou.

 

Já o secretário da Sedam, Marco Antonio Lagos, disse que a ação reforça o compromisso das instituições parceiras com o fortalecimento da agricultura familiar e a conservação ambiental. “A iniciativa demonstra que é possível avançar na proteção ambiental sem deixar de lado quem vive e produz no campo. Nosso trabalho visa fortalecer a agricultura familiar, promover a regularização ambiental e valorizar as boas práticas que contribuem para a conservação dos nossos ecossistemas, garantindo desenvolvimento sustentável com inclusão social”, ressaltou. 

Para a coordenadora local do projeto, Naelha Sarmento, a ação foi fundamental para aproximar as políticas públicas da realidade dos produtores rurais. “Nosso principal objetivo é garantir que o agricultor familiar tenha acesso à informação e às oportunidades que muitas vezes não chegam até ele. A regularização ambiental é um passo essencial para trazer segurança, valorização da propriedade e acesso a programas como o PSA e essa parceria com a Sedam, fortalece o atendimento direto nas comunidades e contribui para um desenvolvimento mais sustentável para todos”, enfatizou.
PROJETO FLORESTA+ AMAZÔNIA
O Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), executada com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e financiamento do Fundo Verde para o Clima, que atua na promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal. A iniciativa incentiva a conservação das florestas, a recuperação de áreas degradadas e a valorização de boas práticas ambientais, por meio do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), reconhecendo e remunerando agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais que contribuem diretamente para a proteção da vegetação nativa e dos recursos naturais da região.

Indicadores de preços como infraestrutura de mercado: contribuições do Cepea ao setor lácteo brasileiro

O sistema agroindustrial (SAG) do leite vive um momento de transformação. A evolução do ambiente institucional (incluindo definições de padrões de qualidade em Instruções Normativas), o aumento da intensificação, da escala, da produtividade e da qualidade da base produtiva, e o contínuo processo de concentração nos segmentos produtivo e industrial têm alterado a estrutura do SAG, os padrões de concorrência e as estratégias dos agentes para lidar com as crescentes incertezas do mercado.

Em minha tese de doutorado, abordo a influência das incertezas na comercialização do leite cru e observo que elas estão relacionadas, sobretudo, às dificuldades dos agentes em avaliar (a) seu desempenho frente a concorrentes e fornecedores e (b) as flutuações de oferta e demanda, o que, por sua vez, se traduz em elevada volatilidade dos preços do leite cru. Esse contexto cria barreiras ao estabelecimento de relações de longo prazo entre produtores, cooperativas e indústrias, reduz o alinhamento entre agentes e eleva os custos de transação.

Diante disso, o setor tende a se organizar segundo uma lógica predominantemente de curto prazo, como forma de adaptação a mudanças imprevisíveis. Adota-se, assim, flexibilidade elevada nas relações comerciais e nos fatores de produção — o que, por um lado, permite resposta rápida a choques, mas, por outro, limita a coordenação entre segmentos, os ganhos de eficiência e a inovação no longo prazo. Em outras palavras, o setor lácteo brasileiro demonstra resiliência imediata, mas baixa capacidade de transformação estrutural, o que restringe sua evolução diante de incertezas prolongadas e mudanças de mercado.

Para reverter esse quadro, é necessário focar na mitigação da incerteza. E isso ocorre quando fatores geradores de incerteza passam a ser monitorados e mensurados, convertendo-se em informação. É o acesso dos agentes do SAG a informações de mercado que transforma a incerteza em risco — e o risco, ao contrário da incerteza, pode ser gerenciado.

Nesse sentido, a problemática setorial pode ser sintetizada pela elevada volatilidade das cotações, pela ausência de mecanismos eficientes de proteção e de gestão de riscos na comercialização e, portanto, pela necessidade de informações estratégicas e confiáveis que reduzam a incerteza na tomada de decisão, especialmente no que se refere à comercialização do leite cru e dos derivados lácteos. Em ambientes de alta volatilidade, referências comuns reduzem custos de negociação, organizam expectativas e ampliam a previsibilidade operacional.

A produção e a difusão de informação econômica confiável são, portanto, condição necessária para fortalecer a resiliência do SAG e viabilizar mecanismos mais sofisticados de governança e gestão de risco, como instrumentos de hedge e contratos futuros, por exemplo. No entanto, a eficácia desses mecanismos depende de um ecossistema institucional sólido: geração contínua de dados, transparência metodológica, educação de mercado e confiança entre os agentes.

É nesse ponto que se ancora a missão do Cepea — Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada[1]: elaborar séries históricas e indicadores de preços, contribuindo, assim, para reduzir assimetrias de informação, apoiar a tomada de decisão e favorecer a coordenação dos agentes do SAG no curto e no longo prazo.

Um indicador de preços tem como objetivo refletir o preço médio das transações observadas, capturando o comportamento competitivo dos preços — isto é, o preço efetivamente praticado no mercado. Por definição, sintetiza transações já realizadas (negócios efetivados), e não projeções ou referências futuras. Por isso, trata-se de instrumento estratégico em um contexto de incerteza: não apenas reporta cotações, mas amplia a capacidade de decisão e de planejamento dos agentes. Essas informações permitem mensurar desempenho, inferir condições de oferta e demanda e avaliar os impactos de diferentes estratégias de produção e comercialização. Ao se munirem de informação, os agentes compreendem melhor o cenário corrente e se preparam para cenários futuros, reforçando a resiliência no curto prazo e a capacidade de adaptação no longo prazo.

O Cepea conduz pesquisas em 32 cadeias agropecuárias e, no caso do leite, a estrutura de monitoramento abrange indicadores do preço do leite cru pago ao produtor; do leite cru negociado no mercado spot entre laticínios; e de preços de derivados lácteos negociados entre indústrias e canais de distribuição. Esse monitoramento do SAG do leite só é possível porque uma rede de produtores, cooperativas e laticínios compartilha dados com o Centro, de forma voluntária, para a geração das estatísticas. Também é viabilizado pelo apoio institucional e financeiro da OCB e da Viva Lácteos na elaboração de informativos, o que contribui para custear as atividades da equipe.

O indicador do preço do leite ao produtor tem grande impacto no setor, na medida em que a precificação do leite cru, principal matéria-prima dos laticínios, é cercada de incertezas. O preço do leite cru permanece elemento-chave da estratégia das firmas, sejam fazendas ou laticínios: reflete decisões de custo, capacidade produtiva e eficiência operacional, estratégias de diferenciação e segmentação e, também, a própria estrutura de governança.

O indicador do Cepea é calculado mensalmente com metodologia robusta, validada e pública, disponível no site da instituição. Trata-se de uma média ponderada pelo volume, construída a partir de uma rede de colaboradores (produtores, cooperativas e laticínios) que compartilha informações de forma contínua. Para se ter uma dimensão, mensalmente são coletadas mais de 65 mil informações de negócios efetivados, obtidas de forma voluntária junto a mais de 120 agentes do mercado. Esses agentes contribuem com a pesquisa porque recebem, como retorno, informações em prazo diferenciado e porque reconhecem a importância do indicador para o desenvolvimento do setor.

Além da metodologia, a robustez do indicador pode ser apreciada pela abrangência da amostra em termos de volume industrializado monitorado (em comparação com dados do IBGE). Atualmente, o Cepea monitora cerca de 65% do leite industrializado em Minas Gerais — ou seja, a cada 5 litros, aproximadamente 3 estão na amostra. No Rio Grande do Sul, a cobertura é de cerca de 80% — a cada 5 litros, 4 estão na amostra. Em Goiás, a cada 2 litros, 1 está na amostra. Na Bahia, a cada 3 litros, 1 está na amostra. No Paraná e em Santa Catarina, a cada 4 litros, 1 está na amostra. Em São Paulo, a cada 6 litros, 1 está na amostra do Cepea.

Uma forma objetiva de avaliar a representatividade do indicador do preço do leite pago ao produtor em relação ao mercado é observar o grau de correlação[2] entre o preço da matéria-prima (leite ao produtor e leite spot) e indicadores de produtos derivados. Observam-se coeficientes de correlação elevados, sugerindo forte co-movimento entre preços no campo e preços negociados entre indústrias e canais de distribuição. Em outras palavras, correlações altas com derivados e com o leite spot reforçam a aderência do indicador à realidade do mercado, ainda que diferenças de produto e canal impliquem intensidades de co-movimento distintas. Em conjunto, esses elementos ajudam a explicar por que o indicador do preço do leite ao produtor se consolidou como referência nacional e por que indicadores de lácteos (como UHT, leite em pó e muçarela) são acompanhados diária e semanalmente pelos agentes de mercado.

Esses aspectos reforçam, também, que a manutenção e o aprimoramento dessas pesquisas são estratégicos para a competitividade do setor lácteo brasileiro, sobretudo no que se refere à evolução das estruturas de governança envolvidas na transação do leite cru entre produtores, cooperativas e laticínios.

A maior parte das negociações ainda ocorre por meio de contratos informais, apoiados sobretudo em mecanismos de confiança e lealdade. Nesses arranjos, o volume a ser entregue tende a ser conhecido (ainda que com flexibilidade), enquanto o preço é ajustado ex post, após avaliação posterior de quantidade e qualidade. Nos últimos anos, porém, observa-se aumento considerável de contratos formais nas negociações com produtores. Esses contratos costumam explicitar mais definições ex ante e, com frequência, adotam preços indexados a indicadores, sobretudo ao indicador do preço do leite ao produtor do Cepea.

Cabe, no entanto, uma distinção importante: o indicador de preços do Cepea é uma referência; não é um mecanismo de formação de preços, nem um instrumento de coordenação comercial entre agentes. Ele reflete os preços praticados no ambiente competitivo de mercado. Seu uso como indexador em contratos é uma decisão dos agentes do setor, normalmente motivada pela necessidade de reduzir incerteza e aumentar previsibilidade, ainda que com alguma defasagem em relação ao momento do mercado (uma vez que a precificação do leite do mês corrente pode se apoiar na cotação de um ou dois meses anteriores).

Em minha tese de doutorado, entrevistei 33 indústrias de laticínios, que captam quase 24% do leite brasileiro. Entre elas, quase 88% concordam que as informações do Cepea são importantes para avaliar desempenho (comparação de preços recebidos/pagos com a média de mercado), e 72,8% consideram que se tratam de informações relevantes como referência de precificação — seja no balizamento de rodadas de negociação (ancoragem de expectativas e justificativas de repasse), seja na indexação em contratos (fórmulas de reajuste que vinculam o preço ao indicador, com prêmios e descontos por qualidade, volume, logística e serviços).

Ao funcionar como “linguagem comum”, os indicadores de preços do Cepea contribuem para tornar divergências mais objetivas: em vez de discussões baseadas apenas em percepções, os agentes passam a negociar diferenças e ajustes (prêmios, bônus, bonificações e penalizações) em torno de uma referência observável. Passam, também, a avaliar seus negócios em relação à concorrência de modo mais objetivo e podem ajustar expectativas ao acompanhar os mercados de derivados, que são mais dinâmicos do que o de leite cru.

Os indicadores do preço do leite ao produtor e dos derivados lácteos do Cepea são relevantes porque respondem a um problema central do SAG do leite: a incerteza derivada de assimetrias de informação em um mercado volátil. Ao sintetizar transações efetivadas com metodologia pública e ampla rede amostral, essas informações se tornam uma referência objetiva do momento do mercado, sobretudo para avaliação de desempenho. E, mesmo que o indicador não tenha sido desenhado, em sua origem, para indexar transações, ele vem sendo apropriado pelo setor para negociação e indexação de contratos, na ausência de outros mecanismos capazes de gerenciar o risco de comercialização.

Mas há um ponto adicional, talvez mais estrutural: ao longo do tempo, os indicadores do Cepea não apenas retrataram o mercado; ajudaram a moldar seu desenvolvimento, ao oferecer uma base comum de informação que reduz resistências e viabiliza mudanças graduais na governança. Em setores em que o “melhor caminho” só se revela à medida que é trilhado, inovar exige coragem para alterar rotinas e acordos. Porém, mudar sob elevada incerteza é custoso e, muitas vezes, bloqueia a ação coletiva. Ao transformar parte da incerteza em risco mensurável, os indicadores funcionam como bússola: orientam decisões, calibram expectativas e sustentam discussões sobre a evolução de mecanismos de garantia e de gestão de risco na comercialização — exigência que se intensifica com a transformação da base produtiva e dos padrões de concorrência.

Retomo, nesse contexto, o exemplo dos contratos formais: a prática ganhou tração por haver uma referência legítima e compartilhada capaz de diminuir assimetrias, reduzir contestação e tornar as divergências negociáveis. Nesse sentido, o Cepea tem operado como um espaço de convergência e de articulação, no qual agentes heterogêneos (muitas vezes com interesses distintos) aceitam cooperar, compartilhar dados e sustentar um bem informacional coletivo em nome de um objetivo maior: o desenvolvimento do setor.

A consolidação desses indicadores cria uma linguagem comum entre os agentes, fortalece capacidades de gestão, acelera o amadurecimento institucional e assenta o terreno para formas mais coordenadas de comercialização. Tudo isso conduzido com transparência metodológica, por uma instituição neutra e de reconhecida credibilidade, que coloca a ciência e o desenvolvimento do setor como base de sua atuação. Em última instância, a existência e o uso desses indicadores sinalizam que, apesar da fragmentação, o SAG do leite tem amadurecido e buscado construir bases para evoluir.

Muito já foi feito, mas ainda há amplo espaço para avançar na superação dos gargalos que afligem o SAG do leite. Mudar a perspectiva do curto prazo para o longo prazo e elevar eficiência e qualidade exigirá recursos e capital humano, para ampliar o nível de gestão e profissionalização, além de continuidade no financiamento da geração de informações. Vale lembrar que, em países que hoje concorrem conosco no mercado internacional (como Argentina e Uruguai), as instituições que geram informação econômica contam com apoio direto do poder público, seja financeiro, seja na integração de bases de dados. Apesar disso, o Brasil não parte do zero no enfrentamento desse desafio, pois temos organizações sérias como o Cepea que contribuem tecnicamente com a geração de informação, a educação de mercado e a construção de novos instrumentos, oferecendo dados, análises e metodologias de referência.

Notas:

[1] O Cepea é parte da Universidade de São Paulo (USP), ligado diretamente à Esalq – Escola Superior e Agricultura Luiz de Queiroz, unidade da USP em Piracicaba. É também registrado formalmente como grupo de pesquisa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Reúne professores da Esalq/USP, pesquisadores mestres e doutores, estagiários e também profissionais das áreas de Tecnologia da Informação, Comunicação e Administração. Caracteriza-se principalmente pela realização de pesquisas contínuas, baseadas em metodologias desenvolvidas pela própria equipe, que resultam em dados e análises confiáveis e à disposição de todos os segmentos da sociedade. É amplamente reconhecido por suas contribuições à formação de pessoas e pesquisas que aceleram o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

[2] Correlações elevadas indicam que as variáveis tendem a se mover na mesma direção ao longo do tempo, refletindo fundamentos comuns (oferta, demanda, custos, sazonalidade, importações e estratégias industriais). É preciso destacar que a análise de correlação não implica causalidade entre as variáveis e não substitui análises com defasagens, que podem ser relevantes em mercados nos quais repasses ocorrem com atraso. Ainda assim, como métrica descritiva, a correlação é útil para sustentar a noção de aderência e co-movimento entre elos.

Natália Grigol – Pesquisadora da Equipe Leite do Cepea

Fonte: CEPEA

Boas práticas elevam eficiência no controle de daninhas

O manejo adequado de plantas daninhas é um dos fatores decisivos para a eficiência do uso de herbicidas no campo e para a obtenção de bons resultados produtivos. Segundo orientações do Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, o HRAC-BR, a adoção de boas práticas na aplicação contribui para maior desempenho dos produtos e para a sustentabilidade do controle ao longo do tempo.

Um dos pontos centrais desse manejo está na atenção ao estágio de crescimento das plantas daninhas no momento da aplicação. A recomendação é que o controle seja realizado quando essas plantas ainda estão em fases iniciais de desenvolvimento, período em que se mostram mais sensíveis à ação dos herbicidas, o que aumenta a efetividade do tratamento e reduz falhas no controle.

As condições climáticas também exercem influência direta sobre os resultados das aplicações. A orientação é evitar operações em dias com vento forte ou quando há previsão de chuva nas horas seguintes, situações que podem comprometer a deposição do produto, reduzir a precisão da aplicação e diminuir a eficiência esperada no campo.

Outro aspecto destacado é a importância da integração de diferentes práticas de manejo. O uso de herbicidas deve estar associado a técnicas culturais e mecânicas, formando um conjunto de estratégias que fortalece o controle das plantas daninhas. Essa integração contribui para reduzir a pressão de seleção, favorecendo sistemas de produção mais equilibrados e eficientes.

A combinação dessas práticas reforça a necessidade de um manejo planejado e criterioso, no qual a escolha do momento adequado, a observação do ambiente e a diversificação de estratégias caminham juntas. Dessa forma, o produtor amplia as chances de sucesso no controle, otimiza o uso dos herbicidas e promove um manejo mais inteligente das áreas agrícolas.

1º Concurso Nacional de Inventos de Máquinas, Equipamentos e Implementos adaptados à realidade da Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais

O 1º Concurso Nacional de Inventos de Máquinas, Equipamentos e Implementos adaptados à realidade da Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais foi criado para premiar a criatividade e o talento de quem desenvolve soluções práticas para o dia a dia da produção agrícola familiar.

Nosso objetivo é reconhecer e dar visibilidade a máquinas, equipamentos e implementos que fazem a diferença, respeitando a realidade e as necessidades dos agricultores/as familiares e dos povos e comunidades tradicionais.

  • Inove com soluções criativas e acessíveis para o campo
  • Valorize o saber popular e tecnologias sociais
  • Fortaleça a produção com respeito à realidade local e aos saberes das comunidades
  • Período de inscrição

    20 de novembro de 2025 a 13 de fevereiro de 2026
  • Quem pode se inscrever

    • Agricultores/as Familiares
    • Pesquisadores/as
    • Empreendedores/as de Micro e Pequenas Empresas
  • O que pode ser inscrito?

    Máquinas, implementos e equipamentos com vistas à redução da penosidade, o aumento da produtividade do trabalho e da renda da agricultura familiar e de povos e comunidades tradicionais, bem como a promoção da sucessão rural.
  • Premiações

    As invenções selecionadas receberão prêmios financeiros de R$ 10.000,00. Poderão ser premiados até 10 agricultores/as familiares; até 5 pesquisadores/as e até 5 empreendedores/as de micro e pequenas empresas.
  • Evento de premiação

    As invenções e as pessoas que as desenvolveram deverão participar do evento de premiação, que acontecerá em março de 2026, na Feira Nacional de Tecnologias para a Agricultura Familiar, em Campinas/SP.