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Kátia Abreu propõe isenção de PIS/COFINS para importação de milho

Medida busca equilibrar a relação entre o preço do grão e das carnes.

A ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) enviou ao Ministério da Fazenda proposta de isenção do PIS/COFINS para a importação de milho. Segundo ela, a medida é necessária devido ao aumento das exportações brasileiras do grão. Por isso, há necessidade de incentivar a importação para abastecer o mercado interno, a fim de não encarecer os custos de produção das carnes suína e de aves, já que o milho é a base na alimentação dos animais.

“O preço de paridade de exportação do milho exerce pressão no preço interno que, aliado à dificuldade do setor produtivo de carne em repassar os acréscimos de custos ao consumidor, recrudesce este cenário”, ressalta a ministra no documento, protocolado ontem (29) no Ministério da Fazenda.

Kátia Abreu salienta que a incidência de PIS/COFINS nas importações onera o custo do grão e tem reflexo na formação de preços regionais. Diante disso, considera importante a isenção desses tributos como forma de melhorar o equilíbrio na rentabilidade das cadeias produtivas de carnes e ovos.

O secretário de Política Agrícola do Mapa, André Nassar, reforça a proposta da ministra. “Apesar de não haver problemas de abastecimento nacional, hoje há excedente de milho apenas no Paraná, na Região Centro-Oeste e em algumas áreas de Minas Gerais”.

Mais informações à imprensa:
Assessoria de comunicação social
Ana Carolina Oliveira
ana.carolina@agricultura.gov.br
imprensa@agricultura.gov.br

Postos de recolhimento de embalagens de agrotóxicos aumentam número de atendimentos em 241{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} em Rondônia

De acordo com dados da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron), de novembro de 2015 a fevereiro de 2016, foram atendidos quase nove mil produtores rurais nos postos de recolhimento de embalagens vazias de agrotóxico. No mesmo período dos anos anteriores foram atendidos pouco mais de 3.700 produtores, representando um aumento de 241{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} no número de recolhimento.

O aumento do número de atendimentos neste período deve-se às notificações aos produtores que estavam em débito com a legislação, feitas pela Agência Idaron, durante a campanha de vacinação contra febre aftosa, em outubro e novembro. A Lei Federal n. 7.802/1989 determina que toda embalagem de agrotóxico deve ser devolvida até um ano após a compra.

Segundo a gerente de Defesa Vegetal da Idaron, Rachel Barbosa, esta atividade de notificar os produtores foi inédita no Brasil e fez com que o Estado saísse da sétima posição em dezembro para a primeira pelo volume de embalagens recolhidas no período de janeiro e fevereiro deste ano.

“Quase quatro mil produtores atenderam às notificações. Havia fila de produtor para regularizar sua situação, tanto para devolver a embalagem vazia quanto para buscar a segunda via de comprovante de devolução”, fala a gerente.

A gerente também conta que alguns produtores procuraram regularizar-se espontaneamente. “Agora estamos esperando os outros produtores que ainda não foram à Idaron comprovar a devolução. A Agência está de portas abertas para receber os produtores e orientá-los”.

O diretor Executivo da Idaron, Avenilson Trindade, fala que o objetivo da Agência é conscientizar os produtores quanto ao risco de guardar ou descartar as embalagens de forma errada. “Assim contribuímos para manter o meio ambiente limpo, evitando contaminação ambiental e mantendo a saúde do trabalhador rural e sua família”.

GRUPO DE TRABALHO

A informação sobre o aumento no número de atendimento foi discutida na última reunião do Grupo de Trabalho (GT), formado pela Idaron, postos de recolhimento do Estado e Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev).

O GT foi criado com o objetivo de discutir os problemas e ações para o recolhimento de embalagens vazias de agrotóxico.

Texto: Amabile Casarin
Fotos: Idaron de São Miguel do Guaporé
Secom – Governo de Rondônia

 

Agroecologia terá Câmara Setorial em Rondônia

A primeira diretoria executiva da Câmara Setorial de Agroecologia será conhecida nesta quarta-feira (30) em Ji-Paraná. A reunião que elegerá os representantes do segmento ocorrerá a partir das 9h30, no auditório da Federação dos Trabalhadores Rurais de Rondônia (Fetagro), ocasião em que técnicos da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) apresentam o Programa Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica.

A Câmara Setorial é formada por representantes da cadeia produtiva e tem por finalidade propor, apoiar e acompanhar ações para o desenvolvimento das atividades do setor, além de servir como órgão consultivo do governo.

“Com a Câmara Setorial podemos afirmar que o Setor Produtivo de Rondônia ganha mais um reforço organizacional”, simplifica o técnico da Seagri, Alexsandro Quirino de Oliveira, explicando que o objetivo é expandir e fortalecer a agricultura familiar.

No evento em que será conhecida a diretoria da Câmara Setorial, será também elaborado o regimento interno em assembleia promovida pela Superintendência Federal da Agricultura do Ministério da Agricultura e Pecuária (SFA/MAPA), na parte da tarde.

ALIMENTO LIMPO

Os alimentos limpos são considerados os que são cultivados sem agrotóxicos e ou qualquer tipo de adubo e fertilizantes industriais. A comida orgânica já está na lista das mais procuradas nas feiras livres e nas gôndolas dos supermercados.

Texto: Paulo Sérgio
Fotos: Paulo Sérgio
Secom – Governo de Rondônia

 

Com crédito do Banco do Povo, microempreendedores aumentam produção em Rolim de Moura

O programa de Microcrédito Produtivo, orientado e executado pelo Governo de Rondônia, por meio do Banco do Povo, tem contribuído para o acesso de empreendedores ao crédito, com mais de 18 postos espalhados por todo estado. Além do crédito, são realizadas visitas de acompanhamento e orientação para uma melhor gestão do microempreendedor.

Em Rolim de Moura, no ano de 2015, o Banco do Povo emprestou para os 162 clientes ativos em carteira mais de R$ 360 mil, com juros de 2 a 4{b160333f6ceb1080fb3f5716ac4796e548b167cdf320724da9e478681421f6da} ao mês, para diversas atividades, tanto na zona urbana como rural, a exemplo de mototaxistas, panificadores, sacoleiros, feirantes, costureiras, artesãos, oficinas, piscicultores, agricultores, pecuária de leite,entre outros.

Jair Rodrigues dos Santos, mais conhecido como Jair Gambiarra, tem uma oficina no bairro Cidade Alta, em Rolim de Moura. Ele trabalha com ajuda do Banco do Povo há cinco anos e de lá para cá só tem aumentado o seu empreendimento. “Eu comecei fazendo pequenos serviços de soldas e hoje, trabalhando com o Banco do Povo, já comprei o meu galpão e estou fabricando carretinhas para motos que vendo em vários municípios, tudo feito com material de sucata”, conta ele, que fabrica 80 carretinhas por mês. “Quando eu termino de pagar um empréstimo, imediatamente eu renovo, porque eu não quero parar de crescer. Serei um grande empresário nesta área”, projeta Jair.

Outro exemplo de sucesso de parceria com o Banco do Povo é o de Adeilson Almeida Lopes. Ele reside na linha 25, km 06, em Rolim de Moura, e há 10 anos começou a trabalhar com horta. Com financiamento do Banco do Povo, em uma área de um alqueire, ele cultiva abobrinha, rúcula, cebolinha, pepino e outras hortaliças, mas o seu foco agora é a alface. “Antes eu trabalhava com a plantação normal de alface, o que leva em media 75 dias para começar a colher 300 pés por semana. Depois eu fui aumentando o meu crédito no Banco do Povo, que me sugeriu plantar pelo sistema hidropônico,(horta suspensa em tubos de PVC)”, lembra. A ideia deu certo que hoje  Adilson diz colher 900 a mil pés de alface por dia. “E vou crescer mais”, garante.

Texto: Aristides Araújo
Fotos: Aristides Araújo
Secom – Governo de Rondônia

 

Criação de peixes surge como uma nova fonte de renda para a comunidade de Terra Santa em Porto Velho.

Não basta dar o peixe ou a vara. Também não basta ensinar a pescar. É preciso muita força de vontade e espírito de empreendedor, e é isso que não falta para o Agricultor, ou seria piscicultor Péricles Luís dos Santos, morador da comunidade de terra santa em Porto Velho. 

A pouco mais de três anos, a vida desse policial por profissão começou a mudar e claro para melhor. Depois de conseguir dois tanques de peixes através da Semagric, Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Porto Velho e começar a criar peixes para venda, ele resolveu aumentar o seu negocio, hoje na propriedade são cerca de 9 tanques onde cria espécies como tambaqui, Piau, Jatuarana e Pirarucu. “Decide aumentar a minha produção porque na primeira despesca senti, que a venda de pescado, era uma grande oportunidade de renda, tirei daqui mais de 5 mil quilos de peixes na primeira despesca que fiz a cerca de um ano, tive lucro com isso então resolvi investir um pouco mais” comemora Péricles.

Hoje ele tem mais de 3.800 peixes que são alimentados duas vezes por dia com uma ração especial para dar maior qualidade na sua produção, a previsão é que até o final do ano seja feita a segunda despesca. “No final do ano quero dobra a quantidade de peixes vendidos aqui, pode ter certeza” enfatizou o Piscicultor.

 

Além de Péricles, a comunidade conta ainda com mais 15 produtores, que como ele resolveram apostar nos tanques de peixes, já que o local tem água em abundância e de ótima qualidade, mais falta ainda, segundo eles, uma assistência técnica mais efetiva no local, já que todos precisam de obter mais conhecimento da forma correta da criação de peixes.

 

Por: Rondorural.com.br

 

Foto: Jean Carla Costa

Dia de campo: ” Alternativas de cultivo para horticultura”

CONVITE:
” MELHOR DO QUE PLANTAR EXPECTATIVAS É COLHER RESULTADOS ”

 

CONVIDAMOS VOCÊ PARA PARTICIPAR DO DIA DE CAMPO

NO DIA 01/04/2016
LOCAL: UNIDADE DEMOSTRATIVA SR. ARNALDO MENDES
RAMAL NITEROI/MARAVILHA, KM 3,5
HORARIO: 08:00H ÀS 14:00H

PROGRAMAÇÃO:
– CONSTRUÇÃO DE CANTEIROS – (Gonzaga – Emater)
– PRODUÇÃO DE MUDAS – (Maia ASA)
– PRODUÇÃO DE BIOFERTILIZANTES E COMPOSTAGEM – (Gonzaga)
– CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS – (Marcos – Emater)
– DEMOSTRAÇÃO DE EQUIPAMENTOS E MÁQUINAS – (Everson – Agromotores)
– IRRIGAÇÃO – ( Everson – Agromotores)
– TECNICAS DE PRÁTICAS CULTURAIS – (Gonzaga – Emater)
– VISTORIA TÉCNICA – (Júnior – Sema)

REALIZAÇÃO: SEMAGRIC

APOIO:
AGROMOTORES E EMATER-RO

Vereador Dim Dim pede a recuperação da linha 101

O vereador Dim Dim fez um apelo ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER-RO) para que faça a recuperação urgente da Linha 101 que dá acesso ao distrito de União Bandeirantes.

Segundo o vereador, a via foi muito utilizada no desvio de veículos que seguiam para Guajará-Mirim, na época da enchente que trancou a BR-364, em 2014. A cheia passou, e a estrada hoje está totalmente esburacada.

“Aquela estrada foi de grande valia para os veículos durante a enchente porque fazia o atalho até Nova Mamoré e Guajará-Mirim. O DER-RO precisa recuperá-la porque União Bandeirantes padece com ela na situação em que se encontra”, disse.

Fonte/Foto: Assessoria

Pesquisas podem ajudar a salvar línguas indígenas da extinção

No Brasil são faladas, pelo menos, 181 línguas indígenas. Mas esse número já foi bem maior – estima-se que, antes da chegada dos europeus, mais de 1.500 línguas fossem faladas no território que viria a se tornar o país, sendo gradativamente extintas ao longo de cinco séculos. Para compartilhar estratégias de pesquisa que ampliem o conhecimento sobre esse patrimônio linguístico e cultural e ajudem a preservá-lo, mais de 100 cientistas de 10 países estão reunidos desde 21 de março até 2 de abril, no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante a Escola São Paulo de Ciência Avançada Putting Fieldwork on Indigenous Languages to New Uses, realizada com o apoio da FAPESP.

A língua materna de Mutua Mehinaku, descendente do povo Kuikuro, é uma das que correm risco de desaparecer. Nascido na região do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, Mehinaku tem mestrado em Antropologia Social no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estuda o pluralismo linguístico no Alto Xingu. De acordo com ele, 700 índios falam kuikuro, sendo que os critérios internacionais determinam que uma língua corre risco de extinção se falada por menos de mil pessoas.

“Se comparada a outras línguas indígenas, faladas por algumas dezenas de pessoas e com poucos estudos a respeito, a nossa está relativamente segura. Mas, quando se trata de um patrimônio tão importante e sensível quanto a sua cultura, é preciso se cercar de cuidados para que ele não siga ameaçado. Por isso as pesquisas na área são tão importantes”, disse durante a ESPCA.

Para Angel Humberto Corbera Mori, professor do IEL, pesquisador de línguas arawak, faladas no Parque Xingu, e editor do periódico Línguas Indígenas Americanas (Liames), pode-se dizer que o risco de extinção se estende a praticamente todas as outras línguas indígenas faladas no Brasil.

“De 181 línguas, pelo menos 115 são faladas por menos de mil pessoas. Algumas poucas, como tikuna, língua nativa falada por um povo que habita territórios do Brasil, do Peru e da Colômbia, e terena, falada na região do Mato Grosso do Sul, são compartilhadas por populações entre 20 mil e 30 mil pessoas, mas a grande maioria tem apenas algumas dezenas de falantes. Povos indígenas do Nordeste, como os potiguares e cariris, por exemplo, não falam mais sua língua e, por esse motivo, mesmo ainda praticando seus costumes ancestrais, não são vistos pela sociedade como sendo índios”, contou.

De acordo com Corbera Mori, a cada duas semanas pelo menos uma língua desaparece no mundo. No Brasil, recentemente, morreu a última falante da língua indígena xipaia, em Altamira, no Pará, e apenas dois anciões falam guató, vivendo em lugares diferentes e que não se comunicam entre si devido a distância. Para o pesquisador, a extinção dessas línguas representa também o desaparecimento de diversos conhecimentos acumulados ao longo de séculos.

“Não é uma riqueza material, como o ouro ou o diamante, mas, quanto mais diversidade cultural um país possui, mais rico ele é em conhecimento. Os índios mais velhos dominam toda uma diversidade de nomes de pássaros, cobras, plantas que são usadas na medicina tradicional, entre outras informações que seriam de grande utilidade para a compreensão e a conservação da natureza. A perda desse conhecimento da fauna e da flora é também uma perda científica”, destacou.

Nesse sentido, ressaltou Maria Filomena Spatti Sandalo, também professora do IEL e coordenadora do evento, “compartilhar metodologias e experiências de pesquisa bem-sucedidas com línguas nativas de diferentes regiões do planeta pode contribuir para avançar no conhecimento sobre aquelas faladas no Brasil e na América do Sul”.

Neologismos contra a “caraibização”

Se no período da colonização as línguas indígenas desapareciam junto com seus povos, dizimados por doenças trazidas pelos colonizadores e pelo extermínio direto, hoje o maior risco que enfrentam é o que o povo Kuikuro chama de katsagaihakijü: a “caraibização” ou “transformação em caraíba”, em referência ao termo indígena usado para designar o colonizador europeu.

“Isso se dá pelo contato direto com o idioma português, que ocorre não só por uma exposição natural, mas pela falta de proteção dos territórios indígenas, pela invasão por madeireiros, fazendeiros, narcotraficantes e até mesmo na escola, já que os jovens têm mais interesse em aprender o português do que a língua dos seus pais e avós”, explica Mori.

De acordo com Mehinaku, foi essa influência sobre sua língua nativa que o motivou a se aprofundar no estudo do kuikuro.

“Inicialmente eu observava o trabalho de linguistas na minha tribo, dedicados ao estudo desse processo, mas eles não estarão ali para sempre. Então, passei a me aprofundar na língua que falamos para entender como o surgimento dessas palavras estrangeiras poderia comprometê-la. É diferente um idioma amplamente falado sofrer influência de outro. Quando somente algumas centenas falam essa língua, o risco de essa influência contribuir para sua extinção é grande”, avalia.

O pesquisador se dedicou, então, a o que seu povo chama de tetsualü – em kuikuro, qualquer mistura. No mestrado, o termo foi utilizado fazendo referência aos processos de transformação da língua e das histórias individuais e coletivas das tribos.

A “mistura” alto-xinguana foi investigada por Mehinaku seguindo dois eixos: um do amálgama, a partir do estudo de casamentos interétnicos e do multilinguismo presente nos cantos rituais, e outro da diferenciação, sobre como surgiram as línguas dos diversos povos do mundo e emergiram as diferenças dialetais que distinguem as etnias Karib do Alto Xingu – hoje, por sua vez, em vias de se misturar.

Segundo ele, o princípio do tetsualü ganhou novo sentido e outra complexidade com a entrada do português nas línguas e na vida das aldeias do Alto Xingu, levando ao surgimento de neologismos em kuikuro, como o uso da palavra pagaka para se referir a “barraca”, pasia para “bacia” e pisa para “pinça”.

“Esses neologismos sofreram influência do português, mas são kuikuro. É a língua se reinventando e permanecendo viva”, destacou.

Os dados apresentados na dissertação de mestrado de Mehinaku e que serviram de base empírica para o trabalho vieram, em parte, dos conhecimentos nativos do autor, que pertence a duas das etnias do Alto Xingu: Kuikuro por parte da mãe e Mehinaku do pai, povo que fala a língua arawak. Também foram feitas entrevistas e coletas de depoimentos, discursos e narrativas na aldeia kuikuro de Ipatse.

Filogenética turbinada

Em outra frente de pesquisa, cientistas trabalham no desvendamento do passado das línguas indígenas para entender como elas se formaram e, como consequência, ajudar no desenvolvimento de estratégias para sua preservação.

Giuseppe Longobardi, do Departamento de Linguística da Universidade de York, na Inglaterra, apresentou no IEL o novo método por ele desenvolvido para comparar, com a ajuda de softwares, sistemas sintáticos de línguas diferentes, estabelecendo eventuais parentescos entre elas: o Parametric Comparison Method (PCM).

“O método histórico-comparativo tradicional, utilizado desde o século 19, permitiu à pesquisa na Europa retroceder até a língua protoindo-europeia, o ancestral comum das línguas indo-europeias. Nas Américas, onde as línguas indígenas não possuem registros escritos significativos e prevalece a tradição oral, ainda não foi possível ir tão longe, havendo apenas noções das famílias linguísticas, mas não muito claras quanto aos parentescos entre elas”, contou.

A filogenética, metodologia usada para a análise evolutiva das línguas, já contava com o auxílio de softwares que relacionam palavras para determinar parentescos linguísticos, mas o recurso é limitado por conta do que os pesquisadores chamam dos empréstimos – como a palavra “deletar”, adaptada do inglês para o português. Isso pode fazer com que famílias sem conexão sejam vistas como parentes sem que tenham, de fato, essa relação.

O método PCM realiza comparações entre as gramáticas das línguas, mais estáveis que as palavras isoladas. A gramática de uma língua trata de sua morfologia, o estudo da estrutura, da formação e da classificação das palavras, e da sintaxe, a disposição delas na frase e a das frases no discurso, assim como as relações lógicas entre elas.

“O pressuposto do método é que os parâmetros sintáticos são mais adequados do que outros para fins de comparação linguística e reconstrução histórica, pois são capazes de fornecer correspondências inequívocas e medidas objetivas. Experiências com 26 variedades indo-europeias contemporâneas comprovaram que o PCM é capaz de identificar corretamente as relações genealógicas de línguas modernas”, afirmou.

O método também foi experimentado no IEL com uma língua guaikuru e outra karib, ambas de tradição oral, comprovando-se eficiente mesmo na ausência de registros escritos. Para compensar essa falta, os pesquisadores desenvolveram um questionário de gramática que auxilia na coleta dos dados gramaticais diretamente com os índios, muitos deles professores das línguas em suas tribos.

A aplicação do formulário vem sendo demonstrada em sessões de hands on na programação da ESPCA Putting Fieldwork on Indigenous Languages to New Uses, que conta também com cursos sobre línguas e culturas do Brasil, anotação sintática e corpora orais digitais, métodos experimentais e computacionais em Fonologia e Morfologia e experimentações semântica, entre outros.

Diego Freire | Agência FAPESP

foto: Mutua Mehinaku no Alto Xingu/Acervo pessoal

Grupos de trabalho atuam para ampliar a produção e melhorar preço da castanha comercializada pelos povos indígenas e extrativistas

Quatro grupos de trabalho com técnicos de órgãos dos governos de Rondônia e federal já atuam para fortalecer a cadeia de produção e comercialização da castanha-do-Brasil explorada por comunidades das reservas indígenas e extrativistas do Estado.

A ideia, segundo o vice-governador Daniel Pereira, é ampliar a produção nas unidades ambientais que podem ser utilizadas de forma sustentável, contribuindo com estratégias de desenvolvimento econômico pautadas na manutenção da floresta e apoio às populações que nelas vivem.

Para isso, os grupos de trabalho desenvolvem ações. O objetivo de imediato, destacou o assessor técnico da Vice-Governadoria, engenheiro florestal Flávio Augusto Tiellet, é quase dobrar a produção da castanha, hoje em torno de 1.700 toneladas; melhorar o preço, saindo de R$ 2,40 – valor pago por atravessadores – para R$ 4,80 o quilo e incluir a castanha no cardápio da merenda escolar.

“Os povos indígenas que se organizaram antecipam a comercialização junto à Conab,  conseguem manter estoque da castanha e estão obtendo remuneração melhor. Rondônia tem potencial, e para que outras reservas consigam o mesmo valor no preço da castanha é preciso se organizar, sair da mão de atravessadores. Isso gera impacto positivo na economia local”, afirma Flávio.

Flávio coordena os grupos de trabalho que devem apresentar ações dentro de quatro linhas de atuação no dia 26 de abril, próximo encontro dos técnicos com a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Pacto das Águas, que atua no apoio ao manejo e à comercialização da castanha por povos indígenas e extrativistas de Mato Grosso e Rondônia. O último encontro ocorrido no Estado foi no início de março, quando foram organizadas as linhas de atuação e as instituições envolvidas em cada uma delas.

“Já realizamos quatro reuniões para tratar da exploração da cadeia produtiva da castanha, e na última delas definimos que ações práticas devemos adotar em cada linha de atuação, que são mercado institucional; programa de boas práticas, que envolve manejo, plantio, armazenamento e beneficiamento da castanha; implementação de infraestrutura e formalização do mercado de castanha”, diz Flávio.

Entre os compromissos pactuados na linha que trata do mercado institucional Flávio destaca a definição de um recurso específico para se incluir no orçamento destinado à implantação de um Programa de Aquisição de Alimentos estadual, sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), e a regulamentação do PAA, que deve ser definida ainda neste mês. Outro compromisso, sob a responsabilidade da Pacto das Águas e Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) é a apresentação de uma proposta para viabilizar o mercado da castanha na região do Vale do Guaporé.

BOAS PRÁTICAS

“Em relação à infraestrutura, Rondônia tem logística de estrada boa, muito superior a estados da Amazônia, mas queremos melhorar, promover acesso às unidades de conservação de uso sustentável, aos castanhais, ver onde tem de construir uma ponte, passar cascalho, para que o acesso ocorra de fato durante todo o ano”, diz Flávio, confirmando a necessidade de construir entrepostos, um deles em Costa Marques.

No grupo que trata do programa de boas práticas, existe a proposta de capacitar 850 castanheiros, oferecendo-se assessoria técnica para a organização social de nove associações, durante três anos, sob a responsabilidade da Pacto das Águas e Coordenação de Unidades de Conservação (CUC) da Sedam.

Na formalização do mercado da castanha, o grupo de trabalho estuda a concessão de inscrição estadual pelas associações e concessão de isenção tributária para a castanha comercializada fora do Estado. Deste grupo participaram técnicos da Superintendência de Assuntos Estratégicos (Seae), Ministério do Meio Ambiente e Ministério Público Federal.

Os órgãos envolvidos na articulação feita pela Vice-Governadoria para se ampliar a cadeia produtiva da castanha-do-Brasil são ainda a Secretaria de Finanças (Sefin); da Educação (Seduc); a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater); o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e Assembleia Legislativa. Além deles, são parceiros órgãos federais como a Embrapa, ICMBiio, Funai e Ministério Público Federal.

“Após a Páscoa queremos reunir os responsáveis por cada grupo para verificar como as ações elencadas na última reunião estão encaminhadas, o que já foi feito”, afirma Flávio Augusto.

 Texto: Mara Paraguassu
Fotos: Daiane Mendonça
Secom – Governo de Rondônia

Manual de Boas Práticas de Fabricação vai garantir qualidade nos produtos da agroindústria em Rondônia

Médicos veterinários da Emater-RO participaram, no auditório do antigo prédio da instituição em Porto Velho, do curso “Como elaborar manual de boas práticas de fabricação”.

Boas práticas de fabricação são medidas obrigatórias para qualquer processo de produção e tem que estar de acordo com os princípios preestabelecidos pelos órgãos reguladores.

O curso é uma iniciativa do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Rondônia (CRMV-RO) que, em parceria com a Emater-RO, busca garantir a qualidade dos produtos fabricados em Rondônia, principalmente nos que se referem às indústrias de alimentos. Para isso, trouxe a médica veterinária, sanitarista e secretária geral do CRMV-PB, Valéria Rocha Cavalcanti, mestre em ciências e tecnologia de alimentos e saúde pública para, durante dois dias, repassar seus conhecimentos aos médicos veterinários de Rondônia

Para o diretor-presidente da Emater-RO, Luiz Gomes Furtado, esta é uma oportunidade de qualificar a participação da empresa no desenvolvimento das agroindústrias no estado. “Com o programa de incentivo implantado pelo governo estadual nestes últimos anos, as agroindústrias de origem familiar ganharam força e já somam mais de 500”, diz o diretor-presidente.

O decreto que regulamentou o Programa de Verticalização da Pequena Produção Agropecuária do Estado de Rondônia (Prove-RO) também designou a Emater-RO como responsável técnica pelo processamento das matérias primas nas unidades de agricultura familiar. São os extensionistas que orientam os agricultores no processamento de seus produtos. Com a participação no curso, esses técnicos responsáveis estarão capacitados para elaborar um manual de boas práticas de fabricação atualizados de acordo com as normas vigentes e que garantirão a qualidade dos produtos oriundos da agricultura familiar.

VITRINE DE PRODUTOS
O Prove trouxe grandes perspectiva para o produtor rural que trabalha com sua família nas pequenas propriedades. O incentivo dado para a implantação de novas agroindústrias fez com que muitos investissem no beneficiamento da produção na busca de um mercado mais efetivo. Com isso, a agroindústria familiar está ganhando força no estado e fora dele.

Outra expectativa está na participação das agroindústrias familiares na 5.ª Rondônia Rural Show. Durante a feira, elas estarão apresentando seus produtos para todo o estado, mas terão oportunidade também, de abrir possibilidades de negócio com representantes de outros países que já garantiram presença no evento. “Será uma vitrine de produtos de Rondônia produzidos pela agricultura familiar, com verdadeira oportunidade de negócios”, enfatiza Furtado.

A 5.ª Rondônia Rural Show será realizada em Ji-Paraná, no período de 25 a 28 de maio.

Texto: Wania Ressutti
Fotos: Irene Mendes
Secom – Governo de Rondônia