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Do campo que trabalha brota um futuro cooperado

Na força do coletivo, agricultores familiares transformam realidades e mostram que o cooperativismo é caminho de resistência, dignidade e esperança para um mundo mais justo

Na zona rural de Porto Velho, capital de Rondônia, uma revolução silenciosa e poderosa está acontecendo, e ela começa na terra. Ali, cerca de 200 produtores da agricultura familiar se uniram para escrever uma nova história, marcada pela união, valorização do trabalho no campo e transformação social. Eles fazem parte da Agrobom, uma cooperativa que tem provado, na prática, como o cooperativismo é capaz de construir um mundo melhor.

A Agrobom reúne homens e mulheres que antes enfrentavam dificuldades para escoar sua produção, muitas vezes reféns de atravessadores que pagavam pouco e ditavam as regras do mercado. Hoje, com o fortalecimento da cooperativa, a realidade é outra, eles produzem, vendem diretamente para programas públicos como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), e veem seus produtos chegarem às mesas de quem mais precisa com dignidade, respeito e preço justo.

O Ciclo da Transformação

Maria de Araújo Costa dos Santos, cultiva hortaliças desde criança e hoje em Porto Velho faz parte da Agrobom – Foto: Jean Carla

Verduras fresquinhas, frutas coloridas, legumes colhidos no ponto certo, hortaliças sem agrotóxicos. A diversidade e a qualidade dos alimentos produzidos pelos cooperados impressiona. Mas o impacto vai além do sabor. “Antes, eu plantava verduras e vendia por qualquer preço. Agora, com a cooperativa, sei quanto vale o meu trabalho”, conta Maria de Araújo Costa dos Santos, agricultora do setor chacareiro de Porto Velho, que há mais de 20 anos vive do que planta.

Raimunda Alves de Araújo, recebe toda a semana alimentos frescos vindo dos agricultores cooperados – Foto: Jean Carla

A Agrobom conseguiu firmar convênios com o governo para entregar alimentos frescos, e de qualidade, principalmente, para comunidades em situação de vulnerabilidade. Um elo direto entre quem produz e quem precisa. “Receber essa cesta com produtos frescos, direto do campo, é mais que comida, é cuidado. A gente sente que alguém se importa”, afirma emocionada Raimunda Alves de Araújo, moradora do bairro Esperança da Comunidade em Porto Velho

Cooperar é Compartilhar Resultados

Elizabete Moreira um das cooperadas junto com a sua mãe Darlete Moreira beneficiando a polpa da graviola para entregar na cooperativa – foto: Jean Carla

Para os cooperados, o lucro é apenas uma das conquistas. O sentimento de pertencimento, o orgulho de ver o nome da sua comunidade ganhando força e o reconhecimento pelo que produzem são valores imensuráveis. “A cooperativa nos deu voz. Antes a gente lutava sozinha. Agora a gente luta junto. E vence junto”, declara Elizabete Moreira de Oliveira, produtora de graviola e uma das cooperadas.

A organização da cadeia produtiva permitiu também geração de empregos. Jovens que migrariam para a cidade em busca de oportunidades estão ficando no campo, ajudando nas plantações, na logística e até na administração da cooperativa.

Hortas da agricultura familiar são uma das principais fontes de renda dos cooperados – Foto: Jean Carla

Voz da Liderança

Elcione Duarte, diretor financeiro da Agrobom, acompanha de perto cada conquista. “Nosso papel é dar estrutura, garantir a compra, organizar a entrega. Mas o protagonismo é de cada cooperado. Eles são os heróis dessa história”, ressalta.

Elcione Duarte, durante uma das entregas da cooperativa para o programa mesa Brasil – Foto: Arquivo pessoal

Ele lembra que o trabalho da cooperativa também é formativo. Além do apoio, a Agrobom oferece encontros, formações e parcerias com órgãos públicos e instituições. “Estamos fazendo um trabalho que é econômico, mas também é social. Alimentamos pessoas, mas também alimentamos sonhos e oportunidades”, completa.

Construindo um Mundo Melhor, Um Alimento por Vez

A experiência da Agrobom é prova viva de que o cooperativismo é mais que um modelo de negócio, é um modelo de vida, baseado na solidariedade, na coletividade e na dignidade.

Com o cooperativismo, a Agrobom planta esperança e colhe transformações – Foto: Jean Carla

Num mundo cada vez mais desigual, a união desses agricultores familiares está fazendo a diferença, promovendo a justiça social a partir do campo. E o que começou com poucas mãos plantando, hoje colhe frutos para toda uma cidade. “O cooperativismo não é só uma forma de produzir. É uma forma de resistir, de prosperar e de cuidar das pessoas”, resume Elizabete Moreira.

Em cada verdura embalada, em cada entrega feita, em cada cesta que chega à casa de uma família, há uma história de luta, união e esperança. E isso, mais do que qualquer discurso, é o que constrói um mundo melhor.

Por: Jean Carla Costa

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