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Grupo de amigos captura ‘maior pirarucu do Brasil’, mas recorde não será homologado; entenda

Dois metros e 45 centímetros. Esse é o tamanho do pirarucu gigante capturado por um grupo de amigos de Xanxerê (SC) e Faxinal dos Guedes (SC) durante uma pescaria no Rio Teles Pires, em Sinop (MT), na última segunda-feira (17/8).

Nativo da bacia amazônica e um dos maiores peixes com escamas em água doce no mundo, o pirarucu costuma medir entre 1,5 e 2 metros de comprimento, segundo a Embrapa.

O empresário e barista Felipe Barp Rossetto explica que o peixe foi fisgado pelo engenheiro Júnior Santin, que estava em um caiaque, enquanto ele, Lucas Cambrussi, que é policial científico, e Vilson Rossetto, aposentado e responsável pela organização da viagem, estavam em um barco próximo.

“Quando o Júnior viu que um peixe grande mordeu a isca, ele começou a gritar. Então, fomos até lá e descobrimos que era um pirarucu”.

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Depois de perceberem o tamanho do peixe, começou o trabalho para retirá-lo da água, tarefa que durou mais de uma hora e exigiu a ajuda de todos os integrantes do grupo.

“Foi uma sensação surreal, um misto absurdo de adrenalina, emoção e alegria. A energia tomou conta, foi simplesmente indescritível. Quase não conseguimos tirá-lo da água de tão grande e pesado”.

A pesca é uma das paixões dos amigos catarinenses e faz parte das viagens que realizam juntos há anos. E, desta vez, o grupo foi surpreendido ao encontrar o “Gigante da Amazônia” no Rio Teles Pires, apelido dado ao pirarucu por causa do tamanho que, em alguns casos, ultrapassa os três metros e 200 quilos.

“Era um sonho realmente. Nós vamos sempre ao Mato Grosso para tentar capturar um peixe grande, só não imaginávamos que seria tão grande assim”.

Com 2,45 metros, o pirarucu capturado pelos amigos de Santa Catarina poderia se tornar o maior já homologado na pesca esportiva pela Brazilian Game Fish Association (BGFA), uma vez que o atual recorde da espécie (Arapaima gigas) é de 2,33 metros, pertencente a Luiz Eduardo Quadro Moraes, no Rio Guariba, em Apuí (AM). No entanto, apesar dos 12 centímetros a mais, a marca não será registrada pela entidade.

O primeiro motivo está relacionado à medição. O grupo possuía no barco uma trena (convencional) e uma régua da BGFA, que permitia medir apenas o comprimento de peixes com, no máximo, 1,50 metro. No caso do pirarucu gigante, era necessário uma fita métrica oficial destinada a exemplares maiores.

Outro requisito para o recorde é a soltura do peixe. Essa condição também não foi cumprida. Conforme Felipe, eles abateram o pirarucu seguindo a recomendação da Instrução Normativa nº 07/2026, publicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em março deste ano, que declara o pirarucu como espécie exótica invasora quando está fora da área de ocorrência natural.

“A portaria fala, inclusive, que o pescador tem por obrigação fazer o abate. Para nós, que sempre pescamos esportivamente e soltamos os peixes, até causa uma sensação estranha ter que abater um peixe assim tão grande, mas é necessário por ser uma espécie invasora e para ajudar no controle populacional”, finaliza.

A norma que permite a captura e o abate abrange 10 regiões hidrográficas no país: Atlântico Nordeste Ocidental, do Parnaíba, Atlântico Nordeste Oriental, do São Francisco, Atlântico Leste, Atlântico Sudeste, do Paraná, do Uruguai, Atlântico Sul, do Paraguai e porção superior da bacia hidrográfica do rio Madeira, montante da barragem de Santo Antônio (RO).

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