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Arroba bovina registra alta de 53%

A arroba bovina teve preço reajustado em 53% nos últimos 12 meses, o que refletiu diretamente no bolso dos consumidores brasileiros de carne. A análise sobre os fatores que contribuíram para que isso ocorresse é um dos assuntos do Boletim de Conjuntura Agropecuária, elaborado pelo Departamento de Economia Rural, da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, referente à semana de 06 a 12 de março.

O preço da arroba bovina (medida equivalente a 15 quilos) aumentou 53% no período entre fevereiro de 2020 e fevereiro deste ano. Como consequência, o mercado varejista sentiu no bolso essa elevação. O levantamento feito pelo Deral, relativo a esse mesmo período, mostra que o corte conhecido como patinho teve alta de 30,61%, a carne moída foi reajustada em 41,49% e o preço do acém, em 47,80%.

São vários os motivos que provocaram esse aumento progressivo no mercado interno. Entre eles está o crescimento nas exportações, que se somou à oferta reduzida de animais prontos para abate, em consequência da estiagem prolongada. Também foram fundamentais a elevação nos custos de produção, particularmente insumos de alimentação, como soja e milho, e o aumento no consumo interno em alguns momentos da pandemia.

No caso da exportação, houve crescimento de 8% no volume e de 11% no valor recebido no ano passado, comparativamente a 2019. Com parte do rebanho de porcos dizimado pela peste suína, a China foi o principal mercado para a carne bovina brasileira. O volume cresceu 75%, com 868.870 toneladas enviadas ao país asiático.

AVES E SUINOS

O boletim faz, ainda, uma análise da evolução dos preços da avicultura de corte para o produtor, no atacado e no varejo em fevereiro. O aumento ficou entre 2,1% e 2,9% nos três níveis, em comparação com o mês anterior. Se comparado com fevereiro do ano passado, os produtores conseguiram elevação de 46,7%.

No primeiro bimestre de 2021, o Brasil exportou 142 mil toneladas de carne suína, um crescimento de 5,7% em relação ao mesmo período de 2020. O Paraná teve aumento percentual superior, com 11% a mais, chegando a 19,6 mil toneladas exportadas.

MILHO E SOJA

O documento preparado pelos técnicos do Deral aponta que as condições climáticas da semana não foram favoráveis à colheita do milho. Dessa forma, foram colhidas, até agora, 53% do total da área estimada em 360 mil hectares para a primeira safra. Para a segunda, o plantio também está atrasado, com 43% da área estimada em 2,4 milhões de hectares.

Em relação à soja, 36% da área já está colhida, volume bem inferior aos 68% verificados no mesmo período do ano passado. Das lavouras a campo, 81% estão em boas condições e 17% em situação mediana. Apenas 2% estão ruins.

OUTROS PRODUTOS

O boletim analisa a produção paranaense e os preços pagos para o feijão cores e preto. Também há um panorama mundial sobre o cultivo da mandioca, que tem no continente africano o principal produtor, com destaque para a Nigéria.

Em relação ao trigo, a análise se estende sobre os custos de produção, particularmente de fertilizantes e sementes. No entanto, há perspectivas de que alguns produtores consigam lucratividade perto de 50%, o que foi registrado pela última vez em 2013. As culturas de batata e tomate também são abordadas.

 

Por: GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ

RS: venda de peixes para a Semana Santa começa no dia 27

FEIRAS

A tradição de comer peixe na Sexta-feira Santa está garantida em Santa Cruz do Sul. A Secretaria de Agricultura do município e a Associação Santa-cruzense de Piscicultores (ASPP) confirmaram a comercialização nas feiras rurais do Centro, Senai, Arroio Grande, Oktoberfest, Independência e Linha Santa Cruz. A previsão é de que as vendas ocorram a partir do dia 27 deste mês, tendo em vista as normas sanitárias estabelecidas pelas autoridades.

Na próxima segunda-feira, 15, os preparativos vão se intensificar. Será dada a largada para o abate e processamento da produção na estrutura do Abatedouro de Peixes, que funciona junto à Granja Municipal, em Linha Santa Cruz. A atividade será feita por meio de agendamento com cada piscicultor, a fim de evitar aglomerações.

A previsão, de acordo com o engenheiro agrícola da secretaria, Marco Alves, é de vender dez toneladas de pescado neste ano, por parte de dez produtores envolvidos. “Serão 10 toneladas, talvez um pouco mais ou menos, a produção varia bastante e é confirmada somente quando os açudes são abertos. A maior parte são carpas das espécies capim, húngara e cabeça-grande. Além de uma quantidade de tilápias”, explicou o engenheiro.

Em relação aos preços, Alves alerta para a possibilidade de um reajuste de 15% em comparação com o ano passado. “Os produtores ainda estão fechando os valores, mas não deverão ficar muito aquém dos preços praticados no ano passado, quando a carpa-capim eviscerada custava R$ 17,00 o quilo; R$ 15,00 a húngara, R$ 13,00 a cabeça grande e prateada, e R$ 36,00 o filé de tilápia. Tudo aumentou e os custos para manter a produção também”, ressaltou.

A expectativa para as vendas deste ano é positiva, de acordo com o presidente da ASSP. Silvério Fischer. “Esperamos que seja um pouco melhor. No ano passado estávamos com receio de que o evento fosse cancelado devido à pandemia e levamos uma quantidade menor de produto, cerca de 12 toneladas. No fim, tudo foi comercializado e chegou a faltar peixe, enquanto em algumas propriedades sobrou no açude”, comentou Fischer.

Na sua propriedade em Capela dos Cunha, no interior de Santa Cruz do Sul, ele, que é produtor de tabaco e piscicultor já há dez anos, mantém sete açudes. Em cada tanque foram colocados, em média, 500 alevinos (carpa-capim) adquiridos de um produtor de Linha Arlindo, localidade no interior de Venâncio Aires.

Fischer diz que não chegou a ser afetado pelo período de estiagem. “Ouvi relatos de alguns produtores que enfrentaram problemas significativos no fim do ano passado, porque não tinham vertentes naturais ou tiveram que utilizar a água do açude para a irrigação da lavoura. Por esse motivo, o reservatório ficou muito raso. No entanto, creio que a maioria conseguiu se defender bem da situação e não teve grandes prejuízos”, afirmou.

Padrão de qualidade

Silvério Fischer explica as vantagens de comprar peixes da ASSP, que são processados por produtores legalizados. O abate e o processamento no abatedouro em Linha Santa Cruz seguem normas sanitárias, e os produtos são rotulados. “Temos que seguir todos os padrões de qualidade, desde a retirada deles do açude até o deslocamento no abatedouro. Eles chegam no espaço já mortos e em refrigeração adequada para não estragar. Depois da higienização, é feita a descamação e filetagem. Depois vão para a câmara fria, são armazenados em conformidade com a legislação sanitária e embalados.”

Todo o processo é acompanhado por profissional da área. “Quando um peixe não está de acordo com o padrão ou tem um machucado que ocorreu na hora de retirá-lo do açude, ele é descartado”, explica Fischer. “Somente os peixes que são processados nesse espaço e levam o rótulo podem ser comercializados na feira. Todos são congelados para manter a qualidade, não tem como levar peixes em temperatura ambiente, como alguns clientes às vezes nos pedem”, esclarece.

Por: GAZETA DO SUL – SANTA CRUZ DO SUL

Governo registra contratos do Programa Nacional de Crédito Fundiário; famílias serão beneficiadas com aquisição de terras

O Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), finalizou na primeira semana do mês de março a etapa do registro de 200 contratos para aquisição da Fazenda Flor da Selva, localizada no município de Parecis. A ação faz parte do projeto de aquisição de terras do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), do Governo Federal, executado pelo Governo do Estado.

A proposta de aquisição da Fazenda Flor da Selva teve início no ano do 2015, onde o Estado vem cumprindo as etapas conforme regra do PNCF, com objetivo de beneficiar diretamente 200 famílias, atualmente comodatários, posseiros, meeiros, assalariados urbanos e rurais a tornarem-se proprietários de suas parcelas, fortalecendo assim o Estado, Município e agricultores familiares que residem em 12 municípios de Rondônia. A fazenda possui uma área de aproximadamente 2 mil hectares.

“A etapa de registro dos contratos no cartório teve início na primeira quinzena de janeiro de 2021 e foi finalizada agora, no início de março. Todos os contratos foram encaminhados para a agência bancária para pagamento aos vendedores, tornando os compradores oficialmente proprietários. Esta é mais uma ação do Governo do Estado que visa ajudar famílias da agricultura familiar”, explicou o coordenador da Unidade Técnica do Estadual (UTE), Bruno Vinícius.

O projeto deve passar por várias fases até chegar ao processo final, sendo elas: mobilização; seleção dos pretensos beneficiários, famílias qualificadas por demanda; escolha do imóvel; vistoria do imóvel; vistoria social; capacitação inicial e aprovação em conselho municipal e estadual. “Esta fase irá demorar uns dias e o primeiro pagamento será dos vendedores (fazendeiros). Após estes pagamentos, vamos iniciar nossos trabalhos e liberações, reembolsos, entre outros”, disse Bruno.

De acordo com o secretário da Seagri, Evandro Padovani, o PNCF é um dos melhores programas de reforma agrária que pôde acontecer no país. “Rondônia é case de sucesso a nível nacional no Programa de Crédito Fundiário. A fazenda de 2 mil hectares estava no domínio de uma família e o Governo Federal, em parceria com o Governo do Estado, está dando condições a 200 famílias ocuparem esses hectares. Agradecemos ao governador, coronel Marcos Rocha, pelo apoio a este programa, dando-nos condições necessárias como equipe técnica e investimento na área governamental, para que possamos cada vez mais avançar”, destacou Padovani.

O projeto está sendo executado pela Seagri em parceria com uma instituição bancária, Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de (Fetagro), Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão rural (Emater-RO), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pimenta Bueno (STTR) e Planejamento e Assistência Técnica Agropecuária (Plantec).

Fonte
Texto: Sara Cicera
Fotos: Édie Stranhos e Vildo Paulo
Secom – Governo de Rondônia

Incentivos do Governo em projetos de energia solar proporcionam economia à agricultura familiar

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O Governo de Rondônia, por meio da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural de Rondônia (Emater), tem incentivado o desenvolvimento da agricultura familiar rondoniense, por meio de projetos de implantação de sistema de energia solar renovável nas propriedades rurais.

Preocupados com o alto custo no consumo de energia elétrica para manter ligadas as câmaras frias, os agricultores José Basone e Marco Belase, de São Felipe do Oeste instalaram placas fotovoltaicas, em suas propriedades. O projeto de financiamento para implantação do sistema de energia solar foi elaborado por extensionistas da Emater, com garantia de cerca de 18 a 20 anos e uma economia que pode chegar a mais de 90%.

Os agricultores, criam gado para produção leiteira e cultivam banana, cacau e tomate. As câmaras frias são essenciais para conservar a produção das frutas, que necessitam de cuidados especiais no pós-colheita. Orientados pelo extensionista da Emater, que elaborou o projeto técnico, Barone e Belase, aderiram ao sistema de energia solar investindo, respectivamente R$ 35 mil e R$ 45 mil, a juros de 2,75% com três anos de carência para pagamento e mais sete anos para quitar a dívida em parcelas anuais. “A satisfação dos produtores está estampada em seus rostos”, garante Barbosa, salientando que a economia que se faz com a instalação desse sistema é muito grande.

Energia elétrica de fontes renováveis a preços da taxa mínima cobrada pela companhia distribuidora de energia, deixou de ser um sonho. Essa é a realidade de muitos produtores rurais buscam alternativas para minimizar os custos para tocar a propriedade.

Agricultores familiares de Rondônia, têm procurado os extensionistas da Emater para ajudá-los na elaboração de projetos técnicos para o financiamento de sistemas elétricos com placas fotovoltaicas. O financiamento tem o incentivo do Programa Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Pronaf), na modalidade Pronaf Eco, uma linha específica para agricultores familiares interessados em desenvolver projetos sustentáveis, visando a melhoria da capacidade produtiva.

O Pronaf Eco, oferece financiamento de até R$ 165 mil, com juros de 2,75% ao ano para instalação dos projetos de energia limpa e renovável, com prazo de até 10 anos para pagamento e carência de cinco anos. Para ter acesso à esse crédito subsidiado, o agricultor familiar deve ter uma Declaração de Aptidão do Pronaf (DAP), que pode ser emitida em qualquer escritório da Emater, onde o produtor tem o auxílio na elaboração de seu projeto técnico para encaminhamento à instituição financeira credenciada.

MAIS ECONOMIA

A energia elétrica é indispensável para o bom funcionamento da propriedade rural

A energia elétrica rural é item indispensável para o funcionamento dos equipamentos de produção, como trituradores de ração, ordenhadeiras, tanques de resfriamento do leite, e mesmo para a residência. Em São Felipe do Oeste,  produtores rurais que se sentiam pressionados pelo alto custo da energia elétrica, aderiram ao sistema solar e conseguiram uma economia considerável, reduzindo o valor gasto na conta de luz a valores mínimos da taxa de manutenção da rede elétrica para as áreas rurais do município.

O extensionista Paulo Leôncio Barbosa, do escritório local da Emater em São Felipe do Oeste, fala da experiência do agricultor Juraci Toresani, orientado por ele, que instalou um sistema com 17 placas fotovoltaicas a um custo de R$ 21 mil. Ele interligou o sistema à rede elétrica da companhia concessionária de energia elétrica em Rondônia e conseguiu reduzir a conta de luz, que era de R$ 700 para R$ 36, uma economia de quase 95%. Casos semelhantes são relatados por produtores de outras regiões, como é o caso de proprietários de fazendas no município de Cacaulândia, na região do Vale do Jamari.

A produção de energia solar está diretamente relacionada com a quantidade de horas e intensidade da radiação solar que recebe, podendo até gerar um excedente de energia durante os meses com maior insolação. “Pode inclusive, acumular créditos de energia para compensação em meses com menor produção, ou mesmo abater na conta de energia de outro imóvel”, explica Barbosa.

Fonte
Texto: Wania Ressutti
Fotos: Irene Mendes
Secom – Governo de Rondônia

TEMPEROS NATURAIS: da horta para o prato

Quem nunca ouviu o quanto os temperos são fundamentais para a alimentação? São eles que dão sabor e aroma, que alteram e completam o sabor dos alimentos.  Os temperos tem papel fundamental na alimentação, na agricultura e também na saúde., pois possuem ações anti-inflamatórias, antioxidantes, calmantes, estimulantes, cicatrizantes e antibióticas.

Com o objetivo de fazer com que as pessoas sintam prazer em cozinhar e se alimentar de forma mais saudável, nasceu o Sauge – Empório do Sal. Com o intuito de auxiliar aqueles que não possuem contato ou não tem tempo para misturar temperos na cozinha, e que apreciam comidas com sabor.

A coordenadora de eventos e criadora do  Sauge – Empório do Sal , Mônica Casarotto conta que em função da pandemia percebeu a  necessidade de fazer algo  mais, e isso incluía trabalhar com algo que gosta. ” Há alguns anos minha mãe começou a fazer os próprios temperos, e por hobby eu fazia também, e vendia informalmente para meus amigos, assim a ideia de trabalhar com os temperos, primeiro lançamos a marca com o Tempero da Mãe, que é o tempero original que ela fazia, e depois eu criei o Ervas de Provence, inspirado no famoso tempero de Provença. Começamos com embalagens plásticas e depois migramos para a embalagem de papel, para evitar a geração de lixo não-reciclável. Nossa meta é distribuir o produto em pontos de venda, como lojas de produtos naturais e saudáveis, mercados e feiras. E por que não, futuramente, uma fábrica com produção própria dos temperos”, salienta Mônica.

A coordenadora de eventos conta que, atualmente o trabalho desenvolvido é bastante artesanal. “Apenas eu e minha mãe  fazemos toda produção, desde o processo de higienização, a pesagem, produção, mistura e embalagem. Como o sal é um conservante natural, não colocamos nenhum tipo de conservante ou qualquer química no produto. O tempo para consumo leva até 6 meses, podendo ser guardado dentro ou fora da geladeira”.

A busca por uma alimentação mais saudável e enxergar a agricultura além também fizeram com que Mônica tivesse ainda mais paixão em desevolver seus produtos. “Sem dúvidas a busca por uma alimentação mais saudável está na pauta desta geração, o que leva outras gerações à procurarem pelo mesmo. Fico feliz e me sinto responsável por ajudar, pois os sais temperados, além de serem produzidos com ervas naturais e frescas, levam o sal marinho, que é menos prejudicial à saúde. Como a mistura rende um tempero mais forte, a necessidade de usar o sal acaba sendo menor.  Sobre a produção caseira, estou plantando além dos temperos, chás e hortaliças para consumo próprio. Acho importante as pessoas voltarem a sua atenção à terra, especialmente em um mundo tão digital como hoje. Quem não é da área enxerga a agricultura como algo tão básico que nem sempre entende a sua real importância para o mundo”, finaliza Mônica.

Vale lembrar que o uso em excesso de sódio, que é o principal composto do sal de cozinha e temperos industrializados, pode prejudicar o bom funcionamento do organismo, causando problemas no coração, nos rins e até o envelhecimento precoce. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo ideal de sal é cinco gramas diárias, enquanto que os brasileiros consomem o dobro da recomendação.

Por: AGROLINK –Aline Merladete

CNA e Embrapa apresentam resultados do Projeto Biomas

Os principais resultados do Projeto Biomas foram apresentados, na quarta (10) pela manhã, durante evento virtual promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Os presidentes da CNA, João Martins, e da Embrapa, Celso Luiz Moretti, e o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, participaram da abertura do encontro virtual.

O Projeto Biomas foi criado em 2010 com objetivo de desenvolver estudos e experimentos para viabilizar soluções para a proteção, a recuperação e o uso econômico e sustentável de propriedades rurais nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.

A realização do Biomas contou com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e John Deere.

Na abertura do encontro, o presidente da CNA, João Martins, destacou a importância de democratizar os resultados das pesquisas desenvolvidas ao longo dos dez anos de projeto. “As pesquisas precisam chegar para quem precisa, chegar na ponta para que os produtores possam colocá-las em prática”.

Para Martins, as ações do Projeto Biomas só foram possíveis graças à união de esforços de entidades e parceiros envolvidos no projeto. “Esse evento é o início de novos estudos e projetos”, disse o presidente da CNA.

O presidente da Embrapa, Celso Luiz Moretti, afirmou que o Projeto envolveu mais de 400 pesquisadores e 21 unidades da Embrapa nos seis biomas. Entre os resultados das pesquisas do projeto, Moretti citou o trabalho feito com a pimenta rosa e o café sombreado por seringueira na Mata Atlântica, ambos desenvolvidos em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (Incaper).

“A produtividade da pimenta rosa aumentou em 30% e o café sombreado atingiu elevados índices de qualidades abrindo caminho para a agregação de valor”.

Na avaliação do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, o Projeto Biomas mostra o compromisso do agro com a produção sustentável. “Não existe nenhum conflito entre a preservação ambiental e a produção agrícola”, disse.

Durante o evento virtual, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Ananias, apresentou um panorama do Projeto Biomas e enfatizou que a iniciativa vai muito além do que entregar um pacote de soluções tecnológicas necessárias para a integração da produção agrícola com a sustentabilidade.

Segundo Nelson, o Biomas também oferece conhecimento técnico e científico para o produtor recompor um eventual passivo ambiental na propriedade e cumprir o Código Florestal. “Todas as ações permitiram que o Código mantivesse o caráter protetivo. O conhecimento foi produzido e agora precisa ser viabilizado na ponta”.

Resultados – O pesquisador da Embrapa Florestas e coordenador Nacional do Projeto Biomas, Alexandre Uhlmann, apresentou os resultados de dez anos da iniciativa.

De acordo com ele, entre os principais benefícios das pesquisas está o avanço em pesquisas com a restauração de Áreas de Preservação Permanentes (APPs) e Reservas Legais por meio do plantio nos biomas, tanto de mudas, quanto de sementes de espécies nativas e exóticas, incluídas as não-lenhosas. Além disso, houve avanços na transferência de tecnologia e sensibilização dos produtores.

“O Biomas buscou juntar muitos pontos de vista que se somaram em busca de soluções tecnológicas. Observamos as diferenças impostas por ambientes distintos, que nos obrigou a adotar diferentes abordagens para biomas diferentes,” afirmou.

O projeto identificou espécies indicadas para a recomposição ambiental; uso dessas espécies de acordo com as características específicas da área a ser recuperada (em termos de solos, relevo e disponibilidade de água no solo); criou um calendário de coleta das sementes dessas espécies e modelos diferenciados de adequação ambiental com menores custos para o produtor solucionar os passivos ambientais.

Segundo Uhlmann, a iniciativa quebrou o paradigma e mostrou que a árvore auxilia a produção. “O Projeto Biomas criou um arcabouço de conhecimento para recuperação de passivos ambientais em sistemas de produção.”

Na avaliação da coordenadora Executiva do Projeto Biomas pela CNA, Claudia Mendes, o projeto foi feito para os produtores rurais. “O Sistema CNA está atuando para que o resultado dessa pesquisa chegue ao setor produtivo”, disse. Ela agradeceu aos coordenadores dos biomas, pesquisadores e produtores rurais envolvidos no projeto.

O chefe do Departamento de Meio Ambiente e Gestão do Fundo Amazônia do BNDES, Nabil Kadri, também participou do evento e agradeceu a parceria com a CNA e Embrapa. Disse que a instituição espera que o PRAVALER, uma das iniciativas que surgiu a partir dos resultados do Projeto Biomas, possa trazer resultados para o país tão bons quanto aqueles.

O Biomas contou com apoio de produtores rurais em cada área que atuou para a construção de áreas experimentais. No Cerrado, a Fazenda Entre Rios foi a vitrine do projeto. O proprietário, José Brilhante Neto, representou os demais produtores rurais no evento e afirmou que foi uma honra participar desse “desafio enorme”.

“O projeto mostrou que a parceria público-privada e os sistemas integrados podem ajudar nosso país a mostrar ao mundo que podemos produzir e sermos sustentáveis”, afirmou.

Erich Gomes Schaitza, chefe da Embrapa Florestas, lembrou que o Biomas nasceu no contexto do novo Código Florestal e da necessidade da agricultura brasileira trabalhar para a construção de um mundo mais sustentável.

“Isso é impossível sem tecnologia e o Biomas trabalhou muito para gerar tecnologias. Agora temos o desafio de pegar todo esse conhecimento, juntá-lo ao conhecimento de outros projetos e, juntos com a CNA, criarmos condições para que a informação nele gerada chegue ao campo, pra valer, mostrando que o agricultor brasileiro produz de forma sustentável”.

O evento também contou com um momento de perguntas e respostas e a exibição de um vídeo da vitrine do projeto no Bioma Cerrado. À tarde, houve o lançamento do projeto PRAVALER, com a participação da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Por: AGROLINK COM INF. DE ASSESSORIA

RO: trabalhos de mapeamento da soja ampliam pontos de sensoriamento remoto

Até o próximo dia 20, técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) percorrem o estado de Rondônia para continuar os trabalhos de mapeamento das lavouras de soja. O uso das ferramentas de geotecnologia contribuem para aperfeiçoar os dados utilizados nos levantamentos de safra da estatal.

Nesta etapa serão visitadas as cidades de Cabixi, Colorado do Oeste, Cerejeiras, Pimenteiras do Oeste, Chupinguaia, Corumbiara e Vilhena, percorrendo mais de 3 mil quilômetros. Com isso, a estatal passa a contar com mais 64 pontos de sensoriamento remoto no estado. “A partir desta iniciativa é possível determinar a área total de soja plantada com maior precisão, aprimorando a qualidade dos dados gerados nos levantamentos de safras realizados pela Companhia”, explica o superintendente regional da Conab, Rosemberg Alves Pereira.

Esta é a segunda viagem realizada para mapear a oleaginosa na região. A primeira ocorreu entre o período de 10 a 16 de janeiro deste ano. Nesta fase, foram percorridos 3,1 mil quilômetros em nove municípios rondonienses.

O trabalho de sensoriamento remoto é resultado de parceria firmada entre a Conab e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os trabalhos foram iniciados ainda em novembro de 2020, com a capacitação de técnicos da Companhia.

Por: CONAB – COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO

Embrapa realiza live e lançamento de livro sobre pecuária leiteira na Amazônia

A pecuária leiteira na Amazônia será tema de uma live e também de um livro digital e gratuito que será lançado pela Embrapa Rondônia no dia 19/3, a partir das 19h (horário de Brasília). O evento será transmitido no canal da Embrapa no Youtube (youtu.be/kvz34nVoMnA) e o público poderá interagir. A publicação já pode der baixada no portal da Embrapa Rondônia: http://bit.ly/30t75P8.

A programação conta com pesquisadores que atuam diretamente com a pecuária de leite na região. Após uma breve abertura, o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Artur Chinelato, irá abordar os “Aspectos técnicos da Pecuária de Leite na Amazônia, realidades, potencialidades e desafios”. Em seguida, o pesquisador Alfredo Homma, da Embrapa Amazônia Oriental, trará o tema “Amazônia: quais os caminhos para o desenvolvimento sustentável”.  Depois das apresentações, serão respondidas as perguntas feitas pelos participantes da live, por meio do chat. Logo após, será lançado o livro digital Pecuária Leiteira na Amazônia, pelos editores técnicos Luiz Pfeifer e Ana Karina Salman, que também será a moderadora da live.

Lançamento: Livro Pecuária Leiteira na Amazônia

Esta publicação digital reúne 55 autores de diferentes instituições, sendo a maioria  professores e pesquisadores de oito unidades da Embrapa e de 20 instituições de ensino e pesquisa do Brasil e dos Estados Unidos. Trata-se de um esforço conjunto para disponibilizar ao setor informações e recomendações específicas para o desenvolvimento sustentável de uma atividade que tem fundamental importância socioeconômica para a Amazônia, responsável pela geração de empregos e renda para milhares de famílias.

O pesquisador e um dos editores do livro, Luiz Pfeifer, destaca que apesar da importância da produção leiteira para a região amazônica, até hoje não havia sido reunido em uma única obra, as tecnologias disponíveis para que o sistema produtivo seja eficiente e sustentável. “Essa publicação veio para suprir essa necessidade e ainda orientar técnicos e produtores sobre as melhores práticas a serem empregadas nas propriedades produtoras de leite”, afirma Pfeifer. “Este livro representa a importância do produtor de leite na Amazônia, que com mão de obra familiar e respeitando o meio ambiente, garante o sustento da família e disponibiliza um alimento tão nobre para a humanidade”, ressalta a pesquisadora Ana Karina Salman.

O livro está disponível gratuitamente no portal da Embrapa. Os 17 capítulos da obra reúnem informações úteis para toda a cadeia produtiva do leite na região, oferecendo condições para o fortalecimento do setor e maior competitividade diante das demais regiões produtoras, com a adoção de tecnologias e recomendações que podem oferecer mais eficiência na utilização dos recursos ambientais, econômicos e humanos.

A publicação apresenta um levantamento do histórico da pecuária leiteira na Amazônia, até a produção, qualidade do produto leite e sua comercialização. Além disso, tem informações e recomendações sobre os manejos nutricional, reprodutivo, sanitário e de bem-estar animal. Este conjunto de informações permite a tomada de decisões do agricultor em sua propriedade, do agente financeiro responsável pelo financiamento da produção, do estudante em sua formação e do extensionista rural na aplicação das técnicas indicadas.

A pecuária leiteira na Amazônia 

A região Norte tem participação de 6,4% na produção nacional de leite, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2020). O principal produtor de leite da Amazônia é o estado de Rondônia, com 1,1 bilhão de litros, seguido do Pará, cuja produção em 2019 foi de 605,2 milhões de litros. Juntos, perfazem 77,5% da produção regional e ocupam a 7ª e 12ª posição entre todos os estados produtores, respectivamente. Minas Gerais é o maior produtor brasileiro de leite, com 9,4 bilhões de litros produzidos em 2019.

A pecuária leiteira na Amazônia é realizada em 110.762 estabelecimentos, dos quais 82,5% são da agricultura familiar, de acordo com dados do Censo Agropecuário de 2017. Isso confere à atividade grande valor socioeconômico, pela geração de emprego e renda para milhares de famílias que estão direta e indiretamente envolvidas nas atividades, que vão da produção ao transporte, processamento e comercialização.

Serviço:

 

Live Pecuária Leiteira na Amazônia

Data: 19/3/2021

Horário: 19h (horário de Brasília)

Local: youtu.be/kvz34nVoMnA

Baixe o livro: http://bit.ly/30t75P8

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Renata Silva (MTb 12361/MG)

Embrapa Rondônia – Contatos para a imprensa

rondonia.imprensa@embrapa.br

Telefone: (69) 3219-5011

Programa “Peixe Saudável” garante maior qualidade do pescado rondoniense para os mercados nacional e internacional

O Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), reforça as ações voltadas para o Programa “Peixe Saudável” em consonância com a Instrução Normativa nº 04 MPA/2015, que institui o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo-“Aquicultura com Sanidade” para assegurar que o pescado de Rondônia corresponda às exigências sanitárias dos mercados nacionais e internacionais.

O objetivo deste programa é o atendimento especializado ao piscicultor da agricultura familiar em análise de água e de peixes para auxiliá-lo na manutenção da qualidade sanitária dos animais, mediante adoção de boas práticas de manejo.

Segundo destacado pelo secretário da Agricultura, Evandro Padovani, o governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha, tem fortalecido as medidas para que se invista fortemente junto à Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão rural do Estado de Rondônia (Emater) na aquisição de equipamentos de última geração para ajudar o produtor a criar peixe de melhor qualidade. “Um dos equipamentos são os laboratórios móveis, que colocamos, por meio da Seagri e Superintendência Estadual de Desenvolvimento Econômico e Infraestrutura (Sedi), para a Emater levar esse trabalho técnico junto ao produtor rural para que possamos acompanhar e certificar a qualidade do peixe em Rondônia”, finalizou.

ANUÁRIO

O Estado de Rondônia ocupa há cinco anos a liderança como maior produtor de peixes nativos do país, sendo o tambaqui a principal espécie produzida em cativeiro, com 90% de toda a produção. Em seguida, vem a jatuarana, com 6%; o pintado, com 2%; e pirarucu, também com 2%. São mais de 80 mil toneladas de peixes produzidas anualmente no Estado, conforme apontam os dados Anuário Peixe BR 2020, da Associação Brasileira da Piscicultura, que valoriza, fomenta e defende a cadeia da produção de peixes no Brasil.

De acordo com a nutricionista Maria Aucinete Nepomucena, os peixes cultivados em cativeiros são mais seguros por terem uma alimentação balanceada e o enriquecimento das rações destinadas aos organismos aquáticos representa a possibilidade de se agregar valor à piscicultura, por intermédio da produção de uma carne de qualidade superior para o consumo humano atendendo à demanda de mercado. “Porém os peixes criados em cativeiro possuem mais ácidos graxos (gorduras), por se locomoverem pouco e receberem ração para engorda. Para o consumo deve-se retirar toda a gordura aparente”, recomenda.

A Seagri divulgou uma nota na semana passada para esclarecer alguns fatos sobre as informações noticiadas recentemente, relacionando o tambaqui à ocorrência dos raros casos da síndrome de Haff, conhecida como doença da “urina preta”. De acordo com a nota, até o momento, não há qualquer publicação científica ou relato da comunidade médica relacionando a doença ao consumo de pescado de cultivo. “Os peixes produzidos em Rondônia, em especial o tambaqui, são cultivados com base na sustentabilidade, com segurança sanitária e acompanhados por profissionais e piscicultores experientes para produzir os melhores peixes”, conforme informa a nota.

O consumo de peixe em cativeiro não oferece risco à saúde humana

A nutricionista ressaltou que o consumo de peixe em cativeiro não oferece risco à saúde humana. Os peixes representam uma fonte de proteína de alta qualidade, com menos gordura, os quais estão diretamente associados à saúde humana pelo seu efeito protetor. O tambaqui, peixe mais produzido e consumido em Rondônia, está entre os peixes amazônicos com maior valor nutricional.

PROTEÍNAS

A carne do tambaqui é rica, principalmente em proteínas de alto valor biológico, com vitaminas do complexo B, que são importantes para a saúde mental, pele, cabelos, melhora a digestão e absorção de nutrientes; fósforo que é um dos principais componentes dos ossos e dentes. Também atua na contração muscular e tem uma função essencial para o bom funcionamento do organismo; ácidos graxos poli-insaturados, como Ômega 3 e Ômega 6, antioxidantes naturais que reduzem os riscos de câncer, previne doenças cardiovasculares, baixa o colesterol LDL (ruim) e aumenta HDL (bom).

“Dentre os benefícios, é importante ressaltar que o peixe auxilia no processo de emagrecimento, por ser uma fonte de proteína com menos gordura. Apresenta efeito cardioprotetor no organismo após o consumo e possui baixíssimos níveis de colesterol”, disse a nutricionista.

Os peixes podem ser consumidos de várias formas de preparo, assado, ensopado, grelhado, cozido e recomenda-se apenas que se evite ou reduza o consumo em forma de frituras. Pode ser inserido na alimentação desde a infância.

Fonte
Texto: Sara Cicera
Fotos: Daiane Mendonça, Renata Silva e Paulo Sérgio
Secom – Governo de Rondônia

Mulheres lutam para proteger a toninha, o golfinho mais ameaçado do Brasil

Pouco conhecida do público em geral, a toninha é uma das espécies de golfinho mais ameaçadas do mundo, encontrada apenas na Argentina, no Uruguai e em parte do litoral brasileiro, entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul. A situação é especialmente crítica no Brasil, onde a pesca acidental e a poluição colocam a espécie como criticamente ameaçada. Na luta pela preservação do golfinho, mulheres se destacam na coordenação e execução do Projeto Conservação da Toninha, uma iniciativa criada para apoiar pesquisas, compreender as causas da mortalidade e a relação da espécie com as atividades pesqueiras, assim como elaborar estratégias para um manejo sustentável nas áreas prioritárias para a espécie.

A bióloga Camila Domit, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, que se dedica ao estudo dos golfinhos há quase 20 anos, coordena o projeto em região que compreende os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, onde a ocorrência da espécie sobrepõe áreas de intensa atividade humana. O protagonismo feminino é uma das marcas do projeto iniciado em dezembro de 2018, o qual reúne uma coalizão de 12 entidades, sendo sete representadas no projeto por mulheres. Além disso, consultoras técnicas e monitoras compõe a maioria da equipe técnica e realizam pesquisas e ações presenciais com comunidades de pescadores. Entre as quase 30 pessoas envolvidas no projeto, 19 são mulheres. Entre estas pesquisadoras, cientistas engajadas, três deram à luz ao longo da execução do projeto.

Neste Dia Internacional das Mulheres, a coordenadora do projeto enxerga, inclusive, um paralelo entre a condição feminina e as toninhas. “Ambas precisam ser mais reconhecidas e valorizadas; precisam encontrar seu espaço na sociedade. Necessitam de proteção e de apoio para cuidar de seus filhos, para que possam viver sem ameaças”, compara a cientista.

“É muito bonito ver o envolvimento de todas as mulheres, que muitas vezes trazem os filhos para reuniões e ações em campo. As reuniões viram encontros familiares. E essa energia é bastante necessária, porque a toninha está criticamente ameaçada e demanda de nosso esforço coletivo. Infelizmente, corremos o risco de vê-la ser extinta já na nossa geração”, alerta Camila. “Ver o comprometimento de todas as pessoas que trabalham comigo nesse projeto, pesquisadores, pescadores, gestores, consultores, monitores, é muito importante, porque é o único caminho para proteger a espécie de forma efetiva”, ressalta a pesquisadora.

Realizado por quatro mulheres, uma das ações realizada em campo com os pescadores foi um dos pontos marcantes do projeto até aqui. Uma das consultoras, inclusive, realizou as visitas acompanhada por sua família, pois tinha um bebê de seis meses. Nesta ação foram realizadas conversas com pescadores e outras pessoas envolvidas nesta atividade em 55 municípios, ainda antes da pandemia, em 2019, envolvendo a compreensão sobre a legislação de pesca e seus conflitos; questões sociais, econômicas e familiares; indicadores escolares, de acesso à saúde e outros serviços públicos. 

Como a toninha não tem valor comercial, as pesquisas demonstram que a pesca do pequeno golfinho é, realmente, acidental, sensibilizando inclusive os pescadores que executam sua atividade econômica, mas também são amantes do mar e sua fauna. “Os pescadores têm preocupação com a toninha, ficam tristes quando capturam uma delas em suas redes, mas também têm a demanda social e econômica relacionada a sobrevivência destas comunidades pesqueiras”, pondera Camila.

Vidas ameaçadas

Conhecida fora do Brasil como franciscana, a toninha é considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Em 2016, a International Whaling Commission (IWC), a Comissão Baleeira Internacional (CIB), adotou um plano de conservação e manejo para a espécie, contando com a adesão dos governos dos três países onde as toninhas são encontradas. Estima-se que restam menos de 50 mil indivíduos da espécie atualmente no mundo. As mortes anuais não têm estimativas confiáveis, mas para a região de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, onde a população é estimada em menos de 10 mil, mais de 600 animais são encontrados mortos encalhados em praia por ano, números que demonstram a gravidade da situação.

Camila pontua que a extinção de uma espécie é sempre uma perda inestimável para o ecossistema e mesmo para a manutenção dos serviços que o ambiente presta ao planeta. Sendo assim, é um grande alerta para que possamos rever nossas ações. “Estamos diante da perda de uma das espécies mais antigas de golfinho, e isso terá graves consequências para a regulação da cadeia alimentar. As toninhas exercem papel importante na corregulação da oferta de peixes com os animais que são topo de cadeia na região costeira”, esclarece.

A toninha é uma espécie sentinela ambiental, um animal que nos mostra a qualidade do ecossistema. Ela se alimenta de peixes e frutos do mar, alguns inclusive de interesse econômico, como a sardinha e a manjuba. “Então, saber da saúde dela é saber da nossa saúde. E mais do que isso, ela é um predador de peixes e lulas, e tirar um predador sempre causa um efeito que provoca a desestruturação da cadeia alimentar”, explica. “Se sumir a toninha, ela não vai sumir sozinha”, enfatiza.

Pequena e tímida, a toninha não gosta da aproximação de embarcações a motor. Portanto, é muito raro observá-la viva, tanto por causa de seu comportamento quanto por sua coloração amarelada. Vivem em grupos pequenos, de 2 a 30 animais, em profundidade de até 30 metros, sempre próximas da costa, ocorrendo no máximo entre 45 e 55 quilômetros das praias.

Após a conclusão dos estudos e mapeamento sobre os hábitos e localização dos animais, podem surgir novas recomendações sobre o uso de redes específicas e novas tecnologias que reduzam os riscos de captura acidental. “Pesquisas como essa trazem dados importantes para que sejam desenvolvidas ações e políticas públicas efetivas, que contribuam com a conservação da espécie e também levem em conta a realidade socioeconômica de populações locais”, afirma Leide Takahashi, também membro da RECN e gerente de Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário, instituição representante da sociedade civil na Década do Oceano no Brasil.

“Não queremos acabar com a pesca e nem deixar a toninha morrer sem fazer nada. Então, como vamos construir esse meio termo? Queremos elaborar soluções junto com a comunidade, levando em consideração aspectos sociais, econômicos e ambientais”, explica Camila, ressaltando que a ameaça aos golfinhos é reflexo de um problema maior, que pode comprometer todo o ecossistema marinho. “Conseguimos identificar alterações provocadas por produtos agrícolas e industriais que chegam no mar através dos rios. A ameaça às toninhas é um sinal de como precisamos cuidar melhor dos recursos pesqueiros e da saúde humana”, pondera.

A coordenadora do projeto acrescenta que olhar para a sobrevivência da toninha é direcionar esforços para a manutenção de um oceano limpo, saudável, resiliente e explorado de maneira sustentável. “Estes desafios estão elencados para a Década do Oceano (2021 – 2030), iniciativa da Unesco para promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Ciência Oceânica”, conclui Camila.

Por: assessoria