Uma mobilização internacional reúne nesta quarta-feira (30) cientistas, médicos-veterinários, advogados e organizações de proteção animal em defesa da preservação dos jumentos no Brasil. A iniciativa ocorre diante de uma queda de aproximadamente 94% na população desses animais nas últimas décadas e dos debates sobre o abate destinado ao comércio de peles.
Dados compilados a partir de informações da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do sistema Agrostat indicam que o país tinha cerca de 1,3 milhão de jumentos no fim dos anos 1990, enquanto a estimativa mais recente citada pelas entidades aponta aproximadamente 78 mil animais em 2025.
Demanda internacional
Um dos principais fatores associados à redução do rebanho é o comércio de peles destinadas à produção do ejiao, produto feito a partir do colágeno da pele de jumentos e utilizado na medicina tradicional chinesa.
Pesquisadores afirmam que a expansão desse mercado aumentou a pressão sobre as populações de asininos em diferentes países. No Brasil, entidades de proteção animal defendem que a atividade seja analisada também sob os pontos de vista ambiental, sanitário e de conservação genética.
Preocupação com a reprodução
Outro ponto levantado pelos especialistas é a capacidade reprodutiva dos jumentos. A gestação dura aproximadamente 12 meses, o que dificulta uma reposição rápida dos animais quando há retirada em grande escala da população.
Pesquisadores também argumentam que o Brasil não possui uma cadeia estruturada de criação e reprodução de jumentos voltada ao abate comercial. Segundo essa avaliação, a dependência da captura e do recolhimento de animais pode contribuir para a redução contínua do rebanho.
Debate também envolve saúde e rastreabilidade
Além da questão ambiental, especialistas apontam preocupações relacionadas ao transporte, confinamento e controle sanitário dos animais. A falta de rastreabilidade adequada é citada como um dos pontos que precisam ser avaliados pelas autoridades.
A Câmara dos Deputados também realizou, em maio deste ano, audiência pública para discutir os impactos sanitários, ambientais, econômicos e jurídicos do comércio de pele de jumentos no país.
A mobilização desta quarta-feira busca ampliar o debate sobre o futuro dos animais e defender medidas de conservação antes que a redução populacional comprometa ainda mais a sobrevivência das populações brasileiras de jumentos.
Fonte: VEJA / Agência Câmara.





