O agronegócio brasileiro atravessa um momento importante. Por um lado, mantém o posto de setor estratégico para economia brasileira, com aumento no valor da produção agrícola e a inserção de novos produtos no grupo de horticultura. Por outro, os produtores nacionais enfrentam desafios internos, como o endividamento e os juros altos, e externos, a exemplo das barreiras impostas pela União Europeia à carne brasileira.
Divulgada na última quinta-feira, a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou números que atualizam a força do agro. Em 2025, o valor de produção das principais culturas agrícolas do país alcançou R$ 927,2 bilhões, um avanço de 18,4% na comparação com o ano anterior.
O destaque foi para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, que chegou a 345,4 milhões de toneladas. Trata-se de um crescimento de 53,4 milhões de toneladas, uma alta de 18,2% em relação ao ano de 2024. Esses números representam um recorde da série histórica do IBGE, com destaque para a soja e o milho. Nesse resultado robusto, chama a atenção que o aumento no volume da produção é muito superior ao avanço da área plantada, que ficou em 4,2%. Buscar o equilíbrio entre produtividade e expansão da lavoura é um teste permanente de eficiência para o agro brasileiro.
Apesar do resultado positivo, existem desafios pela frente. Em 2026, o agro também tem sido afetado pelas dificuldades da economia brasileira. Assim como ocorre com outros setores da economia e com o brasileiro comum, o longo período de juros altos tem sido um obstáculo.
Para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), uma conjuntura de juros elevados e dificuldades na renegociação de dívidas rurais torna o cenário desafiador. “Hoje o agro, apesar de toda a pujança, de puxar o PIB brasileiro, vive um momento muito difícil. As fábricas de máquinas agrícolas não estão vendendo, os produtores não estão conseguindo comprar os fertilizantes pelo preço. E nós temos aí um problema dos juros que são altíssimos. Então, isso leva a um problema de crédito. Muitos produtores inadimplentes e muitos pedindo recuperação judicial”, afirmou a senadora Tereza Cristina, vice-presidente da FPA. O governo, autor da Medida Provisória 1376/2026, que trata sobre o tema, tem adotado uma postura cautelosa no debate acerca das dívidas agrícolas. Há um receio de que medidas pontuais sejam desvirtuadas e provoquem danos fiscais.
Paralelamente às divergências internas, o agro brasileiro busca ampliar a participação em mercados estrangeiros. Com esse fim, tem lançado mão de muito diálogo e negociação. Na semana passada, integrantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) receberam, em Brasília, representantes de embaixadas estrangeiras para um “diálogo técnico” sobre a qualidade e a sanidade da proteína animal brasileira. Participaram do encontro convidados de 14 países e da União Europeia, membros do grupo Diplomatas da Agricultura do Brasil (DAB).
Durante a sessão, a CNA reforçou a segurança sanitária das carnes brasileiras diante das novas exigências da União Europeia para produtos de origem animal importados pelo bloco. Segundo avaliação dos participantes, a reunião foi positiva. “Essa comunicação e o diálogo são importantes para a diplomacia agrícola”, resumiu o adido agrícola da Embaixada da França e presidente do DAB, Pierre-Adrien Romon. Ele prometeu compartilhar as informações reunidas com países integrantes da organização.
Fundamental para a economia brasileira, o agro tem demonstrado a busca incessante pela excelência, por meio de técnica, eficiência e negociação. Trata-se de um exemplo a ser seguido por outros setores da atividade econômica nacional.





