No canal, Irineia compartilhava a rotina no campo, o trabalho na agricultura e o dia a dia de uma mulher rural. Segundo ela, o projeto foi construído com muita dificuldade, quando ainda tinha pouco acesso à internet e precisava até sair de casa para editar e publicar os vídeos.
A situação começou após Irineia aceitar uma parceria com um homem que se apresentou como editor de canais. Conforme o relato, o acordo previa que ele teria acesso como editor para realizar lives de conteúdo jornalístico, enquanto divulgaria o canal da agricultora e incentivaria os espectadores a conhecerem seus vídeos. Em troca, ele pagaria R$ 500 por semana.
Porém, segundo Irineia, no dia seguinte ao recebimento do acesso, o homem teria realizado uma transmissão envolvendo conteúdo da Rede Globo e solicitado dinheiro aos espectadores. A agricultora afirma que começou a receber mensagens de seguidores alertando que havia uma pessoa fazendo uma transmissão suspeita em seu canal. Ao tomar conhecimento, ela retirou imediatamente o acesso do parceiro e afirma que deixou claro que não compactuava com qualquer tipo de golpe ou prática irregular.
Mesmo assim, o canal acabou sendo removido pelo YouTube. Irineia relata que tentou contato com o suporte da plataforma, mas recebeu inicialmente a informação de que a conta não seria restabelecida. Posteriormente, a mensagem teria indicado que a decisão permanecia mantida, pelo menos naquele momento.
O caso teria ido além do prejuízo causado à própria influenciadora. Mesmo depois de perceber que havia sido vítima da situação, Irineia afirma que recebeu contatos de pessoas perguntando se a parceria realmente existia. Segundo ela, o homem estaria tentando aplicar golpes em outras pessoas e teria apresentado o nome dela como referência para transmitir credibilidade às negociações.
Irineia afirma ter preservado prints das conversas, o e-mail utilizado na negociação e outras informações que podem ajudar na apuração. Um boletim de ocorrência também está sendo providenciado. “É devastador. Foram mais de cinco anos construindo esse canal. Eu comecei sem saber muita coisa, com muita dificuldade, e perder tudo assim é muito doloroso”, relata.



A agricultora também lamenta ter realizado a parceria sem um contrato formal. Segundo ela, normalmente procura documentar seus acordos profissionais, mas desta vez a negociação acabou sendo concluída principalmente por ligação telefônica, embora ela tenha guardado registros das conversas do início da negociação.
Agora, Irineia busca junto ao YouTube uma forma de recuperar o canal e preservar anos de conteúdo e trabalho dedicado à divulgação da vida no campo e da realidade da mulher rural.





