O mercado físico do boi gordo apresentou cotações de estáveis a mais baixas durante a última semana. Em Rondônia, a arroba do boi gordo foi cotada a R$ 333,00 em Vilhena, no dia 27 de agosto, uma retração de 1,48% em relação aos R$ 338 registrados na semana anterior.
O movimento acompanha a pressão observada em importantes praças pecuárias do país. São Paulo registrou a maior queda entre os mercados listados, com a arroba passando de R$ 355 para R$ 340. Em Goiás, o preço chegou a R$ 330, enquanto Mato Grosso ficou em R$ 335. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul mantiveram as cotações em R$ 335 e R$ 340, respectivamente.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o mercado brasileiro continua sendo influenciado pelo maior conforto das escalas de abate, principalmente entre os frigoríficos de maior porte. Esse cenário contribuiu para a pressão sobre os preços em algumas regiões.
A decisão dos Estados Unidos de liberar 300 mil toneladas de carne bovina dentro das cotas tarifárias, destinada principalmente a cortes do dianteiro utilizados na produção de hambúrgueres, provocou forte reação no mercado futuro, mas teve impacto mais limitado nas negociações físicas.
Perspectiva de alta em setembro
Apesar da queda registrada em agosto, especialistas avaliam que o mercado pode apresentar uma mudança de comportamento em setembro. Para Felipe Fabbri, coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, existem fatores que podem favorecer uma valorização da arroba.
Entre eles está a maior procura dos frigoríficos por bovinos jovens, especialmente na segunda quinzena de setembro, com o objetivo de formar estoques para atender às exportações para a China.
Outro fator é a tendência de menor participação de fêmeas nos abates entre setembro e dezembro, período que tradicionalmente apresenta mudanças na oferta de animais. Com menor disponibilidade, a expectativa é de maior sustentação aos preços.
A abertura temporária do mercado norte-americano para até 300 mil toneladas de carne com tarifa zero também pode beneficiar os exportadores brasileiros. A medida, válida por 90 dias, deverá acrescentar um novo componente de sustentação ao mercado pecuário.
Rondônia no cenário nacional
Com a arroba a R$ 333 em Vilhena, Rondônia aparece em uma posição intermediária entre as principais praças acompanhadas. O valor ficou abaixo de São Paulo e Mato Grosso do Sul, ambos em R$ 340, e de Minas Gerais e Mato Grosso, com R$ 335, mas acima da cotação registrada em Goiás, de R$ 330.
Para os pecuaristas rondonienses, o comportamento de setembro será importante, principalmente diante da possibilidade de maior demanda por animais jovens e da movimentação das exportações de carne bovina.
No mercado atacadista, porém, o cenário ainda é de pressão. O quarto dianteiro foi negociado a R$ 20 por quilo, enquanto o quarto traseiro ficou em R$ 26. A demanda interna segue mais fraca, enquanto carnes de frango e suína permanecem competitivas.
Exportações
As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada movimentaram US$ 873,58 milhões em agosto, considerando 15 dias úteis. Foram embarcadas 141,071 mil toneladas, com preço médio de US$ 6.192,50 por tonelada.
Na comparação com agosto de 2025, a média diária exportada caiu 26,4%, enquanto o preço médio da tonelada avançou 10,6%.
Para Rondônia, que possui importante participação na pecuária nacional e na produção destinada ao mercado externo, o desempenho das exportações e a possível recuperação da demanda nos próximos meses serão determinantes para o comportamento da arroba no estado.





