A evolução dos sistemas de cruzamento bovino no Brasil ganhou um novo capítulo com a estruturação do Senangus, uma nova raça sintética pensada para atender às demandas de adaptabilidade e qualidade superior de carne.
O pecuarista e selecionador Diogo Bianchi, de Luiziana (PR), apresentou o projeto de formação do composto resultado do acasalamento entre o Senepol e o Aberdeen Angus. A iniciativa busca combinar em um único indivíduo a tolerância ao calor do taurino caribenho e o acabamento de carcaça característico da raça britânica.

O diferencial prático do uso de reprodutores Senangus (50% Senepol + 50% Angus) surge no acasalamento direto sobre fêmeas zebuínas a campo. A cobrir matrizes Nelore na monta natural, o touro gera um produto tricross (25% Senepol, 25% Angus e 50% Zebu) com 100% de heterose.
A bezerrada nasce rústica, padronizada e com pelo zero, eliminando a necessidade de produzir e reter a fêmea meio-sangue F1 para obter cruzamentos com genética britânica no pasto.

Desempenho ponderal e chancela oficial do registro
Os dados zootécnicos mensurados nos primeiros lotes avaliados no Paraná confirmam a velocidade de desenvolvimento da nova linhagem:
Desmame: média de peso atingindo 292 kg de peso vivo aos 6,5 meses de idade.
- Sobreano (12 meses): peso a pasto com suplementação registrando marcas entre 454 kg e 480 kg aos 12 meses e 19 dias.
- Precocidade ao abate: capacidade de entrar no confinamento ao completar 11 meses e atingir o abate aos 14/15 meses superando 20 arrobas de carcaça.
O processo de oficialização da raça está sob a coordenação técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Associação Brasileira dos Criadores de Senepol (ABCB), responsável pelo gerenciamento do livro de registro genealógico e padrão racial. A seleção adota critérios rigorosos de genotipagem, ultrassonografia de carcaça e testes de cariótipo para evitar a aprovação de indivíduos sem mérito provado.

O Senangus também se consolida como uma ferramenta para o programa Beef on Dairy. O uso do sêmen em matrizes de rebanhos leiteiros viabiliza a produção de bezerros industriais com alto valor comercial, cujos produtos mantêm o percentual de sangue britânico necessário para receber bonificações nos programas de qualidade da carne Angus.








