Produzir a farinha que chega à mesa do consumidor urbano exige tempo, união familiar e muito esforço físico. Esse é o relato da agricultora Iva de Araújo Ferreira, moradora no Ramal 4 Olho na BR 319, na zona rural de Porto Velho, que compartilhou a experiência da família na produção artesanal de farinha de macaxeira.

Segundo Iva, o trabalho começou ainda no sábado, com a retirada da macaxeira da terra. No domingo, quatro pessoas da família se reuniram para dar continuidade ao processo. “Eu, meu marido e mais meu vizinho que torra a farinha passamos o dia todo descascando e lavando a macaxeira”, conta. Na segunda-feira, a família fez a prensagem da massa para retirada do tucupi, processo que durou o dia inteiro. Somente na terça-feira foi possível torrar a farinha.
Como na comunidade não há estrutura própria, a família utiliza uma casa de farinha cedida por um parceiro no ramal.
O acordo é feito “de meia”, o dono do espaço entra com a farinheira e o forno elétrico, torra a farinha, e a produção é dividida entre as partes. Todo esse trabalho resultou em sete latas de farinha, cada uma com 14 quilos. Cada lata é vendida a R$ 120, valor que, segundo a agricultora Iva, muitas vezes é considerado alto por quem mora na cidade.
Iva destaca que boa parte dos consumidores não conhece o verdadeiro custo da produção agrícola. “As pessoas acham caro, mas não sabem o trabalho que dá.

Já vi gente comprando macaxeira pronta para revender a R$ 2,50 o quilo, enquanto no mercado meio quilo chega a custar R$ 10”, relata. Para ela, falta compreensão sobre todo o processo que envolve o plantio, a colheita e o beneficiamento do alimento.
A macaxeira utilizada pela família foi plantada no final de 2024 e só colhida em 2026.

O motivo, explica Iva, é que o solo da propriedade não é preparado, o que exige mais tempo para que a raiz ganhe volume e renda melhor. “Se arrancar antes, a macaxeira fica fina e não rende. Aí o prejuízo é maior”, afirma. Professora aposentada, Iva diz que só depois de viver da agricultura passou a compreender a dureza do trabalho no campo. “Eu achava que dar aula era difícil, mas difícil mesmo é sobreviver da agricultura”, desabafa. Para ela, a principal forma de valorização do agricultor familiar é a compra direta dos produtos. “Se você quer esse produto, compre do produtor. Valorizar a agricultura familiar é reconhecer que nada do que chega à cidade é fácil de produzir.”

A história de Iva reforça a importância da agricultura familiar para a segurança alimentar e mostra que, por trás de cada alimento, existe um longo caminho de trabalho, resistência e dedicação no campo.
Vídeo da família trabalhando








